16 de outubro de 2017

Futuro Roubado - Lynne Graham

(Título Original: The Sicilian's Stolen Son
Tradutora: Vera Vasconcellos
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)

Uma deliciosa mentira.

A única conexão que Jemima Barber possui com Julie, sua falecida irmã gêmea, é seu sobrinho. Por isso, quando o pai do menino aparece e ameaça tirá-lo de Jemima, a jovem decide se passar pela irmã e fazer de tudo para permanecer com a criança. Apesar de ela ser muito mais gentil do que Luciano Vitale se lembrava, ele está decidido a fazê-la pagar por ter roubado o seu filho… de uma forma extremamente prazerosa. Porém, Luciano logo descobre que Jemima é muito mais inocente do que poderia imaginar. Agora, ele tem outra proposta em mente: transformá-la em sua esposa.



Palavras de uma leitora...


- A semana passada foi extremamente corrida. E estressante. Eu já não estava mais em provas, mas o desgaste causado por elas ainda permanecia, refletindo nas minhas leituras. Ou melhor, impedindo-as. Sério! Foi muito complicado ler. E não era nem por falta de tempo, mas de disposição mesmo. Tudo o que eu queria era dormir. Só pensava nisso.kkkkk... Acabei por não conseguir postar nada nessa semana que passou. :(

Todavia, estou aqui recuperando o tempo perdido. Infelizmente, não é com a resenha de um livro arrebatador ou algo do gênero. Na verdade...

Sabe quando uma história não funciona? Quando ela não consegue te prender, te convencer ou conquistar? Quando você simplesmente não vê a hora de terminá-la e poder partir para a leitura de algo melhor? Foi bem o que aconteceu comigo. E sim! É um livro da Lynne Graham. E uma coisa que sempre disse sobre os livros dela é que eles podem ser qualquer coisa menos entediantes. Isso até eu ler Futuro Roubado. 

Não irei culpar a história por completo. Meu estado emocional não era dos melhores durante a leitura. Eu estava com o estresse além do limite, preocupada com as provas, muito ansiosa e cansada. Tudo o que eu não precisava era de uma leitura que fosse mais do mesmo e com a agravante da mocinha ser uma tapada. Se a Jemima pelo menos tivesse um pouco de atitude eu não teria ficado tão irritada e louca para me ver livre da história. Mas como nada estava ao meu favor...rsrs

- Nunca fico feliz ao falar mal de um livro. Nunca mesmo. Todas as vezes que explodi aqui, fazendo resenhas estressadas e chamando os livros de todos os nomes que conseguia recordar foi porque tais histórias de fato me tiraram do sério. E sou uma pessoa emotiva. Amo e odeio com intensidade. Assim... alguns livros sentiram nas "páginas" o meu desprezo.rs Mas isso não significa que pulei de felicidade ao escrever resenhas em que "maltratava" as histórias. E quando a história é da Lynne Graham... aí mesmo que não suporto falar mal. 

Após perder a esposa e a filha num terrível acidente, Luciano jurou que jamais voltaria a se casar. Mas o desejo de voltar a ser pai não o abandonava e só aumentava com o passar do tempo. Queria um filho. E a única maneira de consegui-lo sem voltar a ver-se preso na armadilha do casamento era contratando alguém para ser barriga de aluguel. Um contrato simples, sem que os dois sequer se conhecessem. Ela daria à luz, entregaria a criança e desapareceria da vida deles como se nunca tivesse existido. Tudo muito simples. Só que não. Principalmente depois que a escolhida percebe quem era o homem que a contratou. 

Problemática e capaz de tudo por dinheiro, Julie não hesitou antes de roubar a identidade da irmã gêmea e se candidatar ao "cargo" de barriga de aluguel. Não desejava mesmo prender-se a filho algum e o valor oferecido era tentador demais. Porém, depois de todas as desvantagens da gravidez e de descobrir quem era o pai da criança, ela decidiu fugir com o bebê, jurando entregá-lo apenas se Luciano estivesse disposto a pagar muito mais para ter o que tanto desejava...

Frustrado e enfurecido, ele contrata um detetive particular para tentar localizar a infeliz que roubou seu filho e conforme revelações bombásticas vão sendo feitas em relação à mãe que ele escolheu para seu filho mais nojo e desprezo ele sente... Como pôde cometer um erro tão grande? De todas as mulheres como sua equipe pôde ser tão imbecil ao ponto de escolher uma ladra, prostituta e mercenária? E quando finalmente a conhece... Seus olhos inocentes e sua aparente ingenuidade não são capazes de convencê-lo. Nem mesmo as palavras mentirosas que saem de sua boca. Levaria seu filho custasse o que custasse. E nunca mais voltaria a ver aquela mulher. 

Jemima ainda tentava lidar com a morte de sua irmã e todo o caos que ela provocou antes disso. Não tinham crescido juntas. Nascidas de uma mãe viciada em drogas e sem a menor ideia de quem poderia ser o pai delas, as duas foram separadas ainda pequenas. E enquanto Jemima cresceu num lar humilde, mas confortável e com pais acolhedores, Julie sofreu mais de uma vez a rejeição. Assim, quando ela apareceu em sua vida, Jemima a recebeu de braços abertos, acreditando em suas palavras e em seu falso carinho. Encontrou justificativas para suas atitudes mesmo depois da irmã roubar sua identidade e usá-la daquela maneira... E ainda quando ela deu à luz a um bebê com o qual não se importava e se recusou a entregá-lo ao pai por querer mais dinheiro. Em todo o momento a perdoou e aceitou... E agora Julie estava morta. O que fazer com seu sobrinho? Sequer cogitava a possibilidade de entregá-lo à adoção e não fazia ideia de quem era o pai da criança. Sabia do acordo que a irmã fizera utilizando seu nome, mas a outra jamais revelou o nome dele. Sua única alternativa era criar o sobrinho como se fosse seu filho e tentar seguir da melhor maneira possível.

Só que todos os seus planos vão por água abaixo quando Luciano aparece em sua porta, exigindo seu filho de volta e acreditando que ela era a mãe da criança. Não estando pronta ainda para abrir mão do bebê, Jemima resolve levar a farsa adiante, sabendo que seria muito mais fácil para ele livrar-se da tia de Nick nos tribunais do que de sua mãe biológica. E se era o seu nome que estava na certidão de nascimento do menino por que não se aproveitar disso? Sua consciência poderia dizer que ela estava errada, mas quando olhava nos olhinhos do bebê que criava desde o nascimento... tudo o que era certo ou errado perdia importância.

E quando uma atração incontrolável a aproxima de Luciano, tudo torna-se ainda mais complicado...

- O livro até tinha uma premissa boa, apesar de ser mais do mesmo e eu não estar num momento para isso. Mas a história não convence. Pude enxergar o amor da Jemima pelo bebê, porém isso foi o máximo. Não pude ver de onde diabos surgiu o amor dela pelo Luciano e vice-versa. Atração física sim, com certeza. Estavam morrendo de desejo um pelo outro. Não podiam se ver que já pensavam no quanto um era sedutor e tinha essa ou aquela parte do corpo capaz de causar calor. Pensavam o tempo inteiro em sexo e química e eu estava a fim de uma leitura mais substancial. Não me digam que eu deveria ter procurado outro tipo de leitura porque não é bem verdade. Os livros da LG são substanciais quando ela quer. Só que ela não estava com vontade de algo assim ao criar o Luciano e a Jemima. O passado dele é muito triste, claro. Mas o casal passa tão pouca emoção que nem chegamos a sentir empatia. 

E a Jemima é uma pateta. Tudo a imbecil perdoava, compreendia, aceitava. Era uma estúpida do tipo mais irritante. Não tinha atitude para nada. E nem mesmo quando se estressava ela conseguia ter um pouco de cor, todo o tempo estava apagada. Não pude suportar. É uma mocinha que NÃO vai deixar saudades.rs

- Enfim... A leitura realmente não funcionou para mim. Claro que isso em nada diminuiu meu carinho pela autora que sempre será uma das minhas preferidas. Simplesmente, preferirei esquecer este livro.kkkkkk... 

E recomendo que vocês deem uma chance à história! Eu não estava num bom momento quando a li e isso influenciou bastante a leitura. É possível que vocês leiam e se apaixonem! :)

Bjs!

6 de outubro de 2017

Em setembro...


Antes de Dormir é um filme que assisti com um pé atrás. Porque não gosto muito de ver um filme inspirado num livro antes mesmo de ter lido o livro. Prefiro ler primeiro. Assim, foi com reservas e muita curiosidade que comecei a vê-lo. E cheguei à conclusão de que não é uma história ruim. Não chega a isso.rs Realmente me surpreendi bastante com certos acontecimentos, embora, de certa forma, fossem previsíveis. Mas o filme não me marcou nem nada. 

O Garoto da Casa ao Lado sim me causou ansiedade!rsrs E qual é o filme protagonizado pela Jennifer Lopez que vi e não amei?! Todo filme dela é incrível! E este ainda por cima envolve literatura. A protagonista e o tal garoto da casa ao lado são fãs de livros. Ela é professora de Literatura. Ele é um estudante sobretudo louco pelos clássicos, como a Odisseia. Foi fascinante acompanhar certos diálogos deles. Todavia, não é um romance. É um filme de suspense e nem tudo que parece é. Recomendo!

Crepúsculo é um filme que já assisti trilhões de vezes.kkkkkkk... Nunca me canso. A história que mais reli na vida foi a saga Crepúsculo, gente. Cinco vezes!rsrs Já sou toda uma especialista no assunto.rs Bateu saudades num final de semana preguiçoso de setembro e quis assistir de novo. O engraçado é que eu antecipava as falas dos personagens e minha mãe ficava falando que isso era irritante.kkkkk



No dia 10 de setembro estreou a 3ª temporada de Outlander! :D Esta temporada é inspirada no livro 3 intitulado O Resgate no Mar, que aqui no Brasil foi dividido em duas partes. Prometi a mim mesma que só assistiria depois que terminasse de ler o livro três. Só que não deu lá muito certo.rsrs No mesmo dia em que falei isso cedi à tentação de ver o primeiro episódio e amei! Apesar das alterações que me estressaram. Todavia, as coisas foram me estressando mais no episódio 2 e comecei a passar muita raiva com certas mudanças. Só que nada se compara ao que senti ao assistir o terceiro episódio. Alteraram tanto que tiraram a essência de determinadas cenas e isso eu não pude perdoar. Quase parei de assistir a série depois disso. Mas meu carinho pelo Jamie e a Claire me fez seguir em frente. E o episódio 4 me fez recuperar a esperança na série. Mas definitivamente não estou gostando de tantas alterações nas cenas dos livros, gente. Nem um pouco. Que mudem cenas, mas que mantenham a essência delas! 



Terminei de assistir a 1ª temporada de Gilmore Girls!!! :D E posso dizer sem hesitar que AMEI!!! Muito mesmo! Estou mais do que louca para assistir a temporada 2 e só necessito arranjar tempo para isso. As coias estão muito corridas e estou lutando para conseguir tempo para as coisas que amo. Está difícil. 

Não acho o Dean o garoto ideal para a Rory. Imaturo demais, apagado.rs Não tem atitude! Ela é uma menina maravilhosa que necessita encontrar alguém que realmente lhe dê valor e saiba conquistá-la. Não um tolo como o Dean.

Amo demais ver a Lorelai com o Max! Torço tanto por eles, mesmo sabendo que é em vão. Sim, eu também gosto imenso do Luke, mas é tão lindo ver a Lorelai e o Max juntos! Realmente queria que terminassem a série casados e felizes. Conto de fadas, eu sei!kkkkkkkk...



Quem me conhece bem sabe que sou fã incondicional da Dulce María desde a época de Rebelde. Aquela novela mexicana juvenil que causou grande estrondo no mundo, levando a banda RBD, que surgiu a partir da novela, a diversos países. Rebelde passou, mas meu amor pela novela, pela banda e em especial pela Dulce María ficou. E com o tempo, ela apenas mostrou-se mais e mais digna do meu carinho e admiração. E é por isso que basta uma novela ser protagonizada ou antagonizada por ela para que eu queira ver. :D

Assim, quando eu soube que a Dulce tinha sido contratada pela Imagen Televisión (concorrente da Televisa, nossa conhecida das novelas mexicanas que passam no Sbt) para protagonizar a nova novela da emissora, eu quis muito ver. Mesmo sabendo que não passaria aqui. :(

A novela estreou no dia 18 de setembro, intitulada Muy Padres e conta a história de três pais distintos que se conhecem graças aos seus pequenos filhos. É uma comédia familiar e romântica que nos faz rir sem que os atores sejam exagerados, cômicos demais. Tudo é natural. Rimos, choramos, nos emocionamos, desejamos pegar as crianças fofíssimas no colo e abraçá-las, pois são excelentes em seus papéis! Estou amando cada instante da novela. E não só as cenas protagonizadas pela Dulce. A novela inteira é maravilhosa! Cada história nos encanta e envolve. Estou louca pelos próximos capítulos! E NÃ! É claro que não estou vendo a novela!rsrs Afinal de contas, ela está passando só no México. Só "imagino" os capítulos.kkkkkkkkk...


E os livros que li foram...

"- Culloden - disse ele, a palavra sussurrada uma evocação de tragédia. Morte. Vazio. A terrível separação que me tirara dele.
- Eu nunca mais o deixarei - murmurei. - Nunca mais."


"Essa era a tristeza que ele havia carregado consigo, pesada como uma pedra no coração. Essa era a tristeza de que tentara poupar Norah e Paul, e só fizera criar muitas outras."

2 de outubro de 2017

Livros Lidos em 2017



Olá, meus queridos!

Não era para eu estar aqui. Deveria estar estudando para o pesadelo de prova que terei amanhã. Mas a verdade é que estudei tanto para a prova que tive hoje que não tenho muita energia no momento. Necessito de um pouco de descanso. Relaxar a mente ou vou enlouquecer. É sério. 

- E não! O ano ainda não acabou!rsrs Estamos quase lá, mas quis começar o post sobre todos os livros que li este ano. Ao longo dos próximos meses irei atualizando conforme for lendo outros livros, ok? 

Também pretendo fazer outros posts depois com listas de livros que li em 2016, 2015 e por aí vai... É uma maneira de organizar as leituras aqui e facilitar o acesso de vocês às resenhas dos livros que já li. Espero que gostem! :)

Talvez recordem que eu tinha Minhas Metas de Leituras para o ano de 2017.rsrs Ela vai bem. Mais ou menos.kkkkk... A verdade é que acabei lendo muitos livros que não faziam parte da meta, mas foi mais forte que eu. E não me arrependo!rsrs Temos que ler o que queremos, não é mesmo? Às vezes simplesmente olhamos para um livro e queremos lê-lo naquele instante. Então, ele acaba passando a frente dos outros. Acontece.rs

Nesta lista vocês também saberão quantas estrelas dei para cada livro lido. :D


Em janeiro

1- Corações Entrelaçados - Scarlet Wilson (4 estrelas)
2- Desaparecido para Sempre - Harlan Coben (5 estrelas - favorito)
3- Segredos e Mentiras - Diane Chamberlain (5 estrelas - favorito)
4- Um Mais Um - Jojo Moyes (4 estrelas)
5- E Viveram Felizes para Sempre - Julia Quinn (5 estrelas - favorito)

Em fevereiro

1- Amor em Construção - Michelle Douglas (3 estrelas)
2- No Mundo da Luna - Carina Rissi (5 estrelas - favorito)
3- Noiva Inadequada - Lynne Graham (3 estrelas)

Em março

1- As Areias do Tempo - Sidney Sheldon (5 estrelas)
2- O Cavaleiro de Bronze (Parte 1) - Paullina Simons (5 estrelas - favorito)

Em abril

1- O Cavaleiro de Bronze (Parte 2) - Paullina Simons (5 estrelas - favorito)
2- Cinderela Pop - Paula Pimenta (4 estrelas)

Em maio

1- Alma de Guerreiro - Michelle Willingham (4 estrelas)
2- Orgulho e Preconceito - Jane Austen (5 estrelas - favorito)
3- O Diário de Anne Frank (5 estrelas - favorito)

Em junho

1- A Força do Destino - Charlotte Lamb (4 estrelas)
2- Vingança Arriscada - Sara Craven (5 estrelas - favorito)
3- Doce Amor - Carole Mortimer (3 estrelas)
4- Cuco - Julia Crouch (não avaliei)

Em julho

1- Cartas para Uma Falsa Dama - Carol Townend (3 estrelas)
2- Jogo de Sedução - Nora Roberts (5 estrelas - favorito)
3- O Estrangulador - Sidney Sheldon (4 estrelas)
4- Nacida Bajo el Signo del Toro - Florencia Bonelli (5 estrelas - favorito)
5- Juízo Final - Sidney Sheldon (4 estrelas)
6- A Herdeira - Sidney Sheldon (5 estrelas)
7- Senhora - José de Alencar (4 estrelas)
8- Querida Sue - Jessica Brockmole (5 estrelas - favorito)
9- Nacida Bajo el Sol de Acuario - Florencia Bonelli (5 estrelas - favorito)

Em agosto

1- A Travessia - William P. Young (5 estrelas - favorito)
2- A Noiva Disse Jamais! - Sandra Marton (3 estrelas)
3- Os Elefantes não Esquecem - Agatha Christie (4 estrelas)
4- As Relações Perigosas - Choderlos de Laclos (5 estrelas)
5- Rei Édipo - Sófocles (4 estrelas)
6- Cinco Minutos - José de Alencar (5 estrelas)
7- A Viuvinha - José de Alencar (4 estrelas)
8- A Metamorfose - Franz Kafka (3 estrelas) - Releitura

Em setembro

1 - O Resgate no Mar (Parte 1) - Diana Gabaldon (5 estrelas - favorito)
2- O Guardião de Memórias - Kim Edwards (5 estrelas)


Em outubro

1- Futuro Roubado - Lynne Graham (3 estrelas)
2- Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling (5 estrelas)


Em novembro

1- Inferno - Dan Brown (4 estrelas)


Em dezembro

1- Harry Potter e a Câmara Secreta - J. K. Rowling (5 estrelas - favorito)
2- O Resgate no Mar (Parte 2) - Diana Gabaldon (5 estrelas - favorito)

1 de outubro de 2017

O Guardião de Memórias - Kim Edwards

(Título Original: The Memory Keeper's Daughter
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2007)

Com mais de três milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos, O Guardião de Memórias é uma fascinante história sobre vidas paralelas, famílias separadas pelo destino, segredos do passado e o infinito poder do amor verdadeiro. 

Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. 

Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. 

Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. 

A força deste livro não está apenas em sua construção bem amarrada ou no realismo de seus personagens, mas, principalmente, na sua capacidade de envolver o leitor da primeira à última página. 

Com uma trama tensa e cheia de surpresas, O Guardião de Memórias vai emocionar e mostrar o profundo - e às vezes irreversível - poder de nossas escolhas.



Palavras de uma leitora...


Quando vocês lerem esta resenha, já será dia 1 de outubro, embora eu a tenha iniciado às onze e meia da noite do dia 30. E enquanto escrevo não paro de pensar no quanto a vida é fugaz... em como cada momento é único e irrecuperável. Nunca mais será dia 30 de setembro de 2017 de novo. Um dia que se perderá na passagem do tempo, que nem recordado será. Esquecido como se nunca tivesse existido. 

São tantos momentos... tanta vida acontecendo em diversos lugares diferentes. Milhões e milhões de histórias ocorrendo neste instante. E quantas outras aconteceram antes? Séculos atrás? Milênios atrás? Vidas que se entrelaçam modificando o destino das pessoas. Entes queridos eternizados pelas lembranças daqueles que ainda os amam e que, enquanto viverem, também os manterão vivos de certa forma... Um dia nós também seremos passado. Se lembrarão de nós num momento especial ou num dia qualquer quando um gesto de alguém, uma música, um livro, os fizer recordar. E então... quando essas pessoas também partirem não existirá nada que nos mantenha vivos aqui. Nem mesmo alguém que se lembre...

Melancólico isso, não é mesmo? Triste e verdadeiro, por mais que queiramos negar. É o caminho da vida. Um motivo maior para aproveitarmos tudo o que temos. Cada momento que não voltará mais. São em coisas assim que O Guardião de Memórias nos faz pensar. 

- Comprei este livro em 2011. A verdade é que já não recordo bem o que me levou até ele. Lembro vagamente de ele ter chamado minha atenção. A capa, o título... senti uma vontade irresistível de trazê-lo. Mas durante seis anos me neguei a arriscar a leitura. Não me sentia preparada para desvendar os segredos que se escondiam em suas páginas. Sabia que seria um livro que me tiraria de minha zona de conforto. Não é à toa que só tomei coragem de lê-lo este ano, ao participar de um desafio de leitura. Não existia livro que melhor se encaixasse no tema do mês de setembro. Por isso, respirei fundo e resolvi lê-lo. E, sinceramente, não sei bem o que sinto. 

"Mais tarde, ao pensar nessa noite  - e pensaria nela muitas vezes, nos meses e anos seguintes: o momento decisivo de sua vida, em torno de cujos instantes sempre giraria todo o resto -, o que lembrou foi o silêncio da sala e a neve caindo lá fora, ininterrupta."

- Era para ser o começo de toda a sua vida. O início de sua família. Mas foi o final. Qualquer coisa que ele tivesse sonhado, tudo o que pudesse vir a acontecer estava perdido. Uma escolha havia destruído tudo. Se tivesse imaginado tudo o que perderia ao fazer o que acreditava ser o certo, não teria tomado aquela decisão. Mas não sabia. E com toda sua alma achava que estava apenas protegendo aqueles que amava da dor. Teria a vida inteira para se arrepender. 

Durante uma terrível tempestade de neve, o doutor David Henry foi obrigado a fazer o parto de sua jovem esposa, pois o médico não tinha conseguido chegar a tempo. Contando com a assistência de sua competente enfermeira, Caroline Gill, ele trouxe ao mundo seu filho. Um lindo menino. Perfeito e saudável. Sentiu-se vivo naquele momento. Um algo mais. Aquele ser pequeno era uma parte sua e da mulher que ele amava. Tudo ficaria bem. Porém, as novas contrações de Norah os surpreenderam com o fato de que na verdade ela esperava gêmeos e o outro bebê também queria nascer. 

Recuperando-se do choque, David voltou a ocupar o papel de médico e guiou sua pequena filha para fora do útero da mãe. A repetição dos mesmos procedimentos, mas a vida de todos mudou para sempre no instante em que ele viu o rostinho da filha. Não foi difícil reconhecer os sinais da Síndrome de Down. E saber o que precisaria fazer...

"Ele não imaginou, como faria mais tarde nessa noite, e em muitas noites subsequentes, a que ponto estava pondo tudo em risco."

Pedindo a Caroline que levasse a menina para a outra sala enquanto era invadido pelas lembranças de sua própria infância, crescendo ao lado de uma irmã condenada pela mesma doença, David amadurecia a decisão que tomara no momento em que a olhou pela primeira vez. Havia perdido a irmã quando ela tinha apenas doze anos de idade. Um dia ela simplesmente parou de respirar. E embora sua mãe tivesse vivido por vários outros anos após a filha partir, a verdade é que morrera no mesmo dia. Nunca mais ela tinha sido a mesma. E o vento que a filha tanto tinha amado, ela aprendeu a odiar. David não queria reviver o mesmo pesadelo. Não suportaria passar por tudo aquilo de novo. E, mais do que tudo, necessitava proteger Norah da dor. 

Determinado e destroçado ao mesmo tempo, entregou a filha para Caroline, pedindo a ela que levasse a menina para longe, que a deixasse numa instituição preparada para lidar com casos assim. Profundamente chocada, Caroline demorou a entender o que ele dizia. E Norah?, quis saber. Ele disse que conversaria com ela, que a faria compreender que aquilo era o melhor para todos. Todavia, quando Caroline partiu com a menina e Norah despertou, não foram essas as palavras que saíram da boca de David. Não contou para ela o que tinha feito. Não disse que a filhinha deles estava a caminho de uma instituição para deficientes mentais. O que ele disse foi bem diferente... Olhando nos olhos da mulher a quem amava, disse que sentia muito, mas que a menina não havia sobrevivido. Que a filha deles nunca tinha chegado a respirar. 

Uma mentira. Mais que um pecado. Ele havia feito a sua escolha. E com ela destruíra absolutamente tudo. Até mesmo o amor que um dia o uniu à sua mulher. Durante os vinte e cinco anos seguintes pagaria por aquela noite. Desejaria voltar no tempo e consertar o que quebrara com suas próprias mãos. Mas o tempo é impiedoso. Ele nos traz arrependimentos sem nunca nos dar a oportunidade de refazer o que não tem retorno. 

"Em todo fim, portanto, havia um começo."

- Nem sei por onde começar... É uma frase que já repeti inúmeras vezes em minhas resenhas, mas é a pura verdade. Quando lemos um livro como este não é fácil encontrar as palavras, organizar os pensamentos, saber o que de fato sentimos por ele. 

Ódio foi a primeira coisa que senti pelo David, é claro. Uma fúria que me fazia apertar o livro, que me deixava com imensa vontade de abandonar a leitura. Eu o desprezava com todas as minhas forças. Como amar um homem que foi capaz de se desfazer da própria filha como se ela fosse um objeto qualquer? Como não odiar alguém que além de ter feito algo tão terrível ainda teve coragem de mentir para a mãe da menina, ainda foi capaz de dizer que a bebê havia morrido? Alguém que via o desespero da mulher, a dor sempre presente em seus olhos e mesmo assim jamais disse a verdade, nunca voltou atrás? Impossível não sentir repulsa, nojo, desprezo. Todavia, o mundo não é preto e branco, queridos. Existem muitos tons de cinza. A vida está longe de ser perfeita e é exatamente o que este livro nos mostra. A realidade. O poder que nossas escolhas possuem. A maneira como uma pessoa aparentemente boa pode tomar uma decisão monstruosa e assim mudar a vida de diversas outras pessoas. 

- Quando iniciamos a leitura, conhecemos um pouco do passado recente de Norah e David. O primeiro encontro, a maneira como ele se apaixonou à primeira vista e soube que aquela jovem reservada e bela em sua timidez era a mulher da sua vida. A única que ele amaria até o seu último dia. O envolvimento foi rápido e intenso. Em pouquíssimos meses estavam casados. Não demorou muito para a gravidez. Um bebê muito desejado, ansiado pelos dois. Ambos tinham planos, a vida inteira para construírem juntos. Era o ano de 1964. 

E o livro prossegue assim. Ele não pula direto para o presente. Ele segue lentamente, partindo do início de tudo. Nos mostrando como as coisas começaram antes de nos fazer encarar o seu final. Além disso, ele nos mostra quatro pontos de vistas diferentes, ainda que narrados em terceira pessoa. Conhecemos os pensamentos e sentimentos da Norah, a mãe que sofria pela morte de sua bebê e via seu casamento desfazer-se sem que ela pudesse impedir. Também temos a oportunidade de conhecer profundamente o David e a maneira como ele nunca se perdoou pelo que tinha feito, embora não tivesse forças para contar toda a verdade. Também acompanhamos o Paul, filho deles, e a maneira como aquele acontecimento afetou sua vida. E, é claro, também vemos a vida e o ponto de vista da Caroline que, naquela noite, pegou a bebê nos braços e não teve coragem de deixá-la numa instituição horrível. A mulher que secretamente era apaixonada por seu chefe, o mesmo David que lhe pedira o impensável, e que escolhera ficar com a menina e partira para bem longe, sabendo que Norah acreditava que a filha estava morta. Sabendo que era cúmplice de David naquele crime e mesmo assim indo em frente, sem jamais voltar atrás. 

"Os três levariam sua vida, um dia atrás do outro, afastando-se passo a passo da filha perdida."

- Não é uma leitura fácil. É amarga, dolorosa. É extremamente difícil ver os personagens chegando ao fundo do poço lentamente. Se tudo tivesse acontecido de maneira rápida, teria sido mais suportável. Porém, não é assim. A destruição é lenta. Todo um processo. Os sorrisos se apagam aos poucos, a tristeza vai ganhando espaço nos olhos, no rosto, na tensão sempre presente no corpo do casal. Começa a invadir os ambientes, cada canto da casa e se estender até não sobrar espaço para o amor. Norah se afoga na dor pela perda da filha que nunca pegou nos braços e toda vez que procurava o consolo do marido, ele não estava. Sempre estava com muito trabalho no hospital e se ela tocava no nome da bebê, ele se fechava ou reagia de maneira agressiva, como se ela estivesse sofrendo de maneira exagerada. Como se não tivesse motivos para isso, pois eles tinham uma vida boa e um filho. Não a compreendia e assim as pontes foram caindo... De tanto precisar dele e não tê-lo, acostumou-se. Ao ponto de realmente deixar de precisar do seu carinho, do seu apoio ou conforto. Guardou luto pela bebê sozinha e tentou reconstruir sua vida deixando David do lado de fora. Por mais que ainda vivessem na mesma casa. 

Com o tempo, vieram as traições. Se é que ela poderia encará-las assim. Não sabia bem o que sentia quando deitava-se com outros homens. Realmente estava traindo o marido? Ele ainda existia? Se importava? Às vezes, quando o ressentimento e a dor diminuíam por alguns instantes, pegava-se recordando... perguntando-se como tinham chegado àquele ponto. Onde tinha ido parar o amor que ela acreditava que duraria para sempre? Um dia desejou envelhecer ao lado do marido. Sonhos perdidos. Enterrados no mesmo túmulo em que sua filha descansava. 

"Dera sua própria filha. Esse segredo tinha ficado no centro de sua família, havia moldado sua vida em comum. David o conhecia, podia enxergá-lo, visível como um muro de pedra erguido entre eles."

David, por sua vez, se desfizera da filha acreditando que estava poupando a todos da dor. Que a criança não teria muito tempo de vida. Que aquilo era o melhor. No entanto, não pôde esquecer. Não conseguiu tirá-la de sua cabeça. Recordava muitas vezes aqueles breves momentos em que a teve em seus braços, em que sentiu sua pele, a vida correndo por seu corpo pequeno e frágil e a entregou à Caroline. Desejava vê-la. Reencontrá-la mesmo que soubesse que era tarde demais. Tudo se misturava em sua mente, a dor que carregava era uma mescla da que enfrentou num passado distante, ao perder a irmã e a que era obrigado a suportar por ter aberto mão de sua filha. Não conseguia encarar os olhos tristes de Norah, ver a transformação que ocorrera em sua mulher sem sentir as fisgadas intensas da culpa. Foi o primeiro a erguer os muros. E quando descobriu suas traições, não conseguiu condená-la. Seguiu ao seu lado. Porque cada atitude de Norah era consequência de seu próprio erro. Como condená-la se seus próprios pecados eram maiores?

"Havia guardado esse silêncio porque seus próprios segredos eram mais sombrios, mais ocultos, e por acreditar que seus segredos haviam criado os dela."

- Como eu disse, não é uma leitura fácil. Ela nos traz um drama familiar forte e palpável. Real, até. Nos envolve na vida dos personagens, faz com que nos coloquemos no lugar de cada um deles e entendamos como toda a situação era difícil e nos fazendo perguntar a nós mesmos que escolhas teríamos feito no lugar deles. Norah, David, Caroline e Paul. Conforme a vida deles se desenvolve com o passar da história, ocupamos o lugar de cada um e isso nos faz refletir. Bastante. 

É fácil julgarmos o David por ter aberto mão da filha. Eu julguei e continuo sentindo muita raiva pelo que ele fez, embora tenha deixado de odiá-lo. Ele realmente não precisava do meu ódio. Se desprezava o suficiente. E pagava. A verdade é que pagou por toda a vida. E também é fácil condenarmos a Norah por suas traições. Podemos pensar que ela não deveria ter feito isso, que era só pedir o divórcio e ponto final. Só que a vida real é muito mais complicada que a ficção e este livro, apesar de ser uma obra de ficção, tenta se aproximar o máximo da realidade. Da vida como ela é. Dos erros, da imperfeição do seres humanos. Das escolhas que fazemos e constroem ou destroem tudo. Em como pessoas boas podem errar. Em como esse conceito de "bom" ou "mau" não é tão definido assim. Não temos mocinhos e vilões neste livro. Temos seres humanos imperfeitos lidando com suas vidas e a consequência de suas decisões. 

- Eu senti simpatia e antipatia pelos três principais: Norah, David e Caroline. Nenhum deles era o "correto" ou uma completa vítima. O que fizeram com a Norah era imperdoável e um crime. Impossível não sentirmos uma revolta intensa por terem arrancado o seu bebê. Pelas mentiras, pelo luto que ela vivia sem saber que chorava por um bebê que estava vivo, crescendo longe dela. Neste aspecto, ela era sim uma vítima. Mas a história segue e ela também comete seus erros. Também tem sua parcela de culpa pelo fracasso do casamento e os problemas com o filho. David... ele desencadeou tudo. Mas posso somente culpá-lo? Ele era um vilão, um monstro? A verdade é que não. Era um ser humano marcado por uma infância que não conseguiu esquecer. Pelas lembranças de perdas que não superou, pelo fantasma de uma irmã que morreu cedo demais, vítima da mesma síndrome de sua filha. Os erros dele são imensos, ainda piores porque ele seguiu mentindo por muitos e muitos anos. Todavia, não tenho coração para ignorar o tormento que ele vivia. Porque ele sofreu. E muito.

E ainda temos a Caroline. A "boa" moça que não teve coragem de deixar um bebê numa instituição assustadora. E que então foi embora com a neném e a criou como filha. Ela não é nenhuma santa. Estava apaixonada pelo David e se ressentia porque a Norah ocupava o lugar que ela desejava que fosse seu. Ela foi cúmplice do David, mesmo que tenha pedido para ele contar a verdade. Porque ela tinha boca, porque poderia ter contado tudo, mas preferiu partir. Levou um bebê que ela sabia que não lhe pertencia. Ela viu a dor da Norah na homenagem feita à filha que ela acreditava que estava morta. E mesmo assim a Caroline foi embora. Seu erro não é menor que o de ninguém. Seus motivos não foram altruístas. Ela realmente deu sua vida à Phoebe, a menina. Não nego. Fez tudo por ela. Mas não precisava ter feito. Porque a criança tinha mãe. Uma mãe que a queria, que sofria sua ausência. Isso também não tem perdão. 

- Já falei muito.rsrs Foram tantas a emoções que este livro me provocou... Ainda estou perturbada. Depois dele com certeza necessitarei de uma leitura leve.

"Essa era a tristeza que ele havia carregado consigo, pesada como uma pedra no coração. Essa era a tristeza de que tentara poupar Norah e Paul, e só fizera criar muitas outras."




O Guardião de Memórias foi minha escolha para o tema de setembro do Desafio 12 Meses Literários. O tema foi: um livro que te tire da zona de conforto. Este livro com certeza fez isso! Só o li por causa do desafio. Senão seguiria adiando a leitura por tempo indeterminado.rs

Este é um caso de resenha postada excepcionalmente no final de semana. Os posts pré-fixados são às segundas e sextas-feiras. :)
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