2 de fevereiro de 2022

Leituras concluídas - Janeiro/2022

 

Olá, queridos!


Quem acompanha o blog sabe que estou de luto. Que perdi a minha princesa e não estou bem, nem sei quando ficarei. 


Estou sobrevivendo. Voltei a ler depois de semanas sem conseguir me concentrar em nada. Levanto da cama todos os dias, trabalho, estudo... Vou vivendo um dia de cada vez sem pensar muito no futuro. Estou tentando viver o agora, pois é a única maneira de suportar. 


Como eu disse nesse post aqui, as leituras concluídas neste período em que estou mais vulnerável, tentando lidar com toda a dor, não terão resenhas. É possível que eu volte a fazer resenhas em fevereiro? Sim, é o que tentarei: retomar o ritmo normal da minha vida em fevereiro, por mais que venha a ser outro mês muito doloroso para mim: minha Luana estaria completando sete anos de vida. 


No primeiro mês do ano, eu concluí 4 leituras. Foram elas:




Literatura Inglesa
Título Original: The Murder of Roger Ackroyd
Tradutor: Renato Rezende
Editora: Globo Livros
Edição de: 2014
Páginas: 263 (e-book)

Sinopse: Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes, iniciada com a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio.

Os três crimes em série chamam a atenção da velha Caroline Sheppard, irmã do dr. Sheppard, médico da cidade e narrador da história. Suspeitando de que haja uma relação entre as mortes, dada a proximidade de miss Ferrars com o também viúvo Roger Ackroyd, Caroline pede a ajuda do então aposentado detetive belga Hercule Poirot, que passava suas merecidas férias na vila.

Ameaças, chantagens, vícios, heranças, obsessões amorosas e uma carta reveladora deixada por miss Ferrars compõem o cenário desta surpreendente trama, cujo transcorrer elenca novos suspeitos a todo instante, exigindo a habitual perspicácia do detetive Poirot em seu retorno ao mundo das investigações. O assassinato de Roger Ackroyd é um dos mais famosos romances policiais da rainha do crime.




Não, este livro não superou E Não Sobrou Nenhum ou Assassinato no Expresso do Oriente, mas foi uma ótima experiência de leitura! Amei demais a trama, a construção da investigação e como o Hercule Poirot nos conduziu ao assassino, com inúmeras pistas que só enxergamos realmente quando chegamos ao final.rs 

Eu li este livro com a minha amiga Ayala e durante nossas conversas sobre o desenvolvimento de nossa leitura, ela chegou a sugerir uma determinada personagem como o assassino (ou assassina). Eu ainda estava no primeiro ou segundo capítulo, mas achei a sugestão bem interessante e que seria uma ótima jogada da autora, uma forma de surpreender o leitor de maneira brilhante! De deixar de queixo caído, sabe?!rs Por isso, passei a me atentar a cada detalhe e foram os comportamentos do nosso amado protagonista, Hercule Poirot, que me fizeram ter certeza que o assassino (ou assassina) seria justamente tal personagem. Saber tão cedo quem era o vilão não estragou em nada a leitura. Pelo contrário, no caso deste livro, eu gostei demais! O final foi perfeito e já desejo mergulhar em outra história da Agatha. 






Literatura Brasileira
Editora: Antofágica
Edição de: 2019
Páginas: 279 (e-book)

Sinopse: Com quantos doidos se faz uma cidadezinha? É o que está prestes a investigar o ilustre Dr. Simão Bacamarte, renomado médico com estudos no exterior, que funda na vila de Itaguaí a Casa Verde, instituto onde pretende estudar e tratar todos os que sofrem de transtornos mentais. Todo tipo de gente é enviado aos cuidados do doutor, que passa também a enxergar em seus vizinhos e conhecidos o perigoso traço da loucura.

Obstinado e fatalmente fiel à ciência, o médico não permitirá que nada – nem a população, nem o Estado, nem o senso comum – impeça sua nobre investigação sobre a razão humana.

Publicada pela primeira vez em 1882, esta novela curta e sagaz foi uma das obras mais impactantes de Machado de Assis, um marco de sua voz questionadora e irônica e de sua visão tão certeira sobre questões inerentemente humanas.

A edição da Antofágica traz 37 ilustrações de um dos maiores expoentes da arte no Brasil, Candido Portinari, que chegam pela primeira vez ao grande público.
Complementando o texto de Machado de Assis, o livro traz também notas inéditas e posfácio de Rogério Fernandes dos Santos, especialista na obra machadiana, um posfácio da professora Daniela Lima e apresentação de Luisa Clasen, do canal Lully de Verdade.



Este é um livro que me deixou maluquinha!kkkkk Minha cabeça "bugou" com os acontecimentos e com aquele fim surreal. A história se encerrou de uma forma que poderia até provocar diversão (e talvez essa fosse parte da intenção do autor), mas não foi isso que provocou em mim. Eu senti tristeza e fiquei um bom tempo refletindo sobre tudo. 

É um livro que possui críticas sociais, que nos passa uma ideia também de crítica à internação compulsória de pessoas com transtornos e doenças mentais, que muitas vezes eram internadas (e ainda existem casos hoje em dia, ainda que tenha ocorrido a reforma psiquiátrica) sem que de fato possuíssem alguma doença, simplesmente porque não se encaixavam na sociedade, eram diferentes ou indesejadas por suas famílias. 

O livro também "debocha" bastante da ciência da época e mostra como qualquer tipo de extremo não é saudável. 





Literatura Brasileira
Poesia
Editora: Paralela
Edição de: 2017
Páginas: 232 (e-book)

Sinopse: Releituras poéticas em que experiências pessoais com substantivos, adjetivos e verbos pesam mais do que a objetividade dos dicionários.

Antes aprisionadas na formalidade dos dicionários, palavras como "girassol", "Deus", "sonho", "tatuagem", "cafuné" e muitas outras são libertadas por João Doederlein — que assina com o pseudônimo Akapoeta — neste seu primeiro livro. Elas são repensadas a partir das experiências pessoais do autor, de vinte anos, e de sua geração, mesclando romantismo bem resolvido, paixão, isolamento e um dia a dia que respira tecnologia e cultura pop.

Combinando textos que se tornaram sucesso nas redes sociais com material inédito, o autor acha novos significados para os signos do zodíaco, para clichês indispensáveis como "paixão" e "saudade" e para as atualíssimas "match" e "crush". Uma história de amor correspondido entre um jovem e sua musa — a escrita.




Fazia anos que eu ouvia falar deste livro e ele despertava a minha curiosidade. Queria saber o que tinha de tão especial para ser tão apreciado pelos leitores. E gostei da experiência de leitura, mas infelizmente não passou disso. É um livro interessante, bem escrito, só que não me envolveu como eu esperava que acontecesse. Amo poesia e imaginava que os textos aqui presentes fossem me emocionar, me tocar profundamente e como isso não aconteceu, acabei me decepcionando.






Literatura Espanhola
Título Original: Lo que aprendemos de los gatos 
Tradutor: Luís Carlos Cabral
Editora: Planeta
Edição de: 2015
Páginas: 104 (e-book)

Sinopse: Um livro que é uma joia para qualquer bom leitor, e, obviamente, indispensável para todos os amantes de gatos

Os gatos – pensa a autora deste livro – têm muito a nos ensinar, mas para isso é necessário que estejamos atentos e dispostos a aprender. São carinhosos, mas jamais submissos, e por isso nos ensinam a pactuar nossa convivência a cada dia; são crédulos, mas só quando sabemos conquistá-los aos poucos, exercitando a virtude da paciência; são domésticos e independentes, como feras aclimatadas ao nosso habitat.

Achamos que são indefesos, mas, na realidade, são muito mais preparados para sobreviver do que a gente. Sob sua pele sedosa se ocultam garras de fera e um corpo atlético invejável. E, quando os vemos brincar, exibindo sua magnífica forma física, ou dormir placidamente em nossa poltrona favorita (sim, essa poltrona onde os gatos nunca nos deixam se sentar) invejamos também sua capacidade de viver intensamente esse instante; sem se atormentar, como nós fazemos, com um passado que não existe mais e um futuro que talvez não chegue.




Vocês já imaginam o motivo para eu ter decidido ler este livro... Só que ele não me provocou nenhum conforto, não diminuiu em nada a minha dor. Pelo contrário, eu chorei durante a leitura quase toda, pois diversas coisas que a autora contava sobre os seus gatinhos me faziam recordar a Luana e isso me dilacerava por dentro. 

É um livro muito bom, possui algumas cenas engraçadas, mas não posso dizer que a minha experiência de leitura foi boa. Ela foi muito dolorosa. Logo no início, a autora nos conta como perdeu sua gatinha e ali eu já senti uma dor imensa... Mas quando estamos chegando no final da leitura e ela já tinha contado como era a personalidade de seus dois outros gatinhos, que vieram após a morte da Tris-Trás e conquistaram espaço em sua casa e em seu coração.... A autora reflete sobre a inevitável perda. Como não podemos fugir do fim... Que mesmo brincando, felizes, alheios à qualquer dor, à qualquer sofrimento... um dia eles também iriam partir, porque assim é a vida. A forma como ela falou, a sensibilidade e ao mesmo tempo a dor que ela própria sentia ao pensar no assunto... Foram demais para mim. Eu caí em prantos e passei muito tempo perdida na minha própria dor. 



27 de dezembro de 2021

O blog está de luto: eu perdi a minha estrelinha. Perdi minha Luana.



 Serei breve, pois não consigo falar da minha pequena sem começar a chorar. 




Em abril de 2015, Deus me deu de presente um anjo. Uma gatinha linda que vinha para me tirar da depressão que eu vivia desde a morte do meu gatinho Alejandro. Eu tinha jurado que depois dele não adotaria mais nenhum gato, que não suportaria passar pela perda novamente. Mas veio a Luana... Numa quarta-feira. Eu estava visitando minha mãe, pois não estava morando aqui. Fazia um tempo que morava sozinha e costumava visitar minha mãe aos finais de semana... Mas resolvi aparecer numa quarta-feira, como se o destino já tivesse decidido que meu caminho se cruzaria com o da minha princesa. 

Ela era tão pequena, mas miava bem alto. Seu miado desesperado me atraiu até a rua. Abri o portão da casa da minha mãe e procurei pelo gatinho que estava chorando tão angustiado. Ela veio correndo quando me viu. Tão pequenininha. Eu calculei que ela devia ter uns dois meses, imaginei que tinha nascido em fevereiro daquele ano. A peguei em meus braços. 

Não pretendia ficar com ela. Ainda sofria demais pela perda do Alejandro. Era como uma faca me dilacerando por dentro. Pretendia apenas resgatá-la e entregá-la para minha avó que costumava cuidar de gatos. Mas depois que a peguei em meus braços... Nunca em toda minha vida senti um amor tão forte. Eu amava os gatinhos e cachorros que tive antes dela... Mas o amor que ela despertou em mim era como o de uma mãe por sua filha. Ela se tornou minha filha naquele instante. E dei à ela o nome de Luana. 




Foram muitos os momentos que vivemos juntas. Ela me seguia por toda parte. Desde o primeiro dia dormiu comigo em minha cama, que também se tornou a cama dela. Era a rainha da casa. Quem realmente mandava em tudo, dona de si e da mãezinha, da tia e da avó, que a adotaram realmente como membro da família. Ela era nossa família. Como se tivesse nosso sangue... Como se tivesse nascido do meu ventre. 

Ninguém nunca me amou como ela. O seu carinho, sua dedicação a mim impressionava a todos. Ela se sentia minha filha, como eu me sentia sua mãe. E assim será para sempre. A morte não pode destruir isso. Minha Luana será sempre a minha filha. A filha que me escolheu. A filha que nunca serei capaz de esquecer. Com ela se foi a melhor parte de mim. E ainda não sei como sobreviverei a tanta dor. 




Foi em fevereiro de 2021, o ano que se tornou o pior da minha vida, que descobrimos a doença renal. Ela sempre tinha sido uma gata saudável. Não ficava doente. Eu a protegia de tudo. Ela não tinha contato com a rua, nem mesmo com o quintal. Ficava protegida dentro de casa, com os brinquedos dela. Sendo uma princesa feliz e rebelde (sempre foi muito carinhosa, mas também bastante temperamental). Então em fevereiro deste ano começou a enjoar e perder peso numa velocidade assustadora. Então, parou de comer. A levei para a veterinária desesperada e os exames de ultrassonografia e sangue confirmaram a doença renal. Ela tinha doença renal crônica e estava passando por uma crise. 

Eu senti como se o chão sumisse debaixo dos meus pés. A angústia, o medo terrível... Passamos uma semana a levando para receber soro subcutâneo, mas a crise não passava. Parecia que ela iria me deixar ali... ainda em fevereiro. Mudei de veterinária e rapidamente iniciamos o soro intravenoso e medicações. Foram mais sete dias. Ela melhorou. Recuperou o apetite, a energia, a alegria tão característica dela. Estabilizou. 

Ela passou a ter que se alimentar de ração e sachês renais. E a adaptação não foi difícil. Ela se apaixonou pela ração e começou a recuperar peso. A cada mês engordava mais, quase atingindo seu peso anterior à doença. Fazíamos exames mensais, ela tomava todas as medicações regularmente. E embora o medo jamais tenha me deixado, eu consegui voltar a sorrir ao vê-la bem. Era a minha Luana ativa, que pulava em tudo, que corria pela casa, que me chamava para dormir quando achava que estava na hora, que deitava junto à minha cabeça para me esperar acordar todo dia pela manhã. Minha Luana que vinha correndo sempre que eu dizia: "Cadê a princesa da mamãe?" A minha vida. A que fazia com que tudo tivesse um sentido. Que me dava forças todos os dias. Que pedia colo, mesmo que eu estivesse estudando, trabalhando ou lendo. Eu sempre parava tudo para pegá-la em meus braços, para fazer carinho. Não houve um só dia que eu não dissesse que a amava. 

A doença se manteve estável durante vários meses. E ela permaneceu bem, como se jamais fosse viver outra crise. Então, tudo desandou em novembro. Os enjoos voltaram só que mais fortes. Voltamos para o soro. Tentamos estimulantes de apetite. Mudei a ração, tentei todos os sachês renais possíveis. Ela começou a emagrecer com a mesma rapidez de fevereiro. A diferença era que os tratamentos não surtiam mais efeitos. 

Em 09 de dezembro de 2021 ela teve a piora final. Os exames mostravam uma piora rápida e agressiva. A doença acelerou de uma maneira que nenhum de nós poderia prever. O que se manteve estável durante tantos meses atingiu níveis enormes de gravidade. Não havia mais o que fazer. Escolhemos mantê-la em casa conosco para que ela partisse rodeada pela família que tanto amava. Ela odiava hospital, odiava a clínica, odiava agulhas e todo aquele ambiente que tanto a assustava e estressava. Em casa ela ficava tranquila, nos meus braços. 

Sei porque alguns tutores preferem deixar o seu filhinho em estado terminal no hospital. Dói demais ver seu bebê partir. Eu nunca vou esquecer tudo o que se passou. Vou carregar essa dor em minha alma. Eu repeti que a amava até o último instante. Fiz carinho, a peguei em meus braços. Fiz de tudo para que ela se sentisse querida, para que pudesse partir em paz. 

Ela se foi às 04:00h da madrugada de 14 de dezembro deste ano. E só agora consegui vir aqui dizer para vocês que estou de luto e que o blog não terá postagens por tempo indeterminado. As leituras que eu concluir ao longo das próximas semanas não terão resenhas. Na verdade, os livros não estão sendo nenhum refúgio para mim. Penso nela o tempo todo. Mal consigo ler. 

Prometi à ela que ficaria bem. Que tentaria sobreviver. Mas está sendo muito difícil cumprir minha promessa. Eu não perdi um animalzinho de estimação. Perdi minha filha. Como sobreviver sem minha filha? Como encarar este mundo sem a minha razão de viver?




Tenho o Dante Celestino, um gatinho que adotei em dezembro de 2020. Eu o amo. Protejo e cuido dele como um bebê. Mas Luana... Luana era como uma filha do meu ventre. Nem mesmo o amor que sinto pelo Celestino me ajuda a prosseguir. Tirar a Luana de mim era a pior coisa que Deus poderia fazer comigo. Ele destruiu minha vida. Sinto como se Ele me odiasse. Como se tivesse me abandonado, me virado as costas. Sei que cada pessoa reage de uma maneira diferente à perda de um ente querido. Talvez meu rompimento com Deus seja só uma fase, uma reação ao luto. Ou talvez seja definitivo. 

Existiram momentos em minha vida nos quais por mais que eu dissesse que Deus tinha me abandonado, no fundo eu sentia que Ele estava comigo. Mas agora... Agora, não. Eu sinto raiva, ódio, revolta. Não consigo aceitar que Ele tenha permitido isso. Que Ele tenha tirado o meu anjo de mim. E que ela tenha sofrido tanto. Não consigo perdoá-lo. 

Tudo o que quero é que esta vida passe logo... Que os anos voem, se eu tiver que viver mais anos! E que eu possa me juntar à minha filha. Quero meu bebê de volta! Quero minha filha comigo! 

Quero acreditar que os animais têm direito ao Céu. Porque se nós seres humanos tão cheios de erros e pecados temos o direito dado por Deus de um dia talvez irmos para o céu, seria injusto e monstruoso não dar aos animais, que são inocentes por toda a vida (diferente de nós, que não somos), o Paraíso. Eles merecem mil vezes mais que nós. Quero crer que minha filhinha está brincando no Céu. Que está feliz. É a única forma de conseguir levantar da cama todos os dias. 

29 de novembro de 2021

Livros lidos e não resenhados - Novembro de 2021


Literatura Brasileira
Poesia
Editora: Outro Planeta
Edição de: 2018
Páginas: 203 (Kindle Unlimited)

32ª leitura de 2021

Sinopse: Poeta com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais

Antes de mais nada eu gostaria de pedir licença ao seu coração, pois sinto que a relação que vamos criar a partir de agora é muito forte. Eu escrevi neste livro as poesias sobre os lugares mais íntimos em mim, aqueles lugares que são tão profundos que até eu mesmo só consigo visitar às vezes... Estou me apresentando para você como sou, sem rosto, sem voz e sem cheiro. Apenas ideias. E tudo o que sou são ideias.

Neste momento, uma voz está lendo estas palavras em sua cabeça, dentro da sua imaginação, e já não é mais a minha voz, eu não sei como ela é, mas espero que seja doce e suave. Seus pensamentos estão dançando com os meus, e já não sei mais onde eu termino e você começa, e esta é a relação mais íntima que eu já tive com alguém. Obrigado por estar aqui.




Li este livro por acaso. Apenas busquei um livro de poesia para descansar um pouco a mente das leituras densas e dos problemas e Eu tenho sérios poemas mentais apareceu na minha busca na Amazon, como disponível no Kindle Unlimited. Resolvi arriscar... e foi uma excelente decisão!

A escrita do autor é extremamente íntima, próxima do leitor. Suas palavras conversam com nosso íntimo, com nossas emoções mais pessoais, os sentimentos que muitas vezes escondemos dos outros e de nós mesmos. Como sofro de ansiedade generalizada, me identifiquei demais com a maioria dos textos. Era como se meu próprio ser gritasse através das palavras dele. Foi uma experiência arrebatadora e já quero ler tudo o que esse poeta maravilhoso escrever!

"Quando tenho vontade de fugir,
Deito só e fico horas olhando para o teto
Sinto que vou desaparecendo aos poucos
Até sumir.
Às vezes, eu deixo de existir
Para conseguir sobreviver."







Literatura Brasileira
Conto
Edição de: 2021
Páginas: 54 (e-book)

34ª leitura de 2021

Sinopse: Tudo que ela deseja é um clichê para chamar de seu.

Ciara O'Connor é uma simples secretária que desde criança é obcecada pelos livros de Shakespeare, por isso acredita fielmente que um dia irá encontrar um Romeu para chamar de seu. Após um encontro com um charmoso CEO italiano no trabalho, cujo nome é nada mais nada menos que Romeu, ela crê que finalmente encontrou o amor de sua vida.

Com um plano em mente ela aterrisa na Itália atrás de seu Romeu fujão, e irá enfrentar situações cômicas e dificuldades trágicas dignas de uma verdadeira peça de Shakespeariana em busca de seu final feliz. (Essa história foi anteriormente publicada na Antologia "Cada Um Tem O Clichê Que Merece".





Fazia tempo que eu queria ler algo da autora! Eu tenho algumas histórias dela no meu Kindle, mas por um motivo ou outro nunca encontrava tempo para lê-las. Até que resolvi adquirir este conto e dar uma chance... embora tenha a ver com Romeu e Julieta.rs

Quem acompanha meu blog provavelmente sabe que eu não sou muito fã de Shakespeare e que não gosto nem um pouco de Romeu e Julieta. Então, histórias inspiradas nesse clássico ou que são releituras do mesmo não costumam aparecer por aqui. Porém, deixei (um pouco) a minha implicância de lado e mergulhei na história... que se mostrou bastante agradável. 

Nela conhecemos Ciara, uma jovem apaixonada pelas peças de Shakespeare e que deseja viver um amor como o de Romeu e Julieta (mas sem o final trágico, claro). Num determinado dia, ela conhece um homem que a atrai imediatamente, ao ponto de considerá-lo o homem da sua vida, sua outra metade. Mas seu príncipe encantado mora na Itália e ela em Londres... como fazer com que tudo dê certo? Há ainda um pequeno detalhe: ele não lhe prometeu nada, nem sequer sabe que ela decidiu que irão ficar juntos para sempre. 

Ciara embarca numa aventura ao viajar para a Itália disposta a ir atrás do seu Romeu... e as coisas não acontecem exatamente como ela planejava já que ele não era um personagem de Shakespeare e não sabia como desempenhar tal papel.rs É uma história divertida, que segue um rumo diferente do esperado e que termina de um jeito que provoca um quentinho em nossos corações. Eu gostei muito. As referências à história de Shakespeare me incomodaram? Sim, porque não gosto da história, mas nem isso me impediu de curtir as loucuras de Ciara e o romance lindo que ela vive. 






Literatura Brasileira
Clássico
Editora: Edições Câmara
Edição de: 2018
Páginas: 363 (e-book)

35ª leitura de 2021

Sinopse: A série Prazer de Ler apresenta em seu novo volume a principal referência da estética realista-naturalista na literatura brasileira, a obra-prima de Aluísio Azevedo, O Cortiço. Ambição e exploração se misturam nessa envolvente e sombria história de uma habitação coletiva da capital do Segundo império. De um lado, a burguesia gananciosa e interesseira, disposta a tudo para enriquecer e subir na vida. De outro, personagens estereotipados, cheios de vícios e patologias, comparados a animais e movidos pelo instinto e pela fome. Todas as existências entrelaçadas e cruzadas em torno do cortiço de São Romão. Pela espetacular representação da vida cotidiana da cidade do Rio de Janeiro, esboçada com um colorido e com uma objetividade quase fotográficos, esta obra continua como um dos mais poderosos retratos da realidade brasileira. Um clássico da literatura nacional que, passado mais de um século de sua publicação, ainda tem o poder de emocionar e inquietar.




Há anos eu tentava ler este livro e nunca dava certo. Iniciei a leitura muitas vezes e sempre abandonava, não sentindo a mínima vontade de prosseguir. Até que soube que eu tinha direito de acesso ao Skeelo Audiobooks, um aplicativo no qual são disponibilizados audiobooks de livros, de diversos gêneros, um mais interessante do que o outro. 

Eu já tinha tentado "ler" em audiobooks antes, não O Cortiço, mas outros livros e acabava perdendo o interesse. Porém, eu gostei tanto do aplicativo Skeelo que resolvi dar uma chance ao primeiro capítulo de O Cortiço e a partir daí a leitura fluiu naturalmente. Gostei demais da experiência de ouvir uma história. Já coloquei outros livros na lista para "ler" neste formato.rsrs O importante é sempre ler, não importa se em livro físico, e-book ou audiobook. O que não posso é deixar de lado a literatura, que significa tanto na minha vida!

Tive inúmeros problemas com este grande clássico da nossa literatura. O livro me provocou uma confusão de sentimentos e decidi que não faria resenha da história, pois não me sentia preparada para colocar no "papel" tudo o que senti, os momentos de revolta com os personagens e com o próprio autor também... Não queria me desgastar muito emocionalmente, pois já bastava tudo o que passei durante a leitura. 

O que tornou esta história inesquecível para mim foi o seu final. Apesar de todos os altos e baixos ao longo da leitura, o final foi impactante, um verdadeiro soco no estômago da nossa sociedade sempre tão hipócrita. 



*Este tipo de post é dedicado aos livros que li em 2021 e por algum motivo não resenhei.


 

15 de novembro de 2021

Amante do Deserto - Carol Marinelli



Literatura Inglesa
Título Original: Bound by the sultan's baby
Tradutora: Maria Vianna
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 198 (Kindle Unlimited)

33ª leitura de 2021 (25ª resenha do ano)

Sinopse: Uma consequência escandalosa! Uma noite com Gabi não foi o suficiente para satisfazer o sultão Alim al-Lehan, mas ele precisa deixá-la, pois o dever o chama de volta à sua terra natal. Com o passar dos meses, as memórias do caso proibido se tornam impossíveis de ignorar. A única saída é convencer Gabi de que o caso pode continuar nas areias do deserto. Alim não esperava a recusa furiosa dela, ainda mais depois de descobrir que Gabi teve um bebê... o seu bebê! Agora, precisa mantê-la em sua vida, mais do que nunca. Mas ele terá que decidir se aceita as condições de Gabi: o casamento!




Já estamos na metade de novembro... O ano está chegando ao fim... Este está sendo um ano bem difícil para mim e minha família, e para milhões de outras pessoas, claro. Muitas coisas ruins aconteceram... Perdas, doenças... Perdemos um familiar (meu avô materno) em agosto e ainda é muito difícil lidar com essa ausência, com essa tristeza. Minha gatinha que eu cuido como se fosse uma filha, como se tivesse nascido de mim, descobri em fevereiro que sofre de doença renal. Descobri quando ela entrou em crise e parecia que eu iria perdê-la. Foi um golpe muito forte para mim. Mas nós passamos juntas pelo pior e ao longo dos meses ela se manteve estável, com os exames mostrando melhoras... mas agora em novembro seus exames mostraram uma piora, o que me desestabilizou. É como se alguém me sacudisse e eu não parasse de balançar por dentro. Nem sei explicar o que senti ao ver os resultados e o que venho sentindo desde então. Convivo com o medo, com um medo horrível. E, como se não bastasse, o cachorro da minha irmã, que consideramos parte da nossa família também, caiu doente. É como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. 

Encontro refúgio primeiramente em Deus e depois na leitura, que me salvou tantas e tantas vezes ao longo dos meus anos como leitora. Sem os livros eu não poderia escapar da realidade, ter momentos de alívio, de sorrisos, momentos para sonhar acordada e acreditar que tudo vai ficar bem. 

E hoje de madrugada, quando eu não conseguia dormir por nada no mundo, com tantas coisas na cabeça, resolvi que era hora de ler outro livro da Carol Marinelli, já que minha experiência com seus romances foi bem positiva até agora. Em poucas horas devorei o livro, rindo com os personagens, me estressando com algumas situações e relaxando, deixando de pensar na minha vida para pensar na de Alim e Gabi, que em Amante do Deserto vivem um romance proibido. 

Gabi era uma jovem de 24 anos que sempre foi apaixonada por casamentos. Ainda adolescente começou a trabalhar, tendo que largar os estudos para ajudar nas despesas de casa, sendo filha de uma mãe solo que nunca lhe contou quem era o homem que a engravidou e abandonou, e fazendo questão de sempre lembrar a filha de tudo o que teve que sacrificar por ela. Gabi não se ressentia (pelo menos, tentava não se ressentir) e amava demais a mãe, jurando para si mesma que não repetiria a mesma história. Que seria dona de seu próprio negócio, que realizaria os seus sonhos e seria um orgulho para a mãe. 

Conseguiu um emprego com uma importante organizadora de casamentos e seu talento e criatividade a mantiveram empregada, mas também explorada pela chefe que a deixava sozinha para enfrentar as pesadas obrigações de eventos luxuosos e desgastantes para depois ficar com todo o crédito pelo sucesso. Gabi aguentava tudo em silêncio, pois seus sonhos a sustentavam... ainda mais depois de conhecer Alim, ao realizar alguns eventos em seu hotel. 

Ela sabia que pertencia a uma realidade bem diferente da dele. Que só poderia sonhar com seus beijos, com seus abraços, com uma vida ao seu lado. Nunca poderia viver tais momentos. Mas se contentava em vê-lo passar, em cumprimentá-lo, em ouvi-lo falar com ela com gentileza... Até a noite em que ele a tirou para dançar, fazendo questão de dizer o quanto era perigoso e que tudo não passaria de uma noite. Apenas uma noite...

Alim passou dois anos tentando esconder de si mesmo os sentimentos que nutria por Gabi. Jamais poderia ter nada sério com ela, seu destino era se casar com uma mulher de seu país, que conhecesse as tradições, que seguisse as regras do seu povo. Todos os seus casos não duravam mais que uma noite e lutou muito para não cair em tentação e propor um momento com ela... Sabia que ela aceitaria. Percebia seus olhares, que gostava dele... Seria injusto arriscar, mas impossível continuar resistindo. 

Ao viverem uma noite inesquecível, Alim quis refazer os planos. Não suportaria deixá-la ir tão rápido. Queria lhe oferecer um emprego, que ela deixasse a chefe que a explorava e trabalhasse com mais liberdade, que fosse dele por um ano. Depois seguiriam com suas vidas. Cada um para um lado. Mas teriam aquele tempo para se amarem...

Porém, como nem tudo pode ser como desejamos, nem mesmo quando se tem muito dinheiro e poder... A manhã seguinte traz um duro golpe para Alim, que termina com Gabi sem nenhuma explicação e retorna ao seu país, sem saber que os momentos que viveram trariam uma pequena e linda consequência...

Quando Alim ressurge em sua vida, vários meses após partir seu coração de modo tão cruel, Gabi não está disposta a ceder, mesmo que todo o seu ser queira estar em seus braços, ouvir que ele nunca a esqueceu e que poderão formar uma família juntos. Mas a realidade é bem diferente e ela sabe que precisa ser forte para não condenar a si mesma e o seu pequeno bebê a um futuro de sofrimento e humilhações. Mas Alim não está disposto a perdê-la... ainda mais depois de descobrir que se tornou pai. Só não sabe como mantê-la ao seu lado sem violar as leis do seu povo... quando ela jamais seria aprovada como sua esposa e nunca aceitaria ser sua concubina. Dividido entre o dever e o amor, ele precisa fazer uma difícil escolha...

Como bons leitores de romances, acostumados com histórias assim, nós já sabemos qual será a escolha dele, certo?rs O que não significa que o tonto vai decidir rapidamente e o felizes para sempre virá fácil. Nada disso! A autora faz nosso coração sofrer um pouco antes de juntar de uma vez por todas seu casal e em alguns momentos eu senti muita raiva do mocinho e uma vontade de gritar para a mocinha deixar de ser estúpida e se impor! Quando ela finalmente o fez, eu já estava estressada, mas mesmo assim gostei bastante.rsrs E em nenhum momento odiei nenhum dos dois. Senti raiva, como eu disse, mas não ódio.kkkkk

Eu senti raiva do Alim por querer ter a Gabi em sua vida da "sua maneira", sem pensar no quanto aquilo a destruiria com o passar dos anos. Como seria uma vida de vergonha e humilhações não só para ela, mas também para a criança. Isso me provocou uma raiva enorme, pois o amor não combina com tanto egoísmo. Uma pessoa que realmente ama não pensa apenas em si mesmo, em seus desejos, mas também nos sonhos e felicidade da pessoa amada. E ele estava pensando apenas no seu próprio prazer. Teria uma vida pública, ao lado de uma esposa escolhida pelos anciãos e por seu pai (porque pela lei ele não poderia escolher a própria esposa) e Gabi e o bebê seriam seu segredo, jamais reconhecidos, como se não existissem, como se fossem nada para o mundo. Ela seria privada de ter um marido, uma família aos olhos da sociedade e estaria para sempre disponível para ele, como se sequer fosse uma pessoa, um ser humano! Eu senti tanta, mas tanta raiva! Só quando percebi que ele não suportaria fazer isso com ela e nem consigo mesmo foi que minha raiva começou a diminuir. Quando ele se desdobrou para encontrar uma solução que não transformasse aquele amor em dor. Algo que não o fizesse perdê-la para sempre...

Gostei muito desta história! Foi uma ótima escolha e já estou ansiosa para ler o primeiro livro da trilogia (li tudo fora de ordem). Ainda assim reconheço que mesmo sendo muito boa, não é arrebatadora como a história presente no terceiro livro. Sophie e Bastiano... Que saudades desse casal!

O livro faz parte de uma série que não está identificada como série na capa nem nada, mas existem dois livros que têm ligação com ele, cujas histórias acontecem simultaneamente:

Inocente Mistério - Harlequin Paixão 497 (conta a história do Raul e da Lydia)
A Escolha da Paixão - Harlequin Paixão 499 (conta a história do Bastiano e da Sophie)

A ligação com Amante do Deserto se dá porque Raul é amigo/inimigo do Bastiano e vai até o hotel Grande Lucia disposto a comprá-lo apenas para competir com ele. É lá que conhece Lydia, a jovem com quem seu inimigo pretendia se casar. Alim é amigo do Bastiano e Gabi é melhor amiga da Sophie. A história dos três casais começa no hotel Grande Lucia, que pertence ao Alim. 


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