21 de janeiro de 2019

Contos e crônicas lidos - Janeiro/2019

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Olá, queridos!

Não. Eu não tinha intenção de fazer resenha de cada conto lido este ano. Apenas pretendia cumprir minha meta de ler, pelo menos, doze contos e/ou crônicas em 2019, já que ano passado se li três foi muito. Todavia, eu fiquei tão impressionada com alguns que decidi criar um post mensal para falar dos contos/crônicas que tive a oportunidade de ler. 

- Comecemos pelo primeiro conto que li em janeiro. As honras foram do meu querido Machado de Assis com A Chinela Turca. Em 2017 eu fazia resenhas individuais dos contos presentes neste livrinho azul que vocês veem na imagem acima. É possível encontrar cada uma delas clicando aqui. Eu apreciei muito a experiência de falar sobre contos, mas depois parei de lê-los e assim as resenhas individuais chegaram ao fim. :( Mas voltemos ao presente conto.rs

Em A Chinela Turca temos um jovem numa noite normal da vida de um moço abastado, cuja maior preocupação é encontrar sua amada num baile. Só que no momento em que ele estava se preparando para sair um amigo de seu pai o visitou, meio que o intimando a ler seu manuscrito, vez que o indivíduo resolvera se tornar escritor de drama. Claro que ele poderia ter dito não, que estava de saída, mas o outro com sua lábia o convenceu a se atrasar para o compromisso. Você pensa que nada de mais vai acontecer. Que é apenas um conto do cotidiano. Só que as coisas dão tal reviravolta que no final ficamos de queixo caído. Pelo menos, eu fiquei.kkkkkkk.. Simplesmente chocada e encantada pela forma como o autor desenvolveu o conto para segurar a surpresa que seria o final. Foi um dos melhores contos que já li do meu amado Machado. 

- Depois eu migrei para o Monteiro Lobato e resolvi arriscar a leitura de Bugio Moqueado, mesmo sabendo que quase todo conto do autor termina de forma lastimável, ao ponto de nos deixar deprimidos, sabe? É só desgraça. Eu nunca tive a experiência de ler uma obra dele que não terminasse de uma forma a me deixar refletindo sobre as atrocidades e injustiças da vida. Todavia, acho que nenhum foi tão assustador quanto este. Fiquei com os braços arrepiados e verdadeiro pavor. E o pior foi que li à noite, o que é quase certo resultar em pesadelo. 

Não vou entregar nenhum segredo da história. Só digo que o personagem é um "ouvinte". Ele está participando de um jogo, então acaba por se distrair ouvindo uma conversa entre uns senhores que estavam próximos dele. Curioso para saber como a história da qual o homem estava recordando terminaria, ele se deixou levar e mal prestava atenção no jogo. Envolvido, nem percebeu o rumo que a história tomava e foi pego de surpresa como aconteceu comigo, quando o final chegou e foi digno de um filme de terror. 

Importante mencionar que o conto além de caminhar para o terror também aborda violência doméstica e racismo e pode ser uma leitura forte. 

"Pressenti um horror de tragédia, dessas horrorosas tragédias familiares, vividas dentro de quatro paredes, sem que de fora ninguém nunca as suspeite."

É um conto que impressiona e assusta. Não leria novamente. É muito bem escrito, envolvente, você não consegue abandonar, mas é uma história que agrada quem aprecia contos de terror. E como muitas das obras do autor, este conto pode ser polêmico. Mas antes de xingá-lo é necessário fazer uma segunda leitura (se a primeira não for suficiente) para compreender a crítica social, inclusive uma crítica ao racismo. Eu sei que provavelmente muita gente sabe que algumas obras do autor foram denunciadas como de conteúdo racista. Todavia, os contos Negrinha e Bugio Moqueado criticam abertamente a forma como eram vistas e tratadas as pessoas negras, as crueldades as quais eram submetidas até mesmo as crianças. São contos importantíssimos, embora este segundo tenha me deixado aterrorizada. Contos que mostram a cara de uma sociedade preconceituosa, de "cidadãos de bem" capazes das piores crueldades contra aqueles que eles não veem como seres humanos. Contos escritos tantos anos atrás (no século passado), mas ainda muito atuais em sua essência. 

- O terceiro conto que li foi A Princesa da Língua Bifurcada, presente no livro Contos Peculiares, do autor Ransom Riggs que ficou conhecido ao escrever a série O Lar da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares. Nunca tive coragem de ler a série, pois as capas e fotos me assustavam.rsrs Achei que uma maneira leve de conhecer as obras do autor seria através deste livro de contos e foi realmente uma escolha acertada. Porque amei este primeiro conto que li e ficou aquele "gostinho de quero mais", sabe? 

Ele conta a história de uma princesa peculiar, que possuía uma língua bifurcada e escama nas costas. Ela vivia de forma muito solitária e praticamente não falava com ninguém, exceto sua criada, que era a única a conhecer sua condição estranha. Ela morria de medo do que os outros poderiam pensar. Então, seu pai resolve prometê-la em casamento a um príncipe que ela jamais tinha visto, para poder unir os dois reinos e livrá-los de uma iminente guerra. Impressionado com a beleza que o rosto da jovem possuía, o príncipe apenas ficou incomodado com o fato da sua futura esposa não responder verbalmente suas perguntas, apenas balançava a cabeça. Não querendo começar o casamento com mentiras, a princesa resolveu conversar em particular com o noivo e revelar seu segredo, já que o mesmo afirmara que nada o faria mudar de ideia sobre o casamento. Pois bem. Ela contou e a reação dele foi a pior possível. A partir daqui não digo mais nada, pois é interessante se surpreender com os acontecimentos subsequentes. É uma história que nos faz refletir sobre o tratamento que muitas pessoas recebem de sua família, amigos e desconhecidos apenas por serem diferentes, por não se encaixarem em determinados padrões. Acho que o final pode desagradar algumas pessoas, mas eu gostei. Tinha que terminar assim. 

- Dias depois eu resolvi apostar nos contos infantis dos Irmãos Grimm. Li A Princesa e o Sapo ou Henrique de Ferro, que provou ser muito diferente da versão que eu conhecia da Disney. Confesso que detestei o conto, a forma como a tal princesinha era mimada e seu egoísmo me irritaram. Sem mencionar que o próprio sapo não era muito melhor que ela. No fundo, até se mereciam. E também não consegui compreender se a princesinha era uma jovem ou uma criança e por isso o final me deixou um tanto perturbada. 

Já o conto Rumpelstiltskin é bem parecido com a versão que eu conhecia, embora com algumas pequenas alterações. Por ter acompanhado durante anos a série Once Upon a Time acabei por me interessar por esse conto e procurei mais informações sobre ele. É uma história envolvente, mas com final macabro. A história gira em torno da filha de um moleiro que, para impressionar o rei (ou sei lá se tinha outros motivos) decidiu inventar que a garota possuía o poder de transformar palha em ouro. Então, o rei a tranca e ameaça sua vida, caso ela não consiga cumprir o que seu pai prometeu. A jovem, obviamente, entra em desespero, pois nunca tinha transformado palha em ouro em toda sua vida. É quando o duende Rumpelstiltskin aparece e em troca de um objeto que ela possuísse decide fazer o serviço no lugar dela. E a partir daí o conto segue. 


Depois de ter me encantado com os contos acima resolvi apostar nas crônicas de um autor do qual eu apenas ouvia falar: Caio Fernando Abreu. E, meu Deus do céu!, onde eu estava para ainda não ter lido nada dele?! 

Comecei pela crônica Pequenas e grandes esperanças. Nela o autor fala de como nós costumamos considerar os anos que se passaram como melhores que o que estamos vivendo no momento. "Nossa, os anos 70 eram tão maravilhosos!" ou "Nenhum ano foi tão perfeito quanto o ano tal" e existe realmente muita verdade nisso. Costumamos olhar para o passado com nostalgia, mas muitas vezes enquanto vivíamos determinado ano não o valorizávamos ou não o considerávamos o mar de rosas que pensamos quando ele se tornou algo concreto, pertencente ao passado. Sempre valorizamos aquilo que já se foi. Do mesmo jeito que fazemos quando perdemos um ente querido, não é mesmo? 

Li também a crônica Pequenas epifanias, na qual o personagem fala do presente que ganhou de Deus - ou o que consideramos Deus - uma possibilidade de amor. E o que tal sentimento lhe provocou, como tudo aquilo era bom, o simples sentir algo, mesmo que não se pretendesse levar nada adiante. 

Então estes foram os cinco contos e as duas crônicas que li em janeiro. Mas, Luna, o mês ainda não acabou!rs Isto é certo. Todavia, sei que não lerei mais nenhum conto ou crônica este mês, pois tenho que correr para concluir algumas outras leituras. :)

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

11 comentários:

  1. Oie,
    Minha nossa quanta coisa. hahahahaha
    Bugio Moqueado eu li isso a muito tempo, não lembro da história, mas o nome é marcante. Levando em consideração que o conto em si parece bem lastimável mesmo, acho que no momento eu nem ia ler.
    A Princesa da Língua Bifurcada eu li ele e tive uma visão um pouco parecida com a sua, acho que a sociedade em si não curte aceitar pessoas diferentes, o que é um desperdício... São essas que fazem a diferença no Mundo.

    Caio Fernando Abreu... Leia "Margarida Enlatada" Eu sou apaixonada por Caio desde muito nova. Pequenas Epifânias é maravilhoso, sempre que alguém me pede indicação de contos ou crônicas indico ele, sei lá, esse homem entre dentro de mim, muito bom saber que alguém se impressionou com ele ♥

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  2. Nossa, super me interessei pelos contos do Machado de Assis. Vira e mexe eu lembro que ele escreveu contos, mas cadê que leio? rsrs
    Não sou boa leitora de contos, gosto mesmo é de histórias maiores e mais completas (ou complexas), mas encaro de vez em quando, pra mudar um pouco.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  3. Olá!

    Também só ouço falar do Caio, mas nunca tive experiência nenhuma com sua escrita, uma vergonha.
    Tenho curiosidade em ler o conto dos irmãos Grimm, falam tão bem de suas histórias que eu não sei por que ainda não li.
    Eu sou apaixonada por contos, é sempre bom conhecer mais alguns!

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  4. Adorei seu post! A Chinela Turca é meu favorito do Machado, fiz ate um ensaio sobre o conto e realmente o final é de deixar de queixo caído hehe
    Alguns textos do Monteito Lobato fora do universo do sítio realmente são bem tristes, ainda não superei a história da Negrinha :(
    Os contos verdadeiros de Grimm são realmente macabros, só o Walt Disney pra conseguir deixar as mesmas histórias fofinhas rsrs
    Ja ouvi falar dos contos peculiares e do Caio Fernando Abreu, mas ainda não li nada deles. Falar nisso, preciso ler mais contos também. Ando deixando o gênero meio de lado ultimamente.

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  5. Mulher, eu fico simplesmente abismada com a quantidade de coisas que você lê, imagino o quão organizada você deva ser por conseguir ter um ritmo tão bom assim hahaha não sou tão apegada aos contos e crônicas mas de certo modo você me inspira.

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  6. Olá!
    Quantas leituras maravilhosas. Confesso que ainda não li nenhum, mas já ouvi muito sobre os contos dos irmãos Grimm, que me chama até um pouco mais de atenção por mesclar terror, aventuras e fantasia.
    Se tivesse que escolher qual iniciar, certamente daria chance a ele.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  7. Olá, tudo bom?
    Preciso seguir seu exemplo e ler mais contos viu? Eu fiquei super curiosa com esse conto do Monteiro Lobato, para ver a forma como a violência doméstica e o racismo são tratados na obra.
    Outro conto que chamou muito minha atenção foi o do Machado, que é um dos meus autores favoritos. Esse eu ainda não li, mas também quero ser surpreendida por seu desfecho.
    Quanto ao caio, estou com aquele livro lançado pela companhia com vários de seus contos. Já anotei aqui os que citou em seu post e espero poder começar a ler em breve. Amei a resenha dos contos ♥♥
    Beijos!

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  8. Oi!
    Não tenho muita paciência para ler contos e crônicas (tenho ideia do motivo).
    De todos o único que conseguiu despertar minha atenção foi os contos infantis dos Irmãos Grimm, sempre ouvi falar que alguns contos são bem diferentes da história que conhecemos e adoro esse tipo de versão. Vou tentar ler a princesa e o sapo já que é uma das histórias que mais gosto.
    Abraços

    <a
    Href=http://ww

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  9. Olá Luna!!!
    Eu tenho um certo problema com a leitura de crônicas e contos, pois não consigo me prender.
    Na verdade dos contos que você citou, talvez eu só leia os contos das crianças peculiares pois tenho o livro aqui em casa.
    Porém, sei que Machado é um ótimo contista já li alguns contos dele e fico feliz que você o ame tanto. Na verdade, dele prefiro seus romances mesmo.

    lereliterario.blogspot.com

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  10. Olá
    Ainda não tive a oportunidade de ler nenhum dos livros que você citou, mas fiquei curiosa com o conto do Rumpelstiltskin, assim como você assisti Once Upon Time e é um personagem quee disperta curiosidade. Por mais que eu não seja fã de nada voltada ao terror fiquei curiosa com esse conto do Monteiro Lobato.
    Adorei esse post.
    Beijso

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  11. Olá,
    Em 2018 li vários livros de contos, este ano pretendo fazer o mesmo, afinal contos sempre nos animam após leituras mais longas. Suas escolhas aqui foram muito bem escolhidas, principalmente por Caio e Machado que tem seus contos mais encantadores publicados nessas coletâneas. Te indico ler a maior quantidades de contos possiveis.

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