Mostrando postagens com marcador Casamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Casamento. Mostrar todas as postagens

26 de novembro de 2020

Legado de Lágrimas - Lynne Graham


Literatura Irlandesa 
Título Original: Claimed for the Leonelli Legacy
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 125 (e-book)

67ª leitura de 2020 (58ª resenha do ano)

Sinopse: Una chica inocente… Tia Grayson no había salido nunca del convento brasileño en el que vivía, hasta que Max Leonelli fue a buscarla con la sorprendente noticia de que era la heredera de una gran fortuna en Inglaterra, y la hizo arder de deseo con tan solo tocarla.


Un multimillonario… El abuelo de Tia quería casar a su protegida con su heredero, pero Max no era de los que se casaban. Hasta que la belleza de Tia hizo que reconsiderase su decisión.

¿Y un bebé? Max debía llevar a Tia a casa, pero la atracción era tan fuerte entre ambos que no pudieron resistirse a una noche de placer. La posibilidad de que esa noche hubiese tenido consecuencias dio a Max la oportunidad perfecta de convencer a Tia de que se casase con él.



Não sei se rio ou choro, sinceramente!rs Creio que não foi lá uma boa ideia ter apostado nesta história... 

Ao longo dos meus anos como leitora, li todos os livros da Lynne Graham já publicados no Brasil (o que é muita, muita coisa!!!) e até mesmo alguns que não chegaram aqui. É uma das minhas autoras preferidas, mas seus livros, para quem bem os conhece, não são fáceis. O machismo reina na maioria das obras e a vontade que sentimos é de esganar os mocinhos, bem como certos parentes das mocinhas. Existem ocasiões em que desejamos esganar as mocinhas também por serem tão tapadas, tão imbecis ao permitirem que os outros façam delas o que bem quiserem. 

E por que amo tanto a autora se existem tantas coisas que me incomodam em suas obras?! Talvez por loucura, masoquismo ou algo do gênero.rsrs A verdade é que ela escreve muitíssimo bem e é uma daquelas escritoras que mexem bastante com nossas emoções durante a leitura ao ponto de, querendo ou não, "viciarmos" em suas obras.rs E do mesmo jeito que sabe criar ogros, ela também, QUANDO QUER, cria mocinhos maravilhosos, que nos chocam por serem tão diferentes do "padrão" de "mocinhos-vilões" da autora. 

Mas... Creio que alguma coisa mudou em mim. Antes, ao ler romances, eu conseguia separar ficção da realidade com uma facilidade enorme. Por mais que desprezasse certas atitudes dos personagens (não só os da autora, mas de livros de outros autores também) e dissesse isso com todas as letras nas resenhas (explodindo com frequência e até exagerando na minha fúria ao escrever), eu era capaz de separar. De não trazer com frequência para a realidade situações que algumas vezes "funcionam" na ficção, mas que jamais poderiam ser aceitáveis na vida real. Sempre considerei que o leitor tem que saber separar as coisas, quando isso é possível, quando não é um exercício intolerável para a experiêcia de leitura. 

Acontece que existem coisas que não dá mais para separar. E, infelizmente, isso atinge as obras da Lynne Graham, autora por quem sempre terei um carinho enorme. A vida inteira a amarei, porque ela escreve muito bem, me envolve, mexe com minhas emoções, me faz "enxergar" seus personagens e me conectar com eles mesmo em histórias que possuem menos de duzentas páginas. Só que... Não consigo mais tolerar atitudes machistas de seus personagens sendo consideradas "normais" e sendo sempre as mocinhas aquelas que precisam ceder para "serem felizes para sempre". 

São elas que precisam recuar, compreender, desistir de seus sonhos... tudo para satisfazer o machismo dos mocinhos que amam, tudo em nome da felicidade. Quando começamos a notar isso (pois existem vezes que ficamos tão envolvidas pelo "romance" que nem percebemos os absurdos das histórias) a leitura deixa de ser algo prazeroso, o romance deixa de nos fascinar... Eu, pelo menos, passo a me sentir "sufocada" ao notar a quantidade de opressão que as mocinhas suportam e aceitam como se só aceitando pudessem ser felizes. E é exatamente isso que encontramos em Legado de Lágrimas, livro que até onde eu sei ainda não foi publicado no Brasil. Ele está disponível em espanhol na Amazon, no formato e-book. 

Esta resenha terá SPOILER. A partir de agora!
.
.
.

Em Legado de Lágrimas temos a história de Constancia (Tia) Grayson, uma jovem de vinte e dois anos que passou a vida inteira trancada num convento e que mesmo depois de adulta permanece sob a proteção de seus muros, pois não conhece outra realidade de vida, não possui recursos ou apoio para sair dali e realizar o sonho de ser professora, de fazer uma graduação e conquistar a independência que tanto desejava. 

Abandonada pela mãe ainda pequena, teve o azar de ser criada por um pai extremamente machista e insensível que quis ser missionário e "ajudar os outros", enquanto deixava a filha na segurança do convento, de onde não queria que ela saísse jamais. Seu objetivo era que a filha se tornasse freira, que se mantivesse pura para sempre, tivesse ou não vocação. Os sonhos dela não lhe importavam. Ela como ser humano não lhe interessava de modo algum.

Todavia, para mudar o destino da protagonista, existia um avô paterno que por mais de duas décadas fingiu que ela não existia, mas que ao se ver com pouco tempo de vida "se lembra" da existência dela e decide mandar que a procurem e a levem para morar com ele, com a promessa de que ela herdaria toda sua fortuna, o que era seu direito como única parente viva (o pai da mocinha tinha falecido). Ele, então, pede que seja Max, seu braço direito nos negócios, quem busque Tia e de preferência dê um jeito de convencê-la rapidamente a se casar com ele, pois como ela era uma mulher e que ainda por cima passou a vida inteira trancada, os negócios estariam ameaçados se ela herdasse tudo sem ser casada, sem ter alguém que cuidasse dela e de seus bens. 

Max Leonelli era um homem de vinte e oito anos com um passado traumático e que aos doze ou treze anos de idade foi adotado pela tia materna, após um acontecimento brutal, e passou a morar na propriedade do avô de Tia. Embora não morasse na casa principal, mas sim no alojamento dos funcionários, Andrew pagou pelos seus estudos e mesmo depois de adulto e de conquistar sua própria fortuna com muito esforço e sacrifícios, ele continuava a se sentir em dívida com aquele homem, o que será seu principal motivo para ceder quando Andrew pede que ele venha até o Brasil (onde ficava o convento em que Tia estava) para buscar sua neta. 

Ao se conhecerem, Tia e Max sentem atração à primeira vista. Ela nunca tinha tido contato com rapazes de sua idade, muito menos com um homem tão lindo e confiante, tão dono de si e que parecia dominar qualquer ambiente no qual estivesse. Era tudo uma novidade para ela e foi natural ceder à atração que ele despertou. Max, por sua vez, fica fascinado por conta da imensa beleza da mocinha. Em questão de poucas horas estão envolvidos e em poucos dias já são marido e mulher e de viagem marcada para a Inglaterra, onde a nova fase da vida da mocinha terá início... Tudo da maneira mais rápida... Como se estivessem na Fórmula 1. 

Vou desconsiderar o pai da mocinha, que é o machista mais óbvio do livro e que, felizmente, não precisamos aguentar, pois quando a história começa ele já está descansando em paz. Não falarei dele, pois pelo que mencionei acima já dá para perceber o caráter da criatura que a Tia teve o azar de ter como pai. 

O livro já começa nos provocando asco com a conversa entre Andrew (avô da protagonista) e o Max, quando dá para notar que o único interesse do "zeloso" avô pela neta há tanto tempo esquecida, é a questão do sangue, de querer que alguém do seu sangue fique com o império que ele construiu. Ele não a vê como um ser humano capaz, alguém que possa aprender a administrar o que vai herdar nem nada. Na verdade, ele nem quer isso, pois ela é mulher. Ele quer que o Max a seduza e se case com ela, o que seria fácil (ele dá a entender), pois a jovem cresceu no convento, enquanto Max tinha bastante experiência. Assim, através do casamento, sua neta seria "protegida" do mundo e seus bens estariam sob o controle de Max. Mas até aí, em nossa ingenuidade como leitores, nós acreditamos que Tia realmente vai herdar o que é seu direito, por mais que o avô fizesse aquele acordo nojento com o mocinho. Só que... na leitura do testamento percebemos até onde aquele avô era capaz de ir em seu comportamento repugnante. 

Sim, já adianto que ele não deixará praticamente nada para a neta, apenas uma de suas casas e o dinheiro suficiente para a manutenção da referida propriedade. Casa esta que ela sequer poderá vender, pois deverá ficar para os seus filhos. Todos os demais bens ficam para o Max, numa clara tentativa de manter a mocinha constantemente sob o controle de um homem: primeiro do pai, depois do avô e por último do Max. Ela não teria nada que o Max não quisesse, exceto a casa, claro! E mesmo que ocorresse um divórcio, o testamento autorizava que o Max decidisse o que ela teria ou não após a separação. Tudo estaria nas mãos dele, pois Tia tinha sido entregue aos seus cuidados. 

Mas voltemos ao casamento relâmpago e a desistência, por parte da mocinha, dos seus sonhos, que não incluíam casamento e maternidade. Pelo menos num futuro próximo. A autora deixa claro que Tia queria independência, queria experimentar a liberdade que nunca teve. Que não pensava em se casar e nem ter filhos tão cedo. Mas aí o mocinho a seduz e "esquece" de usar preservativo. Ele nunca antes na vida tinha esquecido, nem mesmo quando adolescente!!! Mas aí com a mocinha ele teve amnésia, se esqueceu, coitadinho, de usar camisinha. Não foi sua culpa, claro que não! E aí imediatamente ele DECIDE que eles têm que se casar, e bem rápido, pois a mocinha pode ter ficado grávida. E aí não podemos esquecer que a garota em questão, apesar de ter vinte e dois anos, não conhecia nada da vida. Obviamente ela não usava anticoncepcional e se viu diante de uma situação que com certeza a assustou, que era a possibilidade de ficar grávida e sozinha no mundo se não aceitasse a "generosa" oferta de casamento. Claro que ela não pensou em contraceptivo de emergência (a chamada pílula do dia seguinte), pois nunca sequer tinha ouvido falar disso. Ou seja, tudo cooperava para o bem do mocinho.

Tia não fica animada com a ideia de casamento e gravidez, pois isso ia contra o que ela sonhava para sua vida naquele momento, ainda mais considerando que seria um casamento com um desconhecido. O que ela sabia do Max? Nada. Mas ela acaba se casando, com medo de ficar sozinha com um bebê. Ela até sugere que eles esperem um tempo, para ver se ela realmente ficou grávida, e assim talvez fosse desnecessário se casar. Mas o Max vem com a desculpa que seria uma DECEPÇÃO para o avô dela se eles tivessem que se casar quando todos pudessem fazer as contas e perceber que ela engravidou antes do casamento. Mocinha criada no convento, lembram? Religião, costumes, tudo era importante para ela. E apelar para isso era uma ótima forma de convencê-la a tudo que ele quisesse. 

E claro que as coisas não serão um mar de rosas para a mocinha. Porque quando de fato ela descobrir que está grávida, poucos meses depois do casamento, a reação do Max será péssima. Como se ela o tivesse colocado numa armadilha (sim, ele é muito engraçadinho, não acham?!), já que ele não quer ser pai. O apoio que ela deveria receber não chega. É como se ela fosse culpada da gravidez, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E tudo isso por causa dos traumas do passado dele. Que sim, são fortes. Realmente ele teve uma infância de horror, mas a mocinha não tinha nada a ver com isso, nem o bebê que ela esperava. Enfim...

Quando percebemos o quanto este livro é problemático não conseguimos sequer enxergar o romance, o amor entre os personagens. Não acreditei no amor deles. Não acreditei no dela porque ela foi levada ao casamento, porque em tudo foi muito bem manipulada. E não houve momento naquela relação desigual e confusa no qual pudesse ter surgido o amor. Nem trabalhar ela podia porque era algo que desagradaria o marido. Quando ela menciona que quer trabalhar, ele já trata de deixar "no ar" (mas não de maneira explícita) o quanto ficaria decepcionado com aquilo e a mocinha recua, diz para si mesma que está apenas adiando por um tempo... E da parte dele também não pude acreditar, pois suas atitudes não falavam de amor. Ele "cuidava" dela, nunca a maltratou, nem física ou psicologicamente. Nada era explícito. Nem mesmo a acusação sobre a gravidez foi explícita. Foram seus olhares, sua evidente "decepção". Seu silêncio, seu afastamento. Ao ponto da mocinha fugir, com medo de ter que criar uma criança num lar em que teria uma constante "tensão", onde a criança sempre sentiria que existia algo errado, embora não ficasse claro o quê. 

Não contarei como o livro termina, mas posso dizer que não, a mocinha não irá conquistar a independência que sonhou. Recuar, ceder... É o que sempre acontece nestes casos para que a mocinha tenha o seu "felizes para sempre". É a mocinha quem abre mão de tudo para agradar o mocinho. Não consigo mais enxergar romance em algo assim. Não consigo mais deixar "passar" tantos absurdos. Mesmo que ame a autora, mesmo que seja uma escritora muito querida por mim.

Recomendo a história?! Claro que não. A escrita da Lynne é maravilhosa, a história é envolvente se você deixa "passar" tudo o que mencionei. Mas não tenho como recomendar um livro que fez eu me sentir sufocada, que lamentei profundamente por tudo o que a mocinha aceitou. Quando minha vontade era dizer que ela não precisava daquele tipo de relação para ser feliz. Que estava na hora de não permitir mais que homem algum tomasse decisões por ela. Que não deveria voltar para ele, muito menos quando ele deixou claro que tudo continuaria sendo do jeito dele. 

Os romances, as histórias de amor, sempre serão o meu gênero preferido, pois sou uma eterna romântica e amo demais estes livros cheios de paixão, que me arrebatam e encantam! Mas... histórias absurdas como Legado de Lágrimas eu dispenso. Não quero ler livros assim, não. Nem para passar raiva!rs


-> DLL 20: Do seu gênero favorito

24 de março de 2019

Legado do Deserto - Maisey Yates


Título Original: Heir to a Desert Legacy
Tradutora: Celina Romeu
Editora: Harlequin
Edição de: 2013
Páginas: 204 (eBook Kindle)
Série Herdeiros Secretos de Homens Poderosos - Livro 1
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Chloe carregou em seu ventre o futuro sheik de Attar. Quando Sayid, tio da criança e atual regente do reino, descobre, decide fazer de tudo para proteger o sobrinho. Mas ela não abrirá mão do bebê, e o casamento parece ser a única solução.



Se olhássemos apenas para a capa deste livro não imaginaríamos quão quebrados estão os personagens da história. A sinopse também não nos diz muita coisa. Parece apenas mais um livrinho do gênero, uma leitura para passar o tempo e nada mais. Certo?! Errado. 

"Posso lhe dizer desde já que há coisas demais no mundo que não fazem sentido e jamais farão. A ganância, o desejo pelo poder levam homens a fazer coisas terríveis."

Chloe James estava tentando concluir seu doutorado em física e se tornar a cientista que tanto sonhava. Queria dar aulas em grandes universidades, testar teorias... ter uma vida inteira voltada aos estudos. Marido e filhos não estavam nos seus planos. Porque queria manter o controle de sua própria vida. Sem nenhuma emoção que a tornasse fraca. 

19 de março de 2019

Inimigos no Altar - Melanie Milburne

Título Original: Enemies at the Altar
Tradutora: Ligia Chabú
Editora: Harlequin
Edição de: 2012
Páginas: 152 (eBook Kindle)
Série Irmãs do Escândalo - Livro 2
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Uma mulher com quem ele não deveria se casar. Da última vez em que Andreas Ferrante encontrara Sienna Baker, ela ingenuamente achou que poderia seduzi-lo. Embora marcado pelos encantos dela, consequências terríveis atormentavam Andreas. Ter de se casar com ela para garantir sua herança era algo impensável. Siena, por sua vez, se sentia humilhada por ter sido rejeitada por ele no passado. Ser recusada novamente tornaria tudo ainda pior. Ambos teriam muita sorte se conseguissem sobreviver à cerimônia. Mas como existe uma linha tênue entre o amor e o ódio, talvez as centelhas de raiva alimentassem o fogo da paixão na noite de núpcias…


Você começa a ler esta história acreditando que é apenas um romance simples, com alguns desentendimentos, suposto ódio entre o casal, para depois eles confessarem que sempre se amaram e viverem o seu "felizes para sempre", tão típicos destes livros. E aí você se engana completamente.rs

Eu tive apenas uma experiência anterior de leitura de uma obra da Melanie Milburne e pelo que posso recordar também era um romance que fugia um pouco do padrão no que se referia à personalidade dos protagonistas. Mas faz muito tempo que li e por isso não lembro muito da história e não estava tão preparada assim para Inimigos no Altar.

13 de setembro de 2018

Herdeiro Inesperado - Sharon Kendrick

(Título Original: Crowned for the Prince's Heir
Tradutora: Vera Vasconcellos
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)


O segredo que ela guardou...

A estilista Lisa Bailey terminou seu relacionamento com Luc porque sabia que seu caso com o príncipe não teria futuro. Mas um último encontro roubado a deixou cheia de paixão, de desejo e... grávida! Meses depois, o príncipe Luciano de Mardovia está prestes a concretizar o casamento político perfeito quando uma revista de fofocas publica uma foto de Lisa claramente grávida! Ele tem certeza de que o filho é seu. Agora, Luc deve reclamar seu herdeiro a qualquer custo, mesmo que Lisa seja uma noiva inadequada. No final, ela se tornará sua rainha!




Palavras de uma leitora...



- Ultimamente paciência tem sido uma coisa escassa na minha vida. Não estou num momento apropriado para aturar certas histórias... certos comportamentos dos supostos protagonistas. E Herdeiro Inesperado acabou com qualquer resquício que eu tivesse de tolerância. 

O livro nos traz a história de Lisa e Luc, duas pessoas que tinham sido amantes no passado, uma vez que não se poderia considerar o relacionamento como namoro. Afinal de contas, ele só a procurava para satisfazer suas necessidades carnais. Sair com ela? Apresentá-la aos amigos e familiares?! Claro que não! Ela só era boa o suficiente como parceira de cama. Deveria ser mantida escondida como um segredo sujo. Percebem o meu estresse?! 

Após criar forças o suficiente para deixar de ceder ao desejo que sentia sempre que estavam no mesmo cômodo, Lisa resolveu colocar um ponto final na "relação", pois não queria ser tão fraca como a mãe tinha sido e ter o mesmo destino. Assim... seguiu com sua própria vida e incrementou seus negócios, se dedicando de corpo e alma ao trabalho, ainda mais por ter uma irmã e uma sobrinha que dependiam dela. 

Dois anos mais tarde Luc ressurge em sua vida disposto a atar as "pontas soltas" de seu passado, pois pretendia se casar com a mulher adequada, com aquela que seria uma excelente princesa. E precisava livrar-se de uma vez por todas da atração que ainda sentia por Lisa. Apenas mais uma noite na cama dela e poderia seguir em frente. 

E foi exatamente o que aconteceu. Ambos mataram a vontade que sentiam e Luc só se dignou a dizer que iria se casar com outra depois do sexo. Arrasada pela canalhice dele, ela o mandou embora (como se fosse necessário já que ele pretendia fazer justamente isso) e tentou sufocar a dor, aceitando que estava tudo terminado de uma vez por todas. Só que sua despedida sexual resultou numa gravidez inesperada...

- Eu tenho muito o que criticar nesta história. A começar pela imbecil da mocinha. Uma mulher dona de si, de seu próprio negócio, que lutava a cada dia para avançar mais, porém que se transformava numa completa tonta quando se tratava do Luc. Parecia que ela esquecia todo o amor próprio. Se rebaixava, permitia que ele fizesse dela o que bem entendesse. Ela teve coragem de terminar no passado, mas foi só ele reaparecer para ela cair nos braços dele, mesmo sabendo que ele não a considerava boa o suficiente para nada além de sexo. Tem como simpatizar com uma mocinha assim? Alguém que não respeitava a si mesma? Só que pior que isso foi o que ela fez depois... Eu desejei esganá-la! 

"Nunca seria o bichinho de estimação de um homem."

- Sério, minha filha? Mas por que você não levou a sério suas próprias palavras?! Por que fez justamente o contrário, se tornando o bichinho no qual ele mandava e desmandava como bem queria?! Quando o Luc descobre a gravidez dela, resolve romper com a noiva "ideal", pois queria a criança. Porque era seu herdeiro e todos aqueles argumentos tão típicos dessas histórias. A Lisa não aceita se casar com ele, uma vez que tudo o que o motivava era o bebê. E como ela sustentou: há muitos séculos mulheres conseguem se virar muito bem como mães solteiras. Só que ela cedeu bem rápido. Ele a chantageou e ela nem piscou. Se submeteu como uma tonta e largou tudo para ir com ele. Sua independência, sua loja, seus próprios princípios. Dizendo para si mesma que não tinha opção. Como não tinha?!??!?! Em que planeta ela vive? Ele ameaça destruir os negócios dela e lutar contra ela na Justiça pela criança e ela julga que um homem assim é o que merece, que não tem opção? Tinha opção sim! Mandá-lo para o quinto dos infernos e lutar contra ele. Muito simples. Detesto protagonista burra. 

Outro ponto que merece destaque: o cretino ameaça os negócios dela e ela só consegue pensar no quanto fica excitada quando olha para ele. Não dá, gente! Simplesmente não dá! Tem que ter a paciência de um santo para aturar esse tipo de coisa numa história. E, como eu disse, paciência é algo que me falta. 

- E o que falar do Luc? Ele é um lixo. Não me interessa que depois ele tenha confessado que a amava e blá blá blá. Que ela era tudo para ele. Pouco me importa. Tipos como o dele me dão asco. Não é o pior mocinho que já vi nos livros, com certeza não. Mas sua arrogância e seu comportamento machista fizeram meu sangue ferver. Ele se tornou praticamente dono dos negócios dela só para chantageá-la, para ter uma maneira de pressioná-la a fazer o que ele quisesse, nem que fosse tirando dela sua fonte de renda. Isso não é um comportamento de uma pessoa que ama. É o comportamento de um homem obsessivo que não aceita "não" como resposta.

"Quem ela achava que era para recusar seu pedido de casamento sem nem ao menos parar para pensar?"

- Entendem por que desprezo esse traste? Segundo ele a mocinha não tinha direito algum de recusá-lo como marido. Quem será que ela achava que era para fazer algo assim? E olha que a história foi escrita no século XXI! Mas Luc é um homem egocêntrico que acreditava que Lisa era inferior a ele e deveria se sentir honrada por ele se dignar a pedi-la em casamento. 

- Já perdi todo o tempo que não tinha a perder com esta maldita história. Tudo o que quero é esquecer que a li. Claro que depois as coisas ficaram ótimas entre o casal. Muito sexo, e mais sexo, umas palavras de efeito aqui outras ali e todos os problemas ficam resolvidos. E lá vem o felizes para sempre! Nem necessito dizer que é um livro que NÃO recomendo. 



Esta foi a minha escolha para este mês no Desafio 12 Meses Literários. Como podem ver desta vez escolhi muito mal. Foi uma completa decepção.

4 de setembro de 2018

O Jardim dos Sonhos - Kimberley Cates

(Título Original: The Mother's Day Garden
Tradutora: Ieda Moriya
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2004)


Um casamento ameaçado por segredos do passado!

Com a única filha na universidade, Hannah O'Connell deveria estar dedicando todo o tempo livre a seu marido, Sam. Mas em vez disso perdia-se cada vez mais nas lembranças do passado. Tudo isso porque reencontra seu antigo namorado, o homem que ela mais amara na vida. E junto com ele existia também um segredo estarrecedor, que poderia pôr em risco tudo o que Hannah havia conquistado até então, inclusive seu casamento. 

Sam sempre fora apaixonado pela esposa. Mas ultimamente Hannah estava tendo um comportamento estranho. Já não se dedicava à casa e a ele como antes. Sam sabia que alguma coisa estava errada, mas não podia imaginar como seria sua vida longe de Hannah... Por isso estava mais do que nunca disposto a provar a ela o quanto a amava e o quanto eles poderiam ser felizes juntos!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando um livro é muito mais do que você esperava? Quando te surpreende de maneira positiva e acalenta seu coração? Foi exatamente isso que O Jardim dos Sonhos provocou em mim. Esta sensação de aconchego, de paz. E já sinto saudades. 

Eu o adquiri seis anos atrás e para ser sincera nem lembro o que me motivou. Mas na hora de escolher uma história para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca ela acabou encaixando-se perfeitamente. A sinopse, a capa nostálgica... simplesmente me atraíram. Me fizeram pensar que em suas páginas se escondia uma história linda. 

- O que lamento é tê-la lido numa época tão corrida e complicada da minha vida. Com uma prova importantíssima e a entrega do TCC tão próximos mal tenho tempo para respirar. Dormir, comer, ler meus livros amados se tornaram coisas temporariamente secundárias. Infelizmente, foi preciso reorganizar as prioridades, pois já não tenho tempo para nada. :(

O livro conta a história de Hannah O'Connell, uma mulher que de repente é atingida por perdas significativas: sua filhinha cresceu e agora trilhava o próprio caminho. Morando na universidade já não dependia de Hannah como antes e a relação que até então era próxima começa a sofrer rachaduras. Só que pior que ter a filha longe era a certeza, causada por uma histerectomia, que jamais realizaria o sonho de ter outros filhos. 

No início havia confundido a doença com uma gravidez e se permitiu ter esperanças. Ao longo de quase todos os seus vinte e dois anos de casada tinha tentado voltar a engravidar, mas o tempo passou e permaneceu o vazio que, pouco a pouco, foi distanciando-a do homem a quem amava. A saída de Becca de casa, bem como a cirurgia que lhe roubou seus sonhos destruíram a ponte que ainda a unia ao marido. Concentrada em suas próprias angústias não tinha energia para olhar para o lado, para enxergar que seu marido também sofria. E não demorou para que deixassem de dividir o mesmo quarto. 

Não saberia dizer como chegaram àquele ponto. Talvez tudo tenha começado ainda no início... quando se casara sabendo que estava ocultando do marido grandes segredos. Quando temendo que a imagem que ele tinha de mulher perfeita se desfizesse diante da verdade optara por mentir. Não teve coragem para contar. E agora era tarde demais para voltar atrás. 

"Era melhor deixar o passado onde estava. Onde não podia machucar."

No meio da tempestade que ameaçava seu casamento, o aparecimento de um bebezinho abandonado em seu quintal pode ser tanto a cura para a relação dos dois quanto a ruína completa. Sobretudo porque Tony Blaker, uma pessoa do passado de Hannah, se torna o tutor da criança e invade suas vidas com a desculpa de lutar para que o casal permaneça com a bebê. Mas qual será o seu real objetivo? Por que voltava depois de vinte e sete anos sem dar notícias? 

Às vezes o passado simplesmente não pode ficar para trás. É necessário encarar os fantasmas para poder seguir em frente. Mesmo que o processo seja doloroso e coloque em risco sua relação com aqueles a quem ama. 

"Tony Blake reaparecia em sua vida, desenterrando lembranças, ressuscitando segredos capazes de destruí-la."

- Como podem ver estou sendo breve. Ainda que o livro tenha me feito um enorme bem não tenho condições de me aprofundar mais na resenha pela simples falta de tempo. :( Mas já adianto que é um livro que recomendo muito! Mesmo para aqueles que não gostam de romances de banca. Porque esta história está longe de ser a da mocinha ingênua que se apaixona pelo homem rico, é humilhada por ele e depois vivem felizes para sempre. Nem todo livro de banca contém esse tipo de história e se os amo e valorizo tanto não é à toa. 

- Logo que iniciei a leitura me identifiquei com a mocinha. Embora eu não tenha nenhum filho jovem indo para a faculdade (não tenho filhos ainda e eu é que estou na faculdade, no último período, graças a Deus!), foi muito fácil compreendê-la, sobretudo em relação ao desejo de ter filhos. Era o sonho de sua vida. E uma doença lhe tirou tudo. Sim, agradecia o presente que era a Becca, mas não era nenhum pecado desejar ter outro bebê. Sentia que algo lhe faltava. E ao perder o útero deixou inclusive de se enxergar como uma mulher completa, como se aquela perda lhe tirasse a identidade. Antes que alguém diga besteira é necessário recordar que ser feminista é respeitar as escolhas das outras mulheres. E se Hannah se sentia incompleta porque não podia mais ter filhos ela merece respeito e solidariedade por isso. Existiram momentos em que desejava chorar com ela de tanto que a entendia. 

"Mas não vou me recuperar, pensou Hannah. Esse é o problema. Nunca mais vou me recuperar."

- Tudo neste livro é muito real. Temos nele a história não só da Hannah, embora ela seja a protagonista, mas também temos o ponto de vista de Sam (seu marido), Tony (a pessoa do seu passado) e até mesmo da mãe biológica da pequena Ellie, que a abandonou no quintal da mocinha porque não tinha outra alternativa. Porque, naquele momento, se sentia totalmente perdida e só queria que sua filha estivesse segura, ao lado de alguém que ela sabia que poderia ser uma mãe de verdade. Nossa! O livro transborda sentimentos. Nos dá enormes lições e faz com que deixemos de lado as nossas ideias pré-concebidas sobre tudo e nos permitamos estar no lugar do outro. O que você faria se fosse a Hannah de vinte e sete anos atrás? Aquela que ela ocultou do marido? Aquela que cometeu um erro imperdoável? Seria mais "forte"? Faria uma escolha diferente? Eu não sei, sinceramente. É fácil falarmos quando estamos de fora e vivemos num outro século, quando temos oportunidades que talvez a pessoa que julgamos não teve. Hannah era uma mulher incrível, mas não era perfeita. E por desejar tanto ser não sabia como reconciliar-se com o marido que afastou de si. Viviam como dois estranhos na mesma casa, ambos querendo uma mudança, mas não tendo coragem de dar o primeiro passo, porque se acostumaram com aquela situação. 

"Ela se afastava, dia após dia, não importava o quanto ele se esforçasse para retê-la."

Sam é um personagem que não possui todo o destaque que merecia, uma vez que o livro em si gira em torno da protagonista. Todavia, mesmo assim ele é importante e se mostra um homem daqueles que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado. As coisas que ele faz por ela... Nossa! Eu ficava bem emocionada. E não pensem que são coisas mirabolantes. Nada disso. São atitudes simples, mas que significam muito. É um livro "comum", gente. Sobre a vida real. Aquelas histórias familiares que de vez em quando lemos e tocam em algo dentro de nós. Que deixam um gostinho bom. 

"Tony fora franco antes de partir: jamais voltaria."

- Se teve um personagem que detestei no livro foi o Tony. Um tipo egocêntrico, que acreditava que com um sorriso charmoso podia apagar as canalhices de tantos anos atrás. Ele me causou nojo, pura repulsa. E confesso que tive muito medo de ele conseguir o que planejava. Mas, ainda assim, não temos um vilão perfeitamente definido. Tony não é uma pessoa má. Ele é como tantos que existem por aí que nem sequer percebem o dano que provocam e quando notam simplesmente não se importam. É um ser superficial e que só olha para o próprio umbigo. Mesmo quando está sozinho com seus pensamentos percebemos o vazio que existe nele... a falta de empatia, de sentimentos. Ele "sabe" o que fez de errado, sabe que não merece perdão, mas não está nem aí. Quer de volta o que jogou fora e acha que tem direito de querer. 

- Não posso falar muito mais. Só repito que é uma história que vale sim muito a pena! Mas que não dá para ler na correria. É aquele livro que merece ser apreciado devagar, com tempo. Como o livro A Colcha de Despedida, do qual eu lembrei durante quase toda a leitura. 

Minha única ressalva em relação ao livro (e o que me impediu de dar 5 estrelas) é sobre a repetição. A autora voltava muitas vezes ao assunto principal. Ao ponto de ser impossível não me incomodar. Mas este é o único ponto negativo. 



Esta foi minha escolha para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca, que consistia em ler um romance (de banca, obviamente) sobre casamento em crise. A resenha deveria ter sido publicada no dia 31, mas como só concluí a leitura no último dia do mês e só consegui escrever hoje tudo atrasou. Mas o que vale é que concluí.rsrs 

Topo