4 de junho de 2018

Tudo o que li... em maio/2018



Olá, queridos!

- Geralmente o nome deste post é "Tudo que assisti e li", mas no mês de maio eu não consegui assistir absolutamente nada. Filme, série, novela... nada mesmo. :( Tive que me dedicar inteira à faculdade, ao trabalho, leituras e resenhas. Não sobrou tempo para assistir o que eu queria. Senão, teria que abrir mão de ler algum livro. Assim sendo, farei comentários apenas das leituras concluídas.

Começando por Razão e Sensibilidade, meu clássico do mês. Não existia maneira de não ser uma experiência fantástica, não é mesmo? :D Jane Austen arrasava! É minha segunda leitura da autora e fico cada vez mais apaixonada por suas obras. Me diverti e emocionei com essa história, tendo como meus personagens preferidos a Elinor e o coronel Brandon. Com este livro cumpri parte do meu Desafio Mensal

Observação: O Desafio Mensal consiste na leitura de 2 livros predeterminados no início do ano. Os livros do mês de maio eram: Razão e Sensibilidade e La Magia de Tu Ser. O segundo, infelizmente, não deu tempo de ler, mas concluirei em junho, se Deus quiser. 



A Filha foi minha escolha para o tema do mês de maio do Desafio 12 Meses Literários, que consistia em ler um suspense, fosse ele voltado mais para o psicológico, ao puro suspense mesmo ou uma mescla com o terror. Enfim... Eu escolhi um thriller psicológico do qual nunca tinha ouvido falar e foi uma surpresa maravilhosa. A história se revelou incrível, profundamente envolvente e amei MUITO! 

O livro O Caçador de Pipas, por sua vez, era a leitura do mês de abril do mesmo desafio. E consistia em ler um livro abandonado na estante. Ocorre que tinha tanto medo do livro que só iniciei a leitura no final de abril e só pude concluí-lo no início do mês seguinte. Desta forma, acabou por ser tornar leitura de maio.rs



Sol em Júpiter e Pertinácia foram minhas leituras da parceria com a editora Harlequin. Ambos são livros nacionais e desta maneira me ajudaram a cumprir minha meta de ler mais livros nacionais este ano. :) 

O primeiro (Sol em Júpiter) foi um tanto quanto uma decepção. Não que eu não tenha gostado da história em si, mas peguei uma antipatia tão grande pela protagonista Sol, considerando-a uma garota superficial, com nada em seu interior (ou ao menos não conseguindo me mostrar que possuía), que isso acabou por influenciar negativamente a leitura. A única coisa que valeu a pena e fez com que eu não me arrependesse de ter lido foi o Júpiter. Ele sim é um amor! Um personagem incrível, que merecia maior destaque na história. 

Pertinácia foi uma surpresa. Eu não esperava que fosse um romance erótico (não gosto de livros eróticos, evito sempre que possível) e ao descobrir que era não contava com o fato de que iria gostar.kkkkk... Não que tenha apreciado todas as cenas quentes do casal. Na verdade, não gostei de todas mesmo. Mas a história em si é muito boa, ao ponto de eu dar 4 estrelas. Porque o livro tem conteúdo e aborda temas importantes como: crianças especiais, nascidas com má formação e o tratamento que essas crianças recebem. O câncer infantil, já que o sobrinho do Jonas tinha leucemia e lutava para sobreviver. Aí a autora nos trouxe a questão da doação de medula óssea, da importância de sermos doadores, pois muitas pessoas morrem por não encontrarem alguém compatível e isso é muito triste. Enfim... É uma história que vale muito a pena. 


Essas foram minhas leituras de maio. Consegui ler um livro a mais que em abril e já fiquei muito feliz com isso.kkkkkkkkk... Para conferir as resenhas basta clicar aqui

2 de junho de 2018

Especial: O Morro dos Ventos Uivantes - Parte 1

Adaptação de 2009 para a TV


Olá, meus queridos!

- Pensem numa pessoa extremamente ansiosa que nem conseguiu esperar o expediente de trabalho acabar antes de iniciar este post.rs Ansiedade é um problema na minha vida e costumo ficar muito agitada com coisas simples. Assim, precisava colocar as ideias no Word para só então conseguir trabalhar na santa paz de Deus.rs

Quando vocês lerem este post provavelmente já será sábado (hoje, enquanto escrevo, é sexta-feira).

Como bem sabem, juntamente com outras blogueiras e leitoras, estou relendo o meu clássico amado/odiado, que não canso de reviver: O Morro dos Ventos Uivantes. Quem não sabe que amo/odeio este livro não pode dizer que me conhece.kkkk Porque eu respiro esta história. 

"Nelly, eu sou o Heathcliff."

- Então, reler a história do amor intenso e destrutivo de Catherine e Heathcliff, um amor capaz de sobreviver ao tempo e até mesmo à morte, trouxe de volta minha obsessão por assistir todas as adaptações possíveis da obra (post que será publicado, se Deus quiser, até início de julho, pois preciso assistir novamente alguns dos filmes, como a versão de 1992 e a de 2011, uma vez que se passaram séculos desde a última vez que vi) bem como me fez pensar nos livros que já li e mencionavam este clássico. Inclusive em algumas dessas histórias o livro da Emily era significativo para os protagonistas, sendo mais do que sua história preferida. 

"Como posso eu viver sem a minha vida? Como posso eu viver sem a minha alma?"

Assim, surgiu a ideia deste texto que agora escrevo. Que tal conhecerem quais são as histórias que ajudam a manter vivo o nome da minha autora querida e seu único e inesquecível livro? Que fazem com que leitores atuais ouçam falar desta obra e tenham a curiosidade despertada? Coloquem Wuthering Heights (de preferência a versão de Angra) para tocar e venham comigo!


Saga Crepúsculo
Autora: Stephenie Meyer


- Seja você fã incondicional de Crepúsculo (como eu) ou faça parte do time que torce o nariz e despreza profundamente, não pode negar o fato que muita gente ouviu falar pela primeira de O Morro dos Ventos Uivantes por causa dos protagonistas desta história. Crepúsculo também é cultura, minha gente! Trazendo para nossa vida não só livros clássicos como músicas também (Clair de Lune, Debussy, lembram? Belíssima! Ok. Creio que Clair de Lune é mencionada apenas no filme, mas já vale muito! E agora estou me lembrando de Decode também. Amo!). E amo sim o fato da minha tradução preferida, publicada pelo selo Lua de Papel, vir com a seguinte informação logo na capa: O livro preferido de Bella e Edward. :D

"Você precisa muitíssimo de uma visita à livraria. Nem acredito que está lendo O morro dos ventos uivantes de novo. Ainda não sabe de cor?"

"[...] O que lhe agrada tanto? 
[...] Acho que tem algo a ver com a inevitabilidade. Nada pode separá-los... Nem o egoísmo dela, nem a maldade dele, nem mesmo a morte, no final..."

"- Ainda acho que seria uma história melhor se um deles tivesse uma qualidade que os redimisse.
- Acho que esta é a questão - discordei. - O amor dos dois é a única qualidade redentora."

"- O que estava lendo? - murmurei não desperta de todo.
- O morro dos ventos uivantes - disse ele.
Franzi a testa, sonolenta.
- Pensei que você não gostasse desse livro.
- Você deixou à vista - murmurou ele [...] - .... Estou descobrindo que posso me solidarizar com Heathcliff de um modo que não acreditava ser possível."

- Sério! Eu poderia mencionar inúmeros momentos em que eles mencionam esse livro. Mas existe um especial: 

"Folheei o livro, encontrando facilmente a página que queria. O canto estava dobrado de tantas vezes que parei ali. [...] 'Se tudo o mais perecesse e enquanto ele perdurasse, eu ainda continuaria a existir; e se tudo o mais restasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria muito mais estranho.' - Eu assenti outra vez para mim mesma. - Sei exatamente o que ela quis dizer. E sei com quem não posso deixar de viver."

"- Heathcliff também teve seus momentos - disse ele. Edward não precisava do livro para citar com perfeição. Puxou-me para mais perto e sussurrou em meu ouvido: - 'Eu não posso viver sem minha vida! Não posso viver sem minha alma!'"



Corações Feridos
Autora: Louisa Reid 

- Este é um drama bem pesado daqueles que nos jogam no chão com força e fazem de tudo para nos manter lá. Li a história num único dia e depois chorei até não ter mais forças. Existem diversos motivos para eu nunca tê-la esquecido e um deles é o fato da protagonista Rebecca ser uma apaixonada por livros, incluindo O Morro dos Ventos Uivantes. A vida dessa protagonista é muito triste e embora amasse ler tinha que viver tal prazer escondida, pois em sua casa jamais seria permitido. Quer uma amostra? "Eu encolhia minha mente enquanto pensava em todos os livros que nunca chegaria a ler, as histórias que ele estava escondendo de mim."Rebecca é muito, muito apaixonada por livros mesmo, e não ama só o Heathcliff, mas também o Sr. Darcy e outros mocinhos. Várias histórias são mencionadas: Grandes Esperanças, Emma, Villete, Orgulho e Preconceito, Crepúsculo, Harry Potter... 

"Fui para o fundo da biblioteca, para retomar de onde parara, a meio caminho da letra C. Eu estava determinada a ler todos os livros de todas as prateleiras, mas aquilo estava me tomando muito tempo. [...] No entanto, eu estava determinada a não desistir. Quando eu era transportada para o Morro dos Ventos Uivantes [...], meu mundo recuava e, por 40 minutos, a realidade ficava suspensa em algum lugar acima da escola..."


O Céu Está em Todo Lugar 
Autora: Jandy Nelson


- Bella Swan poderia até ser apaixonada por essa história, mas foi em O Céu Está em Todo Lugar que encontrei uma mocinha realmente obcecada. Se possível, ela não leria outro livro. O Morro dos Ventos Uivantes era tudo para ela. Sempre. Como esquecer Catherine e Heathcliff? Como traí-los lendo outra coisa?rs Lennie é uma personagem que rouba nosso coração. Não apenas com seu amor pelos livros (especialmente o "meu" clássico), mas também por toda a sua riqueza como personagem. É impossível não rirmos e chorarmos com ela. 

"Eu estava lendo O Morro dos Ventos Uivantes, como sempre [...]"

"Belo cavalo, pensei, e voltei para Cathy e Heathcliff, olhando para cima somente alguns segundos depois [...]"

"Ele afunda a mão novamente, tirando um exemplar de O morro dos ventos uivantes.
- É o meu livro favorito. Funciona como um calmante. Já li 23 vezes."

- O engraçado nesse trecho acima é que o mocinho com o qual a Lennie conversava fica admirado por ela ser capaz de viver depois de ler 23 vezes "o livro mais triste de todos" (segundo ele).rsrs Toda a família da protagonista sabia do seu amor pela história. Ela era obcecada mesmo. O livro era seu porto seguro, um lugar no qual poderia se esconder, se sentir acolhida e compreendida pelos personagens. Ela ia com ele para tudo que era canto, escrevia em seu exemplar... Era muito amor, gente! :)

E tem mais trechos, afinal de contas, é o livro que menciona o casal com mais intensidade, já que os personagens são importantíssimos para a Lennie:

"...um beijo como os de Cathy e Heathcliff trocados nas charnecas, com o sol batendo em suas costas e o mundo girando com o vento e as possibilidades."

"Como Heathcliff e Cathy. Tive o amor explosivo-do-tipo-que-acontece-uma-vez-na-vida e destruí tudo."

"Olho para nossas mãos e vejo O morro dos ventos uivantes em cima da mesa, silencioso e inofensivo e teimoso como sempre. Penso em todas as vidas desperdiçadas, e todos os amores desperdiçados presos dentro dele."

"Quero montar a história novamente para que Heathcliff e Cathy possam parar de impedir o caminho um do outro em cada curva, possam seguir seus furiosos corações vulcânicos na direção um do outro."


O Caçador de Pipas
Autor: Khaled Hosseini

- É necessário respirar fundo antes de mencionar este livro. Porque é uma história que abalou minhas estruturas e que fico tensa só em lembrar. Mas a intenção deste post é falar apenas das menções ao meu clássico em diversos outros livros, de gêneros distintos. Amir, protagonista da história, se apaixona por uma moça e tenta puxar assunto enquanto ela está lendo. Qual livro?rs

"Soraya virou o livro deixando a capa de frente para mim. Era O morro dos ventos uivantes.
- Já leu? - perguntou ela.
Fiz que sim com a cabeça. Podia sentir o meu coração pulsando acelerado por detrás dos meus olhos.
- É uma história triste - comentei.
- Histórias tristes dão bons livros - disse ela."


Nascida Sob o Sol de Aquário
Autora: Florencia Bonelli


- E como não poderia ser diferente, a minha sádica e amada FB também não perderia a oportunidade de trazer Catherine e Heathcliff para um dos seus livros, dessa vez através da música inspirada na história: Wuthering Heights, de Kate Bush. Bianca, protagonista do livro, é uma cantora lírica e numa determinada cena solta a voz interpretando a canção. Confiram:

"- Bianca, com que canção gostaria de começar? [...]
 - Com Wuthering Heights, de Kate Bush.[...]
- Sabia que existe um livro de mesmo nome? - comentou Mariel. - Cumbres Borrascosas, em castelhano. A história me encantou. 
- Sim, eu li. Na verdade, a canção fala da história de Cathy e Heathcliff."

Quando começa a cantar... Bianca entrega-se à música e só consegue pensar em Sebastián, seu próprio Heathcliff, comparando os trechos da canção com os sentimentos que cresciam em seu interior... com a paixão que envolvia os dois:

"Seu Heathcliff também era cruel, e também era seu único sonho" 
"Sobretudo, seu Heathcliff era seu único senhor, seu único dono."



O Que Dizem Seus Olhos
Autora: Florencia Bonelli

- Sim, neste lançamento de maio da editora Planeta Brasil, vocês conhecerão Francesca, uma protagonista forte e determinada (que também ama livros) que viverá ao lado de Kamal uma belíssima história de amor. Diferente de uma das suas histórias preferidas, claro, pois nada havia de destrutivo no que a unia ao Kamal. O amor deles era tão intenso quanto o de Cathy e Heathcliff, mas era um amor que curava, que os fazia recomeçar e lutar contra um mundo hostil, que não via com bons olhos a união de um árabe e uma ocidental. No livro, a menção ao morro dos ventos uivantes não é explícita, pois Francesca apenas cita suas autoras favoritas. 

"Amante dos grandes autores da literatura, Fredo abastecia a biblioteca de sua afilhada com Shakespeare, Cervantes, Dante, Goethe e outros; Francesca, por sua vez, apaixonou-se pelas irmãs Brontë e por Jane Austen e lamentava que houvessem morrido tão jovens e sua obra não fosse mais extensa."


- Estes foram os que consegui recordar. :D Todavia, vale mencionar ainda um livro muito amado pela minha amiga Rubia, que lembrou-se que há uma menção especial à história. 

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata
Autoras: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows


- O título do livro é estranho, mas morro de vontade de lê-lo, pois a Rubia e outras meninas disseram que é uma história apaixonante e inesquecível. É um livro muito amado por elas e eu também quero ter a oportunidade de ser arrebatada pela história desses personagens! :)

"A princípio, não gostei de O morro dos ventos uivantes, mas assim que aquele fantasma, Cathy, passou os dedos ossudos pelo vidro da janela, fiquei fascinada e não consegui mais largar o livro. Com Emily, eu podia ouvir os gritos desesperados de Heathcliff nas charnecas. Não acredito que depois de ler uma escritora tão boa quanto Emily Brontë eu consiga voltar a ler [...]. Ler bons livros não permite que você goste de livros ruins."

Isso é uma grande verdade! Depois que conhecemos obras maravilhosas como O Morro dos Ventos Uivantes nos tornamos pessoas mais seletivas, nem todo livro nos agrada mais. Exigimos mais dos autores e suas histórias. 


- A querida Suelen Mattos, do blog Romantic Girl, também me ajudou com este post especial, pois descobriu uma menção incrível no livro abaixo: 

Os Homens (às vezes, infelizmente) Voltam Sempre
Autora: Penélope Parker

- Achou o título curioso? Eu também!kkkkkk... Me parece ser uma história divertida sobre uma mulher independente que quer nos ensinar como fazer para que os homens sempre voltem (ou o que fazer para eles não voltarem, se não quisermos, claro). Na verdade, pelo que li da sinopse, o retorno deles trata-se de uma lei da natureza e só é preciso seguir algumas dicas básicas para atraí-los de volta. Não é o tipo de história que aprecio ler, mas é inegável a beleza da referência ao meu amado livro:

"Quando eu era criança e li pela primeira vez a cena de despedida de Heathcliff e Catherine em O Alto dos Vendavais, percebi que a Humanidade se divide em dois grandes grupos: os que choram ao ler esta passagem e todos os demais. Ao olhar para trás, vejo-me a ler sentada no velho sofá grenat que havia na biblioteca da minha avó em Toronto. Perguntava a mim mesma por que diabo alguém na sua perfeita consciência resistiria à encantadora brutalidade literária de Heathcliff."

Eu também não sei!kkkkkkk... Definitivamente não dá para entender como alguém é capaz de resistir a ele. Nem nascendo de novo compreenderia.rs Amei muito o trecho acima!


Além disso, outras meninas do maravilhoso grupo Literatura de Época também citaram algumas outras histórias, como:

- O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding (citado por Maísa Lemes)

Crazy in Love at The Lonely Hearts Bookshop, de Annie Darling (citado por Aline Coelho). Sobre esse livro: pelo que pude entender com a ajuda do Google Tradutor (vocês sabem que não entendo nada de inglês.rsrs), O Morro dos Ventos Uivantes é de vital importância para a protagonista da história. Catherine e Heathcliff são sua inspiração.

Fama, de Tilly Bagshawe (citado pela Suelen Mattos). Quem aqui não sabe que odeio a Tilly?! Com todas as minhas forças, já que ela usa e abusa do nome do meu autor (Sidney Sheldon) para fazer sucesso. Ela tem a permissão da família dele para isso. Não está infringindo nenhuma lei de direitos autorais nem nada. Mas me enfurece profundamente como fã do autor. Enfim... Todavia, se ela mencionou a Catherine e o Heatchliff vale dizer, certo? Até a antipatia eu deixo de lado na hora de falar da C. e do H. :D Segundo a Suelen, Fama já começa com uma citação do livro:

"Heathcliff nunca há de saber do amor que lhe tenho.
E não é porque ele seja bonito, Nelly, mas porque ele 
é mais eu do que eu própria. Não sei de que são feitas
nossas almas, mas sei que a minha alma e a dele são iguais."

                        Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes


Bela maneira de começar um livro, verdade?! Mesmo odiando a autora eu amei isso! Só espero que Fama não seja uma releitura do clássico. Só espero!rs 

Fui lá ler a sinopse e voltei.kkkkkkk... Pelo que entendi da sinopse e das resenhas, os protagonistas da história são: um diretor de cinema, uma atriz e um ator. Todos os três envolvidos no remake de O Morro dos Ventos Uivantes. Os três veem no filme a oportunidade de salvar suas carreiras. Pelo que percebi da protagonista ela ficará ótima no papel de Catherine.rsrs

- Nascida na Escuridão, de Anne Holt Muller (citado pela Suelen Mattos). Os alunos discutem sobre o livro na sala de aula, pelo que entendi. E a conclusão na qual cheguei é que nenhum deles entendeu a história.rs

- Sombras do Infinito: O Artefato Mortal, de Billy M. Hidalgo (citado pela Suelen Mattos). O personagem está lendo o livro e menciona o trecho no qual o Heathcliff diz que enquanto ele viver a Catherine não descansará em paz. 


Espero que vocês fiquem tão felizes lendo este post como eu fiquei na hora de prepará-lo. Agradeço muitíssimo às meninas que me ajudaram com as indicações. Vocês são umas queridas! 

E quem aqui gosta de participar de grupos de leitura e debate sobre livros não sabe o que está perdendo por ainda não estar fazendo parte dos seguintes grupos: 

Literatura de Época -> Grupo fascinante! Amo as trocas de ideias, as indicações incríveis, os debates... Eu quase enlouqueço desejando os livros que as meninas mencionam. É muito amor nesse grupo, gente! 

Grupo Fãs Florencia Bonelli -> Quotes emocionantes (é um mais lindo que o outro!), debates sobre as melhores histórias/mocinhos/mocinhas... Nunca nos falta assunto. :D É simplesmente maravilhoso fazer parte desse grupo amado. E ainda existe a página para quem é fã da autora curtir e acompanhar as novidades: aqui


Agora... Por que o título do post é Especial: O Morro dos Ventos Uivantes - Parte 1? Simples. Porque na Parte 2 falarei sobre os filmes/minisséries que vi e farei uma comparação entre os mesmos. Aguardem! 

31 de maio de 2018

Pertinácia - Sue Hecker

(Editora: Harlequin
Edição de: maio/2018)


Série Mosaico - Livro 5


A vida de Rafaela nunca foi fácil. Da infância passada em um orfanato à mudança para São Paulo, ela sempre teve que superar diversos obstáculos que surgiam em seu caminho. Quando tudo parecia entrar nos trilhos e a jovem enfermeira pensava ter encontrado o amor, um erro lhe tirou tudo, e ela não sabe como recomeçar.

É exatamente em seu momento mais frágil que Rafaela conhece Jonas, um advogado confiante, sexy e vaidoso, que parece determinado a seduzi-la. Mas, depois de uma grande desilusão, Rafaela não quer ceder à atração que sente por Jonas e correr o risco de se machucar de novo. Será que essa jovem inocente e pertinaz conseguirá resistir aos encantos de um homem experiente?

Pertinácia é uma história sobre conquista: de confiança, de objetivos e, especialmente, de amor. 




Palavras de uma leitora...



- E bota experiência nisso! Jonas tem experiência para dar, vender, trocar...rsrsrs Quanto mais o conhecia mais puritana me sentia.kkkkkkkkk... E olha que sou bem mente aberta e leio livros de diversos gêneros (o que não significa que aprecio todos eles). Ocorre que quando iniciei esta leitura estava com uma ideia diferente da história. Achava que era um romance que tinha cenas calientes, mas que tratava de temas fortes, de superação, recomeço e tudo mais. E realmente ele aborda tudo o que eu imaginava, porém vai mais para o gênero erótico, algo que eu não esperava por mais que a capa fosse um indício.rs 

Considerando que é um livro adulto, obviamente, não é recomendado para todos. É um livro para maiores de 18 anos, ok? Aviso dado, prossigamos!


Tendo crescido num orfanato, não sabendo quem eram seus pais ou por que a tinham abandonado, Rafaela teve que lutar muito para conseguir ter uma profissão. Desdobrando-se entre trabalhos temporários e as horas de estudo, mal dormia ou se alimentava, contando muitas vezes com a compaixão de seus colegas que dividiam lanches com ela. Assim, tinha todos os motivos do mundo para agarrar com as duas mãos a grande oportunidade que era trabalhar para o Dr. Marco, como enfermeira particular de sua filhinha, um anjo que nasceu com anencefalia e nenhuma esperança de sobrevivência. 

"A cada história que eu contava, sentia que ela apreciava ouvir minha voz.
A cada carinho que fazia, era como se ela pudesse retribuir."

Só que o que era para ser um primeiro passo na sua carreira acaba por se transformar na sua ruína quando, guiada por uma ilusão criada em sua cabeça, decide que está apaixonada pelo patrão e que deseja ser a mãe de sua filha. Tudo não seria tão grave se ele não fosse comprometido, estivesse noivo de outra mulher... E se Rafaela tivesse se limitado a sonhar com isso e não partir para a ação. 

Rejeitada por ele e dispensada logo em seguida, vez que a continuação da relação de trabalho era impossível, ela ficou sem chão. Não tinha mais emprego, o homem que julgava amar não a queria e com sua inconsequência ainda foi obrigada a se afastar da bebê que tanto amava... Seu mundo não poderia ficar mais bagunçado.

"O que foi que eu fiz?! Eu destruí tudo."

A luz no fim do túnel aparece quando ela é contatada pelo advogado de Marco, um homem arrogante e sexy que descobre-se encantado pela jovem enfermeira. Sensibilizado por sua dor e levado também pelas segundas intenções que um só olhar para seu corpo já despertou, após tratar da rescisão contratual dela, resolve indicá-la para trabalhar na casa de sua irmã, já que possuía um sobrinho com leucemia e a gravidez da irmã era de risco. Desta forma, além de ajudar a família com a qual realmente se importava ainda contaria com a vantagem de voltar a ver a mulher que tanto o enfeitiçou. E, quem sabe, ensiná-la a apreciar tudo o que seu mundo tinha a oferecer... Com ele talvez ela não vivesse o conto de fadas dos seus sonhos, mas teria algo melhor. Mais quente, mais cru e... mais apaixonante. Estaria ela preparada para se entregar sem reservas? Para ser sua musa, sua fonte de admiração e desejo? 

E seria o desejo que o consumia, que o fazia querer tê-la nua em seus braços e em sua cama... um primeiro passo para um sentimento mais forte e duradouro? Nunca tinha amado. E na verdade não estava disposto a render-se a tal sentimento.Todavia, se mandássemos em nosso coração a vida seria mais fácil... e chata

"A cota de dor em minha vida já foi o suficiente. Os sonhos românticos de encontrar minha outra metade não existem mais. Aprendi com os meus erros."

- Logo que conheci a Rafaela, no prólogo da história, quando descobri qual foi a grande merda que fez, não simpatizei muito com ela. E o Marco (que mal aparece na história) ganhou toda a minha admiração por tê-la dispensado, por não querer mais que trabalhasse para ele. Tinha sido contratada como enfermeira, o que não incluía ficar nua em sua frente e se oferecer como se não soubesse que ele estava noivo. Eu não sou tolerante com traição. E não existe maneira de alguém considerar a conduta dela correta ou profissional, certo? Fossem quais fossem os seus motivos, estava errada. E mereceu sim ser demitida.

Isso não significa que atirei pedras nela, claro. Condenei o que fez, mas também fiquei com os olhos cheios de lágrimas com a cena em que ela se despede da bebezinha que tinha aprendido a amar e que foi seu maior motivo para desejar mais do que uma relação profissional com seu chefe. Além de vê-lo como o homem que era tudo o que tinha sonhado ainda existia a pequena menina, que precisava dela e tinha ensinado tanto em pouco tempo. Não duvidei do amor da mocinha por aquele anjinho e foi realmente muito triste vê-la se separando dela. Partiu meu coração logo no início do livro. :(

E mesmo irritada por ela própria ter se colocado naquela situação (compreender seus motivos não me impediu de desaprovar totalmente sua estúpida conduta), torci para que conseguisse dar a volta por cima, se libertasse de um sentimento que só a fazia sofrer e se permitisse conhecer alguém que retribuísse o seu amor e que, evidentemente, não fosse comprometido.rsrs

Sendo assim, quando Jonas e Rafaela se conhecem, eu vibro com a eletricidade que corre entre os dois. Com a troca de olhares, as frases de duplo sentido, a química que faz a temperatura subir. Eram duas pessoas solteiras e não havia nada no mundo que impedisse os dois de se conhecerem e se entregarem ao que desejassem. Eu torcia muito por isso. 

"Jamais imaginei querer alguém tanto quanto eu a quero. Tudo o que preciso, sinto e sei é que, de alguma forma, ela deve ser minha."

Só que não demora nada para a autora nos revelar mais sobre o Jonas.rsrs Para nos fazer conhecer seus segredos... seus fetiches. Ela nos conta o seu passado... quando ele descobriu que era adepto de determinada coisa. Eu não fiquei apenas com um pé atrás, não. Foram os dois!kkkkkkk... Recuei por completo, levantando todas as defesas contra o mocinho. Afinal de contas, tudo o que sabia sobre esse fetiche não era muito agradável. E eu não estava disposta a aturar certas cenas. É por coisas assim que evito livros eróticos. Não são minha praia, confesso. 

Após o choque inicial e a minha mente imaginar todas as coisas que ele devia fazer (estou tentando não soltar spoiler), continuei dando uma chance ao livro, vez que a leitura estava fluindo bem e eu queria saber mais do que nunca como se desenvolveria a relação dos dois e o que ele estaria disposto a fazer com ela. E mais importante ainda: se ela aceitaria esse tipo de relacionamento. Porque tudo o que sabia era que eu não aceitaria.kkkkkkkk... Por mais lindo e irresistível que o mocinho fosse. 

E conforme a história foi acontecendo, a relação dos dois evoluiu, pude perceber que apesar de se permitir certas coisas (e curtir bastante cada momento) antes de envolver-se com a Rafaela, definitivamente não estava disposto a incluir isso em seu relacionamento com ela. Não abandonaria seu fetiche, pois fazia parte do que era, de sua personalidade, de sua essência. Mas isso não significava que faria tudo o que fazia antes. E isso eu pude aceitar. Porque não era esse desejo profundo e secreto que ele tinha o problema em si, na minha opinião. Mas sim o que isso geralmente incluía, entende? E já que ele se torna mais inflexível (era isso o que eu queria dizer mesmo) ao se apaixonar por ela pude voltar a olhar para o cretino com bons olhos.rsrs 

"[...] Porém, no fundo, Rafaela tem algo que me faz querer cuidar, proteger, algo que não sei distinguir."

Embora o foco do livro seja a relação quente e carnal dos dois, que cresce até tornar-se amor, a história também aborda o tema das crianças especiais, que nascem com má formação e acabam sendo tratadas de maneira discriminatória pelas pessoas, até mesmo rejeitadas pela família. No orfanato em que cresceu, Rafaela conviveu com crianças assim e foi o que a motivou a estudar enfermagem. Ela especializou-se para tratar dessas crianças e acabou por envolver-se mais profundamente com a pequena Vitória, uma bebê condenada desde antes de nascer, sem esperanças de vida, mas que foi muito amada por todos. O pai dela, Marco, não a rejeitou. A quis demais e daria tudo para que ela não sofresse. Achei muito positivo a autora abordar tal tema. É raro vermos coisas assim nos livros, costumo ver com mais frequência só nas histórias da Catherine Anderson ou da Deborah Smith. 

Além disso temos o Guilherme, sobrinho do Jonas, que sofre de leucemia e enfrenta dolorosas sessões de quimioterapia. É trabalhando como enfermeira dele que a Rafaela fica mais próxima do Jonas, mas acaba por fazer parte de toda a família em si. Guilherme é um menino forçado a amadurecer por causa da doença, que não se sente como as outras crianças e fica muito desanimado por conta dos efeitos colaterais do tratamento. Porque não era só perder os cabelos... tinha a falta de apetite, os enjoos e vômitos, a fraqueza... Não era nada fácil. E entrando no tema da leucemia, a autora fala da importância de ser um doador de medula óssea, como isso pode salvar vidas. A esperança de Eliana, Felipe e Jonas (pais e tio do Gui) era que o bebê que a Eliana esperava pudesse salvar o menino, pois ele estava na fila de espera há muito tempo e ainda não tinha aparecido ninguém compatível. :( 

"Sinto que ela precisa se sentir tocada, amada e idolatrada. Não canso de lê-la e me fascinar com cada emoção explícita e descrita por ela. Sei que precisa se conectar a mim da forma mais primitiva e rápida possível. Não me importo de trazê-la para a profundidade do meu desejo. É lá que ela necessita estar e é exatamente para lá que vou levá-la, a fim de esquecer quaisquer lembranças do passado."

- Em síntese, esta é uma história que provoca calor, não tenham dúvidas.rs Romances eróticos possuem tal capacidade e a autora criou as cenas certas para nos fazer sentir que a temperatura estava muito elevada, que era verão em pleno outono. Jonas e Rafaela realmente pegavam fogo quando estavam juntos. Apreciei todas as cenas? Não.rs Apesar de ter gostado de muitas delas, não foram de todas, pois eróticos não são minha praia, como já disse. E existiram algumas que iam além do que eu podia aceitar (como uma que envolvia certa janela num certo lugar). Mas considerando o livro todo, os temas reais e importantes, o fato dos personagens serem muito humanos, com qualidades e defeitos comuns a todos nós, dei 4 estrelas. E é um ótimo livro sobretudo para quem ama esse gênero. E sei que existe muita gente que é apaixonada por romances assim. :) Até porque é um erótico com conteúdo. Não é vazio, falando só de sexo e nada mais. Não. Ele tem bastante conteúdo e por isso merece as 4 estrelas do Skoob. 

"- Você é minha querida e apaixonante Rafaela."

- Algo que não poderia esquecer de dizer: claro que amei quando eles dançaram ao som de Despacito, não é? :D Quem não sabe que sou fã incondicional do Luis Fonsi certamente não me conhece. Eu amo esse cantor e compositor fantástico há anos. Me apaixonei por suas músicas mais de uma década antes de Despacito surgir e estourar no mundo todo. É uma realidade que ele tem dezenas de músicas mais lindas e envolventes que essa, mas amo Despacito também e me orgulha demais ver o sucesso que meu cantor tão querido está fazendo. E a música combinou bastante com a história do Jonas e da Rafaela. :)

*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin. E a Sue Hecker é uma autora nacional. Assim, mais uma vez a Harlequin me ajudou na minha meta de ler mais nacionais este ano. 

- Pesquisando pela internet, descobri que o Marco (que demitiu a Rafaela com toda a razão do mundo) é protagonista de outro livro da série Mosaico. Que é uma série que não precisa ser lida em ordem. Eu, por exemplo, só li Pertinácia

Série Mosaico

1- O Lado Bom de Ser Traída (Bárbara e Marco)
2- Tutor (Beatriz e Pedro)
3- Sr. G 
4- Eu, Ele e o Sr. G
5- Pertinácia

25 de maio de 2018

Razão e Sensibilidade - Jane Austen

(Título Original: Sense and Sensibility
Tradutor: Roberto Leal Ferreira
Editora: Martin Claret
Edição de: 2013)

Razão e sensibilidade conta a história de duas irmãs que em razão do falecimento do pai, têm de se adaptar a um estilo de vida mais modesto, em meio a uma sociedade inteiramente dirigida pelas aparências.
Elinor é a mais prudente, contida e racional. Marianne, passional e sensível, recusa-se a agir como determina a sociedade ou a esconder seus sentimentos.
Ambas desafiam preconceitos e lutam pelo amor e pela felicidade numa sociedade em que uma "mulher de valor" deveria se conformar e permitir que sua vida fosse orientada pelas convenções.
Publicado pela primeira vez em 1811, este romance de Jane Austen foi, desde então, reeditado e reimpresso em numerosas e diferentes versões. A história foi também adaptada para o cinema - com as irmãs interpretadas por Emma Thompson e Kate Winslet -, para séries de TV e para o teatro.



Palavras de uma leitora...



- Eu nunca canso de me surpreender (e me condenar) por ter demorado tanto tempo a dar uma chance aos livros da Jane Austen. Fui uma retardada! Me privando de livros maravilhosos e que sempre me divertem, me encantam e me fazem refletir sobre diversos assuntos. Jane era brilhante. E se tivesse a chance de voltar no tempo... viajar por séculos anteriores... gostaria de ter o privilégio de conhecê-la. 

Foi por ter amado profundamente Orgulho e Preconceito ao lê-lo ano passado que tomei a decisão de incluir três romances da Jane na minha meta de leitura de 2018. Então, em breve vocês verão aqui resenhas de Emma e Persuasão, dois livros que estou mais do que ansiosa para ler. Porém, agora é hora de falar de Elinor e Marianne, duas irmãs completamente opostas, mas que tinham em comum a crença no amor e o desejo de encontrar a felicidade ao lado de alguém que realizasse os sonhos de seus corações. Enquanto a primeira desejava um amor calmo e paciente, que se contentasse em sentar-se ao seu lado numa noite de inverno, admirando o fogo e lendo um bom livro... Marianne queria isso e muito mais. Queria paixão. Intensidade. Queria que tudo fosse muio forte, incontrolável... Que seu amado partilhasse todos os seus prazeres, que sentisse como ela... que enlouquecesse como ela levado pelos anseios da alma. De qual das duas será que gostei mais?!kkkkkkkkk... Talvez por eu ser uma pessoa muito emotiva e apreciadora de histórias cujos protagonistas me demonstram com palavras ou atitudes como é forte o que sentem... Por eu ser dada a amar mais livros intensos... vocês possam acreditar que amei mais a Marianne, que ela era exatamente o tipo de mocinha que admiro. Todavia, as coisas não foram bem assim.rsrs

Elinor e Marianne, duas adolescentes com idade para se casar, eram frutos do segundo casamento do Sr. Henry Dashwood e durante boa parte de suas vidas viveram na propriedade de Norland que pertencia ao tio solteiro de seu pai e a qual ele herdaria quando da morte do tio. 

Seu pai tinha aceitado o convite do tio para que toda sua família residisse com ele, fazendo-lhe companhia na velhice. Por sentir um verdadeiro afeto pelo parente, Henry não considerou todos aqueles anos sacrifício algum, mas não pôde evitar uma pontada de desespero quando o tio morreu, deixando a propriedade da qual suas filhas tanto dependiam para o filho mais velho de Henry, fruto do seu primeiro casamento. Não que ele não amasse o filho, mas John tinha a fortuna deixada pela mãe e não necessitava de nada. 

Henry poderia usufruir da propriedade enquanto vivesse, mas no fim das contas ela estava garantida para o filho de seu filho. E toda sua intenção de economizar os rendimentos daquele bem enquanto vivesse não puderam se concretizar, pois cerca de doze meses após perder o tio também faleceu. Em seu leito de morte, suplicou a John que cuidasse das irmãs e da madrasta, que não as desamparasse. Com a promessa do filho de que assim seria, Henry pode finalmente descansar, sem imaginar a maneira como sua mulher e filhas seriam tratadas naquele que um dia elas consideraram seu lar.

Mal o sogro foi enterrado, Fanny, esposa de John, fez questão de arrumar suas coisas e mudar-se para a nova propriedade do marido em Norland, fazendo com que suas cunhadas se sentissem como intrusas ou visitas indesejadas. Sua hostilidade era evidente e não fazia nada para esconder o fato de que gostaria que elas partissem e de preferência nunca mais voltassem a cruzar seu caminho. Eram os parentes pobres de seu marido, criaturas que representavam um peso e um obstáculo para monopolizar todo o dinheiro de seu marido. E se dependesse dela suas cunhadas não veriam um centavo sequer da ajuda prometida no leito de morte do pai. 

Sem ter para onde ir num primeiro momento, a viúva de Henry e suas filhas não tiveram outra opção senão permanecer na casa, fazendo de conta que não percebiam a rispidez e o desprezo por traz das palavras de Fanny e o afeto fingido do irmão. 

E foi ali que Elinor o conheceu. Edward era o irmão mais velho de Fanny e tão diferente dela como se nem parente fosse. Sua timidez poderia ser mal interpretada por quem não o conhecesse, mas não demorou para que Elinor se aproximasse dele e compreendesse toda sua insegurança e reserva, tivesse a chance de descobrir seu bom coração e o quanto ele mexia com alguma coisa em seu interior. Ela não era imprudente como Marianne, preferia dar ouvidos à razão, mas Edward fazia seu coração acelerar...  e era necessário apelar para todo o seu autocontrole para não deixar transparecer os seus reais sentimentos. E o pior de tudo era saber que era correspondida em seus afetos. Que Edward também a amava, por mais que o comportamento dele às vezes a levasse a acreditar que imaginava. Embora no fundo desejasse dar ouvidos ao seu coração sabia que era necessário manter os dois pés no chão, que a família de Edward jamais a aceitaria. Porque estava bem longe de ser o tipo de mulher adequada aos planos da mãe dele. 

Por mais que Elinor e Edward fizessem de tudo para esconder o que sentiam dos outros não demorou nada para Fanny começar a ver a cunhada como uma ameaça muito mais perigosa do que acreditara até aquele momento. Disposta a afastá-la de seu irmão fez questão de deixar mais do que claro quais eram os seus planos e os de sua mãe para ele e que qualquer moça que nutrisse a esperança de conquistá-lo apenas perderia seu tempo. Furiosa com o ataque da nora, a mãe delas resolveu que não era mais possível seguir naquela casa e uma proposta de um parente distante não poderia ter chegado numa ocasião melhor. Assim, enquanto Elinor era levada a se afastar do homem que seu coração reconhecia como seu... Marianne era lançada na direção do seu primeiro amor... e de sua maior decepção. 

"Mamãe, quanto mais conheço o mundo, mais me convenço de que jamais encontrarei o homem que eu possa realmente amar."

Marianne sonhava com o amor... chegava a respirá-lo todos os dias, ansiando e temendo que nunca conhecesse alguém capaz de fazê-la se entregar... alguém que ela amasse como sempre tinha desejado. Embora só tivesse dezesseis anos suas esperanças iam diminuindo com o passar do tempo e a impressão que ela tinha dos homens em geral. Será que era tão difícil para um ser humano possuir sentimentos? Sentir a vida como ela merecia? Não queria alguém como o Edward de sua irmã. Queria a paixão. 

E não poderia imaginar que o que tanto buscava iria encontrar em Devonshire. Que a separação do lar de sua infância e de tudo o que conhecia representaria a oportunidade de conhecer o homem que seria tudo o que tanto esperara... Que a faria mergulhar nos encantos do primeiro amor para depois levá-la ao completo inferno. 

"Quando ele estava presente, ela não tinha olhos para mais ninguém. Tudo o que ele fazia estava certo. Tudo o que dizia era inteligente."

- Eu nunca sei o que dizer quando me apaixono por uma história. Me faltam palavras. Não sei por onde começar e penso que tudo o que possa tentar exprimir será insuficiente. Não foi diferente com este livro. Amei tanto Razão e Sensibilidade que sei que não serei capaz de expressar os meus sentimentos, a maneira como fui envolvida pela história dessas duas irmãs. 

E não se trata apenas do romance em si. Algo que me fascina nos livros da Jane é a sua ironia. Sou fã confessa da ironia, a utilizo muito diariamente.rsrs.. E amo quando um autor tem a capacidade de utilizá-la de maneira tão inteligente e sutil como a Jane. Ela arrasava, gente! Suas histórias são sempre recheadas de críticas sociais, de desprezo pelas hipocrisias da sociedade e os costumes fúteis que as pessoas julgavam tão essenciais para suas vidas. Ela fazia um retrato bastante fiel da sociedade de sua época, o século XIX, o papel que a mulher representava, o desprezo que era dado aos sentimentos e que tudo o que mais importava para qualquer um era quanto o outro tinha como renda anual. As pessoas eram consideradas "adequadas" se fossem ricas, se tivessem uma renda satisfatória, alguma fortuna e nenhuma profissão ou inteligência.rsrs Eu me pegava rindo sozinha aqui quando a autora descrevia os momentos de lazer dos membros da sociedade... Ou a forma como o cérebro deles funcionava... suas "qualidades", sua sabedoria e elegância... Somente lendo vocês conseguiriam entender a maneira brilhante como ela conduz a história, como nos mostra a realidade de sua época ao mesmo tempo em que desenvolve o romance de suas protagonistas. 

"Tinha um excelente coração, um temperamento afetuoso e sentimentos fortes; mas sabia como governá-los."

Elinor, sem sombra de dúvidas, é a minha personagem preferida dessa história, seguida de perto pelo coronel Brandon. Ela é muitíssimo diferente da Elizabeth (de Orgulho e Preconceito), mas sua personalidade e a força que ela exercia sobre todos na história me provocaram muita admiração. Ela poderia ser considerada a "razão" do título, sendo a Marianne a "sensibilidade", porém as coisas não são tão preto no branco. Elinor era dona de intensos sentimentos também, mas ela não possuía a imprudência que reinava na irmã... não era dada a demonstrar o que sentia abertamente, de sentir sem pensar. Marianne explodia enquanto Elinor ponderava antes de abrir a boca... pensava se realmente era conveniente dizer algo ou se a atitude mais sensata não seria permanecer em silêncio. Ela amava com todo seu coração, mas nunca permitia que seus sentimentos a cegassem para as realidades da vida. Sabia como seu mundo e o meio no qual vivia funcionavam. Para mim, é a melhor personagem do livro. Toda vez que ela pensava sobre algo ou se manifestava eu a admirava mais. E tudo o que poderia desejar era que encontrasse a felicidade merecida, de preferência ao lado do homem que amava... mesmo que não tivesse forças para lutar nem por ele próprio. Ok. Eu amei o Edward, mas está muito longe de ser um dos meus mocinhos preferidos, vez que não sou fã da fraqueza. E atitude era coisa que ele não tinha. Não posso falar muito para não dar spoiler, mas foram muitos os momentos em que desejei dar um soco nele. 

"As habilidades de Marianne eram, sob muitos aspectos, bastante semelhantes às de Elinor. Era sensível e inteligente, mas intensa em tudo: suas angústias, suas alegrias não tinham limites. Era generosa, agradável, interessante: era tudo, menos prudente."

Marianne me provocou uma confusão de sentimentos. Por vezes eu a compreendia totalmente, pois também sou emotiva. E faço muito drama.rsrs Detesto a frieza, dizer que algo é "bom" quando minha vontade é dizer que é maravilhoso, incrível, apaixonante, irresistível...kkkkkkk... Gosto de deixar bem claro o que sinto e quando as pessoas agem de maneira distinta eu também não fico muito contente. Dá vontade de sacudir a pessoa!rsrs Uma das experiências mais terríveis é quando indico um livro amado para alguém a pessoa lê e diz que "gostou". "O que achou do livro?" A pessoa responde: É bom. "Você chorou com determinada cena?" E vem a resposta: Não. Arrastar a pessoa em praça pública nem seria suficiente para fazer a raiva passar.rs Portanto, entendo bem algumas das revoltas da Marianne. Entendo suas emoções, suas explosões... o fato de querer algo além. De não estar disposta a se conformar com algum casamento de conveniência e levar uma vida medíocre como de tantas pessoas. Ela acreditava no amor e queria viver isso. Não é algo condenável. 

Meus problemas com a personagem foram por conta de sua insensatez e seus preconceitos. Ela era uma moça inteligente, apaixonada pelos livros e pela cultura. Não era uma tola, mas quando estava apaixonada perdia todo o juízo que pudesse um dia ter possuído. Ela não pensava, era incapaz de raciocinar nesses momentos e, portanto, arriscava a si mesma. Todavia, o pior de tudo era o seu preconceito. Principalmente quando voltados para o meu personagem querido: o coronel Brandon. Ela tinha uma opinião tão formada sobre a vida e as pessoas que se achava no direito de julgá-lo e condená-lo tendo como base apenas o que acreditava, sem conhecê-lo de fato. Isso me irritava muito. Porque justamente uma personagem tão sensível conseguia ser de uma insensibilidade impressionante. Ela pensava apenas nos próprios sentimentos, nos da mãe e da irmã... quanto aos outros... não estava nem aí. Não se preocupava se a maneira como falava poderia magoar alguém. Eu bem que queria que o coronel Brandon a tratasse como ela o tratava! 

Talvez as atitudes dela possam ser desculpadas por conta da idade (quando a história começa ela tem 16 anos e meio, quase 17), mas nem tanto, pois, como eu disse, Marianne não era uma tola. Era muito inteligente. Inocente sim, todavia sabia que seu comportamento podia magoar. Simplesmente não se importava. Sobretudo se estivesse irritada ou sofrendo. Aí mesmo que não ligava para os sentimentos dos outros. Claro que ela cresce ao longo do livro... passa por situações que a fazem enxergar a vida como de fato é. Não fiquei nada feliz pelo que ela sofreu, mas me alegrou vê-la se transformando... amadurecendo mais. E sendo menos egoísta. 

"... talvez, considerando por minha atual gravidade lastimável e triste, julgue-me incapaz de alguma vez ter sentido."

Não posso falar muito do coronel Brandon sem soltar spoilers.rsrs Não conseguiria!kkkkkk... Só posso dizer que ele protagonizou a única cena do livro que me fez chorar. Quando ele confessou seu passado... Foi impossível não ver todos aqueles momentos na minha cabeça... imaginar como tudo aconteceu, sua dor, a desgraça daquela pessoa... Foi demais para mim. Minhas cenas preferidas eram sempre aquelas nas quais ele e a Elinor conversavam. Amo muito os dois!

- Creio que esta resenha não ficou muito coerente. Mas espero que tenha conseguido transmitir pelo menos um pouco do que senti e a forma como me apaixonei pela história. O mais importante nesse livro não é o romance. Se você pegá-lo a fim de ser arrebatado por uma belíssima história de amor vai se decepcionar. Não é um livro da Julia Quinn ou de outras das nossas amadas autoras de romance. Não tem beijos, carícias, cenas de amor... Nada disso. 

É um livro singular. A Jane Austen quis contar a história de duas irmãs, nos dando romance sim, mas não tendo isso como o principal. Ela quis retratar a sociedade, zombar de suas hipocrisias, nos divertir e fazer pensar. Enfim... Não dá para explicar. Só quem conhece os livros dela entende o que quero dizer e o que realmente encontramos em suas histórias. 

Orgulho e Preconceito ainda é o meu preferido?! Claro que sim!!!! Elizabeth e o Sr. Darcy possuem um lugar exclusivo no meu coração. Mas Razão e Sensibilidade também me conquistou e sempre lembrarei desse livro com carinho. :)

- Eu não li Razão e Sensibilidade sozinha. Tenho como uma das metas do ano ler, pelo menos, um clássico por mês e como tinha amado tanto o livro anterior da autora convidei algumas amigas a lerem comigo, numa espécie de leitura coletiva, sabe? Assim fomos cinco no total. A leitura se iniciou em 14/05 e na verdade ainda não terminou. Encerra-se no dia 28/05, próxima segunda-feira. Eu precisei acelerar um pouco mais e terminar antes, pois preciso ler outros livros antes do mês acabar, mas as meninas seguirão lendo. A Duda também já concluiu a leitura e amou! Ela é escritora e vê a Jane Austen como uma inspiração. :D 

É isso, gente! Recomendo muito que deem uma chance ao livro! 
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