Mostrando postagens com marcador Em português de Portugal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Em português de Portugal. Mostrar todas as postagens

28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro com epílogo 


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



12 de junho de 2015

Um Beijo Inesquecível - Teresa Medeiros


Irmãs Fairleigh 1/2

 Laura Farleigh precisava de um marido. 

Se quisesse manter um teto sobre a cabeça dos irmãos, a orgulhosa filha do reitor teria de casar até ao dia do seu vigésimo primeiro aniversário. Ao encontrar inconsciente na floresta um misterioso desconhecido de rosto angelical e corpo de Adónis, que não se lembrava do nome e do passado, decide reclamá-lo como seu. Mal sabia ela que aquele anjo caído era afinal um demônio disfarçado. 

Sterling Harlow, o famoso devasso conhecido como o «Demónio de Devonbrooke», acorda com o beijo encantador de uma formosa jovem que lhe confessa ser ele o seu prometido. 

Com as faces beijadas pelo sol e sardentas, Laura é uma jovem inocente apesar do encanto feminino das suas curvas. Quando lhe garante ser ele um perfeito cavalheiro, Sterling pergunta a si próprio se, para além da memória, terá perdido o juízo. Juraria não ser homem para se satisfazer apenas com beijos - principalmente os da doce e sensual Laura. 

Tentando descobrir a verdade antes da noite de núpcias, um beijo inesquecível ateia a paixão que nenhum deles alguma vez esquecerá.


Palavras de uma leitora...


Um lindo conto de fadas...

Sterling Harlow, mais conhecido como o diabo de Devonbrooke, ainda conseguia lembrar-se com clareza da última vez em que viu sua mãe... Mais de vinte anos se passaram, mas em sua mente ficara o momento em que ela se ajoelhou e abriu os braços, implorando em silêncio por um perdão que jamais viria. 

Agora, bem distante do menino inocente que outrora foi, recebeu a notícia que mais temia no mundo: a de sua morte. Sua mãe tinha partido para sempre. E a última lembrança que ele sempre guardaria dela, seria daquele momento. Do adeus que não tiveram. Do perdeu que ele lhe negou. 

Determinado a não permitir que a dor intensa que sentia dentro de si transparecesse e furioso pela protegida de sua mãe se atrever a censurá-lo e condená-lo como se tivesse algum direito, ele toma a decisão de recuperar a propriedade onde um dia morou com sua família... um lugar no qual ele não colocava os pés há muitos anos. Onde sua mãe vivera até o último dia de sua vida e... onde também se encontravam as crianças e a jovem que ela tomara sob a sua proteção há seis anos. O ciúme tinha um gosto amargo e ele o considerava uma fraqueza. Mas nenhuma força de vontade foi capaz de impedi-lo de sentir o golpe de saber que sua mãe o expulsara de casa quando ele tinha apenas 7 anos, mas adotara três outras crianças, dando a elas o que jamais lhe dera. Fazendo-as felizes enquanto ele vivia um inferno. 

"Iluminadas pelos raios de sol, as nobres feições do cavalheiro pareciam intemporais como as de um príncipe que tivesse esperado mil anos por alguém que o viesse acordar do seu sono encantado. Pequenas borboletas douradas vagueavam em redor de ambos como salpicos de um encantamento de fadas.

Mais tarde, ela juraria ter talvez sucumbido ao encanto do bosque, pois seria essa a única explicação para o incrível impulso que levara Laura Fairleigh, a piedosa filha de um clérigo, que nunca permitira sequer que os seus pretendentes lhe pegassem na mão, a inclinar-se e a tocar com os seus os lábios dele."

O mundo de Laura estava desmoronando. Seis anos antes, ela se vira de repente sem casa e sem pais. Tudo havia se perdido num terrível incêndio, restando-lhe apenas duas crianças que dependiam dela e pelas quais ela faria qualquer coisa, até mesmo dar a própria vida. Mas o socorro chegou na imagem de uma bondosa mulher que os acolheu e os ajudou a cicatrizar as feridas daquela perda. Uma mulher que para Laura fora mais do que uma tutora... fora uma mãe e um anjo da guarda. Agora... ela havia partido... e o futuro voltara a se tornar frio e ameaçador. Por mais otimista que tentasse ser, o desespero a invadia, pois o filho de sua tutora dali a um mês regressaria para reclamar uma casa que nunca lhe interessou. E para separá-la de seus irmãos. 

Sua única esperança era encontrar um homem que aceitasse casar-se com ela antes do seu vigésimo primeiro aniversário. Que seria dali a menos de quatro semanas... Só esperava que maridos pudessem cair do céu... 

... E que não viessem na imagem do homem mais lindo que ela já vira na vida, desmaiado e desmemoriado no bosque. Ou melhor... que viesse exatamente na imagem de um homem assim. 

"– Quem?... Quem… sou eu?
Era inegável a expressão suplicante dos olhos dele. Apertava-lhe o braço com os dedos exigindo uma resposta que ela não lhe podia dar.
Embora soubesse que ia cometer o pecado mais negro da sua vida, Laura não pôde impedir que um terno sorriso lhe iluminasse o rosto.
– O senhor é meu."

- Sabe aquele tipo de livro que é simplesmente uma fofura e uma delícia de se ler? Que te faz rir, te emociona, te faz suspirar e sonhar acordada? Que te alivia a alma e te aquece o coração? Um Beijo Inesquecível é exatamente esse tipo de história. Um livro inesquecível. Uma história arrebatadora. Suspiros...

- Depois de ler um suspense irresistível, mas também sombrio e que me deixou com a alma "pesada" e angustiada, tudo que eu mais necessitava era de uma história leve que me fizesse sonhar. E eu me lembrei desta história, que uma amiga querida me indicou já há algum tempo. Iniciei a leitura, esperando encontrar uma espécie de conto de fadas... e não me decepcionei. Pelo contrário. A história foi muito mais do que eu esperava. 

"O pai de Laura tentara avisá-la. Se vendesse a alma ao diabo, seria apenas uma questão de tempo até ele vir buscá-la. Mas o pai nunca a avisara de que o diabo podia ser tão belo que ela se sentisse tentada a entregar-lhe a alma sem interpor qualquer defesa."

- Após receber a carta que Laura escreveu, comunicando-lhe a morte de sua mãe, Sterling pediu que sua prima lhe respondesse, informando que dali há um mês ele regressaria para tomar a propriedade que lhe pertencia por direito. Mas antes que pudesse pensar no que estava fazendo, Sterling partiu, em direção à sua casa, com um mês de antecedência... caindo do cavalo e batendo a cabeça antes que pudesse chegar. A queda acabou por lhe roubar a memória... fazendo-o também conhecer um lindo anjo, que dizia ser sua noiva e que ele daria tudo para ser verdade. Podia não lembrar-se do seu passado, mas sabia que Laura era tudo que ele sempre esperara. Era sua salvação. Aquela que poderia ensinar-lhe a amar novamente. E reencontrar o menino que ele um dia foi, mas que há tanto tempo se perdera dentro dele. 

Sterling não sabia quem era, mas sabia exatamente quem gostaria de ser com ela. 

- Cada momento com essa história foi mágico. Eu ri tanto e me peguei com lágrimas escorrendo pelo rosto tantas vezes.rs É justamente por ser uma história tão linda e tão doce que ela acaba também por nos fazer chorar. Não há maneira de explicar como me senti durante a leitura. Foi simplesmente maravilhoso! Foram momentos que eu não queria que passassem, que eu gostaria que tivessem durado para sempre. Laura e Sterling (também conhecido como Nicholas, graças à Laura.rsrsrs) formam um casal belíssimo, ambos encontrando um no outro muito mais do que buscavam. Unidos por um amor que seria capaz de perdoar e superar qualquer coisa. E curar qualquer ferida. Estou perdidamente apaixonada por eles e pela história deles, gente!rsrs

- Não há muito o que eu possa contar sobre o livro. Só digo que é uma história que merece muito ser lida e que vai emocionar muito o seu coração. Dei 5 estrelas ao livro sem pensar duas vezes. E é uma daquelas histórias que eu já anseio pelo momento em que poderei reler. Suspiros...

- Mas antes de encerrar esta resenha... Durante tantos anos como leitora, eu já vi mocinhos reagirem de tantas maneiras semelhantes ao acreditarem-se traídos ou enganados pelas mocinhas. Uns tinham motivos para tornarem-se desprezíveis outros não tinham motivo algum... Mas a questão aqui é... Sterling foi profundamente traído em sua infância. Além de ter sido muito maltratado durante anos e anos, perdendo a capacidade de chorar, aprendendo a esconder a dor até de si mesmo... tornando-se um homem que ele nunca quis ser, alguém que ele não poderia reconhecer no espelho... tão longe e tão perto dele ao mesmo tempo. Mas apesar de todas as cicatrizes e da dor que jamais o abandonou... a reação dele é bem diferente da de tantos mocinhos que eu conheço. Não pude deixar de perceber isso. E apenas contribuiu para me fazer amá-lo ainda mais. Ele é um príncipe... em todos os verdadeiros sentidos desta palavra. E foi feito especialmente para a Laura. Assim como ela foi feita sob medida para ele... 

Às vezes, o destino pode ser simplesmente tudo o que necessitamos... 

Um Beijo Inesquecível já foi anteriormente resenhado no blog pela minha querida amiga Carlita, quem me indicou esta história. Para ler a resenha dela, basta clicar AQUI. :)

Bjs!

21 de maio de 2015

Só Se Ama Uma Vez - Johanna Lindsey



1º Livro da Série Malory/Anderson

Regina Ashton já recusou tantos pretendentes à sua mão que a alta sociedade londrina a considera uma snobe sem coração. Não podiam estar mais enganados. Órfã desde cedo, Regina é a sobrinha superprotegida de Lord Edward e Lady Charlotte Malory, a quem é muito difícil agradar. Aos olhos dos tios, nenhum dos jovens candidatos é suficientemente bom. Cansada de tão infrutífera busca, a jovem sai de casa numa noite escura, decidida a informá-los de que não pensa casar… nunca! Mas o seu plano coloca-a no sítio errado à hora errada, e é raptada por engano. A sua ira perante a arrogância do raptor, Nicholas Eden, vai inesperadamente dar lugar a sentimentos contraditórios de paixão e vergonha. Aquela noite não mais lhe sairá da cabeça.

O Visconde Nicholas Eden também tinha um plano: dar uma lição à sua amante descontente, raptando-a ao abrigo da noite. Não contava enganar-se na pessoa e arruinar a reputação de uma menina de família. Mas agora, movido pelo desejo mais desenfreado que alguma vez sentiu, é a custo que reconhece que nunca poderá casar com Regina, apesar do escândalo que paira sobre eles.

Implacável, é o destino que os uniu a afastá-los irremediavelmente, ainda que ambos saibam que um amor assim só se vive uma vez… 


Palavras de uma leitora...


Regina Ashston é uma jovem de 19 anos que sonha em casar e ter filhos... ou não. Na realidade, há tempos que ela se cansara de tal sonho. As palavras "pretendente" e "casamento" naquelas alturas já a deixavam prestes a ter um ataque. Não que ela não quisesse se casar. Mas estava cansada de olhar para cada homem analisando-o, imaginando se ele será ou não um bom marido e, o mais importante, se será aceito por todos os seus tios. Vira um por um, todos os seus pretendentes, serem rejeitados por eles, apesar de serem os mais ansiosos por vê-la casada. Embora apreciasse a boa intenção deles e sua preocupação com a felicidade dela, Regina gostaria de ao menos poder falar abertamente e expressar o quanto na realidade eles a estavam fazendo infeliz. Seu maior sonho naquele momento era que um milagre acontecesse e de repente... ela já estivesse noiva...

Nicholas Eden é um libertino. Um mulherengo que empenha-se dia após dia a arruinar por completo a própria reputação. Não leva a sério mulher alguma e toda vez que se cansa as descarta sem ligar a mínima para seus sentimentos. Determinado a não se casar, leva na realidade uma vida bastante solitária, pois oculta um segredo há muitos anos... algo responsável por fazê-lo representar aquele papel, escondendo da sociedade quem ele realmente é, para proteger seu coração de ser ferido quando a verdade finalmente vier à luz. Era um inferno manter todo aquele sentimento dentro dele. Era desesperador não poder ser ele mesmo em cada maldito segundo dos seus dias, mas seria ainda pior permitir-se se apaixonar por alguém apenas para ter o coração feito em pedaços depois. Não. Não iria se apaixonar. Jamais se permitiria ficar numa situação tão vulnerável. Mas quando um equívoco coloca Regina em seu caminho, Nicholas percebe que o coração não segue regras. E muitas vezes não liga a mínima para o que temos a dizer...

"– Eu não quero o amor dela, quero o ódio dela – rugiu Nicholas. E queria-o agora, disse a si mesmo, não depois de estar habituado ao amor dela, de ter começado a depender dele e o retribuir. Não conseguiria suportar o ódio dela nessa altura."

- Estou há anos querendo ler esta história. Desde que tive o prazer de ler Amável Tirano, terceiro livro da série, que anseio pelo momento em que conseguiria ler a história da tão querida sobrinha dos Malory, responsável pelas brigas e pela reconciliação entre os quatro irmãos. No livro do James eu tive a oportunidade de conhecê-la e ao Nicholas também.rs E de perceber o quanto o pobre era "maltratado" pelos familiares da esposa.rs

- Regina é a pequena Reggie... ou Regan, dependendo da opinião de cada tio. Seus pais morreram num terrível incêndio quando ela tinha apenas dois anos de idade. Desde esse momento ela foi criada pelos quatro tios que queriam ter a mesma quantidade de tempo com ela, apesar de morarem em lugares diferentes. Perder a única irmã foi algo que marcou a vida deles e que não puderam superar. Regina era uma parte dessa querida irmã e invadiu o coração deles sem pedir licença. Tivera uma infância nada tradicional, mas recheada de muito amor e que contribuíra para torná-la exatamente a mulher que era. Extrovertida, independente, segura de si e do que quer para a própria vida. Por isso, quando tem a oportunidade de finalmente conseguir aquilo que queria, não se vê nem um pouco disposta a deixá-lo escapar de suas mãos... O que acaba por selar o destino dela e do Nicholas. E dar a ambos a oportunidade que mereciam...

- Eu simplesmente adorei a Regina!rsrs Não existe nada nela que tenha me desagradado. Ela é cheia de vida e com uma personalidade que me fez gargalhar em muitos momentos durante a leitura. Se o Nicholas sabia ser terrível, ela podia ser mil vezes mais. De modo algum permitia que ele descontasse sua frustração em cima dela e não sei como ele, e todos os outros moradores da casa, não ficaram surdos.kkkkkkk... Além disso, a cena sobre o escritório é inesquecível. Sem mencionar o momento no qual ela expulsa uma certa... vaca...  da sua casa. Estivesse sofrendo ou não, ela jamais permitiria que pessoa alguma a humilhasse e estava muito mais empenhada em ser feliz do que ligar para o que a sociedade tinha ou não a dizer sobre a sua vida. Foi inevitável adorá-la! Por esse motivo também que acabei por me irritar demais com um certo mocinho...

- No início da história, eu compreendia bastante o Nicholas e não levava muito a sério as idiotices que ele dizia ou fazia. Estava gostando muito dele e sempre me pegava rindo com as suas tentativas de levar a Regina para o mau caminho.rs Que era tudo que ele mais queria em sua vida. Apenas levá-la para o mau caminho, sabe. Arruinar a reputação dela, satisfazendo o desejo que o consumia e depois deixando a garota resolver sozinha todos os problemas que conseguiria com isso. Sim. Ele era um canalha. Por completo! Mas embora no início eu preferisse apostar nele, que no fundo ele tinha sentimentos e que acabaria por se apaixonar por ela e se importar com os sentimentos dela... toda paciência tem limites. Até mesmo a minha. E depois de vê-lo fazer algo bastante covarde, imaturo e intolerável peguei uma raiva muito grande dele, que mesmo agora ainda não passou. Eu podia compreender seus motivos, mas na verdade nada justificava o que ele fez. E não fiquei com a sensação de que ele tenha realmente se arrependido, dado o devido valor ao que tinha feito. E isso prejudicou muito a imagem dele e do livro. 

- Não que eu não tenha gostado do livro. Gostei, sim. Muito. E recomendo a história!  Mas não pude aceitar certas coisas. O Nicholas conseguiu ser um dos mocinhos menos preferidos da autora para mim. Apesar de não tê-lo odiado e de ter até me emocionado com as cenas ternas entre ele e um certo bebê (os bebês sempre amolecem meu coração!rsrs) e de ele ter se transformado num mocinho completamente diferente no final, ainda assim foi intolerável aquela imaturidade num mocinho bastante crescido e experiente. E além disso, os sentimentos que notei por parte da mocinha, só pude enxergar nele no final. E mesmo assim sem aquela profundidade, sem toda aquela intensidade que é tão importante. 

Prefiro pensar que o amor entre os dois estava apenas surgindo e que com o passar do tempo, se tornaria tudo aquilo que eu esperava e que eles mereciam...

- Enfim... Dei 4 estrelas ao livro. E como disse, recomendo sim. Sobretudo a quem já é fã da autora. :) Mesmo que o casal não nos apaixone, vale a pena conhecer os irmãos Malory.rsrsrs... Estou muito ansiosa para ler a história do Anthony! Louca para vê-lo apaixonado. Será algo impagável!kkkkkkk... 


Segundo informações do blog Leituras & Devaneios, os livros que fazem parte dessa série, são:

Série Malory/Anderson & Associados

1-Love Only Once/ 1983 - Trad. Livre: Amar uma só vez (Só Se Ama Uma Vez - em português de Portugal)
Personagens: Regina Ashton & Nicholas Éden

2-Tender Rebel/ 1988 - Trad. Livre: Terna e Rebelde
Personagens: Anthony Malory e Roslynn Chadwick

3–Gentle Rogue/ 1990 - Amável Tirano (Editora Record/ 1994) 
Personagens: James Malory & Georgiana Anderson

4-The Magic of you / 1993 - Trad. Livre: A mágica de seu ser
Personagens: Amy Malory & Warren Anderson

5-Say you Love me/ 1996 - Trad. Livre: Diga que me ama
Personagens: Derek Malory & Kelsey Langton

6-The Present/ 1998 - Trad. Livre: O presente (mais conhecido como “O Marquês e a Cigana”) Este é um conto natalino, onde vislumbramos grande parte dos protagonistas dos livros anteriores, e também conhecemos a história do primeiro Marquês de Haverston Chistopher Malory, com sua cigana Anastasia.

7-A Loving Scoundrel/ 2004 - Trad. Livre: Adorável Safada
Personagens: Jeremy Malory & Danny

8-Captive of my desires/2006 - Trad. Livre: Cativo dos meus Desejos
Personagens: Drew Anderson & Gabrielle Brooks

9-No Choice But Seductions/2008 – Trad. Livre: Sem mais alternativa que a Sedução
Personagens: Boyd Anderson e Katey Tyler

10- Promised to a rogue (That perfect Someone)/2010
Personagens: Richard Allen & Julia Miller

15 de dezembro de 2013

O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry


Esta é a história do menino que vivia num asteroide, com os seus vulcões em miniatura e a sua linda rosa vermelha, e usava um longo cachecol a flutuar ao vento. Um dia ele resolveu viajar e visitou a Terra onde encontrou um grande amigo, que depois contou a história desse menino. Esta história foi traduzida em muitas línguas, foi lida por milhares de pessoas pequenas e grandes, e também por aqueles que, tendo-a lido quando eram pequenos a voltaram a ler na idade adulta. Tal como tu talvez daqui a muitos anos voltes a lê-la. Sabes porquê? Porque mesmo se te causar alguma estranheza ou te parecer enigmática, esta história revela-te um segredo muito simples e ao mesmo tempo muito sábio: é que as coisas mais importantes são muitas vezes invisíveis para os olhos - só com o coração é que podemos vê-las! Além da leitura destas páginas, convidamos-te a apreciar as aguarelas com que o autor ilustrou a sua história!


Palavras de uma leitora...


"Contemplava, à luz do luar, aquele rosto pálido, aqueles olhos fechados, aquelas mechas de cabelo a tremer ao vento e pensava: 'O que eu estou a ver não passa de uma capa. O mais importante é invisível...'
Desenhara-se-lhe um vago sorriso nos lábios entreabertos e eu pensei: 'O que me comove tanto neste principezinho adormecido é a sua fidelidade a uma flor, é a imagem de uma rosa que, mesmo quando ele dorme, brilha lá dentro como a chama de uma vela'. E ele pareceu-me ainda mais frágil. Porque, às velas, é preciso protegê-las: mal lhes dá o vento, apagam-se."


- Ao terminar a leitura desta história, cheguei à seguinte conclusão: não sou uma pessoa crescida. E me orgulho muito disso. Jamais quero ser uma pessoa crescida. Quero sempre conseguir ver como uma criança. Sentir como uma criança. Porque uma pessoa crescida não tem tempo para sentimentos. Não tem tempo para ver o pôr do sol, admirar o mar, sentir seu cheiro, olhar para o verde da natureza e sonhar ao sentir o vento balançando seu cabelo. As pessoas crescidas sequer conseguem perceber essas coisas. Estão sempre muito ocupadas. Ocupadas demais. Até mesmo para viver. 

"É que, numa certa estrela, num certo planeta, no meu planeta, na Terra, havia um principezinho para consolar. Peguei-lhe ao colo. Embalei-o. Fui-lhe dizendo: 'A flor de que tu gostas não corre perigo nenhum... Eu desenho um açaimo para a tua ovelha... Eu desenho uma armadura para a tua flor... Eu...' Não sabia que mais lhe prometer. Sentia-me completamente desarmado. Não sabia como chegar até ele... É tão misterioso, o país das lágrimas!"

- Este livro conta a história de um homem que, num belo dia (que ele não considerava tão belo assim), após "cair do céu", por um problema em seu avião, encontra em seu caminho um principezinho, que parecia perdido. Ele ainda não sabia, mas aquele garotinho que tão misteriosamente apareceu em sua vida, era como a realização de um pedido de natal. De um pedido feito há muito tempo, do fundo do seu coração, e do qual ele sequer se lembrava. Um pedido que ele nunca colocou em palavras. Um pedido que fez em silêncio (e sem saber) ao se decepcionar com as pessoas crescidas. Ao perceber que elas não eram capazes de enxergar além das aparências. Ao perceber que elas não eram capazes de ver o interior do que quer que fosse. Que a visão delas era limitada. Por influência das pessoas crescidas, ele deixou de lado o amor pela arte e foi em busca de "uma profissão de verdade", mas nunca esqueceu a experiência que tivera. E, no fundo, ainda tinha uma leve esperança, toda vez que pegava os únicos desenhos que tivera a coragem de fazer e mostrava para as pessoas crescidas que encontrava em seu caminho, de encontrar alguém que os compreendesse. Que conseguisse enxergar o interior daqueles desenhos. Que fosse capaz de ver como uma criança. Ele queria, mais do que tudo, um amigo. Um amigo de verdade. Alguém que o cativasse, que se tornasse importante para ele, que se tornasse único. E quando os céus atenderam o seu pedido, muitos anos depois, e na forma daquele principezinho, ele não percebeu. Não foi capaz de ver isso de início. Não foi capaz de reconhecer o seu presente. 

"O meu amigo nunca explicava nada. Talvez pensasse que eu era igual a ele. Infelizmente, não sei ver ovelhas através de caixas. Se calhar, estou um bocado parecido com as pessoas crescidas. Devo ter envelhecido."

- Só que, diferentemente das pessoas crescidas, aquele homem não precisou perder para perceber o que tinha ganhado. Embora tenha demorado um pouco para enxergar o anjo que estava em sua frente, que tinha aparecido em sua vida, ele notou. E soube apreciar os momentos ao lado dele. Momentos únicos. Que muitos seres humanos jamais terão em sua vida. Porque não têm tempo para terem amigos.

" - Só conhecemos o que cativamos - disse a raposa. - Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos."

- A história é contada seis anos após o encontro tão inesperado entre aquele homem com alma de criança e o principezinho que, de maneira simples e sutil, muito soube ensinar. É contada seis anos após a sua partida. O tempo pode ter sido capaz de ofuscar as lembranças da aparência do principezinho, mas não conseguiram modificar os sentimentos que ele havia despertado no homem com alma de criança. Porque o tempo nunca é capaz de apagar o que sentimos no coração. As lembranças que não ficam na mente, mas cravadas profundamente em nosso coração. As lembranças que só podemos sentir. Jamais explicar. Jamais descrever com palavras. 

"Quando nos deixamos cativar, é certo e sabido que algum dia alguma coisa nos há de fazer chorar."

- Eu já tinha ouvido falar desta história, mas jamais tinha tido a oportunidade de lê-la. Sabia que era uma história especial, capaz de atingir o coração de milhares e milhares de crianças e adultos (com alma de criança) ao longo do tempo. Que continuava sendo especial, mesmo depois de tantos anos. Mas eu não podia imaginar o quanto esta história era especial. Sabia que ela era preciosa, mas não podia imaginar o quanto. Porque somente depois de lê-la, somos capazes de realmente conhecê-la. De entendê-la. De senti-la

- Já fazia uns meses que eu tinha esta história. Ganhei de presente de aniversário da minha querida amiga, Carlita. E justamente por saber que esta história era única, preciosa e que tinha muito o que me ensinar, é que eu não a li logo. Não. Não podia lê-la em qualquer momento. Precisava lê-la num momento especial. Um momento escolhido pelo meu coração. E o momento surgiu. Um momento em que eu precisava muito de uma história como esta. Um momento no qual o meu coração me pediu, delicada e timidamente, que eu o alegrasse. O alimentasse com esta história. Que lhe devolvesse, com esta história, o que certos acontecimentos tinham roubado. O que as pessoas crescidas tinham roubado. 

"[...] Andas à procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. - Ando à procura de amigos. 'Cativar' quer dizer o quê?
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer 'criar laços'...
- Criar laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti..."

- Eu nunca poderia imaginar que terminaria a leitura desta história, em lágrimas. Soluçando. De modo algum poderia imaginar tal coisa. Mas esta história me tocou de tal forma que antes que eu pudesse perceber, já estava chorando. É incrível a quantidade de lições que esta história tem o poder de nos ensinar em tão poucas páginas. É incrível a forma como o principezinho entra em nosso coração sem pedir licença. E ali fica. Ali deixa uma parte de si. Uma marca. Uma lembrança. Não existe um pingo de egoísmo nele, sabe? Porque não é como certas pessoas que depois de nos cativarem, vão embora sem sequer um adeus. Sem um abraço, sem dizer que estão partindo. O principezinho sabia "ler" um amigo, sabia se importar com ele. É linda a forma como ele se preocupava com a rosa dele e como se preocupou com o homem com alma de criança. Existia nele a sabedoria que nenhuma pessoa crescida era capaz de ter. Jamais em minha vida serei capaz de esquecer o principezinho. Nem a raposa, o homem com alma de criança, a serpente e a rosa. Existem coisas inesquecíveis. E essas são algumas delas. Mas sobretudo, jamais esquecerei o principezinho. O amo demais. Porque ele me cativou.

" - Adeus...
- Adeus - despediu-se a raposa. - Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já não se lembram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa..
- Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."


- Uma verdade que muitos esquecem, não é? Quantos pais vão embora de casa, divorciam-se da esposa e dos filhos, sem levar jamais em conta que é responsável por aquelas pessoas? Pelo menos, pelos filhos. Porque os cativou. Porque os fez amá-lo. Quantas mães dão à luz e num determinado momento de sua vida, decidem que não querem mais aquela criança.? Que querem ser livres? E isso após cativá-las. Destroem o coração da criança sem hesitar. Sem se importar. Porque as pessoas crescidas são egoístas. Porque não sabem amar. Porque são ocupadas demais até para saber o que tal palavra significa. Não é à toa que o mundo está como está. 


" - Por onde andam os homens? - perguntou o principezinho, passado algum tempo. - No deserto está-se um bocado sozinho...
- Também se está sozinho ao pé dos homens - disse a serpente."


- Nunca serei capaz de colocar em palavras o que sinto por esta história. O que ela significa para mim. O quanto me cativou, emocionou e se tornou preciosa. E nem através dos trechos que coloquei nesta resenha vocês serão capazes de encontrar o que só se encontra ao ler toda a história. Estes trechos são preciosos. Inesquecíveis. Me tocaram muito, mas é a história em si, do começo ao fim, sem excluir nenhuma palavra, que nos toca de uma forma única. Que nos arrebata. E nos dá paz. Uma paz que hoje em dia é difícil de encontrar. Que você só encontra nas coisas que as pessoas crescidas não julgam importantes. E que mesmo assim é preciso agarrar com toda força e manter na mente e no coração com insistência, pois o mundo, as pessoas crescidas, estão o tempo inteiro tentando nos roubar a paz que com tanta dificuldade encontramos. 

" - Mas os olhos são cegos. Só se procura bem com o coração."

Topo