30 de outubro de 2017

Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling

(Título Original: Harry Potter and the Philosopher's Stone
Tradutora: Lia Wyler
Editora: Rocco
Edição de: 2000)

Harry Potter é um garoto comum que vive num armário debaixo da escada da casa de seus tios. Sua vida muda quando ele é resgatado por uma coruja e levado para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Lá ele descobre tudo sobre a misteriosa morte de seus pais, aprende a jogar quadribol e enfrenta, num duelo, o cruel Voldemort. 

Com inteligência e criatividade, J. K. Rowling criou um clássico de nossos tempos. Uma obra que reúne fantasia e suspense num universo original atraente para crianças, adolescentes e adultos.




Palavras de uma leitora...



Resgatado por uma coruja?! Sério isso, gente?rsrs Eu não devo ter lido muito bem a história, pois não me recordo do Harry Potter ter sido resgatado por uma coruja. 

Há muitos anos sou apaixonada pelos filmes da saga Harry Potter. Desde bem novinha. Perdi a conta de quantas vezes assisti o primeiro filme e ele segue sendo o meu preferido. Creio que os únicos que ainda não vi foram os dois últimos: As Relíquias da Morte - Parte 1 e 2. Lembro que quando eu era menina as crianças se emocionavam e ansiavam pelo lançamento dos filmes. Harry Potter era febre e eu não fazia a menor ideia, naquela época, que os filmes tinham sido baseados em livros. 

Descobri que existiam os livros quando já era bem mais velha, mais ou menos quando criei o blog. Os meus primeiros leitores comentavam bastante numa resenha que fiz sobre o terceiro livro da série Os Imortais. E me recomendaram muito os livros da saga Harry Potter, não deixando de me alertar para o fato de que muitas coisas eram distintas dos filmes e que perderíamos pessoas queridas na reta final dos livros. Eu desejei ler os livros naquele ano, logo após as indicações, mas não os tinha e, infelizmente, com tantos livros que necessito comprar, Harry Potter não era prioridade. :(

Mas... este ano, ao participar do Desafio 12 Meses Literários, eu arrisquei colocar o primeiro livro da série no tema do mês de outubro. De duas uma: ou eu seria forçada a comprar o livro ou teria que pegá-lo emprestado com alguém. Escolhi a segunda opção.rsrs

- Fico aqui me perguntando como fazer um resumo de uma história tão conhecida e amada por tantas pessoas... Se bem que me surpreendi muito ao perguntar para duas amigas, numa mesma semana, se elas conheciam esta história e elas dizerem que nunca sequer tinham ouvido falar. Como assim?!?! Nem mesmo os filmes! Tive que perguntar em que planeta elas vivem, sinceramente!kkkkkkkkkk... Todavia, penso que, além de desnecessário, meu resumo sequer chegaria aos pés do livro.  É sempre muito complicado falar de uma história que amamos e pior ainda quando é um livro tão famoso. Mas tentemos!rsrs

"Dumbledore e a Profa. Minerva curvaram-se para o embrulho de cobertores. Dentro, apenas visível, havia um menino, que dormia a sono solto. Sob uma mecha de cabelos muito negros caída sobre a testa eles viram um corte curioso, tinha a forma de um raio.
- Foi aí que... ? - sussurrou a professora.
- Foi - confirmou Dumbledore. - Ficará com a cicatriz para sempre."

Ainda bebê, Harry Potter sofreu duas perdas irreparáveis. Seus pais, que tanto o tinham amado e protegido, foram assassinados, vítimas de um bruxo cruel e sedento por poder. Harry não sobrevivera porque o assassino teve pena dele, mas sim porque sua mãe deu a vida para que ele vivesse, sacrificando-se e marcando-o para sempre com este amor. O monstro ainda tentou assassinar a criança, mas não conseguiu. Existia algo no menino que era mais forte que ele e que o enfraqueceu quase até a morte. Então, sem alternativa, ele desapareceu, deixando um alívio por sua partida e um medo de que, a qualquer momento, ele iria retornar mais forte e continuar de onde havia parado. 

Em todo lugar, entre os bruxos, havia alegria e tristeza naquela noite. Festas comemoravam a partida de Voldemort, mas era impossível livrar-se da tristeza pelo alto preço que foi pago. Dois bruxos queridos e bondosos tinham morrido e uma criança ficara órfã. O que seria daquele pobre menino? E que poder teria ele para ser a única pessoa que cruzou o caminho de Voldemort e conseguiu sobreviver? 

Deixado na porta dos parentes trouxas de sua mãe (pessoas que não eram bruxas), Harry foi criado com desprezo, por tios que não o queriam e se ressentiam por serem responsáveis por ele. E nunca teve conhecimento de sua verdadeira história. Pelo menos até seu aniversário de 11 anos. 

Uma carta havia sido deixada para ele. A primeira que ele recebera em toda sua vida. Mas, impedido pelos tios, não chegou a tomar conhecimento do seu conteúdo. Aquele foi apenas o início da grande aventura que se aproximava. 

Como se o remetente pudesse adivinhar que a carta não chegara às mãos de Harry, outras cartas idênticas se seguiram. E quanto mais seus tios lutavam para impedi-lo de lê-las mais e mais cartas chegavam. Num ato de desespero, resolveram viajar de última hora... para o mais longe possível de tudo. Onde nenhuma carta pudesse chegar. Onde a verdade pudesse continuar a ser negada. Porque eles sabiam exatamente o que aquelas cartas significavam... 

"Deitado, ele viu seu aniversário se aproximar, perguntando-se se os Dursley se lembrariam, perguntando-se onde estaria o remetente das cartas agora."

Contando os minutos para o seu aniversário, um tanto triste por passar mais uma vez sozinho, sem que ninguém se importasse muito com a data, Harry não poderia imaginar que alguém do seu passado, que conhecia muito bem a sua história, estava prestes a entrar pela porta, mudando para sempre a sua vida. Apresentando-lhe um mundo novo. Um mundo que lhe pertencia, do qual ele fazia parte, ainda que não soubesse. O mundo dos seus pais. 

"- Eu sou o quê? - ofegou Harry.
- Um bruxo, é claro - repetiu Hagrid, recostando-se  no sofá, que gemeu e afundou ainda mais -, e um bruxo de primeira, eu diria, depois que receber um pequeno treino. Com uma mãe e um pai como os seus, o que mais você poderia ser?"

- Levado repentinamente para uma outra vida, Harry viverá momentos inesquecíveis. Conhecerá pessoas que farão de tudo para fazê-lo desistir ou ter o mesmo fim que seus pais, bem como encontrará também em seu caminho amigos de verdade, que estarão ao seu lado para o que der e vier. Ao lado de Rony e Hermione enfrentará uma batalha mortal: contra Voldemort, o Lorde das Trevas, aquele que assassinou seus pais. E descobrirá que a magia pode ser importante e útil, mas que não existe nada mais forte que o amor. O amor e a lealdade de seus amigos. Mas, principalmente, o amor de quem deu a vida por ele. O amor de sua mãe. 

- Quando comecei a leitura, estava preparada para encontrar cenas bem diferentes do filme, pois geralmente é assim. E como sou 100% fã do filme, imaginei que resistiria um pouco ao livro. Todavia, nada foi como pensei. A história narrada é extremamente parecida com a adaptação que fizeram para o cinema. Eles foram muito fiéis ao livro e isso me encantou. Eu me sentia como se estivesse vendo as cenas enquanto prosseguia na leitura. Era delicioso! Os rostos dos personagens passavam por minha mente, as falas, os momentos decisivos... estava tudo ali. E a Hermione, que sempre foi a minha preferida, continuava sendo Hermione!kkkkkkkkk... Quem conhece essa personagem, entende o que estou dizendo.rsrs Quando eu era criança e assistia as cenas interpretadas por ela, sempre me pegava desejando ser como ela. Se chegasse um pouquinho perto da grande personagem que ela foi, já me sentiria muito bem.rsrs

Senti uma imensa falta dos filmes, gente. :( Não estranhem se eu de repente fizer uma maratona, revendo todos os filmes e assistindo os dois últimos que ainda não vi. Deu uma baita saudade! :( 

- Apreciei muito a leitura deste livro. Foi uma experiência daquelas que nos deixam mais leves, que nos fazem rir, que ensinam lições importantes. No final das contas, não foi o que Harry e seus amigos aprenderam durante os estudos de magia e defesas contra as trevas que os salvaram. Ajudou sim, é claro. Mas o que realmente venceu aquela guerra foi o amor. O mal não podia tocar nosso pequeno Harry Potter porque o amor de sua mãe o protegeu. Que lição mais linda, não é mesmo? :)

Sem falar nas lições de amizade e de fazer o que é certo, nos importando com os demais, ainda que as consequências pareçam ruins no momento. Por diversas vezes, Harry, Hermione e Rony tiveram que fazer escolhas difíceis, abrindo mão de algo pelo que realmente importava, pelo que era realmente certo. 

"A boca de Hermione estremeceu e ela correu de repente para Harry e o abraçou."

- É um livro de fantasia, um faz de conta como diversos outros, como meus amados contos de fadas, por exemplo. Mas, assim como eles, contém lições que eu considero essenciais para as crianças aprenderem ainda bem pequenas. A lição da amizade, de que não nos bastamos por nós mesmos, que precisamos do outro e devemos nos importar com o outro, sabe? Que o amor é o maior poder que podemos desejar, que é aquilo que possui mais magia e valor. Que devemos buscar fazer o bem e o que é correto, ainda que tentem nos convencer do contrário. Que o bem vai vencer sempre não importando o quanto o mal pareça forte. Porque os heróis sempre vencem. Criança tem que ser criança e aprender os verdadeiros valores ainda pequenas. Porque é a criação, a educação que elas recebem nessa idade que vai contribuir e muito para formar o caráter que terão quando adultas. Se mais pais incentivassem seus filhos a lerem e se importassem mais com a educação que estão lhes passando talvez nossa sociedade fosse melhor. 

"[...] Se existe uma coisa que Voldemort não consegue compreender é o amor. Ele não entende que um amor forte como o de sua mãe por você deixa uma marca própria. Não é uma cicatriz, não é um sinal visível... ter sido amado tão profundamente, mesmo que a pessoa que nos amou já tenha morrido, nos confere uma proteção eterna."

- Este ano já não dá mais tempo, pois tenho que correr para fazer outras leituras. Mas ano que vem, se Deus quiser, farei uma maratona de leitura dos livros do Harry Potter. Uma das minhas metas pro ano que vem é ler toda a série. :D 




Harry Potter e a Pedra Filosofal foi minha escolha para o tema deste mês do Desafio 12 Meses Literários. O tema de outubro é ler: um livro infantil. Por causa do mês das crianças, claro! Mas também acaba sendo uma leitura apropriada para o Dia das Bruxas, certo?!kkkkkkkk... Afinal de contas, o protagonista e seus amigos são bruxinhos, feiticeiros. Do bem, óbvio!!! 

É isso, gente! Até breve!

Bjs! 

27 de outubro de 2017

Lançamentos Harlequin - Novembro/2017



Olá, queridos!

Que tal virem comigo conferir os lançamentos da Harlequin Books Brasil do mês de novembro?! :D




TOQUE PERIGOSO -  Maya Banks
Harlequin Livraria

Só o amor será capaz de protegê-los. 

Criada em um rigoroso culto religioso durante toda a sua juventude, Jenna não conhece nada do mundo exterior além de vagos flashes de memória, que sequer parecem ser desta vida. Memórias que servem como consolo, principalmente quando os líderes do culto descobrem que Jenna possui uma extraordinária habilidade de cura – e isso se torna motivo para que Jenna seja punida por um dom proibido: anos sendo castigada e colocada à reclusão por ser diferente. Jenna se torna uma mulher frágil e tímida, pelo menos é a maneira que ela encontrou de sofrer menos, enquanto busca o momento perfeito para fugir.

Isaac é o recruta mais rebelde da Devereaux Security e mal consegue conter a sua ira quando alguém tenta roubar sua picape, mas quando descobre que o ladrão é na verdade uma jovem aterrorizada, sua raiva se transforma em compaixão e empatia. Isaac está disposto a ajudá-la, porém será Jenna a sua verdadeira protetora. E com apenas um toque, ela salvará sua vida e seu coração.

Em Toque Perigoso, a autora best-seller Maya Banks nos oferece mais uma história do mundo Slow Burn e mais personagens belos, perigosos e sedutores.



A FAMÍLIA MONTORO
Harlequin Desejo

SEDUZIDA PELO HERDEIRO - Andrea Laurence 
De ovelha negra a rei... com uma ajuda muito especial!
O pesadelo de Gabriel Montoro se torna realidade quando seu irmão abdica do trono de Alma, deixando Gabe como o novo herdeiro. Agora, o playboy se tornará rei! Para isso, vai contar com a ajuda de Serafia Espina. A ex-top model pode ensiná-lo as regras de etiqueta, mas enquanto se adapta ao protocolo real, Gabe começa a ver essa antiga amiga sob uma luz muito diferente. Mas em breve ele não terá mais uma vida privada, e Serafia esconde segredos que podem colocar o relacionamento em risco.

UMA PAIXÃO INESPERADA - Kat Cantrell
Ela se apaixonou pelo irmão errado!
Agora que sua família irá governar Alma, Bella Montoro é candidata a um casamento real. Mas uma mulher de espírito livre como ela não vai ser um peão nos jogos políticos do pai. Apesar de estar prometida para o filho mais velho de um barão de petróleo, Bella gosta mais do seu rebelde irmão gêmeo. James Rowling é conhecido por seu histórico com as mulheres, mas será que Bella irá mudar isso? Ou a reputação de James - e uma pequena surpresa - vai entrar no caminho do "felizes para sempre"?



A PRINCESA REBELDE -  Jennifer Hayward
Harlequin Paixão

O homem que ela ama odiar...

Muitas mulheres matariam para se casar com o rei Kostas Laskos. Stella Constantinides não é uma delas. Mas, pela paz do reino, concordou em se unir ao homem que foi capaz de se aproveitar de seu momento de vulnerabilidade e partir seu coração. Mesmo com a decisão tomada, Stella se recusa a ser seduzida pelo charme do marido. Porém, a primeira noite como casados prova que Stella não é imune a Kostas. Em pouco tempo, ela começa a ver a verdade por trás dos erros do passado... e faz o que jurou nunca voltar a fazer: se apaixonar por Kostas! 



SEDUÇÃO IMPLACÁVEL - Sarah Morgan
Hlarequin Coleção Paixões Clássicas

Em busca da recompensa!

Seduzida por Angelos Zouvelekis, a garçonete Chantal aceita fingir ser sua noiva. Em troca, ela receberá presentes e outros mimos... mas Angelos também terá sua recompensa! Mesmo acreditando que Chantal é uma golpista, ele não consegue deixar de desejá-la. Porém, sua arrogância se desfaz quando descobre que Chantal é virgem. Agora, consciente de sua inocência, Angelos vai ficar com ela - não importa as consequências!



CONSEQUÊNCIAS DO DESEJO 
Harlequin Jessica


SOBRE REIS E REPUTAÇÕES - Carol Marinelli
Grávida... do sheik playboy!
O sheik playboy Kedah de Zazinia aproveitou cada minuto que passou construindo sua reputação! Prestes a subir ao trono, Kedah sabe que em breve deverá aceitar seu dever real... Mas até lá, precisa se distrair, e nada melhor do que uma noite de paixão com sua assistente certinha, Felicia Hamilton, que esconde um desejo que Kedah está louco para deixar em chamas! Só que ele não estava preparado para o maior escândalo de todos: sua noite de prazer deixa Felicia grávida!

A PRINCESA E O BILIONÁRIO - Sharon Kendrick 
Uma princesa embaixo das cobertas...
O barulho do helicóptero anuncia o retorno do chefe, e manda Sophie correndo para a cozinha. Mal sabe ela que, para se esconder da sua família, terá que ficar sob o olhar penetrante do notório bilionário Rafe Carter. Para ele, resistir aos charmes da sua nova cozinheira é fundamental, nem que para isso precise apelar para um mergulho noturno. Só que suas ideias vão por água abaixo quando Rafe não consegue conter seu desejo e decide provar um gostinho do proibido. Quando a identidade de Sophie é revelada, Rafe tem o dever de resgatar a linda princesa da imprensa... com um pedido surpreendente. 


COLEÇÃO CASA REAL DE NIROLI 4

EM NOME DO AMOR - Raye Morgan
Adam Ryder ficou rico por mérito próprio, mas sempre soube que era filho bastardo de um dos príncipes de Niroli. Elena Valerio é cega, mas isso nunca a impediu de fazer nada. O que ela não esperava era se sentir atraída por Adam e seu pequeno filho. Mas Elena ama Niroli com todo o seu coração, e se Adam quiser tomar seu lugar no trono se casando com ela, vai precisar colocar de lado sua vingança.


SOBERANA SEDUÇÃO - Penny Jordan
O sheik Kadir governa um reino no oriente, mas é também o último herdeiro de Niroli. Para assumir o trono, ele precisa achar uma rainha! Natalia Carini ama Niroli, e considera Kadir um invasor. Mas esse bárbaro está exigindo que ela seja sua esposa! Será que Natalia se renderá ao sheik, à sua sedução e ao desejo que ela nega existir? 

23 de outubro de 2017

A criança que eu fui...


A criança que eu fui gostaria de estar perto da pessoa que eu sou hoje?


Este é o tema mais difícil do desafio. Pelo menos para mim. E não necessito pensar muito na resposta. Definitivamente, a criança que fui um dia não gostaria de estar perto de quem sou hoje. 

Ela teria vergonha. Estaria decepcionada se me visse hoje. Se, de alguma parte, puder me enxergar, certamente se pergunta o que fiz com ela. Como pude esquecê-la assim... Deixar para trás tantas coisas que ela sonhou e compartilhou comigo. 

Sorrio ao recordá-la, embora meus olhos se encham de lágrimas. Ela era tão corajosa quando precisava ser. Mais emotiva do que sou hoje, porém também uma guerreira forte. Que brigava com unhas e dentes pelo que queria. Que acreditava no amanhã e lutava por ele. Sabia exatamente o que queria ser e ninguém seria capaz de fazê-la mudar de ideia. Ela seria médica. Curaria as pessoas. Se casaria pouco depois de completar dezoito anos e teria quatro filhos. Também adotaria. Toda sua vida estava planejada até os mínimos detalhes. 

Muitas vezes ela deitava no chão e sonhava com isso. Com o vestido branco, com os bebês que teria, com a casa cheia de crianças correndo para lá e para cá. Era um sonho clichê. Tradicional. Mas era o que ela queria mais que tudo. E tinha certeza que conseguiria. Esta é uma das coisas que mais invejo nela: a forma como ela tinha certeza das coisas. Como não vislumbrava impossível. 

A vida dela não era um mar de rosas. Todo o contrário. Teve muitos problemas, mas ela tinha a força que nunca terei. Está aí uma frase que ela não usaria: "nunca terei". Isso não existia para ela! Os outros poderiam dizer o que fosse e ela choraria quando ninguém estivesse olhando, profundamente magoada pelas palavras negativas que lhe dissessem, todavia nada seria capaz de roubar sua esperança. Ela acreditava no que poderia ser. Ela nunca deixou de acreditar. 

Não restou nada dela em mim. Num determinado momento, simplesmente a deixei partir. Negando-lhe seus sonhos. Fazendo escolhas que ela jamais faria. 

Não sou uma pessoa crescida, como diria o Pequeno Príncipe. Ainda brinco com os meus priminhos. Sou a única adulta que vira criança perto deles e entra na brincadeira. Sou quem eles sempre querem ter por perto e sempre digo que a Vitória deve ter sido minha filha numa outra vida, pois é grudada em mim. Ainda sei amar intensamente. Ainda grito, pulo e danço quando estou feliz. Mas...

Sinto falta daquela menina. Dos sonhos dela. De sua esperança. Ela acreditava e eu já não acredito mais. Não no mesmo que ela.

Ela só sabia amar, mesmo que às vezes quisesse odiar. Eu? Ainda sei amar, mas também aprendi a odiar. 

Sinto falta da inocência dela, da maneira como ela via o mundo. Dos seus risos sinceros, das explosões espontâneas quando estava triste. Mas tenho que aceitar que ela se foi para sempre...


- Este é meu décimo texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. O tema mais difícil de todos. 


Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 

20 de outubro de 2017

Negrinha - Monteiro Lobato (conto)


Negrinha é um livro de contos realistas lançado em 1920, com personagens que representam a população brasileira das décadas iniciais do século XX. Nele Lobato revela uma terra onde o poder é exercido arbitrariamente pelos coronéis e expõe a mentalidade escravocrata que persiste décadas depois da Abolição. Estão retratados em suas páginas tipos tão diversos quanto um fazendeiro falido, o jardineiro que faz poesia das flores, a viúva cruel, uma criança negra maltratada e o gramático ranzinza.



Palavras de uma leitora...



- Se você ainda não leu este conto e não é fã de spoiler, pule esta resenha! Porque, com toda certeza do mundo, terá spoiler. Impossível falar deste conto sem explodir. 

Há algum tempo já, eu desejava ler uma história do Monteiro Lobato. Cresci assistindo O Sítio do Picapau Amarelo. Me encantava a turminha formada pela Narizinho, o Pedrinho e a traquinas Boneca Emília. Tia Nastácia, Saci Pererê, A Cuca, o Pesadelo... todos eles ficaram em minha memória. Sinto saudades. E ainda hoje paro para rever alguns episódios quando ligo a TV e passo por algum canal que exibe reprises. Que época boa aquela em que eu me perdia na inocência de acompanhar as aventuras e desventuras dos personagens! Ah, se pudesse voltar! Suspiros...

Quando vi a resenha da Isa no canal Ler Antes de Morrer sobre o conto Negrinha, o nome do autor me chamou a atenção. Não tencionava começar minha leitura do Monteiro por este livro de contos, afinal de contas, seu conteúdo é adulto e polêmico. Nada parecido com O Sítio do Picapau Amarelo. Porém, uma feira de livros ficou durante o mês de setembro na cidade em que estudo. E foi quase por acaso que esbarrei neste livro. 

Não tinha a menor intenção de comprá-lo. Estava atrasada para a minha aula e já tinha comprado o livro que queria. Mas o livro Negrinha estava tão lindo, embalado, novinho, novinho que não pude resistir.rs Sobretudo quando vi que era do selo Biblioteca Azul, da editora Globo. Desde que adquiri minha edição de As Relações Perigosas que tenho toda uma queda por esta editora. A editora capricha muito nos livros. São deliciosos ao toque, com capas bem feitas, páginas suaves e que não cansam os olhos. Enfim... Amo! Não pude desperdiçar a minha oportunidade de trazer o livro para casa. 

- Só que a resenha da Isa não me preparou para o que senti ao ler este conto. Sério, gente! Eu tremia durante a leitura. O livro não parava de balançar em minhas mãos. E quando finalmente terminei de ler a história desta menininha de sete anos, um nó insuportável sufocou minha garganta. Pode ser um conto apenas. Ficção. Mas não dá para evitar a certeza de que ele retrata a situação de diversas crianças que sofreram durante a escravidão, o período que imediatamente se seguiu após a Abolição da Escravatura e que até mesmo nos dias atuais seguem sofrendo diversos tipos de tortura. E isso é terrível. É insuportável ler uma história tão visceral, tão crua e realista. Não me fez nenhum bem. 

"No entanto, aquele choro nunca vinha sem razão. Fome quase sempre, ou frio, desses que entanguem pés e mãos e fazem-nos doer..."

- Este trecho dói em você? Pois em mim, sim. O conto já começa nos provocando choque e angústia. Negrinha (não sei o verdadeiro nome da menina, se era este ou não) era uma criança de sete anos, que teve a má sorte de nascer numa época em que pessoas eram escravas das outras pelo simples fato de terem a pele escura. Porque o ser humano era um bicho pior do que é hoje em dia e se divertia fazendo de outros seres humanos seus escravos. Ela nasceu pouco antes do fim da escravatura, mas ficou órfã aos quatro anos de idade e isso a deixou aos "cuidados" da "boa e caridosa" Dona Inácia, a mulher que era dona de sua mãe e que por ter um "coração tão bondoso" decidiu criar a pobre criança órfã. 

Excelente mulher, sem sombra de dúvidas! Tão boa que me pergunto se não era parente do próprio diabo. A víbora, desgraçada, filha de chocadeira e tão maldita quanto todas as pragas que existem (respira fundo, Luna!), achava uma afronta o fim da escravidão. Para ela aquilo era uma besteira, um absurdo e se ressentia por não poder mais ter escravos e livrar-se do tédio às custas deles. Como lhe dava saudades da época em que podia torturar livremente seus escravos, dar as surras que lhe aliviavam a alma... Em síntese: fazer com eles o que bem entendesse, o que sentisse vontade de fazer no momento. E é óbvio que não foi por bondade alguma que ela decidiu ficar com a menina. 

"O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões. Batiam neles os da casa todos os dias, houvesse ou não houvesse motivo."

- A principal diversão da filha da p. que se considerava uma pessoa virtuosa e caridosa, era torturar a criança. Ela não precisava de nenhum motivo, inventava o que queria. Sentia verdadeiro prazer em machucar a menina, deixar marcas em seu corpo, impedi-la de sorrir e ser criança, de brincar, de sonhar. Sufocava sua alma. E quando a repetição dos mesmos castigos lhe cansava, inventava coisas piores, como a cena na qual ela colocou um ovo na água fervente e quando ele ficou bem quente, colocou na boca da menina e depois tampou, para impedi-la de cuspir, para que ela sentisse por completo toda a dor que aquela crueldade lhe provocaria. E durante todo o tempo em que a criança sofria, ela sentia prazer! Não nego que senti vontade de matar essa desgraçada! Maldita, mil vezes maldita! 

"O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava Negrinha em casa como remédio para os frenesis."

- É horrível demais tudo o que essa criança passa, gente. Não dá para aguentar algo assim. Senti meu coração se partir por ela e uma fúria enorme esquentar meu sangue. Uma criança! Apenas uma criança que nunca soube o que era ser amada, protegida. Que necessitava de carinho, proteção, de sonhos, de infância. Mas que teve tudo roubado e destruído por causa da maldade de outro ser humano. Não me venham dizer que aquela mulher "era uma pessoa de sua época", com uma mentalidade "de sua época". Isso é uma desculpa esfarrapada e estúpida para a crueldade. Eu não aceito isso. Desde o início dos tempos sempre existiu a maldade. Bem como a bondade. As pessoas simplesmente se aproveitavam e seguem se aproveitando de costumes desumanos para deixarem fluir o que de pior tem nelas. Optam pela maldade e inventam desculpas para se justificarem. A víbora que torturou a menina neste conto merecia era queimar no inferno. Mas antes comer o pão que o diabo amassou e ter a morte mais lenta e dolorosa possível. Ninguém pode fazer algo assim com uma criança e depois não pagar de algum modo. Eu acredito que a Vida tem sua própria justiça. E que esse tipo de lixo paga, ainda que não vejamos, que jamais saibamos, esse tipo de gente cruel tem de volta o mal que causou. 

"Negrinha olhou para os lados, ressabiada, com o coração aos pinotes. Que aventura, santo Deus! Seria possível? Depois pegou a boneca. E, muito sem jeito, como quem pega o Senhor Menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relanços de olhos para a porta."

- Transcrevendo este trecho, não consegui evitar sentir de novo a dor que me invadiu quando o li pela primeira vez. A alegria inocente da menina que nunca antes tinha visto uma boneca. Que nunca pôde brincar, que jamais teve um brinquedo sequer. E ao ver aquelas crianças felizes, mimadas e protegidas como ela também tinha o direito de ser, ela ficou completamente encantada e confusa também. Não entendia por que as outras crianças podiam correr e brincar e ela não. E quando viu a boneca... Foi um sonho. Pegou a boneca nos braços com suavidade, querendo que aquele momento durasse para sempre. E ali também começou sua morte. 

- As meninas que emprestaram a boneca para ela eram sobrinhas da miserável que a torturava. Durante aquelas férias, elas ficaram hospedadas na casa e através delas Negrinha conheceu uma realidade bem diferente da sua e entendeu que existia uma vida distinta. Que as coisas não eram assim em todos os lugares. Com isso, seus olhos se abriram e parte de sua inocência ficou para trás. Compreendeu a maldade. E isso... isso a matou. A depressão que se seguiu quando as meninas foram embora, levando a boneca e a vida que ela também gostaria de ter, a matou. Pouco tempo depois, ela faleceu. Sem que ninguém chorasse por ela. Sem que ninguém se recordasse dela com amor e tristeza.

- Pelo que lembro do que a Isa disse na resenha dela sobre o conto, o Monteiro Lobato é visto por muitos como um autor racista. Não conheço a história dele. Tudo o que eu sabia sobre o autor era que ele era o criador do Sítio do Picapau Amarelo. Não pesquisei sobre a vida dele depois de assistir a resenha. Não pesquisei antes de ler o conto e nem depois. Tenha ele sido racista ou não, impossível negar que o conto Negrinha é uma crítica crua e direta ao racismo. Fica difícil acreditar que um autor racista escreveria uma história tão real e que mostrasse um desprezo tão grande pela sociedade hipócrita e racista da época. Monteiro descreve com extrema ironia a vilã da história, a grande dama, a "virtuosa cristã" que torturava uma menina só por causa da cor da pele da criança. Só um cego não enxergaria que todo suposto elogio que ele faz à desgraçada da Dona Inácia, na verdade é uma ofensa. Todos os elogios ao monstro em forma de gente na verdade eram puro desprezo, repulsa. A triste e nojenta ironia que existia no fato de uma cristã, uma pessoa que se considerava temente a Deus, tratar de maneira tão desumana uma criança. Ele ataca a "bondosa" senhora e não a menina. A mostra como o monstro que ela era. Assim como nos mostra que a criança era uma vítima, alguém que teve a vida destruída porque quem tinha o poder quis. 

- Ainda não li os demais contos deste livro. Não faço ideia de quando os lerei. Se os demais contos seguirem o exemplo deste, terei que me preparar muito antes de lê-los. Porque um conto como Negrinha é muito forte. 
Topo