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29 de dezembro de 2018

Mais Forte que o Sol - Julia Quinn

(Título Original: Brighter than the sun
Tradutora: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Edição de: 2018)


Irmãs Lyndon - Livro 2


Quando Charles Wycombe, o irresistível conde de Billington, cai de uma árvore – literalmente aos pés de Elllie Lyndon –, nenhum dos dois suspeita que esse encontro atrapalhado possa acabar em casamento.

Mas o conde precisa se casar antes de completar 30 anos, do contrário perderá sua fortuna. Ellie, por sua vez, tem que arranjar um marido ou a noiva intrometida e detestável de seu pai escolherá qualquer um para ela. Por isso o moço alto, bonito e galanteador que surge aparentemente do nada em sua vida parece ter caído do céu.

Charles e Ellie se entregam, então, a um casamento de conveniência, ela determinada a manter a independência e ele a continuar, na prática, como um homem solteiro.

No entanto, a química entre os dois é avassaladora e, enquanto um beijo leva a outro, a dupla improvável descobre que seu casamento não foi tão inconveniente assim, afinal...




Palavras de uma leitora...



- Este foi o mês dos romances de época aqui no blog.rsrs E não foi intencional. Era livro de parceria, livro atrasado do desafio de novembro, livro escolhido para um desafio de dezembro... Enfim... Não tinha como evitar. Mas é óbvio que fiquei bem feliz, certo?rs É um dos meus gêneros preferidos. 

E depois de me encantar tanto com as histórias da Deborah Simmons bateu uma vontade louca de ler outro romance de época. Isso quando eu estava lendo A Utopia, de Thomas More (um clássico com linguagem um tanto difícil) e Harry Potter e o Cálice de Fogo (envolvente, mas longe de ser uma história de amor romântico, claro. É um infantojuvenil). Cheguei a comentar com as meninas no grupo de leitura que eu estava planejando largar tudo e ler o livro que eu queria ler. E foi exatamente o que fiz. :)

- Se você acompanha o blog certamente sabe que em março eu publiquei a resenha de Mais Lindo que a Lua, livro da minha diva Julia Quinn que passou na frente de várias de suas outras histórias, pois o povo estava massacrando tanto o livro (era uma chuva de resenhas negativas) que me vi na obrigação de ler a história e saber que diabos acontecia de tão ruim para o livro ser tão desprezado. Eu terminei a leitura me sentindo no paraíso.kkkkkk... A história é maravilhosa e o casal muito envolvente, ao ponto de se tornar uma das minhas histórias preferidas da autora (em pé de igualdade com Um Perfeito Cavalheiro) e uma das melhores leituras deste ano. Não fui capaz de enxergar o que tinha de tão errado no protagonista para despertar tanto enojo. Tentei encontrar o motivo, mas não foi possível.rs E só em mencionar o livro já morro de vontade de relê-lo. Uma delícia de história! 

E aí o que me aconteceu?! Mais Forte que o Sol foi lançado! Eu pensei: quero, quero, QUERO! Necessito. Desesperadamente. E ganhei de presente. Só que veio o balde de água fria: resenhas extremamente positivas, comparando ambos os livros e colocando o outro (que eu amei) num patamar tal de inferioridade que eu senti tanta, mas tanta raiva que tive vontade de arremessar Mais Forte que o Sol pela janela, pois voltei toda minha revolta contra o livro.kkkkkkk.. E decidi que seria impossível lê-lo naquele momento, quando minha raiva ainda era tão forte. Seria necessário deixar o tempo passar e resolver todas as coisas no meu interior.kkkkkkkkkk... Sim, sou exagerada assim!rs

- A história entre o casal se inicia de uma forma um tanto inusitada. Afinal de contas, tudo o que Ellie menos esperava era que um homem caísse do céu, ou mais precisamente de uma árvore, em cima do seu pé. Coisas assim não aconteciam todos os dias (felizmente) e ela não estava lá com muita paciência para cuidar de um desconhecido ferido e visivelmente bêbado. Sobretudo porque o arrogante, mesmo naquelas condições, insistia em tirá-la do sério e testar seu potencial de boa samaritana. 

"- Suas presas estão à mostra, Srta. Lyndon.
- Estão? [...] Tenho que me lembrar de escondê-las."

Após a troca esperada de farpas, Ellie decide conduzir Charles em segurança até a cidade, mas acaba ficando em choque quando, além de tentar beijá-la, o embriagado decide pedi-la em casamento. O que parecia uma brincadeira de mau gosto se mostra um pedido real e descabido quando Charles lhe confessa seus motivos para estar naquelas condições e desejar tanto uma esposa. O pai, com o qual ele não se dava bem, decidiu que se ele não se casasse até os 30 anos (e permanecesse casado) perderia toda sua herança. Ficaria apenas com o título de conde e a propriedade vinculada ao título. O dinheiro todo ficaria para seu primo, o que o deixaria na completa miséria. E seu trigésimo aniversário aconteceria dali a quinze dias. 

" - É estranho, mas sinto um desejo avassalador de beijá-la. 
Pela primeira vez desde a queda do conde, Ellie ficou sem fala. 
Charles mordia, pensativo, o lábio inferior. 
- Acho que é o que vou fazer."

Desnorteada com o rumo que as coisas tomaram, Ellie pede a ele um tempo para pensar, já adiantando que a possibilidade de que a resposta fosse "não" era grande. Não o conhecia. E nada no mundo poderia fazê-la se casar com alguém com quem tinha trocado apenas poucas palavras (a maioria aos berros)... a não ser sua nova e insuportável madrasta. 

Desde que a irmã saíra de casa, oito anos antes (após os acontecimentos do primeiro livro), Ellie ficara responsável pelos afazeres domésticos e o cuidado com o pai. Além disso, também ajudava na limpeza da Igreja e acreditava que assim estava pagando pelo seu sustento. Só que a noiva de seu pai pensava de maneira diferente e deixara mais do que claro que a situação de Ellie seria insuportável naquele lugar se ela não tomasse juízo e se casasse, com quem quer que fosse, e saísse dali. Após uma discussão exaltada com a mulher, ela percebeu que realmente não era possível mais continuar naquela casa. E o que faria sem emprego ou qualquer perspectiva? Se casar com algum dos escolhidos pela madrasta estava fora de questão. É claro que ela tinha uma saída temporária... poderia resgatar o dinheiro que juntara no banco e se manter por alguns meses até sua irmã Victoria voltar de viagem e ajudá-la a conseguir um emprego, usando de sua influência como condessa. Acontece que todo o dinheiro que guardara o fizera em nome do pai e agora só poderia tê-lo de volta se o mesmo assinasse um documento com a autorização, com a assinatura também de uma testemunha. Algo impossível. 

Assim, sem alternativa, ela vai até a residência do Charles disposta a considerar sua proposta, desde que fosse conforme os seus próprios termos. Poucos dias depois, ela já não era mais a senhorita Lyndon, mas sim a condessa Eleanor Wycombe. Esposa de Charles. Um desconhecido. Alguém que a irritava e divertia na mesma medida. Alguém cujos beijos a faziam perder a noção de tudo, mas para quem ainda não se atrevia a se entregar. Era sua esposa no papel. E em todos os outros aspectos, menos na cama. 

Com a convivência eles teriam a oportunidade de se conhecer e construir um relacionamento se não baseado no amor, pelo menos na amizade. Todavia, incêndios, envenenamentos e tentativas de assassinato podem tornar as coisas um tanto... complicadas. 

"- Você não sabe ser uma esposa. 
- Sou esposa há apenas um dia - resmungou ela. - O que esperava?"

- Ao iniciar a leitura deste livro eu já estava em paz com ele. E foi uma leitura tão prazerosa que em menos de vinte e quatro eu já tinha terminado, com um sorriso bobo no rosto e suspirando aqui encantada com o romance leve e divertido que se desenvolve entre o casal. É realmente um livro muito fofo, mais voltado para uma comédia romântica, que nos faz gargalhar em alguns momentos e sorrir até o final da história. Todavia, ele é apenas isso. Um romance divertido. Então, já adianto que não existiria maneira de eu considerar Mais Forte que o Sol superior ao primeiro livro da duologia. Sem chance. Ainda mais porque ele não consegue ser superior a nenhum outro livro que li da autora. O que não significa que ele é ruim. Nada disso. É apaixonante! Só não tem o "algo a mais". Quando percebi isso confesso que o ressentimento voltou. Não por conta do livro, mas por colocarem uma história que tinha tantas coisas superiores a esta numa posição inferior. Isso me dá um nervoso, não adianta eu negar.rs Eu sei que gosto é algo muito pessoal, mas meu coração não entende muito de razão.rs

Mas se é para comparar, então que tal compararmos?rs Começando pela questão da profundidade. Cada diálogo trocado entre o casal deste livro aqui é baseado na comédia. Eles não sabem conversar de maneira séria sobre nada. Tudo é piada. O que é realmente divertido, pois são diálogos inteligentes, mas carentes de profundidade. Enquanto isso no primeiro livro da duologia muitos dos assuntos tratados e das brigas eram sérias. Se eles pretendiam tratar com ironia era daquela forma ferina, capaz realmente de atingir. Não ficavam levando tudo na brincadeira. 

Segundo ponto: o casal deste livro aqui tem a mania de gritar o tempo todo. Sim. É o tempo inteiro vendo motivos para gritar. E isso me cansava um pouco, confesso. Não estraga a leitura. Não mesmo! Mas quando você nota que tudo é motivo de grito fica com vontade de sacudi-los para ver se se comportam como adultos. 

Terceiro ponto: casamento por conveniência é um dos meus temas preferidos e foi delicioso ler isto neste livro. Mas se estou comparando as duas histórias não posso deixar de pensar numa grande injustiça. Ellie se casou com Charles, um desconhecido, numa questão de poucos dias. E ninguém questionou isso. A madrasta dela ficou feliz (afinal era um conde) e o pai dela ficou emocionado, querendo até fazer o casamento dos dois. Ressalto: Charles era um desconhecido. Sabiam quem ele era de nome? Claro! Mas nunca o caminho deles tinha se cruzado. Bem diferente do que se passa no primeiro livro já que Robert além de também ser conde era conhecido no local. E seu relacionamento com a Victoria já levava meses. Mesmo assim o pai dela ficou furioso, se negou a autorizar o envolvimento dela com ele e chegou a agredi-la e amarrá-la para impedi-la de ir ao encontro do Robert. Não é desproporcional? A Victoria comeu o pão que o diabo amassou, foi embora de casa e se sujeitou a trabalhos humilhantes porque seu pai a impediu de casar com o homem que ela amava e tanto tentou que os separou, fazendo com que o Robert a odiasse. Mas Ellie se casar com um desconhecido era perfeitamente aceitável e bastou UMA conversa com o homem para ele perceber que era a pessoa ideal para sua filha, que tinham mesmo que se casar tão rápido assim. Isso fez eu perceber a diferença no tratamento dado às duas filhas. E não cola a desculpa dele de que o que fez com a Victoria o fez aprender alguma coisa. Porque Ellie se casou numa questão de dias! Parece que todas as exigências do pai só eram voltadas para a Victoria. Isso só fez meu coração doer mais pela minha querida mocinha. O tanto que ela sofreu por causa do desgraçado do pai! 

- No entanto, nenhum dos pontos que ressaltei impedem Mais Forte que o Sol de ser um livro lindo. Só fiz a comparação porque depois de tantas comparações negativas feitas em outras resenhas, Mais Lindo que a Lua merecia que eu deixasse claro meus motivos para saber que ele é superior ao segundo livro da série. E isso porque nem mencionei que Ellie não tinha reais motivos para mergulhar naquele casamento tão repentino. Victoria voltaria de viagem em poucos meses. E tudo se resolveria para ela. Não precisava ficar presa a vida inteira a um casamento "indesejado" se a sua irmã estava prestes a voltar e seus problemas poderiam ser resolvidos em pouquíssimos meses. 

"- Amo você. 
- Também amo você. Agora saia antes que eu atire algo na sua cabeça."

- Dei 4 estrelas ao livro porque ele realmente me encantou. Foi uma leitura deliciosa, que me proporcionou a tranquilidade que eu precisava. E posso dizer sim que amei. E que a Ellie e o Charles formam um casal lindo juntos e o epílogo nos deixa com aquele gostinho de quero mais. Sem mencionar a participação especial da pequena Judith, prima de seis aninhos do Charles, que mora na mesma casa (juntamente com a mãe e a irmã mais velha, que foram acolhidas pelo mocinho quando estavam desamparadas) e é responsável por cenas cheias de ternura. Ela é muito fofa! Dava vontade de entrar no livro e abraçá-la! Gostaria muito de ler a história dela. Que a autora mantivesse a essência da personagem e criasse um livro todo seu. Ela roubou meu coração. :)

3 de março de 2018

Mais Lindo Que a Lua - Julia Quinn

(Título Original: Everything and the Moon
Tradutora: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Edição de: 2018)


Irmãs Lyndon - Livro 1


Foi amor à primeira vista. Mas Victoria Lyndon era a filha do vigário, e Robert Kemble, o elegante conde de Macclesfield. Foi o que bastou para os pais dos dois serem contra a união. Assim, quando o plano de fuga dos jovens deu errado, todos acreditaram que foi melhor assim.

Sete anos depois, quando Robert encontra Victoria por acaso, não consegue acreditar no que acontece: a garota que um dia destruiu seus sonhos ainda o deixa sem fôlego. E Victoria também logo vê que continua impossível resistir aos encantos dele. Mas como ela poderia dar uma segunda chance ao homem que lhe prometeu casamento e depois despedaçou suas esperanças?

Então, quando Robert lhe oferece um emprego um tanto incomum – ser sua amante –, Victoria não aceita, incapaz de sacrificar a dignidade, mesmo por ele. Mas Robert promete que Victoria será dele, não importa o que tenha que fazer. Depois de tantas mágoas, será que esses dois corações maltratados algum dia serão capazes de perdoar e permitir que o amor cure suas feridas?



Palavras de uma leitora...



- Uma das coisas mais difíceis de ser leitora e blogueira é ter outras obrigações.rsrs Porque você não pode apenas se dedicar à leitura. Tem que trabalhar, estudar, cuidar de si mesma, da casa, das roupas... Se tem filhos necessita se dedicar a eles também. Se tem marido ou namorado (ou algo similar) também precisa ter tempo para ele. Se está no último ano do curso na faculdade (como é o meu caso) ainda tem que se desdobrar para lidar com o inferno que é preparar um TCC. E quando você não está em aula ou trabalhando ou cuidando da casa, etc etc etc... Precisa colocar as matérias em dia nos finais de semana, reforçar todo o conteúdo que teve ao longo de toda a semana. E se você gosta de séries e quer se manter em dia (para completar sua loucura) têm episódios atrasados para ver (como também é o meu caso). Gosta de novelas? Ainda tem que encontrar tempo para ver algum capítulo. E se é uma escritora, amadora ou não (no meu caso sou amadora), ainda tenta, no meio de todas as obrigações, parar um momento para deixar a inspiração vir e colocar a história no papel. E onde se encaixa a leitura e os compromissos com o blog nisso tudo? Tem que encaixar, verdade? Porque não imagino minha vida sem ler e sem escrever minhas resenhas. É o que me impede de surtar.kkkkkkk... 

Aí o que me deixa possessa é alguém chegar para mim e dizer que gostaria de ter o meu tempo para ler. Como se eu não fizesse nada o dia inteiro e por isso lesse tanto. Dá ou não dá vontade de esganar um?! Só não tenho marido e filhos, mas de resto tenho todas as obrigações que mencionei acima e várias outras! Não leio porque tenho tempo livre! Leio porque amo e tenho que fazer um dia de 24 horas render o suficiente para que consiga tirar, pelo menos, uma hora para a leitura. 

Nós que amamos ler ouvimos tantos absurdos diariamente que às vezes necessitamos desabafar. Ou dar um grito. Ou bater uma porta, atacar alguma coisa longe... para não partir para a agressão.kkkkkkkk... Sério, gente!rs É estressante. Quando não é alguém achando que você não faz nada e por isso consegue ler... vem um filho da pontualidade achar que você lê demais e que isso é doença. É cansativo ouvir gente tão ignorante e ainda por cima ser educada com essas pessoas. 

- Tive uma semana muito tensa. Uma das piores do ano (e 2018 mal começou!) e a quinta-feira então... Um dia para esquecer, sem dúvidas! Se não tive um ataque com ninguém, se não fui parar num hospício (risos) foi graças ao livro Mais Lindo que a Lua. Era o que me fazia sorrir, dar gargalhadas, suspirar... suportar a semana. Foi uma excelente escolha de leitura. Estava certa quando imaginei que amaria este livro. :D

- Não estava nos meus planos ler esta história agora. Não mesmo! Porque têm outros lançamentos da Julia Quinn que ainda não li e pretendia seguir uma ordem. Como estou lendo a série das musicistas (Quarteto Smythe-Smith) tinha a intenção de terminá-la, depois ler a série Agentes da Coroa para só então ler a das Irmãs Lyndon. Só que Mais Lindo que a Lua foi lançado e as pessoas começaram a falar... Vieram resenhas negativas. O que já foi um choque e tanto. Porque fãs da autora estavam desprezando este livro. E aí entendi que o problema principal era o mocinho da história. Um patife, canalha, desgraçado, possessivo, que não tem controle dos ciúmes... vi muitos adjetivos serem usados contra o Robert.kkkkkk.. Isso foi o suficiente!kkkkkk... Não era possível! Eu precisava, com desespero, conhecer tal canalha. Tinha que ver com meus próprios olhos o quão desprezível era esse mocinho da Julia Quinn, tão aquém dos mocinhos Bridgertons. 

E então comecei a leitura... O resultado? Bem... É triste dizer isso, mas... O livro está disputando com um Bridgerton o lugar de preferido no meu coração!kkkkkk... Que sacrilégio, não é mesmo? Como o Robert pode chegar aos pés do Benedict?! (que é o meu Bridgerton preferido: protagonista de Um Perfeito Cavalheiro) A verdade é que não consigo compreender por que tanto desprezo pelo mocinho. Ele está bem longe de ser tudo o que as pessoas disseram dele. Pelo menos, na minha opinião. Ele não só pode competir com o Benedict: um não perde para o outro. Ambos são mocinhos maravilhosos. 

"Em minha mente, entendo que a vi pela primeira vez há dez minutos, mas meu coração a conhece desde sempre. E minha alma também."

- Não havia chance de não amar esta história. Sou alguém que ama intensidade. Sentimentos fortes nos livros, protagonistas que demonstram seu amor, sua paixão, a confusão de sentimentos que toma conta deles e os arrebata. Isso é extremamente necessário num romance. E o Robert sabe bem como sentir. Sendo um conde inglês, mocinho que perdeu a mãe bem cedo e foi criado por um pai distante, tendo que se comportar conforme a época e o que era esperado de uma pessoa de sua posição, era de se imaginar que ele fosse um tanto frio, que não se deixasse levar por romantismo e tivesse bem em mente quais eram os seus deveres. Nada disso! O Robert desde o princípio nos mostrou que estava pouco se importando com regras da sociedade ou opinião alheia. Quando olhou pela primeira vez para a Victoria... soube que ela era a mulher de sua vida. Naquele instante, não fazia ideia de que moça ela era, se possuía posição social ou não. Só sabia que ela seria sua esposa. Que a faria se apaixonar por ele. Como não amá-lo, gente?! Me expliquem como alguém conseguiu odiá-lo, por favor! 

"Então ele a beijou mais uma vez, beijou-a como se ela fosse a última mulher na Terra, a única mulher no mundo."

Bastou uma troca de olhares para que os dois se envolvessem... Victoria tinha apenas dezessete anos e nunca antes tinha se apaixonado. Mas o sorriso dele, seu bom humor, a maneira como a olhava e cuidava dela, ouvindo seus sonhos, seus medos, seus segredos... não demorou para roubar seu coração. Sabia que era loucura, que ele era um conde enquanto ela não passava da filha do vigário. Era uma união impossível. O pai dele jamais aprovaria algo assim. Mas ainda assim ela quis viver aquele momento, acreditar nas palavras do Robert... que ele daria um jeito, que ela seria sua mulher. E assim dois meses se passaram... Se existia um paraíso era nele que estavam vivendo. Só que nada que é bom dura para sempre...

"Ele é como qualquer outro homem. Vai usá-la e depois descartá-la."

O pai de Victoria jamais aprovou o relacionamento dos dois, embora não pudesse expulsar o Robert abertamente de sua casa quando ele ia visitá-la. Mas chegou um momento em que ele percebeu que o interesse da filha pelo rapaz era tão grande que era melhor cortar o mal pela raiz. Furioso, diz para ela o que considerava ser verdade e ordena que ela termine com Robert se não quisesse se arrepender. Se ousasse desobedecê-lo teria que lidar com as consequências. 

Mesmo amedrontada com a ameaça velada do pai de agressão física, Victoria não estava disposta a permitir que ele ditasse seu destino. Não se separaria do Robert por nada na vida, não importava o que seu pai pudesse lhe fazer. 

Robert, por sua vez, também foi ameaçado pelo pai quando confessou que estava apaixonado e iria se casar com Victoria. Porém, os gritos e ataques de seu pai não afetaram em nada sua determinação. Iria deserdá-lo? Pois que o fizesse! Não estava nem aí. Victoria seria sua mulher doesse a quem doesse. Assim os dois não viram outra opção senão fugir. 

Só que os planos dão errado. Robert vai embora sem saber a verdade do que impediu Victoria de encontrá-lo naquela noite. Ela também parte... com o coração destroçado e a certeza de que ele só brincou com ela. Só se aproveitou, como seu pai disse que faria. 

E sete longos anos se passam...

Victoria nunca mais retornou. Em todos aqueles anos não voltou a ver o pai ou a irmã... não suportava recordar o quanto tinha sido tola, como foi cega ao se apaixonar por alguém que mentiu o tempo todo para depois ir embora. Levava uma vida horrível como preceptora, mas pelo menos tinha sua independência e estava distante de um passado que ainda a machucava. 

Naquele dia teve que aturar mais uma vez as palavras ferinas de sua patroa, bem como a rebeldia do menino de quem cuidava e tinha como meta de vida infernizá-la. Ele tinha conseguido atraí-la para o labirinto e embora com cinco anos de idade ele conhecesse a saída, ela não. Depois de tentar por horas sair daquele local finalmente se deu por vencida e sentou para chorar, imaginando que um dia encontrariam seu corpo. Foi quando o pior aconteceu... Teria sido preferível realmente morrer ali... Tudo menos encontrá-lo. 

"E ele a queria. 
Que o Senhor lhe ajudasse, porque ele ainda a queria. 
Mas também queria vingança.
Só não sabia o que queria mais."

Desde que partira tantos anos antes, Robert havia aprendido a ser um cínico. Sua vida era pateticamente vazia, mas pelo menos ele não se deixava mais iludir pelo falso amor de uma mulher. Pegava o que elas ofereciam e depois seguia em frente. Tal atitude já tinha levado seu pai ao desespero, pois o sonho dele era ver o filho casado e lhe dando netos para manter o nome e as terras da família. Infelizmente, Robert acreditava que o pai morreria sem ver tal dia chegar, pois não tinha a menor intenção de contrair matrimônio com alguém. Não quando buscava em cada maldita mulher uma semelhança com Victoria! E não poderia ter levado choque maior ao vê-la ali... onde ele menos esperava. 

Não demorou para ele perceber que aquela era sua segunda chance. Só que dessa vez ele conseguiria o que não tivera no passado (e não estava falando de casamento) e, de quebra, também teria sua vingança. 

"- Sua necessidade de me ferir. É inconcebível.
- Ora, Srta. Lyndon, ofende-me que pense que eu desceria a esse nível. 
- Não haveria por que descer - disse ela, fria. - O senhor sempre esteve em algum lugar entre a sarjeta e o inferno."

Com tantos ressentimentos guardados vindo à tona... existirá algum espaço para o amor? Um dia, a interferência de seus pais os separou e provocou anos de sofrimento... Agora... está nas mãos deles permitir que continuem destruindo suas vidas ou provar que tempo algum é capaz de apagar um amor tão forte. 

- Fico aqui me perguntando o que tanto desagradou alguns leitores. Foram as palavras do Robert? É possível. Ele diz algumas coisas cruéis sim. Embora nem chegue perto do que vários mocinhos que já conheci disseram em momentos de raiva. E o Robert ainda tem a vantagem de se arrepender. Não no último capítulo, mas bem antes disso. E ele disse mais coisas em pensamento do que diretamente para a Victoria. Se tem alguém que não tem a menor noção de como se vingar é ele.kkkkkk... Sabe aquele tipo de cão que ladra, ladra, mas é incapaz de morder? Assim é este mocinho, gente! As pessoas gritam sua revolta por ele, mas é um dos mais inofensivos que conheci. Seu amor pela mocinha era tão grande que ele nunca teria sido capaz de fazer algo para machucá-la. 

Entendo perfeitamente o que os dois sentiram ao se reencontrarem. Não sabiam a verdade da separação, o que realmente motivou tantos anos de sofrimento. Deixaram que a interferência de suas famílias provocasse mágoas, sem que o outro tivesse feito qualquer coisa que merecesse a opinião que criaram. Assim... quando o destino coloca um no caminho do outro novamente.... existe muito amor, mas ódio também. Uma raiva que já não podem guardar. Porque se acreditavam traídos. 

"Seria mesmo possível amar e odiar ao mesmo tempo?"

Só que numa disputa entre o amor e o ódio a gente sabe bem quem vence... Por isso, o Robert não conseguia. Prometeu para si mesmo que destruiria a reputação da Victoria, que a seduziria, arrastaria para sua cama e depois destroçaria sua vida. Cumpriu? Que nada! Nem tentou de verdade! 

Ah, mas ele a colocou em situações comprometedoras! Infernizou a vida dela, se aproveitou do fato dela odiar o trabalho que tinha para fazer uma proposta ultrajante! Primeiro: todas as vezes em que ficaram em situação comprometedora foi porque ambos foram levados pela paixão que sentiam. Segundo: quando sugeriu que ela fosse sua amante o Robert estava pensando mais na necessidade que tinha de tê-la em seus braços do que em qualquer vingança. 

"Ele sentiu o coração disparar e teve de procurar se lembrar que não gostava dela, que só queria seduzi-la e arruinar sua vida."

- Eu poderia responder a várias questões que os leitores levantaram sobre o livro, mas aí precisaria dar spoilers. Só o que posso lhes dizer é que o Robert está bem longe de ser o ogro que algumas resenhas que li pintaram. E olha que não li a história numa semana em que estava tolerante.rsrs Mas ele é um mocinho tão apaixonado, tão protetor, querendo dar o mundo à Victoria e consertar os erros do passado... que não dá para não amá-lo. É totalmente impossível. E eu sequer tentei odiá-lo. Não havia motivos pata tal coisa. 

Não digo que aprovo tudo o que ele fez, mas entendo seus motivos. Eu o teria desprezado se ele simplesmente desse ouvidos ao ressentimento da Victoria e a deixasse por sua própria conta. Que a apagasse de sua vida e seguisse em frente, ouvindo as palavras dela e não o seu coração. Porque tudo que a mocinha dizia contra ele era da boca para fora e até o observador mais negligente percebia isso. Ela estava com raiva, magoada e não queria que ele fosse embora. Dizia isso, mas sempre esperava que ele retornasse, que continuasse tentando reconquistá-la. O que o coração dela desejava era tê-lo de volta, ser sua esposa, como ele voltou a querer, arrependido da proposta ultrajante que tinha feito. Ele gritou aos quatro ventos que a queria como mulher, com um anel no dedo. E ela o recusou. Mas com palavras. Não com o coração. Ele ouviu o coração dela e não desistiu. Não vou condená-lo por isso. 

"Ele sonhara todos aqueles anos com ela, fantasiara com a vingança que colocaria em prática se a visse de novo. 
Mas agora que a vingança estava a seu alcance, não conseguia levá-la adiante. Algo dentro dela ainda falava ao seu coração e ele sabia que não viveria em paz consigo mesmo se propositalmente lhe causasse alguma dor."

- O que ainda posso dizer? Que recomendo que você largue tudo o que estiver lendo e corra atrás desta história, pois ela vai te emocionar, te fazer rir e sonhar acordada? Foi algo assim que eu fiz. Tinha lido resenhas negativas sobre o livro e aí li uma resenha super positiva de uma blogueira do signo de escorpião, que sabe fazer resenhas bem furiosas quando odeia um livro e que não tem a menor paciência com mocinhos canalhas. Ela compreendeu o mocinho, gostou muito do livro. Eu já estava decidida a passar a história na frente de outras desde que li as resenhas negativas, mas depois de ler a opinião da Beta, do Literatura de Mulherzinha, eu tive mais do que certeza de que a história iria me arrebatar. Porque se ela tinha gostado tanto do livro eu iria amar! Não tinha dúvidas!kkkkkkkk... 

"- Você me faz forte - disse ele. - Tudo o que é bom em mim... Você me faz assim. Com você, torno-me mais do que eu sou."

- Foram muitos os trechos que me emocionaram. Este casal conseguiu invadir meu coração de tal forma... Falei do meu amor pelo Robert, do quanto ele é irresistível e apaixonante. Mas a Victoria também é uma mocinha incrível. Por mais que ela faça o mocinho sofrer com sua aparente rejeição e não queira confiar nele novamente, desde o princípio ela nos encanta com sua personalidade. Ela é determinada, tem coragem, não deixa que ninguém fique controlando sua vida nem mesmo sua família. Eu me diverti muito com os diálogos entre ela e o Robert... O bom humor deles é contagiante. Mesmo quando estavam irritados eram capazes de dizer as coisas de maneira divertida e inteligente. Os amo muito! 

Poderia ficar horas e horas falando sobre a história. Se tenho dois livros preferidos da autora são: Mais Lindo que a Lua e Um Perfeito Cavalheiro. Ambos tratam de amor à primeira vista, de separação e reencontro... Mas no livro do Benedict e da Sophie eles não tiveram a chance de conviver como o Robert e a Victoria antes da separação. As duas histórias me apaixonaram. Tenho um carinho enorme pelas duas e não tenho a menor dúvida de que no final do ano, no post de melhores, vocês irão ver Mais Lindo que a Lua.kkkkk... É claro que já está na lista de inesquecíveis! Lugar reservado! :D

"- A vida não se trata de arrastar-se para baixo de uma pedra e ver o mundo passar, esperando que nada nos afete [...] - A vida é sobre se arriscar, sobre tentar alcançar a lua."

- Já desejo loucamente ler a história da irmã da Victoria. Quero mais de Julia Quinn, quero mais de seus romances que me levam ao céu. Suspiros... Estava com muita saudade de livros assim... que me tiram do mundo, que me fazem viajar por épocas diferentes, por amores tão fortes... 

"- Nós somos um só agora - sussurrou ele, tirando um fio suado de cabelo da testa dela. - Você e eu. Somos uma só pessoa."

- Sei que já deveria ter terminado a resenha, mas é tão bom, sabe? Ler um livro como este. Até mesmo nos livros é raro encontrar um amor tão lindo. Já li tantas histórias em que os mocinhos fazem as mocinhas comerem o pão que o diabo amassou para só no final se arrependerem e se redimirem (isso quando se redimem!) que é simplesmente delicioso ler um livro em que tudo é diferente. Mesmo querendo se vingar o Robert é maravilhoso com a Victoria. Conhecia seus sonhos, seus maiores desejos, até as mais insignificantes vontades. E se preocupava. Queria protegê-la, vê-la sorrir... Não permitia nunca que alguém a ofendesse. A defendia com unhas e dentes e se ela estava triste era como se a dor fosse nele. O Robert é um sonho. 

"Com certeza, nunca existiu uma mulher mais profunda e verdadeiramente amada do que você por mim."

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