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5 de junho de 2023

Leituras concluídas - Março, abril e maio/2023

 
Olá, queridos!

Sim, eu desapareci novamente. Tentei não fazer isso, mas a vida está muito corrida. Sinto que não há tempo para nada. Às vezes sinto como se nem fosse mais uma pessoa. Enfim...

Deixando tais reflexões de lado, este, como vocês já sabem, é um post para falar de livros lidos, mas não resenhados. E vamos falar apenas das leituras finalizadas em março, abril e maio, pois em fevereiro concluí apenas uma leitura e fiz resenha sobre ela: foi Vida em Leilão, de Barbara Delinsky. 

Em março eu concluí a leitura de quatro livros, de gêneros distintos. Já em abril, li três livros, sendo um deles uma releitura do meu livro favorito da vida: O Morro dos Ventos Uivantes, da Emily Brontë. Desta vez, reli numa edição em espanhol. Acho que já é a sexta vez que leio este livro.rs

Em maio iniciei algumas leituras, mas só finalizei um livro de poesias que tinha começado a ler em março. Como vocês podem ver, não foram meses muito bons para a literatura em minha vida. Realmente li bem pouco, mas ainda me sinto abençoada por pelo menos ter conseguido ler, ainda que não tanto como eu gostaria. 

Sem os livros eu não existo. A literatura é meu "escape" da vida real. É minha fuga. E, sinceramente, só é possível seguir porque me permito "fugir". 






Literatura Cubana
Título Original: Perro viejo 
Tradutora: Joana Angélica D'Avila Melo 
Editora: Pallas
Edição de: 2010
Páginas: 144

Sinopse: Por toda a vida, Cachorro Velho foi escravo no engenho de açúcar do patrão. Seu corpo está velho e cansado, sua mente se perde frequentemente em recordações. Às vezes ele até imagina a própria morte, ou pelo menos o que significa estar longe, muito longe. Então, a velha escrava Beira lhe propõe ajudar Aísa, uma menina de dez anos, a fugir.

Escrito por uma descendente de escravos, Cachorro Velho é um retrato duro e comovente da desumanidade da escravidão. "O velho não temia o Inferno: tinha vivido nele desde sempre."

A escravidão foi abolida em Cuba em 1886, mas, como em tantos outros lugares, sua nódoa se manifesta no preconceito racial e na discriminação. Ganhador do Casa de las Américas, a mais alta honra literária de Cuba e um dos prêmios mais importantes do mundo de fala hispânica, este livro abalará profundamente os seus leitores.



Não sei nem o que consigo falar sobre esta história... É um livro que mexeu profundamente com as minhas emoções, que me deixou arrasada. Triste de uma forma que não dá para colocar em palavras. Cachorro Velho, o "protagonista" desta dilacerante história, é um idoso que nunca soube o que era ser livre. Que nunca foi tratado com carinho, que não pode ter ao seu lado sua mãe... que foi tratado como objeto desde que era criança, devendo existir apenas para servir ao "patrão", sem reclamar, cumprindo seu destino. 

Eu choro só de lembrar de tudo o que se passa no livro. Os momentos que ele recorda e as lembranças que se perderam com o peso da idade. Existiram cenas que eram como se estivessem me partindo por dentro, como quando ele não queria lembrar de algumas pessoas que lhe foram importantes, pois cada vez que pensava nelas, uma parte delas se "apagava" por causa das falhas causadas pela velhice. Ele as ia perdendo pelo caminho, já não podia retê-las sequer em sua memória e isso me doeu demais. 

E não... Não consigo falar das crueldades narradas neste livro. Era escravidão, então vocês podem ter uma ideia de toda a maldade. Da maldade que a humanidade nunca vai conseguir pagar, por mais que muitos tentem fingir que nada se passou. A história de diversos países se construiu sobre um mar de sangue e sofrimento. 






Literatura norte-americana
Título Original: The Grownup
Tradutor: Alexandre Martins 
Editora: Intrínseca
Edição de: 2018
Páginas: 48 (e-book)

Sinopse: Uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes. Seu principal talento é a capacidade de dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir, e sua mais recente ocupação consiste em se passar por vidente, oferecendo o serviço de leitura de aura para donas de casa ricas e tristes.

Certo dia, ela atende Susan Burkes, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Experiente observadora do comportamento humano, a falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação.

No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita. Agora, ela precisa descobrir onde o mal se esconde, e como escapar dele. Se é que há alguma chance.



Este conto me envolveu muitíssimo durante a leitura! Parecia uma releitura de A volta do parafuso (de certa forma, realmente é) e pensei que já sabia como tudo terminaria. Todavia, o conto me surpreendeu demais com aquele final em aberto, que nos faz questionar tudo o que nos foi contado. Eu amei demais o final do conto! Fiquei com a minha cabeça dando voltas e voltas!kkkkkk Até hoje não sei o que pensar, em quem acreditar... Recomendo! 





Literatura Brasileira
Editora: Breve Companhia (Companhia das Letras)
Edição de: 2020
Páginas: 27 (e-book)

Sinopse: Neste breve e impactante ensaio, a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz reflete sobre os impactos da pandemia de covid-19 em nossa compreensão sobre as desigualdades estruturais da sociedade brasileira e dos limites da utopia tecnológica que marcou o século passado. 

Em entrevistas e textos publicados nos últimos meses, Lilia Moritz Schwarcz cravou um diagnóstico de grande repercussão: "Ao deixar mais evidente o nosso lado humano e vulnerável, a pandemia da covid-19 marca o final do século XX". A utopia tecnológica do século que agora termina deu lugar a uma crise social, econômica, ambiental, cultural, moral e da saúde — e o sofrimento que dela decorre é incomensurável.

Nos últimos anos, a sucessão de desastres climáticos e ambientais de proporções inéditas alertavam para o fato de que nossa marcha sobre a natureza encontrara seu limite. Mas as contradições da ideia de progresso também se manifestam na inaceitável desigualdade que marca a experiência de países como o Brasil, na perpetuação de estruturas sociais racistas e machistas, e na transformação da história e dos idosos em "velharia". Esses são alguns dos temas abordados em Quando acaba o século XX.

"Pessimista no atacado e otimista no varejo", Schwarcz defende que "se cada um exercer sua cidadania, sua vigilância cidadã, quem sabe damos sorte no azar". Se o Brasil já se perdeu e já se encontrou várias vezes em sua história, "é hora de fazer da crise um propósito".




Este é um livro que eu deveria ter lido durante a pandemia, mas que só resolvi ler agora. De um lado, foi ruim, pois me lembrou de todos os momentos dolorosos e assustadores vividos ao longo da pandemia. Todo o pânico, o desespero... A sensação de que tudo estava perdido. Que nunca sairíamos daquele inferno. As milhares e milhares de mortes, as notícias terríveis na TV... Eu não queria lembrar. Esquecer muitas vezes é uma forma de autopreservação. 

De outro lado, foi bom ter lido o livro somente agora. Quando o "pior" já passou. Porque tive a oportunidade de descobrir que realmente não saímos melhores da pandemia. Que não aprendemos com ela. Que o mundo não se tornou um lugar melhor, com pessoas mais conscientes, mais solidárias, mais empáticas. O que aprendemos? Em que melhoramos? Seguimos os mesmos, talves até mesmo piores, mais egoístas. 






Literatura Libanesa
Título Original: The prophet
Tradutora: Ana Guadalupe
Editora: Planeta
Edição de: 2019
Páginas: 133 (e-book)

Sinopse: Obra mais famosa de ficção espiritual do século XX, O profeta está enraizado na própria experiência de Khalil Gibran como um imigrante e serve de inspiração para qualquer um que se sinta a deriva em um mundo em fluxo.

O profeta Almustafa está prestes a embarcar em um navio para viajar de volta à sua terra natal depois de doze anos no exílio quando é parado por um grupo que pede a ele que compartilhe sua sabedoria antes de partir. Em vinte e oito ensaios poéticos, ele oferece insights profundos e atemporais sobre aspectos da vida como amor, dor, amizade, família, beleza, religião, alegria, tristeza e morte.

Sucesso imediato quando publicado pela primeira vez em 1923, O profeta é um clássico moderno, tendo sido traduzido para mais de quarenta idiomas. A mensagem que transmite continua a tocar corações através das gerações. Esta edição é ilustrada com doze das famosas pinturas visionárias de Gibran e conta com um prefácio de Rupi Kaur.




Este livro é bem diferente do que eu esperava... Mesmo assim, apreciei a leitura. Logo que criei o blog, mais de treze anos atrás, eu coloquei numa caixinha em sua lateral direita, o seguinte trecho: "Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir." Sempre soube que era do Khalil Gibran e me emocionava muito cada vez que o lia. Mas eu não sabia que fazia parte do livro O profeta; só descobri pouco tempo antes de iniciar a leitura. 

Como eu disse, o livro é diferente do que eu esperava, mas contém ensinamentos que nos fazem refletir bastante. Que nos fazem pensar no que fizemos da nossa vida e para o que estamos dando importância. Não amei o livro, mesmo assim recomendo, pois vale a pena a experiência. 





Literatura Brasileira
Editora: Melhoramentos 
Edição de: 2009
Páginas: 27 (Audiobook)

Sinopse: Dona Dalva, a faxineira da escola, é também uma maravilhosa contadora de histórias que os alunos adoram. Mas dona Dalva está precisando parar de trabalhar, porque, com a idade, começou a sentir dores nas costas e não aguenta mais trabalho pesado.

Ah, mas os alunos não podem se conformar com isso! Ficar sem histórias? Jamais!





Este livro é de uma fofura!!! Lembro que estava estressada, cansada e querendo "gritar" quando resolvi colocar o audiobook para tocar. Foi pelo aplicativo Skeelo, o melhor para audiobooks, na minha opinião. É uma história bem curtinha, que terminei de ouvir em poucos minutos e que me deixou mais "leve", feliz... com esperança. As crianças deste livro são maravilhosas! O que elas fazem é lindo e quem dera que tais ensinamentos pudessem ser passados para todas as crianças e adolescentes. Eu teria mais esperanças quanto ao futuro do nosso mundo e meio ambiente...





Literatura Russa
Tradutora: Maria Aparecida Botelho Pereira Soares
Editora: L&PM
Edição de: 2011
Páginas: 146 (e-book)

Sinopse: Notas do subsolo é um marco no grandioso conjunto de obras que Dostoiévski legou à humanidade. Dotado de um humor mordaz, provocativo e desafiador, este livro introduz as idéias de moral e política que o escritor mais tarde abordaria nas obras-primas Crime e castigo e Os irmăos Karamazóv. Sua idéia de "homem subterrâneo" legou à ficçăo européia moderna um dos seus principais arquétipos, encontrado também em Kafka, Hesse, Camus e Sartre: o anti-herói morbidamente obcecado com a sua própria impotência de lidar com a realidade que o cerca.




Esta leitura eu fiz neste momento da minha vida por conta do canal Ler Antes de Morrer, da Isabella Lubrano. Gosto imenso do Dostoiévski desde que li Crime Castigo. Apesar de minhas leituras posteriores do autor não terem sido maravilhsoas nem nada (risos), Crime e Castigo me marcou e me fez desejar ler cada vez mais livros do autor. Assim, quando tive a oportunidade de lê-lo numa leitura coletiva, quis arriscar. E não me arrependi!

Notas do subsolo não se tornou um favorito da vida. Detestei completamente o personagem principal, que me causou asco, repugnância por suas atitudes cruéis. Todavia, não acredito que vá esquecer as reflexões que ele me provocou. Marquei inúmeros trechos durante a leitura e tinha vezes que fechava o livro e ficava pensando no que tinha acabado de ler. No quanto ele tinha razão! Por mais detestável que seja o protagonista, muita coisa sobre a qual ele escreve faz sentido. Nós concordamos com ele mesmo não o suportando e isso é sensacional. É um livro que acredito que lerei novamente no futuro. E que recomendo bastante!






Literatura Inglesa
Título Original: Wuthering Heights 
Tradutora: Nicole D' Amonville Alegría
Editora: Penguin Clásicos
Edição de: 2015
Páginas: 472 

Sinopse: Publicada em 1847 bajo el seudónimo de Ellis Bell, Cumbres borrascosas escandalizó a sus primeros lectores con su retrato de una pasión intensa y arrolladora, tan elemental como los páramos de Yorshire en los que transcurre la acción. Desde entonces, la historia del amor imposible de Catherine y Heathcliff se ha convertido en una de las más inolvidables de la literatura inglesa. Pero la novela perdura también por su dinamismo dramático y sua maestría en el arte de narrar. 

La presente edición incluye un prólogo, un estudio introductorio y un árbol genealógico de los personajes, así como el prefacio y la nota biográfica de Charlotte Brontë en que revelaba la autoría de la novela tras la muerte de sua hermana. 




Quem me conhece e não sabe que O Morro dos Ventos Uivantes é o meu livro favorito de toda a vida, com certeza não me conhece!kkkkk Este é o meu livro de cabeceira, aquele que releio sempre que necessito. Que já li um sem número de vezes (acho que foram seis vezes)! É o meu livro queridinho, que me faz suspirar, que me emociona além do que se pode considerar como "normal".kkkkkkkk Sério! Eu começo a falar do livro e já sinto vontade de chorar!kkkkkk Não sei explicar a conexão que tenho com esta história e com a autora. Emily Brontë é alguém que eu sinto que seria uma ótima amiga.rs Queria tê-la conhecido, queria ter vivido no mesmo tempo que ela apenas para ter a oportunidade de conhecê-la. Porque não é só com O Morro dos Ventos Uivantes que sinto tal conexão: os escritos da autora me atraem muitíssimo. Seus poemas me arrebatam, me fazem sentir que uma outra pessoa sentia e pensava muito do que sinto e penso. Conseguem entender?! Emily foi uma grande artista... é triste que ela tenha partido tão cedo, quando poderia ter vivido tais coisas e escrito muito mais. 

Reli o livro este ano para a leitura coletiva organizada pela Kelly, do canal Aventuras na Leitura. E foi uma experiência única! Amei cada momento! O debate foi muito construtivo, com as pessoas sabendo respeitar a opinião de cada leitora. Existiram aquelas que detestaram o livro e as que, como eu, o consideram seu livro preferido. Foi realmente muito bom relê-lo em grupo e ver outras pessoas falarem de um livro que é tão importante em minha vida. 





Literatura Brasileira
Agência 2A Comunicação
Edição de: 2014
Páginas: 260

Sinopse: Esta obra complementa o livro Surreal: uma Narrativa sem Fim e foi dividida em quatro sequências, em alusão aos quatro elementos e aos pontos cardeais: Nortear, Sulfogo, Lestemar e Oesterra.

Cada poema é o resultado de muita inspiração e reflexão, com a finalidade de construir uma mensagem suave, agradável e descontraída, sobre temas recorrentes e intrigantes, como a morte, a saudade, a solidão, o amor. 

Tão difícil quanto viver é falar sobre essas realidades, que já estão incorporadas na existência do ser. 

Poesia é vida. É a expressão mais sobre e poderosa da genialidade humana. Sem desmerecer as demais manifestações artísticas, que são insbustituíveis, a Poesia é a única que maneja as Palavras, fonte de criação do universo: Fiat lux

Poesia é luzeiro a iluminar os homens na sua caminhada rumo à plenitude do ser. O Pintor, o Escultor, o Cantor, o Filósofo não poderiam viver sem o Poeta. Suas palavras são a fonte de inspiração para tudo o que é bom. O Poeta é o filho pródigo de Deus, que exalta o que admira e se rebela contra tudo o que não entende, mas, nas entrelinhas, sempre reconhece as infinitas graças oriundas do Pai. 

O nascer do Sol, o canto dos pássaros, os sons e movimentos da natureza são versos, que materializam a beleza da criação. Tudo no mundo é Poesia, pois Deus é o primeiro e maior Poeta. 




Não dá, gente! Não tem como colocar em palavras o quanto este livro mexeu com as minhas emoções. Ele foi importantíssimo ao longo dos últimos meses, que foram extremamente difíceis para mim. Meses nos quais eu acreditei que não suportaria tudo o que estava vivendo. Ainda estou tentando me recuperar de tudo de ruim que aconteceu. Tentando viver um dia de cada vez e pensar positivo. Em meio à tanta dor, Versos inversos me ajudou muito, com seus poemas tão tocantes, tão cheios de vida e de esperança. De amor. De realidade. De ilusão. De magia. Tudo junto e misturado.rs Foi a Yasmin, uma amiga querida, que me emprestou o livro. Nunca tinha ouvido falar do autor e hoje me considero uma grande fã! Quero muito ler outros escritos dele! Seu talento é impressionante. E sou grata por ter estes poemas em minha vida justo quando eu mais necessitava. 



É isso, queridos! Estas foram as minhas leituras dos últimos meses. Espero não desaparecer mais por tanto tempo. E quero muito concluir a resenha da história da Diana, para poder compartilhar com vocês um pouco dessa grande obra da minha amada Florencia Bonelli. 

Até breve!

2 de janeiro de 2023

Leituras concluídas - Novembro e dezembro/2022

 Olá, queridos!

Feliz Ano Novo!!!! Que 2023 seja um ano lindo para todos nós! Que seja cheio de amor, saúde e união! Que seja um ano feliz! Eu peço, eu imploro aos Céus por isso! 

Deveria começar 2023 com uma resenha, mas ainda necessito organizar o tumulto de sentimentos que bagunçou meu interior ao longo da leitura da Parte I (Volumes I e II) de Caminhos de Paixão, A História de La Diana. Este livro já se tornou um dos meus favoritos da vida, pois apesar de todo sofrimento, todas as lágrimas derramadas pelo terror que todas aquelas pessoas viveram durante a guerra da Bósnia, e a dor que a Diana carrega dentro de si, é um livro inesquecível. Um livro que nos machuca, mas também conforta. Tentarei falar desta incrível história em breve... Espero conseguir fazer uma resenha digna da Diana, desta personagem guerreira, que jamais desistiu, mesmo quando tudo parecia perdido. É minha personagem favorita da Florencia Bonelli. 

Mas este post é para falar dos livros lidos em novembro e dezembro de 2022, mas que não foram resenhados. Motivo pelo qual Lírios de Sangue, da autora Carmem O., não fará parte deste post, visto que já possui resenha publicada no blog. 





Título Original: Home Body
Tradutora: Ana Guadalupe
Editora: Planeta
Edição de: 2020
Páginas: 192

Sinopse: A terceira coletânea de poesias de Rupi Kaur, maior fenômeno da poesia mundial nos últimos anos

Um dos temas mais frequentes na obra de Rupi Kaur é a importância que há em crescer e estar sempre em movimento. Em Meu corpo minha casa, ela leva leitoras e leitores a uma jornada de reflexão através da intimidade e dos sentimentos mais fortes, visitando o passado, o presente e o potencial que existe em nós. Os poemas dessa coletânea, ilustrada pela autora, inspiram uma conversa interna em cada um, lembrando que precisamos nos preencher de amor, de aceitação e de confiança em nossas relações familiares e de comunidade. E, sempre precisamos estar de braços abertos para as mudanças em nossas vidas.



Ler os poemas de Rupi Kaur é sempre uma viagem intensa e, por vezes, dolorosa, para dentro de nós. Dos sentimentos que carregamos em nosso interior e muitas vezes calamos. Dos traumas, das lembranças... do passado que queríamos esquecer. Os poemas dela conseguem me atingir com uma força que sempre me surpreende. Sinto como se fosse golpeada, sabe? Ler esta coletânea foi assim... Mergulhei fundo em sentimentos que até mesmo não pretendia visitar. Que não queria sentir. Mas, no fim de tudo, valeu a pena. Sempre vale a pena ler esta poetisa brilhante. Serei sempre sua leitora. Basta que um livro dela seja lançado para eu saber que preciso dele. 





Editora: Ave-Maria
Edição de: 2021
Páginas: 112

Sinopse: Esta pequena obra dedicada a Maria tem a intenção de ajudar o leitor a amá-la. (O próprio título já diz tudo: Salmodiando a Maria.) O objetivo é que, quem ler estas páginas, se aproxime e ame mais Nossa Senhora. Portanto, não é um escrito que busca ressaltar a mera beleza literária ou um exercício de estilo, mas sim fazer com que cada um se torne um pouco mais filho de Maria.




Eu comprei este livro em meio à dor que sentia pela morte da minha Luana. Lembro de como decidi ir até uma livraria católica e procurar um livro que me aproximasse mais de Maria, para quem me voltei por inteiro ao perder minha pequena. Iniciei a leitura em 17.12.21 e finalizei em 18.12.22, no mês em que completou um ano da morte do meu anjinho... Um ano de luto... Eu precisava que este livro me acompanhasse neste processo. Foi importante para que eu suportasse. 

Não que o livro seja "perfeito", e vocês já conseguem perceber isso pelo fato de eu não ter dado 5 estrelas. Ele possui alguns problemas, alguns trechos que me incomodaram. Mas funcionou naquilo que eu mais necessitava: estar próxima de Maria, da minha mãezinha do Céu. 








Editora: Globo Livros
Edição de: 2017
Páginas: 296

Sinopse: Nesta nova edição revista, atualizada e ampliada de 'Mentes ansiosas – o medo e a ansiedade nossos de cada dia', a psiquiatra e best-seller Ana Beatriz Barbosa Silva aborda as diferentes manifestações da ansiedade. Medo, estresse e ansiedade, segundo ela, são fatores comuns e até necessários para uma vida mentalmente saudável. O problema, contudo, começa quando eles se agravam a ponto de se apresentarem em suas versões adoecidas: transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, entre outros. Através de sua linguagem objetiva e acessível, a autora analisa as causas, desdobramentos e possíveis formas de lidar com essas doenças.





Depois de ler Mentes depressivas, eu fiquei com imensa vontade de ler outros livros da autora e escolhi ouvir o audiobook deste aqui, sobretudo por eu própria conviver com o transtorno de ansiedade generalizada há muitos anos. Pensei que o livro seguiria a mesma linha de mentes depressivas e, de certa forma, possui a mesma estrutura, a mesma forma de "conversar" com o leitor. 

No entanto, o livro não funcionou tanto assim comigo. Não gostei de algumas partes, que me pareceram superficiais. Não sei... O livro não me agradou como eu esperava. De modo geral, me decepcionou. 






Literatura Russa
Tradutor: Robson Ortlibas
Editora: Principis
Edição de: 2020
Páginas: 77 (e-book)

Sinopse: Noite branca é um fenômeno comum na Rússia, em especial em São Petersburgo, em que o sol permanece um pouco abaixo da linha do horizonte ao se por, deixando a madrugada clara. É nesse cenário de atmosfera lírica que dois jovens sonhadores se conhecem em uma ponte. Ao longo de quatro noites, os dois combinam de se ver para falar sobre suas vidas e compartilhar sonhos, angústias e reflexões, até o desfecho inesperado ao final do quarto encontro. 




Durante a maior parte da leitura desta história, eu só conseguia pensar em como ela era chata! Uma história entediante, que o leitor continua na base de um extremo esforço.rs Sério! Um livro de apenas 77 páginas conseguiu ser mais longo do que Crime e Castigo, pelo cansaço imenso que me provocou! Amo Crime e Castigo e depois dele, infelizmente, não me dei muito bem com outros livros do autor. 

Apesar disso, do quanto considerei o livro chato e sem sal, confesso que fiquei triste com o final.kkkkk Não sei explicar.kkkkk Fiquei com pena do personagem. Achei o destino dele injusto e senti raiva de alguns personagens pelo que fizeram. 






Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2005
Páginas: 552

SinopseAssim que a noite cai e os contornos diurnos das coisas e das pessoas começam a se confundir, começam igualmente a ceder as muralhas que todos nós erguemos contra o desconhecido. É a hora das sombras furtivas, dos ruídos suspeitos, quando basta um momento de descuido para que nossas apreensões e pesadelos ameacem ganhar presença palpável. É esse o domínio do conto de horror, que flerta com essa zona cinzenta e incerta de nossas vidas e a transforma em literatura. 

Nesta antologia de Contos de horror do século XIX, o escritor Alberto Manguel reuniu, especialmente para o público brasileiro, a fina flor do medo. Tão antigo quanto a civilização, o conto de horror define suas regras e chega a seu apogeu na literatura anglo-saxônica, na linhagem de escritores que vai da "gótica" Ann Radcliffe a Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft. Mas Manguel não se contenta apenas com os mestres mais conhecidos do gênero, como Henry James, Guy de Maupassant ou Robert Louis Stevenson. Convoca escritores de toda estatura e de várias línguas, do português de Eça de Queiroz ao íidiche de Lamed Schapiro. 

Nesse percurso, o leitor transita por todos os ambientes e resvala em todos os motivos do conto de horror: igrejas em ruínas, subsolos pútridos, jardins ermos, prisões e campos de batalha, criaturas invisíveis, mortos-vivos, animais espantosos e espelhos encantados. Tudo isso em sua poltrona preferida, em (relativa) segurança, desfrutando ainda do último charme deste livro: novas traduções de todas as narrativas, cada uma a cargo de um nome expressivo da cultura brasileira contemporânea.




Esta é uma coletânea incrível, que eu apreciei MUITO ter a oportunidade de ler! E tem contos que com certeza irei reler!

Sou uma medrosa.rs E nunca escondi isso. Fujo de histórias de terror como o diabo foge da cruz. Mas... Há alguns anos eu decidi me desafiar a ler livros que, em outras épocas, eu evitaria. Queria sair da minha zona de conforto, mergulhar um pouco no "macabro" que parece encantar tanta gente (incluindo minha irmã, que conhece tudo o que é filme de terror). 

E foi assim que esta coletânea veio parar em minhas mãos. Já tinha ouvido falar do livro e resolvi colocá-lo como uma espécie de "meta". Minha porta de entrada para o gênero do horror. E gostei muito... Não em todos os momentos, mas no geral.rsrs

Vou me tornar uma leitora deste gênero?! Certamente NÃO!kkkkk Sigo preferindo ler outros tipos de livros, o terror continua sendo meu gênero menos querido, que mais evito. No entanto, vez ou outra, quero sim dar uma chance para algumas histórias, pois me desafiam, me incomodam de um jeito que chega até a agradar. Será que dá para entender isso?!rs 

Nem todos os contos presentes neste livro são assustadores. Alguns são fáceis de ler, até engraçados. Mas sim, têm aqueles que depois nos impedem de dormir ou nos provocam pesadelos. Recomendo!



29 de julho de 2020

O Eterno Marido - Fiódor Dostoiévski


Literatura Russa
Título Original: Vechnyj Muzh
Tradutora: Marina Guaspari
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2017
Páginas: 176

39ª leitura de 2020

Sinopse: Fiódor Dostoiévski foi um dos maiores romancistas da história, e seus mergulhos psicológicos na alma humana deixaram grandes marcas na literatura. Publicada em 1870, a novela O eterno marido é considerada uma de suas criações mais poderosas e perfeitas, com uma veia humorística mordaz e uma compreensão profunda do trágico e do cômico. Nela, o autor russo descreve o encontro quase surreal de um viúvo traído com o amante de sua esposa morta. Passando por temas como moralidade, amor erótico, tortura mental e neurose, a obra revela a genialidade de Dostoiévski.




Depois de ler Crime e Castigo (e ter me apaixonado pela história!) é claro que eu criei grandes expectativas em relação aos outros livros do autor. Talvez por isso não tenha apreciado tanto assim a história presente em O Eterno Marido

É um livro curtinho, de menos de 200 páginas. Trata-se na verdade de uma novela, e nos traz a história de dois homens que se conheceram no passado e que supostamente foram grandes amigos, mas não se veem há nove anos, tendo cortado por completo os laços, sem nenhuma explicação ou desentendimento. 

Alexei Ivanovitch é um homem perto dos seus 40 anos, que está atormentado por conta de um processo para receber determinada herança. Como é bastante ansioso, vive interferindo no trabalho de seu advogado, que já não o suporta mais, além de ir pessoalmente perturbar os funcionários da Justiça, atrapalhando o andamento do próprio processo com seu comportamento. 

Dado à melancolia, Alexei acredita que nada dá certo em sua vida, reclama do apartamento que teve que alugar durante o tempo necessário para acompanhar o tal processo e se envergonha muito de ter decaído. Antes era alguém importante, que fazia parte da alta sociedade, mas ao arruinar-se financeiramente (mais de uma vez) não podia mais frequentar os mesmos espaços, nem mesmo comer onde realmente desejaria, tendo que se contentar com uma vida menos luxuosa. Tudo isso contribui para provocar alterações no seu humor e na sua forma de encarar a vida, o que também considera ser culpa de sua "velhice" (pois por estar perto dos quarenta anos já se considera um idoso). 

"[...] deve haver no Além quem se preocupe com o meu estado moral e me mande estas malditas recordações, estas 'lágrimas de arrependimento'! Seja! Mas isso não adianta; é pura perda. [...] Que adiantam as recordações, se nem mais ou menos consigo emancipar-me de mim mesmo?"

Nas últimas semanas, ele mal conseguia dormir, sofrendo constantemente de insônia, e quando era possível dormir era comum ser atormentado por pesadelos. Como se não bastasse, havia uma inquietação que parecia não querer abandoná-lo. Do nada, se via lembrando de coisas do passado... de momentos nos quais tinha feito coisas que prejudicaram a vida de outras pessoas. E isso o irritava demais. Não sabia por que aquelas lembranças resolviam retornar agora. De que adiantavam? Não se arrependia. Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo, certo? Mesmo assim, a inquietação permanecia, tornando cada dia um inferno. 

Ele sentia que a real causa para toda aquela perturbação era o desconhecido. Sim, o homem que encontrara na rua mais de uma vez. Cinco, para ser mais preciso. Como se o estranho o estivesse perseguindo, como se o conhecesse e buscasse alguma coisa. Por mais que tentasse, Alexei não conseguia recordar se ele era alguém do seu passado, se havia algum motivo para estar atrás dele. 

"Dentre os vários pensamentos que lhe cruzavam a mente, um lhe causou sensação particularmente penosa: a quase certeza de que o homem de luto outrora o conhecera intimamente;"

O reconhecimento só acontece quando o estranho, no meio da madrugada, vai até o apartamento de Alexei. É aí que, ao ver-se cara a cara com o homem, ele lembra exatamente de quem se tratava. Pavel Pavlovitch, seu amigo do passado. O amigo que ele não via há nove anos... desde que parara de "dormir" com a esposa dele. 

Não entendia o que Pavel poderia querer com ele. O homem estava de luto, como a fita em seu chapéu evidenciava, e logo Alexei descobre que Natália, a esposa de Pavel (e sua ex-amante) falecera poucos meses antes. A notícia não lhe provoca nenhuma dor, pois há muito tempo não pensava mais em Natália. E tudo o que lhe preocupava era a possibilidade de Pavel ter descoberto a traição e ter ido ao seu encontro para se vingar... Seria possível? Depois de todos aqueles anos? 

Tudo se complica quando Alexei descobre que seu antigo amigo não estava na cidade sozinho. Que viera com uma filha pequena. Uma criança cuja idade levantava a possibilidade de ela ser... sua filha. 

Eu tenho que concordar com a sinopse do livro: o reencontro entre Alexei e Pavel é, no mínimo, surreal. A maneira como o marido traído se comporta nos faz pensar que ele estava completamente maluco, que a morte da esposa o fez perder por inteiro o juízo. Ao mesmo tempo, pensamos que ele está interpretando um papel, que existem motivos secretos para ter ido atrás do seu "amigo", que ele descobriu a traição e está planejando alguma vingança assustadora. E conforme prosseguimos na leitura mais desconfiados ficamos. Só esperando pelo "grande momento". 

"Você é um monstro e, em consequência, em você tudo tem de ser monstruoso: seus sonhos e suas esperanças."

De modo algum eu gostei dos personagens. Tanto Alexei quanto Pavel são duas pessoas detestáveis, que não nos provocam nenhum sentimento bom. Ambos eram capazes de fazer coisas horríveis, sem se importar com o outro, pensando apenas no que sentiam e desejavam. Ao longo da leitura e das descobertas que vai fazendo, Alexei aparentemente começa a se transformar, mas é algo que não vai se mostrar verdadeiro, para minha profunda irritação. Quanto ao Pavel, ele só me provocou ódio. Não havia desculpas para a maneira como ele tratava a pequena Lisa, a menina que o chamava de pai, que acreditava ser sua filha e não podia ser condenada pelos erros da mãe. 

A única personagem que me provocou carinho foi a Lisa. Vendo aquela criança tão aterrorizada e mesmo assim desejando estar ao lado do pai, eu senti uma revolta enorme. E o que acontece depois... Não posso contar para não dar spoilers, mas posso dizer que eu quis acabar com o Pavel. E não, falar da Lisa não é spoiler, pois tudo isso está basicamente no início do livro. A história em si trata da estranha relação que se estabelece entre Alexei e Pavel após o reencontro deles

Em resumo, é uma boa história, mas apenas isso. Vai abordar questões psicológicas como em Crime e Castigo, mas não da mesma maneira. Os protagonistas são confusos, com vários problemas interiores, vivendo um inferno dentro de suas mentes. Um inferno provocado por eles mesmos, claro. Mas eu não lamentei por nenhum dos dois. 

Há também um certo suspense e umas cenas um pouco assustadoras no livro, por conta do mistério envolvendo o reaparecimento repentino do Pavel na vida do Alexei. Assim como o ex-amante da mulher do outro, nós leitores não sabemos com certeza se o outro não descobriu a traição, se não terá aparecido atrás de vingança. E aí teremos todo o suspense e algumas cenas perturbadoras. 

Não é um livro que eu recomendaria para quem deseja conhecer o autor. Se eu tivesse começado por ele provavelmente não sentiria vontade de ler suas outras obras. Mas como meu primeiro contato com o autor foi através do maravilhoso Crime e Castigo, ainda pretendo sim continuar lendo suas outras histórias, mesmo não tendo me encantado por O Eterno Marido


-> DLL 20: Um livro de autor russo


14 de junho de 2020

Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski

Literatura Russa
Título Original: Prestuplênie i nakazánie
Tradutor: Oleg Almeida
Editora: Martin Claret
Edição de: 2016
Páginas: 681

30ª leitura de 2020

Sinopse: Crime e castigo é um daqueles romances universais que, concebidos no decorrer do romântico século XIX, abriram caminhos ao trágico realismo literário dos tempos modernos. Contando nele a soturna história de um assassino em busca de redenção e ressurreição espiritual, Dostoiévski chegou a explorar, como nenhum outro escritor de sua época, as mais diversas facetas da psicologia humana sujeita a abalos e distorções e, desse modo, criou uma obra de imenso valor artístico, merecidamente cultuada em todas as partes do mundo. O fascinante efeito que produz a leitura de Crime e castigo - angústia, revolta e compaixão renovadas a cada página com um desenlace aliviador - poderia ser comparado à catarse dos monumentais dramas gregos. 



É óbvio que esta resenha não será digna do livro. Será impossível transmitir um pouquinho que seja da riqueza desta história, que provoca tantas reflexões, que mexe com nossos sentimentos e envolve por inteiro. Faz alguns dias que terminei a leitura, mas não conseguia escrever sobre ela. O que se passou comigo ao ler Fahrenheit 451 também ocorreu com Crime e Castigo.

"Não refletia em nada, nem sequer conseguia refletir, mas de repente sentiu, com todo o seu ser, que não tinha mais liberdade espiritual nem força de vontade, e que tudo já estava decidido em definitivo."

O livro nos traz a história de Raskólnikov, um jovem muito pobre que sai de sua cidade e vai para São Petersburgo na tentativa de melhorar de vida, cursando Direito. Só que as coisas não são como ele imaginava. O dinheiro que sua mãe mandava, com tanto sacrifício, não era suficiente para ajudá-lo nem com o aluguel de um quartinho humilde, e mal tinha dinheiro para comer. Não demorou para ele ter que abandonar os estudos e os planos de vir a ter uma vida diferente, o que afetou de maneira drástica a sua mente que já era um tanto inquieta. Sabia que era inteligente, que tinha potencial para ser o que quisesse, mas a sua situação, sua falta de recursos era um obstáculo praticamente intransponível para a realização dos seus sonhos. O que era extremamente injusto.

Enquanto o desespero tomava cada vez mais posse de sua mente, a depressão o debilitava e não conseguia mais se relacionar de maneira saudável com ninguém, afastando-se até de quem queria ajudá-lo; uma idosa calculista enriquecia às custas das desgraças dos outros que precisavam empenhar tudo o que tinham para pagar um aluguel ou smplesmente para ter algum dinheiro para se alimentar e à sua família. Além disso, aquela mulher também escravizava a própria irmã, submetendo-a a diversos maus-tratos. Assim, com a mente já transtornada e tendo como incentivo um artigo que ele próprio escrevera algum tempo antes, Raskólnikov decide que a resposta para todos os seus problemas se encontrava no assassinato daquela mulher... Os fins justificam os meios... Certo?!

"A sensação de infinito asco, que começara a apertar e enfastiar o seu coração ainda quando ia visitar a velha, tornou-se agora tão grande e explícita que o moço não sabia mais onde se esconder da sua angústia."

Acontece que após cometer o crime, Raskólnikov não sente a paz, o alívio que esperava. Não fica tranquilo com sua decisão, com suas mãos sujas de sangue. A febre que o alucinava, a angústia que jamais o deixava... tudo se intensifica. Se vivia num inferno antes de se transformar num assassino, as coisas apenas pioram depois.
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