(Tradução de: Lúcio Cardoso
Editora: Civilização Brasileira
Edição de: 2016)
Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë - mais conhecida como a autora de O morro dos ventos uivantes -, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa.
Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, O vento da noite, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira.
É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes da literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor - uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza.
- Quem aqui ainda não sabe que um dos meus livros preferidos é O Morro dos Ventos Uivantes? E que já o li quatro ou cinco vezes (começo a perder a conta)? Minha mais recente releitura aconteceu alguns meses atrás durante o projeto Leitura Coletiva e foi uma experiência única. Sinto muitas saudades das conversas, das discussões sobre a história, de todas as impressões partilhadas, de ouvir a música inspirada no livro, de falar sobre os filmes também. Enfim... Foi tudo maravilhoso! E gostaria de voltar no tempo para reviver tudo. Suspiros...
E foi justamente no período da leitura coletiva que eu soube por uma das leitoras que a Emily Brontë também tinha poemas publicados e que existia a possibilidade de eu encontrá-los traduzidos. Eu fiquei louca para conhecê-los, pois vocês sabem que a Emily só escreveu um romance e sua vida foi muito curta. Ela morreu pouco tempo depois da publicação de O morro dos ventos uivantes e nem chegou a ver o sucesso que sua história faria, após a rejeição inicial da sociedade da época. Em muitos aspectos eu me identifico com ela. Quanto mais a conheço, procuro saber de sua vida, mais sinto que seríamos boas amigas se tivéssemos nos conhecido.rs Eu viajo toda vez que ouço a música, muitas vezes volto ao livro para reler meus trechos mais amados. Respiro essa história. Portanto vir a ler seus poemas era inevitável. Destino. :D
A Lauren Harris, que também participou da leitura com a gente, compartilhou algum tempo atrás um vídeo de uma canção chamada Lullaby, inspirada em um dos poemas da Emily. E achei a letra tão linda, mas tão linda que soube que não suportaria passar muito tempo longe dos escritos da minha autora. E fui à procura dos poemas.kkkkkkkkk...
Assim descobri o livro O Vento da Noite, que não fazia a menor ideia que tinha sido publicado aqui. Consegui uma baita promoção na Americanas e hoje o tenho em destaque na minha estante. Um livro que abraço, beijo, aperto forte. E muitas vezes imagino a Emily escrevendo... consigo vê-la sentada com os pensamentos longe... tentando voar.
Lullaby (é o poema da Emily cantado)
Música de Aylona
- Este poema faz parte da coletânea O Vento da Noite? Não!kkkkkkk... Confesso que eu fiquei triste quando percebi que não o encontraria neste livro, mas logo pensei nos 33 outros poemas que tinha a oportunidade de ler e me vi de novo emocionada por ter o privilégio de conhecer um pouco mais de uma autora tão querida. De sentir um pouco do que ela tentou transmitir com suas palavras. E foi maravilhoso! Simplesmente perfeito! Amei todos os poemas, embora tenha sim os meus preferidos. Aqueles que me impactaram. Que me atingiram com força, sobretudo num determinado dia em que eu era só lágrimas. Que tinha perdido um pouco da minha esperança, da vontade de insistir.
"Diante de mim a noite se torna mais escura,
As rajadas do vento são mais frias e selvagens.
E eu, aprisionada a este sortilégio,
Não posso mais partir. " [Trecho de A noite se torna mais escura...]
- A Emily gostava das rimas em seus versos, mas quando os mesmos foram traduzidos pelo Lúcio Cardoso ele optou por abrir mão delas para manter a essência dos poemas. Sua maior preocupação era conectar-se com os poemas e retirar deles o que a Emily queria dizer e que se traduzidos ao pé da letra para o português talvez não passassem a mesma emoção. Mas para aqueles que não gostam dessa espécie de tradução que é chamada de "tradução livre" não precisam ficar preocupados: os textos são integrais no idioma original, ou seja, de um lado você tem o texto em inglês do jeito que ela escreveu e do outro a tradução do Lúcio. :)
Eu compreendo bem o que o tradutor fez. Não entendo nada de inglês, mas de espanhol sim. E muitas vezes quando quero traduzir um trecho emocionante de um livro para uma pessoa tenho a necessidade de não fazer a tradução literal, de escolher outras palavras por saber que a magia se perderia com a tradução.
"As lágrimas me perseguiam até em sonhos,
A noite como o dia me enchia de terror." [Trecho de Agora está acabado]
- Se eu já me sentia próxima da autora lendo O morro dos ventos uivantes e vivendo cada momento com os personagens maior foi essa sensação ao ler seus poemas. Eu me sentia realmente transportada para o momento em que ela estava escrevendo e me pegava refletindo em como a vida é misteriosa. Duzentos anos atrás, no dia 30 de julho de 1818, a Emily nascia. E no dia 19 de dezembro de 1848 seu coração parou de bater, com apenas trinta anos. Em 1994 eu nasci, cento e quarenta e seis anos após a morte dela. Nunca nos conhecemos, cerca de um século e meio nos separa, mas suas palavras são importantíssimas para mim. Me provocam um bem que ela nem poderia imaginar. Os escritos dela a eternizaram, mas nunca poderei dizer isso para ela. Porque a história dela terminou muito tempo antes da minha começar. :(
"Qual o destino que te pode aguardar,
Não quero, não ouso dizê-lo." [Trecho de A noite brilhante do infinito]
- A escrita da Emily era muito intensa e seus poemas falam sobre diversos momentos de nossa própria existência. Falam de infância e a saudade deixada, da juventude perdida, da amizade esquecida, de família, de amores, de tristeza, solidão, morte. Sim, os poemas dela tem aquele tom dos da Florbela Espanca (outra poetisa que amo), aquele ar sombrio, nostálgico. Mas suas palavras nos atingem em algum ponto necessário. Pelo menos, foi assim comigo. As coisas das quais ela fala... eu sei o que é sentir boa parte delas.
"Lanço-me de joelhos nesta fria pedra,
E convido ao adeus os sentimentos passados;
Deixo contigo minhas lágrimas e minhas penas,
Para voltar apressadamente às coisas deste mundo." [Trecho de Oh! Não me retenhas]
- É uma coletânea que deixa aquele gostinho de quero mais, sabe. E realmente existe mais. Eu queria que O Vento da Noite reunisse todos os poemas da Emily, mas infelizmente não foi assim. Espero ter a chance de encontrar os outros na internet. Sei que irei relê-los muitas vezes ao longo da minha vida. Sobretudo quando estiver triste, necessitando sentir que alguém me compreende. E sei que a Emily sim.rs
"E eu sentia meu coração, angústia de meus olhos,
Abandonar-se de repente à doçura de um sonho.
Tremia à ideia de saber seu nome,
E no entanto eu me inclinava e esperava sua voz,
Esta voz que eu jamais tinha ouvido,
Que me falava docemente dos antigos anos,
E parecia despertar uma imagem longínqua.
Lágrimas subiam, e queimavam os meus olhos." [Trecho de Onde pois estavas tu]
- Quando chegamos ao último poema desta coletânea, poema esse intitulado Minha alma não teme coisa alguma, temos uma mensagem da Charlotte Brontë, irmã mais velha da Emily e escritora como ela, na qual ela diz: "Estes versos foram os últimos que minha irmã Emily escreveu." E vocês podem ter uma ideia da tristeza que senti nesse momento. :(
É um livro que eu recomendo a todos os fãs da autora e também aqueles que mesmo não conhecendo sua obra são apaixonados por poesia. Vale muito a pena dar uma chance a esses versos. São incríveis! Eu me apaixonei por quase todos.rsrs

