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27 de junho de 2022

Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke

 

Literatura austríaca
Título Original: Briefe an einen jungen Dichter
Tradutor: Pedro Sussekind
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2006
Páginas: 96

Sinopse: Paris, fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta de língua alemã do século XX em algumas das suas mais belas páginas de prosa. 




Estou apaixonada. Como é incrível descobrir-se amando assim, do nada! E logo depois de conhecer o objeto do seu amor, aquele que despertou suas emoções... Eu o conheci faz menos de uma hora e já o quero comigo até o fim da minha existência aqui nesta Terra. Preciso comprá-lo. Tê-lo como meu, para carregá-lo comigo sempre que precisar

Estou falando do livro Cartas a um jovem poeta, do autor austríaco, Rilke. Não estava em minhas metas. Na verdade, nunca tencionei lê-lo. Mas hoje, enquanto passeava pelo site da Amazon, o livro apareceu como indicação e resolvi lê-lo, assim, de impulso. Peguei emprestado pelo Kindle Unlimited e fui arrebatada logo nas primeiras páginas. 

Como explicar os sentimentos que esta obra de arte epistolar despertou em mim? Não dá! É simplesmente inexplicável. 

"[...] e mais indizíveis do que todos os acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa."

Depois de tudo o que se passou comigo no sábado, perdida em minhas emoções, sozinha com meus pensamentos e dores, este era exatamente o tipo de livro que necessitava ler. 

Não é o que se passa no exterior que vai ditar quem somos. É preciso nos voltarmos para dentro, onde estão todas as respostas que buscamos. Não é o que o outro pensa de nós que importa. Temos que aprender a ignorar as vozes que gritam do lado de fora, com acusações e falsas promessas. Que gritam tanto querendo calar justamente a voz que mais importa, aquela que fala baixinho, quase com timidez, de dentro de nós: a nossa voz interior, a voz da nossa essência. 

No sábado, eu permiti que todas as outras vozes gritassem. Na verdade, venho fazendo isso há muito tempo. Está na hora de parar. Espero encontrar dentro de mim toda a força necessária para ser diferente. Preciso mudar. Está mais do que na hora. 

"Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever?"

Como pode um livro te despertar do nada? Sempre disse que os livros são mágicos. Que assim como salvaram minha vida treze anos atrás, seguem me salvando dia após dia. Sem a literatura eu já teria retornado ao pó do que qual fui feita, do qual todos fomos criados. Eu já não seria nada. A literatura é parte de mim; necessito dela como do ar que respiro. 

"Não há meio pior de atrapalhar esse desenvolvimento do que olhar para fora e esperar que venha de fora uma resposta para questões que apenas seu sentimento íntimo talvez possa responder, na hora mais tranquila."

O dia de hoje, tão nublado e triste, chuvoso e frio, me presenteou com este livro. Acordei sem saber que o leria. E agora me sinto mais leve, até um tanto feliz. 

E, como eu disse, não dá para explicar o motivo para tanto amor por um livro tão simples, tão curto!

"Obras de arte são de uma solidão infinita, e nada pode passar tão longe de alcançá-las quanto a crítica. Apenas o amor pode compreendê-las, conservá-las e ser justo em relação a elas."

As palavras acima não fariam parte de uma resenha. Foram escritas no meu diário, na data de hoje, 26 de junho de 2022, logo depois de concluir a leitura deste maravilhoso livro. Eu senti a imensa necessidade de compartilhar com alguém tudo o que estava sentindo e que não conseguia explicar... A maneira como as palavras do autor se cravaram em mim. Como me impactaram. E eu sou aquela que, mesmo aos quase 28 anos de idade, tem o hábito de escrever num diário. 

Escrever me faz bem. Escrevo resenhas porque me sinto bem ao falar dos livros que li. Escrevo contos e até já concluí um romance (embora ainda não o tenha dividido com vocês) porque necessito disso. Do mundo das palavras. Da literatura, da escrita. E quando eu abro o meu diário, pego uma caneta e começo a escrever... consigo reorganizar minhas emoções. Me sentir viva de novo. 

Quando comecei esta leitura eu não fazia a menor ideia do que encontraria. Acreditava que era um simples livro em formato epistolar, que nos possibilitaria conhecer as cartas que Rilke trocou com o jovem poeta Kappus ao longo de alguns anos. 

Franz Kappus decidiu um dia escrever ao poeta Rilke, já bastante famoso em sua época, pedindo conselhos para se aventurar pelo mundo da poesia e acredito que nem ele imaginava tudo o que aprenderia com essa correspondência, a maneira como o autor abriria seu coração e compartilharia sua visão sobre diversos assuntos, capazes de despertar inúmeras reflexões em todos nós. E eu não sei, realmente não sei, colocar em palavras a maneira como ele consegue mexer com nossas emoções. Só posso recomendar que você reserve uma hora do seu dia para dar uma chance a este livro. E espero de verdade que ele te faça tão bem como me fez!

"Viva por algum tempo nesses livros, aprenda com eles o que lhe parecer digno de aprendizado, mas sobretudo os ame. Esse amor lhe será retribuído milhares e milhares de vezes, de modo que, seja qual for o rumo tomado pela sua vida, tenho certeza de que ele percorrerá o tecido de seu ser como um dos fios mais importantes entre todos os fios que compõem a trama de suas experiências, decepções e alegrias."





19 de junho de 2022

A Casa do Penhasco - Agatha Christie

 
Literatura Inglesa
Título Original: Peril at End House
Tradutor: Otávio Albuquerque
Editora: L&PM Pocket 
Edição de: 2016
Páginas: 192

Sinopse: Uma semana de férias no ensolarado litoral da Cornualha... Esse parecia ser o cenário perfeito para coroar o fim da brilhante carreira do detetive Poirot, ao lado de seu inseparável companheiro, o capitão Hastings. 

No entanto, o clima de tranquilidade é quebrado quando eles conhecem a srta. Buckley, a jovem de ar rebelde herdeira da Casa do Penhasco, que lhes diz ter escapado da morte diversas vezes nos últimos dias. Seriam meros acidentes? Ou haveria alguma explicação sinistra por trás disso? Empolgado, Poirot decide abandonar os planos de aposentadoria e volta à ativa em A Casa do Penhasco, publicado em 1932, para mais um intrigante caso que testará todas as suas habilidades. 




Será que estou de volta? Ainda não sei. Esta é minha primeira tentativa de retorno às resenhas desde que perdi o meu anjo. Faz mais de seis meses que não escrevo uma resenha sequer, algo que nunca tinha acontecido em todos os doze anos de blog. 

Sabe quando você pega um livro para ler bem ao acaso? Não que a história não estivesse na minha lista de futuras leituras e até mesmo nas metas para 2022. A questão é que não pretendia lê-la agora. Estou com diversas leituras em andamento e bem atrasadas. Não fazia nenhum sentido iniciar algo sem ter finalizado pelo menos uma das que estão um tanto paradas.

"Minha massa cinzenta ainda funciona, a ordem, o método, tudo ainda está lá."

Depois de uma brilhante carreira como detetive, Hercule Poirot decide "sair de cena", pois não há nada "mais grandioso do que descer do pedestal no auge da fama" (página 10) e resolve curtir sua vida de aposentado com o seu grande amigo Hastings numa viagem para o litoral da Cornualha, onde só quer descansar. Nada de crimes. Nada de investigações. Somente paz e sossego... Até uma bala passar voando, quase atingindo uma jovem que se encontrava no jardim do hotel no qual ele estava hospedado. 

A quase vítima, uma jovem muito bonita e extrovertida, não chega a perceber o perigo. Acredita que o que passou perto da sua cabeça foi simplesmente uma abelha. Mas Poirot sabe o que viu e logo localiza a prova do fato: a pequena bala, que poderia ter colocado um ponto final na vida daquela moça. 

Sem ter visto o autor do disparo, a inquietação de Poirot só aumenta quando descobre que a moça havia escapado da morte três vezes nos últimos três dias, vítima de supostos "acidentes". Sabendo que nenhum ser humano poderia ser tão azarado ao ponto de sofrer três acidentes quase fatais num curto período de tempo, nosso amado detetive decide achar o autor daquelas tentativas de homicídio antes que ele finalmente conseguisse o que desejava. Mas qual seria a motivação? Quem poderia querer assassinar aquela jovem que não parecia possuir inimigos? E... por quê?! Dinheiro? Inveja? Ciúmes? Fosse qual fosse o motivo... era preciso correr contra o tempo, pois nada poderia garantir que Nick escaparia da quinta tentativa...

1 de novembro de 2021

A Noite das Bruxas - Agatha Christie



Literatura Inglesa
Título Original: Hallowe'en Party
Tradutor: Bruno Alexander 
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2014
Páginas: 236 (e-book)

31ª leitura de 2021 (24ª resenha do ano)

Sinopse: Era a vez da viúva Rowena Drake ser a anfitriã da tradicional festa de Halloween do vilarejo. Durante os preparativos, Joyce, uma irrequieta menina de treze anos, gaba-se por já ter testemunhado um assassinato. Ninguém lhe dá ouvidos e tudo transcorre bem em meio a brincadeiras do dia das bruxas, até que um crime interrompe a diversão.

Hercule Poirot prepara-se para uma noite entediante quando é surpreendido por uma ligação aflita de sua velha amiga e escritora de livros policiais Ariadne Oliver, convicta de que só ele poderia desvendar esse mistério antes que um novo crime aconteça... Publicado em 1969, A noite das bruxas é um romance da maturidade de Agatha Christie e uma das últimas obras escritas pela Rainha do Crime.





No mês de outubro eu resolvi fazer algumas leituras temáticas e vocês viram por aqui resenhas de O Vilarejo, de Raphael Montes; do clássico Psicose, de Robert Bloch; e de Ensaio sobre a Cegueira, do José Saramago, que apesar de não ter lido especialmente para o mês do Halloween, se encaixou completamente por conta de todo o horror presente na história. 

Li todos os livros temáticos que gostaria no mês passado?rs Não! Faltaram 3, mas vou concluir a leitura deles entre novembro e dezembro. O que eu sim pretendia ter resenhado ontem era A Noite das Bruxas, porém não terminei o livro a tempo de fazer a resenha. Na verdade, cerca de 30% da leitura acabou ficando para hoje, mas considero leitura de outubro por ter lido a maior parte do livro no mês passado e ter terminado o restante logo na manhã do dia de hoje.kkkkkk

Eu estava muito empolgada por esta leitura, confesso! Criei muitas expectativas, não só pela maravilhosa experiência que foi ler E Não Sobrou Nenhum, mas também porque depois de um longo tempo voltaria a ler um livro protagonizado pelo meu querido Hercule Poirot. 

Nesta história temos uma festa de Halloween feita para que as crianças do bairro se divertissem. Ela é organizada pela senhora Rowena Drake, uma mulher muito respeitada na região, com a colaboração de mães e professoras que queriam que suas crianças tivessem uma noite inesquecível. 

Algumas crianças e adolescentes também participaram dos preparativos ao longo do dia, entre eles Joyce, uma menina de treze anos que, impressionada pela presença de uma grande escritora de romances policiais (Ariadne Oliver, personagem que eu encontrei antes no livro Os Elefantes não Esquecem e que é claramente inspirada na própria autora Agatha Christie.rs), decide contar que já testemunhara um assassinato. Embora ninguém tenha acreditado em sua história (ou assim pareceu), à noite, quando a festa teve início, um crime chocante foi cometido: Joyce foi encontrada assassinada num dos cômodos da casa. Afogada. Algo que colocava todos os presentes como suspeitos... não só daquele crime, mas do assassinato que a menina, horas antes, confessara ter visto. Afinal de contas, que outro motivo haveria para que ela fosse morta do que o medo do assassino de ser pego por um crime do passado do qual ele acreditara ter escapado impune?

"Já aconteceu de o senhor dar uma mordida numa bela maçã vermelha e depois ver, lá no meio, algo nojento se levantar e sacudir a cabeça em sua direção? Grande parte dos seres humanos é assim."

A polícia local não parecia encontrar conexão entre os dois acontecimentos, até porque não acreditavam que a menina realmente tivesse testemunhado algum crime no passado, já que ela era conhecida como uma criança muito mentirosa, que estava sempre inventando coisas. Mas Ariadne Oliver, que esteve presente tanto no momento em que Joyce soltara a declaração bombástica quanto durante a festa infantil a convite de uma amiga que ajudara nos preparativos, sentia que Joyce não mentira. Embora no momento ela também tenha duvidado do que a menina dissera, sua morte mudava todo o cenário. Existia um assassino que matou no passado... e essa pessoa assassinara a menina para silenciá-la. 

Disposta a descobrir a identidade do assassino antes que ele acabasse matando de novo, Ariadne entra em contato com Hercule Poirot e o "intima" a viajar até à cidade em que a tragédia acontecera para interrogar as pessoas e desvendar o brutal crime. Quem entre todas aquelas pessoas aparentemente "boas" seria o assassino?! E que assassinato ele teria cometido no passado, que tentava ocultar a qualquer preço? 

"Poirot agora tinha consciência do perigo - perigo que poderia vir para alguém a qualquer momento, a menos que fossem tomadas providências para evitá-lo. Um grande perigo."

No início, eu apreciei muito a história. Como disse, estava muito empolgada, cheia de expectativas, imaginando que seria mais um dos tantos sucessos da autora e minha experiência de leitura de seus livros, na maioria das vezes, é bastante positiva. Continuei gostando muito do livro quase até o final, na verdade, quando descobri que quase todas as minhas suspeitas se confirmavam. Foi aí que fiquei um tanto decepcionada. Porque não era que eu tivesse me esforçado para descobrir quem era o assassino e fosse uma maravilha ter acertado. Não. A questão que me decepcionou foi que o assassino era tão óbvio e tudo conduziu fácil até ele que eu queria muito ter errado. Queria descobrir que a pessoa era alguém em quem eu nem tinha pensado. E não havia nenhum outro elemento no livro que pudesse atenuar a decepção pelo assassino e seus motivos estarem tão na cara do leitor, entende?

Foi uma narrativa muito simples, com um mistério que até uma criança poderia resolver!rs Não é isso que estou acostumada a encontrar nos livros da autora e fiquei frustrada por ver o Hercule Poirot desperdiçando suas "células cinzentas" com uma trama tão inferior aos seus grandes sucessos.

Mesmo assim, não posso dizer que me arrependo de ter lido o livro. Eu sou muito fã da autora e do Hercule Poirot e sentia tantas saudades dele que a história já valeu só pela felicidade de revê-lo, de reencontrá-lo. :) 

Mas isso não significa que o livro é ruim, gente, e que só valeu a pena por ter o Hercule Poirot nele. Eu é que me decepcionei pelo mistério não ser realmente um mistério. Existem acontecimentos no livro que nos impressionam e chocam pela maldade humana, por alguém ser capaz de matar tão friamente uma criança. Nunca deixo de me surpreender com a crueldade do ser humano, com a maneira como podemos fazer as piores coisas para "proteger" nossos próprios interesses. A autora sempre conta em seus livros histórias que facilmente poderiam acontecer na vida real. E acontecem, né? Não é à toa que não consigo mais ficar assistindo jornais, que prefiro evitar ao máximo as notícias... Há muita maldade neste mundo em que vivemos. 



9 de setembro de 2020

A Abadia de Northanger - Jane Austen


Literatura Inglesa
Título Original: Northanger Abbey
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2011
Páginas: 272

49ª leitura de 2020 (46ª resenha do ano)

Sinopse: Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros...



Estou passando por dias um tanto ruins na minha vida e confesso que não me sinto capaz de escrever esta resenha. Mas este é um livro que me encantou tanto que eu resolvi pelo menos tentar falar sobre ele. 

Persuasão era até agora o meu livro preferido da Jane Austen. Todavia, depois da maravilhosa experiência de ler A Abadia de Northanger, eu já não sei mais o que fazer.rsrs Acho que vou deixar os dois ocuparem o primeiro lugar entre os mais amados da autora...

Quando iniciei esta leitura eu não sabia bem o que esperar. Não é um dos romances mais famosos dela, poucas vezes li resenhas sobre ele (na verdade, no momento, sequer consigo lembrar de nenhuma resenha que tenha lido!) e, no fundo, acreditava que não chegaria aos pés das outras histórias. Só que logo no início, a ironia da autora, bem mais explícita neste romance do que em qualquer outra história que já li dela, já me fascinou e eu ria tanto com a maneira como ela debochava dos costumes e das relações de "amizade" existentes entre alguns personagens, que consegui perceber que este livro me preparava grandes surpresas...

Nele temos uma heroína que não possui muitas características dignas de uma heroína (segundo a autora, que o tempo inteiro "se mete" na história.rsrsrs), que tudo o que conhece da vida é o que leu em seus amados livros (vários deles de terror) e a pouca experiência que tinha em se relacionar com outras pessoas, vez que vivia num vilarejo de onde jamais tinha saído. Ela tinha apenas dezessete anos e era bastante ingênua, inclusive para a idade. 

Um dia, o senhor e a senhora Allen, que não tinham filhos e viam em Catherine sua protegida, resolveram levá-la para uma temporada em Bath, algo que a empolgou bastante. Era sua primeira chance de conhecer outros lugares, outros tipos de pessoas e possivelmente um "mocinho" adequado. Lá, Catherine acaba desenvolvendo amizade com Isabella Thorpe, que lhe jura fidelidade eterna e não consegue passar sequer um dia longe de sua "amada amiga". Isabella possuía um irmão, John Thorpe, que por coincidência era o melhor amigo do irmão da nossa mocinha. 

Além desses personagens, que serão significativos na vida de nossa heroína, ela também conhece Henry Tilney, por quem sente uma "inexplicável" atração. Só com ele queria realmente dançar. Só com ele era interessante conversar e o mais fascinante é que Henry não via os romances com desprezo, como outras pessoas, e não é nada mau se interessar por alguém que aprecia os livros, certo? Só que existia John Thorpe, o desagradável e "chiclete" irmão de sua amiga. Alguém que amava muitíssimo a si mesmo (e ninguém mais) e estava determinado a conquistar Catherine e atrapalhar sua amizade com os Tilney.

E como se não bastasse os grandes desafios que Catherine terá que enfrentar ao lidar pela primeira vez com a hipocrisia de outras pessoas, sua imaginação tão fértil conseguirá colocá-la numa certa confusão... em uma determinada abadia.  

Mas se tem uma coisa garantida nesta divertida e envolvente história é o final feliz! Dele, Jane Austen não abre mão. Para a alegria de nós leitores, claro!

" - A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida."

Eu amei cada momento da leitura e só queria devorar as páginas para saber como terminava. É uma história na qual a autora usa e abusa da ironia como nunca a vi fazer (geralmente nos outros livros, ela é mais implícita) e isso foi o que mais me agradou. Me proporcionou muitas risadas e a maneira como ela se metia na história, conversando com nós leitores, também foi um espetáculo. Era como se ela realmente estivesse falando diretamente com a gente e isso foi incrível. Amei demais este livro! 

Impossível não mencionar o talento da autora para expor certas amizades falsas escondidas sob um verniz de grande carinho, bem como a hipocrisia daqueles que só se aproximam de outros por interesse e os tratam como os mais "preciosos do mundo", de acordo com o status e a riqueza deles. Vários personagens eram tratados de acordo com sua fortuna, as pessoas valiam apenas o que tinham... algo não muito diferente do que ainda acontece nos dias de hoje. 

Além disso, de maneira um tanto mais implícita, ela também menciona a realidade de filhos submetidos a pais controladores e abusivos, que precisam "pisar em ovos" todos os dias para lidar com alguém de quem não podiam se libertar pelos laços de sangue e de afeto. Uma das coisas que mais me enfurecia neste aspecto, era a maneira como aquele pai sempre falava pela filha, anulando suas vontades, anulando sua voz. E como, inclusive, a envergonhava na frente de outras pessoas. O tempo inteiro ela tinha que agir com cautela, tentando lidar com uma situação com a qual não teve outra escolha senão se acostumar... até ter a oportunidade de escapar daquilo pelo casamento. Tudo isso é mostrado de forma mais implícita, como eu disse, mas está ali para o leitor perceber. 

A relação entre Catherine e Henry é bem fofa, mas até nisso a autora teve que ser única.rsrs Só lendo para vocês entenderem. Gostei demais dos dois juntos e torci muito por seu final feliz. 

A história de alguns personagens não "fechou" como eu gostaria, mas a autora fez de propósito para que nossa imaginação fizesse sua parte. E como não falar da paixão da protagonista pelos livros???? É tão maravilhoso encontrar um personagem que seja leitor! Infelizmente, não aprecio o mesmo gênero literário que ela, mas só o fato de ela ser leitora já me deixou com um sorriso no rosto. E era bem divertido ler sobre as loucuras que a mente dela aprontava influenciada pelos livros lidos.kkkkkk... Ela é bem doidinha!

Enfim... É isto, queridos! Sei que esta resenha não é digna da história, mas fico feliz por passar pelo menos um pouquinho do meu amor pelo livro. Espero que tenham gostado! :)


-> DLL 20: Um livro lançado antes de 2016



6 de agosto de 2020

Fábulas Chinesas (Vários autores)


                                       

Literatura Chinesa
Organização e tradução: Sérgio Capparelli e Márcia Schmaltz
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2012
Páginas: 67

42ª leitura de 2020 (41ª resenha do ano)

Sinopse: O fabuloso mundo das fábulas

A fábula é um dos tesouros dos primórdios da humanidade. Gênero literário popular, tem origem em histórias transmitidas oralmente, de geração a geração – até que um ou mais escritores decidem registrá-las e dar-lhes uma forma definitiva. O presente livro reúne fábulas de diversos períodos da civilização chinesa – as mais antigas datando de antes da Era Cristã. São histórias de vários estilos, registradas por diversos autores que eram também poetas, mandarins, historiadores, sábios em geral, nas quais se evidenciam traços da cultura da China e uma sabedoria popular milenar. Para ilustrar esse mundo fabuloso, foi escolhida a arte do papel recortado, ou jianzhi. Muito comum na China e datando de dois mil anos atrás, esse tipo de ilustração tem, como a fábula, raízes na arte popular. Consiste em papel fino, geralmente de seda e de uma só cor, no qual, com muito esmero, são feitos pequenos e delicados recortes com tesoura, criando, assim, imagens que no mais das vezes representam cenas cotidianas ou animais.



Quanto tempo fazia que eu não lia uma fábula???!!! A verdade é que eu não sei.rs Acredito que a última vez foi ainda no colégio, então faz bastante tempo mesmo! O bom é que através deste livro, Fábulas Chinesas, eu pude ler, num só dia, exatas 35 fábulas! 

Como o título já diz, o livro reúne fábulas de diversos autores chineses, muitas delas datando de antes de Cristo. São histórias bem curtas que no final acabam por nos provocar um sorriso e nos fazem refletir sobre a sabedoria contida na maioria delas. Algumas me fizeram ficar pensando por um longo tempo, imaginando como textos escritos tantos e tantos séculos atrás ainda conseguem ser tão atuais...

Não sei dizer de qual delas gostei mais. Mas vou falar brevemente das minhas preferidas...rs

O pássaro de nove cabeças traz a história de um pássaro (obviamente, Luna!kkkkk) que não conseguia se alimentar, pois suas nove cabeças ficavam brigando violentamente sempre que ele tentava comer. Elas não conseguiam compreender, como um pássaro marinho bem ressaltará depois, que não importava por qual das bocas o alimento entraria, pois a barriga era a mesma.

Em O macaco dourado que comia cérebro de tigre, temos um macaco muito esperto, que sabia exatamente o que fazer para conseguir o que desejava. Assim sendo, ele resolve fazer amizade com um tigre conhecido como um animal feroz. O tigre aceita docemente o amigo inesperado, mas não percebe que por trás de tudo aquilo existia um interesse monstruoso. É uma fábula que nos faz refletir sobre quem permitimos que fique ao nosso redor. Muitas vezes damos a nossa amizade para alguém que pretende nos destruir, nos apunhalar pelas costas. Que nos manipula até conseguir tirar tudo de nós. Sabemos que existem pessoas assim, tóxicas. 

O lobo de Zhongshan traz uma moral bem parecida com a da fábula acima. Nela temos um lobo que acaba sendo ferido e mesmo assim tenta fugir de seu agressor. No caminho, encontra um senhor muito bondoso e implora por sua ajuda. O velhinho não se importa com os riscos de ajudar um animal tão perigoso e decide escondê-lo. Mas... quando o lobo vê que a ameaça cessou, resolve se voltar contra aquele que salvou sua vida, decidindo que vai se alimentar dele. E não só isso! O lobo ainda diz para o senhor que pessoas tão ingênuas como ele tinham nascido justamente para serem devoradas. Não vou dizer como a historinha termina, mas aqui refletimos sobre as situações nas quais ajudamos alguém sem esperar algo em troca e aquela pessoa zomba da ajuda que prestamos e ainda tenta nos arruinar. Claro que a maioria das pessoas não é traiçoeira assim, mas temos sim que tomar cuidado para não acabarmos "devorados". 

Eu também apreciei muito a fábula A raposa e o tigre (as raposas são sempre espertas!rsrs) e o Gato vegetariano. Todas as que mencionei aqui são as minhas preferidas. Não seria possível falar de todas as 35 fábulas, por isso resolvi falar apenas destas. 

O livro é rapidinho de ler (não levei nem uma hora) e ótimo para um momento no qual queremos mergulhar em histórias leves, depois de termos lido algo pesado, que nos desgastou emocionalmente. 


-> DLL 20: Um livro de fábulas ou lendas


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