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29 de março de 2013

Cavalo de Fogo - Paris - Florencia Bonelli


(Título Original: Caballo de Fuego - Paris
Editora: Porto Editora
Tradutores: Rita Custódio e Àlex Tarradellas
Ano de lançamento: 2012)


Uma poderosa história de amor tendo como pano de fundo o conflito israelo-palestiniano

Matilde Martínez, uma jovem pediatra argentina, viaja até Paris para aprender o idioma antes de partir para o Congo, ao serviço de uma ONG, para ajudar os mais carenciados. Apesar das suas inseguranças, traumas e dramas, a determinação de Matilde é tão forte que nada nem ninguém conseguirá demovê-la de cumprir o seu sonho. 

Eliah Al-Saud é um homem poderoso e sem piedade, descendente da família real saudita. Dono de uma empresa de segurança privada, o negócio serve de fachada a um outro tipo de serviços: de espionagem, segurança e formação de mercenários. 

Desde o seu primeiro encontro que o destino os unirá numa paixão tão intensa e irrefreável que nada poderão fazer para evitar a conspiração crescente que ameaça não apenas o seu amor, mas também as suas vidas. 

No cenário ameaçador e bélico do conflito israelo-palestiniano, Matilde e Eliah viverão uma aventura que os levará a percorrer o mundo e a enfrentar os perigos que cercam todos aqueles que ousam desafiar os impérios dominantes.



Palavras de uma leitora...



- A primeira coisa que fiz depois de terminar de ler esse livro foi ligar o computador e colocar para tocar a música Please Remember. E aí fiquei assistindo o vídeo e lembrando… Lembrei de tantos momentos lindos que as lágrimas mal me deixam enxergar o que estou escrevendo agora. Embora eu tenha lamentado por não ter tido, de fevereiro para cá, muito tempo para o livro do meu Eliah e da minha Matilde, eu sei que esses dois contribuíram para melhorar os meus dias. Amo o que estudo, mas confesso que passo boa parte dos dias estressada.rsrs… Só que quando eu tinha um tempinho e pegava o livro para ler, eu sentia uma espécie de alívio, sabe? Era como se eu pudesse “respirar” de novo. E aí eu me emocionava. Chorava, ria, sentia raiva e diversas outras coisas. No fundo, foi muito bom ter demorado tanto para terminar de ler essa história. Como assim?!rsrsrs… Embora eu não tenha tido oportunidade de me dedicar dias inteiros ao livro (algo que amo fazer. Quando estou lendo um livro especial, não quero parar para nada.kkkkk…), eu passei mais tempo com eles. Estive mais de um mês ao lado deles, vivendo com eles sua história. Quando eu não estava lendo, eles costumavam invadir minha mente. E aí eu ria sozinha ou sentia meus olhos se encherem de lágrimas. E agora… estou mais triste do que estive em qualquer momento da leitura. Porque estou me separando da primeira parte da história deles. Porque é hora de dizer “adeus” para o que eles viveram em Paris e, sinceramente, sou péssima para dizer adeus. Não suporto separações. Até hoje não me recuperei da Depressão Pós-Livro que tomou conta de mim quando terminei a leitura da história do meu Roger. Sem mencionar a falta violenta que sinto da história do Kamal e da Francesca. E ainda tem a história do meu Carlo que também não esqueço. Que também relembro. Mas a FB sempre faz isso com a gente. Ela nos envolve de tal forma, de um modo tão incrível, tão… não sei explicar. Só quem já leu alguma história dela consegue entender isso. É mágico, gente. Doloroso, sim. Mas também apaixonante… Ela nos envolve de uma forma que nos faz sonhar com suas histórias por muito tempo. Que nos faz sentir falta. Muita falta. E quem nunca quis ler um livro que se tornasse tão inesquecível? Uma história que não te abandonasse jamais? Lembro até hoje de como foi ler O Quarto Arcano. De tudo que senti. E são poucos livros que se cravam dessa forma em mim. Já li muitos e muitos livros, mas são poucos os que posso dizer que ainda me invadem a mente. Que permanecem tão profundamente no meu coração. E posso dizer com toda a certeza do mundo que Cavalo de Fogo – Paris será exatamente esse tipo de livro. Nunca o esquecerei. Nunca mesmo. 

- Para quem não se lembra, Aldo Martínez foi o primeiro amor da vida de Francesca (protagonista do livro Lo Que Dicen Tus Ojos) e ela conheceu Kamal Al-Saud graças à traição de Aldo que preferiu a herança da família e abriu mão de Francesca, que não passava da filha da cozinheira na época. Aldo nunca se perdoou por sua estupidez, mas quando o arrependimento veio já era tarde demais. Francesca já não o queria. Outro homem tinha aparecido em sua vida. Alguém que a fez se sentir muito mais viva, perdida e louca do que Aldo alguma vez a fez sentir. Alguém por quem ela daria a vida. Alguém por quem ela abriria mão de tudo, se preciso fosse. Alguém por quem ela enfrentou muito, sofreu muito, perdeu muito… E com quem ela foi muito feliz. Alguém sem o qual ela simplesmente não poderia viver.  


Mesmo inconformado com a decisão de Francesca, Aldo seguiu com sua vida ao lado de uma mulher que ele não amava, mas tinha escolhido como esposa. Com Dolores ele teve três filhas e não poderia imaginar o que o destino reservava para sua caçula… Para um Al-Saud ele perdeu a única mulher que foi capaz de amar. E agora, novamente para um Al-Saud, perderia sua filha mais preciosa. Sim. O destino o detestava.rsrsrs…. 

Francesca ao lado de Kamal também teve filhos. Quatro. Shariar, Alaman, Eliah e Yasmin. E ela também não poderia imaginar o quanto o destino seria irônico. Aquela história que não pôde existir entre Aldo e Francesca… existiria entre seus filhos. Mais forte, arrebatadora e inesquecível do que seria a deles. Aldo e Francesca não estavam destinados um ao outro. Francesca nasceu para Kamal. Mas Matilde… ela nasceu para Eliah. E nada (nem sequer a doença mais cruel) nem ninguém (nem mesmo o terrorista mais perigoso) conseguiria separá-los. Porque não existe no mundo sentimento mais forte, mais capaz de suportar qualquer coisa, do que o amor… 

“ - Eliah – sussurrou-lhe na boca dele. – Estou tão assustada. Tenho tanto medo…
- Porquê?
- Porque nada disto estava nos meus planos. Porque a vida me está a surpreender. Porque tudo acontece muito rápido. Porque és um furacão que está a arrasar com as minhas estruturas. – Calou-se, não sabia como expressar o que, na realidade, a aterrava. – Tenho medo de te dececionar também. E não o suportaria. – Escondeu a cara no ombro dele. – Não sabes nada sobre mim.
- Diz-me tudo, por favor, Matilde. Quero ajudar-te.

«Sim? Ajudar-me-ias? Ou partirias assustado?»

- Não sabes o quanto me ajudas ao abraçar-me desta forma. Fazes-me sentir forte quando me abraças. Fazes-me sentir que sou capaz de conquistar o mundo.
- Meu amor, nunca ninguém me tinha dito uma coisa tão bonita. Se aquilo de que precisas é da minha força, dou-ta toda.”

- Às vezes, tudo de que mais precisamos na vida é de uma segunda chance... 

Uma chance de escrever uma nova história. De recomeçar. De deixar nosso antigo livro, o livro do nosso passado, guardado num canto. Sabemos que não podemos destruí-lo. Que mesmo que tentássemos queimá-lo, ele ainda permaneceria intacto. Porque não pode morrer. Porque não pode ser destruído. Mas quem disse que não podemos escrever um livro novo? Tudo que Eliah e Matilde queriam no fundo era isso. Escrever uma nova história. Pois já não suportavam mais viver lembrando da dor, das perdas, do desespero e da culpa que enchiam as páginas de seu passado. Mas no fundo eles também acreditavam que tal coisa não existiria para eles. 

“… Ficou a observá-la, tenso, emocionado, quase a perder o controlo. – O que é que nos está a acontecer, Matilde? O que é isto? Por Deus, o que é isto? 
- Algo tão forte – murmurou ela -, tão forte que pôs a minha vida de pernas para o ar. E o mais irónico é que não me importo nada. Nada, Eliah.”


Era quase o início de um novo ano. Eliah não estava lá muito contente já que seu avião tinha dado problema e ele necessitava estar em Paris no dia seguinte para uma reunião. E para completar, ainda não restavam lugares em primeira classe, no próximo voo que estava para sair com destino a Paris. Seu humor com certeza não era dos melhores. Mas tudo muda no instante em que ele a vê. Não era só a beleza de Matilde, mas existia algo mais nela que o atraía. Que o chamava e já não o fazia se importar tanto em viajar em primeira classe. Só o que queria… era estar ao lado dela. Se amor à primeira vista não existe… então aquilo era apenas o início, a semente de um amor que muito em breve nasceria… E que sim. Viraria o mundo deles de cabeça para baixo. Mas também daria sentido para suas vidas…

Cada um estava viajando para Paris com um motivo em mente. E o amor não fazia parte dos seus planos. Ambos não acreditavam que o amor pudesse surgir em suas vidas. Matilde tinha aberto mão dos seus maiores sonhos aos 16 anos. A dor a tinha feito jogá-los fora. Ela não teve outra escolha. Para continuar sobrevivendo, teve que sonhar sonhos novos e esquecer os antigos. Teve que abrir mão do amor e se dedicar a carreira que se tornou seu incentivo. Seu motivo para viver. Mas durante aquela viagem para Paris, ao lado de Eliah, compartilhando com ele seu amor pela leitura de um livro em especial, compartilhando sorrisos e momentos únicos… ela não pôde evitar o desejo de vê-lo novamente. Só mais uma vez. Para resgatar, apenas por um momento, um sonho em especial. O de ser amada. Porque por nenhum homem antes, nem mesmo pelo ex-marido, ela tinha sentido algo tão forte. Uma ligação tão profunda… Como se de alguma forma ela já o conhecesse…

Ele sequer se julgava capaz de amar novamente. Tinha amado uma vez, ainda muito jovem, e tinha perdido de uma forma muito dolorosa aquela jovem que tanto o amava e tanto tinha procurado por ele no dia de sua morte. A culpa ainda o devorava e sequer se julgava merecedor de amor. Mas isso não o impedia de sentir aquele sentimento tão forte. Aquela vontade de esquecer tudo, todos os compromissos e todo o passado só para estar ao lado dela. Cada momento ao lado de Matilde naquele avião o fez querer vê-la novamente, o fez querer que ela fizesse parte da sua vida e embora ele inventasse mil e uma desculpas para mandar que a seguissem e descobrissem sua morada, ele no fundo sabia que o único motivo verdadeiro é que não podia terminar aquela viagem e nunca mais voltar a vê-la. Isso sequer era uma opção. Precisava vê-la novamente. Precisava dela. Só ela poderia socorrê-lo. Só ela poderia salvá-lo.


“Quando já estavam seguros no carro […] não pôs o motor a trabalhar e ficou a olhar para ela. Desejava pedir-lhe tantas coisas que não se atrevia a pronunciar: «Não vás para o Congo. Não continues a vir aqui, eu ensino-te Francês ou pago uma professora para que te ensine em casa. Em casa. Na nossa casa. Porque a casa da avenue Elisée Reclus é tão minha como tua. Já não é a mesma sem ti, Matilde, meu amor. O que é que me fizeste? Um Cavalo de Fogo ama a sua liberdade, esse é o seu bem mais precioso. Agora estou preso a ti e não me importo.»


- Eu não sei bem o que dizer. Além de não querer revelar certos segredos da história ainda me encontro sem palavras, como sempre acontece quando leio um livro especial. É sempre algo que não se pode colocar em palavras. Algo que apenas conseguimos sentir e sentimos com tanta intensidade. Eu só fico lembrando e tentando transmitir para vocês o que sinto, mas é impossível. As palavras são insignificantes para passar para vocês o que sinto. Só lendo vocês podem sentir o mesmo. Só lendo podem entender do que estou falando. Cada momento nessa história, desse casal, é único. Não esqueço sequer os momentos iniciais quando eles estão no avião. Quando ele cuida dela quando ela fica enjoada, como eles ficam acordados conversando e como a separação, ao fim da viagem, foi uma súplica por um segundo encontro. Por uma outra oportunidade. E o interessante é que ambos queriam fugir daquele sentimento. Porque existiam traumas, cicatrizes e feridas ainda abertas. Porque o passado sabe ser bem cruel. Ele não nos deixa em paz. Não nos deixa descansar e esquecer coisas que faríamos de tudo para esquecer. Ao mesmo tempo que vivia momentos lindos com o Eliah, o passado invadia a mente de Matilde e as lembranças e a falta de esperança num futuro, a entristeciam. Em breve ela teria que viajar para o Congo, para seguir com sua missão como cirurgiã pediátrica. Existiria um lugar para Eliah em seu futuro? Ou melhor, existiria um lugar para ela no futuro de Eliah? Porque o presente, o agora, era delicioso. Mágico. Mágico porque ela fazia de conta que ele poderia ser eterno. Porque não precisava dividir com ele seu passado, não queria dividir aquilo. Queria manter os fantasmas longe e viver aquele conto de fadas. Porque só queria amá-lo e amá-lo e que os dias se congelassem. Que não passassem. Porque o futuro era terrivelmente ameaçador. Porque no passado teve que travar uma guerra tão terrível que ainda no futuro teria que carregar as consequências dela… Eu acompanhei cada momento desse casal sabendo já como seria o fim dessa primeira parte da história deles (é uma trilogia). Então, cada momento lindo tinha um significado ainda mais intenso, era ainda mais especial. Não é sempre que saber como termina uma história tem vantagens, mas no caso dessa história teve sim. Porque eu conhecia o fim então me emocionava mais com cada cena. Eu me envolvia mais e os entendia mais. Não sei explicar, mas foi isso que aconteceu.rsrs… Antes mesmo da história terminar, eu já era invadida pelas lembranças de momentos que eles viveram e já chorava.kkkkkk…  A primeira noite de amor foi linda. Cada sorriso, o presente que a Mat deu para ele no dia do seu aniversário… Aquele presente em especial, então, quase acabou comigo. Eu sabia o significado dele. 


“- Fi-lo para que nunca te esqueças da nossa história. 
- Jamais poderia esquecê-la. É impossível. Para além disso, vou ter-te sempre ao meu lado para a recordar.
Matilde não respondeu, e ele sentiu um instante de medo profundo; a sensação alojou-se-lhe na nuca; doeu-lhe o pescoço, ardeu-lhe o estômago.
[…]
- Eliah, quero que saibas que eu guardo comigo cada momento que passámos juntos. Cada momento. São um tesouro para mim.
Ele assentiu, incapaz de proferir uma palavra.”


- E naquele instante ele também soube o que o presente significava. Só que às vezes preferimos negar para nós mesmos algo. Preferimos fingir que não percebemos. Preferimos ter esperanças. E às vezes… a vida é simplesmente muito cruel, não acham? Ela nos joga no chão, mata nossos sonhos e acha que temos que fazer o melhor com o que restou. Ela nos desafia a continuar vivendo depois de ela nos ter destruído. É o que ela faz com Eliah e Matilde. Até mesmo consigo ver a vida empinando o nariz, olhando para os dois por cima (sim. Não sou muito normal. Consigo imaginar essas coisas.kkkkkkk…) e dizendo “quero ver vocês continuarem agora.” Só que um Cavalo de Fogo, não desiste nunca. E mesmo atormentado pelo passado, pela culpa e qualquer outro sentimento infernal e paralisador, meu querido Eliah não estava nada disposto a deixar o amor da sua vida escapar. E quando a vida pensar que venceu… ele terá uma surpresinha para ela.  :D

- Estou sendo lógica, racional?! Não respondam!rsrsrs… Não quero dizer claramente tudo que acontece nessa história e muito menos revelar os segredos dos dois, gente. São coisas que deixarei para a resenha sobre Cavalo de Fogo – Congo, segundo livro dessa história. Assim como fiz ao falar da história do Roger. Deixei para revelar segredos da primeira parte da história, ao resenhar sobre a segunda.rsrsrs… E também não quero contar com todas as letras como a primeira parte da história termina. Deixo dito pela metade, ok?rsrsrs… 

“Vou proteger-te, Matilde, vou fazê-lo sempre. Com a minha vida, meu amor, com a minha vida.
- Não – sussurrou ela -, com a tua vida não quero.”

- Perfeição… algo que não existe em nenhum mocinho ou mocinha dessa autora. Pelo contrário. Principalmente ao criar seus mocinhos, a FB sempre nos desafia a não amá-los. É como se ela dissesse: “Eles são exatamente assim. Não adianta vocês inventarem desculpas para eles ou fingirem que eles não são tal como são. Mas eu desafio vocês a não amá-los. Não os amem se são capazes.” Roger Blackraven. Alguém lembra de como ele era antes de conhecer a Isaura? Mulherengo, vingativo, dono de escravos, alguém que muitos temiam. Alguém que não tinha piedade dos seus inimigos e não mostrava compaixão por quase ninguém. Alguém que se casou com a primeira esposa por vingança. Alguém que tinha sido até mesmo negreiro. Carlo? Carregava alguns assassinatos em seu passado e lucrava como proxeneta. Lucrava em cima do trabalho das prostitutas que ofereciam seu corpo em troca de um dinheiro que dividiam com ele. Kamal é o mais “perfeito” entre eles, mas também não é a santidade em forma de pessoa. Arrancou Francesca de um lugar com o qual ela já estava acostumada, como se aquilo não tivesse muita importância. Como se fosse correto arrancá-la de seu mundo e lançá-la no dele. Num mundo tão diferente do dela e tão impiedoso. Tão capaz de acabar com ela. E Eliah? Os “defeitos” dele vocês conhecerão na resenha do segundo livro, como já disse.rsrs… Mas o que quero dizer é que apesar de tudo e do quanto a nossa mente pode dizer que não devemos amar esses mocinhos, acaba sendo inevitável. Incrível como em outros mocinhos eu teria criticado tantas coisas, mas neles não consigo. A autora os torna reais, com defeitos terríveis e qualidades que tocam profundamente o nosso coração. Porque embora eles façam coisas reprováveis, amam de uma forma impressionante e são capazes de qualquer coisa pela amada deles. Nunca esquecerei de como o Roger caiu de joelhos ao lado da Isaura naquela igreja e disse que faria qualquer coisa por ela. Pode não ter muito significado para quem não leu a cena, mas para mim tem um significado enorme. E também nunca esquecerei de quando ele viu as cicatrizes que marcavam o corpo dela e chorou. Não pelas cicatrizes. Mas pela dor por trás delas. Porque ali, ao vê-las, ele soube, teve uma ideia do que Isaura sofreu. Do quanto o seu passado foi terrível. As lágrimas dele fizeram meu coração “sangrar”, pois quando amamos alguém, gente, não queremos que a pessoa sofra. Não suportamos saber que ela sofreu. E ainda mais um sofrimento como aquele da Isaura. Toda vez que o Carlo se sentia indigno da Micaela e achava que merecia as atitudes dela, eu queria protegê-lo. Eu sabia o quanto ele a amava e também sabia os tormentos do inferno que ele próprio viveu. E porque se tornou o que tinha se tornado. Quando o vi gritando por ela em uma cena em particular, senti uma dor profunda, como se aquilo tivesse acontecido comigo. E tudo que pude desejar era que aquilo não tivesse acontecido, pois ele não merecia aquele sofrimento. Não me importa o que digam, Carlo não merecia aquilo. Fosse proxeneta ou não. Eu o amo como ele é e, ele é digno de amor mesmo sendo como é. Desde quando só as pessoas perfeitas merecem ser amadas? Se fosse assim ninguém mereceria amor ou felicidade, pois de perfeitos não temos nada. Não é verdade? Quem disser que é perfeito está mentindo descaradamente, pois a perfeição anda bem longe de todos nós seres humanos. É uma verdade bem verdadeira. Enfim… E o Kamal? Quando ele viu o que tinham feito com sua amada, quando ela sangrou ainda em seus braços… Deus! Aquela dor não pode ser explicada. Foi um momento bem impactante. Até mesmo seu momento de oração e súplica a Deus. Não amo esses mocinhos à toa. Os amo, pois embora tenham feito coisas reprováveis em suas vidas, a autora sempre me dá motivos para amá-los. Porque não há forma de não amar alguém que ama de forma tão intensa, tão violenta, tão entregue. Alguém que abriria mão da própria vida sem pensar duas vezes se isso garantisse a vida de quem eles tanto amam. Quando Eliah disse que protegeria a Mat com a sua vida eu não tive dúvidas. Ele abriria mão de qualquer sonho, de qualquer coisa por ela. Porque ele só precisava dela. De nada nem ninguém mais. De que adiantariam os outros sonhos, as outras coisas, se ela não fizesse parte da sua vida? Se ela não estivesse ali para que ele compartilhasse, vivesse tudo com ela? Perderiam qualquer valor. E ver as lágrimas que escorreram dos olhos dele naquele momento acabaram comigo, gente. Como acabaram! Eu amo demais a Mat, queridos, mas naquele momento eu quase a odiei. Ninguém, nem mesmo ela, tem o direito de fazê-lo sofrer tanto. 


“- Não regresses. – Embora o tenha pronunciado com cuidado, Matilde apercebeu-se da angústia na sua voz. – Fica comigo.”


- Assim como qualquer outro mocinho da autora que eu já tive o privilégio de conhecer, Eliah ama de forma bem intensa. O que acaba por machucá-lo em alguns momentos e rendem belas cenas de ciúmes, que me arrancaram gargalhadas. Bastava alguém olhar para a Mat, para ele já querer acabar com a raça do infeliz. E o Roy… desgraçado do ex-marido da Mat, deu muita sorte por ele não matá-lo.rsrsrs… Mas claro que ele sofreu o peso da ira do meu Eliah. E não foi só por ciúmes (só em parte.rsrsrs…). Mat tinha que se vestir de forma provocante só para os olhos dele, usar perfume provocante apenas para ele, só ele podia senti-la perfumada daquele jeito. Mais ninguém.kkkkkkk... Não suportava a possibilidade de perdê-la para outro. Embora nunca tenha dependido de ninguém em sua vida, embora amasse a sua liberdade e odiasse que se metessem em sua vida, com a Mat era diferente. Desde o primeiro instante ele soube que ela era sua mulher e dependia dela. Sua independência ou liberdade, perdiam importância quando estava com ela. Não queria mais independência. Não existia mais independência. E a liberdade já tinha ido para o inferno há muito tempo.rsrs... Ser livre sem Matilde? Que tipo de liberdade seria essa? Não. Ele estava preso a ela. E queria permanecer assim para sempre. 

“- Será sempre assim entre nós – arquejou Al-Saud em francês, ainda dentro de Matilde. Só sei que esta loucura que começou em mim no dia em que te conheci morrerá comigo.”

- Necessito dizer que recomendo essa história? Só não recomendo para quem é menor de idade (assim como também não recomendo O Quarto Arcano! Para menores de idade, não!), mas para as outras pessoas que amam uma linda história de amor, intensa, cheia de altos e baixos, momentos lindos e impactantes, cenas de amor para lá de emocionantes, eu recomendo e como recomendo! Não é uma história que não deva ser lida, sabe? É aquele tipo de história que precisamos ler. Que é um privilégio, um presente, ler. Estou triste porque terminei a leitura dessa primeira parte. Muito triste, nostálgica e cheia de vontade de chorar. Mas também estou feliz. Feliz porque foi maravilhoso ler essa história. Foi lindo passar esse tempo ao lado deles. E feliz também porque não acabou. Apenas terminou a primeira parte. Muito ainda vai acontecer nos dois próximos livros. Ainda viverei muitas aventuras ao lado do meu casal tão querido e complicado. :D E ainda irei rever também Francesca e Kamal outras vezes, algo que simplesmente amei nesse livro. Vê-los mesmo que não fosse em tantos momentos, foi um presente também. O amor deles deu frutos preciosos e o Eliah é o mais precioso de todos os filhos deles, para mim. :) Alaman é uma gracinha e Yasmin é tolerável, mas Eliah é especial.rsrsrs… Vale comentar também que ainda conhecemos algumas histórias paralelas. Como a que Yasmin vai viver com Sándor, alguém que também conseguiu um lugar no meu coração, pois ele é todo um charme.rsrs… E ainda tem a história entre Juana e um dos melhores amigos do Eliah. Juana é a amiga querida da Mat, alguém que esteve com ela em todos os momentos fosse para consolar, rir com ela ou fazê-la cair na real. Juana é uma graça e merecia uma história toda dela também. Assim como Diana (uma personagem que também carrega sua cota de dor) e Leila, irmã de Diana e Sándor. Leila é uma personagem que desperta muito o nosso instinto protetor. Foi lindo ver o quanto ela progrediu nessa história. Foi lindo vê-la renascer das cinzas.

- Mais uma vez agradeço a Carlita pelo privilégio de ler uma história dessa autora. :D Esse livro tão especial foi um presente dessa minha amiga querida. Um presente muito valioso, flor, não só por ser um livro da Florencia Bonelli, mas sim porque foi um presente que você me deu. Assim como guardo o livro do Kamal com tanto carinho por ter sido um presente da Moniquita. Além de eles serem preciosos por si só, são valiosos porque são partes de vocês. :)

- Queridos, vocês sabem o quanto eu amo músicas, não é? Acho que são minha segunda paixão (a primeira são os livros.rsrs…), seguida de perto por novelas e filmes. E várias músicas invadiram minha mente durante a leitura dessa história. Entre elas: Só Hoje – Jota Quest, Solitario y Solo – Alejandro Fernandez, No Me Compares – Alejandro Sanz (versão que ele canta com a Ivete Sangalo), Cama e Mesa (regravação cantada pelo Tiaguinho) e claro, a música deles: Please Remember. Entre elas eu escolhi colocar aqui a Cama e Mesa e Please Remember, ok? Mas eu recomendo todas essas. E a Problemas da Ana Carolina também. Ontem numa conversa com as meninas (Carlita e Moniquita) a Moniquita comentou que essa música também lembra a história desse casal. E é verdade. Além de ser uma música linda, também é uma recomendação para vocês ouvirem lendo essa história. :)

Please Remember (só que a letra está em espanhol. Mas a música é em inglês.rsrs... Só que eu quis colocar a letra em espanhol, que é a que está no vídeo)

El tiempo…
A veces simplemente
Se nos va de las manos…
Y tu estás en el ayer.
Junto a los recuerdos.

Yo…
Siempre pensaré en ti y sonreiré. 
Y seré feliz por el tiempo…
Que te tuve junto a mi.

A pesar de que nos vamos
Por caminos separados…
No olvidaré, nunca olvidaré…
Los recuerdos que creamos.

Por favor recuerda,
Por favor recuerda…
Que yo estaba allí para ti…
Y tu estaba allí…
Para mi…
Por favor recuerda…
Nuestros momentos juntos.
El tiempo era nuestro
Y éramos salvajes…
Y libres.

Por favor recuerda, 
Por favor recuerdame. 

Adiós…
No hay una palabra más triste.
Y es triste alejarse,
Solo con los recuerdos. 
Quién puede saber lo que podría haber pasado?
Dejarémos atrás una vida,
Un momento…
Nunca lo sabrémos. 

Y como reímos y sonreímos…
Y como este mundo era tuyo e mío…
Y como ningún sueño estaba fuera del alcance…
Yo estaba para ti, tu estabas para mí…
Tomábamos cada día y lo hacíamos brillar…
Escribimos nuestros nombres en el cielo…
Andábamos tan rapido, tan libremente… 
Te tenía a ti, tu me tenías a mi. 
Por favor recuerda… 


Cama e Mesa

Eu quero ser sua canção, eu quero ser seu tom
Me esfregar na sua boca, ser o seu batom
O sabonete que te alisa embaixo do chuveiro
A toalha que desliza no seu corpo inteiro
Eu quero ser seu travesseiro e ter a noite inteira
Pra te beijar durante o tempo que você dormir
Eu quero ser o sol que entra no seu quarto adentro
Te acordar devagarinho, te fazer sorrir

Quero estar na maciez do toque dos seus dedos
E entrar na intimidade desses seus segredos
Quero ser a coisa boa, liberada ou proibida
Tudo em sua vida

Eu quero que você me dê o que você quiser
Quero te dar tudo que um homem dá pra uma mulher
E além de todo esse carinho que você me faz
Fico imaginando coisas, quero sempre mais

Você é o doce que eu mais gosto
Meu café completo, a bebida preferida e o prato predileto
Eu como e bebo do melhor e não tenho hora certa
De manhã, de tarde, à noite, não faço dieta

Esse amor que alimenta minha fantasia
É meu sonho, minha festa, é minha alegria
A comida mais gostosa, o perfume e a bebida
Tudo em minha vida

Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe, o que dá e recebe

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida, na justa medida


E a minha amiga Moniquita pediu que eu também colocasse para vocês a letra da música Problemas. Então, segue abaixo a letra. Prestem atenção ainda mais no trecho em destaque, que é especial para o casal. :) Me fez pensar muito em algo importante que acontece com eles. Sim. O Eliah mudaria seus sonhos, para continuar com a Mat (suspiros...). Ele abriria mão de qualquer sonho, de qualquer coisa por ela...


Problemas


Qualquer distância entre nós
Virou um abismo sem fim
Quando estranhei sua voz
Eu te procurei em mim
Ninguém vai resolver
Problemas de nós dois

Se tá tão difícil agora
Se um minuto a mais demora . .
Nem olhando assim mais perto
Consigo ver porque tá tudo tão incerto.

Será que foi alguma coisa que eu falei ?
Ou algo que fiz que te roubou de mim ?
Sempre que eu encontro uma saída
Você muda de sonho e mexe na minha vida

O meu amor conhece cada gesto seu
Palavras que o seu olhar só diz pro meu
Se pra você a guerra está perdida
Olha que eu mudo os meus sonhos,
Pra ficar na sua vida!

Se tá tão difícil agora
Se um minuto á mais demora . .
Nem olhando assim mais perto
Consigo ver porque tá tudo tão incerto.

Será que foi alguma coisa que eu falei ?
Ou algo que fiz que te roubou de mim ?
Sempre que eu encontro uma saída
Você muda de sonho e mexe na minha vida

O meu amor conhece cada gesto seu
Palavras que o seu olhar só diz pro meu
Se pra você a guerra está perdida
Olha que eu mudo os meus sonhos,
Pra ficar na sua vida!


Bjs e até breve! :)

21 de abril de 2012

A Doçura da Chuva - Deborah Smith


(Título Original: A Gentle Rain
Editora: Porto Editora
Tradutora: Elsa T. S. Vieira)


Kara Whittenbrook tinha uma vida privilegiada. Filha de dois ambientalistas famosos, cresceu entre a selva amazónica e os melhores colégios da elite americana.Com a morte dos pais num acidente de aviação, torna-se herdeira, não só de uma enorme fortuna, mas também de um segredo que abalará por completo o seu mundo - o facto de ter sido adoptada. Decidida a encontrar os seus pais biológicos, Kara parte para a Flórida, onde conhecerá Ben Thocco, um rancheiro que vive rodeado de gente singular. Em pouco tempo, ela fará parte de um universo diferente, que lhe abrirá as portas de um amor inesperado e de amizades genuínas, e a ajudará a tomar as mais difíceis decisões...




Palavras de uma leitora...



"- Esta guerra não é tua.

Levantei-me.

- Claro que é. Eu vou-me embora. É melhor. Mudo-me para o motel...

- Partias o coração do Mac e da Lily se fizesses isso. E do Joey. E... de toda a gente. E eu... eu ia lá buscar-te e trazia-te de volta à força. - Esfregou as mãos com nervosismo. - À força não. Sabes o que quero dizer. Não vás."


- Existem livros bons. Ótimos. Maravilhosos. E existem aqueles que além de serem inesquecíveis, nos deixam sem palavras. Fazem com que não saibamos o que dizer. Ou como dizer. E A Doçura da Chuva é um desses livros. Este livro me deixou completamente sem palavras. Não faço ideia de como colocar em palavras o que sinto pela história. Por enquanto, tudo que posso dizer que este é um dos livros mais especiais que já tive o privilégio de ler. E que eu o recomendo muito. Se você tiver uma oportunidade, leia-o! Não irá se arrepender. Sabe aqueles livros que possuem magia sem serem sobrenaturais? Que são mágicos por serem profundos e humanos? Humano... Sim, este é um livro humano. Com personagens especiais, com defeitos e qualidades. Que erram e admitem seus erros. Que sentem medo, dor, angústia, esperança. Que acreditam em Deus. E que em outros momentos, momentos de desespero, se perguntam se Ele realmente existe. E se existe, por que permite que certas coisas aconteçam. Este livro possui personagens que lutam mais do que muitas pessoas deveriam lutar. Que sofrem mais do que muitos e que mesmo assim, estão sempre prontos a dar um sorriso. Prontos para ajudar. Personagens (que para mim são pessoas) que acreditam na humanidade mesmo que a humanidade os despreze. Que são capazes de ver numa égua violenta apenas uma pobre bebê que foi magoada e que precisa de ajuda. 

"Lily aproximou a cabeça das nossas.

- Sei o que aquela formiga está a pensar.

- O que é? - perguntei gentilmente.

- Que tudo o que é preciso é cada um chegar ao cimo da sua própria folha de erva. Se o conseguirmos, somos especiais, e não interessa a que altura as outras pessoas conseguem subir nas suas folhas de erva."


- Personagens com deficiências físicas ou/e mentais. Pessoas desprezadas, excluídas, condenadas injustamente. Que suportam as palavras cruéis e tentam não acreditar no que aquelas pessoas más dizem. Pessoas que encontraram num homem atormentado pelo passado e pela certeza de que está perdendo seu irmão, ajuda, esperança, socorro. Elas encontraram neste homem tão sozinho alguém que não as desprezava e estava disposto a permitir que elas vivessem como pessoas normais. Que estava disposto a mostrar que elas também eram preciosas, importantes. Que eram mais do que pessoas que tiveram o azar de serem deficientes mentais. 


"Pensei em Ben, grande e forte e enganadoramente sardónico, a cuidar pacientemente das intimidades do irmão no espaço confinado e anti séptico de uma casa de banho pública. Enquanto via Lily e Mac a comerem os seus gelados, perguntei-me se alguma vez trataria deles de forma tão altruísta."

- Kara Whittenbrook era uma mulher sortuda. Tinha os pais mais maravilhosos do mundo, era bem-sucedida financeiramente, herdeira de uma enorme fortuna e querida por todos que faziam parte da sua vida. Mas apesar da riqueza, não teve uma infância fácil. Quando menina era desprezada por ser gordinha e gaga. Rejeitada pelos outros colegas do internato, passou a ser uma menina muito tímida e sozinha. E durante anos lutou para emagrecer e superar a gaguez. Em momento algum ela desistiu. E essas experiências tão desagradáveis contribuíram para torná-la uma pessoa sensível, capaz de entender e ajudar aqueles que possuíam limitações. Que tivessem algum problema do qual se envergonhassem. A tornaram capaz de entender aqueles que não eram "perfeitos". 

Mas Kara nunca teve que lutar realmente por algo. O dinheiro podia comprar muitas coisas. Kara nunca teve que realmente enfrentar a vida real. Nunca teve que se arriscar. Até a morte dos seus pais...

Perder Charles e Elizabeth foi um golpe muito cruel para ela. Seus pais eram tudo que ela tinha de mais precioso na vida. Eram seu porto seguro. Aqueles que a levantariam se ela caísse. Aqueles que se arriscaram para lutar pela natureza, para proteger a natureza daqueles que só pensavam em explorá-la. Aqueles que tinham livrado uma menina inocente, uma pobre bebê, de ter uma vida muito infeliz. Aqueles que a haviam salvado. E que ela sequer sabia disso. Até a morte deles.

Logo após a morte dos seus pais, enquanto mexia nas coisas que tinham sido deles, mergulhando nas lembranças, Kara encontrou um documento que alterou toda sua vida. Que lhe tirou o chão. Ela não era filha biológica daquelas pessoas tão maravilhosas. Tinha sido adotada. E descobriu mais... Descobriu que seus pais biológicos eram deficientes mentais. Pessoas "imperfeitas" e que tinham aberto mão dela como se ela fosse um objeto que não lhes interessava mais. Foi aí que Kara decidiu fazer aquilo que seus pais tanto queriam que ela fizesse: enfrentar a vida real. 


"Quando Joey morrer, eu olharei para essas nuvens e fingirei que é ele que está a passar. Pensarei na música de harpa de Karen a fazer-lhe companhia. Canções de Elvis. E tentarei encontrar algum sentido para além da solidão. Será isso o que verei. Solidão, dor e fé, certo e errado.

E mais nada.

O médico pousou a mão no meu ombro.

- É um processo lento, Ben. Ele ainda tem meses pela frente. Podemos controlar o estado do seu coração com mais um ou dois medicamentos, que o manterão confortável. Leve-o para casa, aprecie a companhia dele e crie memórias."


- Ben era um sobrevivente. Sobreviveu às privações da infância, a rejeição por ter um irmão com Síndrome de Down. Sobreviveu à morte dos pais. Ao abuso daqueles que tinham poder. À dor causada pela certeza de que em pouco tempo perderia seu irmão. 

Aos dezesseis anos de idade, Ben perdeu seus pais. E teve que enfrentar o mundo sozinho. Teve que fazer escolhas difíceis para manter o irmão ao seu lado e impedi-lo de passar fome. Teve que fazer coisas das quais se envergonhava para dar um futuro seguro ao seu irmão. Mas se tivesse que fazer tudo de novo, ele faria. Faria qualquer coisa por aquele irmão que não tinha culpa por ser "especial". Faria qualquer coisa por aquele menino inocente e que era totalmente dependente dele. 

Durante anos ele lutou, colocou os princípios de lado e batalhou para conseguir juntar dinheiro suficiente para voltar para os Estados Unidos, para o interior da Flórida e realizar o sonho do seu pai. Ter um rancho que pudesse chamar de seu. Um lugar seguro onde poderia dar tudo que seu irmão precisasse. E ele conseguiu. 

E para surpresa de todos, não foi trabalhadores "normais" que ele contratou para ajudá-lo. Sem segundas intenções, ele assumiu a responsabilidade por pessoas que não teriam oportunidade de viver de forma digna em outro lugar. Ele estendeu as mãos àqueles que eram excluídos. Desprezados. 

E é esta ação, altruísta e humana, que vai colocar Kara em seu caminho.


" - Às vezes ainda parece que foi ontem. Estou a ver televisão e penso: "Eles haviam de ter gostado disto. Gostava de poder vê-los a assistir a este programa." Vejo pessoas da minha idade a jantar fora ou às compras com os pais e invejo-as terrivelmente. Vejo uma nova cor de azálea e quero comprá-la para a minha mãe, porque ela adorava azáleas. Quero falar-lhe nisso, só para ver os seus olhos iluminarem-se. Compro um cavalo novo e penso: "Será que o meu pai teria gostado deste?" Isso é o pior, sabe? Querer falar com eles, mas não saber sequer se eles ainda me ouvem."


"Ben engoliu em seco. Virou o rosto para a paisagem do pântano. 

- Olho para ali e daria tudo para que eles pudessem estar aqui e ver esta paisagem. Para que tivessem aquilo que sempre quiseram, um rancho como este. Terra. Um sítio a que pudessem chamar seu. Tento pensar neles no... Céu, ou como queiras chamar-lhe... a olharem para mim e para Joey com satisfação. Digo a mim próprio que eles não estão tristes por nunca terem tido um rancho como este.

Digo que eles estão para além de todas as necessidades e desejos terrenos. Mas... parte de mim detesta pensar no que eles perderam e naquilo que o Joey e eu perdemos por eles terem morrido novos, aquilo que só tive possibilidade de lhes dar depois de eles já cá não estarem. Daria tudo para os ouvir dizer que estão orgulhosos de mim. Não viveram o suficiente para eu poder estar à altura dos seus sonhos."


- Sabe o que é um rapaz, ainda adolescente, enfrentar sozinho o mundo e ainda ser responsável por uma criança? Uma criança com Síndrome de Down e problemas cardíacos sérios? Vocês não têm ideia do que o Ben teve que suportar, não sabem as escolhas difíceis que ele teve que fazer e eu não lhes direi quais foram. Existem coisas que não devemos contar. Não é justo eu contar tudo sobre o passado do Ben, pois são coisas que vocês devem conhecer aos poucos, da maneira da autora. Lendo o livro. Também não esperem que eu conte muitos segredos da história. Na verdade, não pretendo contar nada que seja importante. Não irei contar aquilo que vocês devem descobrir lendo o livro. Agora só irei falar dos personagens. 

- É difícil falar do Ben. Se não tenho palavras para dizer o que sinto pela história, pelo Ben muito menos. Sabe quando a emoção é tão forte que você fica sem fala? Eu terminei de ler este livro ontem, mas não consegui começar a fazer a resenha sobre ele. Até tentei, mas quando comecei a escrever fui tomada pelas lembranças... Lembrei de tantas cenas especiais do livro que senti vontade de chorar e não tive condições de continuar escrevendo sobre ele. Desisti e deitei na cama, ouvindo as músicas que me faziam lembrar do amor que existia entre o Ben e a Kara, pensando na Lily, no Mac, no Joey, na Estrela e em todos aqueles que tinham roubado o meu coração através desta história. Pensei naquela Flórida, no rancho e na floresta... desejei estar lá, no mundo do Ben. Naquele mundo mágico e único. Creio que nunca desejei tanto fazer parte de uma história, como desejei fazer parte desta. Queria presenciar tudo aquilo. Sei... Parece loucura e talvez realmente seja, mas esta história me envolveu tanto que eu queria fazer parte dela. Eu "senti" esta história, eu me apaixonei por diversos personagens, me emocionei e sofri com eles. Também dei muitas risadas com eles, com eles também ultrapassei os obstáculos e venci. Com eles fui feliz. Estas personagens simplesmente roubaram o meu coração. 

E eu quase não fiz esta resenha. Além de não saber o que falar, sentia medo de não conseguir passar para vocês tudo que senti e fazê-los desejar ler o livro. Sentia medo, pois esta história merece ser lida. Precisa ser conhecida. Cada vez mais. Por mais e mais pessoas. Então, eu pensei que se não conseguia colocar os meu sentimentos em palavras, o melhor seria não escrever nada, pois seria injusta com a história. Vocês pensariam que ela não é especial se eu não conseguisse passar sentimento nesta resenha. E por isso, cheguei a tomar a decisão de não escrever nada sobre o livro. Minha resenha não estaria à altura da história, então, o melhor era simplesmente guardar tudo que sinto para mim. Não falar nada. Mas eu não consegui. O Ben, a Kara, Mac, Lily, Joey, Estrela e os outros prometeram me ajudar a escrever esta resenha. Disseram que era só eu pensar neles que conseguiria escrever. Me perguntaram se eu não tinha aprendido nada com tudo que eles me contaram, se não aprendi nada com a história deles. Não era para eu acreditar que era incapaz de escrever uma resenha sensível sobre eles. Me disseram que o que vem de dentro é verdadeiro e que vocês sentiriam isso. E sabe? Eu acredito neles. Eu confio neles. E quando acordei tomei a decisão de vir aqui e colocar para fora tudo que sinto e consigo escrever. Sei que não é suficiente, pois só lendo o livro vocês conseguirão sentir tudo que sinto, mas é sincero, vem de dentro do meu coração. É parte do que sinto por esta história. E precisa ser compartilhado. 


"- Não tens namorada, nem mulher, nem vida social. Não tens filhos. De que andas tu a fugir?

- Nenhuma mulher no seu perfeito juízo aceitaria tomar conta do Joey, deste rancho, desta gente, de mim. Pelo menos nunca conheci nenhuma suficientemente louca para isso. Ou suficientemente forte.

- Ou talvez tenhas medo, apesar das garantias científicas de que o gene é aleatório, de que se casasses e tivesses filhos pudesses ter uma criança com Síndrome de Down, como o teu irmão.

Os ombros dele abateram-se.

- Sim, Deus me perdoe. Porque um anjo é suficiente para mim. Não sou nenhum santo. Por isso, digo-te: os anjos podem dar-nos um vislumbre do Paraíso, mas também nos partem o coração."


- Quem é o Ben para mim? Alguém que apanhou muito da vida, mas não a deixou derrubá-lo. Alguém com quem o destino foi cruel, mas, apesar dos próprios tormentos, do próprio sofrimento, quis ajudar aqueles que também tinham apanhado. Um homem que era pai e mãe de pessoas desprezadas pela sociedade, de pessoas especiais e que precisavam simplesmente de alguém que acreditasse nelas e lhes desse uma chance de provar que realmente eram especiais. Especiais no bom sentido. Alguém que, em alguns momentos, desejava não ter toda aquela responsabilidade que tinha, simplesmente por não ter condições de tê-la. Por ser demais para ele e que mesmo assim não desistia, não abandonava aqueles que precisavam dele. Um homem que chorava, sofria sozinho para não fazer sofrer aqueles que ele amava. Um homem especial que se sacrificou, abriu mão da sua inocência e juventude para dar o que comer ao irmão. Alguém que jamais irei esquecer. Falar do Ben enche meus olhos de lágrimas porque ele é simplesmente incrível. É especial e é real, sabe? Nós não sentimos, durante a leitura, que ele é alguém impossível de ser real. Ele não é perfeito, gente. Também erra. Também faz idiotices. Sente coisas que pessoas humanas sentem. Ele também está longe da perfeição, como todo ser humano, mas se torna perfeito por isso. Por ser humano. Ele conseguiu o privilégio de pertencer ao primeiro lugar da minha lista de preferidos, ao lado do meu Roger. Sei que o Roger não vai se importar de dividir este lugar com ele. Ambos ocupam este lugar por motivos, situações e escolhas diferentes, mas parecidas de certa forma. Dignas de me fazerem ter a certeza de que eles devem ocupar este lugar. O segundo lugar não é indigno. Royce Westmoreland ocupa o segundo lugar na minha lista de preferidos (sim. Comecei a passar a lista para o papel.rsrs...) e quem conhece a história dele sabe o quanto ele é especial. Tem lugar só dele no meu coração também. Mas eu precisava colocar o Ben em primeiro lugar junto do meu Roger. Porque ambos precisam ocupar este lugar. Porque eu preciso que eles ocupem este lugar. Não ficaria satisfeita com menos. Na hora que eu dividir a lista em preferidos de livros históricos e contemporâneos, ambos ocuparão o primeiro lugar. O Roger como preferido dos livros históricos e o Ben, dos contemporâneos.


"Uma pessoa pode pôr a preocupação de lado e seguir em frente. É como se trancássemos a tristeza numa jaula, sabendo que conseguirá escapar mais tarde, mas não agora."

- E o que posso falar sobre a Kara? Lembro com clareza do momento no qual ela socou a vaca chamada Tami, uma moça rica, mimada e cruel. E lembro dos motivos da Kara para socar aquela vaca. Lembro de tudo que ela fez por aquelas pessoas que se apaixonaram por ela assim que a conheceram e que também se tornaram dependentes dela. Lembro de como ela levou risos, música e alegria para a vida do Joey. Lembro dos sorvetes que ela fez com que fossem entregues para ele, quando ele estava no hospital. Lembro de como ela ajudou a defender uma égua violenta, que tinha sido maltratada no passado, carregava marcas físicas e emocionais daqueles maus-tratos e rejeitava todo ser humano. Desejava matar todo ser humano ou animal que se aproximasse dela. Ela entendeu os medos daquela égua e ofereceu sua ajuda, sua amizade. A ajudou a voltar a confiar nos seres humanos. Fez aquela égua, batizada por ela como Estrela, perceber que nem todos os seres humanos eram vermes, lixo. Lembro do amor da Kara pelo Mac e a Lily, pais biológicos dela. Lembro da forma como ela os aceitou e amou, mesmo acreditando que tinha sido rejeitada por eles quando era apenas um bebê. Mesmo acreditando que eles tinham aberto mão dela sem se importarem com seu destino. Lembro da forma como ela olhava para o Ben, da paixão que ela sentiu por ele quando era apenas uma adolescente e sequer tinha visto o seu rosto. Lembro de tudo que ela fez pelo Ben e por todos que a aceitaram sem saber nada sobre a sua vida, sem conhecê-la ou conhecer o seu passado. Pessoas que simplesmente a receberam de braços abertos e a amaram de forma natural, sincera. Lembro de tudo isso e digo, sem pensar duas vezes, que ela também é minha preferida. Que eu também a amo. Tanto como amo o Ben. A amo porque pessoas como ela merecem amor. A amo porque ela conseguiu me conquistar. Amo a Kara e o Ben não só por causa do amor que surgiu entre eles, não só pela forma como o amor que eles sentiam um pelo outro era contagiante, mágico e arrebatador, mas também porque eles realmente sabem o que é amar.


"Estendeu a mão. O meu medalhão de ouro cintilou sob os raios de sol.

- Recebi a mensagem - disse ele repentinamente - Vim aqui para to devolver em troca de algo.

- Em troca? - perguntei, com a voz embargada pelas lágrimas.

- Dou-te este coração de ouro se me deres o teu.

- Ben, é a coisa mais poética e profunda...

- Não quero ser poético. Quero que me dês um beijo."


- Mas por falar no amor que existia entre o Ben e a Kara, não posso deixar de mencionar o quanto adorei o fato da autora fazer tudo acontecer de forma natural e aos poucos. Com a convivência. Achei que foi mais verdadeiro. Cada olhar apaixonado e compreensivo, cada beijo, toque, palavra. Antes de se apaixonarem, Ben e Kara se tornaram amigos, cúmplices, companheiros. Achei esse amor doce e "real", sabe? Foi tudo natural e verdadeiro. E divertido em alguns momentos.rsrs... 

Existem duas músicas que me fizeram lembrar muito do casal. E também não poderia deixar de colocar um pequeno trecho (bem pequeno) das duas músicas.

A primeira é uma música de dois cantores dos quais sou muito fã (Servando e Florentino). Ela se chama Si Yo Fuera Tu:

Sé que es muy temprano para lo que digo
más de mi parte yo estoy convencido
que eres mi vida y la daría
toda entera por estar contigo


A segunda se chama Que Me Alcance La Vida e é do Sin Bandera. Também é belíssima!

Tantos momentos de felicidad
tanta claridad, tanta fantasía
tanta pasión, tanta imaginación
y tanto dar amor hasta llegar el día
tantas maneras de decir Te Amo
no parece humano lo que tu me das

Cada deseo que tu me adivinas
cada vez que ríes, rompes mi rutina
y la paciencia con la que me escuchas
y la convicción con la que siempre luchas
como me llenas como me liberas
quiero estar contigo si vuelvo a nacer


- A Kara falou sobre algo quase no final do livro. Algo que me fez lembrar de uma outra música também.rsrs... Não é uma música sobre o amor entre um homem e uma mulher. É uma música sobre o amor de Deus. Sim. Eu acredito em Deus e não tenho vergonha alguma de dizer isso. Já disse aqui e repito: só criei este blog, vocês só me conheceram porque Deus me deu uma nova chance. Porque Deus me devolveu a minha vida. Não. Na verdade, Ele me deu uma nova vida. Se estou viva é graças a Deus e a fé que minha mãe teve em Deus. Enquanto lia este livro lembrei de quando o cirurgião disse que minha vida corria sérios riscos. Eu lembrei do quanto eu sofri, de cada dor e do sofrimento da minha mãe. Do quanto ela sofreu por me amar e me ver morrendo na sua frente. Lembro com clareza do dia em que ela se jogou no chão do banheiro daquele quarto de hospital e pediu a Deus pela minha vida. Escondida de todos. Do meu pai e do meu padrasto que tinham ido me visitar. Escondida até de mim. Mas eu vi. Levantei daquela cama e fui atrás dela e a vi. A vi naquele chão orando por mim. É algo que não se esquece. E eu concordo com a Kara: Deus não está só nas Igrejas, só na Bíblia, só na vida daqueles que admitem serem crentes. Deus está em tudo. Deus está numa música, novela, filme, nos animais, na natureza. Deus está até num livro. E de uma coisa eu tenho absoluta certeza: Ele jamais, jamais mesmo, nos deixa sozinhos. 


Não irei colocar só um trecho dessa música. Irei colocá-la completa. Se chama "Eu Estava Lá" - Emerson Pinheiro.


Rejeições, frustrações, exclusões, lágrimas
Dores, marcas de ilusões,
São como pedras dentro da alma

Uma mãe que sente a dor de um filho que morreu e ninguém estava lá |
Deus, como isso aconteceu?
Um marido que se foi, a esposa abandonou
Um pastor que sofre a dor de
um ministério que ruiu

Mas eu sou teu Deus e Eu estava lá
No meio do teu vale, Eu estava lá
Colhendo as tuas lágrimas, estava lá
Em noites escuras, Eu estava lá

Já senti a dor do que é perder um filho
Já senti a dor do que é ser traído
Já senti a dor do que é sofrer sozinho
Fiz tudo por você
Faria de novo por você

Filho amado, hoje Eu te curo, hoje Eu te restauro
Tu és meu filho amado
Te pego em meus braços, vem com teu Pai




- Se você ler esta história, saberá por que comentei sobre minha própria vida naquele trechinho no qual falei sobre minha mãe, saberá por que falei de fé, por que disse que Deus está até mesmo em alguns livros, por que coloquei aqui a música "Eu Estava Lá". Duvido que você não se emocione com esta história. Com a história contada em "A Doçura da Chuva". É impossível os personagens especiais desta história não te conquistarem. Kara e Ben não são os únicos protagonistas. Mac, Lily, Estrela, Joey e as outras pessoas que trabalham no rancho do Ben também são. 

- Conseguiram perceber o quanto esta história é especial para mim? Gostaria de deixar uma coisa clara aqui: Boa parte dos personagens desta história é deficiente mental. São pessoas especiais, anjos como o próprio Ben disse. Então, se você despreza os deficientes físicos ou mentais, não leia o livro! Ele não serve para você. 

- Eu não poderia deixar de agradecer a minha querida amiga Carlita, por ter me indicado este livro. Carlita, nunca irei te agradecer o suficiente por me ter dado a oportunidade de ler este livro. É uma das histórias mais lindas, mais especiais que tive o privilégio de ler. Muito obrigada, minha amiga! 


- Já disse que RECOMENDO MUITO, MUITO, MUITO MESMO, ESTE LIVRO???!! :D Cinco estrelas ainda é muito pouco para ele. Nem mil seriam suficientes. 

- Ainda não acredito que terminei de ler esta história e que agora terei que me separar dela. Estou deprimida por causa disso. Vou sentir saudades do Ben, da Kara e dos meus outros anjos. Espero que eles me ajudem a ter paciência para terminar de ler um livro que está me tirando do sério e me fazendo desejar jogá-lo longe. rsrsrs... Não sou a pessoa mais paciente do mundo. Estou bem longe disso, mas creio que a Ever ainda não se deu conta. Enfim... Será que pensando em A Doçura da Chuva conseguirei terminar de ler o livro da idiota da Ever? Espero que sim. Preciso eliminar o tal livro da minha lista antes que perca a coragem de lê-lo.rsrs.. 





Bjs e até breve! :)

12 de janeiro de 2012

O Porto das Tormentas (O Quarto Arcano 2) - Florencia Bonelli


O Quarto Arcano - 2ª Parte


Em O Porto das Tormentas, segundo e último volume de O Quarto Arcano, Florencia Bonelli dá continuidade à história de Roger Blackraven e Melody Maguire, com que os leitores se familiarizaram em O Anjo Negro.

Depois de abandonar Buenos Aires, Blackraven chega às costas brasileiras com os seus primos Marie e Luís Carlos, filhos de Luís XVI e Maria Antonieta, cujas vidas estão em perigo. Aí irá encontrar velhos companheiros de aventuras: o padre jesuíta Malagrida e Adriano Távora, sempre disponíveis para o ajudar nas situações mais difíceis. O domínio de Napoleão sobre a Europa é cada vez mais apertado e obriga os ingleses a procurar na América do Sul novos mercados - comandada pelo almirante Beresford, a invasão inglesa está iminente...

Novos personagens e novos cenários acompanham as aventuras do Escorpião Negro desde a costa americana até à velha Europa. O Porto das Tormentas é um romance repleto de acção: conspirações, assassinatos e abordagens em alto mar fazem desta leitura uma experiência quase cinematográfica.





Palavras de uma leitora...


" - Estamos juntos, Isaura - Pegou-lhe na mão e entrelaçou os dedos nos dela. - Os fantasmas do passado não existem. Somos livres e estamos unidos como as conchas de uma ostra. Somos invulneráveis, tu e eu. Nada receies, meu amor. Eu estou ao teu lado, nada de mau acontecerá. Confia em mim, Isaura. Confia em mim."

- Estou triste... Me separar d`O Quarto Arcano é doloroso. Enfrentamos tantos momentos juntos... Foram tantos momentos de alegria, tristeza, angústia, dor, amor, paixão, violência, raiva, ódio, perdão, compaixão... Esse livro me provocou uma mistura de sentimentos. Odiei com todas as minhas forças e amei de forma igual. Rejeitei, perdoei. Chorei, sorri. Me angustiei em tantos momentos... Já sinto falta.rsrs... Acabei de ler essa história, mas já sinto muitas saudades. Não queria que acabasse. Sei que é loucura, mas quando um livro mexe tanto com a gente, abala tanto nossos sentimentos, nós não queremos que ele acabe... Mas de uma coisa eu tenho toda a certeza do mundo: essa separação não é definitiva. Embora eu tenha fechado o livro, embora não possa acompanhar o que Roger e Isaura ainda enfrentarão, eu não vou dizer adeus de forma definitiva. Um dia lerei essa história novamente. Um dia irei reviver todas essas emoções... Mas não é somente por isso que não direi adeus: é porque eu sempre vou levar essa história no meu coração. Sempre mesmo. Ela tem um espaço feito especialmente para ela. Nunca li uma história como essa... Ela é única e o Roger é o mocinho mais maravilhoso que tive o privilégio de conhecer. Como posso dizer adeus? É impossível. Não dá.

"-Oh, Roger perdoa-me! - suplicou Melody, agarrada ao seu pescoço. E ele, que nos últimos meses se debatera entre o ressentimento e o amor, pensou que nada justificava a angústia da sua doce Isaura. Nesse momento, não teve a menor dúvida de que a amava de um modo demente, obsessivo, que a amaria sempre, até ao fim dos seus dias, porque acabava de compreender que era capaz de lhe perdoar qualquer coisa, a mais vil, a mais baixa.

- Perdoa-me - insistia Melody. E ele, emocionado, nem sequer conseguia articular uma palavra.

- Basta, Isaura, não me peças perdão.

- Preciso de te ouvir dizer que me perdoas. Fui dura contigo. Acusei-te injustamente. Desconfiei de ti. Como estou envergonhada! - Escondeu o rosto no peito de Blackraven, agarrando-se a ele com o ímpeto de quem teme o precipício. - Diz que me perdoas!

- Perdoo-te - acedeu ele, os lábios pousados sobre a sua cabeça e a voz entrecortada. - Haveria alguma coisa que eu não te perdoasse, meu amor?" (páginas 101 e 102)

- Alguém aqui se lembra da música "Te Extraño, Te Olvido, Te Amo"? Creio que já falei dela aqui em algum momento. Lembro sobretudo do seguinte trecho: "He perdido todo, hasta la identidad, y si lo pidieras más podría dar, es que cuando se ama nada es demasiado. Me enseñaste el límite de la pasión y no me enseñaste a decir adiós. He aprendido ahora que te has marchado..." A partir do trecho "Me enseñaste...", a música não é totalmente de acordo com a história desse casal. É verdade que o Roger não ensinou a Isaura a dizer adeus, porém ele também não ensinou o limite da paixão, pois a paixão deles não conhece limites. Mas esse trecho me faz lembrar da dor desse casal, sabe? Sabe quando você ama de forma tão doentia, tão forte, violenta, que depende demais da pessoa amada? Assim é o amor deles. Se um morresse, eu acredito que o outro não conseguiria continuar. Se amam de uma forma que ninguém pode explicar. É um amor que não conhece limites... Não há limites para nada. Eles se entregam totalmente a esse amor. E que se danem as consequências!!!rsrsrs... Porém, elas podem ser muito dolorosas...

Como duas pessoas que se amam tanto poderiam viver separadas? Como seria a vida delas se isso acontecesse? E por que estou falando de separação?! Bem...

Para quem não leu "O Anjo Negro - O Quarto Arcano", que conta a primeira parte dessa história, tenho que dar um aviso muito importante: essa resenha irá ter spoiler. Falarei de coisas que aconteceram no primeiro livro e também falarei de algumas coisas (embora, poucas) que aconteceram nesse segundo livro. Por isso, quem não gosta de spoiler, deve parar por aqui.

Quem leu "O Anjo Negro", sabe: Isaura e Roger terminaram o livro separados. Enquanto Isaura permaneceu no Rio da Prata, Roger fez uma longa viagem para colocar em segurança seus primos Marie e Luís XVII (Sim. Os filhos de Luís XVI e Maria Antonieta). Ele e Isaura tinham tido uma séria e terrível discussão, na qual Isaura o acusou de coisas que ele não fez, levada pelo fato de Bernabela a ter envenenado com palavras cruéis e chocantes. Mas... Peraí! Quem é Bernabela para começo de conversa? Que tal um pequeno resumo? Vamos começar do início...


Um pequeno resumo:

Isaura Maguire não teve uma vida fácil e toda sua tristeza começou quando sua mãe morreu de forma totalmente inesperada. Num instante, ela estava bem e no outro, estava morrendo. Isaura não sabia que aquele era apenas o início de toda a sua dor...

Tudo começou quando Enda e seu filho, Paddy, foram morar com a família de Isaura. Segundo Enda, ela e seu filho não tinham sequer o que comer e precisavam da ajuda de Fidelis, pai de Isaura. Mas ninguém sabia que Enda tinha assassinado o próprio marido, que era irmão de Fidelis, para poder ir atrás do cunhado, por quem ela sempre foi apaixonada. Uma bruxa poderosa, ela não recuou quando soube que Fidelis tinha casado e tinha três filhos. Ela queria Fidelis e destruiria quem fosse necessário para conseguir o que queria. E o primeiro passo era se livrar de Lastenia, mãe de Isaura.

Durante algum tempo Enda fez bruxaria para se livrar de Lastenia, mas ela tinha um espírito que se recusava a se dobrar à vontade de Enda. Nenhuma bruxaria foi capaz de acabar com a vida da mãe de Isaura. E foi por isso que, muito furiosa, Enda aproveitou a chance que tinha "caído dos céus".

A mãe de Isaura adorava preparar comidas com cogumelos e sabia separar os inofensivos dos venenosos. Por isso, quando avistou aqueles cogumelos, ficou muito contente e ajudou sua cozinheira a prepará-los. Aproveitando sua grande chance, Enda lançou pedaços de um cogumelo venenoso no prato de Lastenia, provocando-lhe uma morte lenta e dolorosa.

Porém, isso não foi suficiente para que Fidelis passasse a vê-la como mulher. Por mais que ela insistisse, ele continuava a se manter distante e isso só foi aumentando o ódio dela. Todo aquele amor, com o tempo, se transformou num ódio violento e Enda já não pensava mais em tê-lo como marido. Queria vê-lo morto e que tudo que tinha sido dele, passasse a ser seu (a herdade Bella Esmeralda). Usando de veneno, Enda matou Fidelis lentamente. Isaura, Tomás e Jimmy perderam em pouco tempo o pai e a mãe e já não tinham ninguém que pudesse protegê-los da maldade daquela mulher e do seu filho, Paddy, que era obcecado por Isaura.

Para conseguir ter Bella Esmeralda, Enda e Paddy precisavam livrar-se de Tomás (já que o pequeno Jimmy era doente e não teria muito tempo de vida mesmo) e convencer Isaura a se casar com Paddy. Livrar-se de Tomás foi fácil: bastou acusá-lo de roubo. Porém, antes que a polícia o prendesse, Isaura conseguiu alertá-lo e ele acabou fugindo... deixando ela e Jimmy para trás. E como para a justiça de Capella del Señor, Tomás sempre seria um fugitivo da Justiça, eles não se preocuparam. O próximo passo era "convencer" Isaura a se casar com Paddy. Só que nem tudo era tão fácil.

Embora fosse uma jovem suave e boa, Isaura tinha um espírito forte, determinado. Assim como sua mãe, ela também não se dobrava. E ela se recusou a aceitar Paddy como marido, o que enfureceu demais o rapaz que passou a usar de violência para humilhá-la e fazê-la ceder. Tapas, surras, humilhações... ele fez de tudo para fazê-la ceder, mas Isaura aguentou tudo e de modo algum aceitou se casar com um homem que ela tanto desprezava. Assim, num ataque de fúria, Paddy a marcou como sua propriedade: com o mesmo ferrete que marcava os escravos, ele marcou Isaura em três lugares nos ombros, fazendo-a desmaiar. E a partir daí, as coisas só pioraram.

Numa determinada noite, quando Paddy entrou em seu quarto, com a intenção de a violar, Isaura reagiu, atingindo-o e acreditando tê-lo matado. Assustada, ela pegou seu irmão Jimmy e fugiu daquele lugar, usando todas as suas forças e orações para mantê-los vivos...

Isaura encontrou abrigo na casa de Madame Odile, uma prostituta que não pensou duas vezes antes de dar abrigo a ela e ao pequeno Jimmy. Na casa daquela boa mulher, tendo como amigas outras prostitutas, Isaura foi feliz. Isaura era católica e sabia que não deveria se misturar com aquelas mulheres, mas nenhuma pessoa a tinha ajudado de forma tão desinteressada como Madame Odile e aquelas meninas. Madame Odile foi para Isaura uma mãe e a ela, Isaura devia a própria vida. Ela e Jimmy estavam muito fracos quando aquela boa mulher lhes estendeu a mão.

E por obra do destino, ela acabou cruzando o caminho de Béatrice e Víctor, indo parar na casa de Roger Blackraven, com quem ela viveria a mais linda e inesquecível história de amor. Com quem ela viveria momentos de pura angústia, mas o único com quem ela poderia encontrar a felicidade...

Roger Blackraven era um libertino. Um homem que era dono tanto de terras quanto de escravos e tinha muitas mulheres sem ser fiel à nenhuma delas. Fidelidade para com amantes, não fazia parte do seu vocabulário. E ele também não tinha nenhum problema em se envolver com mulheres casadas. Mesmo que fosse mulheres casadas de seus sócios...

Violento. Cruel. Justo. Ameaçador. Espião. Pirata. Implacável... Amante Insaciável. Roger era tudo isso e muito mais. E ninguém era louco o bastante para desafiá-lo. Ele não tinha pena de destruir seus inimigos. Não sentia remorsos. Não era capaz de amar. Ou pelo menos, não se julgava capaz... Não acreditava que seria capaz de encontrar uma mulher que o fizesse baixar suas defesas e se entregar de corpo e alma. Uma mulher que fosse capaz de invadir seu coração e se recusar a sair. Alguém que se tornasse importante demais para ele, que se tornasse tão importante quanto o ar que ele respirava. Que fosse sua força, mas também sua maior fraqueza. Alguém que ele amasse tanto, que vivesse temendo perder. Se alguém tivesse lhe dito que um dia ele encontraria uma mulher que se tornaria mais importante do que qualquer outra coisa, uma mulher que ele amaria sem limites, Roger teria rido até não aguentar mais. Mas ele encontrou.... e ela se chamava Isaura Maguire.

Quando falou com aquela jovem pela primeira vez, Roger sentiu uma mistura de fúria e admiração. Fúria, porque estava mais do que claro que ela o desprezava (por ele ser inglês, mulherengo e dono de escravos... entre outras coisas...) e admiração porque nenhum homem teve coragem de falar com ele como aquela jovem falou. De desafiá-lo tão claramente e de modo tão orgulhoso. Isaura enfurecia-o, fazia-o desejar estrangulá-la, mas ao mesmo tempo ia invadindo seu coração, fazendo-o desejar protegê-la e amá-la até fazê-la desfalecer. Isaura foi tomando conta da sua vida, do seu coração sem pedir licença e ele, tão forte e tão temível, não era capaz de lutar contra os sentimentos que começava a sentir por ela. Rapidamente, Isaura se tornou tudo para ele. E ele tinha medo de amá-la assim. Nunca teve tanto medo na sua vida, quanto passou a ter depois que se apaixonou por ela. Ele sabia que se a perdesse, não conseguiria mais viver. Se a perdesse, perderia também todas as suas forças. Precisava de Isaura. Precisava do seu amor mais do que tudo. Ele poderia perder qualquer coisa e qualquer pessoa e por mais doloroso que fosse, conseguiria continuar vivendo. Mas não poderia perder Isaura. Se a perdesse, morreria. Fato.

Ao lado de Isaura, Roger Blackraven, enfrentou muitas coisas em "O Anjo Negro - O Quarto Arcano". No primeiro livro, ambos enfrentaram momentos de dor e desespero, amor e alegria. Viveram momentos intensos, de pura paixão... e também enfrentaram uma separação dolorosa no final do livro... Separação essa que só intensificou o amor que eles já sentiam. Uma separação que foi necessária para fazê-los confiar mais e terem certeza de que realmente necessitavam do outro para viver. Os setenta dias de separação são terríveis para Isaura e Roger, mas em "O Porto das Tormentas - O Quarto Arcano", a história deles dois continua e um lindo e ao mesmo tempo doloroso reencontro se aproxima...


- Quem é Bernabela Valdez e Inclán? Ela era esposa de Alcides Valdez e Inclán, sócio de Roger. Alcides conhecia muitos segredos do nosso mocinho, assim como o Roger também conhecia os seus podres. Só, que além disso, Bernabela também era amante de Roger. Isso mesmo que vocês entenderam. Bernabela e Roger foram amantes. O Roger não se importou com o fato de fazer sexo com a mulher de seu sócio. Mas ele paga por esse erro no final do primeiro livro, quando Bernabela envenena Isaura com suas palavras e provoca a separação do casal, e paga também quando, por causa de seu envolvimento com Bernabela, La Cobra passa a conhecer sua verdadeira identidade e torna-se numa ameaça para Isaura, que passa a correr sérios riscos (mas sobre La Cobra eu falo depois). Bernabela revela à Isaura que Roger foi casado antes e que era suspeito de ter matado a própria mulher, levado pelos ciúmes (pois a pegou na cama com seu melhor amigo, Simon Miles). Ela também revela algo que abala profundamente Isaura e a faz recusar-se a ouvir as explicações do marido: que ele tinha sido negreiro. Isaura é uma pessoa que defende a liberdade e sentiu na pele o quanto a vida dos escravos é cruel (pois ela foi feita escrava pelo próprio primo, Paddy, que a fez passar por humilhações terríveis e a marcou com o mesmo ferro que se marcava os escravos). Ela é defensora dos escravos e por isso é conhecida como "Anjo Negro". Saber que o homem que ela amava e com quem era casada, tinha sido negreiro, a decepcionou muito e a fez lançar sobre ele várias acusações... incluindo uma que o fere muito e o faz viajar sem se despedir dela. Que o faz deixá-la para trás. Mas Bernabela não é somente a viúva de Alcides (pois ele morreu no primeiro livro), ex-amante de Roger e a mulher que envenenou Isaura com palavras... Ela também é uma mulher muito perigosa, que assassinou o próprio marido e tinha intenções de acabar com a vida de Isaura, pois só assim ela conseguiria ter o Roger de volta. Bernabela juntamente com Ágata e Enda, irá perturbar muito a paz do nosso casal (e a de nós leitoras tbm). Principalmente, Enda. Ela é uma das vilãs mais perigosas dessa história e está aguardando pacientemente o momento certo de acabar com Roger e Isaura. Mas... Por quê? Só por que ela deseja Bella Esmeralda? Não. Ai, gente! Vou revelar mais segredos do primeiro livro...rsrsrs...



- Entre os momentos difíceis que Roger e Isaura enfrentam no primeiro livro, está o rapto de Isaura. Paddy não morreu após ter sido ferido por ela, e após algum tempo e a ajuda de Bernabela, consegue encontrá-la e raptá-la, fazendo-a sofrer novamente em suas mãos. Porém, eu já disse aqui: Roger não tem pena dos seus inimigos. Se tiver que matá-los, ele mata. E jamais devem mexer com sua Isaura. Ele encontra nossa mocinha justamente no momento em que Paddy a está forçando e o mata sem pensar duas vezes. A cena é terrível, mas eu não senti pena do Paddy. Pelo contrário. Ele pediu desesperadamente por aquilo, no momento em que sequestrou e maltratou a Isaura. E não condenei meu Roger. Não poderia!rsrs... Confesso que até gosto quando ele dá um "jeitinho" em seus inimigos. Nem sempre matando... ele também dá um "jeitinho" neles de outras formas.rsrs... Mas eu gosto, pois eles são verdadeiros monstros que só fazem mal aos outros. Enfim... E quem é La Cobra? Bem, quem ele realmente é, sua identidade verdadeira, seu nome, eu não seria louca de contar!rsrs... Vocês iriam desejar me bater se eu fizesse isso!rsrs... Prometo que não conto. Podem continuar lendo a resenha tranquilamente (embora a vontade de contar seja enorme!kkkkkkk...). Bem... Mas ele é um sicário, um assassino contratado para descobrir quem é o Escorpião Negro e matá-lo. E se vocês prestaram atenção na sinopse desse livro, coisa que eu não fiz quando a li pela primeira vez e que por isso fiz perguntas estúpidas para minha amiga, Carlita (sim. Se ela lembra das perguntas que fiz a ela, sabe que elas foram estúpidas.rsrs... Se eu tivesse relido a sinopse, conheceria as respostas que pedi a ela.), sabem que nosso amado Roger também é o Escorpião Negro, o espião mais poderoso da Inglaterra. Napoleão Bonaparte queria ver esse espião morto e por esse motivo, La Cobra foi contratado. Não direi como esse sicário descobre a identidade do Roger, mas como disse, é graças ao envolvimento dele com Bernabela. Quem mandou se envolver com uma mulher casada???!!!rsrsrs... É nisso que dá. Mas eu senti demais pelo meu Roger quando ele pagou por esse erro. Não merecia sofrer tanto, gente. Eu sofri muito com ele também. O amo e sempre que ele sofria, eu também sofria. Foi uma leitura bem intensa. E angustiante em vários momentos. Enfim... La Cobra me assusta. Ele é o único capaz de encontrar e enfrentar o Escorpião Negro e eu adianto que, vocês que pretendem ler essa série, devem se preparar. Esse sicário irá nos causar muitos problemas. Espero que vocês tenham coração forte, pois as emoções serão muito intensas. Serão momentos de verdadeiro desespero. Principalmente nesse segundo livro. Não direi o que La Cobra irá fazer, mas posso dizer que fiquei muito abalada. E não se esqueçam da cúmplice de La Cobra, ela é muito mais venenosa do que parece...


- Falei muito, não? Eu sei... Mas como evitei explicar certas coisas no primeiro livro, quis explicá-las agora. É uma forma de reviver a história também... Quanto mais falo, mais lembro e mais saudades sinto. Meu coração está sentindo demais o fim dessa história. Tenho vontade de não parar de falar sobre ela. Vontade de não me separar, entende? Coitado do próximo livro que lerei. Ele não tem a menor chance de se tornar num querido.... Enfim...



"- Desejei com tanto desespero este reencontro - confessou. - Que foi que me fizeste, Isaura, que já não sou o mesmo homem? Vais acabar comigo se não me amares como eu te amo, deste modo doentio. Às vezes penso que estás a dar cabo de mim. Será uma vingança? Quero ver-te louca por mim. Louca, louca! Quero que sofras por mim como eu sofri por ti. Como foram estes meses de separação? Um inferno, como os meus? Diz-me!"



" - Quero que sofras, que me supliques que te ame, quero que me jures que sou o único, o primeiro e o último." (página 141)


" - És minha? Diz-me. É só de mim que gostas, não é verdade? É só a mim que amas?


- Sim, mil vezes sim, sou tua e de mais ninguém. Sim, só tu és importante para mim, só te amo a ti, meu doce marido.


A resposta convenceu-o. Sorriu-lhe de uma forma que fez com que o coração de Melody disparasse de novo." (página 147)


" - Estou aqui, Isaura, ao teu lado. Não sentes a minha presença? Sou o teu porto seguro, a tua força. Ultrapassaremos esta perda, meu amor. Juntos iremos conseguir. Viveremos cada momento, os primeiros serão difíceis, mas estarei junto de ti para absorver a tua dor e depois, a pouco e pouco, percorreremos o caminho da resignação. Juntos. Confia em mim, meu amor. Um dia, verás, deixa de doer tanto como agora. Prometo-te." (página 161)



 
- É impossível reler estes trechos sem me emocionar. Gosto de relê-los e ao mesmo tempo que eles fazem com que eu me sinta em paz, eles me fazem sofrer, pois dá mais saudades, entende? Enfim... São trechos profundos e que mostram um pouquinho do amor que há entre Roger e Isaura. Não direi como estes dois irão se reencontrar, mas posso dizer que a cena é digna de lágrimas. Muitas lágrimas. O amor que existe entre estes dois é tão forte que o Roger voltou quando Isaura mais precisava. Exatamente quando ela mais precisava dele. Nossa mocinha estava muito mal e precisava do seu porto seguro, precisava do Roger. Posso dizer, que nós iremos perder alguém e que é por isso que a Isaura sofrerá demais. Eu não queria que a Florencia Bonelli matasse essa personagem. Fiquei furiosa com ela por causa disso... mas é exatamente no momento que a Isaura estava perdendo alguém que tanto amava, que o Roger voltou. A cena é muito emocionante. Doeu demais ver a dor da Isaura, mas também senti muita alegria por vê-los juntos novamente. Eles tinham que enfrentar aquele momento juntos, sabe? A Isaura não aguentaria se o Roger não estivesse com ela, mantendo-a em pé, sendo sua força e pegando-a nos braços quando ela já não conseguia mais se manter de pé. Foi lindo e emocionante vê-lo ao lado dela, abraçando-a, cuidando dela... se despedindo da pessoa que a estava deixando. Meus olhos se enchem de lágrimas quando lembro daquele momento...



 
" - Merecia que me deixasses como fizeste, eu sei, mas quando te foste embora... Bem, foi a situação mais difícil de toda a minha vida. A mais dura, entendes? Porque não te tinha ao meu lado para suportar o meu destino. Contigo encaro qualquer desafio, não tenho medo de nada. Nunca imaginei que estar longe de ti pudesse ser tão doloroso. Durante a tua ausência, perguntava-me todas as manhãs: 'Será hoje que volto a vê-lo?' E quando Somar voltava para casa, Roger, e eu lhe perguntava com o olhar se havia alguma carta tua, alguma notícia tua e ele abanava negativamente a cabeça, porque não havia nada, o meu coração sangrava de dor."



"A misericórdia de Deus existe, Roger. Ele conduziu-te até junto de mim no momento em que as minhas forças estavam a chegar ao fim. Meu amor! Não me deixes nunca mais! Roger, por amor de Deus, não voltes a deixar-me. Ama-me, ama-me sempre. Ama-me loucamente como eu te amo a ti." (página 143)




- A separação foi dolorosa, não só para o casal, mas também para mim, porém eu tenho que admitir que ela foi necessária. Porque fortaleceu os dois, entende? E eles precisavam disso para enfrentar o que ainda estava por vir... e não era pouco. É o que eu disse, vocês precisarão preparar o coração de vocês antes de ler essa história. E principalmente, antes de ler "O Porto das Tormentas". Os golpes vêm quando menos esperamos. E existirão muitas surpresas desagradáveis. Uma delas me deixou profundamente revoltada. Eu senti tanto ódio, mas tanto... que seria capaz de acabar com a raça daquela pessoa se ela estivesse na minha frente. Minha mocinha querida sofreu demais por causa daquela pessoa, e tudo que eu queria era ver a infeliz morta. Enfim...


" - Amo-te, Isaura. Não, o que me liga a ti é mais do que amor. Não sei o que é. Não sei como explicá-lo." (página 277)


" De certo modo, aquela experiência era tão nova para Blackraven como para Melody, pois, apesar de ter ido para a cama com muitas mulhres, a verdade é que Roger nunca experimentara a fusão de corpos e almas que ocorria quando possuía a mulher naquela rendição cega, totalmente liberta de suspeitas, e aí residia o segredo da grande diferença que tornava novo um acto que lhe era tão familiar. Depois de se retirar do corpo de Melody, continuavam fortemente unidos.


- Só fiz amor contigo - confessou-lhe, dando seguimento à sua linha de pensamento, num tom tão agitado que Melody não entendeu o que queria dizer. - Só contigo fiz amor." (página 284)


" - Ouve bem, Isaura. Ninguém deveria confiar em mim, a não ser tu. Contigo, dispo-me de todas as máscaras e baixo a guarda, mostro-me tal como sou, sem artíficios nem artimanhas. Por isso tens tanto poder sobre mim, porque tens ao alcance da mão a possibilidade de me destruir, porque chego a ti desarmado. Confia em mim, meu amor - suplicou-lhe. - Confia em mim, Isaura. Não falo de ânimo leve quando te digo que, se tu não confiares em mim, se tu não me amares como eu te amo, perco todas as forças." (página 507)




- Meu Roger não é perfeito. Pelo contrário. Ele está muito longe da perfeição. É capaz de matar sem sentir um pingo de remorso, punir escravos por atos que ele considera inaceitáveis... Foi negreiro, se casou com a primeira mulher por vingança e fez da vida dela um inferno (mas não considerem a Victoria uma vítima nessa história. Ela não era nenhuma inocente). Ele fez coisas na vida que não considero aceitáveis, mas sequer necessitava perdoá-lo. Não tinha o que perdoar, entende? Por mais que ele tivesse feito algo de errado e eu tenha me aborrecido com ele em alguns momentos, eu o amo tanto que tudo se torna insignificante. Não fiquei cega para seus erros, mas era incapaz de julgá-lo. Ele não merecia ser julgado por mim. E quem sou eu para julgar alguém, verdade? Enfim... Meu Roger pode não ser perfeito, mas é o mocinho mais maravilhoso que conheci. O que mais amo. Ele é tudo e muito mais. Não dá sequer para explicar o que ele é e o que eu sinto por ele. Ele me deixa perdida, confusa... Fez com que eu me apaixonasse por ele, sem sequer saber ao certo em que momento isso aconteceu.kkkkk... É o meu pirata mais amado. Meu cigano, que assim como Ráfaga, esteve perdido, em busca de algo que sequer sabia o que era. Ele não imaginava que estava em busca da Isaura, que estava procurando por ela, esperando-a, necessitando tê-la ao seu lado. A Isaura mudou a vida do meu Roger e sempre irei admirá-la por isso. Ele sofreu tanto, sabe? Vocês nem tem noção do que ele passou, pois tentei contar pouco sobre o Roger... Sobre como foi a vida dele. É verdade que ele também se envolveu com mulheres casadas e isso é muito errado, mas a Isaura o transforma. Quando se apaixona por ela, ele sequer sente vontade de ser infiel. É até divetido vê-lo rejeitando as oferecidas.rsrsrs... O Roger é único, sabe? Tão forte, tão perigoso e violento, mas capaz de chorar ao ver a amada sofrendo. Ver meu mocinho querido chorando foi muito doloroso para mim. Ao ler esse livro, vocês irão entender meus motivos. Sempre que seus olhos se enchiam de lágrimas eu me emocionava demais e desejava pegá-lo no colo e consolá-lo. Não soltá-lo mais. Protegê-lo de tudo e de qualquer dor. Era terrível ver meu Roger sofrendo, gente. Era insuportável. Vocês não têm noção do quanto ele é especial para mim. E quando ele chorou nos braços da Isaura, foi muito. Foi muito para mim... Nunca um mocinho me tocou tanto. Já conheci mocinhos especiais... Mas ninguém como o Roger. Ele é único. O Rolf iria querer que um buraco se abrisse no chão para esconder sua cabeça se ele conhecesse o Roger. Sentiria vergonha do homem terrível que é. No momento que o Roger olhasse para ele, o Rolf não se sentiria homem. Se sentiria o verme que é. O Roger sim é homem. Ele sim sabe amar. Nunca faria mal para a mulher amada, nunca humilharia a Isaura como o Rolf humilhou a Megan. Eu sinto vergonha dos mocinhos cruéis que conheci. Ainda mais agora que conheço o Roger. Roger é possessivo (e muito), capaz de perder a paciência e o controle, mas nenhum ataque de fúria o faria machucar a Isaura. Ela é sua vida. Ele seria capaz de se matar, antes de magoá-la. Só lendo esse livro vocês irão entender do que estou falando. Aí vocês vão conhecer esse Roger tão especial e verão como é impressionante o amor que ele sente pela Isaura. Esse amor ninguém no mundo seria capaz de destruir. Todas as víboras do mundo poderiam se juntar para separar esse casal, mas não sairiam vitoriosas. É algo sólido demais, sabe? Nem a morte pode colocar fim nesse amor. Nada pode. Só Deus poderia, porém Deus não pensaria duas vezes antes de abençoar um amor tão lindo e poderoso. Se esse casal existisse na vida real, tenho certeza que Deus iria abençoá-lo e ficar muito feliz. Deus valoriza muito o amor. E Roger e Isaura sabem bem o que é amar.



 
" - A cabeça e o coração nem sempre estão de acordo, Amy. Eu sei porque, quando conheci o Roger, a minha cabeça mandava que o odiasse. Sim, compreendo o seu espanto, mas, do meu ponto de vista, Roger encarnava tudo o que eu devia odiar. É inglês, pertence à raça de gente que torturou o meu pai até o deixar quase morto, pertence à nação que oprimiu com crueldade os meus ancestrais e que obrigou o meu pai a abandonar a sua amada Irlanda. Além do mais, precedia-o uma fama de mulherengo, libertino e tirano que me aterrorizava. O meu coração, no entanto, ansiava pelo seu amor. Sabia que, se me rendesse à paixão que ele despertava em mim, estaria a atraiçoar a memória do meu pai e dos meus irmãos. Lutei em vão para não o amar. Amava-o e não conseguia escondê-lo. Entreguei-me a ele cheia de medo e enfrentei o meu irmão, briguei com ele. O Roger tinha passado a ocupar o primeiro lugar na minha vida. Não voltaria atrás. E todos os dias, ao acordar, agradeço a Deus, o ter-me dado coragem para me unir a ele, pois descobri com o tempo que é um homem muito diferente de tudo o que se diz a seu respeito. Cometeu erros no passado, sim, mas quem não os cometeu? Caber-me-á a mim julgá-lo? Não, claro que não. Agora penso apenas na felicidade que partilhamos no presente e peço a Deus que nos mantenha unidos no futuro." (página 318)



- E quem é a Isaura para mim? Um anjo. Sim. E um anjo que não tenta ser um. Eu nunca conheci uma mocinha tão boa como a Isaura. Ela não tenta ser boa, mas é, entende? A maneira como ela trata as outras pessoas, como sofre por elas... é impossível não amarmos essa mocinha também, gente. Ela foi feita especialmente para o Roger. Era a única capaz de tocá-lo tanto e onde ninguém foi capaz de tocar. Ela é forte, corajosa, guerreira. Enfrentou muitas coisas na vida, mas dentro dela permanecia a bondade e a coragem de enfrentar ainda mais. De lutar por aqueles que amava. Ela sofria com a rejeição das "damas decentes", mas nem por isso tentava ser o que não era. Ela ajudou muitas pessoas ao longo desses dois livros e também sofreu por ajudá-las. Fez o Víctor, um menino de oito anos na época (acredito que ele tinha oito anos), que nunca tinha sido capaz de sorrir antes, sorrir e até gargalhar. Por causa dela, os ataques de epilepsia diminuíram e ele se tornou um menino feliz. Ela transformou totalmente El Retiro e as pessoas que ali viviam. Até na Inglaterra ela continuou sendo o famoso "Anjo Negro" e conquistou pessoas que queriam rejeitá-la por ela ser tão "estranha". Ela é especial. Por isso o Roger a encontrou. Ele merecia uma mulher tão especial como ela. Ela foi feita para ele. Um presente. Que ele sequer pensou em recusar.


- É necessário eu dizer se recomendo ou não esta história???!!!rsrsrs... É claro que recomendo! Muito. Muito mais do que muito, gente!rsrs... Vocês vão amá-la! É claro que irão chorar e lamentar muito a morte de algumas pessoas. Sim. Pessoas queridas nos deixarão neste segundo e último livro da série. E deixarão muitas saudades. Preparem o coração! Mas não teremos só perdas. Nos emocionaremos com os sacrifícios de Elisea, pela forma como ela aguenta muitas coisas para ficar ao lado do homem que ama (nosso querido Servando, que conquistou meu coração no primeiro livro) e novos casais também irão nos conquistar: Somar e Miora, Isabella di Bravante e Gabriel Malagrida, Galo Bandor e Amy... Não posso dizer que o romance entre María Virtudes (acho que é esse o nome dela.rsrs...) e Diogo Coutinho me encantou, mas não é pelos motivos que quem leu esse livro imagina... apesar do romance entre eles ser um pouco chocante. Não me encantou, porque eu detesto o Diogo desde o início do primeiro livro e não encontrei motivos para perdoá-lo. Ele pode não ser como a Bernabela, mas aprontou demais e não vi arrependimento. Mas se a amada dele o ama... O que eu posso fazer? Acho que ela merecia alguém melhor, mas... tenho que admitir que com ela, ele até é alguém decente.



- Eu não esqueceria de mais uma vez agradecer a Carlita, que me indicou esses livros e também me deu os dois de presente. Como mencionei na resenha do primeiro livro, esses livros não foram publicados no Brasil e foi graças a Carla que eu pude lê-los. Muito obrigada, minha amiga! Se não fosse por você, eu não conheceria meu Roger. Nem quero imaginar como seria minha vida sem ele!rsrs... Ele agora faz parte da minha vida e eu o amo demais.
 
 
" - O que vamos fazer Roger?



- E existe alguma outra coisa que possamos fazer com este amor a não ser senti-lo? - Melody negou com a cabeça. - O nosso amor é tão forte, Isaura, que chega a meter medo, eu sei. E embora tenha tentado dominá-lo, sujeitá-lo à minha vontade, fracassei sempre. Rendo-me. É a força mais poderosa com a qual tive de me confrontar. Amemo-nos, meu amor, amemo-nos e que Deus tenha piedade de nós." (página 637)


 
E antes de terminar... Um trecho do final de "O Anjo Negro - O Quarto Arcano"



"O amor faz passar o tempo. O tempo faz passar o amor.


De pé, junto ao parapeito do barco que o afastava da sua mulher, com o olhar nublado, fixo na imensidão do Atlântico, Roger Blackraven interrogou-se se aquelas palvras seriam certas. 'O amor não é eterno', zombava a sua alma incrédula, 'mais tarde ou mais cedo, morrerá.' 'Se morrer', respondeu o seu coração, ' é porque não era amor.' E nesse momento, Roger teve a certeza de que a sua história com Melody ainda não tinha terminado." (página 544)


Confira também a resenha do primeiro livro clicando, AQUI

Bjs!



















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