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7 de agosto de 2017

Os Elefantes não Esquecem - Agatha Christie

(Título Original: Elephants can remember
Tradutor: Newton Goldman
Editora: Círculo do Livro)

Hercule Poirot parou no alto do penhasco. Neste cenário, uma mulher sofrera um trágico acidente, anos atrás. Algum tempo depois, mais uma tragédia: dois outros corpos foram descobertos - marido e mulher - mortos a tiros. Mas quem matou quem? Teria sido um pacto suicida? Um crime passional? Ou um assassinato a sangue-frio? Poirot embrenha-se no passado e descobre que "antigos pecados deixam marcas profundas".


Palavras de uma leitora... 


- Nossa! Fazia anos que eu não lia nada da Agatha Christie. Estava com saudades, mas, por algum motivo que desconheço, não coloquei suas histórias na minha meta de leituras de 2017. Um equívoco, sem sombra de dúvidas. Até porque tenho vários livros da autora na minha lista de futuras leituras... 

Por causa da Maratona Literária de Inverno, mais especificamente, por conta do Desafio Extra, acabei passando Os Elefantes não Esquecem na frente de diversos livros. E é realmente uma história que vale a pena. Daquelas que lemos de uma tacada só, pois a curiosidade nos faz virar uma página após outra até terminar. 

[...] há um velho ditado que diz que os elefantes não esquecem!"

Ariadne Oliver é uma famosa escritora de romances policiais, que detesta estar rodeada por pessoas, pois sempre é atacada pela timidez e o choque provocado pela maneira exagerada com a qual os fãs a abordam. Ela prefere ambientes sossegados e jamais aceita convites para homenagens ou coisas similares. Mas, surpreendendo a si mesma, resolveu aceitar aquele convite em especial. Algo que acaba por lamentar antes do fim do evento. 

Ela e alguns outros escritores queridos estavam sendo homenageados no evento em questão. Era para tudo correr bem e Ariadne chegou a acreditar, com um pouco de incredulidade, que as coisas terminariam sem nenhum incidente. Mas toda a sua esperança se desfaz quando uma mulher desagradável a aborda, desejando saber se ela possuía a resposta para um antigo crime, aparentemente sem solução. E não era algo que ela tivesse criado num de seus livros, mas sim um crime real, bastante próximo, pois uma das vítimas era uma amiga de infância de cuja filha Ariadne era madrinha. 

Tudo tinha ocorrido cerca de doze anos atrás. Um casal foi encontrado morto à tiros, durante um passeio que faziam com frequência perto de sua propriedade. Após diversas investigações, o caso foi arquivado sem que a polícia obtivesse uma resposta satisfatória. Tudo indicava que se tratava de um pacto de morte ou, talvez, um homicídio seguido de suicídio. Para a maior parte das pessoas, o marido matara a esposa e depois se matara ou vice-versa. 

Com o passar do tempo, as pessoas começaram a esquecer a comoção que a morte daquele casal, aparentemente feliz e que se amava, provocou. E assim os anos se passaram sem que ninguém jamais tivesse procurado reabrir o caso e levantar antigas perguntas sem respostas. 

Todavia, após as desagradáveis perguntas daquela desconhecida, Ariadne percebe que ela própria deseja saber... e para isso contará com a ajuda de Hercule Poirot, a única pessoa capaz de juntar as informações fornecidas pelos elefantes. 

"O certo é que a gente nunca sabe as infelicidades íntimas das pessoas."

- Eu gostei muito da história. Não é a minha preferida da autora nem nada. Na verdade, é inferior aos outros livros que já li da Agatha. Todavia, segue sendo um livro envolvente, que nos prende e que não conseguimos largar enquanto não descobrimos todas as respostas. Eu sou uma pessoa curiosa por natureza, então é claro que não conseguia me concentrar muito em outras coisas, pois desejava voltar para a história e desvendar todos os segredos.rs 

Para mim, foi um tanto óbvio quem tinha causado toda a tragédia. Isso estava bem claro. Quando certas pistas foram dadas antes da primeira metade do livro, eu já formei uma ideia. Não sabia como tinha ocorrido ainda, até que mais informações foram sendo dadas e aí fui montando o quebra-cabeça. Não cheguei a descobrir como se passou o crime central, a morte do casal à tiros, mas solucionei o que veio antes... os "antigos pecados que deixam marcas profundas". Eu sabia do que se tratava. Mesmo assim fiquei perturbada pelos acontecimentos. Uma tragédia que poderia ter sido evitada! Mas quando amamos... muitas vezes acabamos nos esquecendo de nós mesmos. E abrimos mão de tudo, até da vida, por aquele a quem damos o nosso amor. 

Achei interessante a Agatha colocar-se como protagonista da história. É bem fácil perceber que a Ariadne foi inspirada nela própria. Como se ela tivesse se transformado na personagem, numa forma de estar mais próxima dos demais personagens e dos acontecimentos. Isso me divertiu bastante.rs

- Não é um livro arrebatador, mas é um romance policial que vale a pena, que lemos em poucas horas e não abandonamos antes do final. Como eu disse, não é o melhor livro da autora, ainda assim não me arrependi nem por um instante de ler. Foi maravilhoso matar a saudade do Hercule Poirot! :)

Esta seria minha leitura extra para a Maratona Literária de Inverno 2017. Como resolvi fazer faxina na minha estante, não consegui terminar à tempo, mas valeu mesmo assim.rsrs O Desafio Extra consistia em ler: um livro que você cogitou colocar na TBR (pilha de livros a ser lida), mas acabou desistindo ou trocando por outro. Os Elefantes não Esquecem quase ocuparam o lugar do livro do Desafio 1, que era ler um livro com capa azul. Acabei trocando por Nacida Bajo el Signo del Toro, por isso ele tornou-se uma leitura extra.rs

29 de julho de 2015

Um Gato entre os Pombos - Agatha Christie



Na distante Ramat, no Oriente Médio, um príncipe tenta manter a salvo suas joias enviando-as para a Inglaterra. Mas antes que elas cheguem a seu destino, algo inesperado acontece. 

Na tradicional escola para meninas Meadowbank, um assassino está aterrorizando alunas e professoras, que não sabem quem será a próxima vítima. Em um primeiro momento, essas histórias parecem não ter nenhuma relação. Mas para Hercule Poirot, o brilhante detetive criado por Agatha Christie, nenhuma informação pode ser deixada de lado quando se quer descobrir quem é o gato entre os pombos.


Palavras de uma leitora...


"Nada faria supor que dentro de poucas semanas Meadowbank estaria mergulhado num mar de problemas; que desordem, confusão e assassinato reinariam ali, e que certos acontecimentos já estavam se desenrolando."

- No início de um novo semestre num colégio de enorme prestígio, no qual era uma verdadeira honra para qualquer aluna estudar (já que só eram aceitas as melhores), o assassinato misterioso de uma das novas professoras provoca pânico nas outras professoras, alunas e pais e ameaça seriamente a reputação do colégio. O que levaria uma professora a ser assassinada nas dependências do colégio e justamente no novo pavilhão de esportes? Teria o crime sido cometido por algum delinquente juvenil? Ou por alguém acima de qualquer suspeita... alguém de dentro do colégio? O mistério só aumenta quando outro assassinato é cometido no mesmo lugar e uma das alunas é raptada... É aí que Hercule Poirot entra em cena para juntar todas as peças e solucionar esses crimes. 

- Costumo adorar os livros da Agatha Christie, que são quase sempre fascinantes, impossíveis de largar antes do final. Começamos a lê-los e esquecemos do mundo. Só que com Um Gato entre os Pombos não foi assim. A história é boa, mas muito previsível. Tudo que acontece na história era esperado e não foi nada complicado descobrir quem era o assassino. Além disso, a maior parte dos personagens são vazios, não despertando nossa simpatia, tornando suas participações quase desnecessárias. De interessantes mesmo só existem dois personagens: a única aluna inteligente da escola e Hercule Poirot, claro.rs Mas nem mesmo quando um dos meus detetives preferidos de todos os tempos entra em cena, a história melhora. Por esse motivo, considero um livro que eu bem poderia ter passado sem ler. 

- Não recomendo o livro, pois a autora possui várias outras histórias maravilhosas, que valem cada segundo de leitura, como Assassinato no Expresso do Oriente, O Natal de Poirot, Os Crimes ABC, O Misterioso Caso de Styles... 

5 de setembro de 2013

Escrito nas Estrelas - Sidney Sheldon


Lara Cameron é uma mulher moderna e visionária que trabalhou durante toda sua vida para erguer a Cameron Enterprises, um império no ramo imobiliário. Usando sua grande inteligência e a capacidade de identificar as pessoas certas para ajudá-la a superar cada obstáculo, ela se tornou uma rainha em um universo tradicionalmente dominado por homens. Entretanto, alguém insatisfeito com o seu sucesso planeja uma vingança. Laura oculta um passado sombrio e repleto de monstros que ameaçam retornar e destruir tudo o que construiu. Marcado pelo estilo inigualável de Sidney Sheldon, "Escrito Nas Estrelas" é um suspense eletrizante.


Palavras de uma leitora...


"É o Destino, refletiu Lara. Não se pode lutar contra o Destino."


Existe realmente a possibilidade do Destino se virar contra alguém e destruí-lo? Existe realmente Destino? Nossa história já está escrita? E se sim, existirá a possibilidade de lutar contra o Destino e escrever uma nova história?

James Cameron diria que não. Para ele não existia forma de ir contra um destino cruel e vingativo. Seus pais eram muito pobres e aos 14 anos ele teve que trabalhar numa mina para ajudar com as despesas, mas ao sofrer uma lesão nas costas ficou impossibilitado de continuar trabalhando lá. Aos 16 anos, perdeu os pais num desastre de trem, passando a crer, assim, que por algum motivo desconhecido, o Destino o odiava e queria arruiná-lo. só que ele não desistiu logo de cara. Usando sua beleza e charme, casou-se com uma rica herdeira, acreditando que assim mudaria sua história. Só que depois de fazer um investimento estúpido fez com que o sogro o desprezasse e não lhes desse mais nenhum centavo. James então desistiu de lutar e passou a encontrar satisfação em seu fracasso, desperdiçando qualquer oportunidade de melhorar de vida. Vivia embriagado e deixava todo e qualquer trabalho nas costas da esposa. Quando ela engravidou, James se recusou a gastar qualquer dinheiro com um médico e ela não recebeu nenhum auxílio durante a gravidez. Ao dar à luz, enfrentou sérias complicações e acabou não resistindo. Deu à lus a gêmeos, mas o menino também faleceu, restando apenas uma garotinha que ninguém sabia se sobreviveria e que o pai desejava com todas as forças que morresse. James recusou-se até mesmo a dar um nome à criança e foi a ama-de-leite quem escolheu seu nome. Assim, ela foi batizada como Lara Cameron. 

Aquela pobre neném, que não sabia o quanto era desprezada, sequer poderia imaginar todo sofrimento e decepção que passaria na vida. Nem as marcas que seu pai deixaria em seu coração. E ela também não poderia imaginar que era forte. Forte o suficiente para superar qualquer coisa. E encontrar em seu caminho pessoas capazes de amá-la e lhe estender a mão. Não podia imaginar que a ajuda, a maior ajuda, pode vir de quem menos se espera. Mas o mesmo ocorre com o pior golpe: pode vir de quem menos esperamos...


"Quando o Destino está contra a gente, nada de bom pode acontecer."

- A história começa de uma forma muito perturbadora, quando Lara está completando 40 anos de vida. É um início que nos angustia e nos faz imaginar o que levou Lara àquela situação. O que deu errado? Que tipo de mulher ela era para provocar tamanha situação? E aí, Lara nos leva de volta ao passado e chegamos à sua infância, conhecendo-a profundamente e ainda assim, não totalmente. Acho que nunca serei capaz de conhecer totalmente a Lara. Ela sempre ocultará uma parte de si. Mas o que importa é que conheço o suficiente para saber que ela é uma pessoa incrível, com a coragem, a determinação e a capacidade de dar a volta por cima, marcas registradas das mocinhas do Sidney Sheldon. Lara é uma mulher que começou do nada, suportando humilhações, se sujeitando à coisas nojentas e recebendo golpes insuportáveis. Uma mulher que conseguiu vencer num mundo de homens, que conseguiu criar um espaço para si mesma e ainda assim, continuou sendo a mesma garotinha de antes. A garotinha que fazia com que as pessoas a amassem e quisessem ajudá-la, quando seu próprio pai desejava que ela tivesse morrido ao nascer. Que desejava que ela sequer tivesse nascido. Existia algo em Lara, algo além de sua beleza, que fazia com que os outros quisessem lhe dar uma chance e foi graças a um homem que se hospedava na pensão que seu pai dirigia, que ela entrou para a escola. Foi com outro hóspede de lá que ela aprendeu coisas valiosas, que lhe fariam brilhar no futuro. Foi graças às pessoas que a viram crescer, que ela não tinha falhado em sua primeira tentativa de ter algo seu. Algo construído por ela. Nada dado pelos outros. Nada que os outros não queriam mais e lhe davam por caridade. Não. Aquela seria sua criação. Algo para o que ela estaria dando vida. Algo completamente seu. 

" - O que me incomoda, srta. Cameron, é que não consigo definir quem é. Quando interrogo duas pessoas a seu respeito, obtenho três opiniões."

- Durante vários momentos da leitura, me peguei sorrindo ao ver Lara imaginando um prédio em determinado lugar, um hotel em outro, um shopping ali, outro edifício aqui. O entusiasmo dela, seu olhar, seu sorriso, a empolgação, me faziam lembrar do meu amor pelos livros. Para ela, aquelas criações não eram somente fonte de dinheiro. Eram muito mais do que isso. Eram sua vida. Uma parte dela. Uma parte do seu coração, da sua alma. Eu ficava fascinada vendo-a se dedicar a cada projeto e muitas vezes ter vários projetos ao mesmo tempo. Todo mundo tem um motivo para viver e o motivo da Lara eram suas criações. Era imaginar as pessoas vivendo, confortáveis, em determinado prédio, tendo algo que ela não teve quando criança. Ela conseguia visualizar pessoas felizes vivendo em suas criações, antes mesmo que o projeto estivesse no papel. Ela respirava cada uma das suas obras. E cada vez que um prédio seu ficava pronto e era inaugurado era como se uma parte que lhe faltava tivesse sido encaixada no lugar certo, era como se um vazio tivesse sido preenchido. Mas o que me entristecia era que, mesmo com o passar de vários anos, ela nunca esqueceu o pai. Não que ela lembrasse dele com amor. De modo algum. Ele conseguiu matar, de forma bem lenta e dolorosa, todo e qualquer amor que ela sentia por ele. Ela não lembrava dele com amor. Simplesmente lembrava de cada palavra amarga e cruel que ele lhe disse na vida, cada vez que tentou jogá-la no chão, fazê-la desistir. Cada vez que ele disse que ela nunca chegaria a lugar algum. Toda vez que Lara pensava nele, eu ficava triste por ela. Porque apesar de todo o sucesso, ela ainda possuía marcas profundas e dolorosas. Não conseguia se livrar delas. 

"Lara erguera um muro protetor ao seu redor. Ninguém jamais vai me magoar de novo, jurou ela. Absolutamente ninguém."

- Todo muro pode ser derrubado e com o muro protetor que Lara ergueu ao seu redor, não era diferente. Apesar de todas as tentativas para se proteger, para proteger o seu coração de uma dor já suportada no passado, Lara perceberá que ainda é capaz de amar. De se entregar de corpo e alma ao amor. De esquecer tudo por uma pessoa. De abrir mão de muita coisa por uma pessoa. Ela conhecerá esse sentimento tão lindo e tão doloroso como o amor. Mas também pagará muito caro por isso...

- Eu estou aqui, tentando me controlar ao máximo.rsrs... Sem saber exatamente o que dizer, pois não quero revelar segredos da história ou contar muito sobre a vida da Lara. Parece que qualquer coisa que eu vá dizer será demais e não quero de modo algum falar demais.kkkk... Eu amei essa história. Amei cada instante que passei com esse livro, conhecendo a Lara, me apegando àquela garotinha sem mãe, sem amor. A garotinha que tentava fazer de tudo para agradar ao pai, mas que percebeu, ainda muito nova, que o melhor era não demonstrar seus sentimentos. Que o melhor era escondê-los para não sofrer. Uma criança que cresce temendo demonstrar verdadeiro afeto por qualquer pessoa, que se vê sozinha no mundo ainda muito jovem, mas tem dentro de si uma força e uma vontade de viver impressionantes. Desde o início torcemos por ela, desejando que toda humilhação, que todo esforço e toda esperança não sejam em vão. Que o início da história não signifique o que parece. É muito fácil gostar da Lara, é muito fácil sofrer com e por ela. É muito fácil desejar que ela encontre o amor, que seu vazio seja preenchido por um homem que a ame e não por prédios frios e incapazes de retribuir os seus sentimentos. Mas ao mesmo tempo que desejamos que a Lara encontre o amor, tememos que esse sentimento possa colocar tudo que ela tanto lutou para construir, à perder. E quando Lara finalmente encontra o amor, não tememos só por isso... passamos a temer também pela vida dela. Afinal de contas, ela estava brincando com o perigo. E o risco de sair muito ferida (ou coisa pior) é enorme...

- Como eu disse, não quero falar demais. Só posso dizer que adorei ler essa história, mesmo achando que o final dela poderia ser mais elaborado, mais profundo. Não foi um final ruim, mas muita coisa ainda poderia ter sido escrita e não foi. Terminou de forma muito rápida e certas coisas não foram contadas. Mas já estou até acostumada com esse tipo de coisa. O SS adorava terminar suas histórias de forma abrupta, deixando em nossa boca um gostinho de quero mais.rsrs... Fazendo a gente desejar mais e mais. É algo muito frustrante.kkkkkk... Mas uma outra coisa que me entristeceu nessa história foi um choque que levei no final. Aquilo nunca tinha passado pela minha cabeça e o golpe foi bem doloroso.... No final, era como se uma fita contando toda a história se passasse pela minha cabeça. Me mostrando cada instante, como tudo começou e como tinha terminado para certas personagens... Eu fiquei feliz, mas também fiquei bem triste com o final. Mesmo assim, valeu muito a pena ler esse livro. :)


"Lembre-se apenas de que, no final, os mocinhos sempre vencem.
E Lara se perguntou: Sou uma mocinha?"

7 de julho de 2013

Um Estranho no Espelho - Sidney Sheldon


(Título Original: A Stranger in the Mirror
Tradutora: Ana Lúcia Deiró Cardoso
Editora: Círculo do Livro
Edição de: 1976)


Hollywood, a grande fábrica de ilusões. É na capital mundial do cinema que o jovem comediante Toby Temple fez de tudo para conseguir colocar seu nome no lugar mais alto dos letreiros luminosos. Uma posição que não se alcança apenas com talento, mas à custa de muito trabalho sujo, sexo por interesse e intrigas nos bastidores. Bem-sucedido, mas solitário, ele se apaixona por Jill Castle, uma candidata a estrela que se submetia aos desejos mais pervertidos dos produtores em troca de pequenos papéis. Um segredo que Toby ignora, e que ameaça a sua sonhada felicidade.
(Sinopse retirada do site Saraiva.)


Palavras de uma leitora...


- Sim. Estou num período Sidney Sheldon. Matando a saudade.rsrs... Mas penso que depois desse, darei um tempo. SS direto não é saudável. Muita angústia, nervos à flor da pele, são prejudiciais quando em excesso. E a Jill me provocou tamanha raiva que eu desejei atacar o livro pela janela ou dá-lo para os meus gatos comerem. Não fiz isso por dois motivos: o primeiro (e principal) é que o SS é o MEU autor. E nunca destruiria um livro dele. O segundo motivo é que eu acho pecado, um crime imperdoável, a destruição de um livro, de uma história. Sendo assim, meus gatos ficaram só na vontade. Tenho certeza de que o Alejandro, principalmente, teria transformado o livro num banquete. Ele considera meus livros seus inimigos mortais. Os odeia profundamente.rsrsrs...

Mas vamos falar da história agora. E caso estejam se perguntando se haverá spoiler, a resposta é... SIM!!! Não quer spoiler? Fuja correndo dessa resenha!rsrs... É que simplesmente preciso muito desabafar. E me controlar é impossível. É algo que independe da minha vontade, compreendem? Lo siento! :)

Valerá a pena se apaixonar? Ou, às vezes, o melhor que podemos fazer é fechar nosso coração para qualquer tipo de amor? Penso que... às vezes... amar é algo venenoso. Que nos mata por dentro, lentamente... Ou nos destrói antes que possamos saber de onde partiu o golpe.

Frida estava apaixonada. Queria muito que seu pai aceitasse o pedido de casamento que Paul havia feito. Mas ela sequer precisaria ter se preocupado já que o pai dela desejava livrar-se de sua presença fazia já bastante tempo. Ele nem pensou duas vezes. Entregou sua filha para o jovem aprendiz de açougueiro e ainda aumentou o dote, pois assim o jovem casal deixaria a Alemanha para ir viver na América e ele, ficaria livre da filha para sempre, que é o que realmente queria. 

Frida casou-se com Paul cheia de sonhos, acreditando ser amada pelo marido. Mas não demorou muito para ela cair na real. Na noite de núpcias Paul já mostrou o quanto a "amava" e com o tempo a menina amorosa e sonhadora acabou por se transformar numa mulher amargurada e controladora. Cansada de ver o marido destruindo o seu dote e sua paz de espírito, Frida resolve assumir as rédeas da situação. Com o sucesso na área financeira ela passou a controlar tudo e todos à sua volta. E percebeu que precisava de um novo projeto: um filho. Ela engravidou e teve um menino, que era exatamente o que desejava. Toby Temple seria o que ela não conseguiu ser, realizaria os sonhos dela e a levaria para uma vida de fama e fortuna. Ela não sabia como... só o que sabia era que seu filho havia nascido para brilhar e fazê-la brilhar. Era destino.

Toby cresceu com essa certeza, sabendo que seria uma pessoa muito importante e não demorou muito para que todos descobrissem como. Além do rosto de anjo, Toby possuía o dom de fazer as pessoas rirem até não aguentarem mais. Ele podia contar a piada mais ridícula ou mais ofensiva do mundo, ainda assim fazia as pessoas se acabarem de rir. E conforme foi crescendo mais talentoso foi ficando. Inclusive entre as garotas que o adoravam e se entregavam sem reservas. Fossem solteiras ou... não. E com isso a fama de Toby entre os lençóis também cresceu. Ao ponto de uma jovem tímida e cristã também desejar... "experimentá-lo". Só que essa não teve a sorte (ou inteligência) de sair ilesa. Acabou engravidando e metendo os dois em sérios problemas. O pai da jovem, indignado e furioso, queria metê-lo na cadeia, pois a idade da garota transformava aquela relação em algo proibido e Toby podia ser preso como estuprador. Não importava se ela quis, implorou ou pediu por mais. Só que se ele se casasse com a menina, o pai perdoaria sua "ofensa". Toby, amedrontado, aceitou. Odiava a ideia de ter que se prender a alguém e jogar todos os seus sonhos fora. Mas ele nem deveria ter se preocupado. Sua mãe jamais permitiria que seu filhinho querido caísse numa "armadilha" (pois é claro que ele não tinha nada a ver com aquela gravidez. Somente o... "amigo" dele) e já tinha arranjado o jeito perfeito de fazer aquilo não acontecer. 

Assim que chegaram em casa, Frida começou a arrumar as coisas do filho. Toby iria embora. Para Hollywood. Estava na hora de Deus cumprir a promessa que lhe havia feito. 

Josephine Czinski parecia ter sido amaldiçoada antes mesmo de nascer. Havia perdido o pai no dia do seu nascimento e ela própria quase morrera, presa ao útero da mãe. Havia ficado por tempo demais sem oxigenação no cérebro e o médico quase a declarara morta, mas no último instante seu coração voltou a bater. Uns diriam que ela sobrevivera por um milagre. Outros diriam que foi graças ao demônio. Sua mãe pertencia ao segundo grupo. 

Desde pequena Josephine era atormentada por dores de cabeça terríveis, dores essas que a faziam sentir vontade de bater com a cabeça em algo. Dores que faziam sua mãe acreditar que a filha estava sendo castigada por Deus por ser má, perversa, pois nenhum exame acusava nada. Todos davam o mesmo resultado: normal. Sendo assim, além das dores infernais, que a impediam de dormir e a faziam gritar, Josephine ainda foi obrigada a suportar o fanatismo religioso da mãe, que a obrigava a assistir cultos aterrorizantes onde as pessoas diziam coisas horríveis e faziam coisas horríveis, em nome de Deus, é claro. Segundo eles. 

Os de fora, diriam que ela teve uma infância normal. Mas somente ela sabia o sofrimento que suportava desde bebê. E ainda por cima existiam as famílias do petróleo. As famílias ricas para as quais a mãe dela trabalhava. A beleza da pequena criança havia feito as mães do petróleo resolverem permitir que a menina convivesse com seus filhos, participasse das festas deles e até comemorasse os aniversários com eles. A menina vivia em dois mundos totalmente diferentes e tudo aquilo era demais para sua cabeça. Era como se ela possuísse duas vidas, fosse duas pessoas diferentes. 

Mesmo sendo levada para o mundo das famílias ricas, ninguém nunca permitia que ela se esquecesse de sua origem. Se esquecesse que só estava ali por caridade. Permitiam que ela participasse até mesmo dos concursos de beleza, pagavam para ela participar, mas nunca permitiam que ela ganhasse, mesmo que ela fosse a menina mais linda da região. Era sempre a filha de alguém importante que ganhava. Nunca ela. Os mesmos amigos que brincaram com ela quando criança, foram aqueles que lhe viraram as costas quando a menina foi ficando mais e mais bela. Aquilo era uma afronta, uma ofensa terrível e ela acabou por se excluída definitivamente do mundo deles... ou não. Não podemos esquecer de David Kenyon. 

David havia ido estudar fora e quando finalmente voltou, Josephine já estava com 17 anos. Nessa época, ela trabalhava como garçonete e ansiava por uma vida diferente, longe daquele lugar, longe das privações e da mãe fanática. Isso tudo até David voltar. Ela já se sentia atraída por ele no passado, mas quando o reviu... aqueles sentimentos se intensificaram ao ponto de ela só pensar nele. Entre os dois surgiu um sentimento muito bonito e forte. David não se importava com a situação financeira de Josephine nem com o fato dela ser uma simples garçonete. Ele a amava e queria se casar com ela. Só que as coisas nem sempre são como a gente quer.

A influência de outras pessoas, de pessoas muito poderosas e manipuladoras, faz com que o jovem casal se separe e David se case com uma outra menina. Alguém que "combinava" mais com ele. Josephine, destroçada por dentro e sentindo novamente as dores que sempre a perseguiam, vai embora da cidade. Disposta a não voltar nunca mais. Tudo que ela queria era uma nova vida. Um reconheço. Longe de quem um dia ela tinha sido. Ao partir, ela assume uma nova identidade. Jill Castle. Uma jovem que via em Hollywood a sua chance de brilhar. Mas... será que ela realizará os seus sonhos? Conseguirá realmente brilhar? Se sim... qual será o preço? Ela estaria disposta a fazer qualquer coisa (até mesmo vender sua alma ao diabo) para conseguir o que queria? E a pagar qualquer preço? Nunca podemos esquecer que... o preço pode ser alto demais. E as consequências... terríveis. 

É em Hollywood que os caminhos de Toby Temple e Jill Castle se cruzarão. De uma forma que mudará para sempre a vida deles dois... 

- O quê???????!!! Cadê o spoiler???????!!! rsrs... Eu contei muita coisa, não contei?!rsrs... Só que achei que não teria muita graça contar tudo. Existem coisas que são necessárias descobrir lendo. E hoje não estou com vontade de ser uma completa estraga-prazeres.rsrsrs...

"Era uma grande história de amor, mas era muito mais do que isso: continha todos os elementos do drama e da tragédia clássica gregos."

- Eu gostaria de comentar sobre muitas coisas, mas para isso teria que revelar mais do que o necessário, por isso... Falarei somente o necessário.rsrs...

- Durante boa parte do livro eu desprezei Toby Temple. Pelo filho que ele deixou para trás e jamais procurou saber se estava vivo ou morto, passando fome ou não. Pela forma como ele chegou aonde chegou, a quantidade de pessoas que ele manipulou em sua vida e a forma como sabia ser cruel. Ele era um filho da pontualidade. Não valia um centavo. E não. Suas piadas não me divertiam nem um pouco. Não sei o que tanto as pessoas viam de engraçado nelas. Eu não enxergava a graça. E quando ele zombava ou manipulava as pessoas que tinham lhe estendido as mãos, que gostavam verdadeiramente dele, eu tinha vontade de surrá-lo. Como ele era arrogante e cretino! E não se importava com ninguém além dele próprio. Mas as coisas começaram a mudar... no momento em que Jill apareceu em sua vida. 

- E o que eu penso da Jill? Também a desprezei? Vamos começar falando da Josephine. Eu admirava aquela garotinha. Tão inocente e corajosa, suportando bravamente as dores torturantes, sonhando com uma vida melhor. Ela era uma princesa que não merecia a quantidade de sofrimento que suportava. E muito menos a traição do homem no qual confiou. Eu queria proteger aquela criança, salvá-la da mãe louca, daqueles cultos terríveis, daquelas famílias que a viam como um bichinho de estimação que tiravam de suas vistas quando se cansavam, da traição do David. Eu ainda a via como a criança assustada que não tinha ninguém que realmente se importasse com ela. E durante muito tempo eu me preocupei com a Jill e torci por ela (lembram de A Senhora do Jogo? Sim. O mesmo tipo de decepção), desejei vê-la vencer, vê-la ser feliz. Até mesmo quando ela fez coisas degradantes eu ainda acreditava que ali, em algum lugar, a Josephine ainda existia e que em algum momento ela apareceria. Mas ela não apareceu. Nunca. E respondendo a pergunta inicial: sim. Eu desprezei a Jill. E jamais a perdoarei por ter matado a Josephine. 

- Apesar da quantidade de coisas que me deixaram angustiada e arrasada, é uma história que vale a pena ser lida. Talvez não para todos, mas quem é fã do SS talvez goste da história. Eu gostei bastante, pois como todo livro do meu autor, esse também é bem escrito e viciante. Não conseguimos abandonar a história enquanto não chegamos ao seu final. Quanto mais lemos mais queremos ler.

"Numa mesa de cozinha com tampo de mármore, estava um lindo bolo de casamento de seis camadas, e no topo delicados bonequinhos feitos de açúcar, representando um noivo e uma noiva.
Alguém tinha esmagado a cabeça da noiva.

'Foi naquele momento', Dessard costumava dizer aos clientes, no seu bistro, 'que eu soube com certeza que alguma coisa terrível estava para acontecer."

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