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4 de junho de 2015

É Melhor Não Saber - Chevy Stevens

(Título Original: Never Knowing
Tradutora: Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2013)

Algumas perguntas devem ficar sem resposta

Sara Gallagher nunca sentiu que pertencesse de verdade à sua família de criação. Embora sua mãe seja amorosa e gentil e ela se dê bem com sua irmã Lauren, a relação com o pai e a irmã caçula, Melanie, sempre foi complicada.

Às vésperas de se casar, Sara decide que está pronta para investigar o passado e descobrir suas origens. 

Mas a verdade é muito mais aterrorizante do que ela poderia imaginar. Sara é fruto de um estupro, filha do Assassino do Acampamento, um famoso serial killer.

Toda a sua paz acaba quando essa história é divulgada na internet e o pai que ela anteriormente queria conhecer resolve entrar em sua vida de forma avassaladora. Eufórico com a descoberta de que tem uma filha, John vê nela sua única chance de redenção. E, para criar um vínculo com Sara, ele está disposto a tudo, até a voltar a matar.

Ao mesmo tempo, a polícia acredita que essa é sua única chance de prender o assassino e resolve usá-la como isca. Então Sara se vê numa caçada alucinante, lutando para preservar sua vida e a de sua filha.

É melhor não saber é um complexo retrato de uma mulher tentando entender suas origens. Uma história cheia de reviravoltas, na qual ninguém é completamente bom ou mau.


Palavras de uma leitora...


- Eu concordo totalmente com este livro num ponto: algumas perguntas realmente necessitam ficar sem resposta. Mexer no passado... pode ser fatal. 

"O tempo diz muitas coisas. Toda a minha vida lutei contra o tempo - geralmente porque ele não estava passando rápido o suficiente para mim. Mas há momentos em que ele corre contra você e que então você faria qualquer coisa para parar o relógio."

- Já é madrugada e não sou capaz de ir dormir. Faz quase uma hora que terminei a leitura desta história, mas sinto que serei incapaz de me separar dela enquanto não colocar em palavras ao menos um pouco do que sinto. Necessito tirar toda essa carga emocional de mim. Preciso aceitar o final do livro. Entender que não havia outra forma das coisas terminarem. Não quando tudo já estava mais do que... inclinado a ter aquele ponto final. Chorei. Sim. E muito. A vida não é justa. Não é uma fábrica de realização de desejos, como diria os personagens de A Culpa é das Estrelas. E as pessoas estão sempre dispostas a destruir a vida uma das outras. É muito raro alguém parar para pensar: "O que minha ação causará na vida de tal pessoa? Eu gostaria que fizessem comigo o que estou disposta a fazer com ela?" Não pensamos no emocional, no psicológico dessa pessoa. Não a enxergarmos. Não pensamos em sua dor. O mundo é egoísta. Eu já estou cansada de saber disso. Então... por que o final desta história me causou tanto impacto? 

"Imaginei se, após o parto, ela chegara a tocar em mim, ou se simplesmente pedira que me levassem embora."

- Ela deveria estar se sentindo a mulher mais feliz do mundo. Tinha uma filha que alegrava cada um dos seus dias e um noivo que a amava e a fazia perceber que afinal existe alguém certo para cada um de nós... apenas esperando o dia em que finalmente pararemos de procurá-lo nas pessoas erradas. Em breve eles se casariam e tornariam oficial a família que já formavam. Sara sabia que tudo estava certo em sua vida e que a felicidade que ela tanto ansiara durante tantos anos estava em suas mãos. Então... por que ainda existia aquele vazio? Aquela sensação de que não importava o quanto pudesse ser feliz havia uma parte de si que sempre faltaria. Uma parte perdida no passado desde o instante em que sua mãe abriu mão dela e a entregou à adoção. 

Talvez ela se sentisse diferente se tivesse encontrado em sua família adotiva a aceitação e o amor que seu coração buscava não importando o quanto ela se recusasse a admitir isso até para si mesma. Mas será que era realmente tão vergonhoso desejar ter um pai e uma mãe que a vissem como filha... como parte deles, sem fazer diferença entre ela e os outros filhos? Cada lembrança de Sara era marcada pela dor e... rejeição. Até mesmo as mais felizes recordações de sua infância possuíam manchas que tempo algum seria capaz de apagar. Sim, ela fora escolhida ao ser adotada. Desejada, de certa forma. Mas de modo algum aceita. 

Então, prestes a se casar com o homem que amava, Sara resolve ir em busca das respostas que jamais encontrara... e que necessitava. Mais do que suportaria admitir. Mas o que encontra ao mexer em seu passado é tudo que jamais desejaria descobrir... ou enfrentar. E ela acaba por perceber... tarde demais... que existem coisas que precisam permanecer ocultas. Porque o preço... pode ser alto demais. 

"Mas às vezes, mesmo quando se tem uma escolha, as opções são todas tão terríveis, que parece que não há decisão a tomar."

- Não vou repetir tudo que já foi dito na sinopse. Minha intenção não é essa. Pois a sinopse por si só já fala demais.rs O que quero realmente é que vocês conheçam a Sara. A nossa protagonista. A maior responsável pelo grande impacto que este livro provocou em mim. Assim como a Annie, de Identidade Roubada, Sara será inesquecível. Não poderei pensar neste livro sem lembrar de tudo que vivi através da história dela, de todas essas emoções e do quanto eu lamentei. Do quanto eu quis que muitas coisas pudessem ter sido diferentes. Não. Não estou falando demais. Não revelarei nenhum grande segredo, podem ficar tranquilos. 

- A Chevy Stevens tem um dom. Ela realmente nasceu para escrever este tipo de história. Ela não apenas coloca um bom suspense no papel, cria um enrendo que nos "chama" e com reviravoltas que nos fazem parar de respirar. Não. Ela faz muito mais do que isso. Ela dá vida para cada um dos seus personagens. Até mesmo para os de menor importância.. ou aparentemente de menor importância. Todos eles tem personalidade, alma... conseguimos enxergá-los, senti-los... amá-los e odiá-los de uma forma impressionante. E se ela faz isso com os secundários... com a protagonista a coisa é bem mais intensa. Tudo que a Sara sente... é como se sentíssemos também. Tudo que acontece com ela... parece que está acontecendo com a gente. É fascinante... e assustador. 

- Quando conheci a Sara nem pude imaginar o quanto ela marcaria minha vida. A história não começa tão enlouquecedora como Identidade Roubada. É muito mais sutil, tranquila no início... Podemos respirar calmamente, mal imaginado o que está por vir. Mas tudo começou a mudar dentro de mim quando as lembranças da Sara se tornaram mais profundas e dolorosas. Em vários momentos me peguei com um nó machucando minha garganta e os olhos cheios de lágrimas que eu não queria derramar. As emoções da Sara em mim eram tão fortes que eu continha as lágrimas porque ela também não queria chorar. Não é algo louco?! Sim, é. Mas eu nunca fui normal.rs Só que eu me coloquei no lugar dela. E aquilo realmente doeu, gente. Eu desejei muito me afastar... precisava de distância do livro, precisava me retirar do lugar da Sara, pois não era algo suportável para mim. Só que era impossível. Porque eu já estava muito envolvida. A única maneira de me libertar seria chegar ao fim do livro. E colocar para fora um pouco de tudo que eu sentia. Não é à toa que não consigo dormir. 

- Eu sei que, neste mundo egoísta como eu disse antes, existem muitas crianças que sentem na pele a rejeição de seus pais. Muitas vezes seus pais foram vítimas da sociedade, dos pais, do destino, da vida em si... Nunca podemos dizer que somos totalmente responsáveis pelo nosso futuro. Não somos. Acreditar nisso é pura ilusão. Claro que fazemos escolhas que nos conduzirão a algum lugar... Mas sabe de uma coisa? Não temos realmente o controle de nossa vida. Apenas uma pequena parcela. Um controle mínimo. Porque as ações de outras pessoas sempre terão um efeito em nossa vida. Afinal de contas, vivemos em sociedade. Então... Como eu estava dizendo e me perdi... a rejeição não é algo que somente crianças adotadas podem vir a sofrer. Mas no caso da Sara, tudo girava em torno do fato de ela ser adotada. Parecia que havia uma mancha nela... parecia que estava escrito "pessoa indigna de amor uma vez que seus próprios pais não a quiseram". Sério, gente. Eu fiquei tão revoltada com isso! Peguei para mim o sofrimento dela. E foi horrível. Nenhuma criança no mundo merece sofrer como ela sofreu. Tanta dor, tanta culpa que era jogada em cima dela, tanta responsabilidade... acho que até se o mundo acabasse, seu pai adotivo a culparia por isso. Para ele, Sara era a causa de todos os males. E a mãe adotiva dela, nunca estava ali para protegê-la. Sara pode justificá-la de quantas maneiras diferentes ela desejar, mas eu não justifico. Não existe desculpa para sua negligência. Para a sua covardia. 

"Durante a maior parte da vida, estive a um centímetro da loucura, avançando para ela em marcha acelerada, mas e agora? Eu nem sabia mais o que era normal."

- Pela sinopse vocês puderam saber que quando a Sara dá aquele passo em busca dos pais que a abandonaram... querendo ao menos que eles lhes dissessem o motivo de não a terem desejado... ela entra num caminho sem volta. Além de perceber que é a última pessoa que sua mãe gostaria de ver em sua frente (para ser bem sincera, não é a última, mas quase isso), ela descobre também que é fruto de um estupro. Que sua mãe fora uma das primeiras vítimas do Assassino do Acampamento, um psicopata que atacava suas vítimas no verão, as estuprava e assassinava. Há mais de trinta anos. E que jamais fora pego. Ela mal tem tempo de sentir o impacto de tal choque, pois não demora para que tal notícia atinja a internet e se transforme num jogo mortal, no qual a vida de todos que ela amava estaria correndo sérios riscos. Um jogo no qual ela própria poderia acabar morta. 

"Pergunto-me como isso seria depois de tanto tempo. Passarei o resto da vida olhando para trás por cima do ombro e esperando o telefone tocar? Algo assim pode realmente terminar algum dia?"

- Foram muitas as coisas que me revoltaram nesta história. Muitos os momentos nos quais fechei o livro com força e desejei gritar para diminuir um pouco da minha raiva. Não sou muito fã de pessoas que gostam de manipular outras pessoas. Isso me irrita e me deixa muito frustrada. E a quantidade de pessoas que conheciam os pontos fracos da Sara e os usavam a favor delas era realmente bem grande. Praticamente todas as pessoas que ela amava faziam isso. Aproveitavam-se de seu desejo de ser aceita, amada, querida por eles para poder manipulá-la e fazê-la dançar ao som da música deles. Até mesmo a polícia. Como a sinopse diz, eles a usam como isca. Porque a vida da Sara não importava. Como ela era filha de um assassino em série, como tinha o sangue de alguém ruim, cruel, sua vida não era nada comparada a vida das vítimas dele. Se ela morresse, seria por um bem maior, verdade? Não para mim! Cada vez que um daqueles policiais abria a boca eu realmente sentia meu sangue ferver. 

"De quem seria a vida que eu acabara de destruir?"

- O trecho acima me lembrou demais de Identidade Roubada (já devo ter mencionado esse livro umas cem vezes só nesta resenha.rsrsrs) Lembro como se fosse hoje do momento em que a Annie comenta com sua psiquiatra algo marcante. Um trecho que sempre me vem à memória, apesar de já ter uns três anos que li o livro. Diz o seguinte:

"Eu odiava levar em conta a opinião de um maníaco. Mas se alguém nos diz que o céu é verde, embora saibamos que é azul, e a pessoa age como se ele fosse verde, e repete que é verde dia após dia, como se de fato acreditasse nisso, finalmente começamos a nos perguntar se não estamos loucos por pensar que é azul." (Identidade Roubada)

- A vida inteira a Sara foi considerada culpada por cada coisa que dava errada na vida dos seus pais adotivos. Ou na vida das irmãs dela. Até se a mãe, que tinha um problema de saúde, passasse mal (por causa do problema de saúde!) a culpa era dela. Então... quando a polícia também passou a considerá-la culpada pelos crimes que o pai dela cometia (não ela, mas o pai é que matava!) e passaram a repetir isso com tanta frequência, Sara passou a acreditar que realmente era culpada por todas essas coisas. Até pelas mortes. Como a questão do céu verde, do trecho acima. A cabeça dela virou uma confusão tão grande que ela realmente esteve bem próxima da loucura.

- No final das contas, independente do quanto eu sofri com o livro, sobretudo na reta final, o amei. Aquela mescla de amor e ódio, sabe. E considero a Sara uma das melhores protagonistas que conheci. Porque não importava quanta culpa ela sentia, não importava quantas lembranças ruins ela carregasse dentro dela e o quanto se considerasse indigna de amor e felicidade... ela sempre seguia em frente. Ela jamais desistia. A força dela, sua coragem e seu desejo intenso de encontrar a saída de tudo aquilo me admiraram bastante. Nunca a esquecerei. E lamento demais tudo que ela sofreu. Se você quer saber o que ela passou e entendê-la, precisa se colocar no lugar dela. Por mais doloroso que isso seja. Para mim, valeu a pena, pois pude compreendê-la por completo. E isso é o principal nesta história. 

- Além da Chevy Stevens não ter rompido com Identidade Roubada ao criar esta história, ela voltou a me provocar sentimentos que eu lutava para não sentir. Sentimentos que a Annie sentiu em sua história, sentimentos que eu senti na história dela. E agora... em É Melhor não Saber. O que eu senti se resume nesse trecho do livro:

"Eu me pergunto quando a coisa aconteceu com o Maníaco. Qual terá sido o momento decisivo... o momento em que alguém pisou com o calcanhar da bota e esmagou a vida dele e a minha.

... Teria sido no útero? Ele teria alguma chance? Eu tive?


... Ele tinha o lado maníaco, o cara que me sequestrou, me espancou, me estuprou, me submeteu a brincadeirinhas sádicas, me aterrorizou. Mas, às vezes, quando estava reflexivo, feliz ou entusiasmado, quando seu rosto se iluminava, eu enxergava o sujeito que ele poderia ter sido. Talvez aquele cara tivesse formado uma família e ensinado a filha a andar de bicicleta, e teria feito para ela bichinhos com balões, você entende? Que droga! Talvez tivesse sido um médico e salvado muitas vidas." (Identidade Roubada)

- Assim como no livro anterior, a história é dividida em sessões que a protagonista tem com sua psiquiatra Nadine. Sim, a mesma do outro livro. E a melhor notícia é que pelo que pude perceber neste livro e numa sinopse em inglês no skoob (NÃO entendo inglês.kkkkkk...), a Nadine tem sua própria história. Que eu estou simplesmente louca para ler! Só peço que a Arqueiro venha a publicar a história aqui. A autora é brilhante e me encanta saber que a Nadine tem sua própria história. Só necessito confirmar essa informação. Como eu disse, não entendo inglês então ler o nome "Nadine" na sinopse não é garantia de que ela tem seu próprio livro.rsrsrs

- Dei 5 estrelas ao livro sem pensar duas vezes! Sou fã incondicional dessa grande autora! A Chevy Stevens sempre estará entre os meus autores mais queridos. 

"Ele tem escapado impunemente há mais de trinta anos. O que vai fazê-lo parar agora?"

27 de maio de 2012

Identidade Roubada - Chevy Stevens


(Título Original: Still Missing
Tradutor: José Roberto O`Shea
Editora: Arqueiro)




Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado.

Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.


Construído de maneira extremamente original, Identidade roubada é o relato visceral que Annie faz à sua terapeuta dos 365 dias em que ficou à mercê do homem a quem chamava de Maníaco.

As memórias que vêm à luz ao longo de 26 sessões de análise são intercaladas com a história de sua vida desde que conseguiu escapar do chalé: a luta para superar seus medos e se reencontrar, a investigação policial para descobrir a identidade do sequestrador e a sensação perturbadora de que seu martírio ainda não acabou.

Em sua estreia, Chevy Stevens cria uma heroína inesquecível que, depois de sobreviver a uma experiência devastadora, precisa descobrir a verdade para se libertar.

Surpreendente e avassalador desde a primeira página, este thriller psicológico entrou na lista de mais vendidos do The New York Times e foi finalista dos conceituados prêmios Arthur Ellis e International Thriller of the Year. 




Palavras de uma leitora...


"Existe por aí um monte de livros dizendo que a gente cria o próprio destino, e que aquilo em que acreditamos irá se realizar. Nós devemos sair por aí só com pensamentos positivos na cabeça, e então tudo será sombra e água fresca. Não... desculpe... não é nada disso. A gente pode estar se sentindo mais feliz do que nunca e mesmo assim pode acontecer uma grande merda.


Mas a merda não apenas acontece. Ela derruba e esmaga você no chão, porque somos idiotas o bastante para acreditar em sombra e água fresca." [Página 78]




- Vocês não têm noção do quanto esse trecho me marcou. Fico relendo-o e pensando em tudo que aconteceu com a Annie. Todo o pesadelo que ela viveu e sinto muita vontade de chorar. Também sinto vontade de gritar, atacar o livro longe e matar certos personagens com minhas próprias mãos. Estou sentindo uma mistura louca de sentimentos. Nem sei explicar o que sinto... Enquanto lia esse livro eu tinha medo até de sair de casa. E ainda estou apavorada. É um dos livros mais intensos que já li na vida. Um dos mais abaladores. Mais chocantes. Nunca irei superá-lo. Esquecê-lo. Seria impossível.




"Naquela noite, enquanto sirenes passavam diante da nossa casa, aumentei o volume da TV para não ouvir o barulho. Mais tarde, descobri que todo aquele tumulto era por causa de Daisy e do meu pai.


No caminho de casa, meu pai parou na lojinha da esquina. Enquanto atravessavam o cruzamento, um motorista bêbado avançou o sinal vermelho e bateu neles de frente. O imbecil amassou nossa van como se fosse um lenço de papel. Passei anos me perguntando se eles ainda estariam vivos caso eu não tivesse implorado a meu pai que comprasse sorvete para sobremesa. Só consegui ir adiante porque tive certeza de que a morte deles era a pior coisa que poderia acontecer na minha vida. Puro engano." [18]




- Nem sei por onde começar. É difícil falar sobre esse livro. Não paro de pensar em tudo que aconteceu e no quanto a Annie foi forte. No lugar dela, eu teria morrido. Simples assim. O Maníaco não precisaria me matar e nem eu precisaria acabar com a minha vida. Simplesmente jamais teria a força da Annie. Ela é uma guerreira, alguém que sempre irei admirar. Uma personagem que já ganhou destaque na minha lista de favoritas. Não dá para não admirar alguém que sofreu tanto e mesmo assim deu a volta por cima. Alguém que foi cruelmente destruída pela vida e que conseguiu se levantar, mesmo que fosse duro juntar seus pedaços. Falar da Annie me faz sentir uma dorzinha dentro de mim. Se tinha alguém que não merecia sofrer tanto, era ela. E se vocês soubessem... Soubessem o quê?! Vamos falar sobre isso daqui a pouco. Mas nem adianta terem esperança. Não contarei segredos da história.


Era um domingo de sol. Annie estava ansiosa para vender um imóvel e em vez de ficar em casa, curtindo o dia lindo, foi trabalhar. O dia foi calmo. As pessoas estavam aproveitando o aparecimento do sol e quando ela estava prestes a ir embora, um estranho simpático apareceu. Ele era atraente e tinha um sorriso irresistível. Queria ver o imóvel e parecia entender o fato de que ela já estava indo embora. Ele foi tão adorável, gentil e compreensivo que Annie acabou aceitando mostrar a casa para ele. Mas ela não podia imaginar que estava diante de um louco. Um louco que iria destruir a sua vida.


Ele a sequestrou. O fraco movimento facilitou as coisas. Quando Annie percebeu, havia um revólver encostado em suas costas.


"No segundo que esperei pela resposta, percebi que ele estava muito perto de mim. Algo rígido pressionou minha região lombar.


Tentei me virar, mas ele agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça para trás, com um gesto tão rápido e doloroso que parecia arrancar meu couro cabeludo. Meu coração ficou espremido entre as costelas, e o sangue subiu à cabeça. Eu queria que minhas pernas chutassem, corressem... que fizessem alguma coisa... mas elas não conseguiam se mexer.


- É, Annie, isto aqui é uma arma. Então, escute bem. Vou soltar seu cabelo e você vai ficar calminha, enquanto vamos até o carro. E quero ver esse sorriso bonito até chegar lá, está bem?" [Páginas 12 e 13]




- Annie não conseguia respirar. Estava em choque. Era difícil acreditar que aquilo estava acontecendo. Que ela estava realmente sendo sequestrada e que provavelmente seria assassinada antes que alguém tivesse tempo de notar a sua falta. Ele a levou para o carro. Ela tentou fugir depois de entrar, mas ele tinha trancado a porta através de uma chave de acionamento a distância. Pouco tempo depois, o carro parou. Ele a fez sair do carro e a levou até o porta-malas. Annie começou a lutar, socar e chutar. Gritava, mas não havia ninguém para socorrê-la. Ele conseguiu colocá-la no porta-malas e pouco tempo depois Annie estava desacordada.


Era só o início do inferno... Durante um ano, Annie sentiria na pele o que um psicopata é capaz de fazer com outro ser humano. Seria espancada, estuprada, aterrorizada, perderia muito. Perderia tudo.




"E, já que estamos acertando os ponteiros, vamos estabelecer algumas regras básicas antes de começarmos nossa brincadeira. Vai ter que ser do meu jeito. Isso quer dizer que você não vai perguntar nada. Nem mesmo "Como se sentiu quando blá-blá-blá...?". Vou contar a história desde o começo e, quando quiser ouvir sua opinião, eu peço.


Ah! E, caso queira saber, não, nem sempre fui uma pessoa amarga." [Página 8]




- Annie tinha uma vida agradável. Um namorado lindo e bem-sucedido, uma carreira que a fazia viver com conforto, uma casa que amava com todo o seu coração e que tinha lutado muito para conseguir. Uma cadela que era sua melhor amiga. Era uma mulher independente, bem-sucedida e que nunca tinha feito mal para ninguém. Vivia a própria vida sem incomodar os outros.


Naquele dia, ela tinha tido mais um dos seus desentendimentos com a mãe. Por um motivo fútil. E daria tudo para ter aquele momento de volta. Daria tudo para ouvir mais uma vez a voz da mãe. Para sentir seu abraço. Queria que o tempo voltasse e que ela não tivesse saído de casa naquele dia... Naquela noite, seu namorado iria na sua casa. Quanto tempo ele demoraria para perceber que algo estava errado? Será que haveria tempo para salvá-la? Será que alguém conseguiria encontrá-la com vida?


- O Maníaco, que dizia se chamar David, a levou para um chalé. Um lugar isolado de tudo... Um lugar do qual Annie jamais poderia escapar.




"Eu não tinha como me proteger, nem como sair. Era preciso me preparar para o pior, mas eu nem sequer sabia o que o pior poderia ser." [Página 21]


- O pior é muito mais do que qualquer um de nós poderia imaginar. Alguém aqui já assistiu Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais? Já assistiu algum filme sobre psicopata? Eu já. E mesmo assim fiquei chocada com as atitudes do Maníaco. E não só chocada. Apavorada. Completamente apavorada. Foram muitos os momentos nos quais eu fiquei gelada. Nos quais eu tremi e senti náuseas. Senti desespero por não poder tirar a Annie de lá. Imaginei cada cena. Vi suas lágrimas, escutei seus gritos, imaginei sua dor, sua angústia. Pude escutar ela chamando pela mãe, pelo namorado... por alguém que a socorresse. E foi um pesadelo. Minhas noites de sono não foram nada boas enquanto eu lia esse livro. E mesmo quando terminei a leitura, continuei em agonia. Cada soco, cada coisa terrível que ele fazia com ela me deixava desesperada. Eu só queria que um milagre acontecesse e ela conseguisse sair dali. Esperava a cada instante que a polícia invadisse o local e a socorresse. Mas o tempo passa, gente. O tempo passa e ninguém aparece.


Depois desse livro tenho certeza de uma coisa: coitado do mocinho que estuprar uma mocinha nos próximos livros que irei ler. Se existir um livro com estupro por parte do mocinho, ele já estará condenado. Fui tolerante com alguns livros. Já perdoei estupros em vários livrinhos que se tornaram queridos por mim. Mas depois desse livro, cada vez que ler um livro no qual o mocinho da história abuse da mocinha, irei lembrar da Annie, irei lembrar da sua dor e não me vejo mais sendo capaz de perdoar. O Maníaco não era nenhum mocinho, mas sempre verei a Annie nos meus pensamentos. Sempre lembrarei da sua dor. Por isso, não serei mais capaz de perdoar estupro por parte do mocinho em alguma história. O mocinho terá que sofrer os tormentos do inferno para eu perdoá-lo. E mesmo assim... Não sei se voltarei a ser capaz. Você precisaria ler o livro para saber por que eu não conseguiria mais. Você precisaria ler o que a Annie diz. Precisaria se envolver e imaginar a dor dela. É simplesmente um pesadelo. Se você decidir ler esse livro se prepare para a dor que vai sentir durante a leitura. Não estou brincando e nem aumentando as coisas. Ler esse livro é uma tortura, gente. Mas depois que começamos a ler, mesmo sofrendo, mesmo angustiados, não conseguimos parar. Não é possível fechar o livro e virar as costas para a Annie. Para a sua história. Eu não consegui.




" Ele me roubou o Natal. Junto com um monte de outras coisas, claro. Você sabe... coisas como amor próprio, autoestima, alegria, segurança, a capacidade de dormir numa cama... mas, tudo bem... quem vai ficar se queixando?" [Página 53]




- Ele destruiu a vida dela. Seus nervos, marcou seu corpo, sua alma. O que ele fez com ela não tem nome. E só em pensar que ela ficou vivendo aquele inferno por um ano... Sabe... Ela tem razão. Se escrevêssemos nosso próprio destino, se só bastasse ter pensamentos positivos para que a vida fosse perfeita, se só bastasse a gente fazer o bem, a Annie jamais viveria aquele pesadelo. Jamais seria estuprada, espancada e obrigada a fazer coisas doentias... E centenas de pessoas, na vida real, não passariam por centenas de diferentes infernos. Mas inferno da mesma forma. Não. Nós não escrevemos nosso próprio destino. Pelo menos, não sou capaz de acreditar nisso agora.




"Antes de tudo isso acontecer eu nunca fui muito simpática, e tinha bons motivos - irmã morta, pai morto, mãe alcoólatra, padrasto babaca -, mas ao menos eu tentava não descontar a merda no mundo inteiro. Hoje em dia? Cara! Parece que qualquer um me deixa irritada. Você, os repórteres, os tiras, o carteiro, uma pedra no meio do caminho." [Página 62]




- Não direi como a Annie consegue escapar. Não contarei como foram as coisas entre ela e o Maníaco (só precisam saber que ela foi estuprada, espancada e submetida a coisas absurdas. Mas não contarei cada detalhe.) e nem revelarei nenhum segredo. Vamos falar sobre outras coisas agora.


Quando a Annie finalmente volta para sua cidade, sua casa, sua vida (bem... se é que se pode chamar aquilo que ela passou a ter de vida. Lembram o que eu disse sobre ele ter destruído a vida dela? Eu não estava brincando.), ela se torna uma pessoa bem amarga. Serão muitas as vezes em que vocês verão ela xingando, ignorando os amigos e afastando qualquer um da sua vida. Alguns podem condená-la, mas por favor, não faça isso aqui, pois não conseguirei ficar calada.rsrs... É preciso passar pelo que ela passou para ter direito de dizer que ela se comportou de forma estúpida. Que ela deveria ficar sorrindo para todo mundo e feito de conta que sua vida não era uma merda. Ela não passou por pouca coisa naquela droga de lugar, não ficou contente quando aquele sádico invadiu o seu corpo, socou cada centímetro seu. Inferno! (respira fundo, Luna. Respira bem fundo.) Ela sofreu os tormentos do inferno! E não acho justo alguém virar e dizer que isso não era desculpa para ela agir como passou a agir. Sabem o que é estar destruída? Completamente destruída? Conseguem imaginar isso? Então podem perceber que é impossível ser a mesma pessoa depois de ser feita em pedaços.


- Não sei se vocês já perceberam, mas estou com muita raiva. Uma raiva terrível. Gostaria de gritar aqui tudo que está preso. Tudo que gostaria de colocar para fora, mas acabaria falando demais e não desejo isso. Então, é melhor eu me controlar.


- Quando, após retornar, a nossa Annie passa por um momento de profundo desespero, ela decide procurar uma terapeuta. Alguém para quem ela pudesse contar tudo. Alguém que a ajudasse a sair daquele inferno. Que a ajudasse a se libertar. E é assim que nós passamos a conhecer sua história. O livro é dividido em 26 sessões. Uma mais forte do que a outra. A cada sessão mais coisas são reveladas. Nós acompanhamos o passado e o presente da Annie. Em alguns momentos ela vai viajar para mais longe... para sua infância, quando ela perdeu o pai e a irmã. Sentiremos com ela a culpa que ainda a devora, descobriremos que ela ainda não superou aquela perda, seremos levados de volta para o chalé... Acompanharemos sua "vida" lá... e seremos levados para o presente de novo. Saberemos como está sendo a "vida" da Annie. Iremos descobrir por exemplo, que ela não consegue dormir mais na própria cama. Que se esconde no closet, pois sente que não está segura. Que abraça a cadela e chora sozinha, cheia de medo e sendo atormentada pelos fantasmas do passado. Acredite, não é fácil. Não dá para ficar indiferente ao sofrimento dela. Não dá para não se envolver.




"O interessante é que quase ninguém pergunta como me sinto agora... não que eu fosse dizer. Só me pergunto por que não há interesse em saber o que acontece depois... todo mundo só quer saber da história. Acho que as pessoas pensam que a coisa acaba ali.


Quem me dera." [Página 52]


- Pois é. Como os seres humanos podem ser insensíveis! Fiquei indignada com a quantidade de egoísmo que vi nesse livro. Com os malditos repórteres que só queriam ganhar dinheiro através da história dela. Que não estavam nem aí para o que ela tinha sofrido. Só queriam a história. E fiquei indignada com muitas outras coisas. 


- Houve um determinado momento da história na qual eu senti raiva de mim mesma. Muita raiva. Por quê?! É difícil confessar isso, mas houve um momento no qual eu senti pena do Maníaco. O quê??????!!!!!!! Sim. É verdade. Felizmente, o sentimento passou logo. Mas é que com a quantidade de revelações feitas durante essa história, eu me peguei lamentando por ele também. Não direi quais foram os meus motivos. Leiam o livro para descobrir, meus queridos. Sei que gosto de spoiler e algumas pessoas que conhecem meu blog também gostam, mas eu própria pedi para minhas amigas não me contarem demais. Eu queria descobrir lendo. Esse é um tipo de livro que é crime contar os segredos. Vocês vão até gostar de perder o fôlego com as revelações.rsrs... Não privarei ninguém dessa sensação.kkkk... 




"Eu odiava levar em conta a opinião de um maníaco. Mas se alguém nos diz que o céu é verde, embora saibamos que é azul, e a pessoa age como se ele fosse verde, e repete que é verde dia após dia, como se de fato acreditasse nisso, finalmente começamos a nos perguntar se não estamos loucos por pensar que é azul." [Página 71]


- Sabe... Como a Moniquita disse, ela teve que ser muito forte para não enlouquecer. Ela tem uma força que causa admiração. Que a torna inesquecível. Eu no lugar dela teria ficado completamente louca. Literalmente. Ele queria forçá-la a acreditar que ele estava certo. Que tudo que ele fazia era normal. Ela estava errada por não aceitar seu destino. Por não aceitar que ele era o cara que ela estava esperando. Você conseguiria permanecer normal diante de uma coisa dessas? Com alguém, dia após dia, fazendo você acreditar que está errada? Em algum momento, você não acreditaria mais em você mesma. Eu pelo menos não seria capaz. Se bem que eu teria morrido antes mesmo de enlouquecer.




"Eu costumava me perguntar: Por que eu? Por que, entre todas as mulheres que podia ter sequestrado, ele foi escolher uma corretora de imóveis, uma mulher que trabalha? Eu não era exatamente a esposa ideal para um homem das montanhas. Não que eu desejasse a alguém o que tinha acontecido comigo, mas não teria sido melhor para o Maníaco uma pessoa mais frágil? Alguém que não causasse tanto problema? Mas percebi que ele sabia o que estava fazendo. O tempo todo." [Página 71]




- Existe um momento no qual a Annie confessa para a terapeuta que acha que está enlouquecendo. Motivo? Ela sente que as coisas ainda não acabaram. Sente que não está segura. Vive com medo como se alguém ainda quisesse lhe fazer mal. Será que ela está mesmo enlouquecendo, gente? Será que é consequência de tudo que ela sofreu? Ou... Ela realmente ainda está em perigo? 


Durante as investigações policiais ficaremos em choque diante das revelações. Serão muitas e capazes de realmente roubar o nosso ar. Se preparem para emoções fortíssimas. Do começo ao fim. A história não é tranquila em momento algum. Nós prendemos a respiração várias vezes durante a leitura. Nossos nervos ficam à flor da pele.




"Você tem jeito de ter abraçado essa profissão porque quer mesmo ajudar as pessoas.


Talvez não possa me ajudar. Isso me deixa triste. Não por mim, mas por você. Deve ser frustrante para um terapeuta ter um paciente incurável. Aquele primeiro profissional que procurei ao voltar para Clayton Falls me disse que ninguém é uma causa perdida, mas acho isso balela. Tenho certeza de que tem gente que fica tão esmagada, quebrada, que nunca deixará de ser um fragmento humano.


Eu me pergunto quando a coisa aconteceu com o Maníaco. Qual terá sido o momento decisivo... o momento em que alguém pisou com o calcanhar da bota e esmagou a vida dele e a minha.


... Teria sido no útero? Ele teria alguma chance? Eu tive?


... Ele tinha o lado maníaco, o cara que me sequestrou, me espancou, me estuprou, me submeteu a brincadeirinhas sádicas, me aterrorizou. Mas, às vezes, quando estava reflexivo, feliz ou entusiasmado, quando seu rosto se iluminava, eu enxergava o sujeito que ele poderia ter sido. Talvez aquele cara tivesse formado uma família e ensinado a filha a andar de bicicleta, e teria feito para ela bichinhos com balões, você entende? Que droga! Talvez tivesse sido um médico e salvado muitas vidas." [Página 99]




- Esse trecho me deixa muito triste, pois eu também pude imaginar que tudo poderia ter sido diferente. Que se... as coisas não tivessem sido uma droga desde o início (não direi o que tornou o Maníaco um psicopata), ele certamente seria alguém muito diferente. Alguém poderia ter estendido a mão para ele e o salvado, entende? E assim, também teria salvado a Annie. São por coisas como as que acontecem nessa história que eu às vezes penso que Deus se arrependeu de ter criado os seres humanos. E que chora o tempo inteiro por causa de nós. Mas Ele nos ama demais, sabe? E por isso ainda não acabou com a gente. Destruímos uns aos outros. O tempo inteiro. É tanta maldade que muitas vezes, sinceramente, eu não quero nem sair de casa. Minha mãe certa vez me contou uma coisa que fazia quando criança. Foi num momento difícil que eu estava vivendo. Ela disse que quando era criança e via alguma coisa terrível na televisão, se escondia dentro de uma caixa, pois achava que assim estaria segura. Que as coisas que aconteciam com aquelas pessoas na televisão não aconteceriam com ela se ela estivesse dentro daquela caixa. Mais uma tia dela, quando percebeu o que ela fazia foi bem clara com ela: se uma coisa tiver que acontecer não adianta você se esconder em lugar nenhum. Só Deus pode nos proteger. Não dá para nos escondermos. Com o tempo, minha mãe parou com aquilo. Só Deus pode nos proteger, queridos. Só Ele. Não existe lugar seguro neste mundo.


"Quando eu disse que estava ferrada, eu quis dizer "f" (queridos leitores, estou colocando somente o "f" em respeito aos adolescentes que também leem o blog) e mal paga. Tipo: tenho que dormir todas as noites dentro do closet.


Foi difícil à beça logo que voltei e fui para a casa da minha mãe, onde fiquei no meu antigo quarto. De manhã cedo eu saía do closet, para ninguém perceber. Agora que estou na minha casa, essa merda fica mais fácil, pois tenho tudo sob controle. Mas não entro num edifício se não souber onde ficam as saídas. Ainda bem que seu consultório fica no térreo. Eu não estaria aqui se esta sala ficasse numa altura de que não pudesse pular.


À noite... bem...  à noite é pior. Não consigo confiar em ninguém. E se alguém destrancar a porta, deixar uma janela aberta? Se eu já não estivesse maluca, o fato de correr pela casa verificando tudo enquanto tento impedir que os vizinhos vejam o que estou fazendo valeria um atestado de insanidade.


... Às vezes, volto ao dia do sequestro... repasso mentalmente minhas ações até os momentos finais do plantão, cena por cena, como um filme de terror que nunca acaba, um filme em que a gente não consegue impedir que a jovem abra a porta ou entre num prédio vazio... e me lembro da capa daquela revista, na lojinha do posto de gasolina. É bizarro pensar que neste exato momento alguma mulher está olhando minha foto, achando que sabe tudo a meu respeito." [Página 17]


- Já disse que vocês vão ficar chocados com as revelações? Pois bem... O que mais posso dizer? Que eu adoro a Annie e ninguém nesse mundo tem direito de julgá-la, condená-la ou atirar qualquer pedra, não importa o tamanho da pedra, eu também já disse. Eu disse que tem muita sujeira nessa história? Como assim?! Não irei explicar.rsrs... Vocês terão que ler para descobrir. :)


- Por que eu, que amo romances daqueles apaixonantes, li um thriller psicológico mesmo sabendo que não era o tipo de livro adequado para mim? Além de ser uma curiosa incurável quando se trata de livros, existem duas culpadas. Dessa vez não é a Carlita e a Moniquita.kkkk.. Elas são inocentes! Ano passado li uma resenha no blog da querida Náh (link para a resenha: AQUI ). Sobre o livro. E fiquei fascinada. A resenha dela estava tão envolvente que eu fiquei louca pelo livro. Sabia que estava me metendo numa grande encrenca. Que o livro não era o tipo feito para mim de jeito nenhum. Que ele me causaria pesadelos. Mas coloquei ele na minha lista. Quando passasse por algum lugar no qual o livro estivesse com um bom preço eu o compraria. E aconteceu mais rápido do que eu imaginava.kkkkk...


Mas eu fugi do livro o quanto pude. Até... que uma amiga lembrou que eu tinha falado com ela sobre o livro e quis lê-lo. Ela leu o livro, me contou o quanto o livro mexeu com ela e falava com tanta emoção da história, de uma forma tão impressionante que eu fui desistindo de lutar contra a vontade de lê-lo. Quando ela me devolveu o livro, eu logo tive uma oportunidade de lê-lo. Estava voltando para casa, num determinado dia da semana, e o trânsito estava terrível. Eu estava estressada e tinha colocado o livro na bolsa.rsrs... Foi inevitável. Comecei a ler a história e o medo começou a tomar conta de mim.kkkkkkk... Se eu contasse para vocês o que aconteceu comigo ontem vocês iriam rir, por isso, não conto!!!!rsrs... Deixem que só eu vou rir de mim mesma!kkkk... Então, elas foram culpadas. Eu não teria lido o livro se elas não tivessem me forçado a fazer isso.kkkkk... Obrigada pela maravilhosa resenha, Náh! Eu não teria desejado esse livro se não tivesse lido sua resenha. E te agradeço também, Ane!rsrs... Por ter insistido tanto até eu resolver encarar a leitura. Agora nós poderemos nos apoiar no nosso medo.kkkkk... Não sei quanto a você, mas eu não irei dormir tranquila durante um bom tempo. Não irei mesmo. Sair sozinha de casa?! Nem em pensamento!kkkkk... E quando for necessário sair, colocarei uma música no último volume para me impedir de pensar no medo.rsrs... Sabem... Acho que sou eu que irei precisar de terapia agora.kkkkkkkk... Mesmo assim eu agradeço! :D




- Só dei 5 estrelas ao livro no skoob porque não podia dar mais. Porém, ele merece muito mais do que cinco estrelas!!! É um livro incrível. E eu... recomendo?! Somente a quem tem certeza de que está preparado para ler uma história como essa. Lembrando que: o livro é forte, muito forte. Vai mexer profundamente com as suas emoções. Pode fazer você sentir muito medo e de verdade, pode te fazer mal. Não é uma leitura fácil. Eu não me arrependo de ter lido o livro e até me tornei fã da autora, mas eu quero um tempo agora. Não lerei outro livro assim nem tão cedo!rsrs... 




Bem... é isso. Sei que essa resenha ficou bem longa, mas eu não disse nem metade do que gostaria de dizer. Foi difícil manter o controle, mas creio que consegui.rsrs... 




Bjs e até breve!

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