28 de junho de 2017

Cuco - Julia Crouch

Tempo de leitura:
(Título Original: Cuckoo
Tradutor: Tiago Novaes
Editora: Novo Conceito
Edição de: 2012 )

Cuco é um pássaro que rouba outros ninhos... 

Polly é a mais antiga amiga de Rose. Então quando ela liga para dar a notícia da morte de seu marido, Rose não pensa duas vezes ao convidá-la para ficar em sua casa. Ela faria qualquer coisa pela amiga; sempre foi assim.

Polly sempre foi singular - uma das qualidades que Rose mais admirava nela - e, desde o momento em que ela e seus dois filhos chegaram na porta de Rose, fica óbvio que ela não é uma típica viúva. Mas quanto mais Polly fica na casa, mais Rose se pergunta o quanto a conhece. Não consegue parar de pensar, também, se sua presença tem algo a ver com o fato de Rose estar perdendo o controle de sua família e sua casa.

Enquanto o mundo de Rose é meticulosamente destruído, uma coisa fica clara: tirar Polly da casa está cada vez mais difícil.

Brilhantemente sombrio e deliciosamente perturbador, Cuco é um romance que penetrará sob sua pele.



Palavras de uma leitora...



- Por onde começo? Estou tão perturbada ainda que não consegui organizar meus pensamentos. E não faço ideia do que de fato sinto por esta história. Tudo o que sinto, sabe. Porque o único sentimento que consigo nomear até agora é o da repulsa. 

Fazia tempo que não me arrependia tanto de ler um livro. Deveria ter dado ouvido aos meus instintos e simplesmente me desfeito deste livro anos antes. Sem lê-lo! Sem jamais saber o que estava escondido em suas páginas. Aquela enorme sujeira que está fazendo com que eu própria me sinta suja, nauseada, transtornada. É um livro que não me fez nenhum bem. E o final apenas conseguiu me deixar pior. 

Quero me livrar da energia negativa que esta história deixou. Tudo o que quero no momento é ler um livro que me faça esquecer tudo o que li em Cuco...

"No momento em que levava o cozido para a mesa, olhou para Polly, já sentada e aguardando que fosse servida. Lançava olhares para todos os objetos do ambiente, como se estivesse fazendo algum tipo de cálculo mental."

- O trecho acima já lhes diz algo, não é mesmo? Rose era a única que parecia não enxergar quem de fato era a pessoa que ela estava recebendo em sua casa, permitindo que invadisse o mundo que tão cuidadosamente criara. 

Rose finalmente estava vivendo o que sempre sonhara. Acabara de terminar de construir sua casa ao lado do marido, com o suor, o sangue e as lágrimas dos dois. Nada tinha sido fácil. Lutaram muito para terem o que agora estava ali de pé. E quando parecia que poderiam relaxar e simplesmente curtir a vida ao lado das duas filhas, uma única ligação ameaçou toda a tranquilidade e futuro de sua família. 

Christos, melhor amigo de Gareth (seu marido) e esposo de Polly, estava morto. E sua melhor amiga, desamparada com dois filhos para criar, estava saindo da Grécia de volta para a Inglaterra. Profundamente abalada pela notícia chocante, Rose imediatamente ofereceu a sua casa para abrigar a família despedaçada. E aquele foi o maior erro de sua vida. 

"Rose editara seu passado meticulosamente para o consumo público. Teve de fazê-lo. Apenas Polly, que jurara segredo, sabia de tudo. Haveria perigo naquele olhar?"

- Antes mesmo de Polly descer do avião, o mundo de Rose já começara a sofrer os primeiros abalos. Gareth não estava contente com a vinda de Polly, não a queria em sua casa, contaminando tudo com a sua presença. Ele parecia enxergar o que Rose não queria, mas a insistência da esposa não lhe deu outra alternativa senão aceitar, de maneira bastante relutante, a vinda daquela mulher. 

- Não demora nada para que Polly comece a demonstrar para que veio... Sutilmente, ela começa a tomar conta de tudo, destruindo a influência que Rose tinha sobre sua própria família e colocando todos os que ela amava em perigo. Seria tarde demais quando ela finalmente abrisse os olhos? Quanto já teria perdido? O que ainda poderia salvar?

"Para você é fácil, Rose, com tudo isso, com sua bela casa, seu belo marido, com a porcaria de suas belas crianças...
- Polly...
- Para você tudo deu certo, não foi?
- Isso não é justo.
- Não é justo mesmo."

- Estou até agora tentando entender de onde a Rose tirou a ideia de que aquela vadia maldita era sua amiga. Como ela pôde um dia acreditar em tal coisa? Será que era simplesmente cega, masoquista ou mesmo uma completa imbecil? Que ela tenha encontrado refúgio em Polly quando eram crianças, eu até entendo. Mas com base no pouco que é revelado sobre a adolescência das duas, Rose tinha bastante ideia do verdadeiro caráter daquela mulher, de como ela sempre tinha feito de tudo para arruinar a sua vida. Mas ela não conseguia, não era capaz de tirar Polly de sua vida, de acabar de uma vez por todas com a influência que aquela cobra exercia sobre ela. E por esse motivo mergulha num verdadeiro inferno, vendo todos os seus sonhos, sua família, tudo o que ela amava sendo calculadamente destruídos. 

"- Rose?
Sentiu a mão de Gareth deslizando suavemente sobre seu ombro e virou-se para olhá-lo.
- Sim?
- Eu te amo tanto - falou ele.
E se beijaram sob a fulgurante luz do sol."

- Ainda que eu não tivesse lido a sinopse, teria percebido o que a Polly estava planejando. Ela dá todos os sinais desde o princípio. Suas palavras, seus olhares, seus sorrisos frios, suas atitudes, tudo revelava a inveja e o ódio que ela sentia da Rose, da vida que ela tinha conquistado e que era bem diferente da que Polly tinha. Estava mais do que na cara que ela queria arruinar tudo aquilo. Que tinha voltado, com seus dois pequenos filhos como desculpa, para poder tirar de Rose o que ela tinha, para poder realmente destruí-la. Bela amiga, não acham?!

Rose, presa ao passado que dividira com aquela mulher, e pela piedade que sentia por ela ter perdido o marido que amava e estar desnorteada com duas crianças pequenas para criar, ignorou todos os sinais. Simplesmente a acolheu, disposta a cuidar dela, a fazer sua amiga se sentir em casa, protegida, para ter o apoio necessário para recomeçar. Mas com o tempo ela começa a perceber que sua própria vida está saindo dos trilhos, que suas crianças já não são as mesmas e seu marido, que rejeitava completamente a presença de Polly antes, agora estava bastante próximo dela e mais e mais distante de Rose. O que estava acontecendo? Como ela poderia estar perdendo o controle de tudo daquela maneira? E por que se sentia às vezes tão cansada e zonza, como se estivesse longe do mundo? 

"As palavras de Gareth foram tão súbitas, tão acabadas, que ela não conseguia deixar de pensar no que Polly havia feito para mudá-lo."

- Não sei se rio ou se choro com o trecho acima. Sério que ela não sabia o que Polly tinha feito para transformar de maneira tão drástica o seu marido? O que mais me surpreende é que Rose conhecia aquela rameira dos infernos. Tinha passado muitos anos de sua vida ao lado dela. Conhecia seus segredos, suas sujeiras, a maneira como ela não dava a mínima para os sentimentos de ninguém e simplesmente pegava o que queria. E ainda assim ela se recusava a ver! Polly destruiu a vida da protagonista, não tenho dúvidas disso, mas Rose permitiu que ela fizesse isso. É tão culpada quanto a maldita por tudo o que aconteceu. Talvez seja ainda mais culpada que ela, pois deixou sua família nas mãos dessa desgraçada. 

"[...] Você precisa tirar ela de sua casa. Estão armando uma tragédia para você, Rose. Ela é perigosa."

- Conforme as coisas vão dando errado no lar da Rose, com seus animais queridos aparecendo misteriosamente mortos e sua bebê ficando internada entre a vida e a morte num hospital, até mesmo as pessoas de fora começam a perceber o que estava acontecendo. Não demora para que a alertem do perigo que estava ali dentro, que a incentivem a mandar Polly embora, mas Rose se recusa a lhes dar ouvidos. Primeiro, porque quer acreditar que tudo foi acidente e depois... porque sua "melhor amiga" começa a não deixar dúvidas de que revelaria seus segredos se fosse obrigada a partir. Que iria embora, mas não sem antes trazer à tona o passado. 

Presa numa armadilha, ela já não fazia ideia de como consertar tudo. Como fazer com que o tempo voltasse e jamais tivesse recebido Polly em sua casa. Todavia, quando ela finalmente abre os olhos e busca uma saída, já é tarde demais. Já não seria possível salvar sua família. Não seria mesmo.

"Aqui começa a última etapa do jogo, pensou. Testemunharei o final disso tudo."

- Foi com muito sofrimento que terminei a leitura deste livro. Tudo o que eu desejava era fechar as páginas e mandá-lo para bem longe de mim. Não suportava mais ver o que estava acontecendo naquela casa, não aguentava imaginar como tudo terminaria, a destruição que tomaria conta de tudo. Eu sentia raiva, tristeza, desprezo, nojo, repulsa... tinha vontade de arrancar a Polly dali com minhas próprias mãos, de mandá-la para o inferno do qual ela com certeza saiu e impedir que ela conseguisse o que desejava. Mas eu não podia fazer nada senão ver o que aconteceria. Me sentia impotente, desesperada e sem nenhuma esperança de um final feliz. 

Até porque não é um romance, gente. Não tenham a ilusão de que tudo vai dar certo no fim. Não. Este livro é um thriller psicológico que te garante desde a sinopse que a vida da protagonista vai se transformar num completo inferno. Que seu mundo vai ser destruído. E o livro cumpre o que a sinopse promete. Não estou dando nenhum spoiler. Na verdade, evitei bastante spoilers nesta resenha. Tudo o que contei não vai além do que a contracapa e a orelha do livro revelam. Não é nada comparado ao que vocês encontrarão ao ler esta história. Nada do que eu disse aqui pode prepará-los para o que acontece. Muito menos para o final.

"Seguiu a trajetória do olhar de Polly e viu Gareth fora da casa, no gramado dos fundos da casa, ajoelhado sobre um pequeno corpo prostrado. Ao seu lado, jazia uma arma. [...] 

[...] Virou-se para a casa atrás dela. Polly retomara a sua posição sob o batente da porta. Rose quase tropeçou quando viu a expressão em seu rosto. Demonstrava mais que prazer. Era uma espécie de êxtase petulante. [...]"

- Como disse antes, me arrependo amargamente de ter lido esta história. Eu própria gostaria de voltar no tempo e me impedir de lê-la. Ela simplesmente não me fez bem. Muito pelo contrário! Me deixou destroçada, ansiando por uma justiça que jamais chegou. Tenho a sensação de que o mundo virou de ponta à cabeça, que tudo saiu do lugar, que nada está certo. Por que, me expliquem, como algo pode terminar assim? Não posso aceitar. Não consigo. 

E sim, já estou em lágrimas. Mesmo profundamente angustiada, eu não chorei durante a leitura. Não tinha forças sequer para isso. Mas agora que tudo terminou, sinto aquele nó doloroso na garganta... e uma raiva tão grande que vocês não podem imaginar. 

Sabe o que é pior? Saber que não se trata de pura ficção. Embora seja um thriller psicológico, uma obra de ficção, é impossível não perceber que existem diversos casos assim espalhados por aí. Confiar pode ser o pior erro de uma pessoa, pode ser a arma que usarão para destruir a sua vida. Já disse antes aqui e repito: cuidado, gente! Muito cuidado com as pessoas que estão ao seu redor, com quem você permite que entre na sua casa, que esteja perto de sua família. Existem pessoas que não precisam pegar uma arma ou qualquer outro objeto mortal para acabar com a vida de alguém. Existe uma coisa chamada influência e outra chamada inveja. Minha avó sempre disse que não existe nada mais destruidor que a inveja de alguém. Eu acredito nisso. Por isso, hoje em dia não confio facilmente. Muito pelo contrário, sempre que confio é desconfiando. Eu aconselharia vocês a fazerem o mesmo. É terrível demais ver alguém ser destruído por confiar em alguém, por acreditar numa pessoa e permitir que ela invada sua vida. Isso é simplesmente desesperador. 

- Polly é o próprio mal. Lembro claramente que quando ela chegou, quando desceu daquele avião, eu tive a sensação de que ela começava a espalhar uma nuvem negra sobre a vida da protagonista apenas com sua presença. Ela possuía uma energia tão negativa que eu me arrepiava e chegava mesmo a sentir medo. Parecia que ela saía das páginas do livro... seus olhares... seus sorriso... era tudo tão venenoso e calculado, tão maligno que eu sentia pavor. Verdadeiro pavor. Ainda não me recuperei. Continuo aterrorizada por esta história. E por esse demônio em forma de gente.

"[...] Mas você é quem faz tudo isso existir - falou, abrindo os braços para a casa. - Sem você, tudo isso aqui não seria nada. Sem você, eu não seria nada. [...]"

- Nunca irei perdoar a Rose. Isto está fora de cogitação. Não sei quem eu desprezo mais. Se a Polly ou ela. Sim, Polly é o coisa ruim em pessoa, mas Rose deu poder a ela, permitiu que ela entrasse em sua casa, que se aproximasse de sua família. Todo o poder que aquele troço ruim tinha era porque Rose tinha permitido. Não posso ter pena de uma protagonista tão imbecil, tão passiva, tão irresponsável com a própria família. Ela conhecia a peste que estava entrando em seu lar. Era sua obrigação impedi-la. Mas não! Não tinha coragem! Era uma covarde estúpida que não era capaz de se livrar da influência daquela praga! Polly conhecia seus segredos e daí? Ela não era nenhuma criança. Se esta era a ameaça que a víbora usava, então estava na hora de tirar dela a chance de cumprir o que prometia. Rose poderia simplesmente ter aberto o jogo. Contado tudo. Ela optou por não fazê-lo e as consequências foram graves.

- E aquele final... Respira fundo, Luna! Sinto náuseas só de lembrar. Talvez exista quem considere um ótimo final. Não contarei o que acontece, claro. Mas eu achei uma porcaria completa. Tenho total certeza de que nunca mais lerei nada desta autora. Deus me livre!

- Já li livros pesados, gente. Histórias terríveis como Corações Feridos, A Lista do Nunca, Viva para Contar, Restos Humanos, No Escuro e muitas outras. Estou acostumada com esse tipo de história. Mas Cuco tem algo além... Algo que me dá arrepios, que me faz querer distância de outros livros dela. Não sei se a Julia Crouch voltou a escrever algo depois deste livro e nem quero saber. Simplesmente quero distância. 

Não estou dizendo que ela não seja uma ótima escritora. Na verdade, é uma escritora maravilhosa, que te envolve por completo! Não dá para largar o livro por mais que você queira. A narrativa é incrível, tudo se entrelaça, tudo se constrói de uma maneira impressionante. Ela tem talento, criatividade e sua história é uma das melhores que li, se eu for considerar a originalidade e a maneira como ela é desenvolvida. Todavia, por causa dos sentimentos que ela me provocou, por causa da estupidez da protagonista e as consequências disto, eu não suportaria ler outra história dela no mesmo estilo. Não aguentaria. 

- Uma coisa que preciso comentar é que ninguém é santo nesta história. Claro, como seres humanos somos todos imperfeitos. Cometemos erros, temos passado, isso é natural. Mas não estou falando disso. Estou dizendo que todos (exceto as crianças, é claro) tinham algo a ocultar. Não simples erros, mas coisas que iam além disso. Rose, que como protagonista deveria ser diferente, está realmente bem longe de ser um anjinho. As coisas que ela fez... se eu não tivesse detestado ela por ser tão estúpida, de qualquer forma não a teria perdoado. Ela tinha grande parcela de culpa pelo que estava acontecendo. Ela me dá nojo. 

Claro que ela também tem qualidades. Nunca diria que ela não amava profundamente as suas filhas, que não se importava com os filhos da Polly, que não se arrependia de suas escolhas do passado. E ela sofreu muito. No lugar dela, não sei o que teria feito (estou me referindo ao passado dela). Ela era só uma menina perdida, necessitando de carinho, de apoio, de ajuda. Isso eu posso compreender. E ela era uma mãe muito amorosa, até mesmo com os filhos dos outros. Isso eu não nego. Mas... ela faz algumas coisas desprezíveis... que me provocaram asco. Não tenho força de vontade para perdoá-la. 

"Pela primeira vez reparou que Polly estava ali, sentada, meio coberta pelo canto da poltrona. Seu rosto era sério, mas Rose tinha certeza de que podia ver uma ponta de triunfo em seus olhos."

- Bem... É isso. Recomendo a história? Não! Mas sei que existem pessoas que amaram este livro. E gosto é algo muito pessoal. O livro é muitíssimo bem desenvolvido, a autora é realmente maravilhosa e talvez quem ama suspenses, dramas, histórias mais fortes, goste muito deste livro. Tudo bem que eu adoro suspenses e me arrependo de ter lido este.kkkkkk... Mas isso não significa que vocês também irão se arrepender. Então, deem uma chance ao livro se sentirem vontade! Talvez amem, talvez odeiem a história. Quem sabe?rsrs 




Cuco foi minha escolha para o tema deste mês do Desafio 12 Meses Literários. Em junho eu deveria ler "Um livro com mais de 300 páginas". Este livro tem 461 páginas, então eu cumpri bem a meta.rsrs Infelizmente, foi uma leitura que eu preferia não ter feito. :(

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers. Mãe da minha eterna princesa Luana e dos meus príncipes Celestino, Felipe e Damon (gatinhos filhos do coração). Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

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