13 de junho de 2022

Leituras concluídas - Maio/2022

 

Olá, queridos!


Estamos em junho e até agora eu só li nove livros. Sim. Inacreditável! Acho que nunca existiu um momento, desde que me tornei leitora, em que tenha lido tão pouco num período de seis meses. Nem mesmo nos anos mais difíceis da faculdade, quando tinha que conciliar diversas coisas e gerir o tempo da melhor forma possível. 

Porém, também nunca vivi um sofrimento como o que estou suportando ao longo destes meses. Já sofri demais nesta vida, coisas que não gosto de recordar e que tento ao máximo esquecer. Mas perder a Luana... Só quem tem um filho pode entender o que sinto. Embora ela fosse um "animal", um pequeno anjo de quatro patas, eu a amei e cuidei como a uma filha. Ela é minha filha. A morte não pode mudar isso. 

Luana me dava forças para enfrentar qualquer coisa. Amá-la me tornava melhor. Eu aprendi o real significado da palavra "amor" com a minha pequena. E quando ela adoeceu, me anulei para apenas cuidar dela, lutar por sua vida. Eu deixei de existir... minhas vontades, meus planos para o presente e futuro, minha carreira... tudo deixou de importar. Passei a girar em torno do meu anjo. Ela se tornou o centro de tudo. Eu só queria salvá-la. Mas Deus decidiu levá-la. Sabendo que estaria levando um pedaço de mim... e que eu jamais conseguiria ser a mesma. 

Quase seis meses depois... Não estou inteira ainda. Nunca estarei. Tenho feito o melhor que posso. Sorrio, brinco, estudo, trabalho. Faço tudo com o máximo de dedicação. Mas por dentro? Estou despedaçada. Levanto todos os dias da cama porque tenho que levantar

Dizem que nunca devemos expor nossas fraquezas. Que devemos esconder ao máximo o que realmente pensamos e sentimos e fingir que está tudo bem mesmo quando o mundo está desabando. Mas eu não consigo fazer isso. Sou transparente. Quando minha boca não fala, meus olhos o fazem por mim. Sempre fui muito mais emoção que razão. Isso faz parte da minha essência e não sei se um dia conseguirei ser diferente. 

Muitas vezes digo durante as conversas particulares que tenho comigo: "Bruna, não fale de sua dor no blog. O sofrimento é pessoal, ninguém quer saber do inferno que você está vivendo em seu interior." O blog é para resenhas, para dividir com vocês o meu passeio pela literatura. 

Mas... Desde 2010 eu sempre disse: o blog é parte de mim. É como se fosse uma extensão do que sou. E vou continuar sendo transparente e sincera como sempre fui. Ninguém é feito só de momentos bons. Quem não quiser ler posts como este, basta não ler! É muito simples, verdade?! Nenhuma pessoa é obrigada a ler o que escrevo.




Sinopse: Como ler Machado de Assis (1839-1908), o grande escritor brasileiro, autor de uma obra tão rica quanto múltipla, que tanto disse sobre o Brasil e sobre a natureza humana? Esta nova edição de Casa Velha tem o objetivo de auxiliar o leitor a penetrar no mundo e a conhecer a mente de Machado de Assis. Além de notas abundantes e de fácil com­preensão, traz um farto material que possibilita um melhor entendimento sobre o autor e sua obra: uma biografia, uma cronologia, um panorama cultural do Rio de Janeiro e um mapa da época.

O autor nunca chegou a ver Casa Velha publicado em formato de livro, o que ocorreu somente em 1944. Lançado em 25 episódios entre 1885 e 1886 na revista carioca A Estação, este texto sempre foi um enigma para estudiosos e leitores. Classificado ora como romance, ora como conto, Casa Velha narra a polêmica história de um amor incestuoso a partir das lembranças de um padre, que faz um balanço das perdas e ganhos dessa paixão. Por meio dessa obra, Machado de Assis sugere que há um grande paralelo entre as esferas públicas e privadas da vida e mostra como um drama familiar pode ser um retrato acurado do Brasil do século XIX.





Mergulhar numa leitura de Machado de Assis é sempre reconfortante. Amo demais a escrita do meu querido autor, as diversas camadas que existem com frequência em suas histórias e personagens. E não foi nenhuma surpresa ter apreciado tanto a leitura de Casa Velha

Confesso que não estava nos meus planos ler este livro agora. Eu estava tentando participar de um projeto no Instagram, de uma leitora que tenciona ler Machado em ordem cronológica. Algo fascinante e que me atraiu imediatamente. Claro que por causa de todo o inferno interior que estou vivendo, não consegui acompanhar o cronograma. Pretendo me organizar ainda. Não abandonei a intenção de participar do projeto, mesmo que com atraso. 

Mas Casa Velha eu li por causa de um projeto de uma outra leitora: a Isa, do canal Ler Antes de Morrer. Ela criou um podcast do seu canal e fez toda a leitura deste pequeno romance em voz alta. Era como se estivéssemos ouvindo um audiobook, sabe? Eu gostei muito. E se tratando de Machado, nunca que apenas "ouviria" a história!rs Eu acompanhei os áudios, enquanto fazia a leitura do livro e foi uma experiência divertida, relaxante e, por vezes, inquietante. 

É uma pena que eu ainda não me sinta preparada para voltar às resenhas... Este livro merecia muito. :( 











Sinopse: Em Mentes depressivas, a dra. Ana Beatriz Barbosa Silva ajuda a compreender e identificar um quadro depressivo, explica os diferentes tratamentos e suas associações. Além disso, fala sobre suas causas e trata separadamente sobre a depressão na infância, na adolescência, na terceira idade e a depressão feminina. Com uma linguagem simples e acessível, a médica psiquiatra e escritora disseca a depressão de forma inovadora ao abordar a doença do século por meio de suas três dimensões: física, mental e espiritual.





Ler Mentes depressivas foi um desafio. Embora eu tenha apreciado muito a maneira sensível como a autora aborda um tema tão atual e complexo, em diversos momentos eu me sentia pesada. Como se o livro piorasse o meu estado emocional. Chorei com alguns capítulos, me senti "sufocar"... por vezes estive à beira de um ataque de ansiedade. Mas, de modo geral, foi uma leitura que valeu muito a pena, pois tocou com precisão cirúrgica na essência da depressão e suas inúmeras interligações. 

E esta foi uma "leitura" que fiz em audiobook através do app Skeelo. Ou seja, eu não li o livro, mas o ouvi através da narração de Larissa de Lara. Estou curtindo bastante este novo modo de ler uma história. Nunca irei abandonar os livros físicos ou os e-books, mas os audiobooks vieram para ficar e são essenciais quando a falta de tempo é grande e é impossível ler determinados livros nos momentos que gostaríamos. 

Já adquiri os audiobooks de outros livros da autora e pretendo ouvi-los em breve! Só preciso me preparar emocionalmente e, claro, organizar minhas leituras que estão bagunçadas demais.kkkk... Estou atrasada com tantas histórias que vocês não têm noção! Mas um dia, quem sabe quando, conseguirei me organizar de novo.



24 de abril de 2022

Atualização de leituras - Abril/2022

 Olá, queridos!

Sim, eu desapareci. Mas o motivo vocês conhecem: perdi minha pequena Luana, a gatinha que sempre, por toda eternidade, será minha filha. A morte não é capaz de colocar ponto final no amor. Jamais. 

Esta foi a pior perda que já sofri e não sei lidar com o luto. Tudo é difícil demais. Tento todos os dias prosseguir. E sim, estou conseguindo. Estou sobrevivendo. 

Minha mãe adotou um novo gatinho. Ele tinha apenas 47 dias quando veio para casa. Ela o adotou como uma tentativa de me "curar" da dor. De tornar mais suportável o processo de luto. 

Ângelo Felipe, um bebê de três meses e vinte e um dias. Eu o amo muito, um amor que chega a doer, pelo medo que tenho de que ele fique doente em algum momento. Mesmo medo que sinto em relação ao meu filho Dante Celestino. Perder a Luana me deixou assim, com pavor de perder os dois também. 

Mas coisas boas têm acontecido em minha vida. Saí do meu antigo emprego para um outro que vai me proporcionar a experiência que necessito para seguir em frente em minha profissão. É muito difícil, pois tudo é novo para mim. Também é cansativo por causa da viagem de ida e volta, mas estou amando! Estou feliz nesse emprego e agradeço a Deus pela oportunidade que Ele me deu. 

Não parei de ler! Na verdade, tenho lido todos os dias durante a viagem de ida e volta para o trabalho. Como fica bem longe da minha casa, leio bastante no ônibus!kkkkk E vai demorar MUITO para trazer resenhas das minhas duas principais leituras do momento! O motivo? São dois calhamaços! Leituras densas, que bagunçam demais as minhas emoções. Nem sei como farei para conversar sobre elas com vocês. Não sei se serei capaz de colocar em palavras tudo o que estas histórias provocaram em mim. 



Os Miseráveis, clássico da literatura mundial, escrito por nada mais nada menos que Victor Hugo!rs Ler um livro dele é sinônimo de lágrimas, o que digo com base na minha maravilhosa e angustiante experiência com O Corcunda de Notre Dame e O Último Dia de um Condenado. Foram livros que me deixaram bajo cero, jogada no chão, tentando entender como a humanidade pode ser tão cruel.

E com Os Miseráveis a experiência está sendo ainda mais dolorosa. No meu histórico de leitura do Skoob eu disse: "Nem sei o que dizer sobre a situação de Fantine e Cosette... Meu Deus! Como este livro dói! Me sinto destroçada." E também: "O que são as minhas dores, os meus sofrimentos perto dos de Fantine??!!! Quanto mais leio mais despedaçada me sinto. A impotência, a angústia por não poder fazer nada me deixa em prantos. Um livro escrito por um homem, com uma visão extremamente sensível sobre a desgraça de uma mulher, traída por quem amava e por uma sociedade que só sabe acusar, julgar e condenar... Que só sabe destruir."

E tem sido assim toda vez que pego o livro para ler. A dor é quase física. Choro com o desespero de Fantine. Com toda a maldade que Cosette teve que suportar ainda tão pequena, quando sua mãe quase se matava para mandar dinheiro para o seu sustento, dinheiro esse que nunca foi usado para ela, pois o casal em quem Fantine confiou tratava a criança como escrava e se apropriava do dinheiro que era dela. Como não se emocionar também com o passado de miséria e injustiças de Jean Valjean, condenado à pena de trabalhos forçados por furtar um pão?! O título faz jus a tudo que acontece no livro, e olha que só li 16%, estou bem longe de terminar! É uma história com mais de duas mil páginas, então, vocês já podem imaginar que muita desgraça ainda vai acontecer. Estou me preparando emocionalmente para isso.





Os leitores mais antigos do blog (risos) provavelmente sabem que estou parada no último livro da Trilogia Cavalo de Fogo da minha diva Florencia Bonelli desde 2013. SIM, JÁ SE PASSARAM NOVE ANOS!!! O motivo de nunca ter lido o terceiro livro da trilogia é bastante simples: medo. Como sei que muita coisa terrível se passa naquele livro e como amo imensamente o Eliah e a Matilde, protagonistas da história, nunca reuni coragem o suficiente para suportar toda a dor que eles enfrentarão. Eu sofro com os personagens. Vocês sabem disso! MAS... Prometi que este ano irei reler os dois primeiros livros (Paris e Congo) para finalmente mergulhar no desespero de Gaza. Me desejem sorte! E um estoque de lenços...

Então... Na história de Eliah e Matilde nós somos apresentados a uma personagem bastante marcante, que seria apenas coadjuvante, mas que possui uma força tal que fez nossa amada escritora resolver contar sua história, o que ela faz anos depois em dois volumes intitulados no original: "Aquí hay dragones" e "Dime, ¿quién es como Dios?"

Em Portugal os dois volumes foram divididos em quatro: Caminhos de Paixão - Parte I, Volume I; Caminhos de Paixão - Parte I, Volume II; Caminhos de Paixão - Parte II, Volume I e Caminhos de Paixão - Parte II, Volume II. É na tradução de Portugal que estou fazendo a leitura desta história que já conseguiu se cravar em minha alma

A mudança de título não foi muito adequada, na minha opinião, pois embora possa parecer "esquisito" para quem está de fora o título "Aqui há dragões", tem tudo, absolutamente tudo a ver com a história da nossa protagonista, com o seu passado de tanta dor, de tantos traumas provocados por uma guerra que lhe tirou aqueles que ela amava... e que a quebrou por dentro. O título é perfeito no original e não deveria ter sido mudado. 

O título do segundo volume: "Diga-me: quem é como Deus?" chega a me causar arrepios de pavor! Quem já leu a primeira parte do primeiro livro consegue entender. É desnecessário ter lido o segundo volume para compreender como essa frase é marcante, todas as lembranças que ela desencadeia... Um pequeno spoiler: um personagem, um monstro que nunca deveria ser chamado de ser humano, se considerava deus no passado da nossa Diana. A quantidade de coisas que ele vai fazê-la passar... sempre dizendo em alto e bom som que ele é deus na vida dela... Gente, é inesquecível, de um jeito angustiante, de um jeito desesperador. Eu própria fico tentando bloquear as lembranças de todas as cenas terríveis que li ao longo da primeira parte da história... Eu chorei e tremi de dor e de RAIVA. DE ÓDIO. De vontade de acabar com todo aquele sofrimento, com toda aquela maldade. Fazia tempo que eu não desejava tanto matar personagens em minha vida. Mas como não se revoltar com as atrocidades que foram cometidas ao longo daquela guerra, quando soldados se sentiam autorizados, inclusive por Deus (na mente deles) para estuprar e torturar mulheres e crianças?! Como não querer matar esses animais em forma de gente?! Essa história me deixou desgastada emocionalmente. E talvez por isso eu ainda não tenha conseguido prosseguir na leitura do segundo volume da Parte I. Tenho medo. Muito medo do que ainda terei que ler, de quanta dor Diana e outras vítimas ainda suportarão nessa história. 

Mas é um livro incrível! Quem conhece a Florencia Bonelli (que todos sabem que depois da Emily Brontë, é minha autora favorita da vida) já imagina o que encontrará nesta história. E é quase certo que ao fim colocará o livro na lista de preferidos, com 5 estrelas porque não é possível dar mais do que isso no Skoob.rs Eu estou amando a leitura! Dói, mas é arrebatadora. Tenho certeza que irei favoritar. O primeiro volume da Parte I, inclusive já recebeu 5 estrelas com passagem para os favoritos. :) 

A leitura da História de La Diana não está sendo solitária.rs Estou lendo esta impactante história com a minha querida amiga Carla, que é a pessoa responsável por eu conhecer as obras da Florencia Bonelli. 


E então temos as demais leituras em andamento....rs



Ainda estou lendo este livro de Contos do Tchekhov... desde o ano passado.rs Porém, contos eu realmente leio devagar, então, não há uma previsão para concluir a leitura. Não é um livro fascinante nem nada, nenhum conto até agora me marcou profundamente, mas é uma coletânea interessante. De modo geral, estou gostando. 

Dom Quixote... Quem leu este post aqui sabe que tive muitos problemas com a história. E finalmente me rendo: admito que abandonei o livro... pelo menos, por um tempo. Não vou abandonar definitivamente, pois me nego a desistir de uma história depois de ler mais de 800 páginas. Seria inaceitável.



Mentes depressivas é um livro que comecei a ler recentemente. E "ler" é apenas um modo de dizer, pois estou acompanhando em audiobook através do aplicativo Skeelo Audiobooks. Dispensa comentários, né? O tema é forte, mas necessário. É minha primeira experiência com um livro da autora e já quero ler tudo o que ela escreveu. 

Também estou fazendo a leitura da Bíblia... devagar quase parando, é verdade, mas estou firme e forte na intenção de ler até o último livro.rs Assim que eu conseguir sair de Números tenho a certeza que a leitura fluirá melhor. 






A saga Crepúsculo foi e sempre será especial em minha vida... Quando soube do lançamento de Sol da meia-noite quase tive um troço (risos) e comecei a lê-lo toda empolgada. Afinal de contas, era a visão do meu querido Edward sobre sua história de amor com a Bella. E a leitura se mostrou realmente maravilhosa! Mas por conta de tudo o que se passou em 2021, eu deixei a história de lado. Por isso, resolvi dar um tempo e daqui a alguns meses voltar a ler desde o início, me dedicando por completo ao livro. 

Contos de Horror do Século XIX é um desafio pessoal. Vocês sabem que não sou fã de histórias de terror, que livros do gênero não aparecem muito por aqui. E também sabem que venho tentando perder o medo, ler de tudo um pouco. Assim, resolvi apostar nesta leitura e confesso que estou gostando bastante. A maior parte dos contos que li até agora não assusta (li nove), não me faz ter pesadelos nem nada.rs Apenas um ou outro realmente me provocou um impactado, como O cone, do H. G. Wells, que me deixou horrorizada.





A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, é um livro que estou lendo com a minha querida amiga Ayala e que acabou um pouco negligenciado por conta das leituras de Os miseráveis e Caminhos de Paixão. Pretendo me dedicar mais ao livro em breve e decidir se gosto ou não da história.kkkkk Tenho alguns problemas com os personagens e ainda não sei o que pensar da tal moreninha do livro, mas seguirei lendo.rs

Cumbres Borrascosas... Sim, estamos nós aqui de novo lendo O Morro dos Ventos Uivantes!kkkkk É meu projeto pessoal lê-lo pelo menos uma vez por ano. E agora em 2022 a leitura está ocorrendo logo no início do ano por pura coincidência, que nem eu acredito!kkkkk 

Tudo começou quando as meninas do trabalho e eu resolvemos criar um grupo de leitura para nos incentivarmos a ler. Então, uma delas sugeriu como primeira leitura... Será que vocês adivinham???!!! O Morro dos Ventos Uivantes, é claro!rs Eu pulei de felicidade por dentro e concordei imediatamente.kkkkkk É meu livro preferido da vida, então, jamais desperdiçaria uma oportunidade de relê-lo. 

Resolvi lê-lo em espanhol desta vez, pois vocês lembram que eu disse que a cada releitura queria que fosse numa tradução diferente. Geralmente em português, claro, mas como também leio em espanhol quis encarar este desafio. 


É isso, gente! Apareci!rs E juro que vou tentar não sumir de novo. 




2 de fevereiro de 2022

Leituras concluídas - Janeiro/2022

 

Olá, queridos!


Quem acompanha o blog sabe que estou de luto. Que perdi a minha princesa e não estou bem, nem sei quando ficarei. 


Estou sobrevivendo. Voltei a ler depois de semanas sem conseguir me concentrar em nada. Levanto da cama todos os dias, trabalho, estudo... Vou vivendo um dia de cada vez sem pensar muito no futuro. Estou tentando viver o agora, pois é a única maneira de suportar. 


Como eu disse nesse post aqui, as leituras concluídas neste período em que estou mais vulnerável, tentando lidar com toda a dor, não terão resenhas. É possível que eu volte a fazer resenhas em fevereiro? Sim, é o que tentarei: retomar o ritmo normal da minha vida em fevereiro, por mais que venha a ser outro mês muito doloroso para mim: minha Luana estaria completando sete anos de vida. 


No primeiro mês do ano, eu concluí 4 leituras. Foram elas:




Literatura Inglesa
Título Original: The Murder of Roger Ackroyd
Tradutor: Renato Rezende
Editora: Globo Livros
Edição de: 2014
Páginas: 263 (e-book)

Sinopse: Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes, iniciada com a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio.

Os três crimes em série chamam a atenção da velha Caroline Sheppard, irmã do dr. Sheppard, médico da cidade e narrador da história. Suspeitando de que haja uma relação entre as mortes, dada a proximidade de miss Ferrars com o também viúvo Roger Ackroyd, Caroline pede a ajuda do então aposentado detetive belga Hercule Poirot, que passava suas merecidas férias na vila.

Ameaças, chantagens, vícios, heranças, obsessões amorosas e uma carta reveladora deixada por miss Ferrars compõem o cenário desta surpreendente trama, cujo transcorrer elenca novos suspeitos a todo instante, exigindo a habitual perspicácia do detetive Poirot em seu retorno ao mundo das investigações. O assassinato de Roger Ackroyd é um dos mais famosos romances policiais da rainha do crime.




Não, este livro não superou E Não Sobrou Nenhum ou Assassinato no Expresso do Oriente, mas foi uma ótima experiência de leitura! Amei demais a trama, a construção da investigação e como o Hercule Poirot nos conduziu ao assassino, com inúmeras pistas que só enxergamos realmente quando chegamos ao final.rs 

Eu li este livro com a minha amiga Ayala e durante nossas conversas sobre o desenvolvimento de nossa leitura, ela chegou a sugerir uma determinada personagem como o assassino (ou assassina). Eu ainda estava no primeiro ou segundo capítulo, mas achei a sugestão bem interessante e que seria uma ótima jogada da autora, uma forma de surpreender o leitor de maneira brilhante! De deixar de queixo caído, sabe?!rs Por isso, passei a me atentar a cada detalhe e foram os comportamentos do nosso amado protagonista, Hercule Poirot, que me fizeram ter certeza que o assassino (ou assassina) seria justamente tal personagem. Saber tão cedo quem era o vilão não estragou em nada a leitura. Pelo contrário, no caso deste livro, eu gostei demais! O final foi perfeito e já desejo mergulhar em outra história da Agatha. 






Literatura Brasileira
Editora: Antofágica
Edição de: 2019
Páginas: 279 (e-book)

Sinopse: Com quantos doidos se faz uma cidadezinha? É o que está prestes a investigar o ilustre Dr. Simão Bacamarte, renomado médico com estudos no exterior, que funda na vila de Itaguaí a Casa Verde, instituto onde pretende estudar e tratar todos os que sofrem de transtornos mentais. Todo tipo de gente é enviado aos cuidados do doutor, que passa também a enxergar em seus vizinhos e conhecidos o perigoso traço da loucura.

Obstinado e fatalmente fiel à ciência, o médico não permitirá que nada – nem a população, nem o Estado, nem o senso comum – impeça sua nobre investigação sobre a razão humana.

Publicada pela primeira vez em 1882, esta novela curta e sagaz foi uma das obras mais impactantes de Machado de Assis, um marco de sua voz questionadora e irônica e de sua visão tão certeira sobre questões inerentemente humanas.

A edição da Antofágica traz 37 ilustrações de um dos maiores expoentes da arte no Brasil, Candido Portinari, que chegam pela primeira vez ao grande público.
Complementando o texto de Machado de Assis, o livro traz também notas inéditas e posfácio de Rogério Fernandes dos Santos, especialista na obra machadiana, um posfácio da professora Daniela Lima e apresentação de Luisa Clasen, do canal Lully de Verdade.



Este é um livro que me deixou maluquinha!kkkkk Minha cabeça "bugou" com os acontecimentos e com aquele fim surreal. A história se encerrou de uma forma que poderia até provocar diversão (e talvez essa fosse parte da intenção do autor), mas não foi isso que provocou em mim. Eu senti tristeza e fiquei um bom tempo refletindo sobre tudo. 

É um livro que possui críticas sociais, que nos passa uma ideia também de crítica à internação compulsória de pessoas com transtornos e doenças mentais, que muitas vezes eram internadas (e ainda existem casos hoje em dia, ainda que tenha ocorrido a reforma psiquiátrica) sem que de fato possuíssem alguma doença, simplesmente porque não se encaixavam na sociedade, eram diferentes ou indesejadas por suas famílias. 

O livro também "debocha" bastante da ciência da época e mostra como qualquer tipo de extremo não é saudável. 





Literatura Brasileira
Poesia
Editora: Paralela
Edição de: 2017
Páginas: 232 (e-book)

Sinopse: Releituras poéticas em que experiências pessoais com substantivos, adjetivos e verbos pesam mais do que a objetividade dos dicionários.

Antes aprisionadas na formalidade dos dicionários, palavras como "girassol", "Deus", "sonho", "tatuagem", "cafuné" e muitas outras são libertadas por João Doederlein — que assina com o pseudônimo Akapoeta — neste seu primeiro livro. Elas são repensadas a partir das experiências pessoais do autor, de vinte anos, e de sua geração, mesclando romantismo bem resolvido, paixão, isolamento e um dia a dia que respira tecnologia e cultura pop.

Combinando textos que se tornaram sucesso nas redes sociais com material inédito, o autor acha novos significados para os signos do zodíaco, para clichês indispensáveis como "paixão" e "saudade" e para as atualíssimas "match" e "crush". Uma história de amor correspondido entre um jovem e sua musa — a escrita.




Fazia anos que eu ouvia falar deste livro e ele despertava a minha curiosidade. Queria saber o que tinha de tão especial para ser tão apreciado pelos leitores. E gostei da experiência de leitura, mas infelizmente não passou disso. É um livro interessante, bem escrito, só que não me envolveu como eu esperava que acontecesse. Amo poesia e imaginava que os textos aqui presentes fossem me emocionar, me tocar profundamente e como isso não aconteceu, acabei me decepcionando.






Literatura Espanhola
Título Original: Lo que aprendemos de los gatos 
Tradutor: Luís Carlos Cabral
Editora: Planeta
Edição de: 2015
Páginas: 104 (e-book)

Sinopse: Um livro que é uma joia para qualquer bom leitor, e, obviamente, indispensável para todos os amantes de gatos

Os gatos – pensa a autora deste livro – têm muito a nos ensinar, mas para isso é necessário que estejamos atentos e dispostos a aprender. São carinhosos, mas jamais submissos, e por isso nos ensinam a pactuar nossa convivência a cada dia; são crédulos, mas só quando sabemos conquistá-los aos poucos, exercitando a virtude da paciência; são domésticos e independentes, como feras aclimatadas ao nosso habitat.

Achamos que são indefesos, mas, na realidade, são muito mais preparados para sobreviver do que a gente. Sob sua pele sedosa se ocultam garras de fera e um corpo atlético invejável. E, quando os vemos brincar, exibindo sua magnífica forma física, ou dormir placidamente em nossa poltrona favorita (sim, essa poltrona onde os gatos nunca nos deixam se sentar) invejamos também sua capacidade de viver intensamente esse instante; sem se atormentar, como nós fazemos, com um passado que não existe mais e um futuro que talvez não chegue.




Vocês já imaginam o motivo para eu ter decidido ler este livro... Só que ele não me provocou nenhum conforto, não diminuiu em nada a minha dor. Pelo contrário, eu chorei durante a leitura quase toda, pois diversas coisas que a autora contava sobre os seus gatinhos me faziam recordar a Luana e isso me dilacerava por dentro. 

É um livro muito bom, possui algumas cenas engraçadas, mas não posso dizer que a minha experiência de leitura foi boa. Ela foi muito dolorosa. Logo no início, a autora nos conta como perdeu sua gatinha e ali eu já senti uma dor imensa... Mas quando estamos chegando no final da leitura e ela já tinha contado como era a personalidade de seus dois outros gatinhos, que vieram após a morte da Tris-Trás e conquistaram espaço em sua casa e em seu coração.... A autora reflete sobre a inevitável perda. Como não podemos fugir do fim... Que mesmo brincando, felizes, alheios à qualquer dor, à qualquer sofrimento... um dia eles também iriam partir, porque assim é a vida. A forma como ela falou, a sensibilidade e ao mesmo tempo a dor que ela própria sentia ao pensar no assunto... Foram demais para mim. Eu caí em prantos e passei muito tempo perdida na minha própria dor. 



27 de dezembro de 2021

O blog está de luto: eu perdi a minha estrelinha. Perdi minha Luana.



 Serei breve, pois não consigo falar da minha pequena sem começar a chorar. 




Em abril de 2015, Deus me deu de presente um anjo. Uma gatinha linda que vinha para me tirar da depressão que eu vivia desde a morte do meu gatinho Alejandro. Eu tinha jurado que depois dele não adotaria mais nenhum gato, que não suportaria passar pela perda novamente. Mas veio a Luana... Numa quarta-feira. Eu estava visitando minha mãe, pois não estava morando aqui. Fazia um tempo que morava sozinha e costumava visitar minha mãe aos finais de semana... Mas resolvi aparecer numa quarta-feira, como se o destino já tivesse decidido que meu caminho se cruzaria com o da minha princesa. 

Ela era tão pequena, mas miava bem alto. Seu miado desesperado me atraiu até a rua. Abri o portão da casa da minha mãe e procurei pelo gatinho que estava chorando tão angustiado. Ela veio correndo quando me viu. Tão pequenininha. Eu calculei que ela devia ter uns dois meses, imaginei que tinha nascido em fevereiro daquele ano. A peguei em meus braços. 

Não pretendia ficar com ela. Ainda sofria demais pela perda do Alejandro. Era como uma faca me dilacerando por dentro. Pretendia apenas resgatá-la e entregá-la para minha avó que costumava cuidar de gatos. Mas depois que a peguei em meus braços... Nunca em toda minha vida senti um amor tão forte. Eu amava os gatinhos e cachorros que tive antes dela... Mas o amor que ela despertou em mim era como o de uma mãe por sua filha. Ela se tornou minha filha naquele instante. E dei à ela o nome de Luana. 




Foram muitos os momentos que vivemos juntas. Ela me seguia por toda parte. Desde o primeiro dia dormiu comigo em minha cama, que também se tornou a cama dela. Era a rainha da casa. Quem realmente mandava em tudo, dona de si e da mãezinha, da tia e da avó, que a adotaram realmente como membro da família. Ela era nossa família. Como se tivesse nosso sangue... Como se tivesse nascido do meu ventre. 

Ninguém nunca me amou como ela. O seu carinho, sua dedicação a mim impressionava a todos. Ela se sentia minha filha, como eu me sentia sua mãe. E assim será para sempre. A morte não pode destruir isso. Minha Luana será sempre a minha filha. A filha que me escolheu. A filha que nunca serei capaz de esquecer. Com ela se foi a melhor parte de mim. E ainda não sei como sobreviverei a tanta dor. 




Foi em fevereiro de 2021, o ano que se tornou o pior da minha vida, que descobrimos a doença renal. Ela sempre tinha sido uma gata saudável. Não ficava doente. Eu a protegia de tudo. Ela não tinha contato com a rua, nem mesmo com o quintal. Ficava protegida dentro de casa, com os brinquedos dela. Sendo uma princesa feliz e rebelde (sempre foi muito carinhosa, mas também bastante temperamental). Então em fevereiro deste ano começou a enjoar e perder peso numa velocidade assustadora. Então, parou de comer. A levei para a veterinária desesperada e os exames de ultrassonografia e sangue confirmaram a doença renal. Ela tinha doença renal crônica e estava passando por uma crise. 

Eu senti como se o chão sumisse debaixo dos meus pés. A angústia, o medo terrível... Passamos uma semana a levando para receber soro subcutâneo, mas a crise não passava. Parecia que ela iria me deixar ali... ainda em fevereiro. Mudei de veterinária e rapidamente iniciamos o soro intravenoso e medicações. Foram mais sete dias. Ela melhorou. Recuperou o apetite, a energia, a alegria tão característica dela. Estabilizou. 

Ela passou a ter que se alimentar de ração e sachês renais. E a adaptação não foi difícil. Ela se apaixonou pela ração e começou a recuperar peso. A cada mês engordava mais, quase atingindo seu peso anterior à doença. Fazíamos exames mensais, ela tomava todas as medicações regularmente. E embora o medo jamais tenha me deixado, eu consegui voltar a sorrir ao vê-la bem. Era a minha Luana ativa, que pulava em tudo, que corria pela casa, que me chamava para dormir quando achava que estava na hora, que deitava junto à minha cabeça para me esperar acordar todo dia pela manhã. Minha Luana que vinha correndo sempre que eu dizia: "Cadê a princesa da mamãe?" A minha vida. A que fazia com que tudo tivesse um sentido. Que me dava forças todos os dias. Que pedia colo, mesmo que eu estivesse estudando, trabalhando ou lendo. Eu sempre parava tudo para pegá-la em meus braços, para fazer carinho. Não houve um só dia que eu não dissesse que a amava. 

A doença se manteve estável durante vários meses. E ela permaneceu bem, como se jamais fosse viver outra crise. Então, tudo desandou em novembro. Os enjoos voltaram só que mais fortes. Voltamos para o soro. Tentamos estimulantes de apetite. Mudei a ração, tentei todos os sachês renais possíveis. Ela começou a emagrecer com a mesma rapidez de fevereiro. A diferença era que os tratamentos não surtiam mais efeitos. 

Em 09 de dezembro de 2021 ela teve a piora final. Os exames mostravam uma piora rápida e agressiva. A doença acelerou de uma maneira que nenhum de nós poderia prever. O que se manteve estável durante tantos meses atingiu níveis enormes de gravidade. Não havia mais o que fazer. Escolhemos mantê-la em casa conosco para que ela partisse rodeada pela família que tanto amava. Ela odiava hospital, odiava a clínica, odiava agulhas e todo aquele ambiente que tanto a assustava e estressava. Em casa ela ficava tranquila, nos meus braços. 

Sei porque alguns tutores preferem deixar o seu filhinho em estado terminal no hospital. Dói demais ver seu bebê partir. Eu nunca vou esquecer tudo o que se passou. Vou carregar essa dor em minha alma. Eu repeti que a amava até o último instante. Fiz carinho, a peguei em meus braços. Fiz de tudo para que ela se sentisse querida, para que pudesse partir em paz. 

Ela se foi às 04:00h da madrugada de 14 de dezembro deste ano. E só agora consegui vir aqui dizer para vocês que estou de luto e que o blog não terá postagens por tempo indeterminado. As leituras que eu concluir ao longo das próximas semanas não terão resenhas. Na verdade, os livros não estão sendo nenhum refúgio para mim. Penso nela o tempo todo. Mal consigo ler. 

Prometi à ela que ficaria bem. Que tentaria sobreviver. Mas está sendo muito difícil cumprir minha promessa. Eu não perdi um animalzinho de estimação. Perdi minha filha. Como sobreviver sem minha filha? Como encarar este mundo sem a minha razão de viver?




Tenho o Dante Celestino, um gatinho que adotei em dezembro de 2020. Eu o amo. Protejo e cuido dele como um bebê. Mas Luana... Luana era como uma filha do meu ventre. Nem mesmo o amor que sinto pelo Celestino me ajuda a prosseguir. Tirar a Luana de mim era a pior coisa que Deus poderia fazer comigo. Ele destruiu minha vida. Sinto como se Ele me odiasse. Como se tivesse me abandonado, me virado as costas. Sei que cada pessoa reage de uma maneira diferente à perda de um ente querido. Talvez meu rompimento com Deus seja só uma fase, uma reação ao luto. Ou talvez seja definitivo. 

Existiram momentos em minha vida nos quais por mais que eu dissesse que Deus tinha me abandonado, no fundo eu sentia que Ele estava comigo. Mas agora... Agora, não. Eu sinto raiva, ódio, revolta. Não consigo aceitar que Ele tenha permitido isso. Que Ele tenha tirado o meu anjo de mim. E que ela tenha sofrido tanto. Não consigo perdoá-lo. 

Tudo o que quero é que esta vida passe logo... Que os anos voem, se eu tiver que viver mais anos! E que eu possa me juntar à minha filha. Quero meu bebê de volta! Quero minha filha comigo! 

Quero acreditar que os animais têm direito ao Céu. Porque se nós seres humanos tão cheios de erros e pecados temos o direito dado por Deus de um dia talvez irmos para o céu, seria injusto e monstruoso não dar aos animais, que são inocentes por toda a vida (diferente de nós, que não somos), o Paraíso. Eles merecem mil vezes mais que nós. Quero crer que minha filhinha está brincando no Céu. Que está feliz. É a única forma de conseguir levantar da cama todos os dias. 

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