21 de setembro de 2018

Tudo que assisti e li - agosto/2018 + lendo agora



Olá, queridos!

Eu ia deixar para fazer o resumo de agosto apenas em outubro (risos) juntamente com o de setembro. Porque li muito pouco. Todavia, como esta semana não consegui trazer nenhuma resenha para vocês e não queria que terminasse sem que eu publicasse nada, eis que aqui estou.rsrs

Talvez vocês saibam que gosto muito de Gilmore Girls. É uma das séries preferidas da minha amiga Carla e ela sempre me recomendou bastante. Em 2017 (no mesmo período do ano) eu consegui assistir a primeira temporada toda, mas o tempo foi passando e nada de avançar para a segunda.kkkkkk... Não conseguia encaixar a série de jeito algum em nenhum horário e eu queria ver um episódio atrás do outro. Acontece que em agosto finalmente comecei a ver a segunda temporada. Foram só quatro episódios, mas é melhor que nada.kkkkkkk... 

A Lorelai e a Rory não cansam de me divertir e tornar o tempo que passo ao lado delas mais leve. Mais que mãe e filha elas são amigas e a relação delas me encanta. Pretendo seguir vendo neste final de semana, se Deus quiser! :)



No mundo da leitura só tivemos quatro livros.rs Foi um mês quase todo dedicado ao TCC e ler era quase impossível. A Bela e a Fera é uma história que não fazia parte da minha meta, mas saiu furando fila porque amo o conto.kkkkkkkkk... Uma leitura deliciosa que eu super recomendo!

Fortaleza Digital foi uma releitura. Um livro que conheci em 2009 e que faz parte de exceções: não gosto de thriller tecnológico, mas amo esta história. É um livro muito envolvente e que cria toda uma trama de mistério em torno de uma organização real: a NSA, que já protagonizou alguns escândalos pelo mundo afora. Vale a pena ler! Eu amo! Foi uma releitura para o Desafio 12 Meses Literários. 



Lucíola é um clássico da literatura nacional e mexeu profundamente com minhas emoções. Chego a sentir uma dorzinha ao lembrar da história. Chorei muito! Muito mesmo! O livro acabou comigo e deixou aquela sensação de revolta, de que não podia acabar daquela maneira. Que estava tudo errado e os seres humanos não prestam, não sabem o que é compaixão ou empatia. Nunca poderei esquecer a Lúcia e tudo o que aprendi com sua força e sua vida. Estou quase chorando de novo. Enfim... Li para o Desafio Mensal e Desafio Literatura Nacional. 

O Jardim dos Sonhos foi minha leitura para a Maratona Romances de Banca. E confesso que esta história foi uma linda surpresa. Eu tinha expectativas, porém mesmo assim não esperava gostar tanto. Simplesmente me envolvi por completo, me senti conectada aos personagens e às suas histórias. Quero ter a oportunidade de ler mais obras da autora. 

Qual foi a falha do mês? O Desafio Mensal consiste em ler dois livros predeterminados no mês. Eu li Lucíola, mas faltou Tudo o que Ela sempre Quis (um suspense). Assim, falhei ao não ler esse livro, mas pretendo lê-lo em início de outubro. 


E o que estou lendo agora? 


Eu descobri através das meninas no grupo da leitura coletiva que a Emily Brontë, minha amada autora de O Morro dos Ventos Uivantes, tinha vários poemas publicados e reunidos num só livro. Uma leitora postou um vídeo belíssimo de uma música inspirada num dos poemas da autora e ali eu percebi mais do que nunca que necessitava deste livro. Aproveitei uma super promoção na Americanas e adquiri meu exemplar. Estou quase concluindo a leitura e posso dizer que AMO! A Emily nunca deixa de me apaixonar. O que me entristece é saber que ela não viveu o suficiente para ver o sucesso que suas obras fariam. E não pode escrever mais. :( 



Também estou mergulhada na leitura de Persuasão, mais um clássico da Jane Austen que tenho a oportunidade de conhecer. Nem necessito comentar sobre a história, certo?! Esta autora arrasava! Suas tramas são sempre envolventes, maravilhosas e capazes de nos deixar com aquele gostinho de quero mais. Ainda estou na metade, mas já sei que será um cinco estrelas. Chego inclusive a acreditar que será meu livro preferido da autora. Amo os dois anteriores que li (Orgulho e Preconceito/Razão e Sensibilidade), mas Persuasão tem um algo além. Não sei explicar. Só sei que é uma leitura que flui naturalmente e quando preciso interromper fico bem irritada.rs



A Fênix de Fabergé é uma leitura do gênero romance erótico. E quem me conhece sabe que não curto muito esse gênero. Recebi o livro em parceria com a Harlequin e como já tinha lido Pertinácia da Sue Hecker e gostei (ainda que com ressalvas) resolvi apostar na história. Não li nem 100 páginas ainda, então, não posso dar uma opinião definitiva. Mas sim, já tenho problemas com os personagens.kkkkkk... Vamos ver se no final irei gostar ou não da história!rs


Leia as resenhas clicando AQUI. 

13 de setembro de 2018

Herdeiro Inesperado - Sharon Kendrick

(Título Original: Crowned for the Prince's Heir
Tradutora: Vera Vasconcellos
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)


O segredo que ela guardou...

A estilista Lisa Bailey terminou seu relacionamento com Luc porque sabia que seu caso com o príncipe não teria futuro. Mas um último encontro roubado a deixou cheia de paixão, de desejo e... grávida! Meses depois, o príncipe Luciano de Mardovia está prestes a concretizar o casamento político perfeito quando uma revista de fofocas publica uma foto de Lisa claramente grávida! Ele tem certeza de que o filho é seu. Agora, Luc deve reclamar seu herdeiro a qualquer custo, mesmo que Lisa seja uma noiva inadequada. No final, ela se tornará sua rainha!




Palavras de uma leitora...



- Ultimamente paciência tem sido uma coisa escassa na minha vida. Não estou num momento apropriado para aturar certas histórias... certos comportamentos dos supostos protagonistas. E Herdeiro Inesperado acabou com qualquer resquício que eu tivesse de tolerância. 

O livro nos traz a história de Lisa e Luc, duas pessoas que tinham sido amantes no passado, uma vez que não se poderia considerar o relacionamento como namoro. Afinal de contas, ele só a procurava para satisfazer suas necessidades carnais. Sair com ela? Apresentá-la aos amigos e familiares?! Claro que não! Ela só era boa o suficiente como parceira de cama. Deveria ser mantida escondida como um segredo sujo. Percebem o meu estresse?! 

Após criar forças o suficiente para deixar de ceder ao desejo que sentia sempre que estavam no mesmo cômodo, Lisa resolveu colocar um ponto final na "relação", pois não queria ser tão fraca como a mãe tinha sido e ter o mesmo destino. Assim... seguiu com sua própria vida e incrementou seus negócios, se dedicando de corpo e alma ao trabalho, ainda mais por ter uma irmã e uma sobrinha que dependiam dela. 

Dois anos mais tarde Luc ressurge em sua vida disposto a atar as "pontas soltas" de seu passado, pois pretendia se casar com a mulher adequada, com aquela que seria uma excelente princesa. E precisava livrar-se de uma vez por todas da atração que ainda sentia por Lisa. Apenas mais uma noite na cama dela e poderia seguir em frente. 

E foi exatamente o que aconteceu. Ambos mataram a vontade que sentiam e Luc só se dignou a dizer que iria se casar com outra depois do sexo. Arrasada pela canalhice dele, ela o mandou embora (como se fosse necessário já que ele pretendia fazer justamente isso) e tentou sufocar a dor, aceitando que estava tudo terminado de uma vez por todas. Só que sua despedida sexual resultou numa gravidez inesperada...

- Eu tenho muito o que criticar nesta história. A começar pela imbecil da mocinha. Uma mulher dona de si, de seu próprio negócio, que lutava a cada dia para avançar mais, porém que se transformava numa completa tonta quando se tratava do Luc. Parecia que ela esquecia todo o amor próprio. Se rebaixava, permitia que ele fizesse dela o que bem entendesse. Ela teve coragem de terminar no passado, mas foi só ele reaparecer para ela cair nos braços dele, mesmo sabendo que ele não a considerava boa o suficiente para nada além de sexo. Tem como simpatizar com uma mocinha assim? Alguém que não respeitava a si mesma? Só que pior que isso foi o que ela fez depois... Eu desejei esganá-la! 

"Nunca seria o bichinho de estimação de um homem."

- Sério, minha filha? Mas por que você não levou a sério suas próprias palavras?! Por que fez justamente o contrário, se tornando o bichinho no qual ele mandava e desmandava como bem queria?! Quando o Luc descobre a gravidez dela, resolve romper com a noiva "ideal", pois queria a criança. Porque era seu herdeiro e todos aqueles argumentos tão típicos dessas histórias. A Lisa não aceita se casar com ele, uma vez que tudo o que o motivava era o bebê. E como ela sustentou: há muitos séculos mulheres conseguem se virar muito bem como mães solteiras. Só que ela cedeu bem rápido. Ele a chantageou e ela nem piscou. Se submeteu como uma tonta e largou tudo para ir com ele. Sua independência, sua loja, seus próprios princípios. Dizendo para si mesma que não tinha opção. Como não tinha?!??!?! Em que planeta ela vive? Ele ameaça destruir os negócios dela e lutar contra ela na Justiça pela criança e ela julga que um homem assim é o que merece, que não tem opção? Tinha opção sim! Mandá-lo para o quinto dos infernos e lutar contra ele. Muito simples. Detesto protagonista burra. 

Outro ponto que merece destaque: o cretino ameaça os negócios dela e ela só consegue pensar no quanto fica excitada quando olha para ele. Não dá, gente! Simplesmente não dá! Tem que ter a paciência de um santo para aturar esse tipo de coisa numa história. E, como eu disse, paciência é algo que me falta. 

- E o que falar do Luc? Ele é um lixo. Não me interessa que depois ele tenha confessado que a amava e blá blá blá. Que ela era tudo para ele. Pouco me importa. Tipos como o dele me dão asco. Não é o pior mocinho que já vi nos livros, com certeza não. Mas sua arrogância e seu comportamento machista fizeram meu sangue ferver. Ele se tornou praticamente dono dos negócios dela só para chantageá-la, para ter uma maneira de pressioná-la a fazer o que ele quisesse, nem que fosse tirando dela sua fonte de renda. Isso não é um comportamento de uma pessoa que ama. É o comportamento de um homem obsessivo que não aceita "não" como resposta.

"Quem ela achava que era para recusar seu pedido de casamento sem nem ao menos parar para pensar?"

- Entendem por que desprezo esse traste? Segundo ele a mocinha não tinha direito algum de recusá-lo como marido. Quem será que ela achava que era para fazer algo assim? E olha que a história foi escrita no século XXI! Mas Luc é um homem egocêntrico que acreditava que Lisa era inferior a ele e deveria se sentir honrada por ele se dignar a pedi-la em casamento. 

- Já perdi todo o tempo que não tinha a perder com esta maldita história. Tudo o que quero é esquecer que a li. Claro que depois as coisas ficaram ótimas entre o casal. Muito sexo, e mais sexo, umas palavras de efeito aqui outras ali e todos os problemas ficam resolvidos. E lá vem o felizes para sempre! Nem necessito dizer que é um livro que NÃO recomendo. 



Esta foi a minha escolha para este mês no Desafio 12 Meses Literários. Como podem ver desta vez escolhi muito mal. Foi uma completa decepção.

10 de setembro de 2018

Norte e Sul - Elizabeth Gaskell

(Título Original: North and South
Tradutores: Carlos Duarte e Anna Duarte
Editora: Martin Claret
Edição de: 2016)


Publicado em 1854, Norte e Sul retrata os efeitos da Revolução Industrial no solo inglês. As personagens principais: Margaret e Sr. Thornton dualizam o sul (bucólico e aristocrático) e o norte (industrial, sujo e sem modos). O relacionamento entre os dois pode evocar no leitor lembranças de Orgulho e Preconceito, pois, assim como na obra de Austen, os personagens de Gaskell também precisam passar por cima das convenções sociais e dos pré-conceitos, em busca do amor e da realização. 



Palavras de uma leitora...



- Norte e Sul é um livro que não estava sequer nos meus planos futuros de leitura. Ele não fazia parte de nenhuma das minhas metas. No entanto, quando a Amanda, do blog Confissões Femininas, propôs que continuássemos o nosso projeto de leitura coletiva e apostássemos nessa autora eu nem hesitei. Não tinha o livro. Ele furaria fila e ainda poderia ser uma decepção, mas mesmo assim eu quis participar. Simplesmente por ter amado a experiência da leitura coletiva e desejar continuar com o projeto. E não é que foi uma das melhores decisões que já tomei em minha vida?! Porque ler essa história... mergulhar no mundo criado pela Elizabeth Gaskell, um mundo baseado nas realidades da época e que tanto mexiam com a própria autora foi simplesmente um privilégio. Ler este livro é um presente que ninguém deveria recusar. 

E falando em presente... Ele foi um dos meus pedidos de aniversário. :D Minha mãe aceitou me fazer tão feliz (risos) e permitiu que eu o escolhesse, por mais que ela achasse que eu já tinha livro demais e fosse doença ler tanto.rs As pessoas que não gostam de ler não conseguem compreender que às vezes desejamos ler uma história que ainda não temos.kkkkkkk

"De bom grado ela se teria agarrado às bordas do tempo que se despedira e rezaria para que ele voltasse e lhe devolvesse aquilo que tivera outrora e valorizara tão pouco como sendo seu. Como a vida parecia um espetáculo sem sentido! Quão insignificante e frágil e passageira! Era como se de algum campanário, lá do alto acima da agitação e do barulho da terra, houvesse um sino batendo continuamente. "Tudo são sombras - tudo é passageiro - tudo é passado!"

- Após passar anos sendo criada por sua tia materna, tendo sua prima Edith como uma irmã, Margaret estava ansiosa para voltar para casa. Foram nove anos de distância, mal vendo sua família, aquela que ela ainda considerava sua, porque compreendia as escolhas dos seus pais, que tudo o que desejaram foi que tivesse uma educação e os cuidados que eles sentiam que não poderiam lhe dar na casinha no interior. Ela tinha o direito de ter uma vida grande, rodeada pelas diversões proporcionadas por Londres. Mas a realidade é que tudo o que seu coração mais quis foi poder retornar... e reatar com os pais os laços de afeto. Queria a proximidade com a mãe, aquela que invadia suas lembranças. Queria sentar ao lado do pai e ouvi-lo falar de seus livros. Queria simplesmente estar em casa. 

Só que seu retorno não é bem como ela imaginava. Pouco tempo depois é surpreendida por uma revelação chocante do seu pai, do homem que ela achava que tinha as ideias e os princípios mais sólidos, que sabia exatamente o que queria da vida. Mas suas palavras mudam não só a maneira como ela enxergava sua família como também todo o seu mundo. De uma hora para outra é obrigada a sair da paróquia de Helstone, no sul da Inglaterra, para a desconhecida Milton, uma cidade do norte, cujo ar era contaminado pelas fábricas e todos eram grosseiros e mal-educados. Como conseguiria sobreviver tão longe dos amigos que amava, da vida que tivera até então? Como estar longe do lugar para o qual tanto quis voltar? E precisavam ir justamente para uma região que ela já desprezava. O pior de tudo era ter que se mostrar forte. Ser o amparo que a mãe necessitava e o ponto de reconciliação de seus pais, pois se a mudança era brusca para ela, para sua mãe era um tormento. 

Logo ao chegar em Milton, antes mesmo que sua família conseguisse se estabelecer, o caminho de Margaret se cruza com o de John Thornton, um industrial arrogante, que parecia considerar apenas a sua opinião como certa. Não demora para que primeiras impressões sejam formadas e mal-entendidos não sejam esclarecidos. De um lado, existia ela e sua aparente indiferença, tão dona de si e altiva, que ao conhecer as pessoas menos favorecidas da cidade se transforma em sua defensora contra a intransigência dele. De outro lado, John se via dividido entre o fascínio que aquela mulher lhe provocava e a irritação que seu orgulho e suas palavras lhe provocavam. Ele sentia o desprezo que ela sentia por ele e não fazia grande esforço para esconder. E embora quisesse retribuir o sentimento se via incapaz de calar o amor que o tempo tratou de nutrir em seu coração. Por que justamente ela? Por que tinha que se apaixonar pela única mulher que jamais olharia para ele e enxergaria mais que o homem de negócios cujas ideias e decisões ela repelia? E quando a greve que por tanto tempo ameaçara atingir os donos das fábricas finalmente estoura a relação de "antagonismo amistoso" que de mútuo acordo estabeleceram acaba por se transformar em algo mais violento... como se o destino conspirasse para que não existisse nenhuma possibilidade dos preconceitos serem superados e uma chance ser dada ao amor. 

"A questão é sempre a mesma: foi feito tudo que se podia para minorar o sofrimento dos menos privilegiados ao máximo? Ou, na vitória das massas, os desvalidos teriam sido pisoteados, em vez de serem gentilmente afastados do caminho trilhado pelo vencedor, cuja marcha eles não tinham força para acompanhar?"

- Se iniciamos a leitura de olhos fechados, sem conhecer muito sobre a obra, podemos acreditar que se trata de um romance entre duas pessoas que no princípio se odiavam. Mas logo que a família de Margaret chega em Milton e somos apresentados à realidade daquelas pessoas entendemos que é muito mais que isso. Que é um romance com forte contexto social, no qual a autora quis transmitir uma importante mensagem. Mostrar de maneira aberta e um tanto crua como era a vida das pessoas que trabalhavam e dependiam das fábricas, cujos patrões se mostravam cegos, como se operários e industriais tivessem que ser inimigos, onde concessões não eram admitidas. Conhecemos uma realidade de desespero e fome, de doenças causadas pelo trabalho extenuante e insalubre, de salários que não eram suficientes sequer para colocar comida na mesa, quando o preço da carne e dos outros alimentos subia e os salários em vez de aumentarem eram reduzidos sem que os patrões estivessem dispostos a darem explicações. Como não estourar uma greve? Se nenhum patrão estava disposto a olhar para o outro lado e enxergar que seus funcionários não eram máquinas? Que tinham famílias que precisavam sustentar? Que a angústia e as doenças os estava destruindo? 

"Creio que o sofrimento, ao qual a srta. Hale se refere e que está impresso no semblante do povo de Milton, não é outra coisa senão a punição natural pelo prazer desfrutado desonestamente em um período anterior da vida."

- Por me sensibilizar pelo sofrimento daquele povo eu não simpatizei muito com o John. Embora ele tenha construído sua carreira do zero, quando sua própria família se viu sem recursos ou perspectivas, embora tenha passado por enormes provações e soubesse o que era não ter nada, ele fechava seu coração para os outros. Porque acreditava que se estavam numa posição diferente era por serem preguiçosos, por não terem a mesma garra e coragem que ele teve. Então, segundo sua opinião, eles mereciam a vida que levavam. Isso me irritou profundamente e foi o que também fortaleceu o desdém da Margaret. Ela não podia gostar de um homem que tinha ideias tão insensíveis e não parecia sentir compaixão pelas outras pessoas, por aquelas que não tiveram a mesma força ou oportunidades que ele. 

"- Papai, eu acho realmente o sr. Thornton um homem fora do comum, mas pessoalmente não gosto nem um pouco dele."

Ainda que reconhecesse a inteligência e a garra dele, que admitisse que era um homem de negócios com inegável valor e admirasse o que ele construíra do nada, sua capacidade de não desistir até poder proporcionar uma vida confortável e segura à sua mãe e irmã, não podia gostar dele. Porque por mais que fosse um homem cujo exemplo devesse ser seguido, pelo menos no que se referia aos laços com a família e os amigos e o trato nos  negócios, as ideias dele entravam em choque com o que ela acreditava. E a antipatia que no início tentara esconder não demora a se tornar mais latente, ainda que um outro sentimento também a confundisse. 

"Penso se esta vida é a única e se não existe um Deus para enxugar as lágrimas de todos os olhos."

- É um livro que mexe profundamente com algo dentro de nós. Que nos desperta a compaixão e a revolta. E que ao mesmo tempo nos mostra os dois lados da moeda, tanto o lado dos operários e de suas famílias quanto os dos donos das fábricas, uma vez que John é um dos protagonistas e conhecemos bem a sua vida, chegando inclusive a compreender a sua maneira de ver algumas coisas, por mais que não concordemos. A autora tem todo o cuidado de tornar a sua história real. De ser imparcial quando tinha que ser, por mais que ela própria fosse forte defensora dos menos favorecidos, para poder dar voz também aos que poderiam ser vistos como "vilões", porém eram apenas seres humanos que não acreditavam realmente que estavam fazendo algo errado. Principalmente através das mudanças gradativas que ocorrem com o John é que percebemos como as coisas poderiam mudar... como só era necessário se permitir estar no lugar do outro, descer de seu pedestal e entender que empregados também têm sentimentos e necessidades. O John cresce muito ao longo da história e o desprezo que eu própria sentia por ele foi se transformando também até que só existia espaço para o amor. Ele é um personagem extremamente bem construído e seu amor pela Margaret é lindo e divertido. Lindo porque ele era capaz de fazer tudo por ela, mesmo sabendo que ela o odiava. São coisas simples, mas cheias de significados. E é também um amor divertido porque ele é bem passional, sabe.kkkkkk... Tudo é elevado a décima potência. Ele sente as coisas de maneira intensa e nesses momentos eu não conseguia controlar o riso. É muito drama num homem só, meu Deus! Mas isso só o tornava mais querido. :)

"O que queria saber era quais eram os direitos dos homens, fossem eles ricos ou pobres... Desde que fossem apenas homens."

- O romance que se constrói entre a Margaret e o John é lindo sim, mas, como eu disse, a história se concentra em outros pontos, é voltada para as questões sociais. Em muitos momentos eu senti meu coração apertar. Como não se comover quando uma jovem que deveria ter toda uma vida pela frente tem seu corpo e seu emocional destroçado por uma doença provocada pelo trabalho insalubre? Ela precisava trabalhar, no entanto, os patrões preferiam não gastar um dinheiro "desnecessário" com um exaustor que poderia evitar que as pessoas engolissem a penugem que se desprendia quando o algodão era fiado e as envenenava, provocando tosses e as fazendo cuspir sangue, diminuindo significativamente sua expectativa de vida?! Como não sentir um nó na garganta quando, por outro lado, existiam operários que até preferiam a ausência de exaustor, pois a penugem que engoliam pelo menos enganava a fome. É uma realidade desesperadora. E ainda vemos um pai de família angustiado porque não consegue trabalho, uma vez que participou de uma greve por melhorias e agora ninguém quer ter um "agitador" como empregado. Um homem que só lutou pelos seus direitos, ainda que tenha se excedido, e se via sem ter um centavo para dar de comer aos filhos, sabendo que quando voltasse para casa os encontraria chorando de fome. Isso dói dentro da gente. 

"Fale comigo de novo daquele antigo modo, mamãe. Não nos deixe pensar que o mundo endureceu os nossos corações. Se voltasse a falar aquelas palavras, eu voltaria a sentir um pouco da simples felicidade da minha infância."

- É um livro riquíssimo. Com personagens que nos marcam, que nos conquistam, que nos ensinam muito. Margaret é uma das minhas heroínas preferidas. Uma mulher cheia de contraste e de humanidade. Que sofre muito ao longo da história, mas que não permite que coisa alguma transforme a maneira como ela enxerga as coisas e como se sensibiliza com a dor dos outros. Ela tem uma inteligência que nos causa admiração. Seus diálogos são uns dos melhores do livro, as conversas que ela mantinha, a forma como expressava seu ponto de vista e ao mesmo tempo permitia que o outro também tivesse voz. Ela chega até mesmo a compreender os donos das fábricas, mesmo não concordando com eles. E foi uma personagem muito importante na vida de muitos dos outros personagens. 

Uma história que não fala só de sofrimento, mas também de compaixão. De como ainda existem pessoas boas nesse mundo, que mesmo não tendo nada ainda assim dividiam com o outro. Nicholas Higgins merece uma menção honrosa pelo homem maravilhoso que foi, um personagem pelo qual talvez não déssemos nada no início, mas que também cresceu bastante e se transformou num dos meus preferidos. Também não poderia deixar de mencionar a mãe do John, que mesmo sendo uma pessoa severa e que odiava a Margaret foi uma mãe incrível, apoiando o filho sempre e estando ao seu lado quando ele mais precisou. A relação dos dois era belíssima. 

Se recomendo o livro?! Com todo o meu coração!!! Queridos, simplesmente não percam a chance de ler essa história. Vocês não fazem ideia do quanto ela é preciosa. Do tanto que nos ensina. É um livro que guardarei num lugar exclusivo do meu coração e da minha estante. Um livro que não vendo, troco ou empresto. É uma das minhas joias mais queridas. E tem um final daqueles que nos deixam com um sorriso no rosto. Amo demais! 

- A leitura do livro teve a duração de cinco semanas por ter sido uma Leitura Coletiva. Iniciou em 04/08 e terminou em 09/09. Só que os debates no grupo do Facebook irão até o dia 16/09 quando então será realizado o sorteio do livro O Conto da Aia, nossa próxima leitura em grupo. Se você não conseguiu participar da leitura de Norte e Sul, mas gostaria muito de ler com a gente O Conto da Aia só precisará aguardar um pouquinho que logo, logo traremos todas as informações de como funcionará! Qualquer pessoa pode participar. Não é necessário seguir nenhum dos blogs organizadores ou seus perfis no Facebook. As regras geralmente são: ler o livro e participar do grupo de debate no Facebook. Mas nem mesmo a participação nos debates é obrigatória, só é uma maneira de interagirmos e dar a chance dos leitores concorrerem ao sorteio que fazemos sempre ao final do período de leitura. A Leitura Coletiva é um projeto que estamos levando muito a sério e que pretendemos continuar durante um longo tempo. :D 

4 de setembro de 2018

O Jardim dos Sonhos - Kimberley Cates

(Título Original: The Mother's Day Garden
Tradutora: Ieda Moriya
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2004)


Um casamento ameaçado por segredos do passado!

Com a única filha na universidade, Hannah O'Connell deveria estar dedicando todo o tempo livre a seu marido, Sam. Mas em vez disso perdia-se cada vez mais nas lembranças do passado. Tudo isso porque reencontra seu antigo namorado, o homem que ela mais amara na vida. E junto com ele existia também um segredo estarrecedor, que poderia pôr em risco tudo o que Hannah havia conquistado até então, inclusive seu casamento. 

Sam sempre fora apaixonado pela esposa. Mas ultimamente Hannah estava tendo um comportamento estranho. Já não se dedicava à casa e a ele como antes. Sam sabia que alguma coisa estava errada, mas não podia imaginar como seria sua vida longe de Hannah... Por isso estava mais do que nunca disposto a provar a ela o quanto a amava e o quanto eles poderiam ser felizes juntos!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando um livro é muito mais do que você esperava? Quando te surpreende de maneira positiva e acalenta seu coração? Foi exatamente isso que O Jardim dos Sonhos provocou em mim. Esta sensação de aconchego, de paz. E já sinto saudades. 

Eu o adquiri seis anos atrás e para ser sincera nem lembro o que me motivou. Mas na hora de escolher uma história para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca ela acabou encaixando-se perfeitamente. A sinopse, a capa nostálgica... simplesmente me atraíram. Me fizeram pensar que em suas páginas se escondia uma história linda. 

- O que lamento é tê-la lido numa época tão corrida e complicada da minha vida. Com uma prova importantíssima e a entrega do TCC tão próximos mal tenho tempo para respirar. Dormir, comer, ler meus livros amados se tornaram coisas temporariamente secundárias. Infelizmente, foi preciso reorganizar as prioridades, pois já não tenho tempo para nada. :(

O livro conta a história de Hannah O'Connell, uma mulher que de repente é atingida por perdas significativas: sua filhinha cresceu e agora trilhava o próprio caminho. Morando na universidade já não dependia de Hannah como antes e a relação que até então era próxima começa a sofrer rachaduras. Só que pior que ter a filha longe era a certeza, causada por uma histerectomia, que jamais realizaria o sonho de ter outros filhos. 

No início havia confundido a doença com uma gravidez e se permitiu ter esperanças. Ao longo de quase todos os seus vinte e dois anos de casada tinha tentado voltar a engravidar, mas o tempo passou e permaneceu o vazio que, pouco a pouco, foi distanciando-a do homem a quem amava. A saída de Becca de casa, bem como a cirurgia que lhe roubou seus sonhos destruíram a ponte que ainda a unia ao marido. Concentrada em suas próprias angústias não tinha energia para olhar para o lado, para enxergar que seu marido também sofria. E não demorou para que deixassem de dividir o mesmo quarto. 

Não saberia dizer como chegaram àquele ponto. Talvez tudo tenha começado ainda no início... quando se casara sabendo que estava ocultando do marido grandes segredos. Quando temendo que a imagem que ele tinha de mulher perfeita se desfizesse diante da verdade optara por mentir. Não teve coragem para contar. E agora era tarde demais para voltar atrás. 

"Era melhor deixar o passado onde estava. Onde não podia machucar."

No meio da tempestade que ameaçava seu casamento, o aparecimento de um bebezinho abandonado em seu quintal pode ser tanto a cura para a relação dos dois quanto a ruína completa. Sobretudo porque Tony Blaker, uma pessoa do passado de Hannah, se torna o tutor da criança e invade suas vidas com a desculpa de lutar para que o casal permaneça com a bebê. Mas qual será o seu real objetivo? Por que voltava depois de vinte e sete anos sem dar notícias? 

Às vezes o passado simplesmente não pode ficar para trás. É necessário encarar os fantasmas para poder seguir em frente. Mesmo que o processo seja doloroso e coloque em risco sua relação com aqueles a quem ama. 

"Tony Blake reaparecia em sua vida, desenterrando lembranças, ressuscitando segredos capazes de destruí-la."

- Como podem ver estou sendo breve. Ainda que o livro tenha me feito um enorme bem não tenho condições de me aprofundar mais na resenha pela simples falta de tempo. :( Mas já adianto que é um livro que recomendo muito! Mesmo para aqueles que não gostam de romances de banca. Porque esta história está longe de ser a da mocinha ingênua que se apaixona pelo homem rico, é humilhada por ele e depois vivem felizes para sempre. Nem todo livro de banca contém esse tipo de história e se os amo e valorizo tanto não é à toa. 

- Logo que iniciei a leitura me identifiquei com a mocinha. Embora eu não tenha nenhum filho jovem indo para a faculdade (não tenho filhos ainda e eu é que estou na faculdade, no último período, graças a Deus!), foi muito fácil compreendê-la, sobretudo em relação ao desejo de ter filhos. Era o sonho de sua vida. E uma doença lhe tirou tudo. Sim, agradecia o presente que era a Becca, mas não era nenhum pecado desejar ter outro bebê. Sentia que algo lhe faltava. E ao perder o útero deixou inclusive de se enxergar como uma mulher completa, como se aquela perda lhe tirasse a identidade. Antes que alguém diga besteira é necessário recordar que ser feminista é respeitar as escolhas das outras mulheres. E se Hannah se sentia incompleta porque não podia mais ter filhos ela merece respeito e solidariedade por isso. Existiram momentos em que desejava chorar com ela de tanto que a entendia. 

"Mas não vou me recuperar, pensou Hannah. Esse é o problema. Nunca mais vou me recuperar."

- Tudo neste livro é muito real. Temos nele a história não só da Hannah, embora ela seja a protagonista, mas também temos o ponto de vista de Sam (seu marido), Tony (a pessoa do seu passado) e até mesmo da mãe biológica da pequena Ellie, que a abandonou no quintal da mocinha porque não tinha outra alternativa. Porque, naquele momento, se sentia totalmente perdida e só queria que sua filha estivesse segura, ao lado de alguém que ela sabia que poderia ser uma mãe de verdade. Nossa! O livro transborda sentimentos. Nos dá enormes lições e faz com que deixemos de lado as nossas ideias pré-concebidas sobre tudo e nos permitamos estar no lugar do outro. O que você faria se fosse a Hannah de vinte e sete anos atrás? Aquela que ela ocultou do marido? Aquela que cometeu um erro imperdoável? Seria mais "forte"? Faria uma escolha diferente? Eu não sei, sinceramente. É fácil falarmos quando estamos de fora e vivemos num outro século, quando temos oportunidades que talvez a pessoa que julgamos não teve. Hannah era uma mulher incrível, mas não era perfeita. E por desejar tanto ser não sabia como reconciliar-se com o marido que afastou de si. Viviam como dois estranhos na mesma casa, ambos querendo uma mudança, mas não tendo coragem de dar o primeiro passo, porque se acostumaram com aquela situação. 

"Ela se afastava, dia após dia, não importava o quanto ele se esforçasse para retê-la."

Sam é um personagem que não possui todo o destaque que merecia, uma vez que o livro em si gira em torno da protagonista. Todavia, mesmo assim ele é importante e se mostra um homem daqueles que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado. As coisas que ele faz por ela... Nossa! Eu ficava bem emocionada. E não pensem que são coisas mirabolantes. Nada disso. São atitudes simples, mas que significam muito. É um livro "comum", gente. Sobre a vida real. Aquelas histórias familiares que de vez em quando lemos e tocam em algo dentro de nós. Que deixam um gostinho bom. 

"Tony fora franco antes de partir: jamais voltaria."

- Se teve um personagem que detestei no livro foi o Tony. Um tipo egocêntrico, que acreditava que com um sorriso charmoso podia apagar as canalhices de tantos anos atrás. Ele me causou nojo, pura repulsa. E confesso que tive muito medo de ele conseguir o que planejava. Mas, ainda assim, não temos um vilão perfeitamente definido. Tony não é uma pessoa má. Ele é como tantos que existem por aí que nem sequer percebem o dano que provocam e quando notam simplesmente não se importam. É um ser superficial e que só olha para o próprio umbigo. Mesmo quando está sozinho com seus pensamentos percebemos o vazio que existe nele... a falta de empatia, de sentimentos. Ele "sabe" o que fez de errado, sabe que não merece perdão, mas não está nem aí. Quer de volta o que jogou fora e acha que tem direito de querer. 

- Não posso falar muito mais. Só repito que é uma história que vale sim muito a pena! Mas que não dá para ler na correria. É aquele livro que merece ser apreciado devagar, com tempo. Como o livro A Colcha de Despedida, do qual eu lembrei durante quase toda a leitura. 

Minha única ressalva em relação ao livro (e o que me impediu de dar 5 estrelas) é sobre a repetição. A autora voltava muitas vezes ao assunto principal. Ao ponto de ser impossível não me incomodar. Mas este é o único ponto negativo. 



Esta foi minha escolha para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca, que consistia em ler um romance (de banca, obviamente) sobre casamento em crise. A resenha deveria ter sido publicada no dia 31, mas como só concluí a leitura no último dia do mês e só consegui escrever hoje tudo atrasou. Mas o que vale é que concluí.rsrs 

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