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20 de julho de 2021

Segredos de um Pecador - Madeline Hunter

 


Literatura norte-americana
Título Original: The Sins of Lord Easterbrook
Tradutora: Flávia Souto Maior 
Editora: Arqueiro
Edição de: 2015
Páginas: 240
Série Os Rothwells - Livro 4 (último da série)

22ª leitura de 2021 (16ª resenha do ano)

Sinopse: Leona Montgomery foi criada na China. Com pai inglês e mãe portuguesa, aprendeu desde cedo a se adaptar aos costumes de outras terras e adquiriu uma cultura e uma sofisticação incomuns às mulheres de seu tempo.

Por isso, quando o pai, já viúvo, morreu, deixando os dois filhos em uma situação financeira difícil, Leona assumiu os cuidados do irmão caçula e os negócios da família.

Trabalhando pela recuperação da Montgomery & Tavares, ela viajou por diversos países, negociou com homens rudes e enfrentou piratas. Recém-chegada a Londres, agora espera fechar parcerias comerciais e dar sequência a uma investigação que o pai não pôde concluir.

Mas estar em Londres significa algo mais. Sete anos atrás, Edmund, um naturalista inglês, deixou Macau à noite, depois de um beijo de despedida que Leona nunca esqueceu, e retornou à Inglaterra.

O que Leona não poderia imaginar era que Edmund na verdade é Christian Rothwell, o marquês de Easterbrook, um homem poderoso envolto em mistérios – e que talvez se beneficiasse com o fim das investigações de seu pai. Dividida entre o dever e a tentação, é na cama do marquês que ela fará suas maiores descobertas.





Logo após terminar esta leitura cheguei à conclusão de que minha relação com a autora nunca será de muitos "altos".rs Numa série de quatro livros, eu gostei do primeiro e do terceiro, detestei o segundo e apenas tolerei o quarto. Considerando a imensa pilha de livros para ler que nunca diminui, a minha experiência com esta série não representa um grande incentivo para que eu siga investindo nos livros da autora. 

O pior é que Segredos de um Pecador é um livro que me encantou durante suas cem primeiras páginas, mas depois desandou completamente com a insistência da autora nas cenas de sexo, que mesmo que não fossem explícitas, eram frequentes, e roubavam espaço para outros acontecimentos num livro de apenas 240 páginas.

Que o casal tinha química e queria estar na cama a cada oportunidade nós leitores já sabíamos e não era necessário mostrar isso o tempo todo, quando existia muito o que aprofundar na relação dos dois, que ficaram sem se ver por sete longos anos e não eram mais os jovens do passado. Ambos tinham mudado bastante e precisavam descobrir se o vestígio de um sentimento de outrora poderia se fortalecer e abrir as portas para o relacionamento que os dois desejavam ter, mas que não acreditavam que mereciam. 

Leona e Christian se conheceram quando ele, atormentado por não conseguir viver consigo mesmo, passou um tempo na China, hospedado na casa do pai da mocinha. À beira de um verdadeiro abismo, de onde nunca conseguiria retornar se caísse, foi graças à ela que ele não se entregou, que lutou contra o que parecia o caminho mais fácil, o alivio tão esperado. Ainda assim, nunca compartilhou com Leona sua verdadeira identidade e após sua partida ela nunca soube se um dia voltaria a encontrá-lo. 

O reencontro ocorre quando Leona, agora no controle dos negócios da família, viaja para a Inglaterra, no intuito de abrir caminhos para a expansão da empresa e conseguir parcerias comerciais importantes. Em uma de suas visitas, acaba sendo vista e reconhecida por Christian que, impactado pelas lembranças de um passado já distante, resolve que não a deixará escapar sem antes finalmente fazê-la sua. O amor e o casamento não fazem parte dos seus planos. Afinal de contas, alguém "amaldiçoado" como ele jamais poderia fazer qualquer mulher feliz. Nem mesmo a única capaz de fazê-lo desejar ter algo mais....

Como eu disse, as cem primeiras páginas do livro me tinham por completo. Eu as devorei e acreditei até que o livro poderia se tornar um dos meus preferidos da série, de tão encantada que eu estava pelo casal. Mas aí tudo desandou e fiquei tão desanimada que simplesmente abandonei a leitura por um tempo e só agora retomei, disposta a encerrar logo a série e seguir em frente.

O que mais valeu nesta história foi rever os personagens dos livros anteriores, principalmente a Alexia e o Hayden, protagonistas do primeiro livro, que mais uma vez aqueceram meu coração. 

O final do livro tinha tudo para ser emocionante, mas foi tão corrido e narrado de maneira trivial que não me provocou nada, exceto alívio por ter chegado ao fim. Uma pena. Principalmente por eu ter amado tanto a história durante quase metade da leitura. :( Isso é o que me deixa mais frustrada. 

Enfim... Mais uma série finalizada! Ainda preciso dar andamento às outras. E tenho que parar de começar séries antes de concluir as que estão pendentes.rs 


19 de março de 2019

Inimigos no Altar - Melanie Milburne

Título Original: Enemies at the Altar
Tradutora: Ligia Chabú
Editora: Harlequin
Edição de: 2012
Páginas: 152 (eBook Kindle)
Série Irmãs do Escândalo - Livro 2
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Uma mulher com quem ele não deveria se casar. Da última vez em que Andreas Ferrante encontrara Sienna Baker, ela ingenuamente achou que poderia seduzi-lo. Embora marcado pelos encantos dela, consequências terríveis atormentavam Andreas. Ter de se casar com ela para garantir sua herança era algo impensável. Siena, por sua vez, se sentia humilhada por ter sido rejeitada por ele no passado. Ser recusada novamente tornaria tudo ainda pior. Ambos teriam muita sorte se conseguissem sobreviver à cerimônia. Mas como existe uma linha tênue entre o amor e o ódio, talvez as centelhas de raiva alimentassem o fogo da paixão na noite de núpcias…


Você começa a ler esta história acreditando que é apenas um romance simples, com alguns desentendimentos, suposto ódio entre o casal, para depois eles confessarem que sempre se amaram e viverem o seu "felizes para sempre", tão típicos destes livros. E aí você se engana completamente.rs

Eu tive apenas uma experiência anterior de leitura de uma obra da Melanie Milburne e pelo que posso recordar também era um romance que fugia um pouco do padrão no que se referia à personalidade dos protagonistas. Mas faz muito tempo que li e por isso não lembro muito da história e não estava tão preparada assim para Inimigos no Altar.

8 de outubro de 2018

Persuasão - Jane Austen


Persuasão foi o último trabalho completo de Jane Austen. O livro conta a história de Anne Elliot, uma moça que "fora obrigada a ser prudente na juventude, e aprendera o romantismo à medida que envelhecia: a sequela natural de um começo antinatural". Anne é uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, é uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seu passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como uma mulher pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade.




Palavras de uma leitora...



- A capa acima não é da edição que li, mas sim da que desejo com todo o meu coração.rs Eu a namoro sempre que a vejo nas livrarias, mas sempre acabo tendo que comprar outros livros. :( Faço isso porque tenho vários livros na lista de prioridades e essa edição de Persuasão acaba não sendo por eu já ter o livro em outra edição (que é aquela rosa linda que vem com três histórias). A sinopse acima também não é da que li. 

De qualquer forma, a tradução é a mesma e ambas as edições são da Martin Claret. Amo todos os detalhes da minha rosa, é realmente linda. Ocorre que é pesada e um tanto desconfortável para a leitura (letras muito juntas, apertadas ao ponto de você misturar as linhas e ter que voltar a leitura). Tive que ler o livro só quando estava em casa, pois era impossível carregar por aí.rsrs Por isso que quando li Razão e Sensibilidade foi numa edição de bolso. Eu tenho a edição azul de luxo também, contendo outras três histórias da autora, mas não há a menor possibilidade de lê-las nela. Terei que comprar livrinhos de bolso ou ler em e-book. É uma edição que serve para colecionar, mas dificulta muito ler. Enfim...

- Vocês sabem que me apaixonei perdidamente por Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. E que coloquei como meta ler todos os livros que a autora escreveu. Todavia, mesmo guardando com carinho essas duas histórias no coração, Persuasão conseguiu um canto exclusivo, especial. A construção dos personagens foi perfeita e a ambientação como sempre nos faz desejar estar nos lugares mencionados, sentimos até que estamos realmente lá, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. E das protagonistas que conheço a Anne consegue se destacar, mesmo com seu jeito reservado e tímido, mesmo tendo cometido o grave erro de se deixar persuadir pelos outros. De abrir mão do homem que amava porque seus familiares e sua amiga não o aceitavam, não o consideravam digno dela. O preço que pagou foi alto, sem dúvidas. E ter a noção disso tornava tudo pior. 

"Passaram-se poucos meses entre o começo e o fim daquele relacionamento; mas alguns meses não foram suficientes para pôr um fim nos sofrimentos que ele provocara em Anne."

Talvez jamais o revisse na vida. Ou, quem sabe, seus caminhos poderiam voltar a se cruzar quando ele já estivesse casado e pai dos filhos que deveriam ser deles. Nem sempre o destino nos permite consertar os erros do passado, as escolhas que tomamos podem alterar todo o nosso futuro, com consequências que nos marcam de uma forma ou de outra. E ao longo dos oito anos que se passaram desde que Frederick partiu, após o rompimento do relacionamento, Anne nunca conseguiu deixar de pensar nele. Mas tentava. Dia após dia levava a vida a qual se condenou, não aceitando nenhum outro homem, nenhuma outra proposta de casamento, porque sabia que não poderia ser feliz com alguém que não fosse ele. Vivendo numa casa com familiares que sabia que não faziam a menor questão de sua companhia ou se importavam se ela estava bem ou não. Foi a essas pessoas que ela deu ouvidos anos antes. E mesmo que sua amiga sim tivesse boas intenções, ao contrário de seu pai e irmã, a verdade é que nunca deveria ter rejeitado aquele que seu coração desejava. 

Agora aos vinte e sete anos e prestes a ter que abandonar o lar no qual crescera para ir viver em Bath com o pai e a irmã, Anne não sabia bem o que sentia. Sobretudo porque os inquilinos de seu pai, que passariam a viver em seu antigo lar, eram parentes dele, do homem que não esquecera. E não demora nada para que Frederick retorne à sua vida, mas não para reatar qualquer laço rompido. Não retorna por ela, mas para estar próximo de seus entes queridos e encontrar uma noiva adequada para finalmente estabelecer-se. Assim, obrigada a vê-lo por conta dos conhecidos em comum Anne acaba acompanhando dolorosamente de perto o progresso de sua relação com Louisa, a mocinha aparentemente perfeita e dona dos afetos dele. Alguém que não se deixaria persuadir, que não teria o defeito que para Frederick era o pior de todos. Que era imperdoável. 

"Ele a amara ardentemente e nunca amara outra mulher tanto quanto a ela; mas, a não ser por um natural sentimento de curiosidade, não tinha nenhum desejo de tornar a encontrá-la. O poder dela sobre ele acabara para sempre."

Mas teria o amor do passado morrido com a dor e a distância? Seria Frederick realmente indiferente à Anne do presente? Seria incapaz de perdoar os seus erros e recomeçar? O tempo... ele pode destruir muitas coisas, mas nunca um amor verdadeiro...

- Eu me emocionei muito com a história deste casal. É a primeira vez que os casais formados pela autora me causam tal impacto e olha que o Frederick durante o livro quase todo não recebe tanto destaque assim, sendo a história concentrada mais na Anne. Mesmo assim eu senti muito por eles. Por tantos anos perdidos, por tudo o que poderiam ter vivido. Não posso culpar o mocinho pelo fim do relacionamento. Sei que foi a Anne a errar, mas tenho que considerar que ela tinha apenas dezenove anos na época e nada conhecia do mundo, deixando que os "adultos" decidissem o que era adequado ou não e fortemente influenciada pela amizade com Lady Russell, cujos conselhos lhe eram tão importantes. Fez o que os outros queriam, mas enquanto sua família e sua amiga tão bem seguiram com suas próprias vidas foi ela a sofrer. Foi ela quem perdeu. E passou tantos anos sem realmente viver, estando à sombra da irmã, sendo praticamente invisível em sua casa. Ela era quem tinha ficado vazia. 

"Antes, eram tudo um para o outro! Agora, nada!"

- Não suportei nem por um instante a família da Anne. Que gente mais insuportável! Pessoas hipócritas, superficiais, que só se importavam com posição social e assuntos fúteis. Ao que parece a Anne tinha puxado à falecida mãe, mas acho que sua personalidade forte e sua inteligência eram muito próprias. Ela era uma mulher incrível, capaz de causar admiração em muitos dos personagens, mas insignificante para a própria família. A insensibilidade deles, o desprezo latente com o qual a tratavam me causou muita revolta. Eu sentia vontade de esganá-los, sobretudo por ver a maneira como a Anne estava acostumada com aquele tratamento, em sempre ser anulada, menosprezada pelas pessoas que deveriam amá-la, mas que só se lembravam de sua existência quando queriam usá-la. Eu só queria que ela acordasse e fosse embora. Que os mandasse para o inferno! 

- Outra questão é a tal da lady Russell. Mesmo sendo uma mulher boa e quase uma mãe para a Anne também era cheia de preconceitos e se acreditando no direito de se meter na vida da mocinha. Não consegui gostar dessa mulher. A verdade dela não tinha que ser a verdade da Anne e foram os seus preconceitos e malditas boas intenções que tanto influenciaram a mocinha, por causa dos laços de afetos que as uniam. Eu não consegui suportá-la. Gente intrometida assim só causa problemas para aqueles que julgam amar. E não posso perdoá-la por preferir a posição social que a felicidade daquela que tanto protegia. 

- Foi um livro que me provocou muitos sentimentos confusos. Revolta, amor, tristeza, alívio, medo... eu sentia muito medo do casal não ficar junto. Temia que tudo estivesse perdido, que não existisse retorno. Não vou dizer se o final é feliz ou não, mas posso afirmar que foi o livro da Jane Austen que mais me provocou angústia. Quando eu via o Frederick e a Louisa juntos eu é que sentia vontade de chorar. 

"Anne não desejava mais aqueles olhares e palavras. A fria polidez e a cerimoniosa graça demonstradas por ele eram piores do que tudo."

Enquanto a Anne estava lá forte e com aquela tranquilidade exterior que escondia seus sentimentos dos olhares das outras pessoas. Ela estava conformada. E eu querendo que ela fosse até ele e o obrigasse a escutá-la! Mas as coisas vão dar uma baita reviravolta, lhes garanto!rsrs E provocar sentimentos ainda mais intensos em nós leitores. É simplesmente a melhor história da autora para mim. E não sei se conseguirei amar mais algum outro livro dela do que esse. Se sentirei o mesmo, se eles conseguirão chegar aos pés deste livro. 

- Acredito que uma lição ensinada por esta história é não deixarmos que os outros tomem decisões por nós, não importa o quão bem intencionadas elas sejam. Temos o direito de fazermos nossas próprias escolhas e suportarmos as consequências delas. E nunca deixarmos de fazer algo, de seguir um sonho porque nossa família ou nossas amizades não acham que aquilo é bom para nós. Ouvir conselhos é importante, mas sermos incapazes de pensarmos e decidirmos por nós mesmos é muito grave. :( Anne aprendeu isso de maneira dolorosa e muitas eram as chances de nunca mais recuperar o que tinha perdido. A vida não é piedosa. Ela não vai ficar nos dando várias oportunidades de consertar nossos erros. E o tempo definitivamente não para. Ele passa... e como passa!

"[...] ele não conseguia vê-la sofrer sem desejar reconfortá-la."

- Este livro foi minha última leitura do mês de setembro e nem sabia se conseguiria fazer a resenha. Não encontrava as palavras, não sabia nem por onde começar. Só me pegava pensando... refletindo... e analisando minhas próprias escolhas.rs Sim, a história realmente mexeu muito comigo. Demais. 

30 de setembro de 2018

Última Noite de Inocência - India Grey

(Título Original: Her last night of innocence
Tradutora: Deborah Barros
Editora: Harlequin
Edição de: 2011)


Uma noite inesquecível, um segredo a ser revelado…

O piloto Cristiano Maresca sempre passava a noite anterior à corrida nos braços de uma bela mulher… Três anos atrás, Kate Edwards fora sua companhia… e com ela viveu momentos inesquecíveis. Mas no dia seguinte, em uma disputa acirrada, Cristiano sofreu um acidente quase fatal. Logo depois, Kate descobriu que estava grávida dele. Quando ele retorna às pistas de Monte Carlo, festejado pela sua recuperação, reencontra Kate, em meio à multidão de fãs e paparazzi, ansiosa para revelar ao homem que acelerou seu coração a verdade que mudará suas vidas para sempre!



Palavras de uma leitora... 



- Eu só posso me considerar uma completa imbecil. Simplesmente detesto quando adio demais a leitura de um livro e depois descubro que ele era perfeito e eu deveria ter dado uma chance antes. Estou revoltada comigo mesma! Porque Última noite de inocência é uma história preciosa, que nos faz recordar contos de fadas e imaginar que para sermos felizes basta acreditarmos...

Para vocês terem uma noção eu recebi este livro da Harlequin em 2011, nos primeiros meses da parceria, pelo que posso recordar. E não sei por que o pulei. Deve ser porque sou doida mesmo. E estou imensamente arrependida por ter esperado mais de sete anos (recebido em maio/2011) para lê-lo. É uma história tão linda e que me envolveu por completo. Eu sonhava acordada com os personagens.kkkkkk... Mas acho que preciso fazer um resumo para que entendam a história, certo?rsrs Não deem muita atenção à sinopse. Porque o livro é muito mais profundo do que pode parecer. 

- Kate era uma publicitária no início de sua carreira e com um passado que preferia esquecer, mas que guiava todas as suas escolhas. Que era um freio nos seus sonhos. Ela nunca tinha saído da cidade na qual morava até que a esposa do seu chefe e amigo entrou em trabalho de parto e ela teve que ser mandada no lugar dele para entrevistar um famoso piloto de corridas. O que só poderia ser um carma, vez que perdera o pai na infância para um acidente de carro e como se não bastasse a eterna dor por uma perda tão brusca e marcante também perdera o irmão de dezessete anos recentemente para um terrível acidente. Não queria estar perto de carros de corrida. Não queria aquilo em seu caminho. 

Todavia, não teve outra opção senão viajar para Mônaco e entrevistar Cristiano Maresca, um mulherengo cheio de si que jamais perdia uma corrida. Só que o que era para ser apenas uma entrevista se transformou na sua primeira noite de amor. Conscientemente não saberia dizer por que abrira mão de todas as suas reservas e aceitara estar nos braços dele. Talvez tenha sido a maneira como ele a olhou e como se abriu, revelando suas próprias feridas, mostrando a vulnerabilidade que nunca dividira com ninguém. O que teria sido aquilo? Por que confiara nela se sequer a conhecia? 

A noite tinha sido mágica. Mais que sexo tinham partilhado sua dor. Seus medos e desejos. Não foram feitas promessas. Pelo menos não durante a noite. Mas na manhã seguinte, pouco antes de entrar no carro que destruiria tudo, Cristiano lhe prometera sim. Que nada estava acabado. Que ela deveria ficar e esperar por ele. E foi o que ela fez. Ficou... apenas para vê-lo perder o controle do carro e a explosão que se seguiu, mostrando que todos os seus medos não eram infundados. Que não deveria ter aberto seu coração. 

Quatro anos depois, mãe de um lindo menino de três anos, Kate vivia do trabalho e da criação de seu menino. Embora Cristiano não tenha morrido, os ferimentos o deixaram em coma durante um tempo e quando ela descobriu que estava grávida e tentou contatá-lo não conseguiu. Chegou a se humilhar e deixar seu nome com os seguranças dele, dizendo que se ele soubesse quem ela era a receberia, mas tudo foi em vão. Destroçada seguiu com a própria vida, mas no fundo do coração ainda esperava por ele. Ainda imaginava que ele iria buscá-la. 

Cansados de vê-la estacionada no mesmo lugar, esperando por um homem que nunca sequer tinha ligado ou mandado uma mensagem, seus amigos a forçaram a ir ao encontro dele e colocar um ponto final naquela história. Deveria lhe contar a verdade. Falar sobre a criança e depois suportar a escolha dele em vez de ficar sempre imaginando o que poderia ter sido. 

Teriam quatro anos destruído o que começara naquela única noite? Teria um acidente quase fatal que roubara a memória de Cristiano o suficiente para impedi-los de recomeçar? Às vezes... é preciso apenas acreditar. 

"[...] Somente depois que você perde alguém, percebe que sentimento precioso é o... amor. - Ela balançou a cabeça. - Todo o resto é detalhe."

- Ai, gente! Que história linda! Não consigo apagar do meu rosto o sorriso provocado por esta leitura. E eu não esperava realmente nada do livro. Eu tinha resolvido lê-lo para a Maratona Romances de Banca, por causa do tema amnésia, que sempre foi um dos meus preferidos. E fui surpreendida dessa maneira maravilhosa. :D

Fiz toda a leitura em poucas horas, pois tudo fluía naturalmente. Terminava de ler uma página e já devorava as outras sempre querendo mais, tentando imaginar como é que consertariam o estrago de toda uma vida. Tanto a Kate quanto o Cristiano possuem marcas profundas. Enquanto a Kate deixou-se levar pelos sentimentos e se entregou mesmo temendo estar cometendo o maior erro da sua vida, Cristiano era mais fechado. O passado dele é realmente muito doloroso. :( Ele não passou por pouca coisa, não. E isso o endureceu, o fez construir diversas barreiras ao seu redor, determinado a nunca mais estar vulnerável outra vez, a nunca fracassar. É impossível não nos identificarmos com ele, não sentirmos a sua dor e compreender todas as suas escolhas. 

Mas o incrível é que ele abriu seu coração para uma desconhecida. Embora não soubesse expressar o que sentira por Kate naquela noite confiou o suficiente para contar tudo e chorar nos braços dela. Isso tocou tanto o meu coração. E se não fosse a amnésia a história deles teria sido incrível desde o princípio. Porém, veio o acidente e a perda de memória. E quatro anos foram suficientes para endurecê-lo ainda mais. E quando se reencontram Cristiano já não confia. Já não está disposto a se abrir novamente. E não faz ideia do tanto que tinha dividido com ela no passado. 

É a partir disso que precisam se reencontrar. Buscar o caminho de volta um para o outro. Kate é maravilhosa! Uma mocinha doce e forte, uma mãe guerreira e uma apaixonada. Mesmo magoada ela ainda acreditou nele e tentou fazê-lo enxergar as coisas de outra maneira, deixar os fantasmas para trás. Cristiano também é um mocinho incrível! Em nenhum momento eu o desprezei, pois foi muito fácil entendê-lo e ele jamais se comportou de maneira cruel com a Kate. Pelo contrário! Mesmo cheio de reservas estava sempre sendo cuidadoso, sempre ouvindo-a e tentando antecipar suas necessidades. Impossível não amá-los! Estou apaixonada por este casal! :)

Se recomendo o livro?! De olhos fechados! É perfeito! Simplesmente perfeito! Uma história que com certeza lerei novamente. 

"[...] Porque subitamente entendi que o amor é um milhão de vezes mais forte que o ódio."




Como eu disse esta foi minha escolha para o tema de setembro da Maratona Romances de Banca, que consistia em ler um romance (de banca, obviamente) sobre mocinho/mocinha com amnésia. E foi a melhor escolha que eu poderia ter feito! :)

13 de setembro de 2018

Herdeiro Inesperado - Sharon Kendrick

(Título Original: Crowned for the Prince's Heir
Tradutora: Vera Vasconcellos
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)


O segredo que ela guardou...

A estilista Lisa Bailey terminou seu relacionamento com Luc porque sabia que seu caso com o príncipe não teria futuro. Mas um último encontro roubado a deixou cheia de paixão, de desejo e... grávida! Meses depois, o príncipe Luciano de Mardovia está prestes a concretizar o casamento político perfeito quando uma revista de fofocas publica uma foto de Lisa claramente grávida! Ele tem certeza de que o filho é seu. Agora, Luc deve reclamar seu herdeiro a qualquer custo, mesmo que Lisa seja uma noiva inadequada. No final, ela se tornará sua rainha!




Palavras de uma leitora...



- Ultimamente paciência tem sido uma coisa escassa na minha vida. Não estou num momento apropriado para aturar certas histórias... certos comportamentos dos supostos protagonistas. E Herdeiro Inesperado acabou com qualquer resquício que eu tivesse de tolerância. 

O livro nos traz a história de Lisa e Luc, duas pessoas que tinham sido amantes no passado, uma vez que não se poderia considerar o relacionamento como namoro. Afinal de contas, ele só a procurava para satisfazer suas necessidades carnais. Sair com ela? Apresentá-la aos amigos e familiares?! Claro que não! Ela só era boa o suficiente como parceira de cama. Deveria ser mantida escondida como um segredo sujo. Percebem o meu estresse?! 

Após criar forças o suficiente para deixar de ceder ao desejo que sentia sempre que estavam no mesmo cômodo, Lisa resolveu colocar um ponto final na "relação", pois não queria ser tão fraca como a mãe tinha sido e ter o mesmo destino. Assim... seguiu com sua própria vida e incrementou seus negócios, se dedicando de corpo e alma ao trabalho, ainda mais por ter uma irmã e uma sobrinha que dependiam dela. 

Dois anos mais tarde Luc ressurge em sua vida disposto a atar as "pontas soltas" de seu passado, pois pretendia se casar com a mulher adequada, com aquela que seria uma excelente princesa. E precisava livrar-se de uma vez por todas da atração que ainda sentia por Lisa. Apenas mais uma noite na cama dela e poderia seguir em frente. 

E foi exatamente o que aconteceu. Ambos mataram a vontade que sentiam e Luc só se dignou a dizer que iria se casar com outra depois do sexo. Arrasada pela canalhice dele, ela o mandou embora (como se fosse necessário já que ele pretendia fazer justamente isso) e tentou sufocar a dor, aceitando que estava tudo terminado de uma vez por todas. Só que sua despedida sexual resultou numa gravidez inesperada...

- Eu tenho muito o que criticar nesta história. A começar pela imbecil da mocinha. Uma mulher dona de si, de seu próprio negócio, que lutava a cada dia para avançar mais, porém que se transformava numa completa tonta quando se tratava do Luc. Parecia que ela esquecia todo o amor próprio. Se rebaixava, permitia que ele fizesse dela o que bem entendesse. Ela teve coragem de terminar no passado, mas foi só ele reaparecer para ela cair nos braços dele, mesmo sabendo que ele não a considerava boa o suficiente para nada além de sexo. Tem como simpatizar com uma mocinha assim? Alguém que não respeitava a si mesma? Só que pior que isso foi o que ela fez depois... Eu desejei esganá-la! 

"Nunca seria o bichinho de estimação de um homem."

- Sério, minha filha? Mas por que você não levou a sério suas próprias palavras?! Por que fez justamente o contrário, se tornando o bichinho no qual ele mandava e desmandava como bem queria?! Quando o Luc descobre a gravidez dela, resolve romper com a noiva "ideal", pois queria a criança. Porque era seu herdeiro e todos aqueles argumentos tão típicos dessas histórias. A Lisa não aceita se casar com ele, uma vez que tudo o que o motivava era o bebê. E como ela sustentou: há muitos séculos mulheres conseguem se virar muito bem como mães solteiras. Só que ela cedeu bem rápido. Ele a chantageou e ela nem piscou. Se submeteu como uma tonta e largou tudo para ir com ele. Sua independência, sua loja, seus próprios princípios. Dizendo para si mesma que não tinha opção. Como não tinha?!??!?! Em que planeta ela vive? Ele ameaça destruir os negócios dela e lutar contra ela na Justiça pela criança e ela julga que um homem assim é o que merece, que não tem opção? Tinha opção sim! Mandá-lo para o quinto dos infernos e lutar contra ele. Muito simples. Detesto protagonista burra. 

Outro ponto que merece destaque: o cretino ameaça os negócios dela e ela só consegue pensar no quanto fica excitada quando olha para ele. Não dá, gente! Simplesmente não dá! Tem que ter a paciência de um santo para aturar esse tipo de coisa numa história. E, como eu disse, paciência é algo que me falta. 

- E o que falar do Luc? Ele é um lixo. Não me interessa que depois ele tenha confessado que a amava e blá blá blá. Que ela era tudo para ele. Pouco me importa. Tipos como o dele me dão asco. Não é o pior mocinho que já vi nos livros, com certeza não. Mas sua arrogância e seu comportamento machista fizeram meu sangue ferver. Ele se tornou praticamente dono dos negócios dela só para chantageá-la, para ter uma maneira de pressioná-la a fazer o que ele quisesse, nem que fosse tirando dela sua fonte de renda. Isso não é um comportamento de uma pessoa que ama. É o comportamento de um homem obsessivo que não aceita "não" como resposta.

"Quem ela achava que era para recusar seu pedido de casamento sem nem ao menos parar para pensar?"

- Entendem por que desprezo esse traste? Segundo ele a mocinha não tinha direito algum de recusá-lo como marido. Quem será que ela achava que era para fazer algo assim? E olha que a história foi escrita no século XXI! Mas Luc é um homem egocêntrico que acreditava que Lisa era inferior a ele e deveria se sentir honrada por ele se dignar a pedi-la em casamento. 

- Já perdi todo o tempo que não tinha a perder com esta maldita história. Tudo o que quero é esquecer que a li. Claro que depois as coisas ficaram ótimas entre o casal. Muito sexo, e mais sexo, umas palavras de efeito aqui outras ali e todos os problemas ficam resolvidos. E lá vem o felizes para sempre! Nem necessito dizer que é um livro que NÃO recomendo. 



Esta foi a minha escolha para este mês no Desafio 12 Meses Literários. Como podem ver desta vez escolhi muito mal. Foi uma completa decepção.
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