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4 de março de 2025

A Guerra das Rosas - Shannon Drake (segunda leitura)

 

Literatura norte-americana
Título Original: Lie Down in Roses
Tradutor: Luís Fernando Martins Esteves
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2005
Páginas: 314

1ª leitura de 2025

Sinopse: Valeria a pena pagar o preço da inocência para salvar sua terra?!

Eles nasceram para ser inimigos e destinavam-se a ser amantes... personagens de um perigoso jogo de intriga e paixão em que o preço era a inocência de uma mulher... e o prêmio era o coração de um homem!

A bela e voluntariosa Genevieve faria qualquer coisa para salvar seu amado castelo de Edenby... até partilhar o nome – e a cama – com seu mais traiçoeiro inimigo. Ele era lorde Tristan de La Tere, cavaleiro e nobre. Magnífico na batalha, liderou por terra seu exército invasor, apenas para se tornar prisioneiro do charme sensual da donzela que secretamente tramava sua destruição...


                Releituras nem sempre dão certo...rs A Guerra das Rosas foi minha primeira leitura de 2025. Levei apenas 24 horas para concluir o livro, entre 09 e 10 de janeiro, mas demorei para vir até aqui escrever este post não só pela correria do dia a dia... Tive alguns problemas com este romance que, em 2012, me encantou completamente e me fez dar 5 estrelas e incluí-lo na minha lista de favoritos sem pensar duas vezes. Mais de uma década depois, ao relê-lo, não consigo ver a história com os mesmos olhos e isto me deixou um tanto triste.kkkkk Porque eu lembro de ter amado profundamente este livro, gente! E perceber todos os seus problemas agora me deixou um pouco abalada.kkkk

                A verdade é que, ao reler minha resenha (link para a resenha aqui), percebo que enxerguei todos os problemas do livro ainda em 2012, mas que "passei pano" para o mocinho e para todas as questões intoleráveis. Também sei que já fiz isso com outras obras ao longo da minha vida como leitora e que muitas vezes expliquei meus motivos nas próprias resenhas, geralmente separando ficção de realidade, ou seja, deixando claro que não é porque tolero algo na literatura que faço o mesmo na vida real. Claro que não! Só que... Existem coisas que não está dando para tolerar nem na ficção, queridos! Que não consigo mais engolir. A Luna de hoje está menos tolerante com certas narrativas, certas cenas... com a permissão dada para os mocinhos das histórias agirem como quiserem e as mocinhas (e também nós leitores) perdoarem. 

                Quem é leitor mais antigo do blog, sabe que sou uma fã incondicional da série Lei e Ordem - Unidade de Vítimas Especiais, que acompanho desde o início da minha adolescência. Já deve ter uns dezessete anos que conheço e assisto esta série maravilhosa, tão sensível e humana, que aborda crimes sexuais, agressões físicas e assassinatos, geralmente cometidos contra mulheres e crianças. Nela, vemos a luta dos detetives e da promotoria para que as vítimas consigam justiça. A série está atualmente em sua 26ª temporada e já assisti todos os episódios de todas as 25 temporadas anteriores, estando em dia com a temporada atual. A Luna que tem esta série como a sua favorita de toda a vida, não pode ser a mesma Luna que vá ficar passando pano para violências do tipo em supostas histórias de amor. 

                Eu estou muito cansada de livros assim. Entendo que ele foi escrito na década de 80, uma época totalmente diferente da que vivemos hoje, quando muitas coisas eram consideradas aceitáveis, na literatura e fora dela, mas são livros que não se encaixam mais na minha vida. Que li muito no passado, que estiveram bem presentes em minha adolescência e parte da vida adulta, que passei pano sim muitas e muitas vezes, até porque era muito nova e sonhadora, acreditando que a suposta redenção do personagem ao final do livro o tornaria digno do perdão da mocinha para viverem felizes para sempre. Eu entendo tudo isso e respeito muito a Luna que fui e tudo o que senti ao ler cada livro e escrever sobre eles. Tudo foi válido e contribuiu para minha formação como pessoa. Guardo com muito carinho cada um desses momentos, dessas experiências, dos livros e das resenhas. Nunca apagarei nenhuma dessas resenhas e nem excluirei tais livros das minhas memórias. Só não funcionam mais para a Luna de hoje. Não cabem mais no meu presente. 

                Mas, Luna, você está falando como se soubéssemos exatamente quais problemas existem no livro, como se soubéssemos do que você está falando! Claro que não sabem, por isso está na hora de explicar por que me decepcionei muito ao reler A Guerra das Rosas. Cuidado com os spoilers abaixo! Se não quiserem spoiler, parem de ler agora! 

                Este post não é uma segunda resenha sobre a história. Apenas estou comentando os motivos pelos quais reler A Guerra das Rosas me deixou um gosto amargo. 

                No livro temos uma situação de "inimigos que se apaixonam". Os protagonistas defendem lados opostos de uma guerra que ficou conhecida como a "guerra das rosas" no século XV. Tristan sofreu uma grande e terrível perda durante essa guerra, pois o rei que ele defendia ordenou a morte de toda a sua família, de forma bastante cruel. Ele, então, passa a lutar do outro lado, mas a família de Genevieve continua do lado "errado". Por conta desta lealdade, as terras da família dela acabam invadidas, o pai e o noivo dela são assassinados e ela se torna escrava dentro de sua própria casa, que passa a pertencer ao Tristan. É uma situação caótica e entendo perfeitamente toda a revolta e busca por liberdade da mocinha. Eu nunca aceitaria viver tudo aquilo. Também lutaria, também tentaria fugir. 

            Mas... Como é um romance, a mocinha acaba se apaixonando pelo mocinho, apesar de acreditar que foi ele quem matou seu pai e seu noivo durante a invasão das terras. E é por acreditar que ele foi o responsável que ela luta contra esse sentimento. Ela não vive uma situação fácil, é prisioneira em sua casa, está sempre sendo trancada no quarto por ele... Tem todos os motivos para lutar contra a síndrome de Estocolmo/suposto amor que ele despertou nela. E então ela fica grávida... 

                 Tristan tinha passado meses fora por seus negócios na guerra. E quando ele retorna, a barriga dela já está aparecendo. Ele percebe que ela está grávida. Como a reação dele é uma das piores possíveis, a mocinha sente uma insegurança e um desespero muito grande e acaba falando algo sem pensar, como se tentasse SE DESCULPAR por estar grávida. Sim! Ele a fez se sentir tão horrível, que ela sentiu culpa por ter engravidado, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E o que ele faz quando ela diz algo sem pensar? DÁ UM TAPA NO ROSTO DELA!!! Sim!!! Pensem em como meu sangue ferveu quando eu li tal cena! Sinceramente, eu não sei o que se passava pela minha cabeça no passado para ter perdoado tal coisa! Como eu disse, não vou julgar a Luna de mais de treze anos atrás, mas é difícil de entender que eu tenha dado cinco estrelas e favoritado tal livro! 

                Diante do que o Tristan fez, a Genevieve surtou, com toda a razão do mundo! Só que ela ficou tão descontrolada que não pensou em nada e fugiu. De um modo bem desesperado, quase resultando em sua morte. Ele consegue detê-la, se mostra muito arrependido, diz que nunca mais iria fazer tal coisa e ela, fragilizada pela situação na qual estava, sem ter para onde ir e apoio de absolutamente ninguém (nem da tia dela, que era sua única parente viva), acaba ficando e tentando se conformar com sua vida. Mas este não será o único episódio de violência do Tristan contra a Genevieve. A promessa de não repetir a violência é logo esquecida quando ele acredita que ela fez algo contra ele. Quando tal cena acontece, Genevieve já deu à luz, está com o bebê muito pequeno ainda, e ele a derruba com um tapa simplesmente por tirar as próprias conclusões sobre algo que aconteceu e que nem era culpa dela. Ainda que fosse! Nada dava a ele o direito de agredi-la!!! 

                    É tanta coisa inaceitável que tem nesta história! A própria cena do casamento deles é uma violência, porque ela não queria casar. E todos a forçam a isso. Literalmente. Até a tia dela. O padre sabe que se trata de um casamento forçado, porque ela é arrastada até o local da cerimônia, o Tristan mantém a mão na boca dela para impedi-la de dizer qualquer coisa e todos ali presentes assinam como testemunhas de que ela queria casar, sabendo que tudo foi forçado, que ela foi literalmente arrastada e impedida de dizer que não queria o casamento. Quando tudo termina, ela diz para o padre que não era válido, e ele diz que foi tudo válido sim, que ele diria que o casamento era válido. Foi uma cena tão bizarra e revoltante! 

               Eu preferia não ter relido este livro, sinceramente!kkkkk Porque eu tinha uma memória afetiva, guardava a história com carinho no meu coração. E relê-la mudou tudo. Porque enxerguei CLARAMENTE tudo que tem de errado nela, todas as situações de violência e desrespeito, tudo o que tem de revoltante no livro. E isto, é claro, matou a história no meu coração. O que doeu bastante. Quem é leitor apaixonado por livros como eu, que mergulha por inteiro nas histórias e vive tudo com os personagens, pode entender como me sinto. Quando guardamos livros no nosso coração e depois os relemos e percebemos que nada era como tínhamos lido da primeira vez, isso machuca. Senti uma tristeza muito grande ao concluir a releitura. Preferia não ter passado por isso. 

                 Por respeito à Luna que leu esta história no passado e a amou profundamente, eu não reavaliei o livro. Deixei com as estrelas que tinha dado treze anos atrás. 

                    E é isto, queridos! Este ano só concluí a leitura de 3 livros até agora e não foram boas experiências.kkkk Pretendo trazer a resenha dos outros dois em breve! 


Bjs! 


22 de fevereiro de 2023

Vida em Leilão - Barbara Delinsky


 
Título Original: Finger Prints
Tradutora: Elsa Joana Frezza
Editora: Nova Cultural
Edição de: 1986
Páginas: 258

Sinopse: Uma espessa neblina cobria as ruas de cinza, ocultando perigos, fazendo Carla tremer de medo, o coração batendo forte no peito. Não havia dúvida: alguém a seguia em meio à névoa, certamente o assassino que a iria punir por ter delatado um homem poderoso. Não adiantara disfarçar-se e trocar de nome; ele a encontrara! Desesperada, Carla apressou o passo, ouvindo ainda atrás de si a respiração ofegante de seu perseguidor. E chegou a seu prédio quase sem sentir, para encontrar ali um desconhecido que a amparou nos braços. Oferecia-lhe proteção ou... morte?

A luta de uma mulher para recuperar sua identidade, seu direito de amar. 




Não me lembro do dia em que comprei este livro. A data anotada na primeira folha informa que o adquiri em 23.01.2014, mais de nove anos atrás. E somente no mês passado tive vontade de apostar nesta leitura. O que se mostrou uma ótima escolha, pois é um livro que me fez muito bem, num momento da minha vida em que me sinto sobrecarregada, por todos os lados. Invadida por um estresse que tem prejudicado, inclusive, a minha saúde. 

Sei que preciso relaxar mais (falar é fácil!), manter a calma diante das situações que me tiram o sossego e adquirir equilíbrio emocional. Mas na prática tudo é mais complicado, ainda mais quando lido há tantos anos com o transtorno de ansiedade generalizada. Quem sofre do mesmo mal com certeza me entende. Cada dia é uma luta. Tudo é mais difícil, mais desgastante. Para estar bem é preciso lutar muito. E a luta constante é imensamente cansativa. 

Assim, na tentativa de melhorar o meu emocional, que vem afetando muito a minha saúde física, eu decidi ler um romance que aparentava ser "leve", diferente dos livros que eu vinha lendo nos últimos meses. Também resolvi assistir a série Diários de um Vampiro, que marcou a minha adolescência, apesar de naquela época eu não ter passado da primeira temporada. Mas eu queria finalmente assistir, até o final. Era uma lembrança do passado, da minha adolescência, de um período que eu queria recordar. 

Vida em Leilão foi uma leitura que deu certo. Que funcionou perfeitamente para mim, apesar de ser uma história bem simples, sem grandes reviravoltas e acontecimentos impactantes. Era justamente o que eu precisava. Um romance leve e fofo, para "sonhar acordada". 

Nele conhecemos Carla Quinn, uma jovem professora de 29 anos, que vive uma vida de mentiras.... de disfarce. Seu nome verdadeiro era Robina Hart e ela era repórter em Chicago, até testemunhar um terrível incêndio e que um dos principais responsáveis era um homem extremamente poderoso. 

Seu testemunho poderia colocá-lo na cadeia por muitos anos, e, disposto a impedir que isso acontecesse, o referido homem não hesitou ao contratar um assassino de aluguel para eliminar "o problema". 

Após a tentativa de assassinato, Carla foi colocada no programa de proteção às testemunhas, e teve que largar toda a vida que conhecia até então, incluindo sua família e amigos, e mudar de cidade, de aparência, de profissão. 

Tudo era muito triste e solitário. Ela não conseguia aceitar sua nova vida, todas as mentiras que precisava contar todos os dias... sem mencionar o medo terrível que nunca a deixava. Não suportava mais aquela situação, estava à beira do limite... e então ele apareceu. 

Ryan era um advogado de sucesso, mas todo o êxito em sua vida profissional custou caro. Seu casamento não sobreviveu ao excesso de trabalho, de horas extras, de compromissos e reuniões. Talvez tudo tenha dado errado porque não estava realmente apaixonado pela mulher com quem dividia o lar. Talvez tivesse tentado mais se a amasse... pois assim que conheceu Carla, soube que jamais se permitiria perdê-la. Que não repetiria os mesmos erros. Que seria feliz. Ao seu lado. 

Como eu disse, este é um romance leve, apesar do tema de proteção à testemunhas, incêndio e assassinato. O livro não foca muito nos temas pesados, preferindo girar em torno do romance entre a Carla e o Ryan. As mentiras, os segredos, com certeza serão um problema no relacionamento dos dois, e claro que tentarão matar a mocinha novamente, mas nada disso torna a leitura angustiante. Segue sendo um romance bem fofinho, que nos faz suspirar e desejar um Ryan para nossa vida.kkkkk

O romance entre o casal me fazia sorrir, mesmo quando eu não estava muito feliz. Eu me pegava sorrindo feito boba no ônibus (ainda bem que sigo usando máscara no transporte público!), desejando que tudo desse certo entre eles, que nada os separasse. Que conseguissem lidar com as mentiras que a Carla teve que contar, pois eram necessárias e ela não tinha outra opção no início do relacionamento deles. Que pudessem superar todos os obstáculos e serem felizes. Ansiava muito pelo final feliz!rs

E o livro conseguiu me encantar até o fim, apesar de eu ter ficado um tanto triste com certos acontecimentos e personagens. Não posso dizer que não era esperado, mesmo assim desejei que fosse diferente. Mas, como na vida real, é preciso assumir as consequências das escolhas feitas. E, infelizmente, alguns personagens fizeram péssimas escolhas, com consequências terríveis. 

A história tem final feliz, graças a Deus! E não considero isso spoiler.rs Amo romances que terminam bem, que nos fazem acreditar que coisas boas podem acontecer...

Recomendo bastante esta história para quem quer ler um romance leve e muito agradável!


Bjs, queridos! Até breve!


26 de agosto de 2019

O Conquistador - Shannon Drake

Literatura norte-americana
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2005
Páginas: 314
Série Os Graham ou Graham Family - 2/7

Sinopse: Escócia, 1297. Uma mulher indomável. Arryn Graham buscava vingança pelos atos sanguinários que Kinsey Darrow cometera contra os rebeldes das Terras Altas. Um dos meios de alcançar seu intento era tomar para si a bela noiva de Darrow. Entretanto, Arryn não sabia que Kyra era uma mulher que jamais se submeteria à vontade alheia.
Cativada pelo corajoso cavaleiro que a raptara, Kyra entregou-se a uma paixão selvagem, mesmo sabendo que isso a colocaria à mercê da fúria do desprezível lorde Darrow, a quem fora prometida em casamento, e que seu destino seria a condenação à forca. Com a vida por um fio, sua última esperança era Arryn, o único homem que, com sua audácia e poder, seria capaz de salvá-la... e de redimir a própria alma através de um intenso e verdadeiro amor!



Shannon Drake, pseudônimo de Heather Graham Pozzessere, que também escreve simplesmente como Heather Graham, é uma daquelas autoras que eu costumo buscar quando vou em algum sebo ou feira de livros. Como seus livros eram publicados no Brasil em formato de banca pela falecida Nova Cultural, é muitíssimo difícil encontrar suas obras. :( E como o sebo que eu frequentava fechou as portas alguns anos atrás (para minha enorme tristeza) faz um tempo que não esbarro num romance dela, o que me deixa um tanto deprimida, confesso. 

Apesar de eu gostar muito da Hannah Howell, considero os romances medievais da Shannon Drake (que também escreve romances de outros períodos históricos, bem como possui alguns livros sobrenaturais) melhor escritos e contextualizados. Daí minha esperança de que a Arqueiro em algum momento perceba como seria uma aposta maravilhosa republicar os livros dela, naquele formato todo lindo e caprichado da editora. Se apostaram na Hannah Howell com a série enorme dos Murrays (são mais de 20 livros e esperemos que a Arqueiro publique todos) nada impede que venham a publicar a Shannon Drake, não é mesmo?rsrs Vou ficar desejando isso com todo o meu coração! Queridos, vocês não fazem ideia de quantas séries essa autora já publicou! São MUITAS! E eu precisaria de mais duas vidas para ler todas.rs

1 de maio de 2019

O Destino Quis Assim - Rosemary Rogers (relido)


Título Original: A Reckless Encounter
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2003
Páginas: 315

Sinopse: Célia Sinclair alimentou uma obsessão desde os doze anos: arruinar Lorde Northington, o homem responsável pela morte de sua mãe. Tornou-se uma beldade e, aos vinte e dois anos, auto-suficiente, deixou a América e partiu para Londres, determinada a vingar o ato de violência que destruira sua vida. No entanto, Célia ficou aturdida ao conhecer o homem de quem pretendia vingar-se. Não esperava que fosse o cavalheiro atraente chamado Colter. Ao descobrir que ele era o novo lorde Northington, filho do assassino, ela arquitetou um plano audacioso: vingar-se do pai através do filho. Mas Célia não contava com as forças poderosas do coração...



Quando você não consegue esquecer um livro...

Li esta história pela primeira vez em 2010 e mesmo com o passar dos anos e as centenas de leituras que fiz, não fui capaz de esquecer tudo o que se passou na vida da Célia e sua história com o lorde Northington, filho do homem que destruiu aqueles a quem ela amava... O início do livro é tão forte que é justamente nisso que penso primeiro quando lembro da história. Penso nesse início doloroso e extremamente cruel...

Não será spoiler algum revelar o que se passa nas primeiras páginas do livro, pois é a partir disso que a história realmente começa, tendo o mote/tema a vingança que Célia quer satisfazer contra o homem que lhe tirou tudo, inclusive a inocência da infância, porque depois daquele dia a menina de doze anos que desconhecia por completo a maldade do mundo... nunca mais foi a mesma.

3 de novembro de 2018

Apaixonado por Grace - Stella Bagwell

(Título Original: Falling for Grace
Tradutora: Nancy de Pieri Mielli
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2001)

Fora de alcance...

No momento em que viu a nova vizinha, Jack Barrett ficou impressionado. Grace Holliday era uma jovem doce como não encontrava havia muito tempo em sua carreira de advogado. O problema era que Grace era nova demais... e estava grávida! 
Algo, porém, o atraía cada vez mais a essa adorável criatura. Antes que se desse conta, estava totalmente envolvido por seu encanto. Mas com Grace era tudo ou nada e ele não tinha planos de enveredar para um segundo casamento... mesmo que o filho que ela estava esperando fosse de seu sobrinho... 



Palavras de uma leitora...



- O mês de outubro foi péssimo para mim. Sobretudo por conta das eleições. Pela primeira vez na vida, as eleições para presidente conseguiram destruir meu psicológico. Fiquei muito alterada, temendo pelo futuro do país e das pessoas que aqui vivem. E, no final das contas, acabou ganhando quem eu não queria. O que posso fazer além de aceitar já que vivemos num país democrático e valorizo muito a democracia? Só espero que tudo dê certo. 

Mas por conta de todo esse estresse minha leitura também sofreu. E muito. Só consegui ler três livros e uns quatro ficaram pendentes, como este que resenharei agora. Assim, resolvi aproveitar o feriado e o final de semana para fazer uma maratona e tentar colocar minha leitura em dia. Veremos se conseguirei!rsrs

- Apaixonado por Grace é um livro muito curtinho, com um pouco mais de 100 páginas. Dá para ler em poucas horas tranquilamente e ficar com aquela sensação boa, de quando lemos uma história leve e fofa, que nos arranca um pouco da fossa na qual um livro pesado nos jogou. Eu achei a história deliciosa e valeu muito a pena apostar nela!

Tudo começa quando Jack Barrett, um advogado de trinta e nove anos, é obrigado pelo médico a tirar férias, por ser obcecado por trabalho e isso estar acabando com sua saúde física e mental. Mesmo a contragosto, Jack aceita visitar pela primeira vez uma propriedade que comprara anos antes, um bangalô simples e charmoso, que ficava próximo ao mar, numa região na qual poderia descansar e esquecer todos os problemas. Só que não é bem assim que as coisas acontecem, pois logo em sua primeira noite na casa a vê sendo invadida por uma jovenzinha grávida, chamando pelo seu sobrinho. Embora tenha ficado irritado com o aparecimento inesperado daquela mulher não pode evitar se sentir atraído, ainda que mulheres grávidas nunca tivessem feito o seu tipo. Pelo contrário, ele fugia de toda e qualquer complicação feminina. Mas quando percebe que Trent, seu sobrinho, poderia ser o pai da criança que ela esperava, as coisas tomam um rumo indesejado e Jack decide aproximar-se da sua vizinha atraente no intuito de descobrir se ela pretendia dar o golpe do baú num membro de sua família. Algo que ele jamais permitiria. 

Quando Grace viu luz no bangalô vizinho se permitiu ter esperanças. Por mais remota que fosse a possibilidade acreditou que Trent tinha mudado de ideia, que resolvera assumir o filho que conceberam durante as férias dele naquele lugar. Grace jamais tinha deixado um homem chegar tão perto como ele. Se apaixonara e acreditara em todas as suas promessas, pensara que realmente poderia construir uma família ao seu lado e ter o lar que tanto desejava. Mas tudo ruiu no momento em que ela confessou que estava grávida e Trent decidiu que resolveriam o problema com um aborto. Chocada e com o coração destruído pela frieza dele, ela percebeu que todas as palavras que tinham saído da boca dele enquanto tentava conquistá-la e durante o tempo que passaram juntos não foram mais que uma coleção de mentiras. Forte como aprendera a ser com os golpes da vida, ela o dispensou de toda e qualquer responsabilidade, decidindo assumir seu bebê sozinha, por mais que mal tivesse condições de se sustentar. Mas seria uma boa mãe e seu filho não sentiria a ausência do pai. 

Todavia, após seu encontro inusitado com o novo vizinho, ela sentiu que outra vez alguém tentaria bagunçar sua vida e a segurança que ela lutava para manter. Porém, dessa vez seria diferente. Não deixaria homem algum voltar a magoá-la. Ninguém invadiria seu espaço e roubaria sua tranquilidade para depois ir embora, deixando-a para trás, como se não fosse nada mais que uma aventura. 

Mas conforme os dias se passam as primeiras impressões vão se mostrando equivocadas e a luta de ambos para não se deixarem envolver se torna inútil. Era como se aquele encontro precisasse acontecer. Como se, em algum lugar, estivesse escrito que seus caminhos se cruzariam... e nada mais seria igual. 

- Como eu disse, é uma história deliciosa, do tipo que nos faz suspirar. Um livrinho doce que nos emociona com sua simplicidade. Os personagens são incríveis, sobretudo a Grace, que é uma moça de apenas 23 anos, que não tem absolutamente ninguém no mundo e precisa se virar para concluir a faculdade e levar em frente sua gravidez. Ela enfrenta uma longa distância três vezes por semana para continuar cursando Música e vir a ser a professora que sonhava. E nos outros dias dava aulas particulares para crianças, tentando manter alguma renda. Sua força é impressionante e sua independência é uma motivação para nós leitores. Mesmo com tudo o que tinha passado, a decepção e o medo de não conseguir sustentar seu filho, ela segue em frente e acredita que tudo pode dar certo se ela se esforçar. E que mesmo em momentos de maiores dificuldades ela jamais esperaria pela ajuda de um homem. Porque eles sempre querem algo em troca. É por isso que, numa cena em que o Jack conserta seu ar condicionado (pois estava um calor insuportável e ela estava dormindo naquelas condições prestes a dar à luz), Grace quase tem um troço. Ela fica furiosa, pois não lhe pedira nada e ele nem sequer tinha direito de entrar em sua casa sem sua permissão. E mesmo não tendo condições de pagar pelo serviço dele nossa mocinha insiste nisso, porque de modo algum aceitaria sua ajuda. Estava cansada de se decepcionar e Jack precisava entender que não havia espaço para ele em sua vida. 

- O mocinho, por outro lado, mesmo que tivesse motivos escusos para se aproximar dela (por acreditar que ela só estava interessada no dinheiro de seu sobrinho), acaba se mostrando um homem incrível, do tipo que nos faz suspirar.kkkkkkk... Ele se considerava insensível, antissocial e desconfiado por natureza, além de imune a qualquer truque feminino, vez que tinha passado por um casamento que o deixou calejado. Todavia, quanto mais conhecia Grace mais percebia que ela era muito diferente da mulher que ele imaginava. E a preocupação que inicialmente sentiu pela própria família começa a perder importância, sendo substituída pela ansiedade sobre o futuro dela e daquele bebê. Como viveriam? Quem os ajudaria? Ele começa a pensar cada vez mais nela, mesmo desejando se afastar, ir embora daquele lugar e esquecer que a conhecera. Não queria tomar para si uma responsabilidade que não lhe pertencia, mas estava se apaixonando por Grace, mesmo contra sua vontade. Mas como construir um relacionamento se não se sentia preparado? E, o que era pior, como contar a ela toda a verdade? Porque mentira. Desde o princípio. A deixou acreditar que comprara o bangalô de Trent, através de um corretor, quando na verdade ele era dono do imóvel e Trent apenas o pegara emprestado... por ser seu sobrinho. Um laço de sangue que Jack escondia dela. Porque não queria ver a mágoa em seu olhar. Não queria ser o causador de mais uma decepção. Uma hora ou outra teria que lhe confessar que era tio de Trent e não suportava pensar em como ela reagiria. 

- O livro é realmente muito lindo, gente! E recomendo, é claro! Para aqueles que precisam ler uma história leve e sobretudo para os apaixonados por romances de banca! Vale muito a pena! :D É fácil amarmos tanto a Grace quanto o Jack e torcer para que tenham um futuro juntos. Porque ambos mereciam. E aquele bebezinho que ela esperava precisava de um pai de verdade e não um encosto como o Trent.rs E não havia pai melhor para o bebê que nosso Jack. :) Alguém que amaria a criança e a futura mamãe, que jamais os desampararia e tornaria os sonhos dela uma realidade. 



O tema de outubro da Maratona Romances de Banca era: Gravidez/bebês/crianças; ou seja, consistia em ler um romance (de banca, claro) que tivesse alguma criança como personagem ou que a mocinha estivesse grávida. Escolhi este livro sem saber praticamente nada sobre ele e se mostrou uma escolha perfeita. :)

4 de setembro de 2018

O Jardim dos Sonhos - Kimberley Cates

(Título Original: The Mother's Day Garden
Tradutora: Ieda Moriya
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2004)


Um casamento ameaçado por segredos do passado!

Com a única filha na universidade, Hannah O'Connell deveria estar dedicando todo o tempo livre a seu marido, Sam. Mas em vez disso perdia-se cada vez mais nas lembranças do passado. Tudo isso porque reencontra seu antigo namorado, o homem que ela mais amara na vida. E junto com ele existia também um segredo estarrecedor, que poderia pôr em risco tudo o que Hannah havia conquistado até então, inclusive seu casamento. 

Sam sempre fora apaixonado pela esposa. Mas ultimamente Hannah estava tendo um comportamento estranho. Já não se dedicava à casa e a ele como antes. Sam sabia que alguma coisa estava errada, mas não podia imaginar como seria sua vida longe de Hannah... Por isso estava mais do que nunca disposto a provar a ela o quanto a amava e o quanto eles poderiam ser felizes juntos!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando um livro é muito mais do que você esperava? Quando te surpreende de maneira positiva e acalenta seu coração? Foi exatamente isso que O Jardim dos Sonhos provocou em mim. Esta sensação de aconchego, de paz. E já sinto saudades. 

Eu o adquiri seis anos atrás e para ser sincera nem lembro o que me motivou. Mas na hora de escolher uma história para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca ela acabou encaixando-se perfeitamente. A sinopse, a capa nostálgica... simplesmente me atraíram. Me fizeram pensar que em suas páginas se escondia uma história linda. 

- O que lamento é tê-la lido numa época tão corrida e complicada da minha vida. Com uma prova importantíssima e a entrega do TCC tão próximos mal tenho tempo para respirar. Dormir, comer, ler meus livros amados se tornaram coisas temporariamente secundárias. Infelizmente, foi preciso reorganizar as prioridades, pois já não tenho tempo para nada. :(

O livro conta a história de Hannah O'Connell, uma mulher que de repente é atingida por perdas significativas: sua filhinha cresceu e agora trilhava o próprio caminho. Morando na universidade já não dependia de Hannah como antes e a relação que até então era próxima começa a sofrer rachaduras. Só que pior que ter a filha longe era a certeza, causada por uma histerectomia, que jamais realizaria o sonho de ter outros filhos. 

No início havia confundido a doença com uma gravidez e se permitiu ter esperanças. Ao longo de quase todos os seus vinte e dois anos de casada tinha tentado voltar a engravidar, mas o tempo passou e permaneceu o vazio que, pouco a pouco, foi distanciando-a do homem a quem amava. A saída de Becca de casa, bem como a cirurgia que lhe roubou seus sonhos destruíram a ponte que ainda a unia ao marido. Concentrada em suas próprias angústias não tinha energia para olhar para o lado, para enxergar que seu marido também sofria. E não demorou para que deixassem de dividir o mesmo quarto. 

Não saberia dizer como chegaram àquele ponto. Talvez tudo tenha começado ainda no início... quando se casara sabendo que estava ocultando do marido grandes segredos. Quando temendo que a imagem que ele tinha de mulher perfeita se desfizesse diante da verdade optara por mentir. Não teve coragem para contar. E agora era tarde demais para voltar atrás. 

"Era melhor deixar o passado onde estava. Onde não podia machucar."

No meio da tempestade que ameaçava seu casamento, o aparecimento de um bebezinho abandonado em seu quintal pode ser tanto a cura para a relação dos dois quanto a ruína completa. Sobretudo porque Tony Blaker, uma pessoa do passado de Hannah, se torna o tutor da criança e invade suas vidas com a desculpa de lutar para que o casal permaneça com a bebê. Mas qual será o seu real objetivo? Por que voltava depois de vinte e sete anos sem dar notícias? 

Às vezes o passado simplesmente não pode ficar para trás. É necessário encarar os fantasmas para poder seguir em frente. Mesmo que o processo seja doloroso e coloque em risco sua relação com aqueles a quem ama. 

"Tony Blake reaparecia em sua vida, desenterrando lembranças, ressuscitando segredos capazes de destruí-la."

- Como podem ver estou sendo breve. Ainda que o livro tenha me feito um enorme bem não tenho condições de me aprofundar mais na resenha pela simples falta de tempo. :( Mas já adianto que é um livro que recomendo muito! Mesmo para aqueles que não gostam de romances de banca. Porque esta história está longe de ser a da mocinha ingênua que se apaixona pelo homem rico, é humilhada por ele e depois vivem felizes para sempre. Nem todo livro de banca contém esse tipo de história e se os amo e valorizo tanto não é à toa. 

- Logo que iniciei a leitura me identifiquei com a mocinha. Embora eu não tenha nenhum filho jovem indo para a faculdade (não tenho filhos ainda e eu é que estou na faculdade, no último período, graças a Deus!), foi muito fácil compreendê-la, sobretudo em relação ao desejo de ter filhos. Era o sonho de sua vida. E uma doença lhe tirou tudo. Sim, agradecia o presente que era a Becca, mas não era nenhum pecado desejar ter outro bebê. Sentia que algo lhe faltava. E ao perder o útero deixou inclusive de se enxergar como uma mulher completa, como se aquela perda lhe tirasse a identidade. Antes que alguém diga besteira é necessário recordar que ser feminista é respeitar as escolhas das outras mulheres. E se Hannah se sentia incompleta porque não podia mais ter filhos ela merece respeito e solidariedade por isso. Existiram momentos em que desejava chorar com ela de tanto que a entendia. 

"Mas não vou me recuperar, pensou Hannah. Esse é o problema. Nunca mais vou me recuperar."

- Tudo neste livro é muito real. Temos nele a história não só da Hannah, embora ela seja a protagonista, mas também temos o ponto de vista de Sam (seu marido), Tony (a pessoa do seu passado) e até mesmo da mãe biológica da pequena Ellie, que a abandonou no quintal da mocinha porque não tinha outra alternativa. Porque, naquele momento, se sentia totalmente perdida e só queria que sua filha estivesse segura, ao lado de alguém que ela sabia que poderia ser uma mãe de verdade. Nossa! O livro transborda sentimentos. Nos dá enormes lições e faz com que deixemos de lado as nossas ideias pré-concebidas sobre tudo e nos permitamos estar no lugar do outro. O que você faria se fosse a Hannah de vinte e sete anos atrás? Aquela que ela ocultou do marido? Aquela que cometeu um erro imperdoável? Seria mais "forte"? Faria uma escolha diferente? Eu não sei, sinceramente. É fácil falarmos quando estamos de fora e vivemos num outro século, quando temos oportunidades que talvez a pessoa que julgamos não teve. Hannah era uma mulher incrível, mas não era perfeita. E por desejar tanto ser não sabia como reconciliar-se com o marido que afastou de si. Viviam como dois estranhos na mesma casa, ambos querendo uma mudança, mas não tendo coragem de dar o primeiro passo, porque se acostumaram com aquela situação. 

"Ela se afastava, dia após dia, não importava o quanto ele se esforçasse para retê-la."

Sam é um personagem que não possui todo o destaque que merecia, uma vez que o livro em si gira em torno da protagonista. Todavia, mesmo assim ele é importante e se mostra um homem daqueles que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado. As coisas que ele faz por ela... Nossa! Eu ficava bem emocionada. E não pensem que são coisas mirabolantes. Nada disso. São atitudes simples, mas que significam muito. É um livro "comum", gente. Sobre a vida real. Aquelas histórias familiares que de vez em quando lemos e tocam em algo dentro de nós. Que deixam um gostinho bom. 

"Tony fora franco antes de partir: jamais voltaria."

- Se teve um personagem que detestei no livro foi o Tony. Um tipo egocêntrico, que acreditava que com um sorriso charmoso podia apagar as canalhices de tantos anos atrás. Ele me causou nojo, pura repulsa. E confesso que tive muito medo de ele conseguir o que planejava. Mas, ainda assim, não temos um vilão perfeitamente definido. Tony não é uma pessoa má. Ele é como tantos que existem por aí que nem sequer percebem o dano que provocam e quando notam simplesmente não se importam. É um ser superficial e que só olha para o próprio umbigo. Mesmo quando está sozinho com seus pensamentos percebemos o vazio que existe nele... a falta de empatia, de sentimentos. Ele "sabe" o que fez de errado, sabe que não merece perdão, mas não está nem aí. Quer de volta o que jogou fora e acha que tem direito de querer. 

- Não posso falar muito mais. Só repito que é uma história que vale sim muito a pena! Mas que não dá para ler na correria. É aquele livro que merece ser apreciado devagar, com tempo. Como o livro A Colcha de Despedida, do qual eu lembrei durante quase toda a leitura. 

Minha única ressalva em relação ao livro (e o que me impediu de dar 5 estrelas) é sobre a repetição. A autora voltava muitas vezes ao assunto principal. Ao ponto de ser impossível não me incomodar. Mas este é o único ponto negativo. 



Esta foi minha escolha para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca, que consistia em ler um romance (de banca, obviamente) sobre casamento em crise. A resenha deveria ter sido publicada no dia 31, mas como só concluí a leitura no último dia do mês e só consegui escrever hoje tudo atrasou. Mas o que vale é que concluí.rsrs 

14 de agosto de 2017

As Relações Perigosas - Choderlos de Laclos

(Título Original: Les Liaisons Dangereuses
Tradutor: Sérgio Milliet
Editora: Nova Cultural 
Edição de: 2002)

Você está prestes a ler uma obra 'diabólica'. A crítica, que não poupou adjetivos para desclassificar As ligações perigosas quando do seu lançamento, em 1782, não chegou nem perto de captar a poderosa ambiguidade deste marco da literatura epistolar. Choderlos de Laclos (1741-1803) construiu um romance em cujo primeiro plano se destacam as relações amorosas, a perda da inocência e a traição, mas cujo pano de fundo é um dos mais sofisticados e ferinos retratos da aristocracia pré-Revolução Francesa e uma sofisticada reflexão sobre a hipocrisia do poder. Além disso, o livro teve inúmeras adaptações para o teatro e para o cinema.

A Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont, apesar de todo o luxo que os rodeia e da extrema cortesia e sofisticação que aparentam, personificam o que há de mais vil na humanidade. Ex-amantes, os protagonistas destas 175 cartas fingem e manipulam as pessoas a seu bel-prazer. Talvez para testar seu poder, talvez para passar o tempo, tecem um plano de sedução e vingança para provar que não são manipuláveis e descartáveis como os outros. Esse plano é descrito com requintes de perversidade por eles em cartas nas quais revelam seus mais íntimos pensamentos - e o fazem com tanta precisão que na época imaginou-se que o romance era, na verdade, uma reunião de cartas verídicas sobre fatos que realmente aconteceram.



Palavras de uma leitora...


- No início do ano passado, eu assisti uma minissérie em 10 capítulos da Globo chamada Ligações Perigosas. Seduzida pelas chamadas da emissora e pelo fato de contar com atores dos quais gosto muito, resolvi ver o primeiro capítulo. Fiquei imediatamente presa ainda que pudesse prever que nada terminaria bem. Naquela época, ainda não conhecia o livro. Não fazia ideia do que se tratava, mas toda a perversidade que transparecia em Isabel e Augusto, protagonistas e antagonistas dessa história, deixou mais do que claro que o final seria trágico. Não foi com surpresa que vi a sucessão de desgraças que ocorrem nos últimos episódios. Mesmo assim, o fim de uma personagem em especial me marcou bastante. 

Quando falei da minissérie aqui, disse: "É uma história forte, sensual e sombria. Mostra o lado escuro do amor, da paixão e das relações humanas." E o mesmo, é claro, se aplica ao livro. Creio que nunca li um clássico (depois de O Morro dos Ventos Uivantes) que me impactasse como esta história. Heathcliff é um anjo perto da marquesa de Merteuil e do visconde de Valmont. Eles sim podem ser chamados de demônios. Mas ela... muito mais que ele. 

"Quem deixaria de estremecer pensando nas desgraças que pode causar uma só relação perigosa!"

A senhora de Volanges não poderia prever os perigos que ameaçariam a vida de sua filha ao tirá-la do convento no qual a menina passara toda sua vida. Aos 15 anos de idade, nada conhecia do mundo ou das perversidades humanas. Crescera protegida de tudo, sendo tirada da segurança daqueles muros apenas para casar-se, conforme ocorria com várias moças de boa família. Embora sua mãe não tivesse deixado claro que a casaria, Cécile sabia que não teria sido autorizada a ir para casa por outro motivo. Assim, de certa forma ansiosa pelos acontecimentos do seu futuro, não deixa de ficar deslumbrada pela vida diferente da que até então tivera no convento, ainda que seguisse tendo que obedecer à regras e à autoridade de sua mãe que a mantinha constantemente vigiada. Mas a amizade carinhosa de uma parente distante de sua mãe, a marquesa de Merteuil, que não a tratava como criança, assim como os sentimentos que começaram a surgir em seu coração pelo cavaleiro Danceny seriam o início da sua perdição. Guiada por aquela mulher, que aparece em sua vida como a amiga compreensiva que tanto necessitava naquele momento, Cécile segue por um caminho sem volta, perdendo muito mais do que a inocência... 

"Chamar-me-ia pérfida, e esta palavra 'pérfida', sempre me deu prazer."

Desejando vingar-se de alguém do seu passado, o homem escolhido pela senhora de Volanges para desposar sua filha, a marquesa de Merteuil decide recorrer ao seu leal amante e cúmplice nas crueldades. Ambos possuíam uma longa história juntos e ela sabia que somente a ele poderia confiar o seu pequeno projeto. Quem melhor do que o sedutor mais notório de toda a França, alguém que dedicava-se intensamente à missão de arruinar uma mulher? Quem melhor do que ele para fazer com que Cécile chegasse ao casamento sem a pureza que o seu inimigo desejava possuir? Jamais lhe daria o prazer de encontrar em sua cama uma jovem inocente e ingênua. Não. Era sua missão fazer dela a sua pupila e ensinar-lhe, ao lado de Valmont, tudo o que alguém como ela merecia saber... 

"[...] Como se não fosse nada arrebatar numa noite uma jovem e seu bem-amado, usá-la, em seguida, à vontade, como uma propriedade, sem maiores precauções, obter dela o que não se ousa sequer exigir das profissionais."

De início, Valmont recusa-se a participar dos planos da marquesa. Não porque possuísse algum escrúpulo e não desejasse corromper uma menina de 15 anos, mas porque estava ocupado com seus próprios projetos... Os de seduzir e dominar uma jovem senhora casada, devota e amiga querida de sua tia. Embora a tivesse conhecido antes, foi somente ao tê-la bem próxima, enquanto ambos passavam uma temporada na casa de campo de sua tia, que ele percebeu que seria muito prazeroso destruir a fé e os princípios daquela mulher, fazer com que ela se submetesse às suas vontades e não fosse mais do que o seu objeto de prazer até que, satisfeito e cansado, ele a abandonaria para que ela lidasse sozinha com os seus pecados. Sabia que seria capaz de destruir sua resistência, de usar seus bons sentimentos contra ela e rendê-la aos seus desejos. 

"Terei essa mulher; roubá-la-ei ao marido que a profana; ousarei roubá-la ao próprio Deus a quem adora. Que delícia ser ora o objeto ora o vencedor de seus remorsos! Longe de mim a ideia de destruir os preconceitos que a obsedam: aumentarão minha felicidade e minha glória. Que acredite na virtude, mas que a sacrifique a mim."

Só que o que parecia fácil, torna-se mais complicado quando a senhora de Volanges trata de aconselhar sua jovem amiga dos perigos de deixar-se acreditar nas palavras mentirosas que saíam dos lábios de Valmont. Embora a presidenta de Tourvel, a quem Valmont desejava conquistar, não se imaginasse capaz de cair nas garras dele ou de homem algum, pois era fiel ao marido e ao Deus que amava, seu coração bondoso se deixava enternecer pelo arrependimento que aquele homem de péssima reputação aparentava sentir por sua vida desregrada. Ela acreditava que toda pessoa era capaz de arrepender-se de seus pecados e mudar e acaba por ver naquele homem alguém com potencial para ser convertido. Mas os avisos de sua amiga, por quem tinha enorme carinho, fortalecem suas defesas e a fazem afastá-lo dela. Embora acreditasse sinceramente que poderia trazê-lo de volta para o bom caminho, não desejava expor-se a perigos desnecessários, o que só serve para provocar a fúria de Valmont contra a mulher que a preveniu contra ele e aumentar, por sua vez, a obsessão que ele sentia por ela. 

"Ah, sem dúvida, cumpre seduzir-lhe a filha; mas não basta: é preciso desmoralizá-la; e, já que a idade dessa maldita mulher a coloca ao abrigo de meus golpes, cabe feri-la no objeto de suas afeições."

Assim, ao descobrir quem era a mulher que estava atrapalhando seus planos, Valmont percebe que seria uma vingança perfeita ceder ao projeto da marquesa e fazer daquela menina, filha de sua inimiga, uma jovem bastante versada nas artes do sexo e do prazer. A tomaria como aluna e amaria ser seu professor. 

Desta forma, iniciam-se as cartas que contariam a história de diversas vidas destruídas pelo jogo de poder e crueldade de dois amantes que, entediados com a vida de luxo e riqueza que levavam, divertiam-se jogando com as pessoas e as arrastando para um mundo sórdido do qual nem todas escapariam com vida. 

"Em verdade, quanto mais vivo, mais sou levado a crer que só há nós dois neste mundo valendo alguma coisa."

- Não tenham dúvidas de que esta resenha terá spoiler. Será impossível falar de certas coisas sem contar demais. Por isso, se não quiserem conhecer certos segredos sobre o livro, parem de ler esta resenha imediatamente! 

- Acho que foi a curiosidade (por vezes minha inimiga) que me levou a ler esta história. Ela não estava em meus planos, não fazia parte de minhas metas de leituras nem nada. Todavia, depois que assisti a minissérie, vez e outra me pegava lembrando dela e sentindo uma curiosidade enorme acerca do livro. Ao mesmo tempo que desejava lê-lo sentia medo. Sabia que nada terminava bem, sabia que era uma história recheada de crueldades e jogos desprezíveis, protagonizada por dois seres humanos que mais mereciam ser chamados de demônios. De verdade, gente! Eles são de uma maldade que arrepia e nos choca. Não que eu nunca tenha lido algo pior. Realmente já li livros bem terríveis: suspenses, thrillers psicológicos, dramas... Histórias nas quais seres humanos torturam e assassinam outras pessoas por puro prazer, por simples perversidade. Mas no livro As Relações Perigosas não vemos uma maldade tão explícita e imediata assim. O que acompanhamos, através das cartas que constroem a história, é algo mais profundo e duradouro... São pessoas tecendo cuidadosamente a trama que destruiria a vida de duas mulheres que nada lhes tinham feito, que eles desejavam arruinar por puro prazer. Mas não com atitudes claras, não com um ataque direto. Mas com um jogo lento e certeiro, no qual ambos eram mestres. Sabiam como ninguém como usar as palavras, como manipular, envolver os outros de tal forma que quando fossem capazes de perceber o que tinha acontecido, já seria tarde demais. Uma adolescente de 15 anos que absolutamente nada conhecia do mundo e uma devota inocente e crédula realmente não possuíam nenhuma chance contra eles. 

"Que Deus ousava invocar? Haverá algum bastante poderoso contra o amor? Em vão procura ela agora socorros estranhos; sou eu quem decidirá de sua sorte."

- Conhecemos tudo o que se passou através das cartas trocadas entre vários personagens. Os principais, obviamente, sendo a marquesa de Merteuil e o visconde de Valmont. Mas também temos a oportunidade de conhecer os pensamentos e sentimentos da menina Cécile, da presidenta de Tourvel (nunca ficamos sabendo seu primeiro nome), da senhora de Volanges, da tia de Valmont e do jovem que se apaixona pela Cécile e também tem uma participação importante nos acontecimentos desta história. Assim, são vários os pontos de vista, o que nos permite amarmos ou odiarmos determinados personagens, pois os conhecemos diretamente, através de suas próprias palavras. 

É angustiante observar a maneira como o Valmont invade a vida daquela mulher, como a usa, como a manipula, como a faz acreditar nele. E como ela não acreditaria? Talvez seja fácil julgar e condená-la estando de fora da situação, mas eu não fui capaz de fazer tal coisa. Ao me permitir entrar na história, viver tudo com os personagens, eu tinha total noção de como Valmont era habilidoso no seu jogo e como seria fácil para qualquer pessoa acreditar em suas palavras. Ele dizia tudo de tal maneira, com tanta verdade, que ele próprio por vezes acreditava no que dizia! Sabe essas pessoas que mentem ao ponto de acreditar na própria mentira? Assim era ele. 

"Ah, virá cedo demais o tempo em que, degradada pela sua queda, ela não será mais para mim senão uma mulher comum."

- Ela era uma pessoa feliz com a vida que levava. Amada de maneira tranquila e confiante pelo marido, querida pelos amigos e pela sociedade que a admirava, encontrava prazer em ajudar os outros e dedicar-se ao Deus no qual acreditava. Nunca experimentara a intensidade da paixão e não desejava para si nenhum sentimento que pudesse perturbá-la. Não é fácil para Valmont seduzi-la, por isso ele recorre à sua religião, pois ali encontrava uma porta para acessar sua vida e aproximar-se dela. 

Mas quando ela percebe que começava a sentir por ele coisas que antes desconhecia, luta com todas as suas forças para resistir, para afastá-lo, para fugir dos sentimentos que a confundiam. E quanto mais ela lutava com mais determinação ele aproximava-se, excitando-se com suas lágrimas, com suas súplicas, com suas tentativas de evitá-lo. Até mesmo em seu desespero ele encontrava prazer e estava empenhado em esperar o tempo que fosse necessário para vencê-la pelo cansaço e tê-la exatamente onde desejava. 

"Que ela se renda, mas que lute; que, sem ter a força de vencer, tenha a de resistir; que saboreie longamente o sentimento de sua fraqueza e seja constrangida a confessar sua derrota."

- Ela não era uma mulher fácil que apenas estivesse fingindo "resistir" e Valmont sabia bem disso, o que o satisfazia ainda mais. É muito triste observar a luta dela, torcendo para que ela não caísse, para que lutasse contra o amor que acreditava estar começando a sentir por ele, torcendo para que ele não conseguisse destruí-la. Nós conhecíamos seus planos, sabíamos tudo o que ele pretendia fazer com ela e era desesperador não poder fazê-la enxergar isso, não sermos capazes de evitar a tragédia que se seguiria. 

Embora ela aguente durante meses, Valmont era realmente muito bom em sua sedução. Interpretou com maestria o papel de jovem apaixonado e destroçado por tal amor. Ele merecia um prêmio pela maravilhosa interpretação, sem sombra de dúvidas. E, em determinado momento, ela não suporta mais lutar. Acaba cedendo aos desejos dele e conhecendo a felicidade que antecederia a maior tristeza de sua vida. Uma tristeza que lhe roubaria tudo. 

"Eu era inocente e tranquila; foi por te ter visto que perdi o repouso; foi escutando-te que me tornei criminosa. Autor de minhas faltas, que direito tens de me punir?"

- Para mim, o trecho acima é um dos mais marcantes do livro. Que nos mostra toda a desesperança e dor dessa personagem. De uma mulher cujo crime foi se apaixonar pela pessoa errada. Uma mulher que lutou com todas as suas forças, que se afastou, que foi para bem longe dele, mas que acabou vencida por alguém muito mais experiente e ardiloso como ela jamais conseguiria ser. É de partir o coração o seu sofrimento. Foi a única personagem que me fez chorar. Foi a única por quem senti realmente. Ela não merecia tudo o que lhe aconteceu. Era uma pessoa boa, ingênua, feliz. Alguém que despertou sem mesmo tentar o interesse de alguém perigoso que não sossegou enquanto não destruiu a sua vida. O fim dela é triste e doloroso demais. Vocês não têm noção do quanto chorei, ainda que tivesse visto o mesmo final na minissérie. Eu sabia como terminaria sua história, mesmo assim ler foi pior que assistir. Não consigo aceitar algo tão injusto. Uma fala da amiga dela também me marcou bastante. Foi numa carta que a amiga escreveu à outra, após o final da minha personagem preferida. Nesse trecho da carta, ela lembrava do passado, de um ano antes, quando ambas conversavam sobre essa moça, sobre a certeza de que ela sempre seria uma pessoa feliz, daquelas raras que eram abençoadas com tudo o que uma pessoa poderia desejar. A senhora Volanges mostra o quanto estava inconformada que alguém como a presidenta, uma pessoa tão querida como ela, pudesse terminar daquela maneira. É algo que eu também não sou capaz de aceitar ou suportar. 

"Não há mais felicidade para mim, nem repouso, senão com a posse dessa mulher que odeio e amo com igual furor."

- É possível que muitas pessoas acreditem que o Valmont chegou a amar a mulher por quem ficou obcecado. Que tudo o que ele fez foi por amá-la loucamente. Mas nem por um segundo eu acredito em tal amor. Até mesmo a minissérie tentou nos fazer acreditar no amor dele e mesmo o autor do livro tenta redimi-lo no final, mas nada poderia me convencer. Tudo o que esse canalha faz... Não. Aquilo não era amor. Era obsessão sim, era maldade, ódio por encontrar em alguém as qualidades que ele jamais possuiria. Despeito por ver uma mulher tentar resistir aos seus avanços, uma vez que nenhuma jamais se atreveu a isso. Mas amor?! Nunca foi amor. Nem por um instante! Ele a empurrou para a morte. Ele a destruiu sem piedade. Espero que ele tenha queimado no inferno. A minha compaixão ele jamais irá encontrar. 

"Visconde, quando uma mulher golpeia o coração de outra, raramente deixa de encontrar o lugar sensível, e a ferida é incurável."

- E o que falar da nossa tão "querida" marquesa?! Se Valmont desempenhava com perfeição um papel, ela era a mente por traz de muitas das desgraças desta história. Profundamente perversa, era um perigo para todos os que a cercavam. Alguém que não hesitaria antes de fazer o que julgasse necessário para ter o que queria. Que seria capaz das piores crueldades para satisfazer seus desejos. Ela era muito inteligente, astuta, a única capaz de jogar com seu cúmplice, de fazer dele sua marionete. Ela controlava as vontades dele, seus passos, até seus pensamentos. Ele podia ser mau, mas ela era sua mentora e sua dona. E quando Valmont decide livrar-se de suas garras... As consequências são as piores possíveis. Ninguém a contrariava sem pagar caro por isso. Se ela era capaz de planejar, incentivar e aplaudir o estupro de uma adolescente e ainda empenhar-se em prostituí-la do que mais não seria capaz, não é mesmo? Esses dois amantes malditos realmente se mereciam. No fim, é uma certa justiça que tenha um acabado com o outro. Mas nem mesmo esse castigo foi suficiente para mim. Eles mereciam muito mais. 

"A humanidade não é perfeita em nenhum gênero, tanto no mal como no bem."

Publicado originalmente em 1782, este livro causou grande impacto na sociedade hipócrita da época. Muita gente chegou a acreditar que tratava-se realmente de uma coletânea de cartas verdadeiras, trocadas entre pessoas reais. E o autor dá a entender isso, de propósito. O livro mostra um outro lado da nobreza francesa. Um lado bastante obscuro e desumano. Eu fico aqui tentando imaginar como as pessoas devem ter reagido após ler tudo o que encontra-se nas páginas deste livro.rs Adoraria ter podido observar tais reações, as caras de choque, a indignação que sentiram... Mas o autor não criticou e atacou apenas a nobreza ou a sociedade de sua época. Não. Esta obra-prima vai muito além disso. Ele criticou a natureza humana de maneira geral, mostrando um lado vil que há em muitas pessoas por aí, em qualquer época ou lugar. Pessoas manipuladoras e que se divertem com o sofrimento dos outros existem aos montes por aí. Mesmo hoje existem relações perigosas. O livro Cuco é um exemplo disso. 

- Na minha opinião, muitos livros são considerados clássicos sem merecerem. Mas isso não se passa no caso de As Relações Perigosas. Este livro é realmente um clássico mundial, um livro muito importante que não me arrependo nem por um instante de ter lido. É verdade que ele mexe profundamente com nossos sentimentos, que um acontecimento é pior que o outro, que sofremos por aqueles que não mereciam um final tão terrível. Porém, mesmo assim é um livro que ninguém deveria perder a oportunidade de ler. 

"Vejo em tudo isso os maus castigados; mas não encontro consolo algum para suas desgraçadas vítimas."

6 de agosto de 2017

A Noiva Disse Jamais! - Sandra Marton


Casamento do Ano - Livro 1

Damian não gostava de casamentos, mas não conseguiu convencer o sobrinho a esperar pra ter certeza da sua atitude. E na cerimônia, ele se encantou com a bela tia da noiva, a modelo Laurel. Ele não queria saber de compromissos, mas sabia que precisava ter aquela mulher. Ela desprezava machões e estava incomodada com o cerco do milionário grego... Até que os dois se rendem à paixão e, o que era difícil, se complica ainda mais... E Laurel se viu pressionada para fazer algo que não queria: se casar com Damian.



Palavras de uma leitora... 


- Esta história é tão curtinha que não sei bem o que posso comentar sem contar o livro inteiro.rsrs 

O casal se conhece no dia do casamento do sobrinho do mocinho com a sobrinha da mocinha da história. Quando a irmã dele morreu, ele acabou ficando responsável pelo rapaz e era totalmente contra seu casamento com a escolhida. Não por considerar a menina inadequada nem nada, mas pelo simples fato de acreditar que o sobrinho estaria assinando a própria sentença de morte. Para ele, casamento era um inferno. Algo que alguém só escolhia se fosse masoquista. E não conseguia entender como o garoto que criou por alguns anos poderia tomar tal decisão com tão pouca idade. Ainda assim, por ser o único parente dele e não querer que se afastassem, ele resolve comparecer ao casamento. E é quando conhece a Laurel.

Modelo belíssima e muito conhecida, ela tinha decidido que faria todo o possível para não ser o centro das atenções no casamento. Queria que sua sobrinha brilhasse naquele dia tão especial para ela e, portanto, escolheu um vestido discreto e nenhum penteado elaborado. Só que tudo deu completamente errado e, traída pelo trânsito e pelo vento, acabou chegando atrasada e de maneira bem... chamativa. Ao abrir as portas da Igreja, já no final da cerimônia, o forte ventou acabou fazendo as portas baterem e assim sua entrada tranquila foi para o espaço. 

Para completar seu aborrecimento, o tio do noivo não parava de lançar olhares significativos em sua direção... que diziam muito sobre os pensamentos pecaminosos dele. Como se não bastasse, o atrevido ainda se sentiu no direito de beijá-la, mesmo que mal se conhecessem e ela tivesse deixado bem claro que não estava interessada. 

Determinado a levá-la para a cama e assim livrar-se do desejo que o consumia, Damian faria todo o necessário para seduzi-la... Só que o que era para ser apenas momentos de prazer passageiro acaba por se transformar em algo mais... E ambos precisarão começar a pensar em alianças de casamento...

- Consegui resumir sem contar demais?!kkkkkk... Esta é uma história para ler sem muitas pretensões ou expectativas. Aquele tipo de livrinho para passar o tempo, entende? Não é de modo algum ruim, mas termina bem rápido e você mal sente as coisas acontecerem. Então se você começa a lê-lo imaginando que encontrará um grande romance, daquele inesquecível e arrebatador, é óbvio que irá se decepcionar.

Eu gostei do casal, me diverti com as provocações deles, com seus temperamentos e tudo o mais. Todavia, me aborreci com alguns detalhes como, por exemplo, uma frase do mocinho. Ele disse que não considerava a Laurel uma mãe adequada para seu filho, pois ela tinha ido para a cama com alguém que acabou de conhecer. Ou seja, embora tenha feito de tudo para seduzi-la e levá-la justamente para a cama, depois teve a cara de pau de julgá-la por ter cedido, num claro comportamento machista e nojento. Ele podia, sem problema algum, mas ela não. Se fosse uma mulher decente teria resistido. Fiquei furiosa com isso! 

De modo geral, é uma história agradável e rápida. Você lê em pouco mais de uma hora. O livro não é profundo nem nada, mas é um bom passatempo.

Ele foi indicação de uma leitora querida, a Ana Carolina Nonato. Ela me indicou a trilogia toda em 2011. Sim! Só agora estou lendo. :( Como disse anteriormente, perdi minhas listas de indicações por problemas no computador e as que tinha em um caderno estão desorganizadas e preciso colocar em ordem. Estou com um caderno novo de anotações e acessando antigos comentários do blog para me auxiliar na busca das indicações perdidas. Em breve farei um post com as listas de indicações que eu tiver conseguido recuperar e também as indicações atuais de vocês leitores. E aí, colocarei o link na lateral do blog e irei atualizando conforme vá lendo os livros. :D Aguardem só um pouquinho, queridos! 

Esta foi minha nona leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. A história preenche o Desafio 8: ler um livro com pontuação no título. Com ele finalizei a maratona! :D Amei participar desses desafios! Foi uma experiência maravilhosa! Já estou ansiosa para participar da maratona de verão!kkkkkkk... 

Falta apenas fazer resenha do livro do Desafio Extra! Como tivemos uma prorrogação do término da maratona, que se encerrou ontem, dia 05 de agosto, e não no dia 30 de julho como inicialmente terminaria, nos foi facultada a leitura de um livro extra. Eu comecei a leitura do meu escolhido: Os Elefantes não Esquecem - Agatha Christie. Estou quase concluindo e em breve farei a resenha. :) 

16 de junho de 2017

A Força do Destino - Charlotte Lamb


Só um destino muito cruel faria com que Joanne se apaixonasse tão perdidamente por Ben Norris. Primeiro, porque ele nem notava que Joanne existia, empenhado apenas em conquistar sua mãe, Clea, a grande estrela de cinema. Depois, porque Clea era uma mulher vaidosa, que tinha horror a parecer velha, e mantinha a filha à sua sombra. Joanne quase não podia sair de casa, tinha de se vestir e se comportar como uma menina, proibida de crescer. Onde Joanne encontraria forças para rebelar-se contra Clea, assumindo a mulher que despontava dentro dela? Onde buscar coragem para roubar o namorado da própria mãe?



Palavras de uma leitora... 



- Alguém aqui está preparado para um pouco de loucura nesta sexta-feira? Até o dia está um tanto perturbado, pois não decide se fará frio ou calor. Ora uma coisa, ora outra!rs

Confesso que já me diverti muito com o livro que estou prestes a resenhar. A história é tão absurda que houve momentos que eu ria de choque. Só mesmo a Charlotte Lamb para criar algo assim! E por falar nela... Acreditam que fazia mais de quatro anos que eu não lia nada da autora?! Nem eu acredito! Mas, apesar de ser fã dela, evitava seus romances por medo... tive tantas experiências brutais com seus livros que passei a fugir deles. Para o bem da minha saúde mental, é claro!

Ler A Força do Destino não estava em meus planos. Não havia nenhum livro da Charlotte em minha meta de leituras deste ano. Porém, uma leitora muito querida, a Beatriz Solano, me pediu para lê-lo, pois ela terminou a leitura sem entender nada. E como eu a compreendo!kkkkkk... Beatriz, o livro é realmente louco, querida! Mas valeu muito a pena a leitura, pois ri bastante com ele! A autora estava num dia muito criativo, pois desenvolveu diversas personalidades perturbadas nesta história. Dando espaço para cada uma delas nos mostrar "seu valor".rs

- A história começa com uma festa. A mocinha está incorporando o papel do patinho feio que vive à sombra de sua mãe, um belíssimo cisne pelo qual todos os homens morrem de amores. De início, eu já não sabia se simpatizava ou não com a Joanne, nossa protagonista. Apesar do livro ser escrito em terceira pessoa, em vários momentos tive a sensação de que conhecia os outros personagens através dos pensamentos dela, da opinião que ela tinha deles. Que era bastante contraditória, sinceramente. Ela não decidia se invejava ou não a mãe. Se a amava, odiava, se ela tinha sido uma boa ou uma péssima mãe. Até agora não sei ao certo o que a mocinha sentia pela Clea, o tal cisne que ela chamava pelo nome, uma vez que a mãe teria um troço se fosse chamada de outra maneira. No fundo, a própria Joanne não sabia o que sentia. 

- Ela tinha crescido num lar bastante desajustado, ao lado de pessoas que não entendiam que ela não passava de uma criança que necessitava de afeto. Queriam que ela se virasse sozinha, que encarasse as situações como uma adulta, pois a pessoa que merecia todas as atenções ali era Clea. E Joanne tinha a obrigação de viver ao redor da mãe, fosse apenas uma menina ou não! Seu pai se cansara do caos que era a vida familiar quando ela tinha apenas cinco anos. Ele partiu, reconstruindo a própria vida e deixando-a sob a responsabilidade de uma mãe que nada tinha de responsável ou de maternal. Não que Clea fosse agressiva com a filha ou algo do gênero. Ela simplesmente a deixava a cargo de outras pessoas, competindo com a menina por atenção. Porque os outros tinham que cuidar de sua filha, mas ela era quem vinha em primeiro lugar. Sempre! Se qualquer um olhasse com mais atenção para a menina, Clea fazia todo o necessário para voltar a ser o centro do mundo de todos e assim Joanne ia sendo esquecida. 

Naquela festa, apagada como de costume, Joanne tentava se convencer de que estava satisfeita com a vida que levava, embora seus próprios pensamentos nos gritassem que não, que ela já não aguentava mais. Que queria respirar, viver a própria vida e ser vista pelos outros também. Que a enxergassem como ser humano... como mulher. E tais sentimentos apenas se intensificam quando um homem misterioso e irresistível aparece, despertando algo novo em seu interior, mas mal notando sua existência. Porque enquanto ela não era capaz de tirar os olhos dele... ele só tinha olhos para sua mãe. 

E é aí que a história começa... 

Ben Norris tinha contas do passado para acertar... Cerca de vinte anos atrás, sua infância e seu lar tinham sido destruídos por uma mulher sedutora e ardilosa que enredou seu pai, transformando o casamento dele num inferno, apenas para fugir com outro depois... deixando para trás pura destruição. Ben tivera que ver, dia após dia, sua mãe afundar-se cada vez mais no álcool e seu pai viver pelas lembranças da atriz que havia amado e perdido. E, com a morte da mãe, ele jurou que iria vingar-se da mulher que acabara com sua vida: Clea Thorpe, a famosa atriz... a mulher da qual ele não conseguia tirar os olhos naquele momento. Todavia, não se deixaria levar por sua beleza e feitiço... Tinha seus próprios planos para ela... E no meio de tanto ódio e vingança quem ele estaria disposto a destruir no processo? Até onde ele estaria disposto a ir para conseguir o que desejava?

- Nem sei bem por onde começar...rsrs Não quero contar o livro inteiro, mas é bem provável que tenha que revelar certas coisas para fazer vocês entenderem a loucura desta história. 

Como eu disse antes, Joanne estava cansada de viver à sombra da mãe. E é algo bastante compreensível, pois no lugar dela eu já teria dado bye, bye  há muito tempo. Quanto mais eu conhecia a Clea mais repulsa ela me causava. Com uma mãe como aquela nossa mocinha não necessitava de inimigo algum. E se ela demorasse tempo demais para acordar acabaria tendo a vida destruída pela mulher que deveria protegê-la e amá-la, mas que estava apenas preocupada em vencer a filha em tudo. Em ser sempre mais que ela e impedir que qualquer homem a enxergasse. 

Na festa em questão, que dá início aos dramas e reviravoltas desta história, Joanne estava presente apenas como uma empregada, alguém que deveria garantir que tudo corresse bem, que os convidados fossem bem servidos e se sentissem confortáveis. Sua mãe era quem escolhia suas roupas e maquiagem, não admitindo que Joanne se vestisse como a mulher que era aos vinte anos. Ela deveria sempre aparentar ser uma menina, impedida de crescer. E, para não desagradar a mãe, a mocinha fazia todas as suas vontades. Porém, quando Ben cruza seu caminho e a faz sentir coisas que ela jamais tinha sentido antes, ela começa a se revoltar mais e mais com aquela situação, desejando ser vista por ele... querendo que ele a notasse e desejasse. Que a amasse. Por isso, lhe dói muito quando ele também se sente enfeitiçado pela mãe dela, sendo outro de seus tantos admiradores e sequer percebendo que Joanne estava ali, bem perto dele. Será que ela não tinha o direito de gostar de ninguém na vida e ter tal sentimento retribuído? Será que todos os homens pelos quais ela se interessasse sempre iriam preferir a sua mãe? 

A partir daquele dia, Ben se torna presença constante em sua casa, pois sua mãe, interessada no dinheiro que ele poderia investir em seu novo filme, o instiga cada vez mais, disposta a fazer o que fosse necessário para tê-lo aos seus pés. E ela era bastante esperta, não dá para negar. De todas as personagens desta história, Clea é a mais marcante. Ela conseguia fazer um ótimo papel de vítima, sendo sedutora quando queria, mas também sabendo ser uma menina inocente, uma mulher frágil, uma mãe dedicada.... tudo o que o momento pedisse. Não tenho dúvidas de que ela era uma ótima atriz!rsrs E se o Ben não a odiasse tanto, acredito que ele teria ficado preso em sua armadilha, sendo mais um que ela usaria da forma que quisesse. 

Mas a mocinha da história também acontece. Como nosso mocinho atormentado tinha fortes motivos para odiar a Clea, isso faz que em algum momento ele acabe por notar a Joanne, o que o surpreende e perturba, claro. De início, ele a via como uma menina, sentindo pena por ela ter crescido num ambiente como aquele, mas não perdendo seu tempo em lançar-lhe um segundo olhar. Todavia, seus caminhos acabam por viver se cruzando por conta da aproximação dele com sua mãe. E assim, ele tem a oportunidade de ver que ela era bem mais do que mostrava... e que começava a incendiá-lo por dentro. Amar não estava em seus planos. Muito menos a filha de Clea. Desta forma, ele encontra na atração que começa a sentir por Joanne um plano B, caso o primeiro não desse certo. 

Estão conseguindo acompanhar ou já se sentem perdidos?kkkkkk... Eu própria tenho que tentar manter os pensamentos organizados para não me perder!kkkkk.... Ben vai atrás de Clea por vingança. Na tentativa de destruir a vida dela como ela tinha destruído o seu lar e a vida de sua mãe. Clea decide usar o Ben para conseguir o que ela desejava. Joanne se sente muito atraída por Ben, ele é o primeiro homem a provocar seus sentimentos, a fazê-la desejar ser mulher e não apenas uma menina. E, embora ela não tivesse nada a ver com o que os dois pretendiam, acaba por ser a mais atingida. 

Vocês lembram que tudo começa por causa do pai do Ben? Por que Clea e ele viveram um romance no passado? Pois bem. Quando descobre que o filho foi atrás da mulher que ele nunca conseguiu esquecer (a vida dela era pública, então tudo era publicado nos jornais), Jeb decide aparecer e o plano A do nosso mocinho vai para o espaço!kkkkkk... Jeb conhecia o filho que tinha e os rancores que ele guardava. Assim, resolve aparecer para impedi-lo de machucar sua querida e, ao mesmo tempo, aproveita a chance para tentar reconquistá-la. Algo que ele vai conseguir fácil, fácil, é óbvio! 

- Furioso pela intromissão do pai, Ben sente-se no direito de descontar toda sua frustração na Joanne, não apenas porque ela era seu plano B, como também porque estava atraído por ela e revoltado por ela ter percebido que era mulher e passado a se comportar como tal, não mais se escondendo na imagem de menina.kkkkkkk... Sim, todos eles necessitam de um tempo no manicômio!kkkkkkkk... 

E aí aumenta o drama e sofrimento na vida da nossa mocinha. Aproveitando uma oportunidade de ouro e a ingenuidade da Joanne, ele a atrai para um "passeio" de lancha, convidando-a para um chá com um amigo dele. Sério, eu fiquei impressionada com a inocência estúpida desta mocinha! Ela era a única pessoa que o conhecia de verdade. A única para quem ele tinha confessado suas intenções, o ódio violento que sentia da mãe dela e dito com todas as letras o quanto desprezava as duas e queria destruí-las. Mas como ele meio que pediu "desculpas", ela achou que não teria nada de mau em ir passear com ele. Existe alguém mais imbecil?! 

Ela resiste um pouco, mas acaba se deixando levar por ele... quando dá por si, está trancada no "quarto" dele num iate. Sim, literalmente trancada, pois ele passou a chave na porta. Claro que ele estava dentro do quarto também. Vocês já podem imaginar o que ele pretendia. Quem conhece a autora já está até acostumada com coisas assim. Joanne resolve gritar por socorro, mas só falava inglês e francês e a única pessoa presente no iate, além dos dois, era um empregado que só falava grego e que mesmo que a entendesse não a ajudaria. 

Bancando uma daquelas vítimas de filmes de terror ou suspense, que ficam tentando fazer o maníaco ficar falando enquanto pensam num jeito de escapar ou fazê-lo mudar de ideia, Joanne deixa o Ben desabafar toda sua revolta, seus planos e blá blá blá.rsrs Eu não sabia se sentia pena dela ou se ria, para ser sincera. Era tudo tão patético e absurdo que eu própria já estava perturbada!kkkkkkkk... Os argumentos do Ben para estar se comportamento daquela maneira eram muito estúpidos. Cheguei à conclusão que ele tinha nascido com todos os parafusos fora de lugar.

Depois pensei: vamos ter aqui um revival de Paixão Diabólica ou Noites de Tortura (dois "romances" da mesma autora). Mas a autora conseguiu me surpreender! O que foi bom! Sinceramente, não estava preparada para tal estresse. Até aquele momento eu ainda não tinha odiado o Ben, apesar de ter desejado atacar algo em sua cabeça em algumas ocasiões. Eu não queria começar a desprezá-lo de verdade. Mas eu só não odiei o Ben por causa da Joanne, porque pela primeira vez na vida ela usou o cérebro para uma atitude que me fez dar gargalhadas aqui. Não contarei o que ela faz, é claro. Já falei demais!rsrs

- O livro, tendo como ponto de partida aquela situação no iate, dá uma reviravolta e tanto, seguindo por um novo rumo. E aí eu confesso que já não sabia o que pensar. Não tinha mais ideia de como a história terminaria. Lembrei do livro Fascinação e comecei a ficar nervosa, temendo que o livro tivesse o mesmo final. Não que em Fascinação o fim não tenha sido justo. Mas eu não queria algo como aquela história. 

- Se vocês pensam que toda a confusão e loucura do livro param por ali, estão muito enganados! Muitos outros absurdos acontecem e acabamos por nos sentir bem tontos, como se alguém tivesse nos girado e girado. Ainda me sinto meio tonta, gente!rs

- Não consegui acreditar numa cena em particular protagonizada pelos pais da Joanne e seus respectivos companheiros. Não sei se já conseguiram perceber que a Clea é uma sedutora, uma vadia qualquer que gosta que TODOS os homens a amem e desejem. Ela quer sempre se sentir a poderosa. Assim, durante uma reunião familiar, quando estava acompanhada pelo Jeb (que naquela altura já tinha se casado com ela), ela decidiu flertar abertamente com seu ex-marido, que estava acompanhado pela esposa. Além do Jeb ter se feito de idiota, como se não estivesse vendo o que a Clea fazia, a esposa do pai da Joanne, ficou calada, aguentando toda a situação. Mas isso não é o pior! O mais chocante é que depois que o momento passa, ela e a Clea viram "amiguinhas". Ela simplesmente se aproxima da Clea e ambas começam a conversar sobre moda e a Ângela percebe que JULGOU DE MANEIRA EQUIVOCADA a Clea, que ela não era a pessoa que imaginava. Isso só pode ser brincadeira, certo? A vagabunda tenta seduzir o marido dela, na frente de todos, e ela acredita que a julgou mal! Que ela era uma boa pessoa, apenas incompreendida! Fala sério! Eu já estava quase me internando num hospício! 

- Mas, acreditem, coisas mais loucas acontecem! Como a relação destrutiva entre a Clea e a Joanne. Numa altura do livro, mesmo tendo percebido que a filha estava interessada no Ben e já estando casada com o pai dele, a Clea tenta seduzir o Ben! Isso mesmo que vocês entenderam. Fazendo papel de mulher frágil e desamparada, ela tenta levá-lo para a cama. E o que a mocinha da história faz depois? A perdoa!!! E quase pede perdão à mãe por tê-la impedido de transar com o homem que ela amava! Não! Não estou brincando! Isso realmente acontece!

O mais desesperador, que nos faz desejar puxar nossos cabelos, é que o pai do Ben sabia que sua esposa estava tentando seduzir o seu filho. Que ela necessitava ter o Ben aos seus pés. E ele lida muito bem com isso!kkkkkkkkk... Como se fosse perfeitamente normal sua esposa querer "pegar" seu filho.kkkkkkkk... São ou não todos doentes neste livro? Sem sombra de dúvidas! 

Há um momento, quando algo importante acontece, que TODOS ficam com medo da reação da Clea. Porque a pobrezinha iria sofrer! Porque ela teria toda a razão em sentir-se ultrajada, coitada! A família ficou toda pisando em ovos, tentando proteger a florzinha delicada deles e eu quis esganá-los! É simplesmente absurdo demais para minha cabeça!

- Porém, confesso que eu até gostei do livro!kkkkkkkk... Ele mexeu com meus pensamentos, me deixou muito confusa e chocada, conseguiu me provocar uma reação, além de ter me feito rir com tanta loucura e só por isso já valeu a pena. Mas outro ponto positivo é que, apesar de também não serem normais, Ben e Joanne conseguem construir algo mesmo que nada pudesse parecer que ia dar certo. E o Ben reconhece os seus erros, enxerga com outros olhos suas atitudes do passado. E luta pelo que quer. 

- Eu acreditei no amor deles. Era tudo muito complicado, confuso, eles próprios estavam completamente perdidos no meio de suas histórias familiares, mas se apaixonaram sim. A Joanne se tornou a vida dele. Ele a amou mesmo não desejando isso. Só queria que a história tivesse girado mais em torno dos dois, que existisse mais romantismo, mais cenas deles dois juntos e menos Clea. 

- Recomendo ou não a história? Deixo que vocês escolham ler ou não, sem indicação minha!rsrs Não é um romance apaixonante nem nada do gênero. Achei um livro inteligente pela maneira que construiu a personalidade, o caráter dos personagens. A autora trabalhou bastante a construção psicológica de seus personagens, mas acabou por tudo girar em torno disso. Eu queria mais romance entre o casal protagonista, queria que a história fosse mais sobre eles dois. Infelizmente, não é assim. 
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