20 de julho de 2018

Bruto e Apaixonado - Janice Diniz

(Editora: Harlequin
Edição de: julho/2018)


Irmãos Lancaster - Livro 1


O encontro entre um caubói ferido e uma mulher obstinada. 
E a explosão dos sentimentos!

Quando a empresa do pai compra uma fábrica de parafusos no interior do país, Natália Esteves é enviada a uma cidadezinha do Mato Grosso com a difícil missão de demitir alguns funcionários. Mas os nativos de Santo Cristo não estão dispostos a deixar que uma executiva da cidade grande mude a vida local e decidem se preparar para expulsá-la, custe o que custar.

É aí que entra Mário Lancaster, um sedutor caubói conhecido por sua fama de mulherengo. Depois de ser afastado dos rodeios e perder o pai em um acidente, Mário assumiu a fazenda da família, de grande influência na cidade, onde mora com a mãe. O povo de Santo Cristo acha que ele é a pessoa certa para seduzir Natália e convencê-la a deixar a fábrica em paz. Mas ninguém pensou na possibilidade de uma paixão à primeira vista...

Bruto e apaixonado é o primeiro volume da série Irmãos Lancaster, uma história irresistível de amor, superação, sedução e, claro, caubóis atraentes e possessivos. 



Palavras de uma leitora...



"E, agora, aos trinta e cinco anos, ele mal era a sombra do peão de rodeio que tinha sido um dia."

Mário Lancaster era um caubói. Um homem nascido e criado em Santo Cristo, que lidava com o duro trabalho em sua fazenda e fazia de tudo para não perdê-la. Um dia tinha sido peão de rodeio, profissão que lhe rendera muito dinheiro e as condições financeiras para comprar a fazenda do pai, homem simples que se contentava em ser advogado no interior e ajudar as pessoas que necessitavam de auxílio jurídico, mas muitas vezes não tinham condições de pagar. Assim, a propriedade estava caminhando para a falência e Mário resolveu assumi-la para garantir que a família teria um teto e fonte de subsistência no futuro. Naquela época não poderia imaginar o que aconteceria...

Ele vivia e respirava cada rodeio. Amava a adrenalina, o perigo iminente, todos os riscos que corria sempre que subia no touro. Cada ser humano tinha sua paixão. Aquela era a sua. Só necessitava de oito segundos para garantir a vitória. E ouvir os aplausos das pessoas. Saber que mais uma vez conseguira. Só que, num determinado dia, seis segundos bastaram para lhe tirar tudo. 

Ao cair do touro, teve o joelho, as costelas e o ombro atingidos pelo animal, o que resultou numa recuperação difícil e cara. Logo o dinheiro parou de chegar e as dívidas foram se acumulando. Agora, cinco anos depois, lutava para não perder a sua fazenda. Que era tudo o que lhe restara. 

Mas não foi apenas a queda que o marcou. Não. Porque quando acordou no hospital naquele período tão tempestuoso foi para receber a notícia de que seu pai já não estava. Um acidente tinha levado sua vida. 

"Então recebe a notícia de que os alicerces da sua vida ruíram. Acabou tudo. Anos depois, a sensação do sufoco e da falta de sentido volta e o lembra de que quem está aqui pode inesperadamente desaparecer."

Privado de sua paixão, sem o pai que amava ao seu lado, prestes a perder a propriedade e temendo que a mãe sucumbisse à depressão, ninguém poderia culpá-lo se tivesse feito amizade com a bebida e se afogado nela. Mas Mário não era homem que desistisse de algo. Não tinha sido criado para ficar no chão. Podia até chorar, pois homem que é homem chora sim, mas levanta a cabeça e segue em frente. 

Cinco anos depois de todas as tragédias que poderiam lhe acontecer, tomava conta da própria vida, transava com quantas mulheres o quisessem (pois estava vivo e tinha direito), trabalhava duro e ainda aturava as maluquices da mãe, uma apostadora de mão cheia que insistia em deixar seus bolsos vazios. Tomava uma gelada com o suor ainda escorrendo pelo corpo e tudo estava muito bom. Era para continuar assim. Deveria... se o povo de Santo Cristo não tivesse resolvido infernizá-lo. Porque um homem não pode ter faz nesta Terra!rs

A fábrica mais importante da pequena cidade, de apenas seis mil habitantes, tinha sido vendida para estranhos e corria pelo local os rumores de que logo todos os que dependiam de seus empregos na fábrica para sobreviver seriam demitidos. O pânico tomava conta das famílias e as endurecia. Outros pequenos negócios também se viam ameaçados por aquela venda e não estavam dispostos a perder o que tinham sem lutar. É aí que recorrem ao Mário, uma vez que a família Lancaster era a mais importante do local. E os habitantes acreditavam que bastaria ele estalar os dedos para resolver todos os seus problemas. Se o novo dono fosse mulher, então, aí mesmo que tudo poderia ser solucionado rapidamente. Era só ele mostrar para a forasteira o macho que era e logo, logo ela estaria comendo em sua mão. 

Embora ficasse um tanto enojado com o comportamento daquela gente, tentava não levar a tal reunião que tiveram a sério. Não queria se estressar. Mas quando tudo o que queria era estar sossegado uma ligação alterou todo o seu rumo. O seu destino

"Ele sabia que era atraente, de um jeito animalesco, mas ainda assim incrivelmente atraente, e fazia questão de exibir os seus atributos a ela, a forasteira recém-chegada de uma metrópole. O modo como a olhava dizia tudo sobre a sua personalidade: ele era um predador."

- O que eu tinha na cabeça para ter demorado tanto a dar uma chance a livros com cowboys, minha gente?! Sério! Sinto vontade de me esganar por causa disso! Eu perdi muito! Mesmo! Sobretudo se os mocinhos dos demais livros forem como o Mário! Suspiros... Isso que é homem de verdade! Do tipo que não necessita tratar mal uma mulher para se sentir bem. E olha que eu achava que ele era machista!kkkkkk... Quero é um caubói para mim! Um que seja igualzinho ao deste livro.rs

"A magia está no ar
vejo fogo na arena
O cavalo a selar
Isso é coisa de cinema

Uma beca invocada
Um pingente no chapéu
Ouço uma oração
Sinto um pedaço do céu
[Música: Clima de Rodeio - Dallas Country]

- Eu sei! :D Estou um tanto doida hoje, mas a culpa é do livro. Foi simplesmente delicioso lê-lo! Estava quase fazendo minhas malas e me mudando para o mundo da história... só que teve personagem que disse que lá (em Santo Cristo) não tem cinema nem livraria. Bem... do cinema eu até abriria mão, mas das livrarias, não. Nem mesmo pelo Mário, infelizmente.kkkkk 

"Foi então que, pela primeira vez em toda a sua pervertida e dramática vida de peão de rodeio, Mário Lancaster perdeu o chapéu, assim, sem vento algum. Antes de beijar. [...] Antes de falar a primeira palavra. Antes de ter tempo de se preparar para receber o golpe do destino, a porrada dolorida vinda dos punhos do amor à primeira vista."

- Quem disse que os brutos não podem amar? Mário é um mocinho bem diferente daqueles que estamos acostumadas a encontrar nos romances. Ele é um homem rústico, "selvagem" por assim dizer, que não vestia terno e gravata ou sabia falar como os executivos com os quais a mocinha trabalhava. Ele não falava "bonito", inventando elogios falsos para conquistar uma mulher. Com ele tudo era cru e sincero. Não era um homem polido. Mas no momento que viu a Natália, soube que ela era a mulher da sua vida. Aquela que o deixaria de joelhos. Que amarraria o laço no seu pescoço. E embora tenha evitado compromisso ao longo de todos os seus anos de casos passageiros, estava bastante disposto a permitir que aquela moça tão diferente dele, tão incompatível com a sua vida, o prendesse. Bem forte. Porque quando um caubói amava... era para sempre. 

"Tem algumas coisas que a moça precisa saber sobre os caubóis... - começou, piscando o olho para ela. - A nossa cultura é meio que restrita às coisas da terra, tomamos banho no rio, vivemos ao ar livre como se a natureza fosse a extensão do nosso corpo. Somos xucros no trato social e arredios no amor. Fugimos do laço como o diabo da cruz. [...] É que a gente sabe que todo vaqueiro tem a sua cara-metade, a sua bruta, a mulher que vai fazer ele passar pelo inferno antes de ganhar o céu."

- A forma como o relacionamento entre o Mário e a Natália acontece é muito natural e convincente. Ele fica apaixonado por ela logo que a conhece, desejando fazê-la entender que estavam destinados.rs Mas nada é forçado, sabe? Ele começa a preparar-se para a luta, para ganhar o coração daquela mulher, não chegando de mansinho, pois esse não era seu estilo. Ele chega firme e atencioso, oferecendo-se para protegê-la do povo que queria intimidá-la e colocá-la para fora, dizendo que sua casa estava de portas abertas para hospedá-la, querendo ganhá-la pelo estômago com a culinária local (risos) e o vinho que ela bebe para afogar as mágoas (e protagoniza uma cena que me divertiu bastante) e, é claro, fazendo-a provar seus beijos... que a faziam até considerar dar uma chance, uma pequena chance, a ele.rs 

Não pense que se trata de romance doce, daquele cheio de cenas românticas que nos fazem suspirar. Não. É mais carnal, uma vez que o gênero do livro é o romance erótico. Quando o casal resolve se dar uma chance, de apenas sete dias (pois era o período que ela ficaria no local para executar as demissões), as coisas pegam fogo. As cenas são explícitas, com palavreado muitas vezes bem bruto, chulo mesmo. O que não posso dizer que não me incomodou, pois vocês sabem que não curto muito o gênero erótico.rs Ainda assim, esses dois me encantaram tanto que eu fazia por onde ignorar as palavras nada românticas deles, por assim dizer, e simplesmente curtia a história, que era linda e envolvente. Não é um erótico vazio, daqueles que não têm absolutamente nenhum conteúdo. Não. Aqui tem profundidade, tem drama, tem sentimentos fortes que ultrapassam o desejo e fazem com que eles até protagonizem algumas cenas fofas. 

"Natália esperou que Mário saísse do veículo para lhe abrir a porta.
- Um cavalheiro à moda antiga - comentou, apreciando o gesto dele.
- Não, dona, apenas um caubói - rebateu, sorrindo com charme."

Santo Cristo, a cidade do mocinho, é extremamente machista. Do tipo que te dá asco. Até as mulheres do local são desagradáveis, auxiliando os homens na intimidação de uma mulher que estava lá a trabalho e não era culpada por um dos moradores locais ter decidido vender a fábrica e depois ir embora, pouco se importando com quem seria prejudicado pelo desemprego. Ela não era dona da empresa e não tomou a decisão de quem deveria ficar ou ser demitido. Mas a população tenta tirar onda com a cara da mocinha, ameaçá-la e agredi-la pelo simples fato de ela ser uma mulher. Porque, como o Mário mesmo disse, se fosse homem que tivesse ido executar as demissões eles não se sentiriam tão poderosos para cantar de galo. Detestei aquelas pessoas. A família Lancaster, e uns poucos cidadãos decentes, era o que tinha de positivo no local. 

No início, o Mário meio que se mostra como machista. Ele insinua que é, mas aí você observa o comportamento dele e percebe que o cretino atrevido estava bem longe disso.rsrs Era um homem que amava as mulheres, e não apenas no sentido de gostar de tê-las em sua cama. Ele as respeitava. Sabia que elas tinham direitos, que tinham sentimentos, que mereciam ser valorizadas. Afinal de contas, foi criado por uma mulher a quem amava muito e por quem faria qualquer coisa. A sua mãe. A mulher que ainda sabia lhe dar broncas.rs Achei simplesmente linda a maneira como ele entendia a Natália, como queria protegê-la dos outros, mas não tentava invadir seu espaço, impedi-la de ser quem era. Ela tinha a sua profissão, seus direitos, "suas modernidades", como ele dizia. E por mais que sua vontade fosse colocar um anel em seu dedo e tê-la debaixo do seu teto, sustentada por ele, sabia que não tinha se apaixonado por uma mulher que se contentaria em levar uma vida assim. Ela tinha sua independência. E não abriria mão disso. E não é difícil para ele aceitá-la dessa forma. É muito fácil, na verdade. Porque ele a amava. E só queria vê-la feliz. 

"Beijou-a na testa e depois na boca. Abraçou o corpo que se moldou ao seu, escancarando para Santo Cristo a verdadeira natureza de sua relação com a forasteira.
Ele a amava."

- Destaque especial para os cretinos irmãos do mocinho: Thomas e Santiago.rs Deus do céu! Que caras hiperativos!kkkkkkkk Sabem o que é sossego, não.rs E amam as mulheres de um jeito mais expressivo que o do Mário, claro. Querem sempre companhia, mas nada de laço amarrando seus pescoços. Querem a vida livre, leve e solta. Mas eu notei um lance entre o Santiago e a Carolina (acho que esse é o nome dela) e por mais que não aprove o comportamento dela (que tinha noivo, mas manteve um caso com o Mário antes de ele conhecer a Natália), achei interessante a troca de olhares e a conversa meio raivosa que teve entre os dois. Será que a história do Santiago será com ela? Eu estou curiosa para descobrir. Até desejaria isso, pois iria além do tipo de mocinha que geralmente vejo nos livros. Ela não é politicamente correta. O que não seria problema algum, uma vez que o Santiago também não é nenhum santo. 

- Gostei demais desta história! Não posso dizer que de tudo, pois o excesso de palavras chulas me incomodou e não vou negar. Mas nem isso me impediu de amar o livro. De torcer demais pelo casal e rir com eles, me emocionar com eles, suspirar aqui com os toques de romantismo que existiam no mocinho. Até cavalo branco, vou logo falando. Não explicarei! Mas digo que a cena é linda! :D 

Valeu muito a pena conhecer esta obra maravilhosa da autora! Eu ainda não tinha lido nada dela. Este livro recebi pela parceria com a editora Harlequin e tinha minhas reservas, confesso. Tanto que quase deixei a leitura para o final do mês, temendo que por ser erótico me decepcionasse. Mas foi todo o contrário! Não gosto do gênero erótico, mas este livro está entre os que me conquistaram independentemente disso. :) Recomendo muito! Já estou ansiosa pelos próximos livros da série. Muito mesmo!

18 de julho de 2018

Era Uma Vez no Outono - Lisa Kleypas

(Título Original: It Happened One Autumn
Tradutora: Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2016)


As Quatro Estações do Amor - Livro 2


A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa.

Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar.

Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?

Neste segundo livro da série As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas nos apresenta um homem de hábitos rigorosos, uma mulher disposta a quebrar tabus e uma deliciosa batalha entre razão e sentimentos na busca do amor verdadeiro.



Palavras de uma leitora...


- No livro anterior, Segredos de Uma Noite de Verão, conhecemos os protagonistas desta história. Lillian, uma americana que tinha ido para a Inglaterra porque seus pais estavam decididos a ver as duas filhas casadas com aristocratas e não aceitavam nada menos que isso, e lorde Westcliff, um homem aparentemente frio e insensível, que fazia todo o possível para deixar claro o quanto considerava a mocinha indigna de estar no mesmo ambiente que ele. Acham que dá para surgir um belo romance disso?!rsrs A verdade é que sim

"Meu nobre teria que ser um dançarino maravilhoso de cabelos escuros e bonito... E nunca deveria pedir permissão antes de me beijar." [Página 19, Segredos de Uma Noite de Verão]

Annabelle, Lillian, Daisy e Evangeline se tornaram amigas de uma forma um tanto peculiar. Depois de assistirem várias jovens debutantes serem tiradas para dançar vezes e outras sem que nenhum cavalheiro se dignasse a se aproximar delas, finalmente criaram coragem para zombar de si mesmas e uma conversa aparentemente sem propósito acabou por uni-las de uma forma intensa e, juntas, decidiram que iriam mudar o destino e encontrar maridos adequados umas para as outras. A começar por Annabelle, que era a mais velha do grupo, com 24 anos. Embora a intenção fosse encontrar um nobre para a amiga, as coisas fugiram um pouco do controle quando Simon Hunt se meteu naquela história e resolveu roubá-la para si. Bem... Ele até podia não ser um aristocrata, mas, no fim, Anabelle estava devidamente casada e, o que era mais importante, feliz

Agora os esforços delas deveriam se voltar para Lillian, a próxima na lista. Que estava mais do que determinada a se casar e ver-se livre das expectativas e pressões dos pais, embora não tivesse tanta certeza assim que poderia encontrar a felicidade na prisão dourada da aristocracia inglesa. Mas era uma mulher prática. Nada dada a sentimentalismos como sua irmã Daisy, que estava sempre com o nariz entre as páginas de um romance. Nem sonhava com o amor como Evangeline. Porém, seu maior receio era passar o resto da vida ao lado de um marido controlador, que tentasse destruir sua independência e liberdade. Ela não era como as outras mulheres. E não tinha a menor intenção de ser. Por isso, alguém como o arrogante e insuportável lorde Westcliff estava fora de questão. Mesmo que ele não a desprezasse profundamente, jamais aceitaria um casamento com alguém tão severo e intransigente, sem senso de humor ou humanidade. Não suportava sequer olhá-lo. 

"- Infelizmente, a magia não é barata.
Lillian riu enquanto seu olhar seguia o frasco com um fascínio hipnótico.
- Magia - zombou.
- Esse perfume fará a magia acontecer - insistiu ele, sorrindo. - Vou acrescentar um ingrediente secreto para aumentar seus efeitos."

Talvez não devesse ter comprado aquele maldito perfume... porque coisas muito estranhas passaram a acontecer desde então. Como, por exemplo, o súbito e incontrolável interesse de Westcliff por ela, o que era realmente uma grande loucura. Ele a odiava. Seus olhos e a evidente desaprovação que demonstrava sempre que era obrigado a estar no mesmo ambiente que ela deixavam isso mais do que claro. Todavia, quando a temporada de festas que muitos nobres passariam na propriedade dele começou e Lillian e sua família foram convidadas, ela conheceu um Westcliff diferente... e, embora não estivesse disposta a admitir nem para si mesma, encantador. Capaz de provocar nela sentimentos que nenhum outro homem tinha conseguido. Não sabia o que estava acontecendo, mas tinha que parar. Porque não existiam pessoas mais opostas que os dois. Qualquer relacionamento estaria fadado ao fracasso desde o princípio. E tudo o que ela queria era manter-se o mais longe possível dele. Ainda que seu coração começasse a criar ideias inaceitáveis...

"- Lillian o empurrou um pouco, sussurrando asperamente em seu ouvido:
- Qual é o seu problema?
Marcus balançou a cabeça, impotente.
- Desculpe-me - disse ele com voz rouca, mesmo sabendo o que estava prestes a fazer. - Meu Deus. Desculpe-me...
Então sua boca se apoderou da de Lillian e ele começou a beijá-la como se sua vida dependesse disso."

- Faz algumas horas que concluí a leitura e ainda estou tentando me recuperar do duplo choque provocado pelo final. Definitivamente, eu não esperava por nada daquilo. Foi realmente chocante... e doloroso. Não posso falar muito para não soltar spoiler. Claro que o livro tem final feliz, não se preocupem! Isso é garantido nos romances de época da Lisa Kleypas, mas as coisas tomam certo rumo na reta final que abalam nossas estruturas. Eu não confiava em determinado personagem. Seu comportamento fazia com que eu ficasse com um pé atrás, só esperando o momento em que ele revelaria sua verdadeira cara, mas daí a imaginar que seria capaz de algo tão... criminoso. Ainda não consigo acreditar, sinceramente! E o pior de tudo é que não se trata de um personagem qualquer. É alguém que terá participação importante na série... nos próximos livros. Enfim... Melhor eu calar minha boca. Ou parar de escrever demais.rs

"- Eu estava certa, não estava? - perguntou ela, rouca, sem conseguir encará-lo. - Foi um erro termos dançado.
Westcliff esperou tanto para responder que ela achou que poderia não fazê-lo.
- Sim - disse por fim, essa única sílaba tornada brusca por uma emoção impossível de identificar.
Porque não podia se dar ao luxo de querê-la. Porque sabia tão bem quanto ela que uma união entre eles seria um desastre."

- Eu estava muito ansiosa para ler esta história. Porque logo que conheci a Lillian e o Marcus, nosso querido lorde Westcliff, fiquei fascinada com a antipatia e troca de farpas entre os dois. Eu sabia que isso era um forte indício de que ele seria o par romântico da mocinha na sua própria história e não estava enganada. Confesso que ele me irritou muito no livro anterior, com seu jeito arrogante, acreditando que sempre tinha razão e querendo tomar decisões até pelo melhor amigo (o Simon), como impedir seu casamento com a Annabelle, por exemplo. E a forma como ele se referia à amada do amigo... me dava nos nervos! Nada lhe dava o direito de julgá-la daquela maneira, sem sequer conhecê-la. E eu senti uma vontade grande de atacar algo na cabeça dele, mas senti um prazer perverso ao imaginar o quanto ele sofreria com uma mocinha como a Lillian.rsrsrs Uma vida ao lado dela o faria pagar por todos os seus pecados.

Só que quando o livro dele começou tive a oportunidade de conhecer um outro lado desse mocinho tão complexo. Entender o que o levava a ser tão frio e distante dos outros. E quando ele percebe que não consegue ficar longe da Lillian, que ela o enlouquece como nenhuma outra mulher, as coisas ficam bem interessantes e chegamos a sentir pena dele. E um enorme carinho. O Marcus é muito mais do que o personagem que vislumbramos no livro anterior. Ele é... incrível. Apaixonante. 

"- Ele pressionou sua boca contra a de Lillian. - Eu preciso de você há anos."

- A mocinha continua sendo tão maravilhosa quanto na história de sua amiga. Aqui ela manteve sua essência, sua personalidade forte e tudo o que a tornava minha personagem querida, cuja história era a que eu mais queria ler. E olha que eu estava esperando me decepcionar com ela, pois tenho amigas que leram o livro e disseram que não a suportaram e li também resenhas que disseram que ela tinha deixado de ser o que era antes, que tinha se tornado outra pessoa neste livro. Bem... Eu vi as coisas de maneira bem distinta. Porque a Lillian segue igual. Cheia de vida, de garra, de independência, com seu sarcasmo que tanto me divertia e seu comportamento fora dos padrões estabelecidos pela sociedade. Mesmo se apaixonando pelo Marcus ela não tem medo de enfrentá-lo e fazê-lo enxergar que ela não dançaria ao som da música dele, que se queria uma mulher submissa deveria procurar em outros lugares. E sua independência não a impede de sentir, de querer estar nos braços dele, de ser dele... É que para ser dele não estava disposta a deixar de ser ela mesma. E estava mais do que certa! A apoio totalmente! É uma mocinha que admiro muito. :)

"- Marcus - disse Lillian, rouca. - Eu enlouqueci? Ah, por favor, seja real. Por favor, não vá embora...
- Eu estou aqui - disse Marcus com voz baixa e trêmula. - Estou aqui e não vou a lugar algum."

- O trecho acima me emocionou muito quando o li pela primeira vez. O casal tinha sofrido uma terrível traição (não vou soltar spoiler, prometo) e a Lillian não sabia se ele conseguiria ajudá-la. Mas ele não a deixa. Ele não a abandona. Não permitiria que malditos traidores conseguissem destruir a vida deles. Não mesmo!

E falando novamente na traição... Quem me conhece sabe: não tenho tolerância alguma com traição. Não perdoo. O que determinado personagem fez ao se unir com certa víbora para prejudicar a Lillian foi demais. Inaceitável. Ele conseguiu me fazer odiá-lo. Porque foi grave. Muito grave. Algo que... A leitura dos próximos livros da série, que contarão a história da Evangeline (livro 3) e Daisy (livro 4) será bem difícil para mim. Porque não estou disposta a perdoar o personagem. 

- Dei 5 estrelas e favoritei o livro sem pensar duas vezes! Me apaixonei tanto por ele quanto pelo livro anterior. É uma série maravilhosa, com personagens irresistíveis, diálogos inteligentes e divertidos e todo o romance necessário para nos fazer esquecer um pouco a vida real e apenas nos deliciarmos com as histórias. Suspiros... Recomendo muito!

16 de julho de 2018

Livros que AINDA pretendo ler em 2018

Google Imagens


Olá, queridos!

Vocês já devem ter me ouvido falar de TCC umas trocentas vezes aqui desde o ano passado.kkkkkk... Sim, é um assunto que não sai da minha cabeça. Estou no último período da faculdade e, se Deus quiser, concluirei o curso em dezembro. Assim, também deixei o TCC para este período, pois puxei muitas matérias antes para que só tivesse duas agora. Desta forma, sobraria mais tempo para me dedicar a esse trabalho tão desgastante e enlouquecedor. Mais tempo em tese, claro. Porque são tantas coisas para fazer diariamente que sinto que nunca tenho tempo para nada. 

Eu sou ansiosa, gente. Já fui até oficialmente diagnosticada com ansiedade, alguns anos atrás. A leitura, a escrita, o blog... tudo isso acaba servindo como terapia. Como uma maneira de relaxar, de afastar um pouco a ansiedade da mente. Sabe quando você sempre fica imaginando que um milhão de coisas pode acontecer e dar errado? Multiplique isso por cem e entenderá como eu me sinto quase todos os dias. Mas quando estou lendo... esqueço tudo. A vida lá fora "some"por algumas horas. E fico em paz. Todavia, em época de provas eu não consigo nem dormir direito. Às vezes literalmente não durmo. Imagine, então, o que o TCC está fazendo comigo! Não sei o que é sossego. Fico pensando nisso o tempo todo. E já mudei de tema tantas vezes que só faltei gritar de frustração. O mais incrível é que logo no primeiro ano de faculdade eu sabia sobre o que falaria no TCC. E durante anos não mudei de ideia. Mas no período passado, quando até pensei em antecipar o trabalho, a orientadora me deixou tão tensa que comecei a mudar de tema todo o tempo. E é isso que mais me atrapalha. A indecisão. E o medo de tudo o que pode dar errado. Tenho medo da Banca que avaliará o meu trabalho, pois ele deverá ser apresentado, terei que defender minha tese. E sou tímida por natureza, o que também é uma dificuldade. Enfim... Muita gente fala: Não sei como você consegue ler e fazer tantas coisas. Não consigo ler e fazer faculdade ao mesmo tempo. Não dá para ler em época de prova. E blá blá blá.rsrs O que as pessoas não conseguem entender é: sem a leitura eu não consigo fazer nada disso. Eu preciso dos livros sempre. Para lidar com cada um dos dias. Porque os livros me dão a tão necessária tranquilidade. 

É por isso que não vou parar de ler durante os meses de preparação e conclusão do TCC. Não vou parar de ler durante o período de estudo para a prova importantíssima que terei que fazer. Porque se eu parar de ler não farei nenhuma dessas coisas. Simples assim. 

Então, cheguemos finalmente ao assunto deste post.kkkkkkk... Colocarei aqui quase todos os livros que ainda tenho a intenção de ler até o final do ano. Parece mentira, mas já passamos da metade de julho.rsrs Num piscar de olhos será dezembro! Necessitarei de muita organização para atingir minhas metas. 

Vamos lá!


Era Uma Vez no Outono é minha leitura atual. Já estou terminando e amando! Embora desejasse que as coisas acontecessem menos devagar entre os protagonistas.rsrs Marcus precisa ter um pouco mais de atitude. 

A curiosidade aqui é Hamlet, de Shakespeare. Não estava nos meus planos de leitura do ano, mas ele acabou entrando este mês como substituto de Emma, de Jane Austen. 



Vários clássicos fazem parte das minhas metas do ano. Alice é um dos que mais estou ansiosa para ler. Também quero conhecer as obras da Clarice Lispector e ler Utopia por causa do meu filme amado Para Sempre Cinderela



Eu não estou levando tão a sério a leitura desses três livros. Apesar de querer lê-los não ficarei triste se adiar para o próximo ano. Como eles faziam parte do Desafio Literatura Nacional e li outros livros para o desafio deixou de ser necessário lê-los até o final de 2018. 



O mesmo se aplica ao livro Adultério. Helena, por sua vez, pretendo ler nos próximos meses. 



Essas são leituras que faltam para o Desafio 12 Meses Literários. Então, não existe a opção de não lê-las. E na verdade estou bem ansiosa para começar. Fortaleza Digital é um livro que lerei de novo. A primeira vez que tive contato com o livro foi em 2009 e amei!!! É o meu livro preferido do Dan Brown. Mais que O Código da Vinci. Agora, quase dez anos depois, finalmente terei a oportunidade de reler. :D



Esses são livros recebidos e ainda não lidos pela parceria com a editora Harlequin. Por isso que eu disse que colocaria aqui quase todos os livros que pretendo ler até o final do ano. Uma vez que provavelmente receberei outros livros da editora nos próximos meses mais leituras entrarão na lista.rsrs Bruto e Apaixonado será minha próxima leitura de julho. 




Só essas capas já me encantam, gente! Suspiros... O Que Dizem seus Olhos também é uma história que li vários anos atrás e pretendo reler agora que a Planeta resolveu apostar na minha autora querida e trazer seus livros para o Brasil. Pretendo ler este mês também. Um Amor Perdido é um lançamento do ano que me envolveu totalmente só ao ler as resenhas. Tive que adquirir. Necessitava desesperadamente dele!


Volte para Mim dispensa comentários, não é? Quem não conhece a Paola do Livros e Fuxicos?! Quando soube que ela lançaria o seu primeiro romance e que ainda por cima seria um livro de época fiquei muito curiosa. E quando a editora o lançou eu pedi de presente de aniversário para a família. Ganhei da minha mãe. Senhorita Aurora é um livro que me indicaram muito! Embora eu tenha tido uma experiência extremamente negativa com um livro da autora (A Promessa da Rosa) também li O Despertar do Lírio, uma história maravilhosa. Então, tenho muitas expectativas com relação a esse livro contemporâneo da Babi. 



Essas serão minhas próximas leituras do ano para a Maratona Romances de Banca. O que mais estou louca para ler é O Jardim dos Sonhos, do tema de agosto. É uma história que promete bastante e creio que irei me emocionar muito. 



Por último e não menos importante... Norte e Sul é uma leitura bastante inesperada, na verdade. Mas vocês conhecerão melhor o motivo de ter entrado na minha lista na próxima semana. Aguardem um pouquinho!rs Tatiana e Alexander é a continuação da série O Cavaleiro de Bronze. É uma leitura que quero muito fazer, mas que também me provoca medo porque a autora gosta de partir nosso coração. 

São 35 livros no total. Sabendo que entrarão outros ainda.rsrs Consegui ler 37 livros do início do ano até agora. Veremos se conseguirei ler esses.rsrs


Bjs!

12 de julho de 2018

Do Amor e Outros Demônios - Gabriel García Márquez

(Título Original: Del Amor y Otros Demonios
Tradutor: Moacir Werneck de Castro
Editora: Record
Edição de: 2016)


Em 1949, o então jovem repórter Gabriel García Márquez acompanha a remoção das criptas do convento histórico de Santa Clara, e o túmulo de uma menina o faz lembrar as lendas contadas por sua avó. Segundo ela, no Caribe, havia uma marquesinha que tinha uma "cabeleira que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva". Venerada por seus milagres, ela foi mordida por um cachorro e morreu de raiva. Seria ela ali enterrada? García Márquez conta a história da filha única de um marquês, criada no convívio de escravos e orixás, e um padre incumbido de exorcizar os demônios que se acredita terem possuído a pequena, cujos cabelos só seriam cortados em seu casamento.



Palavras de uma leitora...


- Não faço ideia de como começar a falar desta história tão perturbadora. Eu bem sabia que tinha razão ao fugir tanto dos livros do Gabriel García Márquez. Para o bem da minha saúde mental

Alguns anos atrás, eu ganhei uma edição de Cem Anos de Solidão e Lolita (o segundo livro não é do Gabriel, mas de outro autor que também evito). Como já tinha ouvido falar dos livros do autor e tinha medo dele me convenci que o melhor era me desfazer da obra, pois "não fazia meu gênero".kkkkkkk... Lolita eu troquei porque o tema da história me enojava e eu me negava a ler um livro narrado por um pedófilo (estou falando que o personagem principal é um pedófilo, não o autor da obra). Enfim... Nunca me arrependi de ter me desfeito de Lolita, mas o livro do Gabriel, Cem Anos de Solidão, eu gostaria de ainda ter, pois faz parte dos livros que pretendo ler no futuro. Isso se tiver coragem de encarar outra vez uma obra dele.rsrs

Do Amor e Outros Demônios entrou na minha lista de leituras do ano por causa do Desafio 12 Meses Literários. O tema de julho era ler um livro publicado no ano em que nasci. E como foi difícil!kkkkkkk... Como esta história do autor estava entre os livros lançados naquele ano resolvi adquiri-lo e apostar nele. Afinal de contas, era uma narrativa curta. Apenas 191 páginas. Não existia muita chance do Gabo (como os fãs gostam de chamá-lo) me traumatizar. Ledo engano!kkkkkk

- Quando terminei a leitura, já extremamente angustiada com a quantidade de crueldades e misérias encontradas na história, cheguei à conclusão que praticamente todos os personagens eram loucos. E que eu estava ficando bastante perturbada também.rs... Sério! O livro me deu vários socos no estômago, me provocou náuseas, revolta, desespero, vontade de esmurrar determinados personagens que mais pareciam ter um pacto com o coisa ruim, como, por exemplo, a abadessa preconceituosa que via o demônio em tudo e usava isso como desculpa para seu comportamento vil. Como eu odiei essa mulher! Víbora! Escória! Ela é que merecia ser tratada como tratou a Sierva María, a menina de doze anos protagonista do livro. Uma desgraçada que apenas PENSAVA que servia a Deus. Eu diria que ela servia a outra coisa! Ninguém que trate uma criança como ela e suas noviças trataram a menina pode se considerar servo de Deus. A vontade que tenho é de xingá-las de todos os nomes nos quais consigo pensar. Faz horas que terminei a leitura, mas continuo muito furiosa. 

Mas tenho que respirar fundo para que possam compreender do que se trata o livro...

- No dia 26 de outubro de 1969, um dia sem grandes notícias, Gabriel García Márquez, um jovem jornalista, recebeu a informação de que estavam esvaziando as criptas funerárias do antigo convento de Santa Clara, que cerca de um século antes tinha se transformado num hospital e agora daria lugar a um hotel cinco estrelas. Naquelas criptas estavam enterradas gerações de bispos e abadessas e outras pessoas importantes. Valia a pena acompanhar a retirada do que restara dessas pessoas há tanto tempo falecidas. 

"Quase meio século depois, ainda sinto o estupor que me causou aquele terrível testemunho da passagem devastadora dos anos."

Por mais que os anos tenham se passado desde o fatídico dia em que acompanhara a retirada dos ossos e pertences daquelas pessoas, Gabriel jamais conseguiu esquecer o acontecido. Ficou nele uma forte impressão, sobretudo por conta de uma misteriosa menina. Que o fez recordar uma antiga lenda, contada por sua avó. A história de uma marquesinha que era venerada por acreditar-se que operava milagres. Sua cabeleira era impressionante e nunca tinha sido cortada por causa de uma promessa. Seus cabelos só deveriam ser cortados após seu casamento. Que nunca ocorreu, pois a criança morreu aos doze anos de idade, vítima da mordida de um cachorro contaminado pela raiva.  

"No terceiro nicho do altar-mor, do lado do Evangelho, é que estava a notícia. A lápide saltou em pedaços ao primeiro golpe da picareta, e uma cabeleira viva, cor de cobre intensa, se espalhou para fora da cripta."

Na pedra estava escrito o seu nome: Sierva María de Todos los Ángeles. Claro que a história contada pela avó do autor era apenas uma lenda, não existia nenhuma ligação entre a criança da cripta e a marquesinha que teve um fim tão trágico. Todavia, na mente do autor se construiu uma história... E utilizando o nome real gravado na lápide ele escreveu Do Amor e Outros Demônios, uma obra de ficção chocante, que mostra a loucura da obsessão, do desamor, do fanatismo religioso e tantos outros males que os seres humanos insistem em manter em suas vidas não para destruir apenas a eles próprios, mas também para prejudicar outras pessoas. 

"A ideia de que aquele túmulo pudesse ser dela foi a minha notícia do dia, e a origem deste livro."

- Publicado em 1994, o livro já começa nos mostrando o momento em que Sierva María, nossa pobre protagonista, é mordida por um cachorro raivoso, que ainda atacou outras pessoas que cruzaram seu caminho antes de morrer. Como a ferida era muito pequena e quase insignificante, a criada que a acompanhava não deu muita importância ao caso. Limpou o machucado e seguiu em frente com os preparativos do aniversário de doze anos da menina que seria comemorado entre os escravos, sua verdadeira família. 

"Naquele mundo opressivo em que ninguém era livre, Sierva María o era: só ela e só ali. Por isso era ali que se celebrava a festa, em sua verdadeira casa e com sua verdadeira família."

Embora fosse branca, uma marquesa de nascimento, Sierva María conhecia o abandono desde o instante em que sua mãe lhe deu à luz. Odiada pela mulher que a pariu e tratada como se não existisse pelo pai, a pequena encontrou refúgio entre os escravos que a acolheram de braços abertos. Como não recebeu uma educação padrão já que seus pais preferiam fazer de conta que não tinham filha alguma, foi pelos escravos que foi educada, aprendendo seus costumes, música, religião. Sua língua era a língua deles. Seus hábitos também. Tudo o que ela tinha de branca, conforme sua mãe dizia nas poucas vezes que a mencionava, era a cor. De resto, ela era africana. E a menina, que não deixava de sentir a ausência da família, se sentia orgulhosa de quem era. Quando a dor não a consumia. 

Quando os casos de raiva humana se espalharam e pessoas mordidas por aquele cachorro começaram a enlouquecer e morrer, os escravos se preocuparam e procuraram utilizar seu conhecimento de cura para livrar a menina do mal. Bernarda, a "mãe" de Sierva María, já sabia da mordida que a menina sofrera, pois a criada não demorou a lhe comunicar. Sua única preocupação era a mancha que uma morte por raiva provocaria na honra da família. Ela estava mais do que preparada para fingir um grande luto pela filha que odiava profundamente, mas não queria que a real causa de sua morte fosse divulgada. 

- Ao tomar conhecimento do que acontecia, o pai da menina, o marquês de Casalduero sofreu um grande abalo. Sempre acreditou que odiasse a filha. Não gostava de tê-la por perto, ela não dormia sequer sob o mesmo teto que ele e a esposa. Era com os escravos da propriedade que vivia. Mas ao saber que aquela pequena criatura que levava seu sangue possivelmente estava condenada, ele sofreu uma considerável transformação. Desejou ter um maior contato com ela. Procurar fazê-la feliz. 

Três meses após a mordida, quando todas as demais vítimas já tinham padecido, Sierva María seguia sem apresentar qualquer sintoma da raiva. Seu pai, aliviado pela segunda chance que recebera de ter a filha ao seu lado, estava preparando uma grande viagem para os dois. Todavia, num determinado dia, já bem próximo da viagem, a criança acordou queimando de febre. Todos se desesperaram (menos a mãe dela). E aí começou um verdadeiro inferno na vida da menina: curandeiros, feiticeiros, médicos, o que fosse... Todos queriam tentar algo. Alguma forma de "tirar o mal" de dentro dela. Eram rasgos na ferida, sangrias, bebidas, diversas tentativas de "cura". A ferida que antes estava cicatrizada infeccionou pelos cortes provocados pelos curandeiros. O sofrimento que a faziam passar era tão grande que Sierva María começou a ter crises terríveis, gritando incontrolavelmente, debatendo-se... Para alguns, sintomas inequívocos da raiva. Para a Igreja Católica, evidência de uma possessão demoníaca. 

"No fim de tudo, o mais longe possível e largado pela mão de Deus, havia um pavilhão solitáro que durante sessenta e oito anos serviu de cárcere da Inquisição, e continuava a sê-lo para clarissas desgarradas. Foi na última cela desse recanto de esquecimento que encerraram Sierva María, noventa e três dias depois de ser mordida pelo cachorro e sem nenhum sintoma de raiva."

Intimado pelo Bispo, o marquês foi convencido pelo mesmo e pelo padre Cayetano Delaura a entregar a filha aos seus cuidados, pois através do exorcismo (que bem poderia matá-la) a alma da criança ficaria livre do demônio que a possuía e tentava levá-la para o inferno. Mesmo não acreditando de verdade que a filha estivesse possuída, ele a deixou no convento de Santa Clara, não sem se arrepender. Todavia, não teve coragem de voltar atrás. Deixou a filha à própria sorte. 

E é nesse convento que Sierva María conhecerá tipos diferentes de dor e até onde o fanatismo religioso pode ir... e quanta destruição é capaz de provocar. 

"Às vezes atribuímos ao demônio certas coisas que não entendemos, sem cuidar que podem ser coisas que não entendemos de Deus."

- Talvez muitos de vocês saibam que sou católica. Desde o ano passado. Minha Crisma aconteceu em maio deste ano e não me arrependo nem por um instante. Fui evangélica a vida quase toda, mas me tornar católica foi uma decisão que tomei com o coração, apesar de toda a resistência que tive na família. De todos os que foram contra.rs 

Na sexta série, nas aulas de História, eu ouvia falar muito sobre a Inquisição, apesar do meu professor ser católico. Ele próprio reconhecia o passado obscuro que a Igreja Católica possuía. Sabia dos crimes cometidos. E não deixava de falar sobre isso para os alunos. Eu nunca esqueci. Lembro até o nome do meu professor. Ele foi um dos poucos a não negar esse passado tão terrível. E em Do Amor e Outros Demônios eu vi bastante desse fanatismo e do poder que a Igreja tinha de condenar quem quer que fosse por coisas que acreditava, por faltas que julgava terem sido cometidas. Pessoas perseguidas por lerem "livros proibidos", chamadas de hereges e sendo assassinadas em fogueiras, doenças que a medicina já conhecia sendo vistas pela Igreja como possessões demoníacas... Isso tudo me fez muito mal. Não era falta de conhecimento. Era querer ver as coisas de determinada maneira para poder julgar as pessoas. Uma criança, gente! Sierva María era uma criança e foi vítima dos preconceitos, do fanatismo religioso, da prepotência e até mesmo do desejo de pessoas que tinham sua vida nas mãos. 

"Mal começaram os curativos, a menina fixou nele uns olhos aflitos e falou com voz trêmula:
- Vou morrer.
Delaura estremeceu."

- Meu coração se partiu em vários pedaços por essa criança. Negligenciada pelos pais, abusada por uma determinada pessoa (conto no spoiler daqui a pouco), torturada pela abadessa, pelas noviças, pelo Bispo e seus cúmplices. Ela nunca foi amada ou compreendida de verdade. Talvez os escravos tenham sido os únicos que lhe deram um pouco de amor, mesmo que vivessem em condições desumanas, mesmo que não fossem livres. Eles a aceitavam. Eles a queriam e respeitavam. Seu pai se arrependeu por sua indiferença, mas de que adiantou? De que valeu se depois lavou as mãos e a entregou ao inferno que era aquele convento?! Antes não tivesse se arrependido. Porque seu passageiro amor apenas deu algo à menina para depois retirar abruptamente. Seria preferível que ela nunca tivesse se apegado a ele. 

"- Estou com medo - disse ela.
Jogou-se na cama e desatou num pranto dolorido. Ele se sentou mais próximo e consolou-a com paliativos de confessor. Só então Sierva María soube que Cayetano era o seu exorcista e não médico.
- Então por que me cura? - perguntou.
Ele falou com voz trêmula:
- Porque gosto muito de ti."

- Este é um livro para pessoas que não se impressionam fácil, para quem tem estômago forte. Não era uma história para mim.rsrs Todavia, não me arrependo de ter lido. É um livro muito bem escrito, que lemos em poucas horas e nos envolve por completo. Só que é uma história que machuca. A criança do livro é vítima de muitos maus-tratos. Não dá para ler algo assim e ficar bem. 

GRANDE SPOILER: No trecho que coloquei logo acima vocês podem ver a conversa entre a Sierva María e outra pessoa. O padre Cayetano, encarregado de exorcizá-la, embora ele não acreditasse que ela estava possuída por demônio algum. Era uma pessoa culta, inteligente, que não se deixava cegar pelas doutrinas da Igreja. E se apegou muito à menina. Eu gostava imenso dele. Achava que ele faria algo pela criança. Que a ajudaria. E ele conseguiu me decepcionar de uma forma... Ainda estou muito arrasada. De pessoa culta, instruída, ele se transformou num homem enlouquecido pelo desejo. Um homem de 36 anos que passou a ver sua protegida como mulher. Que enxergou numa criança de 12 anos alguém por quem tinha se apaixonado. Ele seduz a menina, ele impõe seu "amor" à ela, passa a visitar o convento todas as noites e dormir na mesma cama que a criança. Embora ele não a tenha penetrado, isso não muda o fato de que era estupro e era pedofilia, gente!!! Ele toca nela, ele a beija, fala coisas que não devia. Eu sentia fortes náuseas quando lia essas cenas. Ela era só uma criança. Foi fácil para ele convencê-la de que aquilo era certo. Mas não era! Não posso aceitar algo tão absurdo! 

O autor coloca misticismo na história para explicar a relação que surge entre os dois, mas nada justifica ou torna aceitável algo assim. Sierva María era uma criança. O interesse de Cayetano, que ainda por cima era padre, pela menina é algo criminoso, doentio. Repugnante. Não senti pena alguma dele. O seu final ainda foi pouco. Porque o da menina foi terrível demais. E não. Ela não morre de raiva. Sequer contraiu raiva alguma. E também não estava possuída por demônio. O que entendi é que quando ela teve febre, que poderia ter diversas causas, as pessoas se desesperaram e foi por conta de tantas tentativas de "cura" que ela foi levada ao seu limite e começou a gritar, pois a faziam sofrer com seus experimentos. Enfim... Não houve raiva nem possessão. Ela morreu por outras causas e aos doze anos de idade. :(



Como eu disse, em julho a proposta do Desafio 12 Meses Literários é "ler um livro publicado no ano em que você nasceu". Minha escolha foi um desafio e tanto! Um livro que me provocou tormento, mas que eu não me arrependo de ter lido. Como um todo valeu a leitura.rs Dei 4 estrelas. 
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