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25 de agosto de 2026

Em Um Bosque Muito Escuro - Ruth Ware



Literatura Inglesa
Título Original: In a Dark Dark Wood
Tradutora: Alyda Sauer
Editora: Rocco
Edição de: 2016
Páginas: 288

7ª leitura de 2026 (5ª resenha do ano)

Sinopse: Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.





Geralmente, opto por colocar a sinopse da Amazon (quando leio em e-book e não tenho o livro físico para verificar a contracapa, como é o caso deste livro), mas a achei muito reveladora e fiquei feliz por não tê-la lido antes da leitura da história.kkkk Por isso, preferi colocar a sinopse que se encontra no Skoob. 

Sei que desapareci por vários meses, mas é como falei no post de início de ano: no meio de toda a correria do dia a dia, do trabalho e muitos estudos, não estou mais me desesperando. Estou levando as leituras com leveza e não irei fazer resenha de todos os livros lidos ao longo do ano. Ler tem que ser um prazer acima de tudo. Acima da aquisição de conhecimento, das reflexões que determinadas obras possam provocar, dos estudos literários de algumas leituras escolhidas para serem estudadas... Tem que ser algo que me faça bem. A vida é curta demais para que eu transforme algo que amo tanto (que são os livros, minha eterna paixão) em peso. Que me cobre prazos, metas rígidas, para acabar me frustrando e desgastando. Já fiz muito isso e decidi que não faria mais. 

Então, vamos à história!

Em um bosque muito escuro é um suspense que não chego a considerar um thriller psicológico. Ele se desenvolve em torno de Nora, a jovem escritora de 26 anos, que vive praticamente reclusa, entre as quatro paredes do seu pequeno apartamento. O livro indica que ela tem uma certa amizade com Nina, colega da época de escola, mas vivem uma longe da outra, o que acaba por ser conveniente à necessidade de solitude de Nora. 

Isso não me provocou nenhuma estranheza. Porque me pareço com a personagem quanto a não gostar de uma vida agitada, de ficar encontrando com as pessoas, estar sempre na companhia de alguém. Eu gosto de estar sozinha, mas não de ser sozinha. Tenho amigos, mas sou a pessoa que prefere que o contato seja por telefone, WhatsApp. Encontros presenciais só de maneira bem ocasional. Gosto do silêncio do meu quarto, de "ouvir" o silêncio ou ouvir minhas músicas, aceitando e apreciando minha própria companhia. É uma forma de buscar a paz interior, refletir... Durante uma boa parte da minha vida me obriguei a contatos mais presenciais porque parecia o normal, o esperado, o aceitável. E isso sempre me sobrecarregava, ao ponto de me adoecer. Porque minha personalidade não combina com ambientes agitados, muito barulho, muita gente. Isso causa sobrecarga sensorial intensa em mim. 

Então, como disse, entendo demais a Nora. Ela precisa do seu espaço seguro, do seu refúgio. De estar consigo mesma. E isso para mim é completamente normal. Só que ao longo do desenvolvimento da história percebemos que a vida que a protagonista leva não é consequência apenas de sua personalidade, de sua necessidade de silêncio e paz. É também fruto de traumas provocados ainda na infância...

Era para ser mais um dia comum, de rotina conhecida e segura. Até que Nora recebe um e-mail totalmente inesperado. Um convite para a despedida de solteira de Clare, sua melhor amiga de infância, que ela não via fazia dez anos...

Desde que fugira de sua cidade, aos dezesseis anos, não manteve contato com ninguém, exceto Nina, excluindo de sua vida Clare e as demais pessoas. Sem explicação. Sem desculpas ou porquês. Simplesmente seguiu em frente... Assim, não entendia o motivo daquele convite e pensou seriamente em recusar. 

Mas... No fundo, sabia que as coisas entre ela e Clare ficaram indefinidas. Não foi um rompimento de amizade comum. Era como se tudo tivesse ficado em pausa. O que despertava sua curiosidade e também um sentimento que não sabia nomear... Queria recusar e continuar com sua vida, mas um outro lado seu entendia que talvez aquela fosse a oportunidade de ter uma conversa, de fechar aquele capítulo do seu passado. Só que... Por quê? Por que Clare a procurava depois de tanto tempo? E por que a convidava para a despedida de solteira, mas não para o casamento? 

Mesmo com dúvidas e receios, Nora decide aceitar o convite e segue com Nina, que também havia sido convidada, para uma casa de campo no meio do nada, completamente isolada, onde ela encontra outros três amigos de Clare que também participariam da sua despedida de solteira. Ao todo, seriam seis pessoas, contando com a noiva. Uma festa muito restrita, que começa a dar errado logo no início...

Cerca de 48 horas depois do início daquele final de semana de pesadelo, Nora desperta em um hospital, sem lembranças dos minutos que antecederam o acidente de carro do qual foi vítima. Só sabia que estava com muito sangue, um sangue que não era seu e que... uma pessoa estava morta. 

E se não quisesse ser acusada de homicídio precisaria lembrar... Lembrar o que acontecera naquela floresta...

Fazia muito tempo que um livro não me prendia desta forma. Estou lendo dez livros no momento (no meu ritmo, uns estou lendo há vários meses) e não sinto o desespero de terminá-los como senti com este. Eu não aguentava esperar para ler o próximo capítulo. Era para ser uma leitura em dupla, ao longo de quatro semanas, com uma amiga. Combinamos que leríamos 09 capítulos por semana.kkkkk Isto foi completamente impossível! Devorei o livro. Passei horas e horas da madrugada lendo e só me dei por satisfeita quando terminei. Eu já imaginava quem era o assassino e suas motivações, mas isso não tornou o livro menos interessante. Porque queria saber como tudo terminaria, torcendo muito para que Nora sobrevivesse. 

Ah, mas falando assim você já está descartando a Nora como culpada e isso é spoiler para quem não leu!rsrs De jeito nenhum! O fato de eu desejar e torcer para que ela chegasse ao fim viva, não significa automaticamente que ela não é o assassino. Vocês precisarão ler para saber. 

Após terminar a leitura e atualizar o Skoob, vi que tem muita gente que não apreciou o livro, que se decepcionou... Eu amei a história! Pensei um pouco antes de dar estrelas, analisei tudo o que a história provocou em mim durante a leitura e não achei que seria justo dar menos que 5 estrelas. Não encontrei furos na narrativa. Algumas atitudes da protagonista nos fazem querer sacudi-la, inclusive o fato de ela ter aceitado o maldito convite, mas são atitudes críveis, que qualquer pessoa pode ter. Nora me pareceu muito real, com dúvidas, medos, traumas, erros e acertos como qualquer pessoa. Então, analisando o livro como um todo o considero perfeitamente digno de 5 estrelas. E talvez seja uma das poucas a pensar assim. Só que leitura é algo bem pessoal. Só devemos ler um livro através dos nossos próprios olhos e não dos outros. Nossa opinião, nossa impressão de um livro deve ser baseada em nossa própria experiência de leitura. A vida é mais simples assim.rs


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro policial/suspense/detetive


19 de junho de 2022

A Casa do Penhasco - Agatha Christie

 
Literatura Inglesa
Título Original: Peril at End House
Tradutor: Otávio Albuquerque
Editora: L&PM Pocket 
Edição de: 2016
Páginas: 192

Sinopse: Uma semana de férias no ensolarado litoral da Cornualha... Esse parecia ser o cenário perfeito para coroar o fim da brilhante carreira do detetive Poirot, ao lado de seu inseparável companheiro, o capitão Hastings. 

No entanto, o clima de tranquilidade é quebrado quando eles conhecem a srta. Buckley, a jovem de ar rebelde herdeira da Casa do Penhasco, que lhes diz ter escapado da morte diversas vezes nos últimos dias. Seriam meros acidentes? Ou haveria alguma explicação sinistra por trás disso? Empolgado, Poirot decide abandonar os planos de aposentadoria e volta à ativa em A Casa do Penhasco, publicado em 1932, para mais um intrigante caso que testará todas as suas habilidades. 




Será que estou de volta? Ainda não sei. Esta é minha primeira tentativa de retorno às resenhas desde que perdi o meu anjo. Faz mais de seis meses que não escrevo uma resenha sequer, algo que nunca tinha acontecido em todos os doze anos de blog. 

Sabe quando você pega um livro para ler bem ao acaso? Não que a história não estivesse na minha lista de futuras leituras e até mesmo nas metas para 2022. A questão é que não pretendia lê-la agora. Estou com diversas leituras em andamento e bem atrasadas. Não fazia nenhum sentido iniciar algo sem ter finalizado pelo menos uma das que estão um tanto paradas.

"Minha massa cinzenta ainda funciona, a ordem, o método, tudo ainda está lá."

Depois de uma brilhante carreira como detetive, Hercule Poirot decide "sair de cena", pois não há nada "mais grandioso do que descer do pedestal no auge da fama" (página 10) e resolve curtir sua vida de aposentado com o seu grande amigo Hastings numa viagem para o litoral da Cornualha, onde só quer descansar. Nada de crimes. Nada de investigações. Somente paz e sossego... Até uma bala passar voando, quase atingindo uma jovem que se encontrava no jardim do hotel no qual ele estava hospedado. 

A quase vítima, uma jovem muito bonita e extrovertida, não chega a perceber o perigo. Acredita que o que passou perto da sua cabeça foi simplesmente uma abelha. Mas Poirot sabe o que viu e logo localiza a prova do fato: a pequena bala, que poderia ter colocado um ponto final na vida daquela moça. 

Sem ter visto o autor do disparo, a inquietação de Poirot só aumenta quando descobre que a moça havia escapado da morte três vezes nos últimos três dias, vítima de supostos "acidentes". Sabendo que nenhum ser humano poderia ser tão azarado ao ponto de sofrer três acidentes quase fatais num curto período de tempo, nosso amado detetive decide achar o autor daquelas tentativas de homicídio antes que ele finalmente conseguisse o que desejava. Mas qual seria a motivação? Quem poderia querer assassinar aquela jovem que não parecia possuir inimigos? E... por quê?! Dinheiro? Inveja? Ciúmes? Fosse qual fosse o motivo... era preciso correr contra o tempo, pois nada poderia garantir que Nick escaparia da quinta tentativa...

16 de outubro de 2021

Psicose - Robert Bloch


Literatura norte-americana
Título Original: Psycho
Tradutora: Anabela Paiva
Editora: DarkSide Books
Edição de: 2013
Páginas: 173 (e-book)

29ª leitura de 2021 (22ª resenha do ano)

Sinopse: Psicose, o clássico de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas.

O livro teve dois lançamentos no Brasil, em 1959 e 1964. São, portanto, quase 50 anos sem uma edição no país, sem que a maioria das novas gerações pudesse ler a obra original que Hitchcock adaptou para o cinema em 1960.

Uma história curiosa envolvendo o livro é que Alfred Hitchcock adquiriu anonimamente os direitos de Psycho e depois comprou todas as cópias do livro disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, ele conseguisse manter a surpresa do final da obra.

Em Psicose, Bloch antecipou e prenunciou a explosão do fenômeno serial killer do final dos anos 1980 e começo dos 1990. O livro, junto com o filme de Hitchcock, tornou-se um ícone do horror, inspirando um número sem fim de imitações inferiores, assim como a criação de Bloch, o esquizofrênico violento e travestido Bates, tornou-se um arquétipo do horror incorporado a cultura pop.




Psicose é uma história que eu conhecia muito antes de ler. Não, não assisti o clássico filme de Hitchcock, mas recebi vários spoilers sobre o livro/filme ao longo da minha vida.kkkkkkk Sabia que tinha servido de inspiração para vários outros livros e filmes do gênero e sempre ouvi falar da tal cena do chuveiro, tanto que era a cena que eu mais aguardava na história, de tão curiosa para saber o que tinha de tão especial nela para ser tão marcante.rs

Vocês sabem que amo um suspense psicológico e embora Psicose, na minha opinião, não se encaixe exatamente neste gênero, nós acabamos entrando na mente do serial killer e é uma "viagem" bem perturbadora. 

Aqui temos como vilões Norman Bates e sua mãe, que dirigem juntos um decadente motel, que fica praticamente no meio do nada desde que a estrada nova foi construída e já não apareciam hóspedes como no passado. O caminho de Mary Crane se cruza com o dos dois numa noite chuvosa, após ela se perder e já ser tarde demais para encontrar a casa do noivo, para onde tencionava ir. Ao avistar o motel, ela decide se hospedar nele só por aquela noite e na manhã seguinte prosseguir com a viagem. O que não poderia imaginar é que os donos do local não eram as pessoas mais normais do mundo e que passar uma noite ali... poderia ser fatal. 

"Estava sozinha na escuridão. O dinheiro não a ajudaria e Sam não a ajudaria, porque ela errara o caminho e estava numa estrada desconhecida." 

Norman Bates já não era um menino, mas o peso de anos sob o domínio da mãe deixaram suas marcas. Por mais que tentasse enfrentá-la e se impor, agora que ela estava tão doente e já não deveria representar nenhuma ameaça nem para ele nem para ninguém, não conseguia reunir as forças necessárias para se libertar e sempre acabava abatido, cedendo às suas críticas, às suas vontades... à sua loucura. 

Quando aquela jovem apareceu, num sábado à noite, a única hóspede que chegara em todo o dia, ele ficou nervoso. Ela era atraente e estava sozinha. A convidou para jantar em sua casa, pois ela precisava de uma refeição e o restaurante mais próximo ficava longe demais para ir debaixo de chuva. Por isso, ela aceitou o convite. Norman sabia que deveria tomar todo o cuidado para não permitir que a mãe percebesse a presença de Mary... pois as consequências poderiam ser as piores possíveis...

"Eu acho que todos nós somos um pouco loucos de vez em quando."

Ao receber a notícia de que a irmã largara o emprego e fugira com uma imensa quantia que não lhe pertencia, Lila ficou chocada. Mas o choque se transformou em desespero quando uma semana se passou sem que recebesse qualquer telefonema ou carta de Mary. Sentia em seu coração que algo estava errado, que alguma coisa muito ruim tinha acontecido. E movida pela vontade de descobrir o que se passara e, talvez, ainda salvar a irmã, ela decide ir até a casa do noivo dela, na remota esperança de encontrá-la lá. Mas, como já pressentia, Sam também não tinha qualquer notícia sobre a noiva. Angustiados, os dois resolvem fazer de tudo para descobrir o paradeiro de Mary e suas investigações não demorarão a conduzi-los ao motel da família Bates... Sairão eles com vida de lá?!

"Nós não somos tão lúcidos quanto fingimos ser."

Como quem já leu o livro pode perceber, tentei ao máximo não dar spoilers na resenha, embora até a sinopse do livro revele mais do que o necessário. Mas, gente, se trata de um livro de 1959, um clássico extremamente conhecido, então, de qualquer forma vocês já devem conhecer o grande segredo do final... Ainda assim, não contarei.rs

Posso dizer que apreciei bastante esta leitura, embora não tenha me surpreendido com nenhum acontecimento ou revelação. Eu quis ler Psicose por curiosidade, sem grandes expectativas, e ele se mostrou um livro rápido, que flui muito bem e envolve por completo o leitor. Senti um pouquinho de medo sim porque já sou medrosa por natureza.kkkkkkk E fiquei perturbada com a mente transtornada do Norman, sem mencionar a mãe dele que é completamente louca, capaz de matar com uma frieza como se estivesse fazendo algo do cotidiano, algo "normal", sabe? Ela mata sem dar à vítima qualquer chance de defesa, mas depois deixa que o Norman se livre do corpo e limpe a cena do crime, além de ter que lidar com todas as demais consequências. Embora se sinta "em paz" por não ser ele a matar com as próprias mãos, sabe bem que é tão culpado quanto ela, pois é cúmplice e encobre todas as loucuras da mãe. A relação dos dois é um prato cheio para os estudiosos da mente humana, dos relacionamentos tóxicos que existem em algumas famílias, entre pais e filhos e o quanto isso pode afetar o futuro da pessoa e a maneira como ela lida com o mundo e as demais pessoas. 

"Não, garoto: não sou eu quem deixa você doente. É você mesmo

Este livro me lembrou muito uma história que li vários anos atrás, do meu amado Sidney Sheldon. Mas apenas mencionar o título do livro já seria um grande spoiler de Psicose para quem já tenha lido o tal livro do qual me lembrei.rs Só fico me perguntando se o SS não terá se inspirado nesta história aqui para criar seus personagens e toda trama presente naquele que considero um dos melhores livros que já li do autor. 




17 de maio de 2021

Sempre Vivemos no Castelo - Shirley Jackson


Literatura norte-americana
Título Original: We Have Always Lived in the Castle
Editora: Suma
Edição de: 2017
Páginas: 152

14ª leitura de 2021 (13ª resenha do ano)

Sinopse: Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. "Sempre vivemos no castelo" leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.





É... Eu dei 4 estrelas ao livro, o que não significa que realmente gostei tanto assim da história.kkkkk Ainda me sinto perturbada. Esta história me deixou bem doida. Minha cabeça ainda está girando.rsrs

Não existe nada que melhor defina este livro do que a palavra "doido". Sério! Fazia muito tempo (anos e anos) que eu não lia uma história tão maluca, tão capaz de mexer com nossa mente e nos deixar bugados. Tudo é surreal do início ao fim. Logo nas primeiras páginas já ficamos com vários pontos de interrogação na cabeça e sentimos como se estivéssemos num hospício. Eu me senti muito perturbada lendo aquelas páginas iniciais. E o sentimento permaneceu durante toda a leitura. 

A história é contada do ponto de vista da Mary Katherine Blackwood, uma jovem de 18 anos, que vive numa casa antiga, pertencente à uma família que foi muito importante e odiada ao mesmo tempo pelos moradores do vilarejo, que sempre tiveram inveja da riqueza e status dos Blackwood. Para ela é um tormento sair da segurança de sua propriedade, onde vive com a irmã mais velha, Constance, e com o tio Julian, um senhor muito doente e querido pelas sobrinhas. Duas vezes por semana, ela precisa sair do seu amado lar e ir até o vilarejo para comprar itens básicos de alimentação e higiene e sempre é hostilizada pelos moradores locais, que a perseguem e desesperam... Quanto mais o tempo passa e revive aquela mesma situação, mais ódio Mary sente por eles e deseja com todas as suas forças que morram. 

Se antes aquelas pessoas simplesmente sentiam inveja dos Blackwood, a perseguição à Mary (e Constance) é baseada no puro ódio causado pela tragédia ocorrida seis anos atrás, quando quase toda a família das jovens foi assassinada durante o jantar, envenenadas com arsênico. Constance, a responsável pelas refeições da família, foi presa acusada pelos homicídios, mas acabou inocentada por falta de provas. Todavia, aqueles moradores não necessitavam de uma sentença judicial para considerá-la culpada. Assim, ao longo de todos aqueles anos, Constance é obrigada a isolar-se dentro de sua propriedade, por medo do que seriam capazes de fazer se a vissem. Mary era quem assumia o risco de ser agredida física e verbalmente ao sair para comprar os mantimentos. 

Mesmo com o medo e o isolamento, as duas irmãs vivem de forma relativamente feliz. Constance segue amando cozinhar e Mary sente imenso prazer em habitar seu mundo imaginário, onde pode ser e fazer o que quiser. Cuidar do tio Julian não era nenhum sacrifício para elas e tudo estava correndo muito bem. De vez em quando recebiam a visita de antigos amigos de seus falecidos pais e isso desestabilizava um pouco a rotina que estabeleceram, mas não era nada que lhes causasse preocupação. Assim que iam embora e elas voltavam a deixar a casa do jeito de sempre, o equilíbrio retornava e tudo seguia bem. Até...

... a visita de Charles, primo delas. A família dele tinha rompido as relações quando a tragédia aconteceu, mas agora ele aparecia do nada, entrando na casa e na vida delas como se sempre tivesse pertencido àquele lugar... e como se elas fossem dele. Mary sente que a chegada dele irá destruir tudo. E precisa dar um jeito de impedi-lo. Mas como?!

Como eu disse, o livro é doido. Repito isso porque é a verdade. E não consigo nem pensar direito desde que terminei a leitura. Me sinto desnorteada, confusa, tentando juntar todas as informações dadas pela autora e o que foi dito nas entrelinhas e que considero importante para eu criar uma certa teoria sobre a história. Na minha opinião, a história é mais do que foi contado. A autora deixou algumas coisas "no ar", entende? E isso me faz pensar e pensar.... Quer dizer, tentar pensar.rs

Não consegui gostar de personagem algum deste livro. Todos são perturbados e um tanto assustadores e não estabeleci laço com nenhum, nem mesmo com o tio Julian, que foi quem chegou mais perto de me conquistar. Todavia, ainda que eu não gostasse da Constance ou da Mary, os personagens que eu de fato odiei (e muito!) foram Charles e os moradores do vilarejo. Que gente ruim do inferno!!! Aquelas pessoas me causaram enorme desprezo e consegui entender o ódio da Mary por elas. 

É uma história muito bem escrita, com um ótimo desenvolvimento e capaz de provocar diversos debates entre os leitores. Mas também é um tipo de livro que não gosto muito de ler, pois me perturba. Eu tive pesadelos, fiquei com uma sensação um tanto claustrofóbica provocada pela história e não gosto de me sentir assim. É por isso que resenhas de histórias de terror são raras por aqui!kkkkkkk Quero sim dar cada vez mais chances ao gênero, para me desafiar e perder o medo. Mesmo assim, não gosto muito do gênero e creio que nunca vou gostar.rs


23 de abril de 2021

A Morte da Sra. Westaway - Ruth Ware



Literatura Inglesa
Título Original: The death of mrs Westaway
Tradutora: Alyda Sauer
Editora: Rocco
Edição de: 2021
Páginas: 320

11ª leitura de 2021 (10ª resenha do ano)

Sinopse: "As cartas não dizem nada que você não saiba. Não podem revelar nenhum segredo nem ditar o futuro. Elas só podem mostrar o que você já sabe." Hal Westaway lê cartas de tarô no cais de Brighton e, desde a morte da mãe, luta diariamente para pagar suas contas e sobreviver. A notícia inesperada de uma herança pode mudar sua vida para sempre e, mesmo sabendo que tudo pode ser um enorme engano, ela decide acreditar... e jogar. Quando Hal Westaway recebe uma carta inesperada anunciando que ela herdou uma soma substancial de sua avó da Cornualha, aquilo lhe parece uma resposta às suas preces. Ela deve dinheiro a um agiota e as ameaças do sujeito estão cada vez mais agressivas: ela precisa botar a mão em dinheiro vivo o mais breve possível. Existe apenas um problema: as avós de Hal morreram há mais de vinte anos. A carta foi enviada à pessoa errada. Hal sabe, no entanto, que as técnicas que usa para “ler” as pessoas através do tarô podem ajudá-la a conseguir esse dinheiro. Se alguém tem habilidade para comparecer ao funeral de um estranho e reivindicar um espólio que não lhe pertence, é ela. Ao chegar à cerimônia, porém, Hal percebe que há algo muito, muito errado a respeito de toda aquela situação, e a herança está no centro de tudo. Mas Hal Westaway fez sua escolha, e não pode voltar atrás. Ela precisa continuar ou arriscar perder tudo. Até mesmo a própria vida. Uma velha casa, uma governanta assustadora, conflitos familiares e dilemas morais. Ingredientes clássicos que se tornam surpreendentes na voz de um dos grandes nomes contemporâneos do suspense, Ruth Ware.






Um thriller psicológico que bem poderia ser classificado como "um drama familiar letal"...

"Ela abriu o portão e as ferragens rangeram, um som baixo como um lamento através do barulho da chuva que a fez tremer mais ainda. Algo no tom daquele ruído lhe provocou um arrepio na nuca. Foi como se a casa estivesse morrendo de dor."

Sabe aquele tipo de livro que você não consegue parar de ler, que te rouba o sono e dá um nó na cabeça? A Morte da Sra. Westaway é exatamente assim. Eu pretendia seguir o cronograma que fiz, vez que foi uma história escolhida para leitura coletiva no grupo do Telegram, cujo debate só irá ocorrer em 05/05. Mas não consegui ser tão disciplinada.kkkk Eu encerrava um capítulo e já começava a ler o outro avidamente. Queria respostas e também descobrir se minha teoria estava certa, já que sempre tento adivinhar com antecedência o plot twist de um bom suspense.rs

Confesso que senti um pouco de medo durante a leitura, algo que não esperava. A atmosfera gótica, os passos silenciosos no escuro, luzes que não acendiam, cômodos proibidos... Quarto com grades na janela e trancas do lado de fora da porta... Tudo isso me provocava um certo pânico.

"Mas ali no alto só havia uma explicação, não eram grades para impedir alguém de entrar, e sim de sair."

A casa que se torna praticamente um personagem dentro da história, guardando terríveis segredos, é um lugar abandonado, com cômodos desgastados pelo tempo, cheios de poeira e teias de aranha. Não é que ninguém não morasse ali: a tal senhora Westaway, cuja morte desencadeia todo o drama e suspense do livro, viveu naquela propriedade até seu fim. A casa não estava "abandonada" por não ser habitada, mas sim porque ninguém se preocupou em conservá-la. 

"Ela descobriu que as verdades mais importantes muitas vezes estavam no que as pessoas não falavam [...]"

Ao longo da leitura senti como se aquela casa assustadora "falasse" e sentisse. Como se tivesse "apodrecido" por todo terror do qual foi testemunha. Toda dor e lágrimas sofridas entre suas paredes...

Harriet Westaway sabia o que era passar por privações em sua vida. Desde pequena precisava lidar com a falta de dinheiro, sendo sempre a criança mais pobre entre seus colegas de escola, vestindo roupas e sapatos usados e encarando de frente a situação com a coragem que sua mãe lhe ensinou. A mãe que era sua amiga, seu único familiar. A mãe que lutava dia após dia para sustentá-la, com quem ela viveu todos os bons e maus momentos. A mãe que morreu, vítima de um terrível acidente, dois dias antes do seu aniversário de 18 anos, deixando-a sozinha num mundo hostil, sem saber como seguiria em frente...

"Era a injustiça que machucava mais, feito ácido na garganta. Teve vontade de berrar contra a injustiça daquilo tudo. Quero uma trégua, ela queria soluçar. Só uma vez quero que aconteça uma coisa boa comigo."

Sendo jogada no mundo adulto de uma hora para outra, e sofrendo a dor de perder quem mais amava, ela buscou consolo no álcool e pegou um empréstimo com um agiota, na tentativa de continuar tendo um teto onde morar e algo para comer, mas este foi um dos piores erros de sua vida. Quanto mais trabalhava para pagar as dívidas mais elas aumentavam, num ciclo que não tinha fim. O que ela devia inicialmente se multiplica, tornando impossível quitar uma dívida que era muito superior ao valor que ela de fato tinha pego emprestado. Sem saber o que fazer e sem meios de fugir dos capangas do agiota, enviados para "cobrá-la", Hal tenta não ceder ao desespero... é quando uma misteriosa carta, endereçada à ela, tanto se apresenta como a solução para os seus problemas quanto a lança na direção de segredos do passado que deveriam ser mantidos enterrados...

Destinatário da carta: Harriete Westaway. Endereço: o seu, sem nenhum erro de digitação. Mas aquilo só poderia ser um estranho engano, pois era impossível que ela realmente fosse a pessoa que o remetente procurava. O advogado que lhe enviou a referida carta, comunicava o falecimento de sua avó, Hester Westaway, a data do funeral e o fato de Harriet ser uma das beneficiadas pelo testamento. Seria um alívio para todas as suas dívidas se não existisse um pequeno problema: seus avós tinham falecido muitos anos antes, o que a fazia ter a certeza de que não era a Harriet correta, que tudo não passava de um equívoco. 

Mas diante da situação desesperadora na qual se encontrava, e após sofrer mais uma ameaça do capanga do agiota ao qual devia dinheiro, ela decide arrumar suas coisas e ir até o funeral, se passar pela neta da falecida e colocar as mãos na sua parte da herança. Eram pessoas ricas, certo? Um pouco de dinheiro que ela conseguisse com aquele engano não afetaria suas vidas. Só que ao chegar à Igreja e ao longo do funeral, ela percebe que nada seria tão simples assim... Alguma coisa de muito errada havia naquela história. Por que nenhum dos filhos lamentava a morte da mãe? Por que se comportavam de forma tão estranha uns com os outros? 

"Não era apenas a sensação de uma casa negligenciada há muito tempo. Era algo mais sombrio, de um lugar que esconde segredos, onde pessoas foram tremendamente infelizes e ninguém apareceu para consolá-las."

Ao hospedar-se na casa para leitura do testamento, fica ainda mais surpresa ao perceber o quanto o local estava se deteriorando, como o ambiente era sombrio e triste... O quanto as pessoas que um dia viveram ali tinham sofrido? Sua vontade era de voltar correndo para sua antiga vida, mas tudo se complica gravemente quando descobre que todos os filhos da falecida haviam sido deserdados, sendo ela a única herdeira dos bens. O que parecia apenas um jogo inofensivo, pois um pequeno valor que ela acreditava que herdaria não afetaria ninguém, se torna extremamente perigoso após essa bombástica revelação. 

O que as pessoas estariam dispostas a fazer por dinheiro? Sufocada pelas próprias mentiras, ela decide escapar para a sua realidade, voltar para sua cidade, sua vida... Mas uma foto revira todo o seu mundo: ali, naquela imagem congelada no tempo, entre as pessoas reunidas, estava a sua mãe. O choque é grande demais e Hal tenta entender que ligação haveria entre sua mãe, aquela casa e aquelas pessoas. Que segredos se esconderiam no passado? Por que sua mãe nunca mencionou que tinha vivido ali? Disposta a descobrir toda a verdade, ela demora a perceber que o preço talvez fosse alto demais... Talvez custasse a sua própria vida. 

"[...] que segredo era esse, o segredo que era o cerne de todo aquele mistério, que tinha alguém disposto a matar para protegê-lo?"

Este é um livro que ao mesmo tempo que eu amei também odiei profundamente.kkkkkkk Fiquei muito mal com o final, embora tenha que reconhecer que uma vez que adivinhei os principais segredos bem antes da metade da leitura, poderia muito bem saber como tudo terminaria, mas a verdade é que me neguei a suspeitar dessa pessoa. Me deixei enfeitiçar, me deixei enganar. Eu não quis colocar tal pessoa na lista de suspeitos quando o mais lógico seria colocar a tal pessoa como principal suspeita, levando em conta tudo o que eu tinha adivinhado sobre os segredos da história. Mas eu fui imbecil, me apaixonei por uma personagem que era especialista em prender as pessoas em seus encantos para depois dar o bote. Eu caí direitinho, como a Hal também caiu. A diferença é que eu já tinha descoberto boa parte dos segredos que essa pessoa tentava esconder, Hal ainda não sabia, então... a grande estúpida fui eu mesma. Ainda não me perdoei por ter sido tão burra! E também sofro muito pelo monstro, psicopata do livro, ser justamente quem eu menos queria. 

"Hal podia ser qualquer coisa, menos um rato. E não seria presa de ninguém."

Eu conversava com uma amiga durante a leitura e dizia que o psicopata poderia ser qualquer pessoa, menos aquela pessoa. Que eu não suportaria que fosse quem eu tanto amava no livro. Sabe quando você descobre algo inconscientemente, mas não quer admitir aquilo conscientemente?rs No fundo eu sabia que poderia ser, mas me negava a aceitar. Dizia: "Não, não, não! A autora não pode fazer isso, a autora não vai fazer isso comigo!"kkkkkk Realmente, gente! Eu não imaginava que fosse sofrer tanto com o final deste livro. Vai demorar para eu conseguir superá-lo.

Não há nada mais que eu possa falar sobre a história sem correr o risco de soltar spoiler. Vocês podem ver que eu passo perto do spoiler nesta resenha, mas não chego a fazer nenhuma revelação importante, apenas passo bem pertinho disso.rs Dizer que o psicopata é quem eu menos queria, quem eu mais amava no livro, não significa dizer quem é, pois é impossível vocês saberem de qual personagem estou falando, exceto se já tiverem lido a história. :)

Se recomendo o livro? MUITO! Já quero ler outros livros da autora! 



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