9 de janeiro de 2019

Livros Lidos em 2019

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Olá, queridos!

Semelhante ao que fiz no ano passado, neste post reunirei os links das resenhas de todos os livros que li em 2019, conforme vá concluindo as leituras e publicando as resenhas. É uma maneira de organizar os posts e tornar mais prática a procura de vocês. Assim, quem quiser conferir quais livros li só precisará acessar um único post onde os mesmos estarão listados por mês. 

Nesta lista vocês também saberão quantas estrelas dei para cada livro lido. :D


Em janeiro

1- Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling (5 estrelas - favorito)
2- A Obscena Senhora D - Hilda Hilst (4 estrelas)
3- Uma Noite como Esta - Julia Quinn (5 estrelas - favorito)
4- O Menino do Pijama Listrado - John Boyne (5 estrelas - favorito)
5- Revelações - Linda Howard (2 estrelas)
6- Vox - Christina Dalcher (4 estrelas)
7- Maria Bonita - Adriana Negreiros (4 estrelas)

Em fevereiro

1- Uma Dama Fora dos Padrões - Julia Quinn (4 estrelas)
2- O Amor nos Tempos do Ouro - Marina Carvalho (4 estrelas)
3- Antígona - Sófocles (5 estrelas - favorito)
4- A Grande Ilusão - Harlan Coben (4 estrelas)

Em março

1- Desperte Comigo - Linda Howard (4 estrelas)
2- Um Amor Conquistado - Silvia Spadoni (3 estrelas)
3- Inimigos no Altar - Melanie Milburne (3 estrelas)
4- Legado do Deserto - Maisey Yates (4 estrelas)


Em abril

1- Balas, Bombons, Caramelos - Ana Maria Machado (4 estrelas)
2- Jane Eyre - Charlotte Brontë (5 estrelas)
3- Poemas Escolhidos - Emily Dickinson (3 estrelas)
4- Procura-se um Novo Amor - Debbie Macomber (4 estrelas)
5- Contos Peculiares - Ransom Riggs (4 estrelas)
6- O Destino Quis Assim - Rosemary Rogers (5 estrelas - favorito)

Em maio

1- Corte de Espinhos e Rosas - Sarah J. Maas (5 estrelas - favorito)
2- Flores Partidas - Karin Slaughter (5 estrelas - favorito)
3- Pecados no Inverno - Lisa Kleypas (5 estrelas - favorito)
4- O Sabor da Vingança - Yvonne Lindsay (1 estrela)
5- Harry Potter e a Ordem da Fênix - J. K. Rowling (5 estrelas - favorito)

Em junho

1- Além da Superfície - Duda Razzera (4 estrelas)
2- O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux (5 estrelas - favorito)
3- Helena - Machado de Assis (5 estrelas - favorito)
4- A Mulher na Janela - A. J. Finn (3 estrelas)
5- O Amante da Princesa - Larissa Siriani (4 estrelas)

Em julho

1- O Estrangeiro - Albert Camus (4 estrelas)
2- Um Corpo na Biblioteca - Agatha Christie (3 estrelas)
3- Mar da Tranquilidade - Katja Millay (5 estrelas - favorito)
4- A Viúva - Fiona Barton (4 estrelas)

Em agosto

1- Medeia - Eurípides (4 estrelas)
2- Boneco de Neve - Jo Nesbø (3 estrelas)
3- O Quinze - Rachel de Queiroz (5 estrelas)
4- Volte para Mim - Paola Aleksandra (3 estrelas)
5- O Conquistador - Shannon Drake (4 estrelas)
6- Contos Escolhidos - Machado de Assis (5 estrelas - favorito)
7- Negrinha - Monteiro Lobato (4 estrelas)

Em setembro

1- Tardes de Maio - Carmen O. (5 estrelas - favorito)
2- O Sol na Cabeça - Geovani Martins (4 estrelas)
3- Contos Estranhos - Bram Stoker (4 estrelas)
4- Um Marido de Faz de Conta - Julia Quinn (4 estrelas)

Em outubro

1- O Sal das Lágrimas - Ruta Sepetys (5 estrelas - favorito)
2- Caim - José Saramago (4 estrelas)
3- Escândalos na Primavera - Lisa Kleypas (4 estrelas)
4- Ratos - Gordon Reece (4 estrelas)
5- Contos de Terror, de Mistério e de Morte - Edgar Allan Poe (4 estrelas)

Em novembro

1- O Corcunda de Notre Dame - Victor Hugo (4 estrelas)
2- Malone morre - Samuel Beckett (3 estrelas)
3- Felicidade Clandestina - Clarice Lispector (4 estrelas)

Em dezembro

1- O Processo - Franz Kafka (3 estrelas)
2- As Regras da Sedução - Madeline Hunter (4 estrelas)
3- A Rosa Branca - Inge Scholl (5 estrelas - favorito)
4- O que o Sol faz com as Flores - Rupi Kaur (4 estrelas)
5- Cântico de Natal / Os Carrilhões - Charles Dickens (4 estrelas)
6- As Crônicas de Nárnia - C. S. Lewis (4 estrelas)


8 de janeiro de 2019

Desafio 12 Meses Literários 2019


Olá, queridos! :D

Eu estou muito feliz por poder participar mais um ano deste desafio tão maravilhoso, que me fez apostar mais em outros gêneros ao longos dos dois anos anteriores. Como eu tinha dito no post Projetos de Leitura para 2019, não sabia se o desafio seguiria existindo este ano. Creio que ele foi criado em 2017 mesmo e eu acompanho desde então. Todas as informações sobre este projeto vocês encontram no grupo do Facebook clicando AQUI. A criadora e moderadora do desafio é a Ana Paula Lima. 

Para saber quais foram os temas de 2018 e os livros que li clique aqui. :)

Agora vamos aos temas deste ano! Diferentemente dos anos anteriores não escolherei com antecedência os livros que lerei ao longo dos próximos meses. Como estou fazendo com muitos dos desafios dos quais estou participando as escolhas ocorrerão mês a mês e o post será atualizado no decorrer das leituras. 



JANEIRO: Revelações - Linda Howard (Resenha aqui)
FEVEREIRO: Uma Dama Fora dos Padrões - Julia Quinn (Resenha aqui)
MARÇO: Legado do Deserto - Maisey Yates (Resenha aqui)
ABRIL: Balas, Bombons, Caramelos - Ana Maria Machado (Resenha aqui)
MAIO: Além da Superfície - Duda Razzera - leitura concluída em junho (Resenha aqui)
JUNHO: A Mulher na Janela - A. J. Finn (Resenha aqui)
JULHO: Mar da Tranquilidade - Katja Millay (Resenha aqui)
AGOSTO: Boneco de Neve - Jo Nesbø (Resenha aqui)
SETEMBRO: O Sal das Lágrimas - Ruta Sepetys (Resenha aqui)
OUTUBRO: Caim - José Saramago (Resenha aqui)
NOVEMBRO:
DEZEMBRO: Cântico de Natal / Os Carrilhões - Charles Dickens (Resenha aqui)

- O que posso adiantar para vocês é que provavelmente tentarei encaixar no desafio leituras pendentes do ano passado (que foram só 12) e livros de gêneros diferentes. Além disso, costumo também repetir leituras de outros desafios. Por exemplo: tenho o desafio Literatura Nacional e Clássicos, vou ler o mesmo livro para ambos e se fosse o caso de se encaixar no desafio de janeiro deste projeto aqui (mas não se encaixa, claro) eu repetiria o livro. Porque não faz sentido tentar ler um monte de livros para cumprir cada desafio quando um mesmo livro preenche todos ou quase todos os temas do mês, certo?rs

Então é isso. Que tal também participarem do desafio?! É uma experiência única, que realmente nos acrescenta muito como leitores, nos faz conhecer livros novos e incríveis e abre portas para que tenhamos a coragem de arriscar mais, de apostar em outros gêneros e autores. :)

Deseja participar do desafio? Acesse o grupo no facebook clicando AQUI

O post será atualizado ao longo do ano, conforme eu publique as resenhas dos livros lidos. 

6 de janeiro de 2019

Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling

(Título Original: Harry Potter and the Goblet of Fire
Tradutora: Lia Wyler
Editora: Rocco
Edição de: 2001)

No quarto ano em Hogwarts, Harry Potter, embora ainda sem idade suficiente, é misteriosamente selecionado pelo Cálice de Fogo para competir no arriscado Torneio Tribruxo. Estranhos sinais luminosos no céu mostram que Voldemort pode estar anunciando sua volta. Além disso, a marca na testa de Harry não pára de doer, o que sempre significa que algo muito tenso está para acontecer.

Harry e seus amigos precisam enfrentar testes terríveis, dentro e fora da gincana.

Será que estão preparados?



Palavras de uma leitora...


- A sinopse acima foi encontrada no Skoob. Como vocês sabem, a edição que eu possuo da história não vem com sinopse. 

Quanto mais leio Harry Potter melhor compreendo o enorme sucesso desta série. São livros simplesmente maravilhosos! Um universo mágico do qual a autora fala com tanta propriedade que chegamos a acreditar que realmente existe.rsrs

Após os acontecimentos impactantes de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando descobrimos que o tal Sirius Black, um suposto assassino perigoso (padrinho de Harry Potter acusado de ter traído seus pais, dando ao Lorde das Trevas a localização exata dos dois) é na verdade apenas mais uma vítima do jogo de traição e poder de Voldemort e seus seguidores. Sirius não foi responsável pelo massacre do qual era acusado, bem como também nunca traiu os pais do Harry, sendo outro o verdadeiro culpado. 

Todavia, quem leu o livro sabe que o real assassino fugiu antes que Sirius finalmente pudesse provar sua inocência. Assim, ele é obrigado a se esconder do Ministério da Magia para não ser obrigado a voltar para Azkaban ou pior que isso: receber o beijo fatal dos dementadores.

Harry, que acreditava que finalmente poderia se livrar de ter que passar os verões ao lado dos tios que o odiavam, já que poderia estar com seu padrinho, fica frustrado com a fuga do verdadeiro assassino e a consequente impossibilidade de Sirius ser inocentado. Desta forma, é obrigado a se contentar em comunicar-se com o padrinho apenas através de cartas, escondido das autoridades do mundo da magia. 

Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, as coisas tomam um novo e inesperado rumo. Com o lorde das trevas cada vez mais forte a ameaça de seu retorno parece mais real do que jamais fora. A cicatriz de Harry volta a doer, pesadelos vívidos tomam conta de sua mente, como se tais momentos estivessem acontecendo em algum lugar, como se não fossem apenas pesadelos. E como se não bastasse, ocorre o desaparecimento misterioso de uma bruxa, bem como os Comensais da Morte, antigos seguidores de Voldemort, retornam para aterrorizar as pessoas. A Marca Negra, que sempre anunciava um massacre na época em que Voldemort liderava, também surge no céu. Será que era verdade? Voldemort, derrotado treze anos antes pela magia que protegeu Harry Potter de ser assassinado por ele, estaria de volta? Teria recuperado o seu poder? 

Quando as aulas em Hogwarts recomeçam há uma evidente tensão no ar, embora os professores e o diretor Dumbledore tentem aliviar o clima com o anúncio do Torneio Tribuxo, que tinha sido evitado por anos pelos perigos aos quais os campeões eram expostos. Com as novas medidas de segurança adotadas pelos responsáveis pela volta deste torneio nenhum participante correria risco excessivo de vida e os alunos das três escolas escolhidas poderiam se divertir ao longo do campeonato, sem medo. Pelo menos, era nisso que eles acreditavam. 

Uma das medidas de segurança era a limitação de idade. Nenhum estudante com menos de dezessete anos poderia colocar seu nome no Cálice de Fogo (artefato mágico que selecionaria o nome dos três campeões a concorrer no torneio). Para evitar que os alunos violassem tal regra, Dumbledore lançou um feitiço em torno do Cálice de Fogo, permitindo a aproximação apenas daqueles que fizessem parte da faixa etária indicada. 

Harry Potter, com seus quatorze anos, sabia que não poderia participar e não se importava com isso. Embora tenha cogitado, de brincadeira, concorrer tinha consciência de que não tinha aprendido o suficiente para estar preparado para um torneio deste porte. Assim, planejava apenas aproveitar o jogo com seus amigos, torcendo pelo campeão da escola. O que ele não poderia imaginar é que alguém, com o intuito de provocar a sua morte, colocaria seu nome no Cálice de Fogo, ocasionando, pela primeira vez na história deste torneio, que o artefato selecionasse o nome de quatro campeões. E uma vez selecionado nenhum campeão poderia se negar a concorrer, custasse o que custasse

- Este quarto volume da série foi, na minha opinião, o mais eletrizante de todos. Ele já começa tenso, pois as cenas iniciais nos mostram algo horrível, provocando medo. Pelo menos eu fiquei morrendo de medo.kkkkkk... E o tal Torneio Tribuxo já me deixou nervosa antes mesmo de saber o que cada campeão enfrentaria. 

Três escolas participariam do torneio: Hogwarts, claro, que além disso seria a escola que receberia os alunos e diretores das outras duas. Beauxbatons e Durmstrang, escolas das quais a gente nunca tinha ouvido falar e que representavam outros países do mundo da magia. Assim, cada uma teria seu próprio campeão para concorrer. Venceria aquele que, após as três tarefas a serem escolhidas, pegasse a Taça Tribuxo. Como alguém resolveu se aproveitar do torneio para matar o Harry, o Cálice de Fogo acabou por selecionar o nome de um quarto campeão e nosso protagonista foi obrigado a concorrer, mesmo que aquilo fosse um risco de vida. 

- Ao longo dos meses de torneio, coisas misteriosas acontecem, mas nada poderia nos preparar para o final. Eu fiquei com o coração acelerado e um nó na garganta. :( Foi um final chocante e muito triste. Ainda não me recuperei e não faço ideia do que se passará no quinto livro. Como conseguirão resolver algo tão grave. 

- Como eu digo desde que li o primeiro volume, Harry Potter é uma série que ensina grandes lições sobre amor, amizade, esperança... sobre fazer o bem e escolher o lado certo e não o mais fácil. Há desde o início da série uma evidente luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Os personagens que representam o bem não são pessoas isentas de erros, não são perfeitos. Eles são falhos como qualquer ser humano. O que os distingue é que, independente de qualquer coisa, não cedem às forças das trevas, ao comando de Voldemort. Não permitem que o mal os destrua. É uma série muito bonita que todo mundo deveria ler um dia. 

1 de janeiro de 2019

A Utopia - Thomas More

(Título Original: Utopia
Tradutora: Alda Porto
Editora: Martin Claret
Edição de: 2013)

Escrita no mesmo ano (1516) em que Maquiavel lançava seu fundamental O príncipe - A Utopia do inglês Thomas More descreve uma ilha imaginária permeada de justiça, liberdade e igualdade, opondo-se ao mundo em que o autor vivia: a Inglaterra dominada pelo rei Henrique VIII. 

Como em um jogo de espelhos, a ilha fictícia de Utopia é o oposto da Inglaterra do século XVI: dominada por conflitos entre a monarquia e a Igreja, por uma estrutura econômica que privilegiava algumas camadas da sociedade em detrimento de outras e pelo autoritarismo. 

A obra de More é um registro do universo humanista e se tornou modelo de todas as concepções posteriores do gênero. 



Palavras de uma leitora...


- Não. Eu não acordei num belo dia e pensei: por que não leio A Utopia? Não foi assim.kkkkkkk... Embora eu utilizasse esta palavra frequentemente (dizendo que isso ou aquilo é uma utopia/ilusão) e até soubesse que ela tinha sido inventada pelo Thomas More, nunca tive um real interesse em conhecer a obra. Era algo que fugia muito do tipo de leitura que costumo fazer. Ainda que esteja me habituando a ler cada vez mais clássicos, A Utopia ia um pouco além do que costumo ousar ler. A mesma coisa eu diria de O Príncipe, de Maquiavel, que está parado na minha estante, sem que eu tenha a coragem de ler.rs

Mas quem me conhece bem sabe que sou apaixonada por contos de fadas, especialmente o da Cinderela. :) E que minha adaptação preferida da vida é o filme Para Sempre Cinderela, brilhantemente protagonizado pela Drew Barrymore. Acredito até que meus motivos para amar tanto o conto é esta adaptação.rsrs Porque foi feita uma releitura maravilhosa da história, fazendo da nossa cinderela uma mocinha forte, determinada, que não se curva diante das situações e não espera que o príncipe encantado a salve. Muito pelo contrário! Danielle sempre salva a si mesma.rs Além disso é bastante instruída e seu livro preferido é... A Utopia.rs Agora já dá para entender por que decidi ler este livro!

Danielle, a cinderela neste filme, acredita na possibilidade de um mundo melhor, mais justo, em que as pessoas possam viver de maneira digna e não constantemente exploradas. Onde o pão não falte na mesa, onde o trabalho não seja insalubre e o salário seja suficiente para satisfazer as necessidades básicas e não seja quase todo consumido em impostos. Ela acredita em equidade. E isso porque uma vez, quando ainda era bem pequena, seu pai lhe trouxe de viagem um livro chamado A Utopia. Foi o último presente que recebeu do pai, pois pouco tempo depois ele morreu. Aquele livro se tornou seu bem mais precioso e um guia de vida. Ao tocar naquelas páginas sentia que o pai estava perto dela. 

- Há um trecho do filme em que Danielle está defendendo um criado que foi preso. Ela consegue juntar uma quantia para comprar a liberdade dele, mas não consegue. Então, diante do príncipe, defende sua causa: 

"Se o senhor submete seu povo a uma má educação e as maneiras são corrompidas na infância, e ainda por cima os castiga por aqueles crimes onde a educação os confinou... o que mais podemos concluir, Alteza, além do fato de que cria ladrões para depois puni-los?" [Filme Para Sempre Cinderela]

No trecho acima Danielle cita livremente um trecho presente no livro, conforme abaixo:

"[...] Vocês permitem que essas pessoas sejam criadas da pior forma possível e corrompidas de modo sistemático desde os primeiros anos de vida. Por fim, quando elas crescem e cometem os crimes que foram sem dúvida destinadas a cometer, desde a infância, começam a puni-las por roubarem!" [trecho do livro A Utopia. Editora Martin Claret, página 39]

No decorrer do filme são feitas outras menções ao livro e isso acabou por ir despertando o meu interesse ao longo dos anos. Assim resolvi apostar nesta obra e ver se ela conseguia provocar em mim a mesma paixão que a Danielle sentia. E não. Não me apaixonei pelo livro.rsrs

- A proposta do livro é boa e muito ousada, se considerarmos que Thomas More a escreveu no século XVI, quando a Inglaterra era controlada pelo rei Henrique VIII. Sim, o mesmo que rompeu com a Igreja Católica, fundou a Igreja Anglicana, se divorciou de Catarina de Aragão por capricho para casar-se com Ana Bolena e depois mandou executar a Ana porque sentiu vontade. Fora outras execuções pelas quais ele foi responsável, incluindo a do próprio Thomas More, que simplesmente foi condenado à morte por se negar a reconhecer o vaidoso rei como chefe da nova Igreja. Ele foi decapitado e seu corpo exposto para servir de exemplo, como era comum em vários momentos da História do mundo. Eu considero que foi arriscada a publicação de A Utopia já que o livro faz uma crítica explícita à forma de governo do referido rei. Todavia, considerando que o livro só veio a ser publicado na Inglaterra vários anos após a morte do autor... não foi tão arriscado assim. Ele publicou o livro em vida, mas em outro país.rs

- No livro conhecemos a famosa ilha Utopia através de um diálogo entre Raphael, o viajante que viveu em Utopia por cinco anos, e o próprio Thomas More. Raphael conta para seu novo amigo como era incrível aquele lugar, onde todos viviam de maneira digna e não existia o que chamamos de propriedade privada. Tudo pertencia à coletividade e várias famílias viviam numa mesma grande casa antes que ocorresse um novo rodízio e fossem mudadas de local para que uma nova família habitasse aquele lugar e trabalhasse no campo, se fosse o caso. Mas antes de continuar falando da maneira como as pessoas viviam nessa ilha fictícia é preciso voltar um pouco.rsrs

O livro é dividido em duas partes: Livro I e Livro II. Na primeira parte nota-se de maneira mais clara a crítica feita ao governo da Inglaterra quando Raphael expõe sua forma de ver o mundo e seus motivos para se negar a fazer parte da Corte de Henrique. 

"Para começo de conversa, a maioria dos reis está mais interessada na ciência da guerra - sobre a qual nada sei e nem quero saber - do que em técnicas úteis de tempos de paz."

Embora não ataque diretamente o monarca, Raphael parece reprovar a maneira como os reis (e aquele especificamente) gostavam de produzir guerra, de estar sempre em conflito com outros países. Algo que vai na contramão do que um verdadeiro rei deveria buscar: a paz. 

Entre as diversas críticas presentes nesta primeira parte do livro temos a pena capital a qual os condenados por roubo eram sentenciados. Daí aquele trecho presente no filme, lembram? Para Raphael era costume dos reis educarem através da opressão e da extrema miséria as pessoas para que elas se tornassem ladras, vez que a vida lhes dava apenas duas opções: roubar ou morrer de fome. Assim, condicionava as pessoas daquela forma e quando elas se viam tão desesperadas ao ponto de cometerem o roubo para poderem comer eram condenadas à morte. Este é o "criar ladrões para depois puni-los". Sobre este assunto o personagem Raphael ainda menciona o fato da pena capital violar o mandamento bíblico "Não matarás" dizendo que a interpretação dada como desculpa para admissão deste tipo de pena concede espaço para que a Bíblia seja sempre interpretada conforme os interesses de quem detém o poder. Sim, algo assim presente num livro escrito no século XVI! Fantástico, não é mesmo?rs

Boa parte da discussão presente nesta primeira parte é sobre o tratamento concedido aos criminosos, vez que Raphael considera a vida muito mais valiosa do que bens materiais, sendo inadmissível condenar alguém à morte por conta de um roubo. Ele defende como opção o trabalho forçado; em outras palavras: o trabalho escravo. E vou logo dizendo que o brilhante livro A Utopia não considera a escravidão como algo abominável. É errado matar alguém (a pena de morte é aceita em determinados casos em Utopia), mas ter escravos é perfeitamente aceitável. Tornar alguém escravo não é errado, sobretudo se essa pessoa cometeu algum crime. E na ilha fictícia em que a igualdade reinava, todos eram felizes e tratados de forma justa também existiam escravos. Então, a igualdade não era um direito de todos. 

Ainda entre os assuntos presentes na primeira parte e a afronta explícita ao rei, temos a questão levantada de que juízes podem ser de certa forma influenciados a satisfazer as vontades do monarca. Raphael fala de forma hipotética. Que algo assim poderia acontecer. 

"Um quinto recomenda-o exercer certo domínio sob os juízes, para que eles sempre deem um veredicto a seu favor. [...] Logo cada juiz expressará uma opinião diferente, um caso bastante claro começará a parecer controvertido, e se questionarão os mais simples fatos. Isso dará ao rei uma esplêndida chance de interpretar a lei em proveito próprio."

De maneira mais direta ainda ele insinua que um rei que vive no luxo enquanto boa parte da população passa fome não é digno de ser considerado rei. E se deixa o seu povo nestas condições é porque acredita que assim manterá tais pessoas sob controle, submissas às suas vontades. Logo, sendo incapaz de governar homens livres, exceto através da opressão, não sabe ser rei. 

São diversas as formas pelas quais o autor critica seu monarca no Livro I. E, na minha opinião, é a parte mais interessante de todo o livro. A segunda parte (Livro II), quando conhecemos mais profundamente a tal Utopia, não despertou tanto o meu interesse. E por isso digo que não me apaixonei pelo livro. Não vi nada de grandioso em Utopia, apenas uma verdadeira ilusão, em que as pessoas estavam condicionadas a uma forma de vida que também oprimia e elas não eram capazes de perceber. Uma sociedade que buscava uma suposta justiça social, mas admitia a escravidão. Em que mulheres tinham mais liberdade que na Inglaterra da época, mas que ainda assim estavam sujeitas ao controle dos parentes do sexo masculino. Em que as pessoas não eram tão livres assim para exercer qualquer ofício. E não tinham direito sequer a terem sua própria casa, nada sendo delas realmente. Que sociedade ideal é esta?! Como eu disse, a proposta é boa, a intenção ao mostrar uma sociedade mais evoluída, em que boa parte das pessoas viviam em igualdade de condições, felizes e se acreditando livres, em oposição à situação miserável em que os súditos do rei da Inglaterra viviam, é até legal. Mas as pessoas que viviam em Utopia também eram controladas. Estavam presas àquela forma de vida. Não eram livres para ter uma vida diferente daquela que lhes era determinada. E se desobedecessem de alguma forma às regras poderiam ser condenadas à escravidão. 

"A pena normal para qualquer crime importante consiste na escravidão. Os insulares afirmam que ela é tão desagradável para os criminosos quanto a sentença de morte, e mais proveitosa para a sociedade do que se livrar deles de imediato, pois trabalhadores vivos são mais valiosos que mortos, além de exercer uma influência dissuasória mais prolongada. Entretanto, se os condenados se revelarem recalcitrantes sob esse tratamento, e não obedecerem a nenhum tipo de disciplina na prisão, eles apenas os abatem como animais selvagens."

E falando em desobediência... Imagine que alguém numa determinada cidade da ilha quisesse visitar uma cidade vizinha para estar com um amigo. Ela podia simplesmente ir? NÃO. Tinha que ter permissão do Prefeito que lhe concederia um passaporte estipulando quando a pessoa deveria retornar. Caso alguém se atrevesse a viajar sem permissão e fosse pego seria conduzido de volta em "desgraça" e punido como desertor. Se cometesse tal infração pela segunda vez a pena era a escravidão. 

Não vou falar de todos os aspectos desagradáveis da ilha. Existiam pontos positivos como o incentivo para que as pessoas estudassem (para cargos pontuais em benefício da ilha), hospitais avançados e gratuitos, comida boa para todos (incluindo os escravos?), "liberdade religiosa"... Em resumo  posso dizer que o livro não conseguiu mais do que três estrelas. Porque não concordei com muitas das coisas aplicadas na tal ilha. Me pareceram bárbaras, por demais opressoras. A forma como a população era tão fortemente controlada e sequer notava me dava náuseas. Não leria esse livro novamente e está longe de representar um "mundo ideal". 

- Utopia, como eu disse, é uma palavra inventada pelo Thomas More. Significa literalmente "não lugar", lugar que não existe. Como também lhe foi dado o significado de algo fantasioso, imaginário, ilusório por conta da própria obra, eu costumo usar a palavra quando quero dizer que algo é ilusão.rs

Thomas More foi reconhecido como mártir e canonizado pela Igreja Católica por conta da causa de sua execução, que foi sua fidelidade aos ensinamentos católicos e sua fé em Deus. Ele era um homem muito religioso e culto e incentivava seus filhos (fossem meninos ou meninas) a estudarem, não fazendo distinção entre eles no que se refere à educação. 

- Um lado meu pensa que o autor, ao criar este "não lugar" estava agindo com ironia, debochando não só do governo da Inglaterra, mas também da sua ilha imaginária e sociedade ideal. Todavia, um outro lado acredita que para o Thomas More, Utopia realmente representava um modelo de sociedade e governo ideal se a outra opção era a realidade miserável da Inglaterra do século XVI. Naquela época realmente poderia ser um sonho maravilhoso viver num lugar como naquela ilha imaginária. E algumas coisas deveriam sim fazer parte de todas as sociedades: a valorização do trabalho humano, a diminuição de carga horária de trabalho (em Utopia trabalhavam seis horas diárias), o incentivo à educação, o desprezo pelo acúmulo de riquezas, no intuito de obter uma situação de maior igualdade. Utopia tinha aspectos muito positivos, mas tendo em vista que é um livro do século XVI, que tinha muito da mentalidade da época, também possui pontos negativos, como os que citei. Mas foram vários os trechos que marquei e que representam o que toda sociedade e governo deveriam praticar em nome de uma verdadeira equidade. 
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