11 de dezembro de 2017

Conto: A Pequena Vendedora de Fósforos - Hans Christian Andersen

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Têm pessoas que temem tanto o inferno... Que dedicam-se a ser religiosas, seguirem as leis das Escrituras para poderem ir para o céu... Teme-se um inferno de fogo, mas, muitas vezes, o inferno se vive aqui. Neste mundo mesmo. 

Então é Natal, não é mesmo? A festa cristã. Uma das minhas datas preferidas. Relembramos o nascimento de Jesus Cristo, do nosso Salvador. Do menino que nasceu humilde, numa manjedoura e nos deu a Maior prova de Amor. Deu a própria vida por nós. É uma data que amo. Mas enquanto escrevo aqui, não consigo parar de chorar. Estou destroçada. Ao ler o conto que estou lhes trazendo hoje, não fazia a menor ideia do que encontraria. E que ele partiria o meu coração assim, em mil pedaços. 

Logo, logo, chegará o novo ano... 2018. Fazemos tantos planos! Será que sermos pessoas melhores está entre eles? Colocamos em nossa listinha de coisas que necessitamos fazer o tópico "ajudar mais o meu próximo", "me importar mais com alguém além de mim?" 

Antes de começar a resenha, deixo aqui o aviso: terá spoiler. Se ainda não leu o conto e tenciona não saber seu desfecho, pare de ler agora!

"Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano. 
Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas."

- O conto nos traz como protagonista uma pequena menina que num frio insuportável, caminhava pelas ruas, sem sequer um calçado. Ela estava com muita fome e tremia. Não tinha agasalho, nada que a protegesse. Era véspera de ano novo e a cidade ainda estava iluminada pelas luzes de Natal. Só que em sua vida não havia luz. Apenas sofrimento. 

"Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão."

Naquele dia, o seu último neste mundo, ela não conseguiu vender um fósforo sequer. Era uma pequena vendedora de fósforos e não desejava retornar para casa, pois sabia o que a aguardava. Não importava que não fosse sua culpa que ninguém tivesse comprado nada. Seu pai a castigaria sem importar-se com o fato de que era ele quem deveria colocar o alimento na mesa e não ela, uma criança apenas, andar pelas ruas contando com a piedade de alguém. Uma piedade que não chegou. 

"O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos."

Sentindo cada vez mais frio e sonhando com a ceia que as famílias daquela cidade estariam fazendo naquela véspera de Ano Novo, a menina sentou-se entre duas casas, tentando encolher-se, tentando fazer o frio passar. Mas aumentava. Cada vez mais. 

Num ato de desespero já, ela resolve acender um dos fósforos que não conseguiu vender. E quando a chama ilumina um pouco a parede perto de onde ela estava, a pequena começa a imaginar... sonhar por alguns instantes. E então acende outro fósforo... até que, num determinado momento, as chamas a fazem ver a única pessoa que um dia a amou. Alguém que partiu. Alguém que lhe fazia falta.

"- Vovó! - exclamou a criança. 
- Oh! leva-me contigo! Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar!"

Ela não podia entender, não percebia... que via a avó porque estava morrendo. Porque o frio e a fome a estavam levando. Então sua avó a busca, a pega em seus braços e a leva embora... para onde não existia mais dor ou fome... ou frio. 

"Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus."

A pequena vendedora de fósforos nada teve da vida. Apenas colheu as consequências de um mundo de misérias, injustiças e falta de humanidade. Deu seu último suspiro sozinha, num canto qualquer da rua enquanto muitas famílias naquele mesmo instante sorriam, se abraçavam e comemoravam a chegada de um novo ano. 

"O sol do novo ano se levantou sobre um pequeno cadáver. 
A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados."

- Doeu em você ler esta resenha? Eu a comecei em lágrimas e ainda não consegui parar de chorar. É só um conto, verdade? Essa menina nunca existiu, é só ficção, não há motivos pra chorar. Pois pense de novo! Enormes são as chances de que o autor tenha se inspirado em alguém, ainda mais em pleno século XIX. Só que se você pensar ainda mais irá perceber que a criança deste conto representa milhares, provavelmente milhões de crianças espalhadas por este mundo. 

Hoje mesmo talvez você tenha esbarrado em uma delas na rua ao ir para o seu trabalho, sua escola, faculdade... Quantas vendendo balas? Quantas te parando num restaurante ou lanchonete, te pedindo para pagar um lanche, pois estão com fome? Quantas crianças nesta vida desejando tão pouco enquanto reclamamos por banalidades! Reclamamos por tudo sempre. Enquanto isso muitas crianças, e adultos também, desejariam apenas ter um prato de comida e uma cama quente para dormir. Um teto. O mínimo possível para viver. Isso seria um sonho para elas. O que a gente dá como certo todos os dias, a comida que jogamos fora, que deixamos estragar, é o que falta a essas pessoas. É algo que elas não têm. 

A Pequena Vendedora de Fósforos não é um conto de fadas. É um conto da vida real. O balde de água fria que muitas vezes necessitamos que seja derramado sobre nossas cabeças, o choque de realidade que precisamos para acordar. 

Mais um Natal se aproxima. Mais do que rezar ou orar, mais do que estar em família celebrando o amor, faça algo por alguém neste Natal! E não só no Natal...

Que todos os pequenos anjos que partiram desta vida estejam descansando nos braços de Deus, é o que eu desejo! Mas desejo ainda mais que o amor seja despertado em nossos corações para que possamos evitar que mais anjos partam prematuramente. Falta demais o amor em nossas vidas, neste mundo. Amar era tudo o que Jesus queria de nós. Só queria que amássemos. Fez tudo por Amor. É hipocrisia celebrarmos o Natal se pensamos apenas em nós mesmos. 

- Recomendo muito que leiam este conto! Que o espalhem por aí, sobretudo nesta época do ano! E que deixem que ele atinja seus corações. 

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

2 comentários:

  1. Olá Luna!

    Conto muito triste mesmo, eu o conheço, o li a alguns anos atrás e tive a mesma reação que você.

    Infelizmente representa a realidade de milhares de crianças e adolescentes espalhados pelo mundo. Essa menina me lembrou de uma criança de rua que estava jogada na calçada perto do metrô, todos que passavam por ela, mal a via.
    É triste!

    Mundo injusto onde uns tem muito e outro não tem nada.

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  2. Olá, Ana!

    Este autor é conhecido como um grande escritor de contos infantis. Mas se pararmos para observar seus contos, vai muito além disso. Era um autor que fazia grandes críticas à sociedade ao escrever. Basta lermos "O Patinho Feio" e "A Pequena Vendedora de Fósforos" para percebermos. Já o admiro muito!

    Sim. É como um vídeo que assisti certa vez, creio que você me enviou. A menina limpa e arrumada era tratada super bem pelas pessoas num restaurante. Agora quando a mesma menina (sem que eles soubessem) entrou suja, parecendo uma pequena moradora de ruas, as pessoas se sentiram incomodadas, chegando ao ponto de pedir que alguém a retirasse do restaurante. Vivemos numa sociedade extremamente egoísta.

    Verdade.

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