21 de fevereiro de 2019

Antígona - Sófocles

Tempo de leitura:
(Tradutor: Jean Melville
Editora: Martin Claret
Edição de: 2013)


Sófocles foi, juntamente com Ésquilo e Eurípedes, um dos maiores poetas dramáticos da Grécia antiga. 
Sua obra-prima é Édipo Rei (c. 430), que o consagrou como o maior trágico da antiguidade grega. A peça narra a tragédia do homem que, perseguido pelo destino traçado pelos deuses, mata o pai e casa-se com a mãe. 
Antígona (c. 442) é a tragédia da boa filha que morreu por obedecer aos mandamentos divinos em contraposição à vontade despótica de um tirano. 
Seu tema predileto, como o de toda tragédia grega, era o destino. Sófocles, embora tivesse o homem como o centro do mundo, acreditava no poder dos deuses e na predestinação. 


Palavras de uma leitora...


- Eu já resenhei Édipo Rei aqui no blog. Foi em 2017, quando enfrentei meu problema com peças teatrais e arrisquei a leitura de um clássico tão importante, que eu já conhecia desde a época da escola. Embora tenha apreciado muitíssimo a leitura e visto como as obras de Sófocles são diferentes das de Shakespeare, sendo muito mais agradáveis e envolventes, eu tive dúvidas se de fato conseguiria ler Antígona, outra história que eu já conhecia e que me provocava enorme fascínio. 

Me apaixonei por Antígona na faculdade, ainda que já tivesse ouvido falar da história antes. Era o meu primeiro período e um professor maravilhoso chamado Getúlio (só tive aula com ele durante um semestre, mas nunca pude esquecê-lo, pois era aquele tipo de professor que realmente transmitia conhecimento) um dia apareceu na sala de aula contando uma história. Eu fiquei fascinada, louca para saber como tudo terminava, mas ele interrompeu a narrativa antes de nos revelar o fim de Antígona (embora a sinopse deste livro tenha feito a questão de soltar spoiler) e nunca consegui esquecer aquela história e a injustiça de uma lei que contrariava aquilo de mais forte que temos dentro de nós. O professor naquele dia nos deu uma aula sobre direito natural. Antígona foi a introdução. 

Mas antes de falar de Antígona (atenção para a possibilidade de spoiler a partir de agora!!!) é necessário relembrar a história de Édipo e de seu pai, Laio. Muitos anos antes uma maldição foi revelada ao rei Laio e sua esposa Jocasta. Segundo o Oráculo, o filho deles seria o assassino do pai e viria a se casar com a própria mãe. Atormentados por tamanha monstruosidade, resolveram se desfazer do filho recém-nascido, o entregando para outra pessoa, para que o bebê fosse assassinado. Édipo não morreu, mas sim foi adotado, desconhecendo por completo a realidade de seu nascimento, acreditando que seus pais adotivos, de quem só recebeu amor, fossem seus pais biológicos. 

Acontece que Édipo também recebeu uma previsão parecida: de que seria o assassino do pai e marido da mãe. Desesperado, ele fugiu de sua família e foi para bem longe, na tentativa de contrariar o destino. Ocorre que durante a fuga acaba por esbarrar num desconhecido e matá-lo. Aquele homem era seu pai biológico, embora ele não tivesse a mínima noção. Cumpria assim a primeira parte da profecia da qual tanto tentara fugir. Tempos depois, se casa com a viúva de Laio, Jocasta. Ironia do destino, não é mesmo? 

Num determinado momento da história, já pai dos filhos de Jocasta, Édipo descobre a terrível verdade e, tomado por grande dor, fura os próprios olhos. Jocasta, não podendo viver com uma verdade tão cruel, se suicida. Da relação deles dois nasceram quatro filhos: Etéocles, Polinices, Ismênia e Antígona. Quatro crianças amaldiçoadas desde o nascimento por serem frutos de uma relação incestuosa, sendo a mãe Jocasta também sua avó e o pai Édipo também seu irmão. 

- É claro que depois de tudo isso a história de Antígona não poderia ser feliz. :( A morte de seus pais e a realidade daquela relação afetou drasticamente sua vida e ela viu como castigo o que se sucedeu depois: a morte de seus dois irmãos, um pela mão do outro. Mas, independentemente de tudo, uma certeza ela tinha em seu coração: jamais trairia sua família, não importava se as leis dos homens determinassem tal traição. Seria fiel sempre às leis divinas e por isso enterraria o seu irmão, ainda que por isso pagasse com a própria vida. 

"Agora, saiba que Creonte concedeu a um deles as honras da sepultura, negando-as ao outro. Parece que sepultou a Etéocles, com todos os ritos que a justiça recomenda, garantido-lhe assim um lugar condigno no Hades, enquanto proibiu aos cidadãos que encerrem o corpo de Polinice em um túmulo e que sobre este derramem suas libações e lágrimas. Exige que nosso irmão permaneça insepulto, sem homenagens fúnebres, e entregue aos abutres."

Isso porque, tempos após a morte de seus pais, Etéocles e Polinice travaram uma batalha. Enquanto o primeiro lutou por Tebas e sua família, o segundo traiu a própria pátria e durante o enfrentamento um acabou por matar o outro. Com a morte dos dois herdeiros, Creonte, irmão de Jocasta, ficou com o trono que tanto desejava. Então, ele determinou que Etéocles fosse enterrado com todas as honras merecidas, para que tivesse uma boa passagem desta vida para o mundo dos mortos. Todavia, o traidor Polinice foi condenado a sequer receber um sepultamento. Seu corpo deveria ficar abandonado pelo caminho e ser comido pelos animais. Um castigo muito sério e que violava o sagrado, sobretudo considerando o quanto os ritos fúnebres e as devidas honras aos mortos eram importantes. Algo que nem mesmo os deuses poderiam impedir. Creonte decretou, ainda, que qualquer um que ousasse contrariá-lo e desse um sepultamento ao seu inimigo seria condenado à morte por apedrejamento. Uma lei que não limitou Antígona que, fiel ao seu direito natural de enterrar o irmão, enfrentou o tio e o desobedeceu. 

- É claro que não seria necessário nem spoilers para que soubéssemos como esta história vai terminar. Todavia, não lhes contarei tudo. Basta que lhes diga que eu desejei que as coisas tivessem sido diferentes. 

"Faça o que quiseres, obedece a teus senhores. Eu sepultarei meu irmão!"

Antígona desperta nossa admiração por sua força e coragem numa época extremamente injusta. Ela sabia que era mulher e como tal sequer seria ouvida. Mas não se importou com nada. Defendeu aquilo no que acreditava, seu direito natural, o mais básico e intrínseco a todo ser humano. Ela não precisava de leis que lhe dissessem se seu irmão merecia ou não ser amado e muito menos se ele merecia um sepultamento. No fundo do seu ser ela sabia que aquilo era bom, aquilo era justo e uma lei que contrariasse a verdadeira justiça não deveria ser obedecida. Mesmo sabendo quais seriam as consequências ela não desistiu, pois cabia a Hades receber e julgar seu irmão e à ela garantir que ele tivesse uma boa passagem. 

"Decretos como o que proclamaste, eu, que não temo o poder de homem algum, posso violar sem merecer a punição dos deuses!"

- Quando é descoberta pelos guardas de Creonte, seu tio e algoz, Antígona não nega as acusações. Ela o enfrenta diretamente, protagonizando uma das melhores cenas desta peça. É de causar realmente uma grande admiração! Ficamos de queixo caído com sua força, com a fúria de seu amor e a aceitação das consequências, pois qualquer coisa para ela era preferível a conviver com a consciência de que tinha virado as costas para o próprio irmão. Seria melhor morrer praticando a justiça do que viver sabendo-se cúmplice da maldade. Num dos trechos do livro ela diz que seria muito mais grave (do que violar uma lei terrena) aceitar que o filho de sua mãe "jazesse insepulto". Porque não sepultar um morto era um pecado muito grave. Era ferir a si mesmo, violar algo mais forte que os próprios deuses, visto que um trecho do livro remete ao "fato" de que nem sequer os deuses podem impedir que alguém receba as honras fúnebres para uma boa passagem para o mundo dos mortos, independentemente do que a pessoa fez em vida, visto que no Hades será recebido e julgado para então ser condenado por seus erros, se for o caso. 

"Se julgas que cometi um ato de demência, talvez mais louco seja quem me acusa de loucura!"

Mesmo contando com o apoio silencioso dos cidadãos tebanos e dos próprios conselheiros do rei, Antígona é julgada e condenada por Creonte, não importando o que qualquer pessoa tivesse a dizer ao seu favor. E como além de ter sido a única a se atrever a revoltar-se contra sua lei, ela também era uma mulher, a fúria do governante é ainda maior, pois era inadmissível que uma mulher ousasse se levantar contra ele. Portanto, ele condena Antígona a ser enterrada viva e assim servir de exemplo para que ninguém mais se atrevesse a enfrentá-lo. 

"Contudo, um dos privilégios da tirania é justamente dizer e fazer o que quiser."

A jovem, condenada por um ato de amor, não era "apenas" sobrinha do rei. Era também sua futura nora, uma vez que era noiva do seu filho mais novo, Hêmon. Assim, não pensem que a história termina com a condenação de Antígona (eu disse que ela foi condenada, mas em momento algum revelei se a sentença chega a ser cumprida; não pensem que os spoilers da sinopse são suficientes para saber como a história termina). Muitas coisas ainda acontecem e vozes que antes se calaram para defendê-la decidem interceder por ela não só porque toda Tebas odiava o rei em silêncio e simpatizava com a dor de Antígona, como também as leis de Creonte violavam o sagrado. Assim, ninguém queria ver Antígona morrer e uma nova maldição atingir a cidade por culpa de um rei tirano. 

"ANTÍGONA - Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor!
CREONTE - Desce, pois, ao Hades!... Se queres amar, ama aos que lá encontrares! Enquanto viver, nenhuma mulher me dominará!"

- É muito fácil odiarmos o Creonte. Ele é um ser desprezível, amante do poder e que governa pela tirania. No enfrentamento entre ele e a sobrinha, ela esclarece o ponto da suposta traição de Polinice, ao ressaltar que ele não traiu sua pátria ou sua família, mas sim lutou contra Creonte e a morte de Etéocles foi resultado disso, pois este lutava por Creonte, por acreditar no tio. Desta forma, ela considera o tio culpado pela morte de seus irmãos e diz que nem mesmo Etéocles concordaria com o tratamento que ele dispensava ao corpo de seu irmão. Que ele iria querer que Polinice fosse sepultado. O rei fica possesso não só pelo "crime" que Antígona cometeu contra ele, mas por todo o atrevimento dela ao lhe lançar tantas verdades na cara em vez de suplicar por piedade. Como ela, sendo uma mísera mulher, podia ousar tanto? Além de tirano, era explicitamente um machista, considerando as mulheres seres inferiores e que mereciam castigos maiores que os homens ao "errarem". 

"Ela que implore a Zeus, o deus da família!"

- Cego pelo poder que recebeu ao se tornar rei, Creonte se considerava alguém acima dos Céus e da Terra e mesmo se dizendo temente aos deuses, os desafiava abertamente, como se acreditasse que punição nenhuma poderia recair sobre sua cabeça. Criou leis que sabia que eram inadmissíveis e condenou a própria sobrinha à morte apenas porque não suportava que alguém o contrariasse, muito menos se a pessoa fosse mulher. É claro que isso terá consequências, pois se tinha uma coisa que o autor desta história acreditava, e muitos gregos também, era no poder dos deuses e do destino. 

"Cede, pois, diante da majestade da morte: não profanes um cadáver! Para que matar, pela segunda vez, a quem já não vive?"

- Se eu pudesse leria todas as peças que Sófocles escreveu, mas boa parte de suas histórias se perdeu. Ele escreveu mais de cem peças, sobrevivendo ao tempo apenas sete delas. :( É muito triste, pois desde que li Édipo Rei me apaixonei por suas obras e Antígona me tornou fã incondicional deste grande dramaturgo. Embora eu não pretenda tornar a leitura de tragédias um hábito (risos), pois realmente não tenho psicológico para ler tantas desgraças, não posso negar que fico impressionada com o talento dele, como suas histórias são envolventes e permanecem tão importantes nos dias de hoje, sendo objeto de vários estudos, e encantando novos leitores. 

Como vocês sabem eu peguei antipatia pelas obras de Shakespeare, uma vez que me parecem sempre muito bobas e exageradas. Já tinha me estressado ao ler Romeu e Julieta, mas a gota d'água veio com Hamlet. Reconheço a importância dele, mas definitivamente não aprecio seu trabalho. Suas histórias apenas me irritam. E lendo Sófocles eu percebo que meu problema não é com as peças de teatro em si, mas com as de Shakespeare simplesmente. Porque o Sófocles eu amo! 

- O final de Antígona me deixou muito triste. Eu já sabia como terminava por conta dos spoilers existentes na sinopse e num comentário presente nesta edição, mas mesmo assim fui atingida pelas cenas finais, que me deixaram com os olhos cheios de lágrimas. Aquelas cenas me recordaram Tristão e Isolda, bem como a obra que detesto Romeu e Julieta, embora a peça de Shakespeare tenha sido escrita séculos (literalmente) após Antígona

"A vida é breve, e um erro traz sempre um erro. Desafiado o destino, tudo será destino. E aos mortais não cabe evitar as desgraças que o destino traz."


Com a leitura deste livro cumpri dois desafios:

- O do canal Literature-se, cujo desafio do mês era ler uma tragédia;
- e o desafio ler clássicos

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

12 comentários:

  1. PAREBENS PELA RESENHA .QUE BOM QUE VOCE CUMPRIU MAIS UMA META LITERARIA ,NUNCA LI LIVROS ASSIM MAIS DENSOS TRAGICOS E VOCE TROUXE UM CONHECIMENTO DESSA OBRA QUE ME SÓ ME RESTA PARABENIZA-LA

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  2. Olá, Eliane!

    Muito obrigada pelo carinho, flor! :)

    Eu tenho tentado apostar em gêneros diferentes e sair da zona de conforto, sabe? Mas te confesso que não quero ler muitas tragédias, não.rsrs São histórias riquíssimas, importantes, mas que nos deixam tristes, pensando nas injustiças da vida.

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  3. Oie,
    Vou falar uma coisa, nunca gostei muito de Sofocles, sempre achei as relações familiares dele bizarra e ás vezes bem assustadoras. Principalmente em Édipo Rei.
    Antigona nunca li, meus amigos da faculdade sempre acharam essa tragédia mais intensa do que Édipo, devido ao sofrimento e tudo mais, como tu falou no final recorda muito alguns casais bem trágicos.
    Quem sabe um dia eu dê uma chance e leia mais de Sofocles e tire um pouco esse trauma que tenho dele.

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  4. Oii, tudo bem?

    Já tinha ouvido falar da história, mas até então não peguei para ler. Gosto dessas tramas trágicas, e já estou super curiosa para ler esse livro.
    É uma pena que você não goste de Shakespeare, eu adoro as obras dele.

    Vou colocar o livro na minha lista de desejados.
    Obrigada por compartilhar, eu amei sua resenha!!
    Beijinhos!!

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  5. Estou extremamente abismada com essa relação incestuosa, o próprio filho teve mais quatro filhos com a própria mãe e matou seu pai biológico, é muita coisa para minha cabeça, definitivamente não é um livro para mim.
    Sorte que Antígona é mais "madura" em relação as suas escolhas e não segue a tradição da família.

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  6. Ana Caroline, não foi uma questão de falta de maturidade de Édipo ou seguir alguma tradição. Édipo não teve escolha. Na verdade, quando lhe foi revelado que por conta de uma maldição ele se casaria com a própria mãe e mataria o pai, Édipo tentou fugir do destino. Tentou de todas as formas. Não matou o pai consciente de que era seu pai. E nem se casou com a mãe sabendo que era sua mãe. Ele desconhecia seu parentesco com essas pessoas.

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  7. Olá!

    Eu não sou de ler clássicos, preciso melhorar essa questão e incluir nas minhas metas de leitura.
    Fiquei com a impressão de uma leitura intensa e quem diria que em se tratando de clássico não teríamos tantos elementos que deixam o leitor pensativo, chocado. Pelo visto temos muito romance, traição, aventuras, relacionamentos conturbados.
    Vou anotar a dica para conhecer essas leituras, pois apesar de ouvir falar em Édipo Rei não conheço sua história.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  8. Oi, Luna.
    Amei a resenha de hoje. Não é todo dia que a gente se depara com um texto sobre um livro clássico e me deliciei acompanhando suas impressões. Me deu a maior vontade de ler o livro!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  9. Li essa peça duas vezes. Da primeira achei cansativa e chata e tenho certeza que foi lida em um momento inapropriado. A segunda vez foi uma experiencia gloriosa e eu adorei a sua resenha. me fez lembrar do quanto eu gostei de ter dado uma segunda chance.
    beijos

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  10. Oi, amei saber um pouquinho sobre tragédias, algo que até então eu não tinha pensado em ler. Acho que não conhecia Antígona ainda, apesar de já ter ouvido falar em Sófocles. Sua resenha ficou ótima.

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  11. Oi, Luna!
    Nossa, li Antígona na faculdade e também gostei muito! Também fiquei muito triste pelo final e não tinha relacionado ainda a Tristão e Isolda, mas é bem por aí.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  12. Oi.

    Eu nunca tinha ouvido falar nessa história
    Isso mostra que eu preciso conhecer mais ainda do mundo literário. A narrativa parece ser ser muito boa e sua resenha está excelente. Fazia muito tempo que não liga uma resenha tão bem escrita e detalhista como a sua.

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