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4 de setembro de 2018

O Jardim dos Sonhos - Kimberley Cates

(Título Original: The Mother's Day Garden
Tradutora: Ieda Moriya
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2004)


Um casamento ameaçado por segredos do passado!

Com a única filha na universidade, Hannah O'Connell deveria estar dedicando todo o tempo livre a seu marido, Sam. Mas em vez disso perdia-se cada vez mais nas lembranças do passado. Tudo isso porque reencontra seu antigo namorado, o homem que ela mais amara na vida. E junto com ele existia também um segredo estarrecedor, que poderia pôr em risco tudo o que Hannah havia conquistado até então, inclusive seu casamento. 

Sam sempre fora apaixonado pela esposa. Mas ultimamente Hannah estava tendo um comportamento estranho. Já não se dedicava à casa e a ele como antes. Sam sabia que alguma coisa estava errada, mas não podia imaginar como seria sua vida longe de Hannah... Por isso estava mais do que nunca disposto a provar a ela o quanto a amava e o quanto eles poderiam ser felizes juntos!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando um livro é muito mais do que você esperava? Quando te surpreende de maneira positiva e acalenta seu coração? Foi exatamente isso que O Jardim dos Sonhos provocou em mim. Esta sensação de aconchego, de paz. E já sinto saudades. 

Eu o adquiri seis anos atrás e para ser sincera nem lembro o que me motivou. Mas na hora de escolher uma história para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca ela acabou encaixando-se perfeitamente. A sinopse, a capa nostálgica... simplesmente me atraíram. Me fizeram pensar que em suas páginas se escondia uma história linda. 

- O que lamento é tê-la lido numa época tão corrida e complicada da minha vida. Com uma prova importantíssima e a entrega do TCC tão próximos mal tenho tempo para respirar. Dormir, comer, ler meus livros amados se tornaram coisas temporariamente secundárias. Infelizmente, foi preciso reorganizar as prioridades, pois já não tenho tempo para nada. :(

O livro conta a história de Hannah O'Connell, uma mulher que de repente é atingida por perdas significativas: sua filhinha cresceu e agora trilhava o próprio caminho. Morando na universidade já não dependia de Hannah como antes e a relação que até então era próxima começa a sofrer rachaduras. Só que pior que ter a filha longe era a certeza, causada por uma histerectomia, que jamais realizaria o sonho de ter outros filhos. 

No início havia confundido a doença com uma gravidez e se permitiu ter esperanças. Ao longo de quase todos os seus vinte e dois anos de casada tinha tentado voltar a engravidar, mas o tempo passou e permaneceu o vazio que, pouco a pouco, foi distanciando-a do homem a quem amava. A saída de Becca de casa, bem como a cirurgia que lhe roubou seus sonhos destruíram a ponte que ainda a unia ao marido. Concentrada em suas próprias angústias não tinha energia para olhar para o lado, para enxergar que seu marido também sofria. E não demorou para que deixassem de dividir o mesmo quarto. 

Não saberia dizer como chegaram àquele ponto. Talvez tudo tenha começado ainda no início... quando se casara sabendo que estava ocultando do marido grandes segredos. Quando temendo que a imagem que ele tinha de mulher perfeita se desfizesse diante da verdade optara por mentir. Não teve coragem para contar. E agora era tarde demais para voltar atrás. 

"Era melhor deixar o passado onde estava. Onde não podia machucar."

No meio da tempestade que ameaçava seu casamento, o aparecimento de um bebezinho abandonado em seu quintal pode ser tanto a cura para a relação dos dois quanto a ruína completa. Sobretudo porque Tony Blaker, uma pessoa do passado de Hannah, se torna o tutor da criança e invade suas vidas com a desculpa de lutar para que o casal permaneça com a bebê. Mas qual será o seu real objetivo? Por que voltava depois de vinte e sete anos sem dar notícias? 

Às vezes o passado simplesmente não pode ficar para trás. É necessário encarar os fantasmas para poder seguir em frente. Mesmo que o processo seja doloroso e coloque em risco sua relação com aqueles a quem ama. 

"Tony Blake reaparecia em sua vida, desenterrando lembranças, ressuscitando segredos capazes de destruí-la."

- Como podem ver estou sendo breve. Ainda que o livro tenha me feito um enorme bem não tenho condições de me aprofundar mais na resenha pela simples falta de tempo. :( Mas já adianto que é um livro que recomendo muito! Mesmo para aqueles que não gostam de romances de banca. Porque esta história está longe de ser a da mocinha ingênua que se apaixona pelo homem rico, é humilhada por ele e depois vivem felizes para sempre. Nem todo livro de banca contém esse tipo de história e se os amo e valorizo tanto não é à toa. 

- Logo que iniciei a leitura me identifiquei com a mocinha. Embora eu não tenha nenhum filho jovem indo para a faculdade (não tenho filhos ainda e eu é que estou na faculdade, no último período, graças a Deus!), foi muito fácil compreendê-la, sobretudo em relação ao desejo de ter filhos. Era o sonho de sua vida. E uma doença lhe tirou tudo. Sim, agradecia o presente que era a Becca, mas não era nenhum pecado desejar ter outro bebê. Sentia que algo lhe faltava. E ao perder o útero deixou inclusive de se enxergar como uma mulher completa, como se aquela perda lhe tirasse a identidade. Antes que alguém diga besteira é necessário recordar que ser feminista é respeitar as escolhas das outras mulheres. E se Hannah se sentia incompleta porque não podia mais ter filhos ela merece respeito e solidariedade por isso. Existiram momentos em que desejava chorar com ela de tanto que a entendia. 

"Mas não vou me recuperar, pensou Hannah. Esse é o problema. Nunca mais vou me recuperar."

- Tudo neste livro é muito real. Temos nele a história não só da Hannah, embora ela seja a protagonista, mas também temos o ponto de vista de Sam (seu marido), Tony (a pessoa do seu passado) e até mesmo da mãe biológica da pequena Ellie, que a abandonou no quintal da mocinha porque não tinha outra alternativa. Porque, naquele momento, se sentia totalmente perdida e só queria que sua filha estivesse segura, ao lado de alguém que ela sabia que poderia ser uma mãe de verdade. Nossa! O livro transborda sentimentos. Nos dá enormes lições e faz com que deixemos de lado as nossas ideias pré-concebidas sobre tudo e nos permitamos estar no lugar do outro. O que você faria se fosse a Hannah de vinte e sete anos atrás? Aquela que ela ocultou do marido? Aquela que cometeu um erro imperdoável? Seria mais "forte"? Faria uma escolha diferente? Eu não sei, sinceramente. É fácil falarmos quando estamos de fora e vivemos num outro século, quando temos oportunidades que talvez a pessoa que julgamos não teve. Hannah era uma mulher incrível, mas não era perfeita. E por desejar tanto ser não sabia como reconciliar-se com o marido que afastou de si. Viviam como dois estranhos na mesma casa, ambos querendo uma mudança, mas não tendo coragem de dar o primeiro passo, porque se acostumaram com aquela situação. 

"Ela se afastava, dia após dia, não importava o quanto ele se esforçasse para retê-la."

Sam é um personagem que não possui todo o destaque que merecia, uma vez que o livro em si gira em torno da protagonista. Todavia, mesmo assim ele é importante e se mostra um homem daqueles que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado. As coisas que ele faz por ela... Nossa! Eu ficava bem emocionada. E não pensem que são coisas mirabolantes. Nada disso. São atitudes simples, mas que significam muito. É um livro "comum", gente. Sobre a vida real. Aquelas histórias familiares que de vez em quando lemos e tocam em algo dentro de nós. Que deixam um gostinho bom. 

"Tony fora franco antes de partir: jamais voltaria."

- Se teve um personagem que detestei no livro foi o Tony. Um tipo egocêntrico, que acreditava que com um sorriso charmoso podia apagar as canalhices de tantos anos atrás. Ele me causou nojo, pura repulsa. E confesso que tive muito medo de ele conseguir o que planejava. Mas, ainda assim, não temos um vilão perfeitamente definido. Tony não é uma pessoa má. Ele é como tantos que existem por aí que nem sequer percebem o dano que provocam e quando notam simplesmente não se importam. É um ser superficial e que só olha para o próprio umbigo. Mesmo quando está sozinho com seus pensamentos percebemos o vazio que existe nele... a falta de empatia, de sentimentos. Ele "sabe" o que fez de errado, sabe que não merece perdão, mas não está nem aí. Quer de volta o que jogou fora e acha que tem direito de querer. 

- Não posso falar muito mais. Só repito que é uma história que vale sim muito a pena! Mas que não dá para ler na correria. É aquele livro que merece ser apreciado devagar, com tempo. Como o livro A Colcha de Despedida, do qual eu lembrei durante quase toda a leitura. 

Minha única ressalva em relação ao livro (e o que me impediu de dar 5 estrelas) é sobre a repetição. A autora voltava muitas vezes ao assunto principal. Ao ponto de ser impossível não me incomodar. Mas este é o único ponto negativo. 



Esta foi minha escolha para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca, que consistia em ler um romance (de banca, obviamente) sobre casamento em crise. A resenha deveria ter sido publicada no dia 31, mas como só concluí a leitura no último dia do mês e só consegui escrever hoje tudo atrasou. Mas o que vale é que concluí.rsrs 

27 de março de 2016

Doce Triunfo - Judith McNaught

(Título Original: Tender Triumph
Tradutor: Vitória Paranhos Mantovani
Editora: Best Seller
Edição de: 2000)


Numa sexta-feira, Katie conhece um homem belo, atraente, misterioso. Antes do domingo, suas vidas estariam irremediavelmente transformadas.

Cansado da ferocidade do mundo dos altos negócios, Ramon Galverra diverte-se ao ser tomado por um motorista de caminhão pela linda, independente e solitária Katie Connelly. Escondendo-lhe a condição de magnata, ele faz com que a garota se apaixone perdidamente, testando a sinceridade de seus sentimentos e sua capacidade de superar preconceitos. Um jogo de mão dupla, pois quanto mais envolve sua presa, mais seduzido, apaixonado e vulnerável torna-se Ramon. 

Sempre sustentando a farsa, ele convence Katie a acompanhá-lo a uma pequena fazenda em Porto Rico, onde a pede em casamento. Mas ela guarda um segredo, e da superação dos fantasmas de seu doloroso passado depende sua felicidade ou sua ruína. 


Palavras de uma leitora...


- Do ponto de vista da sinopse, meu resumo da história poderá conter spoilers. Porque a sinopse diz que a Katie guarda um segredo e faz com que isso pareça um dos pontos mais importantes da história, sendo que é algo que nos é revelado logo no início e apenas conhecemos mais detalhes depois. Na realidade, tal "segredo" é responsável pelas inseguranças e medos dela, mas de modo algum é um dos pontos fortes da história, uma vez que a autora sequer fez questão de escrever uma cena na qual existisse uma conversa entre a Katie e o Ramon sobre o assunto. Não me perguntem agora o que achei disso. Digo daqui a pouco.rs

Antes de continuar: como eu disse logo acima, o meu resumo (e também a resenha) da história terá spoiler. Porque tocarei no assunto do "segredo". E não. Não vou contar a história inteira. Tudo bem. Eu vou tentar não contar. 


Katie Connelly, uma jovem independente, bem-sucedida e admirada tanto pelos homens quanto pelas mulheres, sabia bem o que era estar no inferno. Um dia, não muito distante, havia cometido o erro de entregar o seu coração para alguém que parecia ter nascido para ela... que era perfeito, carismático, afetuoso, romântico... até ser contrariado. Durante o tempo de namoro e noivado, ela conheceu apenas o seu lado mais sedutor e irresistível. E mesmo sentindo que ele escondia alguma coisa dela... que a forma como se mostrava não passava de uma máscara, estava apaixonada demais para dar ouvidos ao que pressentia. E pagara um preço altíssimo por isso. As marcas de seu corpo já haviam desaparecido, mas as emocionais ainda se mantinham presentes, vivas e dolorosas. Nunca contara para ninguém tudo o que vivera nos seis meses que passara ao lado dele. E como se não bastasse todo o pesadelo que ele a obrigou a suportar, ainda tivera que vê-lo difamá-la sem piedade ao longo do tempo que durara o processo de divórcio. Sabia que era hora de seguir em frente... de deixar o passado para trás e reconstruir sua vida. David estava morto. Jamais voltaria a lhe machucar. Mas era difícil confiar outra vez, se entregar a alguém quando temia ver-se presa novamente a um casamento destrutivo. E quando aquele homem desconhecido e misterioso cruzara seu caminho e a defendera de um pretendente que não sabia escutar um "não" como resposta, Katie sentiu um medo que jamais havia sentido antes. Porque, ao olhar em seus olhos, percebeu que por ele seria capaz de arriscar tudo. E de entregar-se uma vez mais...

Ramon estava vivendo o pior pesadelo da sua vida. Dedicara-se de corpo e alma aos negócios do pai, entregando como garantia aos bancos até mesmo seus bens pessoais, transformando o que o pai começara num império e tornando-se um homem de negócios temido e respeitado mundialmente. Porém, mais do que a inveja de seus adversários, ele conquistara também a inveja de quem menos poderia esperar: de seu próprio pai. Alguém que o apunhalou pelas costas, tratando de tirar-lhe tudo o que ele um dia possuíra. Agora, seu pai não estava mais vivo e Ramon, após meses lutando, percebia que era hora de reconhecer que havia perdido. Que chegara o momento de desistir e declarar falência. Seu orgulho estava destruído e tudo o que ele queria era poder se refugiar na pequena casa onde um dia vivera, numa fazenda que ele não via há muitos anos... voltaria a sua terra natal e trataria de esquecer que um dia fora alguém e que se transformara em nada. Porém... ao conhecê-la... tudo perde importância. Já não lhe importava ter perdido o mundo se ao menos ele pudesse tê-la. Ainda que para isso ele tivesse que bagunçar toda a sua vida e convencê-la a abrir mão de tudo e partir com ele para Porto Rico. Poucos dias após conhecê-lo

Haveria espaço para o amor numa relação que começara do modo errado? E poderia o amor sobreviver às mentiras, enganos, manipulações e ameaças? 

- Por onde começo?!rs Nem sei. Estou mais do que acostumada com as histórias da minha querida Judith McNaught. Sei bem como seus mocinhos podem ser insuportáveis quando querem e fazer coisas para me tirar do sério e desejar matá-los. E uma vez que perdoei o Clayton, sou capaz de perdoar qualquer traste, digo, mocinho, controlador-possessivo-dominador-que-esqueceu-de-crescer que ela criar. Sério. Qualquer pessoa que tenha sobrevivido ao Clayton é capaz disso.kkkkkkk... E não. O Ramon não é tão irritante assim. Apenas chega perto.rs

- Juro para vocês que eu fui compreensiva e tolerante durante a história quase toda. Cada vez que ele fazia algo que esquentava meu sangue e me fazia respirar fundo, eu tentava justificá-lo, entender que ele tinha princípios, costumes diferentes dos da mocinha e que se ela estava disposta a abrir mão de sua maneira de ser por ele, tudo bem. Escolha dela. Eu deveria aceitar. Mas acontece que as coisas não são bem assim, gente.

- O Ramon foi um egoísta ao conhecer e se apaixonar pela Katie. Não nego nem por um instante que ele a amava. Fui perfeitamente capaz de perceber isso. Ele ficou perdidamente louco por ela, sentindo pela primeira vez uma ternura que jamais havia sentido por mulher alguma e no meio de toda a dor que vinha enfrentando, Katie era como um refúgio, um presente enviado quando ele mais necessitava. Quando estava ao seu lado, ele conseguia esquecer todos os problemas e sorrir novamente. Sim. Eu percebi tudo isso e meu coração se comoveu bastante com o amor que ele sentia por ela. Mas esse amor todo o fez pensar apenas em si mesmo, em suas necessidades, em seu desespero e em momento algum ele parou para pensar no que estava fazendo com a vida dela. 

- Desde o princípio ele mentiu. A fez acreditar que ele era um motorista de caminhão nas horas vagas e um fazendeiro em Porto Rico. Mas essa mentira não foi porque ele achou divertido a confusão dela, como a sinopse afirma. Nada disso. Ele mentiu porque se sentia um fracassado e não queria que a Katie soubesse que se deixara vencer, que era um derrotado. E, ao mesmo tempo que lhe escondia a verdade, tratava de exigir (Sim! Exigir.) que ela sempre fosse sincera, reagindo muito mal cada vez que percebia que ela não contava tudo. E não adiantava a Katie tentar se explicar, porque uma vez que começasse a fazer birra, ele não entendia de razão alguma. Me fazia mesmo pensar em crianças mimadas que se jogam no chão e fazem birra quando não conseguem o que querem. Com crianças tenho toda a paciência. Agora com adultos que se comportam assim nem um pouco. 

- Meus problemas com o Ramon surgiram logo no início, quando ele se apaixonou pela Katie, mas não adiou seus planos de viajar para Porto Rico. Num espaço de pouquíssimos dias, ele queria que ela não só sentisse por ele o mesmo amor que ele sentia, mas que também abrisse mão de toda sua vida, sua casa, sua carreira e viajasse com ele, para se casar e não ser mais do que sua esposa e a mãe dos seus filhos. E ai dela se pretendesse seguir trabalhando! Ele trataria de gritar e ameaçar até que ela sentisse medo o suficiente para voltar atrás. Ele seduziu e manipulou a Katie, fazendo-a tomar uma decisão que não queria. Ela não queria viajar com ele e largar tudo logo após conhecê-lo. Depois de todo o inferno que tinha vivido, tudo que ela queria era ir com calma, conhecê-lo e amá-lo aos poucos, tendo tempo para saber se realmente poderia construir um futuro ao seu lado, se estava pronta para isso. Mas ele não permite. Deixa claro que ou ela larga tudo e vai com ele, ou jamais voltariam a se ver. Nossa mocinha estava apaixonada e ele sabia disso. Por isso o cretino se aproveitava. Ele a amava? Sim. Mas era um amor egoísta. 

- Foram vários os momentos nos quais o machismo dele era evidente. Ele chegou ao ponto de mandar ela trocar de roupa e fazer com que ela se sentisse uma prostituta só porque estava vestindo um biquíni do qual ele não gostou. Ele ficou furioso porque tinha ciúmes dos outros homens e não queria que eles a vissem com aquele biquíni e por isso ele a fez se sentir uma vagabunda por estar vestindo-o. Ela teve que trocá-lo! Porque ele mandou. Não pediu, gente. Mandou! Vocês não têm ideia de como os meus pensamentos em relação a ele foram bonzinhos nesse momento... Mas a cena que me provocou grande impacto e um choque enorme foi quando ele teve uma discussão feia com a mocinha, após descobrir que ela escondeu algo (realmente insignificante) dele. Ele disse que se ela voltasse a mentir para ele, ele faria com que o ex-marido dela parecesse um santo perto dele. Nessa hora eu pensei que não estava lendo direito. Achei que de repente meus óculos estavam danificados e tive que reler a frase, acreditando de verdade que tinha lido mal. Meu coração se partiu pela mocinha que ficou tão apavorada que disse a verdade... levada pelo puro pânico que sentiu com as palavras dele. Não pude perdoar. Não me interessa que ele não soubesse detalhes do que tinha se passado entre ela e o ex-marido, ele sabia que o desgraçado a tinha agredido. E ao dizer que faria o outro parecer um santo perto dele, a ameaça de agressão fica mais que evidente. Uma agressão que seria pior que a do outro. Isso para mim foi a gota que fez o copo transbordar. Tudo o que aconteceu depois perdeu importância. Eu não o vi mais com os mesmos olhos. Não que eu acreditasse que ele fosse capaz de bater nela. Sei que ele não faria isso. Mas ele estava sempre ameaçando, pressionando, manipulando... fazendo a mocinha se sentir perdida e infeliz. E naquele momento... ela não teve medo dele só pelas lembranças do outro. Teve medo pelas atitudes dele próprio e não houve um só pedido de desculpas por cena tão desagradável. O comportamento do Ramon sempre foi muito machista.. As coisas tinham sempre que ser como ele queria. Ele anulava a personalidade da mocinha. Não houve um só instante, durante a história quase toda (antes do final) em que a Katie tivesse sido apenas feliz. Ela estava sempre insegura, confusa, porque o comportamento dele não lhe dava a segurança que ela precisava para confiar. E ele jamais tentou ser diferente! Ele sequer tentou. Isso para mim é demais. Nem que a história se passasse no século XIX! 

- Não desgostei do livro. Na verdade, foi uma leitura bem fácil, envolvente que nunca sequer pensei em abandonar. Me diverti em alguns momentos, torci pelo casal e justifiquei muito o Ramon, tratando de compreendê-lo e tendo esperanças de que ele acabaria por enxergar o medo que a Katie tinha dele e faria o possível para apagar o passado dela, para afastar aquelas lembranças tão dolorosas... mas isso não acontece. E fiquei decepcionada, não nego. Esperei demais do Ramon. Acreditei que a autora lhe daria a oportunidade de corrigir os erros que ele cometeu com a mocinha, imaginava que ele iria ajoelhar-se e pedir perdão por aquela maldita frase, jurando que tinham sido palavras da boca para fora e que ele não sabia o tipo de ameaça que estava fazendo, que preferia arrancar a própria mão antes de machucá-la e aí choraria com ela pelo passado dela... dizendo que gostaria que o traste do David estivesse vivo para que ele o matasse com suas próprias mãos... Mas tudo isso ficou só na minha imaginação mesmo.rs Quem conhece os livros da Judith sabe que seus mocinhos pedem perdão com paixão, se arrependem de verdade e protagonizam as cenas mais lindas e emocionantes de arrependimento. Até mesmo o Clayton!!!! Lembro que meu coração se partiu em vários pedaços quando ele deixou a Whitney ir... quando preferiu condenar-se a uma vida sem ela do que tê-la ao seu lado à força, depois da forma desprezível como a tinha tratado. Foi uma prova de amor que me deixou em prantos. E aí o Ramon sequer pede perdão. Cadê aquela carinha do WhatsApp para expressar como me senti em relação a ele?! Aquela em que o bonequinho fica olhando pro lado, com os lábios pra baixo. Expressa muito bem o que senti.rs

- A verdade é que esperei muito da história. Justamente por ser fã da autora e conhecer muito bem os seus livros. A história em si é muito boa, mesmo que o final deixe a desejar. Meu maior problema foi o mocinho. Não digo que não cheguei a amá-lo. Pelo contrário, começar a amá-lo foi fácil, fácil. Inevitável. Mas eu não estou cega (pelo menos, não tanto). Não deixei de ver os inúmeros defeitos dele só porque o amo. E não pude perdoá-lo pela forma como ele tratou a Katie e sobretudo aquela frase, aquela ameaça horrível. Enfim...

- Dei 4 estrelas ao livro no Skoob, mas considero a história digna apenas de 3 estrelas. O livro ganhou mais uma estrela pelo meu carinho pela autora, que faz com que eu tente ser mais compreensiva e entender os problemas mentais do mocinho. 

16 de agosto de 2015

Em Busca do Paraíso - Judith McNaught


1º Livro da Série Segundas Oportunidades


Uma história envolvente e emocionante de dois jovens apaixonados, separados pela tirania de um homem arrogante e poderoso, que se dá o direito de manipular pessoas e mudar o rumo de suas vidas.

Meredith Bancroft, de família rica e tradicional de Chicago, é criada pelo pai divorciado, um homem despótico e superprotetor, que a sufoca com proibições e exigências descabidas. E é num ato de rebelião que, no fim da adolescência, ela entrega sua virgindade a Matthew Farrell, oito anos mais velho, sem nenhuma projeção social, mas inteligente e determinado, por quem sente súbita e avassaladora atração. Essa única noite de paixão resulta numa inimaginada gravidez e desencadeia uma série de acontecimentos emocionantes que culminam com uma separação litigiosa e sofrida.

Onze anos mais tarde, num encontro ao acaso, os dois se veem frente a frente, e daí por diante seus caminhos se cruzam e se tornam inseparáveis, assim como suas vidas, seus destinos, seu amor.


Palavras de uma leitora...


"A vida desferira-lhe grandes golpes, mas ela sobrevivera e descobrira uma força interior que não sabia que possuía."

- Ao olhar para o passado, Meredith Bancroft, uma mulher de negócios que alcançara o sucesso com muito esforço, lutando contra os empecilhos que o próprio pai sempre insistira em colocar em seu caminho e que agora estava prestes a se casar com o seu amor de infância, poderia ver exatamente onde deixara seu coração. Onze anos antes, quando não tivera forças para lutar por um casamento fadado ao fracasso desde o princípio e pelo amor de um homem que invadira o seu mundo, o virara de ponta-cabeça e depois fora embora, sem sequer uma despedida. E no momento em que ela mais precisava dele... Ela sabia que nunca seria capaz de voltar a amar... E que enquanto vivesse, aquele passado, que ela tentara sufocar com todas as suas forças, voltaria para assombrá-la... 

Mas o que ela jamais poderia imaginar é que ele poderia voltar justamente na imagem do homem que tanto a ferira e despedaçara seu coração...  Alguém que ela não esperava voltar a ver... e que o destino estaria lhe dando uma segunda oportunidade. Para acertar as contas com o passado... consertar seus erros e, quem sabe, acreditar uma vez mais... amar uma vez... Mas estaria ela pronta para aceitar essa oportunidade? Ou colocaria um ponto final na história de amor e dor que ainda os unia apesar de todos aqueles anos? 

- Ao voltar à Chicago para fechar um novo negócio, Matt sabia que acabaria por reencontrar a mulher que havia sido sua esposa durante um curto período de tempo e que o ensinara que amar era a maior estupidez que um ser humano poderia cometer. Há mais de uma década ele entregara seu coração a uma jovem de lindos e risonhos olhos azuis que o fizera ansiar por coisas que jamais desejou. Que o fez derrubar suas defesas e acreditar que ficariam juntos mesmo com tudo contra eles... e que construiriam uma família. Apenas para destruir seus sonhos de uma maneira terrível. Nem com a morte da mãe ele sentira uma dor tão grande. E mesmo sentindo-se sufocar pelo desespero, ele pegara um avião para ir atrás dela, tentar convencê-la a pelo menos não acabar com o casamento... a lhe dar uma segunda chance de mostrar-lhe que poderia fazê-la feliz. Mas tudo foi em vão... e não valia a pena recordar aquele passado, mesmo que uma simples troca de olhar fosse suficiente para fazê-lo sentir de novo tudo que um dia sentira por ela e que mantivera trancando dentro de si. Desejando esquecer... desejando apagar... 

Mas quando certas mentiras finalmente são descobertas, ele percebe que deverá lutar com todas as armas ao seu alcance para conseguir o perdão de Meredith e fazê-la ver que ainda existe tempo para os dois... e que juntos poderiam aprender a amar... E curar as feridas que ainda sangravam. 

"Apenas Matt tinha o poder de causar-lhe sofrimento e, apesar disso, ela o queria. Essa verdade atingiu-a sem aviso, inaceitável, aterradora. Inegável."

- Fazia tempo que eu não lia uma história da minha querida autora e me perdia num mundo de magia, romance, sorrisos e dor que ela sabe criar de uma maneira que sempre nos causa um grande impacto. São raras as histórias da JM para as quais eu não perdi meu coração. E Em Busca do Paraíso já conquistou um lugar em minha vida, sendo inclusive o melhor romance contemporâneo que leio da autora. Os outros são lindos, mas a história de Meredith e Matt é especial.

"Amo você. Nunca deixarei que alguém a machuque."

- Um amor que sobrevive ao tempo e às artimanhas de um homem egoísta e manipulador, e que nos encanta desde o princípio. É impossível não suspirarmos com o primeiro encontro entre esse casal... com um amor que nasceu no momento errado e que justamente por isso nada nem ninguém poderia destruir, não importando o quanto tentassem e nem mesmo que eles próprios não tivessem forças para lutar. Quando se conhecem, nenhum dos dois está preparado para os sentimentos que começam a surgir, ambos tinham sonhos particulares, que faziam parte do que eles eram e que os obrigaria a seguir caminhos diferentes, ainda que ninguém interferisse no relacionamento deles. Porque era realmente o momento errado, embora fosse o sentimento certo. E mesmo que eu tenha sofrido muito com a separação dos dois e com tudo o que a Meredith teve que suportar sozinha, enganada pelo próprio pai, acreditando que o homem que ela amava fora capaz de abandoná-la justamente quando ela mais precisava que ele estivesse ao seu lado... apesar de meus olhos terem ficado cheios de lágrimas e um nó doloroso ter se formado em minha garganta... e apesar também de eu ter desejado matar o pai dela com as minhas próprias mãos e mandá-lo com passagem só de ida para o inferno... eu estava preparada para aquele suposto fim. Porque eu sabia que não era realmente o final. E sabia também que por mais doloroso que tudo fosse para eles e que todos aqueles anos de separação manteriam vivas aquelas feridas... eu sabia também que era uma separação necessária. Para que eles amadurecessem, para que realizassem os sonhos que não poderiam abandonar e assim estivessem finalmente prontos para aprender a amar. Eu sofri muito com eles dois, mas aceitei o que aconteceu, sabendo que quando a vida os colocasse frente a frente de novo o tempo deixaria de existir... os sentimentos estariam ainda mais fortes e eles tomariam todas as decisões certas que antes não foram capazes de tomar. 

 "Matt nunca a aceitaria de volta…
  As pequenas imagens do presépio pareceram oscilar, quando ela as fitou através das lágrimas.
  - Por favor, não deixem que isso aconteça comigo - rezou, desatando num choro convulsivo."

- Amar a Meredith e o Matt foi fácil, fácil.rs E totalmente inevitável. Eles vão roubando espaço em nosso coração, nos fazendo sentir tudo com eles. Com os dois eu ri muito, mas também chorei. E torci para que tudo pudesse se resolver sem que eles tivessem que sofrer mais do que já tinham sofrido. Para que se consolassem, para que colocassem para fora a forte dor que partilhavam por uma perda marcante e encontrassem juntos o caminho de volta para o amor. 

"- Pretende viajar para onde, Meredith?
 - Se você ainda quiser me levar… eu gostaria de ir ao paraíso. 
 Matt não se moveu, nem falou. Por um momento horrível, Meredith pensou que se enganara, que  realmente estava tudo perdido. Então, ele estendeu a mão.

 Com lágrimas de alegria nos olhos, ela deu-lhe a sua. Matt entrelaçou os longos dedos fortes nos  seus e puxou-a gentilmente, tomando-a nos braços e apertando-a contra o peito.

 - Amo você, Meredith - murmurou, apossando-se de sua boca num beijo desesperado."

- Uma história de amor, de dor, que também fala de esperança, perdão, arrependimentos e novas oportunidades. E não é só aos protagonistas que é dada uma segunda chance. Outros personagens (incluindo alguns que não mereciam) também têm a oportunidade de consertar os erros passados e voltar a amar. Fiquei muito feliz por uns e furiosa por outros. A JM não consegue não me irritar. Sei que ela faz de propósito.rsrsrsrs....

Uma música que me parece escrita para este casal é Volverte a Ver da cantora Noelia. Clicando aqui vocês poderão ouvi-la. :) 

"Eu que jurei não voltar a chorar, nada posso prometer.
 Quis enterrar o passado no fundo do mar...
 Porém, hoje a vida nos volta a cruzar e de novo outra vez ponho à prova o coração...
 O que sentirá? Que segredo oculta o seu olhar?" 
  Volverte a Ver - Noelia


Segundas Oportunidades:

1º- Em Busca do Paraíso
4º- Todo Ar que Respiras

15 de dezembro de 2014

Tudo por Amor - Judith McNaught


2º Livro da Série Segundas Oportunidades

Julie é uma menina que perdeu os pais e vivia num orfanato até que uma família decide adotá-la. Porém, ela acredita que não merece, por ser essa uma família de moldes perfeitos, coisa que Julie não acreditava ser. Por isso, durante toda sua vida se esforçou ao máximo para ser perfeita e se encaixar entre eles. 

Zack nasceu entre os privilegiados, porém num momento de sua vida, sua avó decide expulsá-lo de casa e se esquecer que ele existe. Ele porém, consegue seguir adiante como ator e diretor de Hollywood, mas a morte de sua mulher em um estranho acidente durante a rodagem de um filme, o torna um presidiário. Zack decide fugir para tentar provar sua inocência e no meio do caminho ele cruza com a doce Julie, tão diferente das falsas atrizes com as quais estava acostumado.


Palavras de uma leitora...


"O que o derreteu não foram as palavras de Julie, e sim sua maneira de olhá-lo... a admiração que havia em seus olhos, em seu tom de voz. Depois do julgamento humilhante e dos desumanizantes efeitos da cadeia, já era alentador que o considerasse um ser humano em vez de um monstro. Mas que Julie o olhasse como se fosse um ser valente, decente e valioso, foi o presente mais precioso que já havia ganho em sua vida."


- Se existia algo que Zack conhecesse bem nesta vida era a dor da perda e da traição. Sabia bem o que era ser golpeado e perder aquilo que lhe era mais importante. Ainda bem jovem perdeu o irmão que amava, o lar e a vida que conhecia, e os irmãos que lhe restavam. Além, é claro, de perder uma avó que nunca lhe demonstrou nenhum afeto, mas que ele amava e admirava. E de quem não estava preparado para receber tamanho desprezo e rejeição. Embora ele soubesse que aquela mulher jamais seria capaz de amá-lo, e de dar a ele o carinho que ele tanto necessitava, foi um golpe terrível vê-la olhá-lo com todo aquele ódio, antes de expulsá-lo de sua casa e de sua vida... deixando-o por conta própria, isolando-o e tirando dele até a oportunidade de construir uma vida digna naquela cidade. Porque a influência dela era tão grande que ela poderia destruir qualquer pessoa ali que estivesse disposta a ajudá-lo, até oferecendo-lhe um abrigo ou um emprego. Ela o queria longe dali e para isso estava disposta a prejudicar quem tivesse que prejudicar. Ela deixou mais do que claro que jamais gostaria de vê-lo em sua frente ou ouvir falar seu nome. E embora a dor que o invadiu tenha sido grande demais, ele saiu de sua vida de cabeça erguida. Disposto a recomeçar em outro lugar. Sem jamais olhar para trás. Porque aquela vida já não existia mais. Sua avó e os irmãos que lhe viraram as costas... estavam mortos e enterrados para ele. E assim deveriam ficar. 

Com a ajuda de um desconhecido, Zack viajou para Los Angeles, onde começou com trabalhos humildes, que apenas abriram uma porta para o seu sucesso. Não demorou para que percebessem seu talento e seu valor e apostassem nele... num ator que se tornou brilhante, construiu uma carreira de sucesso e foi além, tornando-se diretor de filmes sensacionais, que o tornaram mundialmente conhecido... mas, ao confiar novamente na pessoa errada... ao abrigar em seu coração a esperança de ter de volta um sonho que ainda não havia morrido... tudo que ele construiu, toda a vida que ele tanto batalhou para ter, foi destruída. E, de repente, ele se viu numa maldita prisão, condenado por um crime que não cometeu, e onde deveria permanecer por mais de quarenta anos de sua vida... 

Só que desistir não fazia parte do seu caráter. Não era algo que ele pudesse aceitar. Sabia que tudo estava contra ele e que estaria arriscando a própria vida ao fugir daquele inferno... mas que vida ele possuía? Como alguém poderia ter uma vida naquele lugar? Se perdesse, poderia ao menos saber que tinha tentado... que não tinha perdido sem lutar. E então, com a ajuda de alguém que acreditou nele e ofereceu a sua amizade num momento em que ele tinha fechado seu coração para qualquer sentimento e preferia manter as pessoas o mais longe possível, ele escapou... Cogitando diversas possibilidades... imaginando que poderia ser preso ou assassinado a qualquer momento... Mas se havia algo que jamais tinha passado pela sua cabeça... é que tal fuga colocaria em seu caminho Julie Mathison e os sonhos que ele tanto tinha tentado sufocar... Não estava disposto a acreditar de novo. Não queria mais amar porque a dor que tal sentimento provocava era forte demais. Só que assim como a vida não lhe deu ouvidos ao destruir tudo o que ele tinha... também não estava disposta a levar em conta o seu querer agora que estava pronta para devolver-lhe tudo o que lhe roubou...

"Tinha conseguido uma vida perfeita. Só que algumas vezes, de noite e quando estava só, não podia evitar a sensação de que tudo isso não era perfeito. Havia algo falso, faltava algo, ou existia algo que estava errado. Tinha a sensação de que havia inventado um papel que devia interpretar, e não estava segura do que devia fazer no futuro."

- Ela havia recebido uma segunda oportunidade em sua vida... no momento em que aquela psicóloga enxergou dentro dela algo que ninguém, nem ela mesma, conseguia ver. Aquela mulher, que era uma completa estranha para ela e nenhuma obrigação tinha de ajudá-la, conseguiu para Julie o lar que seu coração tanto pedira, tanto ansiara ter... e não acreditava mais que um tinha fosse possuir. Foi como se um sonho estivesse se realizando e, mesmo temendo que a qualquer momento fosse acordar e estar de volta a uma vida que a sufocava, ela agarrou aquela oportunidade com toda a sua força e jurou, para si mesma e para Deus, que valorizaria a sua chance e seria para aquela família, a filha e a irmã perfeita. E assim, os anos se passaram. Ela se tornou uma mulher, mas jamais esqueceu a sua promessa. Uma promessa que a libertou de uma vida terrível, mas também a condenou... a condenou a sempre buscar uma perfeição que ser humano algum seria capaz de encontrar. A condenou a uma vida incompleta, sufocada por um desejo cada vez mais forte de ser um exemplo, de ser motivo de orgulho para seus pais, seus irmãos, seus alunos, vizinhos e qualquer pessoa que encontrasse em sua vida. Ela exigia demais de si mesma e, no fundo, sabia que aquilo não era suficiente. Não era bom. Porque lhe faltava algo... porque havia um vazio... e enquanto seguisse atrás da perfeição, aquele vazio jamais seria preenchido. 

E, quando a vida coloca em seu caminho Zack Benedict, um fugitivo condenado por assassinato, que durante a sua fuga a transformou em refém.... Julie de repente se vê diante de mais uma oportunidade... uma chance que nunca teria de volta. Ela teria que fazer uma escolha. Seguir sendo perfeita... ou abrir seu coração para o amor. Possuir as duas coisas... não era uma possibilidade. 

Qual será a sua escolha? E... quando tudo começa errado... quais são as chances de terminar bem? Existirá um futuro para duas pessoas tão diferentes e tão marcadas por uma vida que segue jogando com elas? 

"Compreender que era possível que Julie tivesse razão foi uma bofetada para Zack, que agarrou os braços dela com mais força.
— Julie...
— Dediquei os últimos quinze anos de minha vida tentando ser perfeita — soluçou ela, lutando para liberar-se dele. — Me tornei professora para que pudessem estar orgulhosos de mim. Vou... vou à igreja e ensino na escola dominical. Depois disto não me deixarão voltar a ensinar em nenhuma parte...
De repente Zack não pôde seguir suportando o peso da dor de Julie, nem a consciência de sua própria culpabilidade.
— Não chore mais, por favor! — sussurrou, tomando-a em seus braços. Pegou a cabeça dela entre suas mãos e a apertou contra seu peito. — Eu entendo, e lamento. Quando tudo isto terminar, os obrigarei a ver a verdade.
— Diz que entende? — repetiu ela com amargo desprezo, olhando-o com o rosto acusador empapado de lágrimas. — Como alguém como você vai entender o que eu sinto?
Alguém como ele. Um monstro como ele.
— Ah, mas eu entendo! — ladrou ele, afastando-a de si e sacudindo-a até que a obrigou a olhá-lo. — Compreendo exatamente o que se sente quando alguém é desprezado por algo que não fez!
Julie conteve seus protestos pela rudeza com que ele a tratava, ao registrar a fúria de seu rosto e a dor que havia em seus olhos. Zack cravava os dedos nos seus braços e sua voz vibrava de emoção.
— Eu não matei ninguém! Ouviu? Minta e diga que acredita! Só te peço que diga isso! Quero ouvir alguém dizendo!
Depois de experimentar em pequena medida o que ele devia sentir se fosse realmente inocente, Julie se encolheu interiormente ao pensar no que esse homem podia estar sentindo. Se era inocente... Tragou com força e estudou com os olhos molhados o rosto de Zack. Então expressou em voz alta seus pensamentos.
— Eu acredito! — sussurrou enquanto novas lágrimas começavam a correr por suas bochechas. — Juro que acredito!"

- Não é novidade para ninguém que é sempre muito complicado para mim falar de um livro especial. É algo que já repeti um sem-número de vezes.rsrs... E Tudo por Amor é especial. Afinal de contas, o Zack é o protagonista da história. Um mocinho único que desde o princípio eu senti vontade de pegar no colo e cuidar. Alguém que foi traído e abandonado pela família que amava... e que, mais tarde, ao permitir que seu coração se abrisse de novo, foi traído por uma esposa que apenas o usou para conseguir o que queria. E que, como se não bastasse esquecer as promessas que lhe fez e os sonhos que alimentou dentro dele, ainda teve a coragem de traí-lo e humilhá-lo publicamente. Foi um segundo golpe terrível para o Zack, que por fora sempre tentou ser alguém forte, arrogante e insensível... que construiu essa capa para proteger um coração que ainda possuía feridas abertas. Foi difícil para ele encarar aquela situação, só que pior do que tudo isso foi ver a esposa morrer em sua frente, durante as gravações das cenas finais de seu novo filme, e ser julgado e condenado por esse crime. Um crime que ele não cometeu, mas que um júri decidiu que sim. A única pessoa que acreditou em sua inocência foi seu amigo Matt. Nenhuma das outras pessoas que o conheciam há anos e supostamente o admiravam, confiou nele. Nem seus advogados acreditavam nele. E assim ele perdeu cinco anos de sua vida numa prisão terrível, onde todos acreditavam que ele deveria ficar para sempre. Esquecido. Enjaulado como um animal. 

Foi muito difícil para mim acompanhar o sofrimento do Zack sem poder fazer nada para livrá-lo daquela situação. Logo quando a avó o expulsou de casa, eu senti um aperto no coração pelo menino que sofria, mas que fazia de tudo para esconder isso das outras pessoas... para esconder sua dor até de si mesmo. E quando ele acreditou na Rachel, quando apostou num relacionamento com ela... quando acreditou em suas promessas e pôde sonhar com os filhos que teriam, eu voltei a sentir aquele mesmo aperto... porque sabia que era tudo falso, que aquela mulher era falsa e apenas o faria sofrer de novo. Como se tudo o que ele passou já não fosse o suficiente. Vê-lo naquela prisão também foi desesperador e pude respirar com mais tranquilidade no momento em que ele conseguiu escapar... e quando aquela jovem, que já havia conquistado meu coração também, apareceu em seu caminho, eu pude começar a sorrir e ter esperanças... 

"— Zack? — disse ela de repente. — A próxima vez que uma mulher disser alguma dessas coisas, a aconselhe para que o olhe de perto. — Levantou os olhos para olhá-lo. — Se fizer isso, acredito que verá uma estranha nobreza e uma extraordinária doçura.
Completamente surpreso, Zack descruzou os braços e sentiu que seu coração dava um salto, como cada vez que ela o contemplava dessa maneira.
— O que não quer dizer que não ache que seja autocrático, ditatorial e arrogante, como entenderá — adicionou Julie, reprimindo uma gargalhada.
— Mas mesmo assim, você gosta de mim — brincou ele, enquanto passava o dorso da mão pela bochecha dela, desarmado e aliviado. — Apesar de tudo isso.
— Pode adicionar "vaidoso" à lista — disse ela enquanto ele a abraçava.
— Julie — sussurrou, inclinando a cabeça para beijá-la —, cale a boca!
— E determinante também! — declarou ela contra os lábios dele. Zack começou a rir. Julie era a única mulher que o deixava com vontade de rir enquanto a beijava.
— Me lembre de nunca mais me aproximar de uma mulher com seu tipo de vocabulário! — disse Zack. Percorreu com a língua a forma da orelha de Julie e ela estremeceu, agarrando-se a ele enquanto adicionava outra palavra à definição sumária de seu caráter.
— E incrivelmente sensual... e muito, muito sexual...
— Por outro lado — corrigiu ele, lhe beijando a nuca —, não existe substituta para uma mulher inteligente e de grande discernimento."

- Não posso reler esse trecho sem começar a rir de novo.rsrs... Se eu já não amasse a Julie pela pessoa maravilhosa que ela era, a teria amado por ter derrubado as defesas dele e ter lhe devolvido a capacidade de sorrir... por tê-lo feito voltar a demonstrar afeto e estar disposto a receber o carinho, a ternura que ela tão naturalmente lhe dava. Eu me divertia muito vendo os dois juntos. Tanto quando eles brigavam quanto nos momentos em que ela o contagiava com seu bom humor e seus sorrisos. Eles tinham começado como captor e refém, mas não demorou muito para que se deixassem levar pelos sentimentos tumultuantes que um provocava dentro do outro. Até mesmo quando a ameaçava, ele sentia dentro dele algo diferente... que não conseguia explicar, mas que definitivamente não queria sentir.rs E até mesmo quando aproveitava todas as oportunidades para tentar escapar dele e acreditava que a cadeia era o seu lugar, Julie sentia algo forte em seu coração... uma sensação estranha. E quando ele suplicou para que ela o ajudasse, ela não pôde lutar contra os sentimentos que tais palavras e o desespero em sua voz provocaram dentro dela. 

"— Tem a distinção, Julie, de ser a única mulher que conseguiu me fazer sentir como que dançando em uma maldita corda guiada por seu dedo.
Julie mordeu o lábio inferior para não sorrir, porque pareceu maravilhoso e significativo isso de afetá-lo de uma maneira distinta de todas as demais mulheres. Embora ele não gostasse.
— Sinto... muito — disse por fim com total falta de honestidade.
— Muito! — retrucou ele, mas a tensão tinha desaparecido de sua voz. — Está fazendo todo o possível para não rir.
Julie levantou seu dedo indicador e o inspecionou com cuidado.
— Me parece um dedo comum — brincou.
— Não há absolutamente nada comum em você, senhorita Mathison — respondeu ele entre irritado e divertido."

- Como conseguimos perceber desde o princípio que aquela relação teria que chegar ao fim em algum momento, uma vez que o Zack era um fugitivo e não poderia ficar naquele esconderijo por muito tempo, aproveitamos ainda mais intensamente cada momento deles juntos... rimos e choramos e ansiamos para que a separação não seja muito longa. Na verdade, ansiamos para que sequer haja separação. Queremos que eles fiquem juntos, que enfrentem tudo juntos... que ela não o deixe, ainda que ele a mande embora. 

"— Não vá! — suplicou ele com voz rouca. — Por favor!
Ante o tom desesperado de Zack, o coração de Julie se retorceu, mas seu orgulho ferido gritou que só uma tola, insensata e sem dignidade permitiria que ele se aproximasse depois do que tinha feito na noite anterior, e seguiu caminhando. Quando esticou o braço para pegar o trinco da porta traseira, a voz de Zack chegou até ela já muito perto. Estava afogada de emoção.
— Julie! Não, por favor! — A mão de Julie se negou a fazer o trinco girar, seus ombros começaram a ser sacudidos por violentos soluços e teve que apoiar a cabeça contra a porta, com a face banhada em lágrimas. A bolsa deslizou de suas mãos. Chorava de vergonha por sua falta de força de vontade, e por medo de um amor que não conseguia controlar. E enquanto chorava por si mesma, permitiu que ele a abraçasse e a apoiasse contra seu peito.
— Sinto muito — sussurrou Zack, enquanto fazia desesperados esforços por consolá-la, acariciando-lhe as costas, sustentando-a com força. — Peço que me perdoe! Por favor, me perdoe!"

- Estou em lágrimas de novo, acreditam?!kkkk... Oh, Deus! Eu amei esta história, gente. Amei o Zack logo que o conheci. Ele invadiu meu coração sem pedir licença. Quando eu dei por mim já estava completamente louca e envolvida por ele. Amei a criança que a Julie foi. Aquela menina perdida que suplicava em silêncio por socorro. Ela era tão orgulhosa, mas também tão frágil. Eu me deixei levar pelo desejo de protegê-la. E quando ela cresceu, admirei a mulher que ela se tornou, ainda que soubesse que ela estava fazendo um grande mal para si mesma ao ir atrás de uma perfeição que jamais encontraria. Enfim... Eu acreditei nela, confiei nela mesmo sabendo que chegaria um momento em que ela me magoaria muito. Mas quando eu a via com o Zack, quando via o bem que ela lhe fazia e a maneira como o defendia, eu a amava ainda mais... e mais medo sentia, confesso. Mas falarei sobre a Julie um pouco mais logo, logo. Enfim... Eu me apaixonei perdidamente por este livro. Não só pelo Zack e pela história dele com a Julie, mas também por tudo que torna esta história tão linda e tão querida. Por todos os outros personagens que marcaram presença na história e que me divertiram e me encantaram, que também conquistaram espaço em meu coração. Como não amar a família linda que recebeu de braços abertos aquela criança tão assustada e ferida, tão necessitada de amor? Como não amar o Ted, irmão adotivo da Julie, apesar de seu temperamento difícil? Ao conhecer a história dele com a Katherine, melhor amiga da Julie, podemos ver um outro lado dele e entender o que o tornou tão amargo e difícil. E ao conhecer a Katherine melhor, também não podemos culpá-la. Eu cheguei à conclusão de que ambos erraram. Que os dois não estavam muito preparados para um casamento e que por isso aquela história chegou ao fim... ou ficou adormecida por um tempo.rsrs... Quanto mais os conhecemos, mais desejamos um recomeço para eles... uma segunda oportunidade. E como não amar também o Matt, a Meredict e a filhinha deles? Eles possuem sua própria história no livro Em Busca do Paraíso. Uma história que ainda não li, mas da qual eu pude sentir um gostinho através deste livro. O Matt é o melhor amigo do Zack, o único que esteve ao lado dele sempre, que jamais deixou de acreditar em sua inocência. Eu tive algumas reservas com o Matt no princípio. No que se refere à amizade dele com o Zack, mas depois que fui conhecendo-o melhor, pude perceber que o Zack jamais teria um amigo tão leal, tão especial e completo. Enfim... E como não amar os alunos da Julie e aquelas mulheres que ela estava ensinando a ler? São poucos os personagens que odiamos nesta história. A maior parte deles enche de luz o livro, faz com que a história seja completa e muito mais do que maravilhosa. :)

"— Eu nunca dou uma segunda oportunidade a ninguém, Julie. Nunca.
— Mas...
— Para mim, todos eles morreram."

Mais que uma história de amor, esta é uma história de recomeço. De segundas oportunidades... dadas pela vida e para pessoas que magoaram, feriram quem os amava, mas ansiavam por uma segunda chance. Dentre essas pessoas que tiveram sua segunda chance, só o Zack realmente merecia, na minha opinião. Ele não tinha destruído o coração de ninguém. Não tinha virado as costas para alguém que o amava... mas a vida tinha lhe tirado muito e de repente resolveu lhe dar outra chance de correr atrás de sua felicidade. Não porque ele tenha desperdiçado a primeira chance, mas porque ele tinha o direito de recomeçar de novo após perder tudo. Para mim, só ele era realmente digno de tal oportunidade... mas eu compreendo a intenção da autora. Sei que ela quis restaurar relações rompidas, provocar um recomeço... trazer de volta o que tinha sido destruído. E não a culpo de maneira alguma pelo fato de eu não ter conseguido perdoar certos personagens e de ter terminado a leitura odiando-os. Como eu disse para minhas amigas, uma opinião por uma história e seus personagens é sempre muito subjetiva... dependente de muita coisa. Enfim...

- Corrigindo o que eu disse mais acima (rs), não foi só o Zack que mereceu uma segunda chance... Na verdade, dois outros personagens queridos também mereceram. Quando eu disse o que disse acima, estava pensando nos personagens que odiei. E sigo odiando.

- Como eu disse, amei esta história! Com todo o meu coração! Já é uma das minhas preferidas da autora e sempre será especial e inesquecível. E dei cinco estrelas ao livro sem sequer necessitar pensar duas vezes! Nada que tenha acontecido na história foi capaz de destruir ou manchar o meu amor por ela. Como eu falei com as minhas amigas também, a luz, a magia que o livro e quase todos os seus personagens possui, torna a sombra de um certo alguém algo totalmente insignificante. Porém, não posso deixar de falar disso...

... Não posso deixar de dizer que terminei a leitura odiando profundamente a Julie. Que ela conseguiu destruir o amor lindo que eu sentia por ela. Que ela me magoou como nenhum outro protagonista da autora tinha sido capaz de magoar. Lembram do Clayton, de Whitney, Meu Amor? Lembram de tudo que ele fez? Pois nem ele me feriu tanto. E no final das contas, ele conseguiu o meu amor. Uma mescla de amor-ódio. A Julie... para ela só restou o meu ódio. 

E talvez vocês queiram saber o motivo, certo? Como meus sentimentos por ela podem ter mudado desta maneira?! Revelar meus motivos seria dar spoiler e na realidade me sinto sem forças, gente. Sem forças para colocar em palavras novamente o ódio intenso que sinto por ela. Sem forças para falar mais uma vez de tudo que ela fez. Mas, para quem quiser saber, deixarei o spoiler abaixo. Durante a leitura e ao término dela, eu falei muito sobre o livro com as minhas amigas. E se querem saber exatamente o que penso da... minha "querida mocinha", basta lerem os trechos dos emails que estarão logo abaixo. 

 A PARTIR DAQUI, TERÁ SPOILER! SE NÃO QUISER SABER SEGREDOS DA HISTÓRIA, PARE DE LER IMEDIATAMENTE!!!!rs


Bem... Antes de colocar os trechos desses emails, vou dizer o que a Julie fez... ELA ENTREGOU O ZACK PARA A POLÍCIA!!!!!!!!!! A maldita desgraçada não só preferiu seguir sendo a pessoa "perfeita" que era, como também preferiu dar ouvidos a alguém que já tinha deixado claro o quanto desprezava o Zack. A maldita avó dele, filha de todas as pragas. Se ela tivesse feito apenas isso... se decidisse simplesmente não ir ao encontro dele... mas não. Ela tinha que fazer o que era certo, é claro. E participar de uma armadilha contra o Zack era a coisa certa a fazer, segundo o raciocínio dela. Eu sabia que ela iria traí-lo, mas não imaginava que as coisas seriam como foram. Que ela cederia tão fácil. Que ela duvidaria dele e o entregaria de bandeja tão rápido como fez. Ela preferiu acreditar nas palavras de alguém que ela nem conhecia e que, pior ainda, era uma pessoa que ELA SABIA que odiava o Zack!!!! E ainda por cima, ela própria cogitou uma outra possibilidade, gente. Não fui eu que gritei nada no ouvido dela não. Ela própria imaginou que poderia ter uma outra explicação para aqueles crimes. Ou seja, houve uma dúvida razoável. E como a senhorita perfeição decide condenar alguém quando ela própria tinha uma dúvida razoável sobre a autoria dos crimes?! Foi como se ela agisse como aquele júri agiu. Condenando-o quando não possuía provas suficientes da culpa dele. Ela o julgou, condenou e levou os policiais até ele para prendê-lo. O traiu como ninguém merece ser traído. Enfim... Sinceramente, gente. Não tenho condições de seguir falando sobre isso, porque ainda me magoa muito e porque odiar a Julie também me magoa. Só que é inevitável, sabe. Não sinto mais um pingo de amor por ela. Sinto um ódio que não pode ser medido.

Trechos de emails:

"A Julie amava o Zack realmente. Mas não o suficiente. Seu desejo de ser perfeita acabou falando mais alto que isso e após entregá-lo ela seguiu com sua vida. Rindo, saindo todo final de semana com o Paul, levando sua maldita vida normalmente, como se não o tivesse condenado por toda a vida! E não esqueci que ela queria que ele fosse internado para tratamento... mas o que nossa perfeita mocinha fez depois que o tempo passou e ele continuou preso, e ela sabia que provavelmente seguiria preso para sempre, sem nenhuma avaliação psiquiátrica? Ela não fez nada! Só no início, depois ela fingiu que nada daquilo estava se passando. Fingiu que ele não estava numa maldita prisão sem receber ajuda psiquiátrica alguma! E ainda me ferveu totalmente o sangue quando achou que a vida a estava golpeando e ainda sentiu raiva do Zack por tê-la envolvido naquilo. Pelo amor de Deus! Que ela deixasse de se fazer de vítima! Ele a envolveu no início, mas foi a desgraçada que fez a cabeça dos amigos dele e inventou uma mentira para voltar para a vida dele!!!!!! Ela não tinha nenhum direito de reclamar, pois ele a tirou de sua vida e ela quis entrar de novo! E a vida a estava golpeando droga nenhuma! Ela golpeou o Zack! Ela o condenou, destruiu sua vida! Cada vez que ela ria eu tinha vontade de agredi-la, sinceramente! A pobrezinha tinha que continuar vendo o Paul porque ele a fazia rir e se lembrar do Zack. E isso apenas me enfurecia mais! Além disso, ela também entrou em contato com a Meredict, após o Matt dizer a ela o que ela merecia ouvir para se fazer de pobre coitada com ela também. E depois se despediu como uma pobre coitada também. Ela não suportava que alguém a visse como uma víbora, não suportava que não gostassem mais dela. Ela ficava se defendendo o tempo inteiro. Em qual maldito momento ela realmente pensou no que ele estava sentindo naquele momento, em como eram os dias dele naquela prisão? Ela preferiu voltar para sua vida perfeita e pensar apenas no que ela estava sentindo, no quanto ela estava sofrendo. Não consigo compreender esse amor.

Amiga, quando ela ficou tentando obrigá-lo a perdoar a avó porque a havia perdoado, meu ódio por ela conseguiu se multiplicar. Ela sabia o que ele tinha passado, o quanto ele tinha sofrido. E no entanto quis impor a presença de todas aquelas pessoas, achando que ele tinha que ser compreensivo e perdoá-los. Pelo amor de Deus! O que aquela gente fez por ele em todos aqueles anos? Quando o procuraram, quando se importaram? Nunca! Apenas estavam ali para aliviar suas malditas consciências. Que ele os tenha perdoado, eu acho lindo. Sei que o nosso Zack era totalmente capaz disso. Que ele tem um coração lindo e que sempre quis fazer as pazes com sua família. Mas ninguém ali merecia, flor. São todos podres."

"Meu sentimento pela Julie é tão diferente do que sinto pelo Clayton que dói. :( Eu sofri com o sofrimento do Clayton. Eu quis protegê-lo dele mesmo. Sabia que o que ele tinha feito era imperdoável e ainda assim eu o perdoei. A Whitney era minha protegida, mas eu perdoei o Clayton após ele machucá-la daquela maneira terrível. E quis que ela o perdoasse. Me incomodei muito quando falaram mal dele naquele grupo. Fiquei furiosa com certas coisas que disseram sobre ele. Mas com a Julie... se qualquer pessoa vier a falar mal dela um dia, eu não me importarei nada. Tudo que eu sentia por ela morreu... toda a admiração foi para o espaço. Eu sei que não a amo mais. Sinto um desprezo que é impossível de explicar, de medir... de superar. Ela sempre será inesquecível, mas por um motivo totalmente negativo: sempre lembrarei dela como a única protagonista da JM que eu realmente desprezo. "

"Eu penso que poderia ler o livro 100 vezes e ainda assim seguiria odiando essa coisa maldita! Sinto um ódio tão grande que você nem imagina, amiga! Eu quero que ela sofra muito, que fique no chão como o deixou. E ainda assim eu sei que não a perdoaria! Eu odeio essa p...!!!! Odeio, odeio, odeio!!!!!! Sempre vou odiá-la!"

"Aceito que o Zack tenha ficado com a Julie. Porque o amo tanto que só quero que ele seja feliz. E se somente ao lado dela isso é possível, então que assim seja. Só o que importa é que ele foi capaz de perdoá-la, de lhe dar uma segunda oportunidade (embora eu ache que ele ainda precisará lhe dar diversas oportunidades na vida... pois a "perfeita" Julie não aprendeu droga nenhuma com o que fez!) e recomeçar. Enfim...

 Não me surpreendi com o fato da "minha querida" vaca, digo, "mocinha" ter se aliado à avó dele. Já quase parecem amigas, as queridinhas. Não me surpreende porque elas têm muito em comum, sabe. Ambas são grandes traidoras. Especialistas em abandonar alguém que as ama e confia nelas. Então podem dar as mãos e sair andando!"

24 de outubro de 2014

Sussurros na Noite - Judith McNaught

(Título Original: Night Whispers
Tradutora: Vitória P. Mantovani
Editora: Best Seller
Edição de: 1999)

3º Livro da Série Segundas Oportunidades 


No mundo dos ricos, uma mulher de hábitos simples conhece o fascínio do luxo e da sedução

Os agitos da alta sociedade eram totalmente desconhecidos para Sloan Reynolds. Até ela entrar no mundo superfcial e sofisticado em que vivem seu pai e sua irmã, frequentados assíduos das colunas sociais. Quando Sloan vai visitá-los, riqueza, glamour e luxo formam uma embriagante e explosiva mistura.

Sloan está no controle da situação até conhecer Noah Maitland, um poderoso e atraente empresário e um dos principais suspeitos do FBI. Ela sabe que Noah é o tipo de homem com quem sempre evitou se envolver e, principalmente, amar. 

Emoção e razão travam uma árdua batalha, lançando Sloan em um redemoinho de sentimentos conflitantes.


Palavras de uma leitora...



Ainda haveria tempo para uma segunda chance? Para ter aquilo que a vida lhe roubara?

Sloan não saberia dizer. No fundo, desejava acreditar que aquilo fosse possível. Que após todos aqueles anos, ela ainda pudesse ter a família que tanto desejara e não era capaz de admitir nem para si mesma. Ela havia pedido para a mãe esquecer o passado... fingir que só existiam elas duas e sua melhor amiga. Com quem crescera. E quem ocupara o lugar que pertencia a uma irmã que ela jamais acreditava que iria ter a oportunidade de conhecer. Alguém que tinha uma vida bem diferente da sua. E que, provavelmente, nem lembrava que ela existia. E durante muito tempo ela conseguiu seguir o próprio conselho. Até receber aquele telefonema. E ver-se de repente diante de uma chance que não sabia se estava pronta para aceitar. 

Nunca realmente esperara que seu pai fosse um dia entrar em contato com ela. Estava acostumada a não ter um pai. Sempre o vira apenas como pai de Paris, pois somente com sua irmã ele se importava. Nunca em toda sua vida recebera sequer um cartão de aniversário. Nunca ouvira sua voz até aquele dia... quando ele ligou para o seu trabalho. Pedindo que Sloan fosse ao seu encontro e passasse as férias com ele e a irmã. Como se todos aqueles anos de ausência nunca tivessem existido...

Invadida de repente pelas lembranças do passado... pelas lembranças que possuía de uma garotinha que ansiava por um afeto que nunca viera... e pela dor que sua mãe suportara com o abandono e a distância que colocaram entre ela e sua outra filha... Sloan recusou o convite. Não podia trair a mãe e nem a si mesma aceitando reatar os laços com alguém que tanto as feriu. Mas acontecimentos inesperados acabam por fazê-la mudar de ideia... e mergulhar numa teia de mentiras, segredos e disfarces... onde não existia espaço para amor ou perdão. Onde cada segundo da sua vida não passaria de uma grande mentira....

Sloan não demora a perceber que não é a única a se esconder por trás de disfarces... Só que percebe tarde demais que estivera confiando nas pessoas erradas. Um erro que pode fazê-la perder o único homem que conseguira fazê-la baixar as defesas e acreditar... desejar tornar um antigo sonho realidade... Ao seu lado

E quando um assassinato é cometido... Sloan percebe de repente que aquela viagem... aquele reencontro é bem mais do que ela poderia imaginar. Algo que pode não só partir seu coração, mas também custar a sua própria vida... 

"Sloan imaginou se ele continuaria achando-a tão franca e honesta se ela lhe dissesse a verdade. [...] Ela não era inocente e sincera. Na verdade, talvez fosse a pessoa mais mentirosa que ele já conhecera. Mas, também, estava tão atraída por ele que chegava a sentir um nó no estômago só de pensar em como ele reagiria quando descobrisse toda a verdade."


- Por onde começar? rsrs... Eu não faço a menor ideia.kkkkkk... Talvez devesse começar dizendo que amei esta história. Que ela não é aquilo que costumo encontrar nos livros da Judith McNaught. Mas que é uma deliciosa diferença. Não é um romance. Não ao estilo Alguém para Amar ou de qualquer outra história que eu tenha lido da autora. É um suspense, uma história familiar, com todos os seus dramas, mágoas, traições e tentativas de reconciliação. Mas com um toque de romance. Porque a JM jamais conseguiria escrever uma história sem romance. Sem amor. Sem nos encantar com um amor que surgiu em meio à muitas mentiras e nos deixou com um gostinho de quero mais.

- Eu comecei a leitura sabendo que esta história não agradou tanto assim os fãs da JM. Alguns acreditam que a história não possui romance ou que o casal principal não possui química. O que me deixou um tanto chocada. Desde quando a JM consegue escrever uma história que não possua romance?! Impossível!rsrsrs... Eu sabia que ainda que a história não fosse centrada no romance entre o casal, teria romance. E me conquistaria. Invadiria meu coração e faria eu me apaixonar pelo casal e sofrer com seu sofrimento, torcer para que tudo entre eles desse certo. Para que os segredos e todas aquelas mentiras não fossem capazes de destruir aquele sentimento. Um amor que surgiu tão naturalmente e era uma novidade para os dois. Algo que eles não esperavam. E no fundo, temiam. Eu sabia antes mesmo de ler, que acabaria amando a história.rsrsrs... Porque Judith McNaught é sempre Judith McNaught!rsrsrs... Até mesmo quando ela decide arriscar algo novo e fugir do padrão ao qual nos acostumou. :) 

- A história me pegou ainda na primeira página, pois já começa com um certo suspense. Eu não fazia muita ideia do que encontraria na história. Fiquei um tanto tensa com o que surge na primeira página. Formando um monte de ideias na minha cabeça e temendo todas elas.kkkkk... Mas logo que a história segue e a autora vai nos situando, fazendo a gente conhecer a vida da Sloan e das pessoas que a amavam e que, de uma certa forma, ocupavam o lugar da família que ela não tivera... eu comecei a perceber como a história seria e o motivo do livro não ter agradado tanto assim alguns fãs da autora. Só que isso não me desanimou. Muito pelo contrário!rsrs... Quanto mais eu lia, mais queria ler. E conforme fui conhecendo alguns personagens, desejei que eles tivessem sua própria história ou que a autora me desse a chance, neste livro mesmo, de conhecer mais profundamente a história deles. O romance deles.rsrsrs... 

- Eu me apeguei muito a alguns personagens. Ao ponto de ter ficado com o coração partido por alguns acontecimentos que de modo algum eu estava esperando. Foram coisas que me pegaram totalmente desprevenida e me roubaram o fôlego. Parecia que tudo aquilo que eu tinha construído, toda a história que eu tinha formado na minha cabeça e a confiança que eu tinha depositado em certos personagens, estivesse desmoronando. Sendo destruído cruelmente pela minha autora, deixando meus olhos cheios de lágrimas e uma sensação de ter sido traída pelos personagens. A autora provoca várias reviravoltas, algo que garantiu ao livro 5 estrelas, mas também me deixou com o coração acelerado e uma dificuldade enorme para respirar.kkkkkk... Em certo momento da história... você começa a duvidar de tudo e todos. Fica com a sensação de que todos escondem algo e que entre eles pode estar um frio assassino. E confesso que isso me deixou muito tensa e muito triste. A autora bagunçou tanto a minha cabeça que eu não sabia se ria ou chorava pela capacidade dela de me confundir.rsrsrs... Foram momentos muito tensos para mim. E seguidos de perto por outros momentos que me fizeram suspender a respiração e sentir uma dorzinha aguda no coração. :( 

- Geralmente, os mocinhos da JM são misteriosos... sempre escondendo algo, seja um sentimento muito forte que eles não querem admitir... seja um passado que os marcou... Mas sabemos no fundo quem eles são. O que podemos ou não esperar deles. E eu sempre espero que eles façam uma grande besteira, que os farão se arrepender amargamente e me farão sofrer com eles e desejar consolá-los. Mas com o Noah... foi diferente. Porque a história é diferente. Então, eu não sabia realmente o que esperar. E tive muito medo de esperar demais. De apostar que ele era um tipo de pessoa e acabar me surpreendendo de uma forma negativa. O Noah sempre pareceu ter muito o que esconder. Ele sempre foi todo um mistério para mim (e claro que a autora o tornou assim de propósito! Eu percebi!rsrs...) e eu confiava desconfiando.rsrs... Temendo me decepcionar. Temendo vê-lo fazer algo que destruísse o sentimento que ele havia despertado em mim. A JM nunca permitiu que eu o conhecesse profundamente. Ele ia se revelando aos poucos e nunca completamente. Mas uma coisa que fui capaz de enxergar... de perceber era a forma como a Sloan começou a invadir a vida dele e transformar seu mundo. Ele não queria gostar dela. E muito menos amá-la. Mas quando ele deu por si... já estava totalmente entregue. Desejando passar sua vida ao lado dela... confiando nela como jamais confiara em ninguém. E tal confiança... Bem... Deixarei que vocês descubram o que tal confiança irá causar...


"Na mente de Sloan, ecoava o mesmo refrão que ela já ouvira antes: ela não o conhecia. Não, mesmo. Fora para a cama com ele, fizera coisas íntimas com ele, mas não o conhecia."

- Eu não costumo acreditar que algum relacionamento possa se sustentar quando há entre as duas pessoas segredos importantes e mentiras capazes de prejudicá-los. Sempre vi a relação entre a Sloan e o Noah como algo muito frágil... profundamente delicado... que poderia ser destruído facilmente. Não o amor entre eles, mas o relacionamento. Porque a única verdade que tinha ali era o que sentiam um pelo outro. E isso não basta. E quanto mais tempo se passava e mais eles se entregavam ao que sentiam... mais desesperada eu ficava.rsrsrs.... Eu já poderia prever o quanto eu sofreria depois.kkkk... 


- Não há muito o que eu possa dizer sobre a história. Tenho tentado me segurar para não revelar nenhum segredo. Para manter o mistério, o suspense e os segredos que a autora constrói e vai revelando somente nas páginas finais do livro. Não posso sequer falar muito sobre o Noah, pois creio que cada pedacinho dele que temos a oportunidade de conhecer... devemos conhecer por nós mesmos. Porque como eu disse... não é uma história centrada no romance. Não espere por isso. Foi justamente por esperar algo assim que alguns fãs se decepcionaram. 

- Muita história é contada no livro. A autora abre espaço para alguns personagens queridos e para o drama familiar que a Sloan possui (daí eu entender o sentido do livro pertencer a uma série chamada Segundas Oportunidades). Então, a história não é só sobre ela e o Noah. Na verdade, o nosso mocinho surge para completar a história dela, entende? Mas nem por isso o livro perde seu brilho. A história brilha por si mesma, e nos conquista por si mesma. Cada personagem, com seu jeitinho (seja um jeitinho bom ou ruim... assassino ou não.rsrs...) contribui para criar uma história da qual eu não esquecerei. Mas ainda que o romance entre a Sloan e o Noah não seja o foco da história, será o que eu mais lembrarei.kkkkkkkk... Eles me conquistaram. Cada oportunidade que eles tiveram para estarem juntos... cada pequeno momento, cada pequeno detalhe foi importante para mim e eu aproveitei ao máximo, lendo nas entrelinhas aquilo que a autora deixou ali realmente para ser lido nas entrelinhas. Para ser visto com o coração. Para que pudéssemos enxergar além do que foi escrito, do que nos foi mostrado. 


" - E adoro crianças - ela acrescentou, penosamente. As lágrimas invadiram seus olhos e teve dificuldade em vê-lo.
Com os olhos fixos nos dela, Noah abaixou-se e puxou a colcha da cama, num movimento rápido.
- Você não quer filhos...
Ele abriu o primeiro botão da camisa.
- E eu acabaria querendo ter um filho seu.
Ele abriu o botão seguinte..."
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